Por outro lado, Isilda Pegado regista que o período de reflexão estabelecido de três dias é o mais pequeno encontrado em toda a Europa.


17 respostas ao post “Não terá reparado que o período em que se pode realizar o aborto também é o “mais pequeno”?”  

  1. 1 1  Sebastião Dias

    Não percebo os defensores do aborto: há unanimidade entre todos, defensores e opositores, em se considerar o aborto uma solução horrível (se bem que uma solução necessária por parte dos defensores); há unanimidade entre todos em reconhecer que o aborto pode deixar várias sequelas, por vezes duradoiras; há também unanimidade em reconhecer que as mulheres que recorrem ao aborto é em situações de grande aperto e, eventualmente, de menor discernimento. Período de reflexão? Aconselhamento? Para quê? Se há poucas pessoas informadas em relação a métiodos contraceptivos,manos haverá em relação ao aborto. Não será assim? Será que o aborto é o único caso em que falta de informação e aconselhamento é um bem?

  2. 2 2  Minerva McGonagall

    Pois, isso deve ter-lhe escapado!

  3. 3 3  Tecomputer

    Muito bom!!!

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Não, não acho que as mulheres decidam abortar num momento de de “menor discernimento”. E é aqui que está toda a discórdia.

  5. 5 5  FuckItAll

    Sebastião, nenhum das unanimidades que refere existe. O aborto é obviamente um último recurso, mas não tem que ser “horrível”; se feito nas condições devidas, não tem que deixar especiais sequelas (isso acontece para quem o realiza nas condições de ilegalidade que os defensores do Não preferiam); e certamente as mulheres que o realizam não estão todas em situações de aperto e muito menos de menor discernimento. Como assim, de menor discernimento?! Pode ser uma decisão difícil, não quer dizer que as pessoas não tenham discernimento para tomá-la.
    De qualquer forma, terão sempre informação médica, que é aquela que precisam mesmo de ter. Quem se sinta com maior dificuldade em decidir por outras questões, pode optar pelo tal apoio psicológico e social. Optar, e não ser obrigada a ele quando já tiver a sua decisão formada.

  6. 6 6  Luís

    Daniel:
    Agora já pode dizer a verdade!
    Já pode dizer que o que o movia não era apenas a despenalização, nem o facto de não querer mulheres na cadeia (que não há), mas antes a consagração do direito ao aborto dentro de determinado período.
    Já pode dizer que, na verdade, não acha o aborto um mal.
    Já pode dizer que acha que o aborto (mesmo legal) não atenta contra a saúde física e psíquica da mulher.
    Já pode dizer que não acha que o aborto seja algo a evitar, desde logo porque elimina um feto, embrião ou como lhe queira chamar.
    Já pode dizer que não concorda que, antes do aborto, se deve tentar ajudar cada mulher em concreto nas dificuldades que a possam levar a procurar essa solução.

    Ou então, desminta que pensa isso (sem rodeios; sem “mas o aborto clandestino ainda é pior”, etc). O referendo já lá vai. É por isso que só agora alguns começam a dizer aquilo que, na verdade, pensam.

    Por isso não me parece correcto esse tipo de comportamento de campanha.
    Luís

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    Luís,
    Respondo que não a tudo. Apenas continuo a achar o que achava no principio, como pode ler no texto que escrevi: que a decisão será sempre da mulher.

    Nunca me leu a dizer que o aborto era um mal ou bem. Continuo a dizer que a minha posição sobre a matéria é pessoal, não é política e não deve ter tradução na lei. Nem tenho de dizer qual é.

    Claro que acho que se deve e tem de ajudar as mulheres. O que não se pode é obriga-las a ser ajudadas.

  8. 8 8  Luís

    Daniel:
    Desculpe, mas, sinceramente, não percebi.
    Disse responder que “não” a tudo, mas para mim não ficou claro, dado eu não ter formulado perguntas, mas afirmações, até porque depois disse que não dizia a sua opinião.

    Assim, deixo-lhe de novo as perguntas, pedindo - caso o entenda, obviamente - que responda claramente (eu respondo também, para o Daniel saber como penso):

    Pergunta 1: o aborto deve ser considerado um direito (do ponto de vista jurídico, como o “direito à saúde”, ao trabalho, etc?) Eu respondo não.

