Este vídeo foi montado por mim e pelo Pedro Sales usando apenas excertos retirados do Jornal da Noite da SIC dos dias 26, 28 e 29 de Agosto. Isso mesmo: apenas três dias. A mistura de crimes graves com crimes menores, dando sempre a ideia, através da quantidade, de uma onda incontrolável de criminalidade, é evidente. De notar a sequência: muitos crimes, reacção do poder politico, empresas que tentam aproveitar a histeria e polícia a fazer encenações para a televisão em bairros sociais.

Já há notícias sobre o ano lectivo e sobre o ano político. Esta onda mediática deve estar a chegar ao fim.

Aproveito este vídeo para um longo post. Não sobre a insegurança, mas sobre a comunicação social e sobre o seu papel nas democracias modernas. Para quem tiver paciência, claro.

A criminalidade violenta aumentou em relação ao primeiro semestre do ano passado. Mas o ano passado foi o melhor dos últimos seis anos. Ou seja, olhando para a frieza dos números, nem o aumento em relação ao ano passado, nem a comparação com os restantes anos explica esta onda mediática. Ela é explicada por o que aconteceu na Quinta da Fonte, no BES e no assalto à carrinha da Prosegur. E, já agora, pelo facto deste ano não ter havido incêndios.

Nada disto reduz a gravidade dos crimes cometidos. Apesar de, como podem ver no vídeo, terem chegado aos telejornais notícias que em momentos normais nem às páginas de crime de um jornal sensacionalista chegariam. É um dado importante para perceber a forma como comunicação social se comporta em momentos de alarme social.

O debate sobre a comunicação social, os jornalistas e as manipulações acabam invariavelmente em teorias da conspiração. E acabam mal. Imaginam-se empresários a dar ordens, políticos a decidir alinhamentos, tenebrosos grupos a mexer os cordelinhos para calar uma notícia e fazer sair outra. Não negando que há interferências externas ilegítimas, grande parte do que se passa com a comunicação social de hoje resulta de uma dinâmica própria, no quadro da ética deste século: a ética do entretenimento, em que a televisão é a rainha.

Na era da televisão, falar de jornalismo ficando pela imprensa ou pondo a imprensa no centro do debate seria um absoluto disparate. A imprensa pode dar o conteúdo, pode até lançar cada tema, mas é a televisão que marca o ritmo e o ar de cada tempo. E esta é uma das principais características do jornalismo que hoje temos: é marcado pela televisão.

O jornalismo televisivo vive, antes de mais, segundo as regras da televisão e só depois segundo as regras do jornalismo. Tem o ritmo frenético da televisão e aproxima-se o mais que pode da ficção das telenovelas. Precisa de criar narrativas próprias. E, como as telenovelas, para ter mercado cria mercado. Cria necessidade e ansiedade. E quando submerge o país na sua própria narrativa, dá as pessoas mais do mesmo até esgotar o filão. Depois, o consumo será, como é quase sempre, compulsivo: se as pessoas estão com medo, dá-se-lhes pânico (é o que se fez com a criminalidade), se as pessoas estão animadas dá-se-lhe euforia (foi o que se fez com o Euro 2004 ou Expo), se as pessoas estão desanimadas dá-se-lhe a depressão (foi o que se começou por fazer com os Jogos Olímpicos). E assim cria uma sociedade maníaco-depressiva, que salta da euforia para o desânimo absoluto.

Dois bons exemplos são recentes: o da insegurança e o das medalhas nos Jogos Olímpicos.

Cada onda mediática começa com um pequeno ou grande facto que, por alguma razão, afecta as pessoas. Foi o caso da Quinta da Fonte (que envolvia ciganos, ciganos com plasmas, a desordem e o caos e imagens próximas do que conhecemos de filmes de acção). A essa história juntou-se o assalto ao BES (com imigrantes, insegurança e outro enredo aproximado ao da ficção televisiva). Tínhamos duas histórias excelentes para que a onda ganhasse grandes proporções. O assalto à carrinha da Prosegur já só serviu para manter a onda para lá do que seria normal.

Todas as histórias que vemos no vídeo que aqui coloquei são verdadeiras. Mas se olharmos com atenção, a maior parte delas é relativamente banal numa grande cidade e noutra altura nunca teria direito a tempo no telejornal. E muito menos a abrir um telejornal (como foi o caso de um assalto a uma ourivesaria). É a repetição de muitos pequenos casos que cria a sensação de grandeza.

Se se colocasse como abertura do telejornal cada violação que tem lugar neste país entraríamos em estado de choque. No entanto, ninguém se atreverá a dizer que a violação não é um crime gravíssimo. Mas a televisão tem uma capacidade impossível de contrariar: transformar a excepção em regra, o receio em medo, a indignação em histeria. É a repetição de dezenas de casos de assaltos (e dezenas de assaltos acontecem no pais há anos, todos os dias), que cria esta realidade.

O caso dos Jogos Olímpicos é também interessante. E atípico, pelo seu desfecho. Os maus resultados e as primeiras declarações desastradas dos atletas tinham tudo para resultar: a metáfora de um país falhado, preguiçoso (quer é dormir de manhã e diz que a culpa foi dos outros). É assim que o país, em plena crise económica e de confiança, se sente. A história era por isso boa e os jornalistas pegaram. E foi só continuar o enredo. Insistir com os atletas inexperientes na relação com os media e esperar que se espalhassem ao comprido. E depois procurar reacções aos seus disparates. A do Presidente do Comité Olímpico e a de Vanessa Fernandes foram as mais conseguidas para ajudar a continuar a narrativa.

Só que no fim, neste caso, as coisas mudaram sem que disso se estivesse à espera. As medalhas vieram e até foi a melhor participação de sempre nos Jogos Olímpicos. Os actores ficaram sem personagens. E de repente o presidente do COP já não ia embora. E de repente o editor de desporto da SIC descrevia Vanessa Fernandes, que antes tivera o papel de competente e corajosa por criticar a má conduta dos seus colegas, como alguém que era imponderada e pouco solidária. Os jornalistas montaram o guião, Vanessa Fernandes aceitou o seu papel e depois eram os próprios jornalistas a atira-la borda fora e a dar-lhe uma outra personagem, bem menos simpática. Avaliação do que eles próprios fizeram? Nenhuma.

Os jornalistas não são profissionais autónomos. Cada vez mais proletarizados, não criam um discurso próprio. Apenas repetem discurso já legitimado. Têm de ser objectivos. Mas, na realidade, apenas existem métodos de trabalho rigorosos. A objectividade é uma ficção. É, na realidade, a normalização do discurso dominante. E esta assunção do discurso dominante acaba em auto-censura. Sem autonomia, o jornalista pode ser mais facilmente tendencioso para se aproximar desse discurso do que para se aproximar da sua própria posição.

Recentemente, com o crescente peso da opinião nos jornais (e até na televisão), os colunistas transformaram-se num dos principais instrumentos de legitimação do discurso que os jornalistas adoptam. A maioria dos colunistas limita-se a repetir o discurso hegemónico, transformando-o em senso comum. Eles são a opinião pública. Fora disso teremos, quanto muito, opiniões privadas.

