immigrants

Li muitos comentários aqui no blogue a propósito do que aconteceu com 73 eritreus a caminho de Itália. Não farei grandes considerações porque corro o risco de ser demasiado rude, tal a volta que se me dá ao estômago a desumanidade de algumas coisas que leio. Apenas um comentário geral. O mais geral possível sobre esse tema que aquece tantas almas: a imigração. Sempre vista como um problema, o que é já um sinal de uma doença profunda das nossas sociedades.

“Não podem entrar todos”. Esta é a frase que justifica tudo o que venha depois. A própria palavra “entrar” merecia debate. Não dizemos que um transmontano não pode entrar no Porto porque não cabem lá todos. Não dizemos que um alentejano não pode entrar em Lisboa porque não cabem cá todos. Mesmo que seja verdade, se alguém o dissesse seria tomado por idiota. Os Estados existem, é verdade. E isso tem de ser tido em conta. Até porque eles mudaram a natureza das migrações. Porque há leis e porque é no espaço das Nações que elas se aplicam. Tudo isso é certo. Com uma condição: sabermos e nunca esquecermos que o homem mudar de lugar na sua casa, que é o planeta, é o que é natural. A excepção, o que é estranho, é terem de o travar. O que é estranho, falando em sentido figurado, é alguém viver com a seca quando ao lado chove. Pode ser ou não necessário, é um debate que não faço agora. Mas nada tem de natural ou normal.

Desde que o homem é homem e a mulher é mulher que se nasce num lugar e se morre noutro. Foge-se da miséria e da desgraça. Procuram-se vidas melhores. Muito antes de haver fronteiras, países, Estados, governos, leis. As migrações não são um fenómeno novo, nem velho. Fazem parte da condição humana: a da luta pela sobrevivência. As fronteiras vieram depois. Combater a imigração é como combater a chuva ou o sol. Sempre existiram, sempre existirão. E, talvez seja necessário dize-lo, ainda bem.

“Não podem entrar todos”. E assim se justifica tudo o que venha depois. E de repente acham-se naturais coisas extraordinárias. Os campos de concentração onde, por essa Europa fora, se amontoa gente que não fez mais do que procurar uma vida melhor para os seus filhos. Recambiar para a guerra e para a fome seres humanos. Deixar morrer no mar quem aqui tenta chegar. Construir muros, cercas electrificadas, torres de vigia. Pagar a ditaduras para serem nossos guardas fronteiriços. Dizer-se que um ser humano é ilegal. Procura-lo pelas ruas, persegui-lo, prende-lo. E de repente todas as atrocidades são naturais.

Tudo o que hoje nos parece criminoso e bárbaro já foi visto como natural. A escravatura, a segregação racial, as limpezas étnicas. Sempre com argumentos muito pragmáticos e até caridosos. Por isso sou optimista. Acredito que um dia a humanidade olhará com repulsa para o que fazemos hoje aos imigrantes. E perguntar-se-á como é possível ter ouvido italianos ou portugueses falar com desprezo dos que cruzaram as mesmas fronteiras que por eles já tinham sido cruzadas em sentido oposto. E olhará com espanto para países como os Estados Unidos, compostos quase exclusivamente por descendentes de imigrantes, que hoje reprimem a imigração até ao absurdo. Recordar-se-á que o egoísmo sem limites sempre fez a história da humanidade. Mas que apesar de tudo fomos conseguindo, conquista após conquista, civilizar os nossos piores instintos. Neste caso, seremos capazes de nos recordar que o que é da natureza humana é querer viver num lugar melhor. Pode não ser possível. Mas é isso que é natural.


129 respostas ao post “Natural como a sua sede”  

  1. 1 1  joão

    parabéns Daniel

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  2. 2 2  Mario

    Parabéns, caro Daniel.
    Posso dizer que é dos melhores textos que alguma vez li sobre o fenómeno da imigração.

    Aliás, migração.

    Cumprimentos

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  3. 3 3  Observador Atento

    Caro Daniel de Oliveira você disse tudo o que eu desejava ser capaz de dizer.
    Já fiz parte de uma associação de imigrantes e ainda conservo na minha mente os dramas que assisti.

    Obrigado

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  4. 4 4  jkts

    Pela sobrevivencia é que se restringe a imigração….
    Na selva os animais também não têm a mobilidade desejada, existem territórios. . .
    Não somos assim muito diferentes, é da natureza. A sobrevivencia. . .
    Se uns podem viver melhor… outros não podem. Os recursos são escassos..
    Mas, da sua perspectiva, está um bom texto….

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  5. 5 5  Fado Alexandrino

    Um texto muito lindo, tipo Miguel Torga escrito por um político.
    Até me vieram as lágrimas aos olhos.
    Tem um único problema, e por isso é que foi escrito por um político.
    Não apresenta soluções nenhumas.

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  6. 6 6  rosinha dos limões

    Este texto arrepia as consciências. Daqueles que ainda pensam.
    Sem dúvida um dos melhores post do Daniel Oliveira.
    Parabéns pela clareza das palavras e do humanismo que nelas vemos!

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  7. 7 7  Xico

    Dei toda a razão no que diz, no entanto…
    Toda a esquerda portuguesa bateu forte e feito no salazarismo, sendo uma das bandeiras desse combate, o surto migratório dos anos 60. Porque que a mesma esquerda não bate agora forte e feio na corrupção dos governos africanos, no roubo descarado que Moscovo e Pequim fizeram às ex-colónias nos anos 80, etc, etc.

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  8. 8 8  Panzermayer

    Do seu ponto de vista está de facto um bom texto e por isso os meus parabéns, de facto muito bem escrito, infelizmente aquilo sobre o qual você não fala são as consequências nas sociedades europeias do multiculturalismo, de qualquer modo ao fim de muito tempo a insistir consigo você respondeu à minha pergunta: NA OPINIÃO DO DANIEL TODO O CONTINENTE AFRICANO SE PODE MUDAR DE ARMAS E BAGAGENS PARA A EUROPA PORQUE ELES TÊM SECA, GUERRAS E MAUS GOVERNOS. É uma posição, respeito-a mas você já sabe qual é a minha…

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  9. 9 9  João

    Estou plenamente de acordo daniel.

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  10. 10 10  Larissa Abraham

    Daniel, a falta de conhecimento (quero acreditar que é só ignorancia) leva muitos de nós a dizer barbaridades. Obrigada.

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  11. 11 11  Sérgio

    Como emigrante revejo-me nas palavras do Daniel Oliveira mas não completamente. Obviamente que só uma besta quadrada (e talvez demente) pode tentar justificar a morte e encarceramento de pessoas cujo único crime é procurar uma vida melhor. Assim a única coisa que eu desejo é que os meus compatriotas (e não só) recebam os imigrantes como eu fui recebido e que os imigrantes se comportem como eu me tenho comportado.

    Não vim para este país em busca de subsídios ou com a ilusão de haver alguma “dívida” por parte dos que cá vivem. Vim para trabalhar e ganhar a vida.

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  12. 12 12  fidel

    Parabéns camarada daniel é sem duvida uma grande post. Só falha num pormenor, coisa pouca, como sempre não se apontam soluções.

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  13. 13 13  rimf

    Estou de pleno acordo consigo, o que faz aos migrantes nos países “desenvolvidos” e democráticos é digno de todo o insulto, é uma vergonha faz-me sentir envergonhado. A população migrante representa 4 a 5% da população mundial, como é que esta percentagem poderá ser um problema?

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  14. 14 14  Minhoto

    Muito bla bla bla…mas a solução? Como ter em conta os Estados e as suas leis? O que fazer Daniel Oliveira?

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  15. 15 15  André Pinto

    Acho o seu texto belíssimo (estava inspirado) e nao podia estar mais de acordo.

    Gostaria, no entanto, de lhe deixar um reparo. A certa altura do post, o Daniel afirma “Desde que o homem é homem e a mulher é mulher que se nasce num lugar e se morre noutro”, o que me parece trivial, mas nao diz nada sobre o caso específico da xenofobia europeia relativamente aos emigrantes africanos. O europeu é multi-cultural e tolerante nas cirscunstâncias que lhe convém. É o que Alexandre O’Neill designava por “ter uma verdade para cada momento”. A emigraçao, no âmbito da política europeia, é considerada segundo uma perspectiva exclusivamente económica, por exemplo, as necessidades de mao de obra para trabalho primário. Nunca se reconhecem os seus benefícios culturais e sociais, por exemplo. Mesmo os tao liberais suecos, tao abertos e tolerantes sempre que vêm veranear para o Sul, ostracizam todo e qualquer emigrante (mesmo europeu) nao-ariano, que apelidam carinhosamente de “cabeças negras”. É o espírito da velha Europa, um anacronismo que ecoa desde os tempos idos da sua hegemonia cultural, que redunda nestes absurdos comportamentos de autismo social.

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  16. 16 16  José

    Em termos de intenção concordo com o texto.

    No entanto penso que justificar alguma coisa porque é natural é um pouco limitado. Quase tudo é natural. É natural procurar um território melhor, é natural que quem lá está o tente impedir (isto em populações humanas ou outras populações animais). Faz parte da natureza.
    É natural lutar, matar, etc, faz parte dos nossos genes de sobrevivência.
    É como aqueles produtos que se gabam de só ter ingredientes naturais. Há muitos venenos na natureza, não tem que ser artificial para ser mau.

    Para mim a questão não é se é natural ou não, mas se é correcto impedir a entrada de pessoas que apenas procuram uma vida melhor? Por vezes a resposta não é tão clara e óbvia como gostaríamos.

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  17. 17 17  Antonio Cunha

    Portugal como pais de migrações deveria saber tratar os que procuram uma vida melhor.

    Segundo um estudo divulgado à pouco tempo Portugal era considerado um dos países da Europa que melhor recebe e integra os seus imigrantes.

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  18. 18 18  Luís

    A meu ver, o natural é nascer e morrer no mesmo lugar.
    Não quer dizer que assim sucede a maior parte das vezes, mas, da minha experiência, há sempre um anseio dos emigrantes em voltar ao seu país natal. O mesmo já não sucede, muitas vezes, com os filhos dos emigrantes…precisamente porque já nasceram no país para o qual os pais emigraram e, por isso, já é este o local onde querem “morrer”.
    Aliás, se analisarmos as relações das populações com os locais onde nasceram, verificamos que as diversas famílias, pese embora a existência de migrações, permanecem nas mesmas regiões durante centenas de anos.
    Isto pude estudar concretamente no Norte de Portugual, onde constatei essa realidade – famílias (muitas)que lá permanecem desde pelo menos o século XII.
    Parece-me, portanto, que o texto dá como certa a naturalidade da migração, o que considero ser verdade apenas como uma actuação natural mas forçada pela necessidade de mudar de condições de vida. O que é mesmo natural, é, ainda que se emigre por períodos transitórios, querer nascer e morrer no mesmo local (zona, região, ou país). Ou seja, se perguntarem a um português que emigra à procura de trabalho, se prefere emigrar ou arranjar um emprego (ainda que não tão bom) na sua terra, a resposta é óbvia. E se lhe perguntarem, depois de ter emigrado, se gostatia de voltar, a resposta é também óbvia. O caso só muda de figura quando os seus filhos se enraízam no país para onde emigraram…aí entrando o conflito entre terra e família.
    Esta minha opinião não tem qualquer intuito de se contra a migração. É apenas uma visão sobre a naturalidade e os anseios das pessoas quanto à migração.

