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Foto Lusa

Estou a ver o telejornal e assisto em diferido a recepção à equipa portuguesa. Nada de mal. Festejar é saudável, mesmo quando é um quarto lugar. E de repente, os depoimentos dos festejantes: «Obrigado a Scolari, que conseguiu o que os políticos nunca conseguiram: unir os portugueses». E outra: «isto vai mostrar ao Mundo que somos pequenos mas vale a pena investir aqui». Desligo a televisão. Há momentos em que ignorar a ignorância é o melhor que se pode fazer. Às vezes tenho medo de viver num país ainda mais pobre, atrasado e sem futuro do que julgo. Depois tento não pensar muito no assunto. Provavelmente são só aquelas pessoas. As que falam para a televisão e esperam quatro horas debaixo de um sol escaldante por uma equipa de futebol. Provavelmente é só isso. Deve ser. Tem de ser.


Sem respostas ao post “Não ouvir”  

  1. 1 1  FL

    É um pensamento optimista. Mas se os comboios e a gasolina fossem mais baratos eram muitas mais.

  2. 2 2  Karla

    Tive exactamente a mesma sensação, ao ouvir esses e outros comentários. Aqueles para quem esta foi ou é, a única razão de orgulho nacional e que amanhã voltam à mesma vidinha triste à espera que comece o campenato nacional, para terem uma razão para ler jornais, os desportivos. Devem ser só mesmo aqueles que ali estavam.

  3. 3 3  Bart Simpson

    Estou na tua.
    Espero que sejam só esses (mas não acredito)

  4. 4 4  Tom

    Em relação aos politicos não sei bem. Mas estes “músicos” fariam melhor trabalho em qualquer hospital deste país. Como anestesistas.

  5. 5 5  maria flor

    sou leitora diária deste blog e concordo quase sempre com os seus pontos de vista.Mas tem que reconhecer que nesse “vox populi”,à chegada da selecção, há uma inelutável verdade - nenhum político português, vivo, conseguiu jamais galvanizar os portugueses como Scolari já mostrou ser capaz. É triste, eu sei, com tantas batalhas que há que travar…

  6. 6 6  Maddix

    Se tivessemos ganho o Mundial, estaria tudo bem, certo?

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Maria Flor,

    Felizmente ou infelizmente, na política não se ganha ou perde, não se vence a penaltis e os golos não são evidentes. Na política tudo dura mais tempo e há muito mais do que duas equipas: nós e eles. Nunca a política conseguirá unir como o futebol. Essa é a diferença entre o entertenimento e a vida real.

  8. 8 8  Real

    E quando tu e o grémio clamam por melhores reformas, mais emprego, melhor saúde, melhores transportes com menos impostos, menos horas de trabalho e com a continuação dos desperdícios no estado, para quem é que falas ? deve ser para adeptos suecos, não!

  9. 9 9  Basílio

    Vocês recusam-se tanto a ouvir como a ver, por isso duvido que alguma vez consigam entender o que está aqui em causa.

    Mas se quiserem abrir um pouco as vossas mentes, têm algumas pistas no Mote para Motim (cliquem no meu nome).

  10. 10 10  Nic

    Talvez Daniel, o problema seja a falta de humildade, para lhe permiteria tomar consciencia, que se trata apenas de seres humanos, “imperfeitos” como lhes e’ devido, tal como o Daniel e eu.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Basilio, não fosse você e ficavamos todos na absoluta ignorância. Obrigado. Muito obrigado.

    Real, o que é que o que eu disse tem a ver com o que tu estás a dizer? Claro que é para os adeptos portugueses. Sabes, eu quero justiça social para todos, mesmo para aqueles que não compreendo. Ou quem dfende direitos sociais tem de estar sempre de acordo com maioria? Ou tu e o teu grémio querem lhes tirar isso tudo porque eles não merecem?

    Nic, você queria dizer realmente alguma coisa? É que isso pode-se dizer a qualquer pessoa que faça qualquer critica a qualquer pessoa. E então?

  12. 12 12  Pedro Silva

    Apenas uma dica blogger… já ouviste falar do conceito KISS?

    KEEP IT SIMPLE STUPID!