No caso da insegurança, foram os colunistas que, transformando ideologia em senso comum, fizeram a agenda. A propósito da Quinta da Fonte, os temas escolhidos foram os apoios sociais e a falta de autoridade do Estado. Podia ter sido os bairros de realojamento. Não foi, porque quem domina os espaços de opinião tem um posicionamento ideológico. E rapidamente os jornalistas adoptaram este ponto de vista nos trabalhos que foram fazendo. No caso das medalhas foi o país que não trabalha, que é pouco exigente, que vive na balda. Podia ter sido a falta de apoio aos desportos com menos praticantes.

Porque usa o senso comum, o jornalista apenas confirma o consenso. Fora do consenso, estará no campo da sua opinião pessoal, do jornalismo com causas, tendencioso, pouco objectivo.

Geralmente, pensa-se que quem ganha com cada onda mediática é responsável por essa onda mediática. E assim nascem rebuscadas teorias da conspiração. Geralmente é bem mais simples: quem tem a ganhar com um ambiente de histeria aproveita o momento em que o debate é impossível. Foi assim nos EUA depois do 11 de Setembro, é assim em Portugal em vários momentos. Ninguém acredita que as empresas de segurança privada, a Associação Sindical de Juízes, com todos os seus aliados contra as alterações ao Código do Processo Penal, ou o CDS têm força para criar uma onda destas dimensões. Apenas surfaram nela.

O momento é propício porque nele estão anuladas as condição para um debate em que a contra-corrente tenha espaço: existe o que existe na televisão e não há números ou argumentos que destruam o que aparece na televisão. A cor e o som da realidade televisiva são muito mais fortes do que a cor e o som da realidade. Quem disser qualquer coisa de diferente, mesmo que seja a mais básica das evidências, é esmagado. E neste ambiente de histeria todos os interesses aproveitam para ganhar a sua parte.

O ambiente de histeria e a sua utilização por quem tenha a ganhar alguma coisa com ele é especialmente grave quando sabemos que os jornalistas têm hoje poucas ou nenhumas condições de investigação. Aliás, a sua falta de autonomia para definir o seu próprio discurso também resulta disto mesmo: da proletarização das formas de produção nas empresas de comunicação. São cada vez mais os jornalistas sem vínculo, cada jornalista produz várias peças por dia, enchendo chouriços sem tempo para fazer um trabalho rigoroso. É a rapidez na produção e o tom apelativo dos trabalhos, mais do que a qualidade e do que o rigor, que são valorizados.

É nestas circunstâncias, em que os jornalistas estão vulneráveis a todo o tipo de manipulações e em que a histeria e o puro entretenimento se instalam no lugar da informação rigorosa, que os poderes públicos são obrigados a reagir às ansiedades dos cidadãos.

Na última onda mediática (outros existiram e outras existirão), o Procurador e os juízes tentaram conseguir alguns ganhos para a sua imagem e alguns recuos nas alterações à lei e Cavaco tentou fazer o papel que reservamos para o Chefe de Estado (a voz do consenso nacional). Mas mais graves foram as reacções do governo e das policias. Elas são um excelente exemplo dos perigos que vivemos na era do jornalismo do entretenimento. O ritmo é de tal forma alucinante, a opinião pública é de tal forma volátil e as ondas mediáticas são de tal forma esmagadoras que as reacções dos poderes públicos só podem ser irresponsáveis.

Na melhor das hipóteses essa reacção tenta apenas agir na aparência das coisas, sem grandes consequências a longo prazo. É o caso da acção policial na Quinta do Mocho, Quinta da Fonte e Bairro da Arroja. Apesar de nada terem a ver com os crimes que estão a ser noticiados, os poderes públicos, reagindo às notícias, reservaram para os moradores daqueles bairros um papel: são os outros, são o perigo, são os suspeitos do costume. Não espanta, por isso, que no meio da histeria ninguém se indigne com o facto de bairros inteiros serem transformados em palco de uma exibição de força que tem como única função, como a própria porta-voz da PSP confessa, aparecer na televisão.

Noutros casos tomam-se decisões de fôlego. Foi o que o governo fez nas mudanças às regras da prisão preventiva. E é o que se faz imensas vezes: muda-se a lei, mudam-se politicas, de forma anárquica e incoerente, para responder à pressão mediática de cada momento.

A verdade é que nas sociedades democráticas os tribunais, os políticos ou as policias não podem ser insensíveis à pressão mediática. Mas o ritmo televisivo e as mudanças de humor que a pressão mediática cria são incompatíveis com a racionalidade a que estão obrigados. Ou se cria uma realidade paralela que apenas actua na aparência ou, mais grave, destruímos todas as bases de um sistema institucional democrático, que exige ponderação e coerência.

Concluindo este post enorme: o jornalismo do espectáculo, que acompanha o ritmo da televisão e tende a ser obsessivo, que não tem autonomia e que está vulnerável a todo o tipo de manipulações, é um dos fenómenos mais perigosos das democracias modernas. As nossas sociedades estão dependentes de jornalistas frágeis perante as fontes e perante a construção de discursos hegemónicos, sem capacidade de investigar e presos à lógica do entretenimento. Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados.


65 respostas ao post “Na onda”  

  1. 1 1  xolitos

    Esqueceu-se do caso das alforrecas assassinas…
    se tiver tempo: http://www.cambadadeanimais.blogspot.com/

  2. 2 2  Valupi

    O texto é longo, mas isso seria uma vantagem, caso não fosse erróneo; e, no caso, prejudicial. Ver na actuação das polícias uma mera “exibição de força”, quando é uma investigação, e nem sequer entender a lógica preventiva decorrente da “força da exibição”, é irresponsável. Uma irresponsabilidade que tresanda a preconceito.

    Quantos aos jornalistas e editorialistas, certíssimo e velhíssimo.

  3. 3 3  CausasPerdidas

    Excelente.

  4. 4 4  Tiago

    SFF passem por lá

    http://www.geometria-variavel.blogspot.com

    Tiago

    Obrigado

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    Valupi, qual investigação? Sabe do que está a falar? É a própria agente da PSP que diz que é para dar visibilidade. De qualquer das formas, espero que da próxima cerquem e fechem o seu bairro, com helicópeteros pela noite fora. De certeza que não se incomoda. É só para aparecer na TV.

  6. 6 6  Valupi

    Daniel, sei. Estou a falar da actividades das polícias, a qual não se esgota numa declaração de um dos seus agentes - ainda para mais interpretada preconceituosamente, como se as Forças de Segurança fossem sacos de plástico ao vento ou psicopatas cujos alvos fossem os pobrezinhos. Caso não saibas para que servem cercos e barricadas, caso ignores as metodologias a aplicar na situação, como podes sequer opinar? E que mal terá fecharem o meu bairro ou revistarem-me o carro? Acaso não somos uma comunidade? Acaso devemos perder a confiança e o respeito nas autoridades só porque elas estão a perturbar o nosso previsível quotidiano? Enfim, já é crime perseguir criminosos e ainda ninguém avisou a PSP?

    O termo “visibilidade” foi usado sociologicamente, mas tu optas por o explorar ideologicamente. É um passo de retórica, mas da mais básica.

  7. 7 7  João Almeida

    “E assim cria uma sociedade maníaco-depressiva”

    Maníaco-depressiva, mas também com um caso grave de doença bipolar com esta alternância entre a euforia extrema e profunda depressão, mais uma vez os Jogos Olímpicos foram um bom exemplo.