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  19. 19 19  Panzermayer

    André Pinto, há por aí umas confusões antropológicas nessa sua cabecinha, para se ser Ariano não é preciso ser louro de olhos azuis e se há suecos que pensam assim são burros, não queira por favor pôr-se ao nível deles!!!
    Só por curiosidade: Sabia que Irão quer dizer, “País dos Arianos”????

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  20. 20 20  Nom_de_Guerre

    Uma posição de natural bom-senso num país que é de emigrantes há séculos como o nosso.

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  21. 21 21  Madalena Madeira

    Parabéns Daniel,

    Gostei do texto (ao estilo de prosa corrida).
    Sim! as migrações são naturais, e cada vez mais , ao ponto de “fazer tremer” o conceito de familia tradicional. De facto, nas próximas décadas será previsível uma maior feminização das migrações, não na perspectiva tradicional da reunificação familiar, que já é comum nos nossos dias, mas que no futuro será o resultado de uma opção própria e individual (Veiga, Teresa).

    Acrescento alguns conselhos prácticos para os governantes portugueses:

    - Descentralização para o consulado da competência para aprovar a concessão de visto no estrangeiro, sem recurso às instâncias em Portugal;

    - Concessão de licença de trabalho aos imigrantes que já se encontram em Portugal, dependendo unicamente da prova de que têm trabalho;

    - Reconhecimento da formação académica e profissional, trabalhando o imigrante na área para a qual está mais preparado, tendo, deste modo, maior rentabilidade, estando mais motivado para a ocupação;

    - Criar incentivos a empregadores para certos subsectores (que utilizam trabalho imigrante), como a agricultura, por falta de interesse por parte dos trabalhadores portugueses;

    - Informação eficiente e generalizada acerca das vagas nos sectores e empresas;

    - Mais acordos bilaterais com os países de maior fluxo;

    - Harmonização dos processos de entrada no país entre as representações no estrangeiro;

    - Dados estatísticos mais precisos sobre trabalho migrante;

    - Melhor utilização dos Média sobre divulgação correcta das questões referentes às migrações.

    Acrescento,

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  22. 22 22  Madalena Madeira

    Corrijo : “familia nuclear” e não “familia tradicional”

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  23. 23 23  

    Obrigado Daniel, muitas vezes é mesmo preciso ter cabeça fria.

    Aproveito só para adicionar um ponto ao debate. Quando a fronteira polonia alemanha se abriu na sequência da entrada da polónia no espaço schengen, muitos alemães estavam preocupados que houvesse uma invasão de polacos de repente, porque nos últimos anos houve uma tradição migratória alemanha-polónia (antes até seria ao contrário, mas os alemães, orgulhosamente, não usam a palavra emigrante, mas sim siedler, que significa colono, engraçado como as palavras transfiguram as acções, não é?). O facto é que tal invasão não ocorreu, o que me parece algo bastante razoável. Por que razão haviam as pessoas de subitamente deixar as suas casas, famílias, comunidades para ir viver para outro país? Genericamente, viver noutro país acarreta muitas dificuldades, língua, cultura, exclusão social, saudade, clima. Pelo contrário, o que se passou no leste da alemanha/oeste da polónia, foi que a economia que estava estagnada sofreu um impulso enorme, tanto que uma grande fatia das empresas da região têm conselhos de administração mistos. O que estou ao contar está documentado.

    É óbvio que é uma situação muito diferente das relações norte-sul, mas a verdade é que é pouco razoável pensar que uma grande parte da população africana se mudaria para a europa. Acima de tudo, porque infelizmente a grande maioria dos africanos não tem recursos sequer para chegar às portas da europa. Quando isso acontecer, a pressão migratória vai diminuir, precisamente porque uma sociedade onde a generalidade das pessoas tem recursos para fazer uma viagem áfrica europa é uma sociedade em que a pobreza já foi aliviada.

    Por outro lado, parcialmente concordo com o Luís (comentário anterior). Uma grande parte das pessoas tende a ficar no mesmo sítio, mesmo que tenha possibilidade de emigrar. Então qual é o medo de abrir as fronteiras?

    Mais, os que emigram são em geral os mais capazes e dinâmicos de uma sociedade, já diversos estudos o provaram, os europeus só seriam parvos se não quisessem aproveitar o capital humano e cultural que áfrica representa. Claro que para isso era necessário existir uma política de integração a sério, aliada uma valorização dos imigrantes, em vez do desprezo e exclusão a que são deixados.

    cumprimentos

    zé miguel

    Para acabar, atendendo aos comentários que se têm lido por aqui, aparentemente a europa não é um sítio assim tão amigável para um africano viver…

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  24. 24 24  Augusto

    Parabens Daniel, gostaria de ter sido eu a escrever estas suas palavras.

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  25. 25 25  Fado Alexandrino

    O meu comentário não era totalmente limpinho e de acordo com a verdade oficial e por isso não foi publicado.
    Não faz mal, a pergunta que eu colocava já foi feita aqui e noutros lados por outros.
    A resposta é sempre a mesma.
    O silêncio.

    (vamos lá a ver se este tem mais sorte, se for preciso usa-se mais OMO onde achar necessário)

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  26. 26 26  Duarte Sousa

    «As migrações não são um fenómeno novo, nem velho. Fazem parte da condição humana: a da luta pela sobrevivência»

    Exacto. A tomada de Israel é disso exemplo. Os judeus que conseguiram escapar ao Holocausto Nazi viram nessa terra uma forma de garantir a sua sobrevivência e auto-determinação e é sobretudo por esses dois objectivos que continuarão a lutar por ela (embora a religião também tenha influência nesta matéria).

    «Neste caso, seremos capazes de nos recordar que o que é da natureza humana é querer viver num lugar melhor. Pode não ser possível. Mas é isso que é natural.»

    Concordo, mas não se esqueça que a necessidade de diferenciação cultural também faz parte da natureza humana, e quando a preservação dessa diferenciação é posta em causa (neste caso por via da imigração), é natural que se criem conflitos.

    O preconceito em relação ao aspecto físico também conta. Apesar de nem todos os europeus se considerarem racistas, duvido muito que a maioria imagine com bons olhos uma Europa em que a população de origem africana represente cerca de 50% do total, do mesmo modo que os muitos japoneses e chineses não gostariam de ver os seus países repletos de europeus.

    Isto não quer dizer que a miscigenação (por via da imigração) seja considerada totalmente condenável. Pelo contrário. Ela é aceitável, mas apenas quando não compromete determinadas condições de ordem cultural, social e económica.

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    Daniel Oliveira Reply:

    Duarte, tenho todo o prazer em discutir consigo a imigração dos judeus para Israel. Não se esquecendo que nesse caso ela foi organizada com o objectivo de fundar um país. Não estou a fazer nenhuma avaliação e concordo com o que disse sobre as razões dessa migração. Apenas acho que é de natureza diferente e merece um outro debate. E que acho que seria interessante. Até porque acbaei por nem escrever nada sobre a minha viagem a Israel.

  27. 27 27  Mouzinho

    Dos iritreus aos campos de concentração, à escravatura, alentejanos em Lisboa. limpezas étnicas, e a convicção de estar à frente do seu tempo, graças à sua superioridade moral. Bravo Daniel, mas já agora qual a solução para além das lágrimas de crocodilo?

    Eu acredito que hoje os europeus olham com repulsa para as políticas de imigração e para demagogos como o Daniel. Felizmente. E ainda mais com mais nojo para as políticas de auxílio para países que desbaratam os apoios, que se consomem em guerras, deixam os seus morrer á fome, deixam que se vão embora as suas populações (pobres e não só) e ainda culpam os europeus de todos os males.

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  28. 28 28  A Luta Continua!

    Bons posts sobre o tema.

    Parabéns…e obrigado!

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  29. 29 29  Mouzinho

    E adorei esta passagem ” não farei grandes considerações porque corro o risco de ser demasiado rude, tal a volta que se me dá ao estômago a desumanidade de algumas coisas que leio.” é que lendo os comentários não se vê ninguém que bata palmas á morte dos senhores.

    Existem dúvidas sobre a sua história (que você não esclarece) , pelo que a
    volta ao estomâgo acontece porque o Daniel é uma Maria Amélia, ou inventa desumanidades facilmente para vender a sua histórias.

    Faz lembrar uma vez que um fulano foi à esquadra com um gandulo que anda por aí, a dizer que ele (o ganudolo) o queria matar. É que se quisesse não o acompanhava à esquadra, quer-me parecer.

    Você tem muita imaginação para histórias, lá isso tem.

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  30. 30 30  Antónimo

    Resistir aos imigrantes é imposssível.

    Mas vive-se rodeado de analfabetos históricos.

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  31. 31 31  atom

    Finalmente tudo claro!

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  32. 32 32  Don myself

    Daniel, permita-me discordar de si, em inumeras questões levantadas.
    Concordo, a imigraçao é um fenomeno natural e ate desejavel sem duvida, mas com conta, peso e medida.
    Voçe argumenta que o controle da mesma dá azo á barbarie, eu acho que sim caso seja feito de modo absoluto e brutal, mas veja o oposto no que dá, eleiçoes europeias na holanda, quem é que saiu vitorioso? E porque motivo? Intolarancia das populações? Talvez, mas e os imigrantes nunca sao culpados? Se vier um imigrante da suecia ou inglaterra para portugal e fizer asneira, todos concordamos que merece a devida punição em consonancia com o crime cometido, mas se for um coitadinho do brazil ou africa, já so nos merece compaixão? Chamo a isso de hipocrisia e um sectarismo ideologico comparavel ao bafio dogmatico de certas religiões.
    A ultima questão que gostaria de levantar, e que não referiu, é a da sustentabilidade, como pode concordar que caso deixassemos entrar quantos querem no nosso pais, estes conseguiriam integrar-se na sociedade a nivel laboral? Acha que voltariam para os seus paises, sendo que a maioria ja entrou com inumeras dificuldades financeiras? Não, e essa é uma das razões, e sublinho UMA das razões pelas quais existe tanta segregação nas nossas cidades, porque muitas dessas pessoas vem com a esperança de vidas melhores para se aperceberem que os senhores que clamam “vamos recebe-los de braços abertos” os iludiram com a promessa de um eden que obviamente nao existe, acabando depois em condiçoes tao miseraveis ou ainda mais do que aquelas onde se encontravam.
    Por esats razões defendo que a emigraçao deve depender das capacidades dos paises em acolher e integrar essas pessoas, e nas areas laborais em que somos, numa determinada altura, deficitarias, e acredito seriamente que como em quase tudo, este meio termo é unico que defende melhor todas as partes envolvidas…

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  33. 33 33  Confucio

    Se a demagogia pagasse imposto…

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  34. 34 34  gui castro felga

    assino por baixo.

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  35. 35 35  Nuno

    30 # DO

    “Apenas acho que é de natureza diferente e merece um outro debate.”

    Claro, todas as migrações são iguais, mas umas são mais iguais que outras. A dos Judeus tinha de ser diferente para pior. Migrações sim, mas de judeus não.

    “Até porque acabei por nem escrever nada sobre a minha viagem a Israel.”

    A montanha pariu um rato.

    25 e 27 Mouzinho

    Assino por baixo.

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  36. 36 36  Nuno

    Dentro das bagagens desses imigrantes que colocou na fotografia, ia a máfia.

