Por Daniel Oliveira
O blogue do não criou a sua frase para a campanha: “Não deixes morrer a criança que há em ti. Vota não!”. A absoluta ausência de argumentação racional, o sentimentalismo vazio de qualquer esforço intelectual, a imaturidade deste ladainha que se recusa a discutir uma lei quando é de uma lei que falamos, seria sinal de infantilidade, não fossem as crianças muito menos preguiçosas do que isto.
Sem comentários 19 Jan 07 em Sem categoria



Ó Daniel, e não é apelar ao sentimentalismo pedir o voto para que não se «manter a prisão» de quem não está preso, como faz a JS?
Ou, repito (porque também repetes), mostrar uma frase de um artigo do Código Penal, omitindo (sonegando) o seu contexto e as suas muitas excepções, como fazr o BE? Isso já não é apelar ao «sentimentalismo vazio»?
E estarás tu a fazer algum esforço intelectual quando acusas o lado do NÃO de uma «absoluta ausência de argumentação racional»?
Pela minha parte, sei que é de uma lei penal que trata o referendo e nem concordo com o actual texto da lei. Mas a mudança que se propõe é bem pior.
Peço desculpa por não pensar como tu: não é para te ofender.
[Responder]
“E estarás tu a fazer algum esforço intelectual quando acusas o lado do NÃO de uma «absoluta ausência de argumentação racional»?”
Por acaso ainda não vi nenhuma…
Quer dizer, já vi algumas tentativas de racionalidade (com um mistozinho de hipocrisia)no que diz respeito às razões pelas quais não se deve abortar.
Está bem, o estado devia proporcionar melhores condições, está bem que abortar por vezes leva ao arrependimento, está bem que a taxa de natalidade está a diminuir, etc.
Tudo muito bonito.
O que ainda não vi foi uma pessoa a justificar por que é que deve ser crime.
Que não se deva fazer como contraceptivo estamos todos de acordo. Mas gostava de perceber por que raio é que deve ser crime.
Onde é que está o dano social da IVG efectuada em condições de segurança e com acompanhamento médico?
[Responder]
Ó André, se ainda não percebeste até agora, duvido que ainda vá a tempo, mas posso tentar.
Deve ser crime porque uma sanção penal corresponde ao entendimento da sociedade, do Estado, sobre a gravidade da conduta praticada. Onde está a gravidade?, perguntas tu. E aqui é que há dissenso, porque há uma incompatível divergência de premissas.
Os do NÃO, como eu, entendem que um feto às 10 semanas é um ser humano em potência (tem nariz, orelhas, dedinhos nas mãos, nos pés, etc.). Daí que a sua eliminação deliberada seja comparável (mas não idêntica) a uma morte alheia. É este o dano social: um dano provocado a um ente terceiro (o nascituro), que a lei já protege para alguns efeitos (patrimoniais, vê lá tu).
[Responder]
“Os do NÃO, como eu, entendem que um feto às 10 semanas é um ser humano em potência”
E portanto o direito a nascer do ser humano em potência sobrepõe-se à liberdade de autodeterminação dos seus pais?
Mas se quer enveredar por esse caminho, também o zigoto é um ser humano em potência, donde que o senhor, em nome da coerência deve exigir a criminalização da pílula do dia seguinte, assim como de várias técnicas de reprodução assistida que geram embriões excedentários.
Por outro lado, suponho que, em nome da honestidade, o senhor discorda do aborto em quaisquer situações, exceptuando evidentemente quando a vida da mãe se encontra em perigo.
Pois se uma pessoa não pode abortar um feto indesejado fruto de um acidente ou descuido, também não há-de poder abortar um fruto de uma violação, já que o ser humano em potência tem direitos e não possui quaisquer culpas no cartório.
P.S. O feto é protegido em termos de direitos patrimoniais? Homessa?! Então o que é que o feto vai fazer com património, alugar um útero?! A lei protege a pessoa, que só passa a existir a partir do nascimento. Não sei se se pode deixar um testamento em nome de um familiar que ainda não nasceu, mas como deve calcular, se for possível, o testamento terá como alvo o possível filho de fulanos tal e tal, que tanto pode ser o feto que já está em gestação, como outro, se ocorrer um aborto espontâneo.
