Continuo o debate com o Luís, que me interessa e que tem a saudável vantagem de não seguir a muito pouco frutuosa estratégia da suspeição. Vamos a isso.
A comparação entre o Hezbollah e o nazismo pode ser tentadora mas não diz rigorosamente nada do que por ali se passa. É eurocêntrica e dificilmente pode ambicionar mais do que a superficialidade estética da propaganda. Comparemos o comparável. Ou Estados com Estados, ou organizações com organizações, ou pessoas com pessoas.
Estados com Estados. No Líbano pode-se «conduzir actividade oposicionista», «o pluripartidarismo funciona», «existem organizações pacifistas que lutam pelos direitos humanos incluindo os direitos das minorias» (e até da desprezada e maltratada maioria xiita), «os cultos religiosos são respeitados». Tudo de forma regular? Não. O Líbano viveu, com o contributo da Síria (seria interessante ir rever quem defendeu a entrada da Síria no Líbano), da França e de Israel, em guerra civil permanente. E o que o Líbano tinha conseguido nos últimos anos era extraordinário. Quase impossível. Israel acabou de pôr tudo em causa. Espero que quando, nas próximas eleições, o Hezbollah crescer exponencialmente alguém se lembre como isto começou.
A verdade é esta: Israel provou com o Líbano que não quer estar rodeado de democracias. Até porque em nenhuma democracia árabe, que estivesse ao dispor de eleitores árabes, a situação dos palestinianos seria tolerada. Israel quer a Jordânia e o Egipto e não quer a Síria e o Irão. Apenas isto. Uns a fingir que são democracias, com eleições que não são para levar a sério (Egipto de um lado, Irão do outro), outros sem se dar sequer a esse trabalho (Jordânia de um lado, Síria do outro). Israel quer estados árabes fracos, não quer democracias. E Israel deu uma machadada na frágil e muito corrupta (tal como a israelita, já agora) democracia libanesa.
Israel é uma democracia militarizada. É normal que o seja. Vive em guerra há décadas. Mas, já agora, não é propriamente, ao contrário do que se tem escrito, uma democracia de tipo ocidental. O peso da religião e dos militares não é comparável a nenhum estado europeu. Não tem de ser como as europeias. A exportação de democracias pré-fabricadas não é a minha posição. Aquela democracia corresponde à história daquele país.
O Líbano é uma democracia tribal, de clãs. É normal que o seja. As suas fronteiras querem dizer muito pouco e viveu em guerra civil quase permanente, sempre associada a grupos étnicos.
Do muito que em Portugal se tem escrito sobre o Líbano quase tudo é disparate. A Síria, ali, nem sempre foi aliada dos xiitas. Nem sempre foi aliada dos palestinianos. Chegou a perseguir os dirigentes da OLP. O partido pró-sirio nunca foi o Hezbollah, apesar da aliança que hoje os une. O aliado principal do Hezbollah nas últimas eleições foi o Amal, partido xiita (que era o aliado eleito pelo Irão) que combateu os refugiados palestinianos durante a guerra civil e que combateu o próprio Hezbollah. Este ano, o partido cristão do popular general Aoun assinou um memorando de entendimento com o Hezbollah e esteve, durante esta última guerra, ao lado do grupo xiita. Aliás, o general Aoun, durante a guerra civil, andou aos tiros contra outro grupo cristão.
Por ali, as coisas nunca são o que parecem. As alianças entre cristãos maronitas, outros cristãos, drusos, xiitas, sunitas e entre cada grupo dentro de cada etnia são variáveis e dificilmente compreensíveis para os olhares simplistas que hoje estão em voga. O mundo árabe não se divide em xiitas/sunitas, Irão/Arábia Saudita, aliados do Ocidente/terroristas. É preciso conhecer a história árabe, cheia de traições, clãs, negócios e alianças contra-natura para perceber o puzzle que é o Líbano.
É neste cenário que a democracia libanesa renasce. Cheia de regras estranhas. As possíveis, como em quase todos os países saídos de guerras civis. Tal como em Israel, não é a democracia prefeita, é a que corresponde à história daquele país.