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  37. 37 37  Sebastião Dias

    Quando se fala de imigração não nos podemos esquecer da natureza do homem. Da natureza dos animais. Melhor, da própria natureza. Os animais em plena liberdade tentam conquistar território para habitar e caçar. Delimitam esse território das mais diversas formas. Defendem-no quando são ameaçados por outras espécies ou por outros da sua espécie. Quando as espécies são mais cooperativas entre si, com sociedades mais organizadas socialmente, pode existir cooperação entre elementos da mesma comunidade, mas a agressividade com outras comunidades de semelhantes mantém-se. É assim com os mamíferos, mas também com muitas outras espécies de animais.

    O homem, por mais evoluído que seja, guarda em si bastante «instinto animal» que o leva a proteger os seus e o que é seu, a defender-se do que considera serem ameaças exteriores, a fazer a guerra quando os seus interesses estão em jogo. Desde o início da humanidade que se fazem guerras, que se luta por uma porção de território, que se defende o que se considera ser seu. É esta a natureza do homem, esteja ela certa ou errada.

    O sentimento de posse de um bem, de um território, de uma cultura, de algo que julgamos pertencer-nos por direito ou porque lutámos por isso é compreensível e legítimo. Bem ou mal, é humano ser-se assim. Faz parte do nosso código genético sermos reactivos na adversidade, tentarmo-nos proteger do que consideramos ser ameaças exteriores. A história – e a actualidade – estão cheias de exemplos de tudo isto.

    Esquecermo-nos do que foi atrás descrito, ou ignorar a sua importância quando falamos em temas como a imigração – neste caso a imigração livre e a inexistência de fronteiras – é estarmos a criar com a imigração um problema imensamente maior do que aquele que temos em mãos.

    A Europa, apesar da sua história recente – e a história recente da Europa está manchadíssima de sangue – , muitos e bons passos deu de forma a eliminar as barreiras dentro das sua fronteira de modo a permitir a livre circulação de pessoas. Poderá aos mais desatentos parecer que este foi um passo fácil, esquecendo a história recente deste continente, a questão económica, os ódios raciais e entre nações, as barreiras linguísticas e outros problemas que minam, ou tornam bastante difícil, a questão da integração. Mas, umas vezes melhor, outras vezes pior, esta política de mobilidade tem sido bastante positiva, apesar de, e cada vez mais, haver sinais de sectores da sociedade com alguma relevância que estão claramente contra todos estes sinais de abertura, e que se manifestam com algum ruído e violência. E isso assusta, e tem assustado muito especialmente as esquerdas que tão idealisticamente defendem um mundo sem fronteiras e barreiras.

    Outros, no meu ponto de vista mais realisticamente, pensam que qualquer evolução neste sentido terá de ser dada em pequenos passos, pois convulsões graves poderão acontecer se assim não for. Basta, mais uma vez socorrermo-nos da história. E já agora, voltando atrás, lembrarmo-nos do nosso património genético.

    É muito fácil escrever-se num blog as ideias bonitas dos amanhãs que cantam, das grandes injustiças do mundo, que bom que o mundo seria se assim e assado, esquecendo-nos que temos de ter os pés bem assentes na terra. É fácil ser-se santo no alto de uma montanha, bradando leis e sentenças absolutamente alheias da realidade, apenas assentes na ideologia e colocando de lado a sociologia, esquecendo a história, ignorando a ciência política, e em total ausência de bom senso ou, pelo menos, de algum senso comum.

    Fácil é também, como diria Bernard Shaw, «encontrar para qualquer problema complexo uma solução clara, simples e errada», aliás, muito ao jeito do Daniel Oliveira ou do partido do qual parece ser caixa de ressonância, o Bloco de Esquerda. Qualquer pessoa de bom senso adivinharia o resultado imediato da abertura de fronteiras da Europa aos imigrantes de outros países. Só uma mente muito simples, tolhida de discernimento por professar ideologias radicais, irresponsável ou poética poderia defender a abertura de fronteiras. Mas é assim. Quem tem alguma lucidez e bom senso governa. Os poetas não estão muito interessados em governar, preferem escrever «do alto da sua montanha», neste caso, em blogues. Chamem-lhe defeito, mas não gosto muito de políticos a recitar poesia, mas ainda gosto menos de poetas a fazer política.

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  38. 38 38  Madalena Madeira

    Realidade portuguesa na EMIGRAÇÃO,

    Actualmente, é mesmo muito comum ver jovens licenciados ou com outro tipo de formação pós-graduada a partirem para o estrangeiro na certeza de que lá poderão obter colocação com maior facilidade, com mais amplas perspectivas de carreira e com melhores condições remuneratórias.
    Desta feita, o país prescinde de recursos que poderiam ser extremamente úteis para o seu processo de desenvolvimento pelas suas superiores qualificações, pela sua capacidade de iniciativa e, até, pela sua maior ambição, sendo que em muitos casos a opção pela emigração nem é estritamente voluntária, associando-se à falta de reconhecimento do seu valor no mercado doméstico.
    Por acréscimo, o padrão cultural destes novos emigrantes já não faz deles contribuintes líquidos para as nossas contas externas, tanto mais que, quer acabem por se radicar ou não no país de destino, estes cidadãos tendem a optar por manter um nível de vida razoável durante a sua estadia no exterior.
    Neste contexto, cingir os novos emigrantes portugueses de sucesso ao campo desportivo ou aos exemplos singulares que surgem como autênticas experiências laboratoriais nas revistas de fim-de-semana dos jornais é uma visão extremamente curta desta realidade.

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  39. 39 39  Daniel Oliveira

    Nuno, não é por serem de judeus (a migração de judeus para os EUA é igual a qualquer outra). Apenas tem uma característica única (que não qualifiquei para além da sa excepcionalidade) de ter como objectivo a construção de um Estado. Isso faz com que seja diferente. Nem melhor, nem pior. As motivações de muitos desses imigrantes eram as mesmas. Mas convirá que o facto de terem sido os imigrantes a constituir o Estado em que vivem obriga a uma análise própria. Como não sabe a minha posição sobre a matéria não vale a pena atirar pedras.

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  40. 40 40  Vítor Pimenta

    Obrigado Daniel, mais uma vez. :)

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  41. 41 41  DSC

    Caro DO. O seu post é dos melhores que já escreveu, mas sou obrigado a inclinar-me para o sebastião dias e outros que falaram com um sentido da realidade mais próxima da minha. Não pense que não considero o que escreveu a descrição de uma sociedade bastante evoluída, mas não é para já.

    Como alguém comentou, considero que tenha de ser um processo lento. Uma migração massiva para qualquer estado iria criar uma desordem social imprevisível e, muito provavelmente, explosiva. Ao abrir as fronteiras pode ter a certeza que o número de brasileiros em Portugal e sul americanos em Espanha aumentava exponencialmente. Como se prova actualmente, Portugal não tem essa capacidade. E não tem porque não pode garantir, como anfitrião, que quem venha possa ter as ferramentas necessárias para conquistar uma vida melhor.

    Uma migração massiva levaria à criação de super bairros étnicos, onde o dia-a-dia seria marcado, entre outras coisas, com uma profunda alienação da cultura e custumes do país anfitrião. Basta ir a amsterdão e comprova-se isso mesmo.

    Portugal neste momento se abrisse as fronteiras irira criar uma profunda desumanização ao imigrante e uma profunda desordem social em que quem pagava era o imigrante. No fundo DO, a emigração massiva iria levar que se acentuasse ainda mais as desigualdades entre emigrante e residente.

    Alguém defender o contrário é de uma brutal irresponsabilidade tanto para a matriz social do país receptor, já de si frágil, tanto para as ditas melhores condições de vida de quem vem de fora, sujeito a agressões várias na sua integridade como pessoa.

    Cumprimentos

    [Responder]

  42. 42 42  Helena Romão

    Excelente texto!

    Para mim este é o único posicionamento possível. Todos os outros: os meios termos, as quotas, etc. – são versões da mesmíssima segregação e proibição. Ter campos para todos ou só para os que excedem a quota é igual.

    [Responder]

  43. 43 43  Levy

    36 # Nuno

    “Migrações sim, mas de judeus não.”

    Só agora é que percebeu o sistema “danieloliveirês”?
    É um sistema muito simples de perceber:

    - Migrações de eritreus para Itália: boa;
    Migrações de judeus para a Judeia e Samaria: má.

    - Crimes praticados por bandos de “jovens”: a culpa é da sociedade e da discriminação;
    Crimes praticados por financeiros: cobras e lagartos, nacionalizações já.

    - Cartazes do CDS: demagogos e populistas;
    Cartazes do BE: sérios e exigentes.

    - Bush: facínora;
    Obama: Messias.

    - Mulheres apedrejadas por islamistas: nem uma linha;
    - Mulheres apagadas de fotografia por judeus ultra-ortodoxos: posta divertida, na qual goza com todos os ortodoxos tomando-os por meia dúzia de elementos.

    - Viagem à Síria em 2006: “não há povo mais generoso e caloroso”;
    Viagem a Israel em 2009: “acabei por não escrever nada”

    - Israelitas: filhos-da-puta;
    Palestinianos: povo mártir oprimido por filhos da puta.

    - Bloqueio israelita à Faixa de Gaza: crime contra a humanidade;
    Bloqueio do Egipto à Faixa de Gaza: nem uma linha.

    - Acções de Israel na Faixa de Gaza, Judeia, Samaria e Líbano: crimes de guerra, genocídio, ocupação brutal;
    - Acções do Hamas e do Hezbolá: não aprecia, mas a culpa é do agressor israelita que não quer institucionalizar os 2 movimentos.

    - PND: extrema-direita;
    Bloco de Esquerda: esquerda social-democrata à esquerda do PS e do PCP

    Quem quiser que acabe a lista.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Levy, nada contra a imigração de judeus para a Palestina. Tudo contra os colonatos. Ali ou em qualquer outro lado. Percebe que imigração não é o mesmo que colonização, não percebe?

  44. 44 44  Levy

    46 # DO

    Eu percebo, você é que não.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    E os colonatos são imigração? E a ocupação de terras na Cisjordânia são imigração? E a construção de um muro em volta de quem lá vive é o comportamento comum num imigrante? Eu nada tenho contra a imigração e judeus para Israel. Sou absolutamente coerente. Tenho tudo contra a expulsão e criminalização de quem lá vive. É esse, e não a imigração para Israel, o meu problema. Se sou contra os campos de concentração para imigrantes também sou contra os campos de concentração (campos de refugiados e cidades cercadas por muros) contra quem sempre viveu nos países. Tudo o que aqui escrevo sobre a forma como são tratados os imigrantes é aplicável, naquele território, não aos imigrantes que chegam (e são, e bem, bem recebidos pelos israelitas) mas aos palestinianos tratados como lixo. Repare que em Israel, são os imigrantes mais recentes que votam na extrema-direita e nos partidos racistas. Exactamente ao contrário do que acontece em todo o Mundo. Isso não é um sinal de que o excluído está noutro lugar qualquer? A quem a polícia pede identificação na rua não é ao russo acabado de chegar. É ao árabe israelita. Israel e a Palestina têm uma história própria. Tudo o que digo sobre o direito a imigrar se aplica ali: todos os judeus têm direito a viver em Israel. Mas a forma desumana de tratamento é, evidentemente, para uma das partes da população que lá vivia. Por isso falo de colonização. Porque só queria que os que chegam reconheçam também aos palestinianos o direito a viverem onde querem que, por acaso, é a sua terra. Quem ali está do lado de lá do muro e tem de pedir licença para entrar sabe muito bem o Levy quem é.