    Pergunta 2: O aborto (legal ou clandestino) é um mal? Eu respondo sim.

    Pergunta 3: O aborto (legal ou clandestino)atenta contra a saúde física e psíquica da mulher? Eu respondo sim.

    Pergunta 4: O aborto deve ser evitado, por eliminar um feto, embrião (ou outro termo que prefira)? eu respondo sim.

    Pergunta 5: Antes de executar um aborto, não se deve ajudar cada mulher em concreto, quanto às dificuldades que a possam levar a procurar essa solução? Eu respondo sim.

    E deixo uma correcção ao seu último comentário: quanto à ajuda (o que também se aplica ao aconselhamento), o Daniel diz “Claro que acho que se deve e tem de ajudar as mulheres. O que não se pode é obriga-las a ser ajudadas”. Só que o carácter obrigatório da ajuda ou do aconselhamento (penso que era a isso que se referia) não significa “obrigar as mulheres a serem ajudadas”, mas antes “obrigar o SNS e o Estado a apresentar-lhes ajuda, que as mulheres aceitarão ou não”. como vê, é muito diferente…
    Luís

  9. 9 9  Daniel Oliveira

    O não queria dizer que não mudei de opinião nem de discurso em nada.

    Pergunta 1: Se é legal e realizado em estabelecimento de saúde autorizado as mulheres têm direito a fazê-lo. Tirando a retórica, não percebo o sentido da pergunta. Têm direito a fazê-lo em

    Pergunta 2: Como desde o inicio, não respondo. É uma questão do foro privado. O aborto não é seguramente uma coisa positiva e deve ser evitado. Não aprofundo mais nenhuma consideração mora, que apenas a cada um diz respeito.

    Pergunta 3: A sua resposta não encontra base científica. Umas vezes sim, outras não.

    Pergunta 4: Sim, o aborto deve ser evitado, sempre que seja possível evitar.

    Pergunta 5: Deve, desde que a ajuda não seja forçada, contra a sua vontade.

    PS: Segundo a lei, o Estado está obrigado a garantir o aconselhamento. A mulher é que não está obrigada a solicita-lo e era isso que os apoiantes do “não” queriam. A campanha já passou, escusa de continuar a brincar com a lingua portuguesa. Quando se diz que o aconselhamento não é obrigatório é da mulher e não do Estado que se está a falar.

  10. 10 10  José

    Caro Daniel Oliveira:

    Não percebo. Juro-lhe. Não percebia antes, não percebo agora.

    Como pode afirmar que o aborto “o aborto deve ser evitado, sempre que seja possível evitar.” e depois (ou antes…), dizer que um juizo ético (pergunta 2) sobre o aborto pertence apenas ao foro privado? Se a resposta á pergunta “O aborto (clandestino ou legal) é um mal?” é algo de pessoal, porque se deve evitar o aborto, sempre que seja possível evitar? Se se trata de um direito pessoal, a sociedade não deveria ter qualquer papel no sentido de o evitar, mesmo que o fosse possível.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    Só as coisas moralmente condenáveis devem ser evitadas ou são negativas?

  12. 12 12  Sebastião Dias

    Devo ter ouvido mal as razões dos defensores do aborto que, em campanha de referendo, diziam que o aborto era sempre uma má solução - mas, por vezes, necessária -, que quem recorria a esta prática fazia-o muitas vezes sob pressão, por vezes até com a pressão dos pais, que não queriam ver as suas filhas menores grávidas, ou por pressão dos maridos das grávidas e contra a vontade delas. Agora essas razões para nada interessam. Para os defensores do aborto, todas essas situações agora deixaram se existir ou, pelo menos, não são dignas de qualquer atenção.
    O referendo foi feito e a lei vai ser aprovada. Vivemos em democracia. O ar do tempo diz que o aborto é bom. Com tristeza verei mais tarde os a geração retardada dos anos 60, ainda vidrada pelas Simones de Bouvoire, fazer alguma ginástica para justificar tão irresponsável apoio a esta lei, e reforço, esta lei específica. Digo-o em defesa das mulheres ou, pelo menos, de algumas que poderão encontrar-se numa situação em que poderão ser o elo mais fraco (a seguir ao seu filho).
    Resta-me a satisfação de saber que agora já somos modernos.