É preciso perceber a promessa igualitária progressista que foi Israel (tem toda a razão o Luís e nunca me viu escrever – não por acaso – que sou anti-sionista), a tomada do sionismo pela extrema-direita – em que (facilitando demais) o espírito da arrogância do colonato em terra alheia tomou o lugar do espírito da utopia quase socialista dos kibutzim (em alguns casos essa substituição foi literal) –, o peso crescente dos militares, a construção de uma democracia exclusiva (que deixou de fora os direitos dos não-israelitas) e a presença maior de judeus não-europeus na política (fartos de uma casta democrática mas elitista) para perceber o que ali se tem passado. Não me aventuro excessivamente. Espero, um dia próximo, ir a Israel. Compreender melhor e falar com propriedade. Deixo aqui apenas um registo difícil de aceitar, estou seguro, por alguns, mais excitados, dos que me lêem. Não sou anti-israelita. Pelo contrário. Tenho pelo sonho israelita uma absoluta admiração. A minha escolha (é uma escolha) de defesa dos palestinianos no conflito entre palestinianos e isrealitas (o conflito israelo-árabe é uma outra coisa) é de justiça, não é de proximidade. Até porque recuso a lógica racista da proximidade.
Organizações com organizações. É impossível comparar. Por tudo o que escrevi antes, Israel e o Líbano vivem em momentos muito diferentes da sua história. Os principais partidos políticos libaneses, saídos de uma guerra civil, são milícias. Se alguma comparação se pudesse fazer seria com o nascimento de Israel. Com o antigo Irgun (grupo paramilitar israelita que britânicos e sionistas moderados classificavam como «organização terrorista» e que matou centenas de árabes em operações de guerrilha), o grupo de Stern e, em geral, os movimentos revisionistas do sionismo, olhados por muitos israelitas, apesar dos seus métodos, como «movimentos de libertação». Encontraremos muitas similitudes. E, no entanto, estes grupos acabaram por ser absorvidos pelo sistema. Com um Estado independente e sem forças estrangeiras no seu território, estes grupos (conotados com extrema-direita) e outros paramilitares moderados deixaram de fazer sentido.
No que podemos falar do presente, como o Hezbollah, o Estado israelita sequestra, como o Hezbollah, o Estado israelita mata civis como táctica de terror, como o Hezbollah, o Estado israelita não cumpre nenhuma regra comummente aceita para a guerra.
Pessoas com pessoas. Se algum paralelo se pudesse fazer seria entre Hassan Nasrallah e Ariel Sharon (Ehud Olmert é uma personagem virtual). De Nasrallah sabemos que é um fanático religioso, um nacionalista convicto (não se limita a receber ordens da Síria ou do Irão), vem do Amal e olha para os israelitas como pouco mais do que bichos. Tem uma história de violência e terror. De Ariel Sharon sabemos que é um extremista, um nacionalista convicto, que dirigiu a unidade 101, que se dedicava a matar palestinianos civis (notabilizou-se pelo massacre de Qibya) e que na sua carreira militar se especializou nessa notável tarefa. Como ministro da Defesa foi responsável pelo apoio militar aos massacres de Sabra e Shatila, em que morreram dois mil palestinianos civis, quase todos mulheres e crianças. Digamos que Nasrallah até tem um currículo incompleto ao lado de Sharon.
No entanto, dirá o Luís com toda a razão, Sharon não é idolatrado pelos israelitas. Uma diferença cultural de monta. Os árabes (não estou a falar de muçulmanos) precisam de um líder, exigem um líder e esperam um líder. Como, historicamente, os latinos. Dificulta a democracia? Sim. Mas não vejo o que é que ir buscar o nazismo ajuda a este debate.
Resumindo: os paralelismos estéticos, quando falamos de culturas diferentes, só enganam. O Hezbollah é uma organização extremista religiosa (sobre o terrorismo faria outro post, mas é assunto que espero vir brevemente a tratar no “Expresso”. Resumo apenas assim: é evidente que usa métodos terroristas), violenta, sem preocupações democráticas. Israel é um Estado democrático sem nenhumas preocupações em matéria de direitos humanos quando se trata da vida de árabes. Para os árabes, o que é pior? É que não podemos olhar para um povo como se ele não vivesse e não tivesse de fazer as suas escolhas. Eu não sou nem israelita nem libanês. Por isso não tenho nenhuma escolha a fazer. Apenas defendo que o Estado israelita tem de cumprir as regras internacionais e o direito à vida dos seus vizinhos. E, estando rodeado de árabes por todo o lado e não os podendo matar a todos, seria bom deixar de pensar que um bom árabe é um árabe morto ou um árabe aterrorizado. Deixar de funcionar na mesma lógica dos grupos radicais árabes da região e passar a funcionar com a lógica de um Estado. Encontrar os seus interlocutores árabes (é melhor que os próprios árabes os vejam como tal), isolar politicamente os radicais e estar disposto a ceder (não me venham com o abandono unilateral de Gaza, que não foi, como se vê hoje, mais do que uma armadilha). Tem no mundo árabe, ao contrário do que por aí se diz, com quem falar. Falta-lhe coragem interna para tanto.