  45. 45 45  mancha negra

    Daniel; «Sim! as migrações são naturais, e cada vez mais , ao ponto de “fazer tremer” o conceito de familia tradicional.»

    As migrações são naturais como a chuva. Verdadeiro. Mas, ao ser “natural” é impeditivo que nos abriguemos da chuva? Vai desculpar o tão benemérito altruísmo, mas se não gosto de me molhar, protejo-me da chuva. Ou, vice-versa. No caso das “migrações” idem. Creio que, se estamos em democracia, temos uma Nação, ou melhor Estado-Nação, todos contribuímos para um bem comum e é por isso que temos parlamento, identidade, território e bandeira e tratamos por nós a nossa casa, porque diabo não temos nós uma palavra a dizer em relação aos “estrangeiros”? O Daniel refere que sempre existiu migrações. Mas omite que nem sempre existiram Estados-Nação, com fronteiras e identidades fortes. Quando foi o caso de se dar essas migrações, deu sempre em barraca, morticínios e massacres. Eu não percebo o ponto de vista do Daniel, porque a coisa é tão simples como água;

    Chegam 30 mil Congoleses à costa Portuguesa, porque fugiram (legitimamente) do seu País em guerra. Covenhamos que o Congo é senhor de si, com leis, independente e com identidade. Estes 30 mil Congoleses acedem à República, e, porque o Daniel acha que é natural haver migrações (mas não fala da guerra e da pobreza que eles fogem, essa sim uma grande questão), todos nós estamos a pagar a estadia de 30 mil Congoleses que, não por sectarismo mas porque é a NATUREZA das coisas, não temos forma total de os assambarcar. Segurança Social? Integração? Daniel, senso comum.

    [Responder]

  46. 46 46  mancha negra

    Daniel; «Quem ali está do lado de lá do muro e tem de pedir licença para entrar sabe muito bem o Levy quem é.»

    Porque entram com explosivos. Acha que lhes dá na telha é?

    [Responder]

  47. 47 47  Levy

    “E os colonatos são imigração?”

    São. Recebem Judeus do mundo inteiro. Por isso a minha posição é mais coerente que a sua: não vejo com bons olhos nem a imigração em massa para a Europa, nem a de Judeus para a Judeia e Samaria.
    Você é que sob o manto “da especificidade do caso israelita” é incoerente: portas abertas na Europa; portas fechadas na Judeia.

    Sobre o resto, é mais do mesmo. O Daniel não perde uma oportunidade para despejar a cassete anti-israelita.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Não é anti-israelita. O que escrevo aqui escrevem muitos israelitas que conheço e muitos opinadores e jornalistas em Israel que se batem contra fanáticos como o meu caro Levy.

    Sobre os colonatos, a ver se percebe: o problema não é quem recebem, é que excluem. Mais uma vez: o problema não é que cheguem judeus, é que sejam expulsos palestinianos. É assim tão dificil perceber a diferença? Um colonato é uma anexação de terra num outro país que não Israel. Anexação de terra não tem rigorosamente nada a ver com o debate sobre a imigração para Israel. É o mesmo que dizer que ao defender a imigração para os EUA tenho de defender o massacre de ídios e sua confinação a reservas. É um absurdo.

  48. 48 48  Levy

    48 # Mancha Negra

    O Congo não é aquele país que um novíssimo programa Aeroespacial?:

    http://www.youtube.com/watch?v=sscYIVx4CgY

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Levy, ainda tem de me explicar esse comentário sobre o Congo.

  49. 49 49  Levy

    “batem contra fanáticos como o meu caro Levy”

    Essa do fanático, lembra-me uma história que a uma tia minha do Alentejo me contava sobre uma discussão entre 2 raparigas. A mãe de uma intervém e diz à filha:

    - Filha, chama-lhe já puta, antes que ela te chame a ti!

    Sobre a expulsão de palestinianos, isso não passa de um chavão seu. A esmagadora maioria dos palestinianos vive nas populosas cidades como Nablus e Hebron. Ainda está por aferir quantos foram efectivamente expulsos. Como não se sabe, o agitprop instituído neste blogue encarrega-se de fazer o resto.

    [Responder]

  50. 50 50  Levy

    53 # DO

    Um mero apontamento. Uma curiosidade. Paralelo à discussão. Não comece a fazer interpretações.

    [Responder]

  51. 51 51  mancha negra

    Levy, o Congo e o Patrice Lumumba são a Bíblia do Daniel Oliveira.

    O que me espanta é o imbróglio que a cabeça do Daniel provoca. Já fala em colonatos e já equipara o caso distinto de Israel/Territórios da Palestina (???) com as migrações.

    Daniel, se acha justo ter um ministério da defesa para nos protegermos de outros Estados, porque não acha justo proteger-nos de outras pessoas? É um princípio Daniel. Além do senso comum. Não é preciso lembrar que a migração é natural e sempre existiu. No caso específico em Portugal o Estado Social é uma falência. Mal dá para pagar pensões a quem sustentou o imposto ao longo de anos. Mal dá para cobrir a tão propalada “igualdade” social. Temos inúmeras deficiências estruturais. E, porque é natural a migração, é natural, aceitarmos? Se isto não é ortodoxia….

    [Responder]

  52. 52 52  Olympus Mons

    Meu caro Daniel,
    Perdoe-me por o perseguir do post anterior, até aqui. Mas isto dos blogs é mesmo assim.
    O seu texto é bonito. Muito bonito. O seu texto deu-lhe satisfação escrever (e satisfação a muitos mais que o leram pela quantidade de endorfinas que um texto destes introduz na corrente sanguínea a quem escreve e a quem concorda! – Sim, estou a ser repetitivo. E serei até que eu percepcione que a mensagem foi passada.

    Quando se lê o seu texto, qualquer pessoa que tenha um mínimo de BDK (bullshit detection Kit) fica com os alarmes a tinir. Mais que tudo pela regra 3:

    Regra 3: Se aquilo que estás a ouvir trouxer uma proposição moralmente superior, prepara-te porque é uma treta que te estão a pegar (Carl Sagan).

    O Daniel acha, que por acreditar, e sentir (ui, essa sensação de bem estar dada pelas endorfinas é maravilhosa, não é?), o que escreveu que não está a contar uma treta. Mas acha mal. Para que não tivesse a contar uma treta, sim advinhou, teria que;

    (do comentário anterior colocado por mim)
    -Quantos de vocês partilham o local de trabalho (como pares) com imigrantes? Ou seja, partilham a existência ou não do próprio emprego com imigrantes?
    *
    -Quantos de vocês partilham o vosso ambiente social com imigrantes? Ou seja, vivem em prédios com imigrantes, partilham o café da rua com eles, partilham as escolas dos filhos, etc?
    *
    -Quantos de vocês experimentam a cedência cultural com eles? Ou seja deixam de visitar, frequentar espaços porque agora estão ocupados por eles, deixam de passear á noite pela insegurança, etc?

    Porque, como é óbvio e de boa esquerda, a ressaca das elevadas e moralmente superiores opiniões não são para ser vividas pelos próprios! Não, na verdade acabado a injecção de endorfinas, já não são realidades que devam fazer parte do quotidiano dos próprios.

    [Responder]

  53. 53 53  Olympus Mons

    E Gosto particularmente do “E olhará com espanto para países como os Estados Unidos, compostos quase exclusivamente por descendentes de imigrantes, que hoje reprimem a imigração até ao absurdo”

    Os EUA, são dos únicos países desenvolvidos do mundo que vêem a sua população crescer (2,5 MILHÕES POR ANO), e muito, devido á emigração! Nem nesse aspecto escapa á miopia da extrema esquerda.

    [Responder]

  54. 54 54  Olympus Mons

    Daniel, só consegui entender homens como o Daniel com Oxsley et all
    Dito de outra forma :

    O Daniel, alguma vez foi Emigrante? (eu já fui)
    O Daniel Alguma vez foi refugiado? (eu já fui, retornado, mas vivi como refugiado)
    O Daniel alguma vez viveu em pobreza? Casa sem luz e água? (eu já, em miúdo e era um lar bem feliz!)

    No post anterior, que infelizmente perdeu afluência, eu insisti para que me dissesse como era o seu dia típico (e correndo o risco de o Daniel poder mentir) para lhe demonstrar que, com toda a “prosa que bota” O Daniel não vive as consequências do que preconiza. Não faz parte do seu mundo! Não faz, nem quer que faça pois não? Porque se quisesse era só ir viver para a Damaia, ou para o cacém, para aquelas zonas que tem comunidades significativas de emigrantes e pronto, estava realizada a sua concepção de Portugal aberto é emigração.
    Pois é Daniel, não é aí que vive, não é aí que passa os sábados, e na verdade as realidades dos emigrantes não é algo que conceba fazer parte do seu dia a dia, do seu dia a dia. È um conceptualização que usa para retirar satisfação (endorfinas, endorfinas) mas que não lhe passa pela cabeça materializar no eu.

    Só percebi o que era a esquerda (alem das endorfinas) com Oxley. Quando Oxley me mostrou que se eu mostrar uma imagem de um homem com a cabeça ensanguentada a alguém como o Miguel, os seus dados biométricos não se alteram! Não aumenta a conducidade na pele, não se contrai a sua retina, não aumenta o seu ritmo cardíaco… O meu aumenta. Sou de direita.
    E não se alteram porque o Daniel, não cria uma linha consequencial entre o que aconteceu ao homem da foto e si próprio. Eu, de direita crio.
    Quando o Daniel acha que se deve abrir a porta á emigração, não considera que ele, o emigrante, possa vir a ser o seu vizinho do lado, de baixo e de cima. — Eu, que sou de direita, acho! E por achar, tenho algum cuidado, algumas precauções.

    Capichi?

    PS: se for oportuno, um dia destes, falarei sobre os “defeitos” de ser de direita. Mas não para aqui chamado agora.

    [Responder]

  55. 55 55  Olympus Mons

    Alguem tem dúvida que o Sebastião Dias… não é como o Daniel?

    :-)

    [Responder]

  56. 56 56  Duarte Sousa

    #47 Daniel Oliveira

    «Por isso falo de colonização. Porque só queria que os que chegam reconheçam também aos palestinianos o direito a viverem onde querem que, por acaso, é a sua terra»

    A questão é demasiado complexa para se resumir numa quantas linhas, mas quero salientar o seguinte:

    A imigração para Israel nos termos em que o DO referiu não constitui nenhuma garantia de sobrevivência e auto-determinação para os judeus provenientes da Europa e outros países Médio Oriente. Para atingir esses objectivos era necessário que Israel fosse um território dominado por estes judeus e não pela população que já lá habitava (na sua grande maioria, muçulmanos com origens judaicas).

    Infelizmente, ambas as facções mantiveram-se segregadas, em grande parte, devido a factores de ordem religiosa (que acabam por se sobrepor ao sentido de humanismo, i.e., de respeito pela vida humana) e a uma tremenda ignorância face às suas origens comuns, comprovadas por vários estudos genéticos.

    Para um descendente de judeus sefarditas, sionista e ateu o caminho ideal para ambas as facções passa por uma rejeição mútua da religião (perigosa e largamente inspirada em mitos), à qual se deverá contrapor a adopção de uma postura racional e humanista. É nestes termos que a minha visão do sionismo, inclui os palestinianos – judeus, que à semelhança daqueles que foram perseguidos em Portugal, Espanha e América do Sul, se viram forçados a aceitar uma nova religião, perdendo gradualmente noção das suas raízes hebraicas, mas sem que abandonassem a terra onde nasceram.