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CC, a pena de prisão está lá. De tanto repetirem, pode ser que eu até me esqueça. E foi aplicada (com pena suspensa). E a pena foi suspensa apenas porque as arguidas não tinham antecedentes criminais e a pena era inferior a três anos. Ao segundo aborto em que possa qualquer uma ser apanhada ouso já tivessem sido condenadas por outro crime estariam seguramente presas.
Eu lembro-me quando se dizia, há uns anos: querem mudar a lei mas ningém foi julgado. Uns anos depoi, depois do primeiro julgamento, diziam: querem mudar a lei mas nunca ninguém foi condenado. Depois das primeiras condenações dizem: querem mudar a lei mas nunca ninguém foi presa.
Leia os acordãos das sentenças da Maia, Aveiro e Setúbal. Verá que o que os senhores dizem é apenas demagogia que nem os juizes que julgaram subscrevem.
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Eu sou da opinião de que o aborto deve ser liberalizado, o que implica criar determinadas condições para quem deseje abortar.
Porém, o que mais me choca é a penalização (ainda que na prática tal não aconteça) da IVG, pois implica a sobreposição dos direitos de um ser humano em potência em relação à liberdade de uma pessoa.
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Não li os acordãos das sentenças da Maia, Aveiro e Setúbal e provavelmente não os lerei. Mas você Daniel que os leu, assim parece, pode dizer-nos se as mulheres julgadas tinham feito o aborto antes das 10 semanas ou depois?
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Caro Sebastião José,
Se não se importa eu respondo-lhe.
Na Maia, segundo a inefável Ana Campos -mulher do super-Louça e irmã do suposto ministro da saúde, havia 8 mulheres cuja gravidez ainda não tinha atingido as 10 semanas… Contudo, não nos podemos esquecer que esta é a senhora que afirma que existem 50.000 abortos/ano (contrariando o estudo do lobby pró-aborto, a APF). Esta é também a senhora que afirma que em todos os países em que o aborto está liberalizado o número de abortamentos tem diminuído, contrariando os dados do Eurostat e da OMS. Esta senhora afirma também que os números espanhois de abortamentos seriam menores se não houvesse portuguesas a abortar em Espanha… quando o próprio governo espanhol afirma que há “apenas” 2.614 (num total de quase 90.000 abortos realizados em Espanha em 2005) emigrantes (não serão certamente todas portuguesas) não residentes a abortar nas suas clínicas.
Mas claro, segundo o Daniel e os seus amigalhaços dos jovens pelo sim, Soeiro na vanguarda, “o sentimentalismo vazio de qualquer esforço intelectual” não está nas “comemorações” (José Soeiro dixit) do 5º aniversário do julgamento da Maia…
Mais, argumentação racional será, por exemplo, a do António Figueira e os seus descuidos-após-uma-noite-de-bezana, ou a lenga-lenga do Pac-Man e os meus-putos-lá-da-rua, ou, por fim, a namoradinha (a tão conhecida blogger “F”) do nosso pólipo excedente (vulgo Sócrates) que acusa tudo e todos de hipocrisia e capitalismo mas não se importa de ir com “as suas gajas” gastar 200 euros numa merda para tapar os pés (sapatinho da moda, em NY pois claro…)
[Responder]
racionalidade:
“Não devemos confundir o problema ético do aborto com o problema
essencialmente político de saber se (e em que termos) a lei
deve proibir o aborto. Contudo, ainda que sejam distintos, estes
dois problemas estão relacionados: o problema ético é o fundamental,
o que significa que podemos investigá-lo sem atender ao
problema político, mas não fazer o inverso. A resposta correcta
ao problema político depende crucialmente da resposta correcta
ao problema ético. Se descobrirmos que o aborto não é eticamente
errado, ficaremos sem boas razões para o proibir. Sob a
hipótese da permissividade moral do aborto, manter ou tornar o
aborto ilegal, penalizando quem o realiza, constitui uma restrição
arbitrária à liberdade das mulheres. E se descobrirmos antes
que o aborto é eticamente errado? Deveremos inferir que a lei
deve proibi-lo? Aqui é preciso avançar com mais cuidado, já que
seria absurdo afirmar que a lei deve proibir tudo aquilo que é
imoral. (A ingratidão para com os amigos, por exemplo, certamente
não deve ser proibida e penalizada pela lei.) No entanto,
se descobrirmos que o aborto é errado do mesmo modo ou pela
mesma razão que o homicídio é errado, dificilmente conseguiremos
evitar a conclusão de que a lei deve colocar fortes restrições
ao aborto.”