Por fim, só para que esta pergunta feita milhares de vezes por comentadores aqui do Arrastão não fique pendurada, encerro o debate sobre a existência do Estado de Israel com a maior das facilidades: defendo a existência do estado de Israel e não participo em debates armadilhados e xenófobos sobre a história e o direito a ter uma Nação. Não me interessa quem chegou primeiro, a quem Deus prometeu a terra e quem matou mais no caminho. Estão lá os palestinianos e os israelitas, é tudo o que me interessa. Parece evidente que, infelizmente, não conseguirão viver num Estado multiétnico e multireligioso. Não têm outro remédio se não o de se suportarem mutuamente. Tem de haver dois estados viáveis. Israel e Palestina. Por enquanto só há um.
Sem comentários 23 Ago 06 em Sem categoria



Daniel,
não deixes que te empurrem para onde eles querem. Mostra a demagogia da questão.
O que eles querem é escolher um lugar agradável para viver e aqui do que se trata é de pronunciar acerca deste estilo de guerra.
Sou obrigada a comentar neste blogue porque no Natureza fui censurada. Mesmo para colocar um link e apenas uma palavra- ler.
O que interessa mostrar é esta mania que a democracia é um valor universal acima da soberania dos povos. E que a exportação da democracia só tem servido para hostilizar povos que têm sociedades diferentes.
E têm todo o direito a viverem como bem entenderem. Se pensam o contrário, então tinham de ser consequentes e dizer apenas isto-
defendemos uma nova colonização do Médio Oriente de forma a preservar e expandir os nossos bons valores e costumes ocidentais. E para isso vamos levar todos os europeus de boa vontade porque não conseguimos colonizar apenas à bomba e com os exércitos da ONU a fazerem de mulheres-da-limpeza.
Quanto às superioridades ocidentais dos israelitas em tempo de guerra toma lá esta notícia.
Já devias conhecer mas ainda assim
Agora vamos a ver se aqui também me censuram. Por lá acabou-se. Nem uma letrinha passa para não estragar “a imagem”
eheheheh [palhaçada]
bem, o link não passa, dizem que é spam…
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o link disfarçado a ver se passa. Vou tentar aldrabar o sacaninha do vigilante das caixinhas. Tiro-lhe o html e vamos a ver se o gajo topa.
haaretz.com/hase
n/spages/750463.html
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Zazzie, eu aceito links, só não aceito publicidade a blogues sem nenhuma relação com o que está em debates. Topei e passou.
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Daniel tentei há pouco colocar um comentário na Natureza do Mal o tal Luis , seguindo os mais nobres principios democraticos, CENSUROU-O.
Por isso este debate está truncado, os apoiante dos sionistas quando o debate não segue os seus ditames , censuram , foi assim com o Francisco José Viegas, é agora com este Luis.
O seu desejo seria que os Blogues fossem como a Helena Matos, ou o José Manuel Fernandes, isto é facilmente corrompiveis,ou então fácilmente silenciados.
É a democracia á maneira dos AMIGOS DE ISRAEL.
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a.pacheco, tenho ideia que a Natureza do Mal tem o mesmo sistema de aprovações do Arrastão. Que é preciso esperar.
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Daniel, eu passei-te um link de um jornal. Não imagino onde pudesse ir a publicidade a blogue. Deves estar a fazer confusão.
Se é ao meu podem tirar o cavalinho da chuva. Não tenho links nem sitemeter e nunca convidei ninguém a lá ir.
O único blogue que referi foi o mesmo que pacheco também nomeou e pelo mesmo motivo.
bjs
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Daniel,
eu passei-te um link de um jornal. Não imagino onde pudesse ir a publicidade a blogue. Deves estar a fazer confusão.