    Se ambas as facções se tornarem cientes daquilo que referi em cima e agirem nesse sentido, então, criar-se-ão, em meu entender, as condições para uma expansão pacífica do território de Israel e para a plena integração dos palestinianos na sociedade israelita (formação do Eretz Israel), a qual só teria ganhar com isto. Os palestinianos passariam deste modo a ser vistos apenas como um novo acréscimo ao sector populacional mizrahi.

    Com estas mudanças, estaria assim lançado um verdadeiro modelo de democracia, humanismo e racionismo para todo o Médio Oriente. Mas até que isso aconteça (se é que alguma vez tal sucederá), manter-se-á o confronto entre ambas as facções, com as devidas consequências, claro está.

    Shalom aleichem

    [Responder]

    Maurício Reply:

    Coerente e lógico.

  57. 57 57  Minhoto

    Coitado do Daniel já não tem para onde se virar (a não ser para dentro) depois do pertinente Levy ter colocado o dedo na ferida. O Daniel é como aqueles programas cheios de bugs que quando são testados entram em ciclo e é necessário fazer reset (salvo seja).
    Ó Daniel então milhares de islamitas que vivem na Europa não tentam criar o califado? Têm esse objectivos mas felizmente não conseguem concretizar, talvez porque falte uma coisa muito simples DEMOCRACIA. Como ficam esses? É colonização ou imigração? É claro que colonização é imigração, ou melhor é para quem consegue chegar ao último patamar da imigração e a história ensina-nos isso mesmo senão repare no Brasil temos Petrópolis, Nova Petrópolis, Blumenau etc que são tudo cidades de imigrantes/colonos europeus no Brasil que já era na altura um estado bem construído e próspero e que já tinha um povo nativo, a nação brasileira. A imigração/colonização é bem aceite e incentivada pelos estados, como foi no Brasil, quando acrescentam uma mais-valia, os desgraçados que tentam dar o salto, em condições sub-humanas que se devem ao desespero em que vivem nos seus países, infelizmente não acrescentam em nada aqui na Europa (a não ser que queira ter a Fati a fazer-lhe couscous a 100 euros mês). É urgente a Europa ser solidária com estes povos e isso passa por acabar, por todas as vias necessárias, com os regimes corruptos e inumanos que os assolam.

    [Responder]

  58. 58 58  Samuel

    Muito bom!

    [Responder]

  59. 59 59  Justicialista

    O que eu acho graça é que coisas que são de bom senso ainda tenham que ser reiteradas e que ainda falte muito pedagogismo em muita gente. Num país em que 50% (5 milhões) vive fora do país, ainda se diz que “não há espaço”… se esses portugueses que vivem lá fora voltassem todos para Portugal é que viveriamos todos uns em cima dos outros! É por isto, que ao contrários EUA, na Europa é impossível ver uma minoria étnica chegar ao topo da hierarquia política.

    [Responder]

  60. 60 60  Nuno

    60 #

    “Porque se quisesse era só ir viver para a Damaia, ou para o cacém, para aquelas zonas que tem comunidades significativas de emigrantes e pronto, estava realizada a sua concepção de Portugal aberto é emigração.”

    Não queria mais nada? A Lapa é muito melhor. O DO é o perfeito exemplo da esquerda-caviar. Ele e aquela rapariga do PS, a Carolina Patrocínio.

    [Responder]

  61. 61 61  Nuno

    44 Levy

    Não, já o tinha percebido há muito tempo.

    52 Daniel

    “O que escrevo aqui escrevem muitos israelitas que conheço e muitos opinadores e jornalistas em Israel”

    Que têm o mesmo peso lá que você tem aqui, ou seja: nenhum.

    [Responder]

  62. 62 62  Sebastião Dias

    «Alguem tem dúvida que o Sebastião Dias… não é como o Daniel?»

    Há muitas diferenças que resultam do facto do Daniel ser de extrema-esquerda e eu próprio ser de centro direita. Daí resultam outras diferenças não menos importantes. Eu gosto de viver no mundo real pois só aí é que consigo comer um verdadeiro bife, o que me faz sentir bem. Por seu turno, o Daniel gosta de viver nos castelos no ar que ele próprio constrói e onde tenciona colocar a viver todos os imigrantes que encontrar, porque isso fá-lo sentir bem por pensar que é um ser humano maravilhoso. Eu não gosto dos castelos no ar que o Daniel constrói basicamente por causa da questão dos bifes.

    [Responder]

  63. 63 63  Sebastião Dias

    «Os EUA, são dos únicos países desenvolvidos do mundo que vêem a sua população crescer (2,5 MILHÕES POR ANO), e muito, devido á emigração! Nem nesse aspecto escapa á miopia da extrema esquerda.»

    Acrescentaria que quem vai para os Estados Unidos vai com a vontade de trabalhar e e o sonho de prosperar, não estando com a esperança de ficar a mamar nas tetas do Estado. E, já agora, os imigrantes na América dizem com orgulho que são americanos. Na Europa, por mais subsídios e rendimentos de inserção as coisas não são bem assim?

    [Responder]

  64. 64 64  Daniel Oliveira

    Olympus Mons, não faltava mais nada que andasse a fazer relatórios do meu quotidiano a um anónimo que assina com nick na Internet. Não lhe minto nem lhe digo a verdade. Terá de se contentar com a validade ou invalidade das minhas opiniões por elas próprias. A minha intimidade, guardo-a a sete chaves. Fica para os meus amigos e nunca, mesmo nunca, a divido com anónimos que nem com o seu nome assinam. Tem direito a isso. Mas é extraordinário que quem nem o seu nome divide queira dos outros relatórios da sua vida. Há gente que tem um estranho sentido da coerência.

    [Responder]

  65. 65 65  Mario

    Oh Daniel, você ainda se dá ao trabalho de responder a estes “situacionistas”? (sem ofensa, Guy Debord…)

    Quando se dão argumentos eles descontextualizam(desconversam), confundem propositadamente imigrantes com criminosos, multiculturalismo com insegurança, ocupação com imigração, Itália com Cisjordânia, etc etc etc…
    E tudo isto sem se perceber qual a real opinião deles em relação ao caso que o Daniel comentou. Mas vá, vá dormir que eu dou aqui uma achega…

    #48
    Falava o Mancha Negra da hipótese de 30.000 congoleses a fugirem para Portugal por causa de uma guerra… Bom, sendo por uma guerra, por uma ditadura, fosse o que fosse, pergunto:
    E se fossem espanhóis? E se fossem brasileiros? E se fossem gregos? Já era diferente? Ou era deixá-los a morrer de fome nos barcos? Imigrantes de primeira e de segunda? Íamos ver a carta de habilitações antes a ver se mereciam viver ou não? Se sabiam assentar tijolos ou tocar violino? Que bom!

    Que achariam os 5 milhões de portugueses que estão por esse mundo fora dessa sua ideia pioneira? Ou eles quando emigraram tinham diplomas superiores? Se o DeGaulle fosse como o Berlusconi…
    (vá, não era muito melhor, mas percebem a ideia…)

    [Responder]

  66. 66 66  carlos graça

    DO
    Parabéns pelo seu optimismo…não conheço nenhum que passe mal.

    [Responder]

  67. 67 67  Fado Alexandrino

    Os melhores bocados de qualquer coisa são sempre impossíveis de separar dos piores bocados dessa coisa – Princípio do Ananás

    A discussão começou por causa de uma notícia (nunca confirmada) de que barcos mercantes tinham passado e deixado morrer setenta e tal pessoas que tentavam chegar clandestinos a Itália.
    Já vai nos colonatos israelitas e dentro em pouco atingirá o clímax ao saber-se que a culpa disto tudo foi do Bush (localmente é do Salazar).

    Passando ao lado ninguém afirma preto no branco (podem cortar isto se for pecaminoso) que devemos dar o passo em frente e anunciar o Portugal novo do Bloco de Esquerda como um país sem fronteiras que acolherá todos os que quiserem vir viver para cá.

    [Responder]

  68. 68 68  Carlos Azevedo

    Estou a ler o “Violência”, do Slavoj Zizek, e ele distingue 3 tipos de violência: subjectiva, simbólica e sistémica. A violência sistémica, ou seja, a que é inerente ao modelo económico e político, é a menos perceptível, porque constrói o estado de coisas que se considera normal.
    Para a maioria dos ocidentais, infelizmente, é um dado adquirido que o seu bem-estar depende da exploração e miséria da maior parte da Humanidade.

    [Responder]

  69. 69 69  eppursimouve

    Tanto direira como esquerda se degladiam relativamente a esta – como a outras questões. Defendo dois lados distintos da barricada extremam posições e com isso não reparam no sofrimento que aplicam a quem necessita urgentemente que sejam aplicadas normas para regulamentar os fluxo migratórios. A direita erra ao querer limitar as imigrações. Não pode haver limites. Todos aqueles que queiram entrar na Europa devem ser recebidos como pessoas e serem bem-vindos. A esquerda erra ao ser demasiado benevolente com a actuação muitas vezes à margem da lei de uma parte significativa daqueles que, nós europeus, acolhemos. Portanto, aquilo que eu preconizo é braços abertos para receber aqueles que em busca de uma vida melhor se lançam em direcção ao el dourado europeu. A busca de melhores condições de vida – para sim e para os seus – não pode, nem deve ser tratada criminalmente pois é uma aspiração natural do ser humano. Por outro lado, sem quaisquer pudores – e talvez seja aqui que a esquerda mais falhe – devemos exigir ao imigrante que seja útil à comunidade. Se ele veio em busca daquilo que a comunidade lhe pode oferecer é moralmente plausível que lhe seja exigido o mesmo grau de comprometimento em relação à comunidade que o recebeu. Paralelamente deve ser realizado trabalho no sentido de neutralizar as máfias de tráfico de humanos e obviamente dotar o país de políticas que exijam, não só ao imigrante, mas também ao cidadão nacional o mesmo esforço no envolvimento de construção de uma sociedade melhor. Portugal necessita dos imigrantes tanto quanto necessita dos seus cidadãos. E no que toca ao esfoço que cada um deve fazer em prol da comunidade não devemos transigentes, devemos ser exigentes. A única diferença que eu vejo entre imigrantes e cidadãos nacionais é que os primeiros, uma vez recebidos – e bem recebidos – caso não demonstrem vontade de trabalhar em prol da comunidade e ao invés reincidam em práticas criminais devem ser enviados de volta para os respectivos países. Fala-se nos portugueses que foram para França nos anos 60 quando se defende a entrada de imigrantes. De acordo, embora não devemos esquecer que esses portugueses foram de facto fundamentais para a construção desse país pois deram o litro e vivendo em condições miseráveis souberam sacrificar-se e subiram a pulso a ponto de serem actulamente uma comunidade das mais respeitadas naquele país. É isso que os migrantes devem saber fazer.

    [Responder]

  70. 70 70  Madalena Madeira

    59 Olympus Mons ,

    Capichi?! e é de direita?!,. Agora fez-me lembrar alguém. Guess who?

    A infância deste desgraçado ja não foi tão feliz como a sua Olympuss!!