  13. 13 13  a.pacheco

    Sebastião Dias, não tente falar em nome das mulheres fica-lhe mal…

    Nós os homens, só podemos falar por nós proprios, ou pelas experiências da vida porque passámos.

    È por isso que eu respeitando as mulheres, e conhecendo-as bem , só lhe posso dizer, que dar-lhes a elas a oportunidade de decidirem sem quaisquer pressões, é um sinal de maturidade.

    NUNCA conheci nenhuma mulher que fizesse um aborto de ânimo leve. conhece o Sebastião Dias alguma?….

    Talvez esta Pegado …..

  14. 14 14  Luís

    Daniel:

    Não costumo escrever sem base científica. por isso, aqui ficam alguns esclarecimentos científicos, por referência a cada uma das perguntas:

    Pergunta 1: Dizer-se se deve ou não ser considerado um direito, não se trata de retórica, mas de rigor jurídico. Na verdade, não existe nenhum direito na ordem jurídica que corresponda a um mal (não no sentido meramente ético, mas, por exemplo, médico, laboral, etc) infligido ao próprio com consequencias para terceiros. O ordenamento jurídico - de um ponto de vista juridico-científico - não deve prever o direito a coisas prejudiciais aos cidadãos com reflexos em terceiros. Pode é permitir aos cidadãos que actuem em seu prejuízo, ou actuem em seu benefício, ainda que com prejuízo de terceiros (neste último caso desde que os prejuizos causados a terceiros estejam justificados pelo benefício causado ao agente).

    Pergunta 2: Disse que não respondia, mas acrescentou que o aborto não é seguramente uma coisa positiva e deve ser evitado. Se não é positiva, deduzo que seja negativa (a menos que considere o aborto como algo de neutro, no que não acredito). O aborto é sempre um mal 8mão no sentido meramente ético, mas também médico - cfr. meu comentário abaixo quanto à sua resposta á pergunta 3 - e jurídico. Se não fosse, não havia razão para o prever como crime (por exemplo, se feito ao 8,5 meses).

    Pergunta 3: diz que a minha afirmação de que o aborto é um atentado á saude física e psíquica da mulher é uma afirmação sem base científica. A sua afirmação está, cientificamente, errada. Na verdade, o aborto (ou abortamento, nome científico) constitui, cientificamente, uma agressão ao físico da mulher. Essa agressão concretiza-se, desde logo, na intervenção que é necessária ao esvaziamento do útero. E isto é científico e é sempre assim, mesmo nos casos em que o aborto é permitido. Da mesma forma, uma cirurgia para retirada de um apêndice constitui sempre - e também cientificamente - uma agressão física ao paciente. O que se discute é se qualquer dessas agressões à saude física se justifica em cada caso. e no caso da apendicite ela, consensualmente, justifica-se, para evitar um mal físico superior.
    Não é jogo de palavras, mas ciência…
    Quanto ao aborto ser um atentado à saude psicológica da mulher, a ciência também é consensual: o aborto deixa marcas na mulher, como alías, empiricamente toda a gente percebe. O que se discute é se essas marcas são justificadas por um qualquer bem psicológico maior.

    Perguntas 4 e 5: Diz o Daniel que o aborto deve ser evitado e que a mulher deve ser ajudada, não admitindo apenas que o seja contra a sua vontade. Diz ainda, em post scriptum, que Segundo a lei, o Estado está obrigado a garantir o aconselhamento, sendo que a mulher é que não está obrigada a solicita-lo. e, depois de me acusar de brincar com as palavras - o que, na verdade, não fiz nem quis fazer, como abaixo demonstro, diz que quando se diz que o aconselhamento não é obrigatório é da mulher e não do Estado que se está a falar.