Se é ao meu podem tirar o cavalinho da chuva. Não tenho links nem sitemeter e nunca convidei ninguém a lá ir.
O único blogue que referi foi o mesmo que pacheco também nomeou e pelo mesmo motivo.
Já agora, o texto do haaretz refere-se a comportamentos durante a guerra e por isso não creio que juja ao tema.
bjs
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Já agora, no que toca à censura democrática recentemente criada no Natureza, posso assegurar que basta postar citações do próprio autor para ele as censurar.
Mas isso é secundário. Quem quiser até pode retirar comentários. Faz parte dos serviços que o blogger fornece.
Fica apenas o aspecto humoristico da questão.
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Não vou comentar o post…para já. Subscrevo o último parágrafo.
Mas quero só responder à tempestade num copo de àgua (é assim que se começam os desacertos e as guerras se preciso for)por causa do Luís, ter começado a moderar os comentários. O Luís tem as opiniões que tem, são dele. O blog também e ele tem o direito de manter a discussão num nível civilizado. Coisa que muitas vezes se não consegue, pois as pessoas confudem direito à opinião com insultar gratuitamente.
Por exemplo: “AMIGOS DE ISRAEL”, nem é insulto que se veja. Eu posso ser amiga de alguém e não concordar com tudo o que diz ou faz. E dizer-lho na hora certa. Não sei se o Luís é amigo de Israel, mas pelo que conheço dele (só dos blogues)não é um amigo de “olhos cegos”. Era bom que nestas coisas tão simples, que são umas meras trocas de opiniões (a gente desliga o computador e vai à vida), não se partisse para o combate de vida ou morte. É preciso debater com seriedade mas um pouco de descontração e honestidade não faziam mal nenhum.
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Parece-me que agora o Daniel respondeu ao porquê de posts anteriores. Fico rendido.
Compreendo que o Líbano tem a democracia possível. Julgo é que as críticas justas a Israel não devam branquear o despotismo de certos grupos e estados.
Só mesmo uma alfinetada…
será que Sharon teria feito esta asneirada de invadir o Líbano?!
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ALGUNS ELEMENTOS DE INTERESSE (VIA ANGRYARAB.BLOGSPOT.COM) Who Started Terrorism in the Arab-Israeli Conflict?
Bombs in Cafes: first used by Zionists in Palestine on March 17th, 1937 in Jaffa.
Bombs on Buses: first used by Zionists in Palestine Aug. 20th-Sep. 26, 1937.
Bombs in Market Places: first used by Zionists on July 6th, 1938 in Haifa.
Bombing of Hotels: first used by Zionists on July 22nd, 1946 in Jerusalem.
Bombing of Foreign Embassies: first used by Zionists on October 1st, 1946 in Rome (against the British).
Mining of Ambulances: First used by Zionists on October 31st, 1946 in Petah Tikvah.
Letter Bombs: first used by Zionists in June 1947 against British targets in UK.
(for documentation, consult The Arab Women’s Information Committee and The Institute for Palestine Studies, Who Are the Terrorists? Aspects of Zionist and Israeli Terrorism, (Beirut: Insitute for Palestine Studies, 1972).
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Daniel Oliveira,
Felicito-o pela clareza das suas posições e pela serenidade que soube imprimir ao seu post, com cujo teor estou quase integralmente de acordo.
Todavia, um aspecto há que não foi abordado e que julgo fundamental para qualquer solução ou princípio de solução dos conflitos naquela zona: os refugiados palestinianos e as minorias étnicas ou religiosas em Israel e na Palestina.
Na verdade, por afirmar que “parece evidente que, infelizmente, não conseguirão viver num Estado multiétnico e multireligioso”, devo entender que considera impossível o regresso desses refugiados aos territórios de onde foram expulsos? E, por exemplo, os árabes, muçulmanos ou cristãos, que são actualmente cidadãos de Israel, deverão tornar-se cidadãos da Palestina, dada essa alegada impossibilidade da existência de um estado multiétnico e multirreligioso? E se a Palestina também não for um estado multiétnico e multirreligioso, de que estado poderão os árabes cristãos ser cidadãos?
Sinceramente, não vejo como desatar o nó, se se partir do princípio de que um estado multiétnico e multirreligioso é impossível naquela zona.