Pedro Galvão, “Ética do aborto”
(excerto da introdução. se não sabem onde encontrar argumentos racionais, percam algum tempo com este livro)
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eh eh os apologistas do NÃO são beatos, demagogos, hipócritas, desprovidos de argumentos.
Os defensores do SIM são a “luz” em pessoa!
Já agora: Fernando Livramento, ou lá que raio é o seu nome, venha daí mais um insulto aqui para a mesa do canto!
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Se uma pena que manda para a cadeia é boa porque não se aplicando inibe o crime, então porque não instaurar a pena de morte para o mesmo crime, que não se aplicando terá um efeito ainda mais inibitório, contribuindo assim ainda mais para a felicidade dos cidadãos embriões e suas mães aflitas, sem prejuízo da nossa tradicional hostilidade à aplicação da referida pena capital? Aliás, a ideia introduzida pela brigada do «Sim à pena, mas NÃO à sua aplicação» pode ser ainda mais frutífera: se restaurarmos as penas de suplício e os tratos de polé generalizados para todos os crimes, depois ao não aplicar as penas, os tribunais poderão contribuir em muito para reduzir o criminalidade.
[Responder]
Afinal, caro André, não é assim tão difícil de perceber.
É precisamente aí onde está a divergência: a mim, o que mais me choca é a sobreposição do direito à comodidade de uma pessoa em relação ao direito a nascer do nascituro. É este o sujeito mais frágil e desprotegido da relação.
Por isso me custa ver a Esquerda defender os mais fortes.
[Responder]
Daniel,
uma mulher que aborte às 11 semanas deve ou não ser julgada?
[Responder]
Tanta certeza e verdade absoluta que há por aqui…
Também acho piada ao meu amigo CC quando ele diz “direito à comodidade”…
Mesmo onde a comunidade científica diverge -quando começa a vida humana- há sempre os guardiões certeza, da luz, de ambos os lados da barricada.
Só acho que há uma certeza: Ninguém é a favor do aborto/ivg! Quem recorre, fá-lo esmagadoramente por necessidade. As questões das “comodidades, caprichos, sapatos de NY” são fantochadas demagógicas!
E votarei sim!
[Responder]
Lopes, vá ler o acórdão da sentença antes de insinuar que os outros são mentirosos.
[Responder]
E que tal um pouco de congurência? Já se lembrou da campanha do SIM?
[Responder]
Amigo Pedro A., essa tua certeza também não é muito certa: a comodidade, os caprichos, a carreira profissional, o agora-não-me-dá-jeito, as dificuldades económicas, o já-não-ando-com-o-gajo, etc. são “necessidades”.
E um dos problemas é que a lei que se propõe não distingue. Basta o pedido.
[Responder]
Acho que tentam colar uma imagem de leviandade nas decisões que na sua esmagadora maioria são difíceis e dolorosas.
É pouco correcto, no mínimo…
[Responder]
A pergunta é:
“Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”
No meu entender, existem três entidades directamente interessadas (embora em grau diferente) no aborto: A Mãe, o Pai e o Feto.
A pergunta, como está colocada, por causa da parte “por opção da mulher”, faz com que o SIM entregue todo o poder de decisão a uma destas entidades apenas (a Mãe), permitindo-lhe ignorar por completo o interesse das outras duas (Pai e Feto), sejam quais forem as circunstâncias do caso concreto.
Por esta razão, a minha única resposta possível à pergunta é: “NÃO, não concordo.”
Eu sei que esta minha posição deixa muitos problemas por resolver e muitas perguntas por responder, mas infelizmente agora não tenho tempo para desenvolver mais…
[Responder]
Ó Daniel, quer argumentação racional? Opte pela vida e diga NÃO ao aborto. Seria seguramente essa a posição do bebé, criança, filho, feto ou embrião, chame-lhe o que quiser, acaso a sua opinião fosse ouvida, neste referendo. Afinal de contas, é ele o maior interessado em tudo isto e quem sofrerá as piores consequências.
