
Alegre triste meigo feroz bêbedo
lúcido
no meio do mar
Claro obscuro novo velhíssimo obsceno
puro
no meio do mar
Nado-morto às quatro morto a nada às cinco
encontrado perdido
no meio do mar
no meio do mar
Radiograma, Mário Cesariny
Por Daniel Oliveira 26 Nov 06 em Sem categoria


Aqui fica a homenagem sentida, feita por Jorge de Sena, seu grande amigo e admirador.
Ó Maria Cesarina,
ó Botta surrealista,
quantas piças esquentadas
te tem rendido essa alpista?
Quanta água de cu lavado
foi que tu deste a beber
a tantos que nem teu cu
pensaram nunca em foder?
Os vasconcelos encantos
que a todos fazem calar
são versos mal traduzidos
e fáceis de copiar.
A mais da tua maldade
com que os tens por tua prol
- que a tua língua maligna
onde toca… cancro mol’.
Que a sífilis surrealista
de que és supra-sumo esgoto
só não se pega à distância,
ó Breton de merda e escroto.
30 de Setembro de 1970
(Dedicácias, edição da Três Sinais, 1999)
E quando a luz se apagar faremos uma vénia e gritaremos infelizes que o mundo veio para ficar. Surrealismo sim, mas devagar. (Pausa para cigarro, breve, como deve ser). E agora nada, e agora tudo, tudo que é tão pouco. Abraças-te na esuridão da vida, encerra-te no turbilhão de quem não dorme mais, vive enquanto fumas, porque viverás vivendo
haja mais versos, alegria e insubmissão em “lisboa, capital do porto”, no “porto, capital de lisboa” e tudo à volta…
José Ignazio Sánchez Mejía morreu pelas cinco da tarde, nos cornos de um touro, e recebeu em prémio um dos mais famosos poemas de García Lorca.
Este post fez-me lembrar isso.
José Ignazio Sánchez Mejía morreu pelas cinco da tarde, nos cornos de um touro, e recebeu em prémio um dos mais famosos poemas de García Lorca.
Este post fez-me lembrar isso.
Foram-se as chuvas e recebemos a notícia da morte do imperador Cesar
e N.Y. ,
nesta manhã onde o Sol de esgueirou, não te digo.
A Deus.
Cesariny, Mestre
do Sul
realismo, com várias passagens por Torres.
(Novas! Novas pela “clandestina” Galeria Neupergama!)
- que os poderes vão ignorando mas faz mais pela cultura torrejana que muitos euros derretidos pela Câmara.
Hoje.
Com uma sensação de estarmos:
+ pobres.
Portugal perdeu!
um dos seus últimos génios loucos e livres.
Estamos a ficar perigosa a mente e arrabanhados. Livra-te.
PASTELARIA
Afinal o que importa não é a literatura
nem a crítica de arte nem a câmara escura
Afinal o que importa não é bem o negócio
nem o ter dinheiro ao lado de ter horas de ócio
Afinal o que importa não é ser novo e galante
- ele há tanta maneira de compor uma estante
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os olhos frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
Não é verdade rapaz? E amanhã há bola
antes de haver cinema madame blanche e parola
Que afinal o que importa não é haver gente com fome
porque assim como assim ainda há muita gente que come
Que afinal o que importa é não ter medo
de chamar o gerente e dizer muito alto ao pé de muita gente:
Gerente! Este leite está azedo!
Que afinal o que importa é pôr ao alto a gola do peludo
à saída da pastelaria, e lá fora – ah, lá fora! – rir
de tudo
No riso admirável de quem sabe e gosta
ter lavados e muitos dentes brancos à mostra
Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006)
Amem-me em vida, esqueçam-me em morto. Triste história triste a dos tristes tugas tristes. Bom dia.