  8. 8 8  Daniel Oliveira

    Valupi, o termo visibilidade foi usado para explicar o “aparato”. Podes ver as notícias e od resultados destas operações: quase nulos.

    Não te preocupes, só se faz (até hoje só se fez) isto em bairros sociais. Se fosse noutro ias ver as reazções.

  9. 9 9  Valupi

    Daniel, só se faz em bairros sociais porque a criminalidade violenta que tem estado em causa está associada aos circuitos sociais dos tais bairros sociais. Além desta lapalissada, a investigação também passa por certas operações de rua com alto volume de fiscalização. Por razões que ofenderia a tua inteligência eu estar aqui a explicar, a policia deve cruzar diferentes métodos de controlo e aquisição de pistas e/ou provas.

    O aparato é útil. Por favor, pensa. É mais perigoso deixar crescer o sentimento paranóico, esquizóide e generalizado de insegurança do que provocar a suspeita da discriminação política. Por outro lado, o que está em causa é conseguir uma discriminação policial tão completa que resulte na detenção dos criminosos. Como disse Freud, há ocasiões em que um charuto é apenas um charuto.

  10. 10 10  JP

    Daniel, na mouche!

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Valupi, viu a reportagem? Foi uma operação para a televisão. Ponto. E para as pessoas que não são do bairro. As que vivem no bairro servem para isto. Neste caso, o charuto é apenas um charuto: o espectáculo foi apenas um espectáculo.

    Se nem quando a polícia o confessa o vês, não sei bem o que dizer. Vê a reportagem completa: vê quantas armas apanharam. Uma (incluindo armas brancas) por cada operação destas. Não houve nenhja investigação ou cruzamento de pistas. Era, como dizia a porta-voz, para dar confianças às pessoas lá em casa. Não as que vivem no bairro, claro, que têm de lidar diariamente com a insegurança. Essas foram tratadas como criminosas, fechadas dentro do seu próprio bairro durante horas.

    Repito: adorava ver as reacções se isto acontecesse num bairro de classe média sem nenhuma justificação, sem que nada lá tivesse acontecido. A sério que gostava.

    Se não criticas esta operação que ninguém conseguiu explicar (a porta-voz nem conseguiu dizer o que apanharam naquela noite), então não sei bem o que podes achar condenável.

  12. 12 12  Valupi

    Daniel, vi. Embora desconfie que uma reportagem ainda não tem estatuto de operação policial. Vou explicar: é possível que a reportagem não tenha reportado tudo o que aconteceu.

    Seja como for, toda a tua linguagem enviesada - “Se nem quando a polícia o confessa o vês”!! - não resiste ao bom-senso, muito menos aos factos:

    http://ww1.rtp.pt/noticias/?article=360881&visual=26&tema=1

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Uma bom barómetro nestas coisas, já que estamos a falar de criminalidade violenta, é a apreensão de armas, já que as detenções podem acontecer por coisas baixo de menores. Em 9 operações, envolvendo 638 agentes, quantas armas foram apreendidas? Repito: nove operações que envolveram 638 agentes e meios raramente vistos, como um helicópetero. Oito armas de fogo e duas armas brancas. Na zona do Porto estiveram envolvidos mais de 500 agentes em várias mega-operações durante três dias. Foi apreendida uma arma branca.

    O que te parece dizer isto sobre a preparação e objectivos destas operações com tantos meios? Espectáculo, nada mais. De facto, os factos não perdoam.

  14. 14 14  Leonel Vicente

    Um pouco ‘off-topic’, mas não concordo que tenha sido a melhor participação portuguesa nos Jogos Olímpicos (a classificação a nível de medalhas não pode ser o único indicador a ter em conta numa apreciação global e a verdade é que tivemos desempenhos decepcionantes (em particular face às expectativas criadas) na natação, judo, tiro, esgrima, e até no atletismo.

    A única modalidade em que estivemos próximo do nosso nível foi a vela.

    E também é inegável a deriva que, a determinada altura, se apoderou da comitiva portuguesa, mal dirigida, com o maior erro a ser cometido pelo líder da delegação, mas também com as palavras de Vanessa Fernandes a não serem ditas no momento oportuno (após a conclusão dos Jogos…).

    É claro que as coisas seriam radicalmente diferentes se - para além da magnífica vitória do Nélson Évora e da boa exibição da Vanessa Fernandes), a Naide Gomes (por infelicidade) não tivesse “deitado uma medalha de ouro pela janela”, se o Gustavo Lima não tivesse ficado a 1 ponto da medalha, se a Telma Monteiro (e mais um ou outro judoca) tivessem chegado ao pódio, …

  15. 15 15  Paulo Martins

    Concordo consigo quanto (ao que julgo ser) à mensagem principal do seu post: a manipulação levada a cabo pela comunicação social (nas mais variadas matérias) e já agora na inexistência de critério para escolha de notícias de telejornais. Deixei de os ver há muito …

    Julgo que perde a razão (fundamentalmente nos comentários) quando pretende levar a questão (mais uma vez) para um campo ideológico. O exemplo da reportagem que dá (apesar de feita para a televisão, que acredito que tenha sido) descentra por completo a discussão do tema principal. Os “excluídos da sociedade” nem sempre são os “bonzinhos” da história, nem os “vestidos de azul e de pistola à cintura” sempre os maus da mesma. Aqui estamos em desacordo.

  16. 16 16  Daniel Oliveira

    Paulo Martins, claro que não. O que não pode acontecer é milhares de pessoas, porque vivem num bairro, serem tratadas todas elas como suspeitas. Nada mais.

    Aqui só trato o tema por achar que a operação teve apenas como objectivo aparecer na televisão e não o combate à segurança. Os resultados da operação e a intervenção da porta-voz da PSP são a prova disso. De resto, há criminosos e muitos deles viverão nestes bairros. E há polícias competentes. Nem eu digo o contrário. Não me verá criticar operações necessárias que cumpram as regras legais. Não aceito é que populações inteiras sirvam de figurantes forçados a demonstrações de força para aparecer na TV. Nem na Quinta do Mocho nem na Quinta da Marinha.

  17. 17 17  Valupi

    Estás em fuga para a frente. Mas que tenho eu que dizer sobre esses resultados? Onde está a tabela para comparar e aferir? Os judites deverão validar comigo as suas investigações? O Comando da PSP deverá falar contigo antes de avançar no terreno? Mas vamos ao que interessa: destacas certas operações, mas não te pronuncias sobre outras. Conclui-se, pois, que defendes a ideia de cada operação policial dever ser avaliada isoladamente, em especial quando mete helicópteros. Isto é absurdo, no mínimo.

    Moral da história: não admites que a visibilidade invocada é, para além da sua pragmática, uma intervenção dissuasora e profiláctica. E

  18. 18 18  Valupi

    (cont.) E de caminho, revelas um entendimento do papel das polícias que é simplista.

  19. 19 19  josé Manuel Faria

    ” Tendo um poder imenso, os jornalistas não têm, na realidade, poder nenhum. Manipulam consciências, sem terem poder sobre a agenda que impõem. São, por isso mesmo, manipuladores manipulados”.

    Podem não decidir da agenda, mas ao exporem, dando excesso ao acontecimento, constroem opiniões nos cidadãos do interesse político estabelecido ou económico. E isso é Poder.