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“Acho que tentam colar uma imagem de leviandade nas decisões que na sua esmagadora maioria são difíceis e dolorosas.
É pouco correcto, no mínimo…”
e não deixam trauma
[Responder]
Ó Daniel, não seja assim…
Então, não eram 8 as mulheres? E quanto às restantes “não foi possível aferir do estado de gestação”…
Repito: A Drª Ana Gomes falou verdade em relação às 8 mulheres, mas MENTE quando fala dos outros dados…
[Responder]
Não se chama Ana Gomes.
[Responder]
Que hipocrisia.
Não obstante as construções emocionais feitas à volta da “vida embrionária de 10 semanas”, o embrião não tem consciência, logo não pode dizer de sua justiça. Para além disso, não sente dor, e é, tal como no primeiro dia, uma vida humana em formação.
Nunca, mas nunca, o embrião terá o mesmo valor simbólico que uma vida consumada pelo nascimento.
As 10 semanas são um limite mais que razoável para permitir o aborto legal.
Se a hipocrisia continuar, o aborto não vai parar porque toda a gente sabe que se fazem, sempre se fizerem (os tais desmanchos), e se vai continuar a fazer abortos. Toda a gente o sabe, e pior do que isso, ninguém, quando confrontado com alguém que tenha praticado um aborto, considera tal acto um crime, e nem sequer tem coragem para o criticar. Qual é então a lógica duma lei punitiva e hipócrita? Não deve a lei adaptar-se à diversidade de cosnciências da sociedade?
O debate para o «não» é meramente moral, quase filosófico, baseado numa “vida” que tem este valor tão forte no plano moral, e não pode ser suprimida, mas que na prática não tem nem de perto o mesmo valor: veja-se a congelação de embriões, que ali ficam em “stand-bye”.
[Responder]
Daniel,
o texto do seu post é um insulto. No entanto, se o senhor se visse com olhos de ver, as mesmas palavras que utiliza seriam apenas uma confissão pessoal. O senhor sofre de todos os males de que acusa a campanha do não, que passo a citar:
“A absoluta ausência de argumentação racional, o sentimentalismo vazio de qualquer esforço intelectual, a imaturidade deste ladainha que se recusa a discutir uma lei quando é de uma lei que falamos, seria sinal de infantilidade, não fossem as crianças muito menos preguiçosas do que isto.”
Eu cesso a minha discussão aqui. Dia onze vou votar “não”!
[Responder]
“Se a hipocrisia continuar, o aborto não vai parar porque toda a gente sabe que se fazem, sempre se fizerem (os tais desmanchos), e se vai continuar a fazer abortos.”
Sempre houve pedofilia, porque não se acaba com a infame hipocrisia, todos sabemos que ela vai continuar a existir, que legalize-se então a pedofilia e acabe-se de uma vez por todas com a humilhação daqueles homens da casa pia diariamente exposto ao opróbrio
[Responder]
Disse Pedro A.: «Mesmo onde a comunidade científica diverge -quando começa a vida humana (…)»
A comunidade científica não diverge de forma significativa, a não ser quando se põe — num esforço para ser entendida pelos leigos, louvável mas por vezes desastroso — a utilizar clichés anti-científicos para ajudar a explicar situações que se prestam a grande confusão (e claro que também há cientistas pataratas, mas contra isso não há remédio). Vejamos então como se pode ajudar a esclarecer a coisa.
Do que se deve falar não é de um I1 = «início da vida humana» (implicando este conceito longas cadeias — individualizadas e ininterruptas — até cada um de nós, que obviamente não excluem espermatozóides nem óvulos, a menos que não sejam humanos, e se situa algures no Plioceno), mas de outros dois «inícios»: um I2 = «início da vida de um indivíduo humano» que é o momento da fecundação do óvulo por um espermatozóide (esquecendo aqui, para mais simplicidade, a hipótese de penetração múltipla determinante de múltiplos indivíduos); e um I3 = «início eticamente mais desejável para que a um indivíduo humano ainda não susceptível de vida autónoma sejam reconhecidos direitos pela sociedade».