    Deixa-te de merdas.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Pedro Silva, este comentário não tem problemas. Mas se desse para não insultar, como fez nos qu não publiquei, agradecia. É que hoje não estou bem disposto e podia responder-lhe à letra. Já agora, como não o conheço de lado nenhum e como já vi que não simpatiza muito comigo, o tratamento por tu não faz grande sentido, pois não? Vamos manter as devidas e saudáveis distâncias.

  14. 14 14  luikki

    aqueles foram os desgraçados que o mass, liderado por m. rebelo de sousa, arrebanhou!
    a falta de nível, mais uma vez,começa por cima!

  15. 15 15  João

    Este mundial mostrou mais uma vez como os portugueses passam irracionalmente do 8 ao 80.
    Depois de andar um ano inteiro a falar mal do país e dos portugueses, a dizer que somos uma merda, umas poucas vitórias no futebol já nos fazem pensar que somos os melhores do mundo em tudo. Já estou como o Daniel…não vale a pena pensar muito no assunto e andar para a frente, pois acabou o mundial, mas a vida continua!

  16. 16 16  Nic

    Sim, Daniel, queria dizer que reaccoes emotivas, e’ humano e ha’ certas criticas demasiadamente inuteis para contribuirem para qualquer amelhoramento, apenas deixando transparecer, decerto intencionalmente, uma certa arrogancia e superioridade… mas isto e’ apenas uma interpretacao e talvez esteja demasiadamente longe para compreender o que de facto quis dizer aqui.

  17. 17 17  José Manuel

    Scolari a primeiro ministro já!

  18. 18 18  pedro pereira neto

    Daniel, de acordo. Mas não são apenas aquelas pessoas. O que a televisao recordou com aqueles relatos foi um tipo de portugalidade que, arrisco, é predominante. O tipo weberiano de portugalidade que, ou se revela na sua adesao ao “pao e circo” que faz escola neste país ou, ocultando-a, nela se revê - como demonstra parte das críticas que aqui leio. A portugalidade que é progressista até que exista algo num ecran que nos recorde as “prioridades”. Ha falta de emprego? Mas ha selecçao. Os impostos aumentam? A selecçao ganhou à Inglaterra. Ha incendios? E a vitoria sobre a Holanda?… Perfeitamente de acordo com o facto de vivermos “num país ainda mais pobre, atrasado e sem futuro” do que julgamos: a ilusao é que começa a eternizar-se: ha sempre algo na televisao para distrair. Um abraço.

  19. 19 19  Politikos

    E acha que isso só se passa cá, caro DO? É assim em toda a parte. É de todas as épocas e de todos os tempos… O problema é mesmo quando as nossas elites (ou pseudo) emparceiram com os mais primários comentários anti-político… É o macarthismo de hoje… São as elites iguais aos motoristas de taxi, mas é claro, os seus agentes são todos puros… Todos declararam a siza integralmente quando compraram a «casinha» e pediram o recibo da revisão do carro ou do arranjo do esquentador…
    Prezo demasiado a democracia para entrar nesta onda…

  20. 20 20  a.pacheco

    Eu gosto bastante de futebol, faz parte da minha
    cultura, e por isso este tipo de acontecimento com conta peso e medida, não fazem mal a ninguem.

    O mal está quando o país para durante um mês.

    O mal está quando o entretenimento, o escapismo, nos fazem esquecer em que país vivemos e os seus problemas.

    O problema está quando pessoas como Marcelo Rebelo de Sousa , se transformam em treinadores de bancada, com poleiro certo na televisão, a debitarem patroteirices balofas,e a apelarem aos sentimentos mais básicos do povo, como o torneio fosse uma nova cruzada da reconquista, ou a epopeia de um novo caminho maritimo para a India.

    É por pessoas como ele, não terem a noção do ridiculo, que se assistem a exageros, como chamar herois, aos profissionais, que cunpriram e bem a sua função na Alemanha.

    No mesmo dia em que estes profissionais chegavam a Lisboa, numa pequena aldeia da Guarda SEIS BOMBEIROS, perdiam a vida num combate ao fogo, mas a esses ninguem os apelida de herois.

  21. 21 21  Nic

    no meu comentario abaixo, em vez de “intensionalmente” leia-se “sem intensao”.

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