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Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar

Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar

Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar

Radiograma, Mário Cesariny


Sem respostas ao post “Morreu às cinco e meia”  

  1. 1 1  Anónimo

    Aqui fica a homenagem sentida, feita por Jorge de Sena, seu grande amigo e admirador.

    Ó Maria Cesarina,
    ó Botta surrealista,
    quantas piças esquentadas
    te tem rendido essa alpista?

    Quanta água de cu lavado
    foi que tu deste a beber
    a tantos que nem teu cu
    pensaram nunca em foder?

    Os vasconcelos encantos
    que a todos fazem calar
    são versos mal traduzidos
    e fáceis de copiar.

    A mais da tua maldade
    com que os tens por tua prol
    - que a tua língua maligna
    onde toca… cancro mol’.

    Que a sífilis surrealista
    de que és supra-sumo esgoto
    só não se pega à distância,
    ó Breton de merda e escroto.

    30 de Setembro de 1970

    (Dedicácias, edição da Três Sinais, 1999)

  2. 2 2  M.B.

    E quando a luz se apagar faremos uma vénia e gritaremos infelizes que o mundo veio para ficar. Surrealismo sim, mas devagar. (Pausa para cigarro, breve, como deve ser). E agora nada, e agora tudo, tudo que é tão pouco. Abraças-te na esuridão da vida, encerra-te no turbilhão de quem não dorme mais, vive enquanto fumas, porque viverás vivendo

  3. 3 3  incomodus

    haja mais versos, alegria e insubmissão em “lisboa, capital do porto”, no “porto, capital de lisboa” e tudo à volta…

  4. 4 4  Luís Lavoura

    José Ignazio Sánchez Mejía morreu pelas cinco da tarde, nos cornos de um touro, e recebeu em prémio um dos mais famosos poemas de García Lorca.

    Este post fez-me lembrar isso.

  5. 5 5  Luís Lavoura

    José Ignazio Sánchez Mejía morreu pelas cinco da tarde, nos cornos de um touro, e recebeu em prémio um dos mais famosos poemas de García Lorca.

    Este post fez-me lembrar isso.

  6. 6 6  JOSÉ MOTA PEREIRA

    Foram-se as chuvas e recebemos a notícia da morte do imperador Cesar

    e N.Y. ,

    nesta manhã onde o Sol de esgueirou, não te digo.

    A Deus.

    Cesariny, Mestre

    do Sul

    realismo, com várias passagens por Torres.

    (Novas! Novas pela “clandestina” Galeria Neupergama!)

    - que os poderes vão ignorando mas faz mais pela cultura torrejana que muitos euros derretidos pela Câmara.

    Hoje.

    Com uma sensação de estarmos:
    + pobres.
    Portugal perdeu!
    um dos seus últimos génios loucos e livres.

    Estamos a ficar perigosa a mente e arrabanhados. Livra-te.

  7. 7 7  Saboteur

    PASTELARIA

    Afinal o que importa não é a literatura
    nem a crítica de arte nem a câmara escura

    Afinal o que importa não é bem o negócio
    nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio

    Afinal o que importa não é ser novo e galante
    - ele há tanta maneira de compor uma estante

    Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
    e cair verticalmente no vício

    Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
    antes de haver cinema madame blanche e parola

    Que afinal o que importa não é haver gente com fome
    porque assim como assim ainda há muita gente que come

    Que afinal o que importa é não ter medo
    de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
    Gerente! Este leite está azedo!

    Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
    à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
    de tudo

    No riso admirável de quem sabe e gosta
    ter lavados e muitos dentes brancos à mostra

    Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006)

  8. 8 8  josefa pacheca pereira

    Amem-me em vida, esqueçam-me em morto. Triste história triste a dos tristes tugas tristes. Bom dia.

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