O único «início» arbitrário que depende de nós — e que desejariamos optimizar do ponto de vista científico e ético (científico quanto à qualidade da informação objectiva, ético quanto à das opções de ordem moral) é I3. Como é evidente, até aqui toda a verdadeira ciência está de acordo e mais não tem a dizer. O desacordo é a partir daqui, é de ordem moral, e toma forma apenas no que respeita à fixação de I3 pelas sociedades humanas.
Para mim, o melhor I3 a que se deve apontar é o do início de um sistema nervoso central em funcionamento no feto, por razões que têm a ver com a sensibilização à dor e ausência de percepção de uma existência social futura por parte do mesmo. Para outros a escolha deve ser I3 = I2 o que exclui a pílula abortiva dita «do dia seguinte», mas permite outros métodos de contracepção. Para outros ainda, geralmente influenciados de forma mais exclusiva por compulsões de ordem religiosa, será até I3 = I1 (!) e esses votariam NÃO até em relação ao simples preservativo «assassino» de espermatozóides.
Mas uma coisa não é discutível em termos científicos: que o único «início» que está em debate é o I3.
Os cientistas com posições mais radicais sobre o assunto deveriam ser os primeiros a evitar introduzir noções pseudo-científicas na discussão. Pelo que tenho observado, os que mais abundantemente faltam a este princípio são, de longe, os radicais do NÃO.
Não sei se isto ajudará os leigos mais preocupados com o «início da vida humana»…
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Tem razão, tal como eu havia dito no meu primeiro comentário, o nome da senhora é Ana Campos.
A Ana Gomes é uma das culpadas pela situação de Timor-Leste. Tem razão, confundi-me…
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Não façam chorar a nossa mãezinha do céu…
Votai “não”, porque senão a nossa senhora vem dar tau-tau aos meninos mal comportados que votarem “sim”.
E depois o senhor padre zanga-se muito, muito, muito, e deus já não é nosso amiguinho.
O referendo é uma ofensa grave a deus nosso senhor e a democracia é uma invenção do demónio!
O feto já tem um coraçãozinho pronto a amar nosso senhor! Não matem o feto, aliás, a criancinha.
Matem antes as bruxas das abortadeiras, na fogueira!
E não se esqueçam: se o “sim” ganhar, o homicídio/aborto passa a ser obrigatório e a mulher que não praticar um assassinato de criancinha indefesa por ano será presa.
E depois vêm os perigosos esquerdistas verificar se a mulher abortou ou não, e se não abortou eles fazem-lhe muito mal!
Cuidado!
Não ofendam deus nosso senhor porque depois a sua ira será imensa e o aquecimento global ainda vai ser maior e as cheias no inverno e os incêndios no verão são a vingança de deus quando se ofende.
Votai “não” para impedir a ira do todo poderoso, e evitar os incêndios florestais, as cheias, os pobrezinhos e as derrotas do benfica.
Agora, vou rezar um terço pela vida e consagrar o referendo/ofensa a deus à senhora de fátima e aos pastorinhos, para que interceda por nós, e vou desejar a prisão das abortadeiras, que lá é que elas estão bem, as malandras levianas, antes pudéssemos queimá-las na fogueira purificadora!
Depois vou ajudar o senhor padre na missa, tomar os comprimidos e voltar ao manicómio, que já devem ter dado pela minha falta lá…
Ai ai…
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O Padre de Portalegre e os seus defensores defendem o chamado direito canónico…
Vamos a ver se eu entendo.
Se eu me chamar Augusto Pinochet fôr católico, tiver mandado matar milhares de seres humanos, tenho direito a um funeral católico.
Se eu me chamar só Augusto fôr católico e de acordo com a minha companheira ela tenha feito um aborto, somos excomungados….e quando morrermos não temos direito a um funeral católico….
Vamos a outro exemplo , eu sou católico e de Portalegre e chamo-me Paulo, acho que nesta questão do aborto as mulheres não têm de ser castigadas e vou votar Sim,assim e segundo diz o sr. Padre cá destas bandas, deixo de poder ir á missa, de me casar pela Igreja, e quando morrer não tenho direito á extrema-unção e a um padre que me encomende a alma.