Aliás, considero perfeitamente secundária a questão de saber se ali deveriam existir dois estados ou apenas um: o fundamental é que o único ou ambos os estados fossem multiétnicos e multirreligiosos (embora ache natural, dada as actuais circunstâncias, que, no caso de existirem dois estados, se registassem diferentes e acentuadas predominâncias).
Mas é também possível alargar o horizonte e deixar a pergunta: se, por exemplo, todos esperamos que sérvios e croatas ou hutus e tutsis, que ainda há poucos anos se matavam aos milhares, convivam e se reconciliem num mesmo estado (Bósnia e Ruanda), se todos podemos verificar a quase normalidade em que decorre a convivência entre negros e brancos na África do Sul, se todos “exigimos” que russos e outros nacionais dos estados bálticos se respeitem mutuamente, por que razão teremos de achar que não seria possível um único Estado multiétnico e multirreligioso nos territórios que compõem Israel e a Palestina?
Não quero dizer que essa fosse a melhor solução, cuja escolha, naturalmente, só aos próprios interessados – palestinianos e israelitas (conjunta e democraticamente, isto é, em consulta que a todos englobasse) – competiria. Mas não percebo por que se há-de rejeitar liminarmente uma tal hipótese.
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Quiça no capítulo «Organizações com Organizações» fosse pertinente pensarmos antes em Hamas e Hezbollah.Que legitimidades e fundamentos assistem a uma e outra organização?Que condições político-militares justificam a sobrevivência de ambas?Isto sem olvidar obviamente que o Hezbollah sobrevive num estado dito democrático, mantendo «refém» esse último…
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Marco, apesar das boas relações que mantem com o Hamas, o Hezbollah é diferente do Hamas. Já agora, durante a guerra civil, nas fileiras do Hezbollah entraram muitos activistas da Fatah refugiados no Libano. Foram eles que deram ao Hezbollah um pouco de “consistência política” e, sem acabar com o fundamentalismo religioso da organização, temperaram-o com uma espécie de “pan-arabismo” pró-palestiniano.
Sobre o nascimento do Hamas poderiamos dizer muitas coisas que deixariam Israel com as orelhas a arder.
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Não, Daniel, iSSrael NÃO É um estado democrático !
Como pode ser democrático um “estado” que exclui mais de 60% dos seus residentes de jure do voto e da nacionalidade, para permitir a uma minoria religiosa alcançar artificialmente a maioria ? E que mantem sem julgamento 10.000 presos políticos, um recorde mundial , sem contar o Iraque de Bush ? E que executa sumariamente (targeted killings) centenas de oposicionistas ? No kidding…
iSSrael é um estado terrorista, fundamentalista, nazi e apartheidesco. O MENOS democrático do Médio Oriente. O Líbano, onde todas as religiões participam do poder em pé de igualdade e sem apartheids, é o mais democrático.
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1. El Ejercito Israeli volvió a ocupar militarmente-es decir, a sangre y fuego- la franja de Gaza después de que las milicias de Hamás mataran a dos soldados israelís y secuestraran a un tercero. Desde que Hamás ganó limpiamente unas elecciones democráticas y es responsable de la Autoridad Palestina, todo lo que ocurre en los territorios ocupados ES ATRIBUIDO por Israel a sus seguidores. Nanda SE MENCIONA DEL SECUESTRO, el día anterior de un médico y su hermano en Gaza por parte del Ejercito israelí, que fue lo que, APARENTEMENTE, pudo desencadenar la replica palestina.
2. La destrucción sistemática y masiva de la infraestructura de Gaza, so pretesto de liberar al soldado secuestrado, comenzó inmediatamente después de tal secuestro.
3. Hezbolá mata a varios soldados israelies en la frontera israellibanesa y secuestra a otros dos. Así descrito, parece que el EJERCITO ISRAELI es un RIGUROSO CUMPLIDOR de los límites fronterizos con Libano tras una OCUPACION UNILATERA DURANTE AÑOS de una franja del suelo de ese pais y no acostumbraba a realizar incursiond e penetración a través de esa frontera, mientras que era el “sofisticado” y”poderoso” Ejercito de Hezbolá el que sistematicamente lo hacía.
4. Israel comienza inmeditamente a bombardear por aire, mar y tierra a Líbano, sin que medie un TIEMPO DE PREPARACION PREVIA, CASTIGANDO INDISCRIMINADAMENTE y DELIBERADAMENTE objetivos civiles y no militares.