    Acertou!,

    “Mussolini viveu os seus primeiros anos de vida numa pequena vila na província, numa família humilde. Seu pai, Alessandro, era um ferreiro alcoólatra ( provavelmente batia na mãe) e um fervoroso socialista, e sua mãe, Rosa Maltoni, uma humilde professora primária, era a principal sustentadora da família. Foi-lhe dado o nome de Benito em honra do revolucionário mexicano Benito Juárez. Tal como o seu pai, Benito tornou-se um socialista e mais tarde um marxista”

    De socialista , para marxista e depois torna-se fascista: ena pá! tanta reviravolta ideológia…

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  71. 71 71  Antonio Cunha

    75 Madalena Madeira

    Por outro lado o Zelaia das Honduras fez o percurso inverso

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  72. 72 72  Olympus Mons

    Daniel,
    Pensei que fosse claro que não queria pormenores identificativos do seu quotidiano.
    Eu sei que o Daniel sabe que não era isso que eu queria e, acima de tudo, sabe que o poderia ter feito, nas calmas, sem revelar pormenores da sua vida privada. Eu, por outro lado, sei que passei a mensagem e o meu caro entendeu. Chega-me.

    Olympus Mons é o maior vulcão do sistema solar e é em Marte. Não coloco meu nome porque colocar Paulo ou João ou António vai dar ao mesmo, não vai? Se eu Disser João Carlos, estaria mesmo a revelar mais do que Olympus Mons? – Eu sou um anónimo tal como o nick de Olympus Mons.

    Mário,
    Estou já cheio de medo de si.

    Madalena,
    Lamento, mas a si eu não consigo sequer entender. Qual era mesmo o seu ponto?

    [Responder]

  73. 73 73  Mario

    #77

    Cheira-me que se enganou no nome, meu caro

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  74. 74 74  Fado Alexandrino

    Para a maioria dos ocidentais, infelizmente, é um dado adquirido que o seu bem-estar depende da exploração e miséria da maior parte da Humanidade.

    Uma parte muito significativa da humanidade vive e trabalha na China, Índia, Taiwan e Japão.
    Se me explicar (sem chavões tipo BE) onde é que os ocidentais exploram estes orientais bato-lhe palmas.

    [Responder]

  75. 75 75  fernando almeida

    É exactamente pela diferença entre o Olympus e o Daniel que é bom ser de esquerda.
    Não por experiência, mas por percepção, deverá ser melhor ter um pacifico e bom imigrante como vizinho do que um grande filho da mãe com problemas mal resolvidos com o passado!

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  76. 76 76  Olympus Mons

    Madalena e Daniel, pensei um bocado e cheguei á conclusão que a melhor forma de lhe explicar algo é com o trabalho do professor Shanto Iyengar.

    Começo por explicar uma coisa á Madalena, que ela devia ter entendido com o que eu disse ao Daniel:
    Entre mim e a Madalena (provavelmente) não haverá muita diferença na conduta.
    Aquilo que me separa da Madalena é que a Madalena exulta com os textos como os do Daniel pela razão que eu tenho mencionado (endorfinas, no momento em que se concorda com uma proposição moralmente superior) e, como muito bem descrito pelo Sebastião, eu nem entendo os “castelos no ar”. Não os entendo por organização neurológica.
    Na verdade, e muito provavelmente, entre mim e si acontece o trabalho do dito professor de standford e racismo. Tem a ver com o facto de a esquerda adorar causas, mas muita dificuldade com os princípios!
    O tal estudo vai assim: Quem é mais racista, alguém de esquerda ou de direita?
    Como há uma recompensa de endorfinas, nunca apanhará alguém de esquerda a dizer seja o que for que seja tomado como racista. Pessoas de direita podem ocasionalmente fazer notar factos que se relacionam com raça. Estes não esperam uma recompensa por tudo o que postulam.
    Este professor de stanford, usando o Katrina, procurou saber como funcionariam ambos os grupos relacionado com raça. Acertou, os de esquerda davam em média menos 1500 dólares se a família a ajudar fosse negra! Os de direita, davam menos, mas não faziam distinção! Percebe que para um individuo de direita, não existe muita diferença entre aquilo que diz e aquilo que faz! Para alguém mais de esquerda (tais castelos no ar) faz muita. O castelo é o castelo (endorfinas) a realidade aplicada ao seu próprio pelo, já é outra coisa.
    Resultados similares já este professor tinha obtido com o crime. – se o criminoso for de raça diferente da sua, tratam-no com mais severidade. – de Direita tratam sempre com severidade, independemente da raça.

    Alguma vez verá alguém de esquerda a admitir isto?! – Metadona, Metadona!

    Republicans supported tough treatment of criminals no matter what they encountered in the news. Others were more elastic in their position, coming to support more harsh measures when the criminal suspect they encountered was non-white

    Entendeu?
    PS: desculpem qualquer erro, mas estes espaços pequenos são horríveis para se compor um texto!

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  77. 77 77  Madalena Madeira

    Caro Olympus,

    Achei “interessante” parte da “história da sua vida” ( sem ofensa e com respeito à mesma , claro), quando escreveu:
    “O Daniel, alguma vez foi Emigrante? (eu já fui)
    O Daniel Alguma vez foi refugiado? (eu já fui, retornado, mas vivi como refugiado)
    O Daniel alguma vez viveu em pobreza? Casa sem luz e água? (eu já, em miúdo e era um lar bem feliz!)”

    Deste modo, fiz alguma analogia entre si e o Benito. Espero que não se tenha chateado! Benito tb era um vulcão enfurecido!, e Marte simboliza a guerra!
    Ah, Ah , Ah!( estou a brincar!)

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  78. 78 78  Olympus Mons

    Caro fernando almeida,

    “É exactamente pela diferença entre o Olympus e o Daniel que é bom ser de esquerda.
    Não por experiência, mas por percepção…”

    Vejo que entendeu que é sempre bom (para o próprio) ser de esquerda (endorfina)? É como dizer que, para quem gosta, beber um bom copo de vinho é bom!

    Ser de esquerda por EXPERIENCIA é que é mau! Muito mau. Porque as EXPERIENCIAS de esquerda não tem dado muito bom resultado pois não? Agora, ser de esquerda, as de PERCEPÇÂO, ui, grandes orgias tem dado.

    PS: caro, Ad homien, mesmo que velados, não produzem muito efeito comigo. Bem haja para si.

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  79. 79 79  Fernando

    Eu não partitipei – propositamente – neste tópico até agora. O texto do Daniel é para mim ambivalente em muitos aspectos, sendo que considero que em termos de empatia está bem escrito mas que quando visto num todo em termos de resultados e políticas práticas é um desastre para a minha concepção de Portugal.

    A comentadora Helena Romão disse algo com o qual concordo em absoluto:

    Para mim este é o único posicionamento possível. Todos os outros: os meios termos, as quotas, etc. – são versões da mesmíssima segregação e proibição. Ter campos para todos ou só para os que excedem a quota é igual.

    Concordo em absoluto, estando obviamente na posição diametralmente oposta, mas concordo todavia. Para se se coerente este é de facto o único posicionamento possível: qualquer conversa de “atenuação” que diga “não é credível que venham para cá 10 milhões de congoleses”, “claro que tem que haver alguns limites”, etc. faz qualquer sentido quando se assume o princípio de que um Estado não tem o direito moral, ético ou outro de ter políticas de imigração, sejam elas quais forem. É completamente incoerente falar sobre o imperativo étnico que é ajudar as populações africanas e sul-americanas deixando-as entrar para depois vir acrescentar que as políticas de imigração deveriam ainda assim ter “regras”.

    Muitos aqui não se importariam nada se em termos de paisagem populacional Portugal fosse igual a Angola. É coerente. O que me irrita um pouco são os que defendendo a total abertura de fronteiras sem qualquer critério prentendem depois mitigar os resultados, aparentemente com receio de que o “povo” não se sinta tão confortável no resultado de passarem a ser minoria na sua terra.

    Diz o Justicialista:

    O que eu acho graça é que coisas que são de bom senso ainda tenham que ser reiteradas e que ainda falte muito pedagogismo em muita gente. Num país em que 50% (5 milhões) vive fora do país, ainda se diz que “não há espaço”… se esses portugueses que vivem lá fora voltassem todos para Portugal é que viveriamos todos uns em cima dos outros!

    O que acho muita, mas mesmo muita graça é que as únicas vezes que vejo os defensores do Portugal multicultural a serem xenófobos (e para ser claro não falo do Justicialista, apenas pego no seu comentário para endereçar outros) é com os portugueses imigrantes. Aí é ver todo o desfile de insultos, que são analfabetos, umas bestas, porcos, incultos. E ainda mais curioso (e aqui falo também para o Justicialista) é que quando é para se justificar o facto da renovação da população em Portugal (note-se que não disse renovação da população portuguesa…) estar a ser feita com base em africanos (vindos de dois continentes) é logo dito que o aumento da população é FUNDAMENTAL por causa das “reformas” e da Segurança Social. Mas quando se trata de avançar com cenários de catastrofe neo-malthusiana pegam-se logo nos imigrantes portugueses, ia ser um desastre!

    Ou seja, para Portugal virem Portugueses é uma catástrofe populacional. Virem africanos, asiáticos e outros uma benece e uma necessidade económica.

    Disse outro comentator cujo nome me escapa que tudo isto de integração é “social” e que se colocássemos europeus nas mesmas condições os resultados seriam os mesmos. Curioso então como os tão utilizados imigrantes Portugueses em França, que foram sujeitos a condições de vida *piores* do que os “jovens” que têm como passatempo atear fogo a carros nos subúrbios de Paris e têm uma taxa de criminalidade (incluíndo criminalidade violenta, como homícidios e violações) muito acima da média Francesa, esse imigrantes Portugueses (dizia) passados décadas têm uma taxa de criminalidade ABAIXO da média Francesa.

    Tudo isto já tem pouco a ver com a questão dos Eritreus, cuja discussão já há muito foi ultrapassada. Concordo com muito do que foi dito pelo Olympus Mons, sendo até certo ponto irrelevante qual a vida pessoal do Daniel Oliveira mas que em traços gerais decreve um vício comum: multiculturalismo e imigrantes são bons “no abstracto”, e em especial para os “outros”. Como dizia a piada antiga “Sempre, sempre ao lado do povo! (nunca no meio deles!)!.

    Nem falo do irrealismo numérico de toda esta questão: se deixássemos entrar (enquanto Europa) 0.5% dos africanos que precisam todos os anos isso em NADA iria ajudar a questão, visto que todos os meses esse número é acrescentado em termos de população em África, a única coisa que iria fazer era transformar em poucos anos a Europa numa espécie de Nova África.

    Como disse, para alguns isto é algo de supremamente atractivo. Para mim, não.

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  80. 80 80  Olympus Mons

    82 Madalena Madeira ,
    Wow, percebi.Excelente sentido de humor. Parabens.

    Confesso que ao imaginar as macacadas do Benito e um vulção, não consegui deixar de rir durante um bom bocado! .:-)

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  81. 81 81  mancha negra

    #70 Mario
    E se fossem espanhóis? E se fossem brasileiros? E se fossem gregos? Já era diferente? Ou era deixá-los a morrer de fome nos barcos? Imigrantes de primeira e de segunda? Íamos ver a carta de habilitações antes a ver se mereciam viver ou não? Se sabiam assentar tijolos ou tocar violino? Que bom!

    Se fossem Espanhóis creio que pertencem a uma comunidade chamada UE. Creio também que sejam um povo Europeu… ou conhece outra Espanha? Conhece o espaço Schengen? Se os Espanhóis são a sua bitola, então está bem arranjado.

    Referi os Congoleses porque decerto que têm costumes diferentes e a cultura é um tanto distinta da Europeia. E esse é o nervo da questão.