Eu chamo-me Paulo Portas, fui ministro da defesa, apoiei a guerra do Iraque que fez MILHARES DE VITIMAS, fui contra a opinião do Papa, e do Cardeal de Lisboa, e apesar disso vou á missa, comungo, e certamente terei um funeral católico.
Alguem entende este direito canónico, ou na Igreja Católica existem dois pesos e duas medidas, consoante eu me chamar Augusto Pinochet ou Augusto , Paulo ou Paulo Portas….
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O André Militão não entende por que motivo o aborto é um crime. Vou tentar explicar-lhe, de forma breve: basicamente é porque se mata uma vida, certo, André?… Não é um fungo, não é um parasita intestinal, não é uma borbulha – um feto é aquilo que você e eu já fomos antes de estarmos aqui a escrever na net, isto é, a origem de uma vida. Eu sei que você não vê. Aposto que vc até se insurge contra os bombardeamentos e a morte de inocentes aqui e acolá em todo o Mundo. Se calhar até é daquelas pessoas que se manifestam quando uma auto-estrada vai passar em cima do habitat da pulga da Serra Dalcagoita, porque a pulga tem direito ao seu habitat, obviamente. O que eu não entendo é por que razão, perante uma coisa óbvia (interromper uma gravidez é MATAR algo que vai nascer e crescer e ser humano!)o André não consegue ver. Em tempos, na barragem do Alqueva, alguém escreveu “construam-me, porra!”. Eu acho que, perante a cegueira que algumas pessoas têm perante uma realidade objectiva, apetece escrever agora – “ABORTAR É MATAR, PORRA!”
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Proponho que o próximo referendo que os defensores do Sim ao aborto devem propor, seja sobre a Eutanásia Assistida para Doentes Profundos. Não há direito que uma pessoa não possa decidir livremente se pode ou não ver-se livre de algo que dá despesas (médicos, medicamentos, etc), que dá chatices e que uma pessoa pode não estar preparada emocionalmente para aguentar. Com uma injecção simples o doente nada sente e a família já pode depois ir descansada ao shopping e poupar na conta do hiper, etc. Por isso, caros amigos defensores do aborto, creio que devem começar a pensar nesta nova luta – e podem usar praticamente os mesmos argumentos, desde a questão económica, até à parte em que o “liquidado” não sofre, passando pela decisão de alguém de saber se quer ou não ter chatices com outrém (no aborto é o filho, neste caso é o doentinho).
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Tou de acordo com a proposta da eutanásia para doentes profundos e uso parte da argumentação que li aqui para defender o aborto: “Que hipocrisia.
Não obstante as construções emocionais feitas à volta da “vida embrionária de 10 semanas”, o embrião não tem consciência, logo não pode dizer de sua justiça. Para além disso, não sente dor…” Ora isto aplica-se a doentes em coma, paraplégicos profundos, etc, porque não podem dizer de sua justiça (não estão conscientes) e não sentem dor se a coisa for bem feita. (…não é, senhores defensores do aborto?… reflictam… tanta hipocrisia, Deus meu…)
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Venho aqui muitas vezes ler o que se comenta, mais do que é “postado”! Este é um blog que não defende a posição que eu defendo no referendo, mas ao ler o artigo do Daniel Oliveira sobre o aborto, pareceu-me ser um local que manteria uma discussão elevada sobre o tema. Puro engano! Continuo a vir aqui, mas a boa imagem deixava nesse post foi-se desvanecendo com os posts posteriores, e com os comentários da maior parte dos defensores do SIM (e alguns do NÃO tb).
Este blog é consultado por pessoas que já têm a sua opinião bem definida, e portanto deixei de gastar a ponta dos meus dedos a responder, apesar de muitos comentários chocarem com a minha forma de ver o mundo.
Parece-me que a maior parte dos comentários aqui colocados, e a intenção de voto expressa por muitos, é resultado de coisas mal resolvidas na vida. Alguns traumas profundos contra instituições, e uma total falta de respeito pelas convicções profundas dos outros.
Bem…continuarei a ler este blog. Serve-me para ficar alerta para o tipo de (pseudo) “intelectuais” que constitui a nossa sociedade.
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Parabéns pelo blog SIM NO REFERENDO,
também escrevi sobre isso e nunca é demais!
EU VOTO SIM!