  20. 20 20  Daniel Oliveira

    Destquei o conjunto de operações feitas naqueles dias. Não fui eu que as destaquei, foi a polícia. De resto, não, não aceito que bairros inteiros sirvam de palco para estratégias de visibilidade da sua força. Porque as pessoas, todas elas, quando cumprem a lei, têm direito a viver paz e com liberdade de movimentos. Veja as reacções das pessoas nestes bairros. Acha que eram todas criminosas? Ou apenas gostariam de ser tratadas como todos os outros cidadãos? Como eu e o Valupi somos.

    Mais: acho que este tipo de intervenções nestes bairros, tratando por igual criminosos e pessoas que cumprem a lei, não só não é dissuasora como cria um sentimento de injustiça e de falta de respeito pelas autoridades policiais que, sobretudo entre os mais novos, terá efeitos futuros. Pois se já se é tratado como criminoso só por viver num bairro. Repara: se a operção fosse necessária eu estaria aqui a discutir apenas a forma como foi feita. Mas, repito, os intuitos da operação são claros: aparecer na televisão. E aparecer na televisão aquele bairro, claro. Onde por acaso vivem pessoas que gostariam de ser olhadas como cidadãos iguais aos outros.

    Não vejo onde esteja a fuga para a frente. Estou a responder a todas as tuas questões e com factos: para que serviu a operação e quais seus resultados. Não era disso que falávamos?

    De resto, como deve ter percebido, não é esse o tema do texto.

  21. 21 21  Minhoto

    Concordo com o Valupi em tudo até agora.
    A Operação Furacão também foi algo de espetacular na sua intervenção, entraram pelos escritórios e nem um lapís deixaram mexer aos empregados. Acha mal Daniel? Eu acho bem!
    Se calhar a arma branca apreendida no Porto já salvou alguém, nesta bandalheira que está o país o Estado tem que se mostrar para tomar posição, nos bairros de classe média não acontecem crimes de sangue como acontecem nos que foram afectados e isto é um facto, esse discurso de vitimização dos marginais está bacoco e por muito
    rebuscado já não cola, existe muita gente que vive
    nestes bairros que QUER VIVER LÁ pois faz NEGÓCIO e sabe que quando as coisas correm mal
    tem os patetas alegres, os idiotas úteis para os proteger.
    Se vier com a resposta de que não li o texto pois bla bla bla e tal e coisa tem razão li enviesado. Os comentários chegam!

  22. 22 22  Daniel Oliveira

    Minhoto, se a polícia tivesse dito que a operação Furacão tinha como objectivo dar visibilidade à polícia e deixar as pessoas descansadas quanto aos crimes económicos através de operações com grande aparato e ficasse evidente que isso era tudo o que se queria teria ficado bastante indignado, como é evidente. E parece-me que o Minhto também ficaria.

    Nos bairros de classe média acontecem crimes de sangue. Até nos bairros de classe alta eles acontecem. Alguns bastante mediáticos e com julgamentos recentes. Não me lembro é da polícia cercar esses bairros.

    Mais: os crimes recentes aconteceram fora destes bairros sociais.

  23. 23 23  Hal

    Sobre este tema do poder da televisão eu recomendo vivamente o filme Network, de Sidney Lumet.
    Podem ver uma cena elucidativa em http://www.youtube.com/watch?v=MTN3s2iVKKI
    e alguns dos seus fantásticos diálogos em http://www.imdb.com/title/tt0074958/quotes

    Enjoy

  24. 24 24  Paulo Martins

    É evidente que se foi esse o motivo da operação policial discordo.

    Mas apresentar esse exemplo para a discussão de fundo (muito interessante e abrangente, por sinal) seria o mesmo que alguém apresentasse como exemplo várias peças que passam na nossa comunicação social de anti-americanismo primário para defender a invasão do Iraque pela administração Bush. Descentra a discussão no essencial do tema, só isso.

  25. 25 25  fado alexandrino

    Se não deu na tv não aconteceu!

    Esta frase dita não me lembra por quem reproduz fielmente o que é hoje (parte) da informação.
    A esmagadora maioria da população ou não tem dinheiro ou é analfabeta funcional e portanto não pode ter acesso aos jornais.

    Acontece que a informação nas televisões como aqui se diz é baseada no critério das audiências e essas invariavelmente puxam o produto para o mais rasteiro e simplório que se possa imaginar.

    Então se passarmos aos programas da manhã e da tarde tipo Júlias Pinheiro,Fátimas Lopes Goucha, Ramos, Mayas e toda aquela panóplia de perfeitos inúteis a fasquia desce para zero.
    Mas é aquilo que aparentemente o povinho quer, dá audiências, nada os fará mudar de rumo.

    Quanto aos jornais, o primeiro problema é não assumirem uma linha editorial de direita ou de esquerda.
    Misturam tudo, misturam cronistas e acabam por não ter respeitabilidade nenhuma.
    As suas edições on-line são confrangedoras, mesmo aquelas que são pagas vêm todos os dias crivadas de erros.

    Mas o principal problema para os jornais e por tabela para os fazedores de opinião é a internet e a explosão dos blogs.

    É aqui que se encontram os diálogos mais estimulantes, as melhores notícias, e as grandes novidades.
    Acontece ainda que é aqui que estão os leitores que podem fazer a diferença propagando os eventos em rede.
    E assim, a importância que tinham, e por tabela os jornalistas, desapareceu.
    Habituem-se!

  26. 26 26  Pedro Penilo

    Acho este artigo útil para um debate sobre o tema. Há muitas ideias que poderia subscrever.

    Há no entanto um tom geral de desresponsabilização, como se estes males (que o são) fossem resultado de fenómenos naturais: a culpa é da televisão; este ano não houve incêndios; os jornalistas não têm tempo, proletarizaram-se; nada disto acontece por opções tomadas por políticas e estratégias com responsáveis, mas porque a realidade dá boas histórias e proporciona espectáculo, que a direita e o poder económico se limitam a cavalgar, ou surfar, já em andamento.

    Toda a tentativa de “explicação com responsabilização” parece resumir-se, na concepção deste artigo, a uma “teoria da conspiração”.

    Ora, como o Daniel reconhece, muitos destes factos acontecem em qualquer outra altura do ano. É preciso alguém e uma motivação para escolher o momento em que eles passam a ser “assunto”. Teoria da conspiração seria afirmar que alguém pediu aos assaltantes que intensificassem os assaltos, porque agora dava jeito. Afirmar que há alguém que decide que assuntos, com que destaque e quando serão mobilizados para eles os jornalistas, e que essa decisão não é apenas uma questão de luta pelas audiências, mas que traz oportunamente proveitos a uma direita, que embora fragilizada, controla a comunicação social, parece-me matéria de evidência.

    Teoria da conspiração seria supor que os incêndios se atenuaram, porque agora dava jeito falar de outra coisa. Já perceber que, num momento em que se adivinha o retomar com maior intensidade da luta social, a um ano de eleições, num momento em que a direita e o seu governo precisam de legitimar o seu estilo musculado e demagógico (lembremo-nos de António Vitorino, há uns meses atrás, a avisar para a possibilidade de termos de abdicar de alguma democracia… de Mário Soares a avisar para os perigos da perturbação social, etc.), num momento em que o governo vai ter de enfrentar com maior evidência o fracasso da sua política, mesmo nos terrenos que havia escolhido, que neste momento é necessário mostrar crime, para provocar pânico, e castigo, para provocar satisfação, perceber isto (ou no mínimo, suspeitá-lo), é simplesmente reconhecer quem “manda nisto”.