5. Tras 1271 victimas civiles libanesas y varios miles de heridos -61 victimas isrelies de los Katiushas de Hezbolá y varias decenas de heridos- un país arrasado, una catastrofe humana y un desastre ecológico, Israel se retira SIN HABER CONSEGUIDO NI UNO SOLO de los objetivos inicialmente DECLARADOS
6. Desde hace muchos años, Estados Unidos suministra armas de alta tecnologia a Israel. Bastante más recientemente, Irán ha hecho lo mismo con Hezbolá
7. Nadie ha sugerido en los medios de comunicación internacionales que los milicanos de Hezbolá se comporten como monjas de la Caridad ni que su líder, el jeque Nasralá, sea un ponderado demócrata de toda la vida. pero ¿camia eso el hecho de que Israel haya arrasado un país vecino DELIVERADAMENTE E INDISCRIMINADAMENTE y que, con excepción de unas decenas de milicianos, el grueso de las vícitmas libanesas sean hombres, mujeres y niños que vivían muy lejos de la fraja de “seguridad”?
Juan Luis Dominguez Gonzalez. Girona
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Um país para os ciganos, não se arranja?
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Tem razão Daniel, e por isso já pedi desculpa ao Luis, pela acusação injusta que lhe fiz.
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a pacheco:
experimenta deixar lá um comentário anódino em meu nome…
bem podes esperar sentado que ele apareça
O rídículo da coisa é toda essa. Não há censura, há pessoas no Índex sem o caso ter a ver com o conteúdo ou forma como escrevem.
Sempre entendi a mais valia da blogosfera como um local onde se trocam opiniões e pode haver contraditório. Para manhas de políticos e preocupações com estatísticas e imagens já temos tudo o resto.
Neste post do Daniel Oliveira, por ex. não assinaria por baixo a parte da promessa igualitária progressista que foi Israel porque também li o Bruno Bettelheim e aquele Admirável Mundo Novo das Sociedades de Crianças nunca me agradou. Nem assinaria por baixo, assim à primeira, quando ele diz que Israel não quer estar rodeada de democracias porque vou mais pela versão expansionista e no balão de ensaio a meias com os EUA
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O Daniel sabe tudo sobre o Líbano e os outros não sabem nada. Por isso escreve, a dado passo: “até da desprezada e maltratada maioria xiita”
Maioria?
Nada como investigar. Ora, o que consegui encontrar foi o seguinte:
Nombre d’inscrits à l’état civil en 2000 sur les listes électorales
• Alaouites : 18 491 (0,7%)
• Arméniens-catholiques : 19 392 (0,7%)
• Arméniens-orthodoxes : 89 649 (3,4%)
• Assyriens : 2120 (0,1%)
• Chaldéens : 2893 (0,1%)
• Chiites : 638 313 (24,1%)
• Coptes : 83 (0%)
• Druzes : 151 971 (5,7%)
• Grecs-catholiques : 146 644 (5,5%)
• Grecs-orthodoxes : 226 488 (8,5%)
• Juifs : 5956 (0,2%)
• Latins : 11 333 (0,4%)
• Maronites : 606 553 (22,9%)
• Protestants : 18 230 (0,7%)
• Sans confessions : 11 762 (0,4%)
• Sunnites : 674 571 (25,4%)
• Syriaques catholiques : 10 076 (0,4%)
• Syriaques orthodoxes : 14 596 (0,6%)
• Total : 2 649 121 (100%)
Ou seja, a “maioria” xiita (a religião até vem no bilhete de identidade, mas estes dados são do recenseamento eleitoral, podendo não coincidir, mas sendo suficientes para dar uma ideia da realidade) é de 24,2 por cento. Há mais sunitas e quase tantos cristão maronitas.