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Obrigado Pedro Botelho!
Foi dos poucos cometários com substância que aqui li.
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IVG a pedido da mulher até as 12 semanas:Alemanha,BELGICA,Dinarmarca,França,Grecia,Luxemburgo.Até ás 13:Holanda.Até ás 18:Suecia.Até ás 24 SEMANAS:Finlandia,Reino Unido.
Quem é que quer matar um bebé com Seis meses?!!!!24 semanas!!!
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ao dlm,
Se você tivesse a honestidade, ou a esperteza, de ter citado tudo o que eu disse veria que o seu comentário é rídiculo, e enfim, até triste. Leia tudo e veja que as comparações com a pedofilia, e com a morte de velhotes, como insinuou o “não e não”, é argumento de mentecaptos.
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Só para corrigir algo do comentário anterior. O energúmeno do “não e mais não” não falou em velhotes,de facto, mas não deixou de dizer uma parvoíce. Fiquei traumatizado com o argumento de mais uma “defensora da vida” que falava na IGE (Interrupção voluntária da velhice). A gente do não é gente honesta.
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IGE (interrupção voluntaria do envelhecimento, nao da velhice) trev… loool
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Porque voto sim?
Para quem procura argumentos racionais para uma decisão informada aconselho a leitura de um texto de opinião em http://www.euvotosim.org/node/33 . Eu acrescentaria pouco ou nada. Por uma sociedade mais justa, com menos hipocrisia eu voto sim!
[Responder]
Porque voto sim?
Para quem procura argumentos racionais para uma decisão informada aconselho a leitura de um texto de opinião em http://www.euvotosim.org/node/33 . Eu acrescentaria pouco ou nada. Por uma sociedade mais justa, com menos hipocrisia eu voto sim!
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“O que eu não entendo é por que razão, perante uma coisa óbvia (interromper uma gravidez é MATAR algo que vai nascer e crescer e ser humano!)”
Pois, voltamos ao mesmo. Um zigoto também é um ser humano em potência, tendo uma probabilidade razoável de se desenvolver e nascer. E por aí fora…
Algo que vai ser humano não é a mesma coisa que um ser humano. Fazendo uma analogia ligeiramente simplista, uma criança apesar de provavelmente se vir a tornar adulta, não é tratada como tal perante a lei.
Da mesma forma, um feto não pode ser tratado como um recém-nascido, apesar de provavelmente vir a ser um.
E se não se trata de uma pessoa, não pode ter direitos, ou pelo menos, direitos que se sobreponham a liberdades fundamentais de outras pessoas, neste caso, a de escolher ter ou não filhos.
É que parece que para os senhores a vida é algo de predestinado. Não parece tratar-se de uma escolha comum a duas, mas sim de um golpe do destino, um capricho divino.
“Engravidou? Então vai ter de ter o filho, queira ou não porque eu assim o acho.”
Mas que raio, quem é que decide se fulano e fulana têm filhos, eles próprios ou a sociedade?
Não quero com isto dizer que a sociedade não imponha determinadas regras aos pais (uma vez que os filhos não são propriedade), ou que não sensibilize as pessoas a não abortar, ou o contrário se a pessoa já tiver demasiados filhos.
O que não pode é impingir-lhe uma ou outra coisa. E o que a lei actual faz é obrigar as pessoas a terem filhos que não desejam. Excepto em caso de violação, porque aparentemente isto já serve de justificação para “matar um ser humano”.
Eu aliás, já ouvi uma perspectiva bastante interessante: a mulher têm apenas o direito de não engravidar, utilizando para isso contraceptivos, porém como na violação isso não acontece, tem o direito de abortar.
Ora, meus amigos, ou o aborto é sempre crime (exceptuando o risco de vida materno) porque se trata de uma vida humana, ou nunca é, partindo do princípio que o feto não tem capacidade para sobreviver fora do útero materno.
………………………
Por outro lado, dentro desta perspectiva fatalista, se a questão é o potencial do feto para se desenvolver e nascer, também o uso de contraceptivos deveria ser crime, porque interferem com a génese de um novo ser humano, ainda que a probabilidade de isto suceder ser muitíssimo inferior à do feto de 10 semanas.