    Falar da “proletarização” e “falta de autonomia” dos jornalistas obriga a lembrar que elas acontecem porque leis aprovadas, por um lado, e o incumprimento de outras, por outro, tornaram isso possível. E que a aprovação dessas leis, bem como a falta de vontade de zelar pela aplicação de outras, não resultou de má disposição de ministros, mas da defesa de interesses que sem ser necessário cartas, encontros secretos, etc, o “encomendaram”.

    E se nada disto fosse verdade, há algo que me parece transparente: a culpa não é certamente da televisão e da sua hipotética fome de espectáculo e velocidade. Já vi o suficiente de televisão ao longo da vida, em diferentes tempos, ambientes sociais e em diferentes lugares. Já vi muitas televisões diferentes (e nem só aquela que canta o Sérgio Godinho). A televisão - como a comunicação social - é obra de seres humanos e da sociedade, e tem donos que decidem o que fazer com elas. Podemos escolher ter televisões (no plural) e jornalismos que nos servem para a vida, porque as suas práticas são ditadas por outros valores e gizadas por responsáveis técnicos e políticos que asseguram esses valores. E é claro que, entre informação, aprendizagem, ritmo e alegria, certamente caberão também o veloz e o espectacular.

    Claro que, dito tudo isto, há que reconhecer que há profissionais que servem particularmente bem este tipo de jornalismo, porque a ele aderiram ou porque nunca conheceram outro. E também os há - muitos - que podendo e desejando fazer algo de diferente, não têm outro remédio senão fazer pela vida. E há uns poucos, felizes, que vão sempre tentando meter o seu “pauzinho na engrenagem”.

    Um abraço.

  27. 27 27  Daniel Oliveira

    Paulo Martins, usei todos os exemplos como o que são: apenas exemplos. Porque usei um caso para falar de uma coisa mais abrangente.

  28. 28 28  RFF

    Os Jornalistas são frágeis porque se deixam fragilizar. Obviamente que não me passa pela cabeça fazer generalizações. Há bons e maus profissionais em todos os sectores de actividade mas tenhamos todos coragem para observar a realidade das coisas. Somos diariamente confrontados com sucessivas ridicularias praticadas por pseudo jornalistas. Onde é que está a coluna vertebral dessa gentinha? E não me venham com aquela conversa do que têm filhos para comer……..

  29. 29 29  Minhoto

    Daniel é claro que os crimes de sangue são transversais á sociedade, a tipologia é que difere um pouco, não é costume nos bairros de classe média haver rixas de gangues e haver disputas territoriais por causa da droga se não quer aceitar isto como facto problema seu e martelar nesta tecla só produz conversa estéril.
    As acções da policia tem como objectivo a segurança dos cidadãos e aí também entra o factor político, o senhor sabe muito bem disso, entra no sentido de dar o sentimento de segurança e isto é política.
    As maiores vítimas destes bairros são as pessoas que têm empregos e são honestas que lá vivem e estão na primeira linha a aplaudir este tipo de intervenção pois não querem chegar de um dia árduo de trabalho e apanhar com uma bala perdida, só vive lá quem não consegue sair ou tem
    interesse monetário.
    O Daniel realmente reduz o papel da policia a neo-pides, é o duelo entre os Carrajola e as Eufémias , já parece o João Teixeira Lopes, tem uma visão das forças de segurança um pouco infantil e tenta dar voltas e mais voltas mentais para tentar responder aos seus dogmas.

  30. 30 30  Inocente

    Sem precisar de teorias da conspiração tenho um mecanismo conspirativo para explicar isso que é talvez mais simples que a sua tese:

    Os media são hoje meros instrumentos de poderes exteriores a eles.
    Os jornalistas são contratados para servirem esse objectivo.
    Uma pequena percentagem de jornalistas tem autorização para exercitar o pensamento divergente porque isso dá mais credibilidade aos media. Nada de tocar no essencial.
    O pressrelease ou a informação confidencial é emitida por acessores de imprensa e serviços de informações e chega à secretária do comissário onde é dado a deglutir ao primeiro estagiário que passe à porta.
    Este faz o favor de partilhar a informação com uns colegas que lhe pagarão na mesma moeda.
    Ninguém verifica nada.
    Toda a gente é convenientemente intoxicada.

  31. 31 31  Carlos Marques

    Concordo que a polícia cercou aqueles bairros para dar espectáculo. Mas o Daniel não devia apontar o dedo à polícia e sim aos políticos, aos políticos que governam para jornais, televisões e opiniões publicadas. A polícia cercou os bairros porque eles precisavam de contrapor ficção, aí concordamos, à realidade crescente de todos os dias. Os cercos não resolvem nada porque os criminosos sabem muito sobre como escapar, fugir, esconder. Em resumo: cercos a bairros sociais são uma ficção. Criminalidade violenta a crescer: é a realidade. Ou seja, também acho que os telejornais não deviam dar notícias encenadas. Já não concordo quando o Daniel defende que eles não deviam transmitir a realidade porque isso pode deixar as pessoas que nunca foram vítimas a pensar que quando precisarem da polícia ela não está lá, possivelmente porque a polícia é que se encontra cada vez mais cercada pela esquerda e pela direita - sem espaço nem tranquilidade para trabalhar.

  32. 32 32  Paulo Martins

    Se eu não o lesse há já algum tempo, dava-lhe o benefício da dúvida quanto à “bondade” na escolha do exemplo …

  33. 33 33  Pedro Morgado

    Caro Daniel,

    O post é enorme mas é muito bom. É chocante como o mundo real é completamente dissonante do mundo notícia.

    Parabéns.

  34. 34 34  quidam

    gostei, embora o post seja enorme, ainda fica muito por dizer http://www.asteoriasdequidam.blogspot.com/

  35. 35 35  Luis Dias

    Daniel, não gosto da sua fonte ideológica nem de algumas tiradas suas por me parecerem ser mais dor de cotovelo do que algo mais genuíno.

    Mas tenho de lhe tirar o chapéu, este é provavelmente o melhor texto que li desde há pelo menos um mês na internet. E tenho lido muito!

    A sua perspectiva sobre o espectáculo do jornalismo, as suas raízes, desenvolvimentos, processos e consequências estão extraordinariamente definidas.

    Parabéns.

    Vou tentar que todos os meus conhecidos leiam o teu texto. Clássico.

  36. 36 36  Valupi

    Daniel, o que eu percebo é que o tema do texto é a “onda”:

    «Ninguém acredita que as empresas de segurança privada, a Associação Sindical de Juízes, com todos os seus aliados contra as alterações ao Código do Processo Penal, ou o CDS têm força para criar uma onda destas dimensões. Apenas surfaram nela.»

    Este passo é um momento de racionalidade.

    «Na melhor das hipóteses essa reacção tenta apenas agir na aparência das coisas, sem grandes consequências a longo prazo. É o caso da acção policial na Quinta do Mocho, Quinta da Fonte e Bairro da Arroja. Apesar de nada terem a ver com os crimes que estão a ser noticiados, os poderes públicos, reagindo às notícias, reservaram para os moradores daqueles bairros um papel: são os outros, são o perigo, são os suspeitos do costume. Não espanta, por isso, que no meio da histeria ninguém se indigne com o facto de bairros inteiros serem transformados em palco de uma exibição de força que tem como única função, como a própria porta-voz da PSP confessa, aparecer na televisão.»