O Daniel, que sabe tudo sobre o Líbano, afinal enganou-se. Curioso…
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Comoveste-me. Este teu post é uma festa para a razão. E já deu para perceber que falo de uma razão entrelaçada com os afectos. É sem dúvida o melhor post que li sobre o assunto. E já li tanta coisa, Daniel. A tranqulidade, a falta de soberba, a forma como percebes o essencial, e eu não sei, nunca percebi porque é que neste assunto se tornou tão dificil e ingrato perceber o essencial: O Libano estava a fazer o seu caminho para a sua reconstrução enquanto país, enquanto estado governado por um sistema político, e por causa deste ataque regrediu, atrasou e está à mercê dos extremistas, que exploram com grande facilidade a extrema fragilidade da vida em todo o Líbano. A destruição, a morte das famílias, o ódio. Isso é de tudo, o essencial. E depois há aspectos certeiros que tu deixas aqui ficar: o estado israelita é um estado onde o religioso e o militar coabitam na partilha do poder. E ainda: foi muito especial a forma como te referiste à necessária coabitação entre os dois estados. É preciso desarredar essa imensa tralha discursiva sobre a história e a religião.
[Responder]
Amigo Daniel:
Ontem enviei a vc uma carta ao director (em espanhol) de JLDG (Girona) aparescida no diario “El Pais” 24 de agosto de 2006 que era simplesmente uma enumeraçao de dados e contestaçao a outro articulo (artigo) anterior pro-israeli de o Sr. Cullá i Clará, aparescido anteriormente neste mesmo periódico…
Como vc pode constatar esta mesma polemica existe também na Espanha. Muitas veces de forma tergiversada. Irritantemente tergiversada…
Como sou o mesmo que aparesce ultimamente no Insubmiso (para deixar algumas andanadas de verdade) que, coisa que tudos sabemos cuanto as veces irrita a esta gente, e como ja disponho de outra pequena andanada de comentarios, que nao sei se vao ser capazes de deglutir e asimilar sem fechar o foro para poder fazer seleçao dos comentarios que por alí aparescem…
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Nao se trata de acudir ao insulto (que por outra parte com gente com esta pele dura nao funciona) senao pequenas o mais grandes de dosis de verdades sem manipulacao…Acho que seguramente vao ser incapaçes de digerir.
Como vi aparescer alguma vez por alá a vc para discutir ou matizar alguma coisa, lhe pido sua opiniao e parescer com respeito as dosis que devo injetar para nao-os incomodar demasiado e que fechem o foro…
Ou ceçais que sou um vaidoso com poderes superpoderosos ?. Tenho 1) Uma certa curiosidade por sabem como respirao esta gentinha de ultra dereita portuguesa 2) Estou profondamente irritado que alguem que pode ocupar o espaco bloguistico com tamta desfachatez e manipulaçao da lingoaxe e do territorio de tudos…a lingoa e a palabra!!!!!!!!
Estoume a referir a “El insubmiso”, “el blasfemo”, el “insurgente” etc. e acima sim pagar copyright.
Mais a serio…cual é seu grao de adiçao de aparescer de vez em cuando por estos blogues para matizar coisas ? Podería pasar sim esta sua pequena ou grande adicao?
Meu e.mail por sim vc tem a bem responder
jbautista@mapya.es
Un cordial saúdo
[Responder]
Obrigado pelo post Daniel.
Digo como o Jpn “Comoveste-me. Este teu post é uma festa para a razão.”
Talvez tenha uma discrepancia de fundo com isto:
“A minha escolha de defesa dos palestinianos no conflito (..) é de justiça, não é de proximidade.
Até porque recuso a lógica racista da proximidade.”
Em rigor a proximidade como escolha poderá significar xenofobia, não necessáriamente racismo, porque são ideias distintas.
Mas defendo que a proximidade, não sendo xenófoba, é uma escolha legitima, se não excluir a racionalidade, digo a justiça.
Agradeço mesmo são os esclarecimentos sobre Nasrallah e esta parte:
“defendo a existência do estado de Israel e não participo em debates armadilhados e xenófobos sobre a história e o direito a ter uma Nação. Não me interessa quem chegou primeiro, a quem Deus prometeu a terra e quem matou mais no caminho. Estão lá os palestinianos e os israelitas, é tudo o que me interessa (…)
Tem de haver dois estados viáveis. Israel e Palestina.”
subscrevo e agradeço Daniel
[Responder]
xenofobia= xeno_ estrangeiro+ fobia- aversão=
antipatida por tudo o que é estrangeiro.
Racismo= deriva de ratio- espécie- no sentido metafórico em que foi empregue=
simpatia pelos que me são próximos (pelos meus)
nunca poderia ser- proximidade pelos que sinto aversão.
Um proximidade xenófoba era um paradoxo.
[Responder]