[Responder]
“IVG a pedido da mulher até as 12 semanas:Alemanha,BELGICA,Dinarmarca,França,Grecia,Luxemburgo.Até ás 13:Holanda.Até ás 18:Suecia.Até ás 24 SEMANAS:Finlandia,Reino Unido.
Quem é que quer matar um bebé com Seis meses?!!!!24 semanas!!!
Posted by: Morrer na Praia | janeiro 19, 2007 08:23 PM”
Ó enterrado na areia, gostei, extremamente racional!
Só espero que de futuro não te lembres de chamar demagogo ou desonesto ao Daniel Oliveira, ou a qualquer outra pessoa à face da terra…
[Responder]
Aos trinta, aos quarenta… aos setenta anos, não esqueças a criança que há em ti, seu atrasado mental, vota não!
[Responder]
“Parece-me que a maior parte dos comentários aqui colocados, e a intenção de voto expressa por muitos, é resultado de coisas mal resolvidas na vida. Alguns traumas profundos contra instituições, e uma total falta de respeito pelas convicções profundas dos outros.”
Boa Segismundo, agora só gostava que me explicasse por que motivo havia de respeitar a sua convição de que o aborto seja crime?
Já agora, se eu achasse que os ciganos deviam ser todos mortos, respeitaria as minhas convições? Hmm… e seu achasse profundamente que o senhor devia ser enforcado porque me incomoda… profundamente, também respeitava?
Eu tenho de respeitar os seus direitos, não as suas convicções. Se o senhor acha o aborto moralmente incorrecto ninguém o obriga a que a sua cônjuge faça um. Mas isso não lhe dá o direito de impôr as suas convicções morais sem uma argumentação racional e honesta.
[Responder]
Por acaso, o adulto que há em mim até gosta de ser insultado em certos períodos. Faz bem ao Sim que haja intelectuais da cepa do iluminado João César, o das Neves,que comparem aborto e telemóveis. Pois, esse mesmo, o que enche a boca com o deb(r)oche dos outros e que e que em entrevista ao Independente, em Fevereiro de 2005, afirmou que a masturbação é errada e que uma vez que as avozinhas passaram a mostrar os tornozelos, vai-se lá saber se isto não acaba na zoofilia!
Saiba a campanha do sim aproveitar estas pérolas (assim como as da representante do povo Isilda Pegado no prós e contras a recusar-se a responder a uma pergunta sobre se condena a IVG em caso de violaçã quando tinha acabado de receber uma resposta a uma questão sua). Estas pérolas mostram à saciedade que o que motiva esta gente não são valores pró-vida, mas o obscurantismo e a arrogância mais torpes.
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Disse eu próprio, mais abaixo: “I2 = «início da vida de um indivíduo humano» que é o momento da fecundação do óvulo por um espermatozóide (esquecendo aqui, para mais simplicidade, a hipótese de penetração múltipla determinante de múltiplos indivíduos)”
Passo a corrigir um pormenor que, embora não relevante para o argumento, ficou incorrecto (nada como começar a discutir para recordar ou reaprender): obviamente que os gémeos verdadeiros, i.e. com a mesma herança hereditária exacta, provêm de um único zigoto (1 óvulo + 1 espermatozóide): Na espécie humana, o único outro caso de gemelidade normal é a fraterna (zigotos diferentes). Numa fecundação normal, mesmo que mais do que um espermatozóide penetre um óvulo, apenas um consegue ocasionar a fusão dos núcleos. Ao que suponho, as razões por que alguns zigotos resolvem ocasionar gémeos verdadeiros não estão determinadas, mas, de qualquer modo, a questão é irrelevante porque não altera sequer ao nível da detecção eficaz a possibilidade da presença de uma vida individual singular. Portanto, quem quiser fixar a «santidade da vida humana» no momento da fecundação estará a rejeitar implicitamente a utilização da pílula abortiva «do dia seguinte».
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http://www.youtube.com/watch?v=AfrMHnT3jKE
http://www.youtube.com/watch?v=LgECmHs92Vc
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http://www.youtube.com/watch?v=o_hCtUlRIuk
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o pessoal do não não só discute a lei como a(s) consequencia(s)da lei. A não ser que o referendo seja uma mera questão de academismo, ou será!?
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