    E este passo é um espectacular exemplo de contradição. Porque, de repente, ignora que a onde mediática - a qual até levou o Presidente da República a proferir declarações alarmistas - obrigava a acções que a contivessem e anulassem. Ter polícia na rua é o mais fácil, rápido e eficaz meio de repor confiança numa população assustada. Lembro que um sentimento generalizado de insegurança gera mais violência e crimes.

    Mas onde a tua linha de raciocínio me aparece a fazer curto-circuito é na ostensiva ofensa à lógica de todos os procedimentos policiais. Não só ignoras o que está tecnicamente na base das opções geográficas tomadas (mas não espantaria que a polícia tivesse informações mais qualificadas do que as tuas, pois não?), como mesmo o suposto fracasso dessa acções, em termos de apreensões e detenções, é uma afirmação completamente gratuita. Aliás, mesmo que as operações tenham nascido de erros, podem ter sido igualmente lições.

    Entretanto, saltas de campeonato com as insinuações de que os corpos policiais agiram levianamente. Ou seja, para fazeres essa afirmação não te devias basear só no que o televisor te permitiu ver e no que um fragmento de uma declaração te permitiu deturpar. Porque nunca, e em lado algum do Mundo democrático, se irá abdicar dos benefícios da visibilidade policial. Só uma completa desconfiança permite essa - agora, sim - teoria da conspiração. Creio que quando te permites referir às acções policiais em causa como “espectáculos para a televisão”, estás ao nível do 9º de escolaridade. As acções pretendiam, isso sim, intervir na dinâmica social que ia num crescendo de pânico. As polícias também são agentes de cidadania, não se limitam a perseguir ladrões e chatear automobilistas e pés descalços.

    Finalmente, assumir uma pose paternalista em relação aos habitantes desses bairros - como se eles tivessem de se sentir ofendidos com a procura de criminosos ou como se tivessem de se revoltar por terem o sangue na guelra e não gostarem de ver polícias lá pelo bairro; ou seja, como se não pensassem - é inqualificável. Onda que afunda uma esquerda supostamente clarividente, para prejuízo de todos.

  37. 37 37  Daniel Oliveira

    A acção não ó não contem a onda como lhe dá ainda mais credibilidade. E a razão porque este tipo de acções acontece é simples: chama-se propaganda política. Ou julgas que apenas os políticos se preocupam com a sua imagem?

    Os polícias não andaram lá pelo bairro. Fecharam os acessos ao bairro. Eu ficava chateado. Mas isto sou eu, que devo ser um gajo com mau feitio.

  38. 38 38  João

    Fez bem em avisar: o texto é, de facto, longo.
    Não tivesse avisado e passava despercebido.

    Digo isto um pouco a brincar porque eu também gosto, de vez em quando, de “abusar” da paciência dos amigos leitores com textos looongos.

    Mas ultimamente estou-me mais a evitar. Digo eu.

    Sobre o post propriamente dito, o Daniel desculpe, mas irei lê-lo noutra altura, com mais tempo …

  39. 39 39  P

    Post muito bom!
    Apesar do ruído de alguns comentários mais infelizes de alguns ingénuos, há alguns aspectos que deviam ficar claros:
    A polícia (ou quem manda nela…) agiu sem pensar (o que se vê pelos parcos resultados das operações) e apenas para aparecer no telejornal (como admitiu a comissária que-fala-como-se-tivesse-12-anos-e-nunca-tivesse-tido-aulas-de-português-ou-lido-um-livro).
    O que motivou a polícia (ou quem lhe puxa os cordéis) a agir foi a telenovela criada pelas televisões acerca da suposta vaga de assaltos; isto é grave porque a polícia não devia andar a reboque das aberturas dos telejornais.

    Apesar dos crimes e dos prejuízos para o país serem incomparavelmente maiores, nunca vi a polícia cercar a Quinta do Lago para confirmar as declarações de IRS dos seus moradores. Esta imagem, ou melhor, miragem, nunca se materializará por duas razões: os “maestros” da polícia dependem dos moradores da Quinta do Lago para serem eleito$ e para se manterem eleitos durante o tempo suficiente para poderem retribuir os favore$ (Ferreira do Amaral & Jorge Coelho e Companhia Lda, SA). Por outro lado, os meios de comunicação social são propriedade de duas ou três grandes grupos financeiros, que por sua vez têm participações em inúmeras áreas (incluindo eleição de (des)governo$), pelo que não lhes interessa apontar os holofotes para os próprios pés.

  40. 40 40  Valupi

    Coitadinhos, fecharam os acessos ao bairro durante umas horas. Sim, uma crueldade quando comparado com o quotidiano de miséria, indignidade e crime que molda a economia marginal nesses locais. É de rir a tese que pretende tornar ideológica uma questão que é antropológica e filosófica: quem comete um crime, a isso não foi obrigado.

    Eu ficava chateado era com a passividade policial. A melhor forma de combater os excessos policiais e políticos não é a sistemática desconfiança e obsessiva suspeita: é a colaboração informada e interessada.

  41. 41 41  ramalho santos

    Valupi VS Daniel, bom de ver.

    O Pedro Penino, sabe da poda, é melhor votar a ler.

    Gente atinada não faltou, será que a boa moeda…

    Pela fresca voltarei aqui, por hoje basta.

  42. 42 42  João F. Silva

    Factos: Poucos incêndios, realizações desportivas com resultados medíocres (Euro 2008) ou normais (J.Olimpicos); agenda internacional previsível (presidenciais americanas) e impensável (desaire na Geórgia); Equipa B e C do governo alterna com A nas 2 semanas iniciais de Agosto; Oposição de férias, com a do PSD a quebrar o silêncio só no final do mês a centrar o ataque no MAI e na aparente descoordenação com o colega da Justiça;Sindicatos na trégua estival, só interrompida a 1 de Setembro; a televisão repete séries, na informação continua em alta a desgraça individual ou colectiva - acidentes de viação, fogos, assaltos, - tudo o que dispense palavras e provoque imediata identificação dicotómica (v.g assalto do BES); além das imagens assim montadas e editadas, acrescente-se mais uma pitada para acalorar o ambiente, num verão menos tórrido do que o costume e temos as ondas, as estatísticas, os apelos liberticidas e justicialistas, o sonho de ter uma arma…ou de levar sempre um policia encostado ao ombro!
    Argumentos: Já José Gil e outros disseram que não há, na realidade, espaço público em Portugal - ele está vampirizado, seja inundado por mensagens publicitárias ou de propaganda, seja indevidamente apropriado pelos fazedores de opinião, arvorados em cronistas ou outros, ou ainda a intoxicação que o poder político exerce a partir da governação(v.g. computador Magalhães).
    Não há debate político - logo não há mediação, não há distanciamento, não há selecção sobre o que discutir, como discutir e para quê discutir.
    A acção política ou cívica tem de ser animada por própósitos, metas, anseios.
    Em Portugal ignoram-se os direitos cívicos de intervenção e participação individual e colectiva. Despreza-se a iniciativa individual, inveja-se o voluntarismo alheio e alija-se a responsabilidade para os outros, estado incluído.
    A manipulação, a confusão, o choque e o pavor só surtem efeito porque nada nem ninguém se lhes opõe. O seu objectivo é criar medo, receio e pânico - receitas para sociedades apáticas, conformistas, prontas a deixar cair, sem luta, conquistas civilizacionais arduamente conseguidas.
    Temos de voltar ao Jorge de Sena: “Não sei por onde vou…Sei que não vou por aí”.