    Quanto aos Gregos, tenho de explicar-lhe que em grande parte também são “Europeus”?

    Brasileiros? Mas eles já andam aí, e não tenho nada contra. Aliás, são eles o garante da nossa Segurança Social.

    Quanto ao resto, é pura idiotice. Em momento nenhum ninguém aqui referiu uma proibição total à imigração etc.

    A questão e diga-se outra vez é a abertura COMPLETA de fronteiras nacionais, a povos com costumes, culturas etc diferentes… e pior, quando esses “povos” não estão disponíveis a cumprir as regras de um Estado soberano, sob o pretexto da “discriminação”.

    «Íamos ver a carta de habilitações antes a ver se mereciam viver ou não? Se sabiam assentar tijolos ou tocar violino?»

    Seria um bom príncipio olhar para a carta de cadastro. Só isso seria um bom princípio. Ou, em seu entender por serem imigrantes são inocentes?

    Sabe o que camarada Fidel fez aos homossexuais e aos bandidos quando chegou ao poder?

    [Responder]

  82. 82 82  Mario

    #86 Mancha Negra

    Muito bem, do seu comentário retiro o seguinte:
    1. percebo que o que está aqui em causa, na sua opinião, são as diferenças culturais entre povo migrante e povo acolhedor. Concordo que é o grande debate a ter sobre a migração. No entanto isso é diferente de ter 30.000 congoleses a fugirem de uma guerra (condição excepcional), e deixá-los à porta do país à sua sorte.
    Não seria muito diferente daquilo que os franquistas faziam com os portugueses que tentavam fugir de Portugal pela raia: tiro ao alvo.

    2. percebo que, culturalmente, você define os espanhóis como “europeus”, os congoleses como “não-europeus”, e os gregos só alguns o são. Mas não percebo o que você tiraria daí.
    Diz que o nervo da questão é a cultura.
    Mas depois fala em espaço Schengen para justificar os espanhóis e, porventura, parte dos gregos. A questão da cultura já não se põe? E porquê só parte dos gregos?
    No entanto, a história do continente europeu, antes dessa aberração do século XIX chamada Estado-Nação ter aparecido, está cheia de casos de integração cultural bem sucedidos. E queira saber que as culturas não se purificam só, também se fundem, interagem e evoluem pelo contacto com as outras. A cultura portuguesa (aliás, as culturas) é o exemplo disso mesmo.

    3. percebo que, para si, a questão da diferença cultural e da adaptação não se põe para os brasileiros porque “já andam aí” e até dão uma ajudinha. Sem comentários.

    4. “Em momento nenhum ninguém aqui referiu uma proibição total à imigração”
    Folgo em sabê-lo. Mas o exemplo que escolheu, de deslocados a fugir de uma guerra, também não foi o mais feliz para esta discussão.

    5. Também não me ouviu a falar em fronteira completamente abertas. Estava apenas a testar as contradições no exemplo que deu:
    o que habilita um povo ou outro a receber asilo, no caso de uma guerra no país de origem.

    6. Não tenho grande conhecimento da revolução cubana, mas estou sempre disposto a ouvir o que me tem para contar.

    Cumprimentos

    [Responder]

  83. 83 83  c.

    eu acho nulo o seu texto e a sua arrogância de não emigrante.

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  84. 84 84  Fado Alexandrino

    Brasileiros? Mas eles já andam aí, e não tenho nada contra. Aliás, são eles o garante da nossa Segurança Social.

    Desculpe, podia explicar isso um bocadinho mais detalhado?

    [Responder]

  85. 85 85  mancha negra

    Mario; «está cheia de casos de integração cultural bem sucedidos. E queira saber que as culturas não se purificam só, também se fundem, interagem e evoluem pelo contacto com as outras. A cultura portuguesa (aliás, as culturas) é o exemplo disso mesmo.»

    Não estou a pôr em causa a assimilação (em parte) de culturas, integrações e por aí fora. Aquiesço que os “Congoleses” tenha sido um mau exemplo, particularmente em tempo de guerra. Mas, para isso existem instituições que dão vazão à “moral” deste Século. Não as falta aí e principalmente, não falta almas altruístas e caridosas como o Daniel Oliveira.

    Agora repare. De todas as culturas, há particularmente duas que teimam em não assimilar certos valores Europeus e, diga-se, Ocidentais. E falando de uma forma geral, são as culturas que ainda não evoluíram do tribalismo. Tem casos de excepção, a África do Sul. Mas, o mesmo partido desde que é democracia. Não se trata de “criticar” o tribalismo, as teocracias e, principalmente os Islamistas. Trata-se de francamente aceitar que essas culturas de uma forma geral e global, repudiam os valores que nós Europeus/Ocidentais, nos identificamos.

    «3. percebo que, para si, a questão da diferença cultural e da adaptação não se põe para os brasileiros porque “já andam aí” e até dão uma ajudinha. Sem comentários.»

    Se tem olhos na cara, verá que de longe os Brasileiros são bastante abertos à “nossa” cultura. De uma forma geral respeitam e aceitam integrar-se. Têm a sua Igreja e não os vejo em atentados bombistas porque querem usar chinelas e calções, ou aqueles sapatos da Sapatália (os castanhos) com calças de ganga azul dobrada…

    89 Fado Alexandrino: Ou é ingénuo, ou vai votar no PSD. Não me diga que acredita piamente que nós Portugueses temos forma de financiar a nossa segurança social… ??? Deixe lá o Qren ou o Proder acabar, ou o amigalhaço Barroso sair do pelouro (ou a Turquia integrar na UE) e vai ver se nos chega algum. Os fundos de pensões estão a 0´s!

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  86. 86 86  Sebastião Dias

    Olympus Mons, interessante esse trabalho do professor Shanto Iyengar, que vou pesquisar.

    Só uma chamada de atenção de um erro, que eu também costumo incorrer com frequência, que é o separar esquerda e direita em relação a este assunto. Esta divisão é irrealista, podendo dizer que conheço bastantes pessoas de esquerda – e algumas militantes do bloco – que são absolutamente contra o ideário político do bloco no que respeita à questão da imigração e da abertura de fronteiras. Possoa até afirmar que muita desta gente que vota sempre bastante à esquerda, PC ou bloco, é da chamada working class, e que nutre algum ódio aos imigrantes.

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  87. 87 87  Olympus Mons

    Caro 91 Sebastião Dias
    Não seria insensível á procura de uma outra nomenclatura…
    Tambem já partilhei essa sua opinião do esquerda e do direita. Até perceber duas coisas: uma é que só não faz sentido acabar com a distinção quando é alguém de direita a invocá-lo, porque quando é a esquerda aí já não há problema! – Nova esquerda, esquerda isto, esquerda aquilo, legado de esquerda, etc,etc.
    Outra é que as pessoas nascem mesmo com uma composição neurológica de esquerda ou de direita. Podíamos chamar A e B, Alfas e Betas,etc. Mas Esquerda e direita, convenhamos é muito mais fácil e facilmente identificável. E repare que é um fenómeno global, existe em todo o lado, por isso deve ser real.

    Quanto aos seus amigos de esquerda, tal como os meus, que comungam com a visão mais conservadora sobre emigração, na verdade são Esquerdistas que já viveram a EXPERIENCIA da emigração em contraposição com aqueles que só vivem a PERCEPÇÃO da emigração  .

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  88. 88 88  Fado Alexandrino

    Fado Alexandrino: Ou é ingénuo, ou vai votar no PSD. Não me diga que acredita piamente que nós Portugueses temos forma de financiar a nossa segurança social

    Não acredito ou deixo de acreditar.
    Queria era que explicasse sem recorrer a banalidades a sua espantosa afirmação sobre os brasileiros e a Segurança Social que não percebo o que é que têm a ver com o Qren o Proder ou o Barroso.

    [Responder]

  89. 89 89  Mario

    #90 Mancha Negra

    1.”Trata-se de francamente aceitar que essas culturas de uma forma geral e global, repudiam os valores que nós Europeus/Ocidentais, nos identificamos.”

    A mim, mesmo percebendo as suas preocupações, custa-me balizar tão bem aquilo que chama de cultura islamista e tribalista. E consequentemente, tirar considerações dessa índole. Mas vamos pegar no “islamista”:
    Um turco por ser turco é considerado islamista? Independentemente de ser de Istambul ou de Nicósia? De ser ateu ou praticante? De ser liberal ou conservador? Independentemente de a república turca ter mais anos de democracia que a portuguesa?
    E um libanês? E um marroquino? E um indonésio? E um uyghur? E um albanês? E um Bósnio? Para si é tudo “islamista”?
    Como é que se avalia a possível aceitação dos valores de liberdade individual e democracia? Pelo país identificado no passaporte?

    Neste tipo de definições, como islamista ou tribalista, parece-me sempre que que a vagueza do conceito é directamente proporcional ao tamanho do preconceito que está por trás.

    E já agora, a parte dos gregos que não é “europeia” encaixa-se onde?

    2. « percebo que, para si, a questão da diferença cultural e da adaptação não se põe para os brasileiros porque “já andam aí” e até dão uma ajudinha. Sem comentários.»

    Concordo com o que disse, pelo menos ao nível da constatação, mas o “sem comentários” referia-se àquilo que considerava importante para uns e outros.
    Uns era a cultura, outros é o espaço schengen, e estes não precisam nada, porque já cá estão e até se dão bem! Não o ouço a falar da comunidade paquistanesa em Lisboa, ou da moçambicana, também com um nível alto de muçulmanos, que estão perfeitamente ambientados, e contribuem como os outros. É essa ambivalência na avaliação que acho que falha no seu discurso, e que o torna bastante incoerente.

    Está preocupado com bombas? ainda há trinta anos andavam aí umas a rebentar, postas por senhores hoje em altos cargos de empresas e da administração pública, para não falar do governo regional da madeira..
    era preocupar-se antes em pôr esses fora das fronteiras… o que se lhes poupava de reformas dava para dispensar umas dezenas de vagas no SEF… metade delas até nem são utilizadas…

    Já agora, modelos de integração: britânico ou francês?

    ps: conte lá a história do Fidel, agora fiquei curioso…

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  90. 90 90  Levy

    91 # SD

    “Posso até afirmar que muita desta gente que vota sempre bastante à esquerda, PC ou bloco, é da chamada working class, e que nutre algum ódio aos imigrantes.”

    E ao rendimento mínimo que alguns recebem. Conheço montes de gente do PCP que se opõe frontalmente ao subsidio aos preguiçosos. Precisamente da classe trabalhadora.

    [Responder]

  91. 91 91  javali

    O territorialismo é tão antigo e natural como as migrações. Essa é que é essa.

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  92. 92 92  Alexandre Monteiro

    Como é que cantava o Jim Morisson? “They’ve got guns, we´ve got the numbers”, não era? É só uma questão de tempo. Afinal, descendemos todos dos alanos e dos suevos que um dia praticaram isso mesmo aos romanizados, e dos berberes e sírios que fizeram o mesmo aos visigóticos…

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  93. 93 93  Z

    Daniel,

    peço desculpa, mas a questão n é assim tão simples.

    Por um lado é obviamente bárbaro criminalizar a emigração clandestina, é selvatico deixar morrer pessoas no mar e é desumano recambialas para a fome e para a guerra.

    Por outro lado, sem qualquer tipo de xenofobia, há um limite de trabalhadores estrangeiros que um país pode receber. Mais, por muito politicamente incorrecto que isto seja, há certo tipo de emigrantes que não podemos receber.