    Quanto a estas duas últimas perguntas, o meu comentário é o seguinte.
    - registo que acha que o aborto deve ser sempre evitado (na pergunta falava-se na razão- “por eliminar um feto, ou embrião) e que a mulher deve ser sempre ajudada.
    - ora, se o aborto deve ser sempre evitado e não é uma coisa positiva e se a mulher deve ser sempre ajudada (ou aconselhada), não percebo por~que não quer o aconselhamento obrigatório. é que, quando se fala em aconselhamento obrigatório, ao contrário do que diz, não se quer referir apenas à mulher. Quer dizer que o aconselhamento é:
    - obrigatório para o Estado, que está obrigado a dá-lo,
    - obrigatório para a mulher, que está obrigada a recebê-lo (podendo, no entanto, decidir em qualquer sentido, quanto á realização ou não do abortamento).

    Por outras palavras, o axconselhamento facultativo não garante o interesse que o Estado tem (e que o Daniel, também tem) de garantir que cada mulher recebe toda a informação sobre o aborto, suas consequ~encias ou alternativas, podendo, finalmente, decidir como entender. Entender que o aconselhamento deve ser apenas facultativo, é conformar-se com o facto de muitas mulheres (umas com conhecimentos, mas outras sem conhecimentos)poderem não receber toda a informação necessária à decisão que vão tomar (e na qual, em face do resultado do referendo, terão sempre a palavra decisiva que entenderem).
    Por outras palavras:
    - com o aconselhamento facultativo, pode haver mulheres a abortar sem todo o conhecimentos das consequ~encias desse acto; e pode correr-se o risco de o Estado fomentar o não aconselhamento por motivos, por exemplo, orçamentais, conduzindo as mulherres a que não “optem” pelo aconselhamento que o estado está obrigado a fornecer;
    - com o aconselhamento obrigatório (que, aliás, existe em França ou na alemanha) garante-se que o Estado informa e que a mulher recebe a informação de consequência e alternativas ao acto, deixando à mulher a decisão, após receber esses elementos. Só assim se garante o “consentimento informado”, exigível a qualquer intervenção médica.

    Por último, não posso deixar de dizer que lamento que me acuse de querer alterar o resultado do referendo. Deixo-lhe aqui umas palavras do Dr. Rui Pereira, que era pelo SIM, e que, por isso, é insuspeito de querer alterar o resultado do referendo: “se o ‘Sim’ ganhar a última palavra é da mulher, mas isso é compatível com um sistema de aconselhamento obrigatório em que o aborto pode ser diferido…”.

    Luís

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    Eu não disse que o aborto deve ser sempre evitado. Disse que deve ser evitado. Não é a mesma coisa. Quanto ao resto irei quando tiver tempo

  16. 16 16  sebastião dias

    A.Pacheco, por acaso conheci, que não fez um aborto, mas dois, talvez seja você que vive fechado no seu pequeno mundo virtual, no qual o aborto é uma coisa boa, um feto vale menos do que um dente do siso e a opinião de um homem não vale nada. No mundo em que vivo vejo, infelizmente, pessoas que facilmente conseguem arranjar todas as justificações morais mais rebuscadas para desculpar os seus comportamentos mais abjectos - às vezes basta ligar o noticiário para ver isso mesmo. Esse é o mundo em que vivemos.

    Quanto a falar em nome das mulheres, longe de mim essa pretensão. Ademais, a minha opinião vale tanto como a sua. Você com certeza votou. Eu também: sou maior, estou recensiado, exerci o meu dever cívico. Não quis falar em nome das mulheres mas sabe, a minha educação não me ensinou a ver um mundo dividido entre decisões de homens e decisões de mulheres, coisas de homens e mulheres, ideias ou conversas de homens e mulheres, empregos de homem e empregos de mulher. Isso era no tempo do Salazar (felizmente, já lá vai) que, pelo que li nos seus posts, ainda condiciona em grande medida a sua forma de estar e de pensar.

    Desculpe voltar à frase da Hermínia Silva, mas apeteceu-me dizer outra vez -Anda Pacheco!

  17. 17 17  cristina silva

    quando uma mulher esta com o priodo e quando faz amor poda ficar garvida sim ou mao eu esto de priodo e fiz amor com o meu marido nas esta a vir o priodo e fica garvida

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