  43. 43 43  Bruno Miguel

    Daniel, poderia disponibilizar o vídeo em Ogg Theora e/ou Xvid, dois formatos de vídeo livres (as in freedom)? É que nem todas as pessoas têm o flash player instalado. Eu, pelo menos, não tenho, porque é uma aplicação proprietária e os seus “clones” livres ainda não têm as especificações das diferentes versões totalmente implementadas.

  44. 44 44  Telmo

    Excelente trabalho e post!

    De facto já no último fim de semana em conversas de café, só se ouvia as pessoas lamentarem-se que isto é só crimes e não há segurança nenhuma blá blá, é uma pena ver como as pessoas são tão facilmente manipuladas pelos senhores das tv’s.

    Sobre este assunto gostaria de fazer referência ao documentário do Michael Moore “Bowling For Columbine”, no qual ele pergunta ao produtor da série “Cops” porque é que não começam a mostrar as prisões de políticos e empresários que roubam o estado em milhões de dólares, ao que o dito produtor responde e bem: no dia em que a polícia os começar a prender algemando-os e deitando-os no chão, então aí sim temos show.

    Isto pra dizer que o povinho português é rapidíssimo a condenar a prisão perpétua ou à morte e um miserável que rouba 1000 € a um banco, mas quando um político ou outra pessoa com responsabilidades sociais comete fraudes e lesa o estado português em milhões de euros, o mesmo povo não só não acha que essa pessoa deva ser tratada como uma criminosa, como ainda diz “este gajo é esperto, se fosse eu fazia o mesmo”.

  45. 45 45  Pinto

    “PJ faz buscas em casa de Coelho”

    (http://diario.iol.pt/noticia.html?id=604818&div_id=291)

    “PJ faz buscas na Câmara de Salvaterra de Magos”

    (http://www.oribatejo.pt/index.php?lop=conteudo&op=e4da3b7fbbce2345d7772b0674a318d5&id=227072fb02401b7a0262487b1bdd2b02&drops%5Bdrop_edicao%5D=0″

    “PJ faz buscas em empresas e residências no âmbito de investigação a venda de imóveis dos CTT”

    (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1321691)

    “A Media Capital, que detém a TVI, confirmou em comunicado enviado à CMVM a realização das buscas.”

    (http://noticias.esquillo.com/Expresso/2008/07/02/PJ_faz_buscas_na_Media_Capital)

    “PJ faz buscas na sede do BPN”

    (http://dn.sapo.pt/2005/10/21/negocios/pj_buscas_sede_bpn.html)

    Perdi 1 minuto a recolher estas notícias. Afinal a polícia também faz buscas aos “ricos”.
    E dirão apressadamente: mas não usaram armas e todo o aparato policial.
    Claro que não. Também nunca vi um empresário do BPN ou de uma Cãmara Municipal desatar aos tiros aos agentes / inspectores.
    Se eles se “safam” com bons advogados é outra história.

    Curiosamente (ou não) todos os polícias mortos em serviço, padeceram em bairros sociais ou nas imediações destes.

    TELMO: “Sobre este assunto gostaria de fazer referência ao documentário do Michael Moore”

    Está tudo dito. Vai salientar uma reportagem de um extremista. Se eu mencionasse as declarações de Mário Machado era acusado (e bem) de racista. A extrema esquerda pode dizer as barbaridades que quiser.

  46. 46 46  f.

    muito mas mesmo muito bem, daniel.

  47. 47 47  Nuno Pedrosa

    Daniel,

    Parabéns pelo post.

    Apesar de alguns dos comentários - e de também achar que por sistema tem análises com um pensamento ideológica demasiado marcado que por vezes o impedem de ver o mundo para além desse filtro - este é um excelente post, em que sintetiza e articula de uma forma brilhante um desconforto que acredito muita gente que ainda pensa sente!

  48. 48 48  Telmo

    Caro Pinto, você está descontextualizado, no caso que referi, o Michael Moore apenas questionava um programa cujo sucesso anda à volta de crimes alimentando a curiosidade mórbida das pessoas.

    Se você o acha extremista é consigo, mas não me parece extremista uma pessoa que faz questões e documentários pertinentes, ou acha que é extremismo criticar-se o livre uso de armas num determinado país? Não estará a trocar as coisas?

  49. 49 49  Teresa

    Penso que o discurso que elaborou é, ele próprio, como todo o discurso, condicionante e manipulador, embora estejamos sempre convictos que o nosso discurso não o é. Um exemplo : ” Apesar de nada terem a ver com os crimes que estão a ser noticiados” diz o DO a propósito dos bairros cercados pela polícia. Como é que pode sustentar esta afirmação ? Eu não digo que seja ou não seja assim, mas como pode você dizer “nada terem a ver …” ?
    Não sei se vai considerar isto um insulto, mas vc lida muito mal com a “autoridade”. Não com a polícia, etc e tal, mas com a “autoridade” no seu todo. No entanto, exerce essa autoridade neste blog. Corta comentários …
    Estranha personalidade.

  50. 50 50  Daniel Oliveira

    Já sei Teresa.

  51. 51 51  Pinto

    Telmo, o Mário Machado defende aumentos salariais. Acha isso extremismo?

    Falta o resto.

  52. 52 52  CausasPerdidas

    Há dois anos fiquei perplexo com uma barreira policial que me impediu de aceder à rua que conduzia à minha casa. Para além da polícia, a bloquear o meu caminho estavam as carrinhas das televisões que não tinham aparecido no local quando se denunciou que pessoas foram instaladas no bairro sem que as condições de acolhimento estivessem garantidas, as mesmas que não responderam à “Nota de Imprensa” que dava conta de um debate da população com o presidente da câmara sobre os problemas do bairro, antes da casas de “inserção social” ficarem cheias de gente que veio de toda a cidade… Lembro-me que a propósito da ausência televisiva ter inquirido um professor de jornalismo, também profissional de um órgão de comunicação social de referência, “isso não é notícia” foi a resposta obtida. Percebi, ali naquele bairro ainda não se mordiam cães.
    Nesta acção policial uma mãe e a sua filha, ainda criança, viram aterrorizadas a porta do apartamento ser deitada abaixo, “oops, era no andar de cima…”, ninguém pediu desculpa e não lembro que tenham substituído a porta à senhora cujo único crime era não ter dinheiro para que o banco lhe emprestasse mais algum dinheiro para viver longe de alguns “gandulos” que foram atirados para aquele bairro pela câmara.
    Quanto aos tais “gandulos”, estavam perfeitamente referenciados e as pessoas do bairro estavam fartas de se queixar do incómodo dos seus comportamentos e peripécias: Foram ignoradas tantas quanto as vezes que se queixaram.
    Mais tarde, a resposta em forma de “choques” com TV e tudo, por agentes policiais e de comunicação que não conheciam nada da história e das pessoas e do bairro.
    O facto de existirem pretos e ciganos no bairro facilitou o trabalho das autoridades, os meliantes não têm “filho-da-puta” escrito na testa. Pelo caminho incomodam-se os inocentes, coisa que jamais seria feita noutros bairros onde se bateria à porta sem ser com os pés. Os tais bairros, diz o meu “preconceito”, onde têm origem mais males à sociedade que os oriundos daquele bairro das Manteigadas tornado fossa séptica social pela câmara municipal de Setúbal. Assim mesmo, cercado pela polícia e televisionado para que os Valupis deste mundo possam sentir-se seguros e teorizar sobre realidades que só conhecem pelo cabo. Isto apesar de toda a gente saber que não se deve acreditar em tudo o que se vê, sobretudo no que passa na tevês.

  53. 53 53  Telmo

    Pinto, já que compara o Mário Machado ao Michael Moore, e partindo do princípio que Mário Machado defende políticas extremistas, agradecia que me dissesse que políticas extremistas defende o Michael Moore para poder ser colocado no mesmo saco extremista do Mário Machado, ou seja, qual o “resto” que falta?

  54. 54 54  cobardolas

    Excelente post, Daniel. É isto que está aqui, sem tirar nem por. E quem achar que não é, anda com pálas nos olhos.

  55. 55 55  Paulo Querido

    Excelente, Daniel. (Excelentes contributos, Pedro Sales e Valupi).

  56. 56 56  Pinto

    Conspirações e insinuações ordinárias e despropositadas sobre:
    11 de Setembro;
    Guerra do Afeganistão;
    Guerra do Iraque;
    Relações obscuras entre a família Bush e a de Osama Bin Laden;
    etc.;
    etc.;
    etc.

    São insinuações tão ascorosas como as que a extrema direita faz aos imigrantes. Tão extremistas são uns como outros.

    Mas agora o que está na moda é criticar a Igreja (Católica, saliente-se, pois se a crítica visar o Islão somos criticados de tacanhos e islamófobos), os EUA, o capitalismo, as multinacionais, etc. Em suma, a moda é a esquerda caviar (em português, Bloco de Esquerda). É chique.

  57. 57 57  Telmo

    Não me parece que essas “insinuações” que ele faz, sejam ordinárias ou despropositadas….ele apenas dá outra perspectiva das coisas e procura fundamentá-las, não vejo o que possam elas ter de extremistas, revelar verdades é extremismo? Ou ainda acha que a guerra do Iraque foi despoletada por causa das A.D.M.?

  58. 58 58  Pinto

    Quando Mário Machado correlaciona a criminalidade com a imigração “apenas dá outra perspectiva das coisas e procura fundamentá-las”, com dados estatísticos. Para ele são verdades (e alguém sabe se são ou não?).

    Esquece é que, ao generalizar, pode estar a ser injusto e não está a respeitar muitas pessoas. Está a ferir o bom nome de muita gente honesta.
    Michael Moore, idem.

  59. 59 59  Carlos

    Citando Pinto:

    Conspirações e insinuações ordinárias e despropositadas sobre:

    Guerra do Iraque;

    Ah! Foi então Michael Moore o responsável por aquela “insinuação despropositada” que dizia que o Iraque estava cheio de armas de destruição de massas e a um passo de fornece-las aos terroristas?

  60. 60 60  Francisco Clamote

    Excelente “post”. Parabéns e cumprimentos

  61. 61 61  Filipe Sousa

    Daniel, há coisa de dois anos estava eu à porta da redacção da SIC, acabado de sair do meu “turno” quando acabei por ficar a falar com um dos elementos do “Eixo do Mal”. Chamava-se Daniel Oliveira (como ainda se chama) e acabei por ter ali 5 a 10 minutos de conversa com pés e cabeça sobre algo que realmente interessava, ao contrário de muita da “tralha” que eu tinha de ir produzindo para ir para o ar.

    No dia 1 de Setembro, resolvi escrever algo no meu blog a que chamei “As fábricas de notícias” (http://dispenso.blogspot.com/2008/09/as-fbricas-de-notcias.html).
    Há dois ou três dias uma amiga minha, que tinha lido o q escrevi, enviou-me o link para este texto, texto esse que acabei por copiar e colar no meu blog.

    O estado actual do jornalismo em Portugal tb se deve a um facto algo simples. Há muito candidato a jornalista, muito pseudo-jornalista, muito jornalista equívocado, muito jornalista acomodado e, está claro, muito jornalista. Isto é muita gente a querer um espaço numa profissão que já está saturada.
    Por isso, e porque temos contas a pagar, ninguém se arrisca a ficar sem emprego só pq tem consciência e porque sabe que o que lhe pedem para fazer não está correcto ou é a mais pura invenção, manipulação ou aldrabice.
    Juntando isto ao que já foi escrito, estou à espera para ver onde isto vai parar.

    Abraço

  62. 62 62  José Silva

    Aníbal António Cavaco Silva, nasceu em Boliqueime, no Algarve. Já foi Primeiro Ministro de Portugal, actualmente é Presidente da República Portuguesa, é tratado pela comunicação social, simplesmente por Cavaco. Conheci o seu Pai e os seus irmãos; Cavaco é parecido com o Pai
    e deu um ar da sua graça, ao visitar o mundo rural com a sua Maria, como que a dizer que a juventude deve fixar-se à terra, para que tenhamos mais poten cialidade no campo económico:
    A DELÍCIA
    Cavaco qu’é especial
    foi com a sua Maria
    foi ver o mundo rural
    numa certa freguesia!
    -
    Com essa sua atitude
    de quem vai no passeio
    ele gostou da juventude
    inserida naquele meio!
    -
    ele viu passar uma vaca
    para dentro dum robot
    que lhe limpou a caca
    e um leite limpo tirou!
    -
    Com o ar que ele tinha
    lá mostrou a sua graça
    ao ver um pé de vinha
    diz:- “cale-se desgraça”!
    -
    gosta de ver o Teixeira
    ai tirar aos reformados
    ele tira de tal maneira
    qu’enche os doutorados!
    -
    E como este eu nunca vi
    até mexe nos terrenos
    e sobe a taxa dum IMI
    arrasa com “pequenos”!
    -
    O Cavaco é pessoa rara
    e não faz figura d’urso
    inda se lembra da vara
    que o fez tirar o Curso!
    -
    Gosto de si, Presidente
    tem a graça de seu Pai
    e quem sai à sua gente
    sempre na “cabeça”, vai!
    -
    você que gosta de leite
    e ele nunca lhe fez mal
    ela para si é um deleite
    e até viu o leite na cal!
    -
    e agora a ver uma vaca
    saindo de lá, limpinha
    lembra-se a meter faca
    fala na santa “terrinha”!
    -
    terra estás abandonada
    ainda dás a alfarroba
    ao marchar a velhada
    tudo lá, cigano rouba!
    -
    Ó terra eu de ti gosto
    como gosta, o Cavaco
    és a delícia sem rosto
    de nosso povo fraco!
    -
    Pisco

  1. 1 Ando estúpido e a culpa é de: « Jornal em papel Couché
  2. 2 Certamente! media: Da narrativa televisiva e do seu efeito marcante sobre o jornalismo
  3. 3 Coisas que acontecem só para chatear o Daniel Oliveira at Aspirina B

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