    Por exemplo, assiste-se em Lisboa a uma praga de pedinte romenos, que constituem uma autêntica máfia de exploração das mulheres e das crianças. Ora, Portugal não têm espaço para acolher mais criminosos.

    Claro que é dificil encontrar uma solução, porque é impossível distinguir legalmente os emigrantes. Não podemos ter uma lei que diz “os PALOPS entram, os ucranianos tb, só não entram romenos”.

    Mas não basta boas intenções de acolher toda a gente. Os EUA quanto tinha essa política tinham espaço a mais e população a menos. A Europa não é assim.

    É precisso tratar os emigrante como pessoas que são, com igual dignidade de qualquer português. Mas também é preciso algum realismo…

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  94. 94 94  Ana

    O natural em toda a historia não foram só as migrações mas tb as guerras pela conquista de territorio e a criação de fronteiras. Claro que cada um tem de viver com a sorte com que nasceu… se nasceu na Europa vai poder ter acesso a um futuro risonho, se nasceu em África se calhar vai passar fome. Mas o mundo dá oportunidade a todos, basta saber aproveitar… Portugal não tem petróleo nem diamantes e sobreviveu, por que é que África com tanta riqueza tem de ser pobrezinha? A culpa não é da Europa (tal como dizer que a culpa é dos ricos e dos capitalistas!), antes dos que administram o territorio africano. Por que todos têm direito a uma vida digna mas tb têm o dever de lutar por ela!

    O mundo devia ser de todos, não devia haver fronteiras, os recursos naturais tb deviam ser partilhados – os diamantes e o petróleo de Africa tb nos deviam pertencer. Não deviamos ter a NOSSA casa, o espaço devia ser comum e todos deviamos ser iguais e como irmãos. Este era o mundo ideal com que eu sonhava quando era criança. A diferença entre este idealismo e o da exterma esquerda é que eu cresci e percebi que era impossível e nem sequer desejável, os esquerdistas continuam a sonhar com um mundo impossível e no fundo injusto… porque a iguladade e os direitos iguais no fundo são injustos… quem mais trabalha deve receber mais e se todos nascemos com capacidades diferentes, temos de ter destinos diferentes. Ou o Daniel acha que os empregados devem ter o mesmo carro ou casa que os patrões, ou o mesmo salário? Claro que isso seria o ideal, mas não é o possível nem sequer o mais justo.

    Em Londres os imigrantes e toda a familia que chegam à cidade passam a ter direito imediato a todo o sistema nacional de saúde sem pagar nada! Ou seja, passam a gozar de direitos pelos quais nunca pagaram e beneficiam de um serviço de qualidade e dispendioso que nunca ajudaram a construir. Com isto o sistema está a entrar em falencia, prejudicando no fundo os ingleses. Acha justo? Por que é que os ingleses agora têm obrigação de sustentar cada família de imigrantes que nada fez por esse país onde acaba de chegar e só agora é que vai começar a trabalhar e pagar impostos?

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  95. 95 95  Sebastião Dias

    Há diferença entre «imigração» e «invasão». Por essa questão existem quotas e limites à imigração.

    O que é enervante no meio de isto tudo é a atitude de alguns, que discutem estas questões cheios de si e da sua superioridade moral entre duas garfadas de caviar, cuspindo para o lado sempre que se refere quem tem ideias diferentes sobre o assunto. E, claro, com o autocolante «I care» na lapela.

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  96. 96 96  Fernando

    Por exemplo, assiste-se em Lisboa a uma praga de pedinte romenos, que constituem uma autêntica máfia de exploração das mulheres e das crianças

    “Romenos”, ponto e vírgula. Os Romenos não fazem nada disso. Trata-se de ciganos que vivem na Roménia, chamados de “Roma” na Europa Central.

    Não podemos ter uma lei que diz “os PALOPS entram, os ucranianos tb, só não entram romenos”.

    Todos os países que são dados como “exemplos” a seguir quando se trata de imigração fizeram isso mesmo. Estados Unidos, Canadá, Austraulia, até o Brasil, todos tiveram até aos anos 50 quotas de imigração baseados na origem geográfica dos imigrantes, e por inerência origem étnica.

    E com razão, porque segundo os vários estudos de Robert Putnam (que não é “nazi”, nem sequer de “direita”, sendo considerado de Esquerda nos EUA) há uma >há uma relação directa entra a diversidade étnica de uma população e a falta de confiança e solidariedade entre os seus elementos. De tal forma que o próprio autor ficou “assustado” com os resultados, porque tentou de todas as formas arranjar formas de explicar os dados de outra forma (que fossem para ele próprio mais simpáticas) mas não conseguiu.

    Já agora, estou infinitamente mais perto de um ucraniano do que de um cidadão dos PALOPs. Mas nisto cada um escolhe a companhia que prefere.

    E ao rendimento mínimo que alguns recebem. Conheço montes de gente do PCP que se opõe frontalmente ao subsidio aos preguiçosos. Precisamente da classe trabalhadora.

    Como já aqui disse várias vezes continuo a votar PCP, malgrado o meu desacordo profundo com a questão da imigração. Aliás, a falta de solidariedade e quebra dos laços de comunidade referidos por Putnam são uma das razões pela qual sendo a favor de políticas de apoio social hoje em dia cada vez que oiço falar delas tremo, porque sei para onde é que são dirigidas.

    Afinal, descendemos todos dos alanos e dos suevos que um dia praticaram isso mesmo aos romanizados, e dos berberes e sírios que fizeram o mesmo aos visigóticos…

    Isto é apenas uma curiosidade, e sei que o seu comentário foi mais simbólico que histórico, mas na verdade de alanos e suevos temos relativamente pouco, tal como de sírios e berbéres. Apesar das constantes invasões e mudanças políticas desde o Neolítico que não há alterações substancias no substracto da população. Mas isto até agora, a situação hoje em dia é completamente diferente.


    O territorialismo é tão antigo e natural como as migrações. Essa é que é essa.

    Claro que é, mas isso interessa pouco referir, porque o ideal é a política do “facto consumado”.

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  97. 97 97  Isabel Coutinho

    Depois de muito e merecidos parabéns, aqui vai mais um:
    PARABÉNS DANIEL OLIVEIRA

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  98. 98 98  Ofélia

    Excelente texto. Tenho um blog dedicado aos meus netos que ainda são pequenos, mas fiz um link para que eles daqui a uns anos o possam ler.

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  99. 99 99  Lusitânea

    O autor fica horrorizado por 73 mortes?E os outros milhões de mortos africanos?Só depois da descolonização Portuguesa?Em guerras, fomes,pestes,etc?
    Já se perguntou quem é que forneceu a maioria das armas para África?A marca identificativa dos novos tempos que nalguns casos representou um retrocesso de séculos?E com que objectivo?
    Então aqui deve ser possível a “entrada” e lá como é?Não devia ter havido convivência?Direito?Sermos todos iguais, todos diferentes?
    África um continente cheio de riquezas a morrer á fome?Procurem os culpados…
    Sou dos que defenderá sempre a limitação de entradas porque pobre já isto é e a continuar assim qualquer dia estamos todos juntos na desgraça.Missionários por conta dos outros não obrigado.Arranjem isso sim é “soluções” que levem de volta quem desenvolvia África e lá fazia a sua vida e que foram expulsos para lhe ficarem com os bens apesar de na sua esmagadora maioria trabalharem ombro a ombro com os seus concidadãos africanos.A esquerda a falar destas coisas tem que fazer sempre primeiro o seu exame de cosnsciência… e não vir defender demagogias.Que no nosso caso anda nos limites já…

    [Responder]

  100. 100 100  José Bastos

    Volto a dizer, o relato mais fidedigno do que se passou no “barco dos eritreus” é o de um senhor que não comeu, não bebeu, e que esteve a apanhar sol na mona durante quase um mês.
    É caricato, e sintomático, que algumas pessoas neste blogue nem o questionem.

    [Responder]

  101. 101 101  Ana

    “O que é estranho, falando em sentido figurado, é alguém viver com a seca quando ao lado chove. ”
    “…o que é da natureza humana é querer viver num lugar melhor.”

    Tb é muito estranho viver com 450 euros de salario mínimo quando ao lado esse valor é de 1000 euros.

    O problema é que esse lugar melhor não é melhor porque a Natureza assim o fez, ou porque chove mais. Os emigrantes fogem para um lugar que é melhor porque foi criada uma sociedade que funciona melhor, essa qualidade superior não é arbitrária, resulta de um processo de construção por quem lá vive. Os emigrantes não procuram mais água, ou mais chuva ou mais terra quando vêm para a Europa. Procuram mais emprego, melhor salario, melhor assistencia social, melhor sistema de saude e educação. Esses serviços foram construidos, não brotam da terra, e por isso mesmo não são de todos nem devem ser. O país em questão, que os criou, deve ter direito a limitar o seu acesso porque os construiu primeiro para si e só depois para os de fora se houver disponibilidade para isso. Se nem os recursos naturais são de todos, muito menos os recursos sociais que tiveram o seu preço e resultaram de muito esforço. Tal como o Daniel tb não aceita arrendar um quarto na sua casa a um emigrante que lhe peça, mesmo pagando uma renda. Porque a casa é SUA e de mais ninguém, embora o emigrante tenha o mesmo direito que o Daniel em usufruir do seu conforto.

    Por isso o azar não é nascer pobre, é nascer num país onde os políticos são pobres de espirito. Mas a solução não é dar aos países pobres de mão beijada as conquistas dos ricos e esforçados, antes ajudá-los a enriquecer e a criar os mesmos meios para se tornarem auto-suficientes.

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  102. 102 102  Duarte Sousa

    «Isto é apenas uma curiosidade, e sei que o seu comentário foi mais simbólico que histórico, mas na verdade de alanos e suevos temos relativamente pouco, tal como de sírios e berbéres. »

    A maioria dos muçulmanos que invadiram Penísula Ibérica eram de origem berbére e não árabe ou síria.

    «Apesar das constantes invasões e mudanças políticas desde o Neolítico que não há alterações substancias no substracto da população.»

    Houve alterações significativas, mas ainda assim manteve-se uma predominância das linhagens genéticas mais antigas (i.e., relativas às populações que já habitavam na Penísula Ibérica. no Paleolítico). Todavia, há que ter em conta que uma parte dos povos que vieram habitar a Penísula Ibérica posteriormente também estava associada a essas linhagens. Os romanos e uma parte dos judeus sefarditas são disso exemplo.

    Note-se ainda que o marcador genético R1b, que define cerca de 60% do total das linhagens masculinas em Portugal está também presente em países como a Geórgia, Arménia e Turquia (a sua região de origem), assumindo uma frequência que varia entre 15 a 35%.

    «Mas isto até agora, a situação hoje em dia é completamente diferente.»

    Como assim? Tanto quanto se sabe, a nossa composição étnica/genética não tem variado muito desde os dois últimos séculos. E olhe que a julgar pela nossa situação económica o mais certo é que continue a diminuir o número de imigrantes em Portugal. Em contrapartida, assiste-se hoje a um aumento da emigração, inclusivamente, rumo a África. Por isso, não me parece que devamos contar com grandes mudanças a esse nível.

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  103. 103 103  Fado Alexandrino

    90 mancha negra
    28 Ago 2009 às 21:05

    Engasgou-se, deixe lá.
    Para a próxima antes de escrever, pense.
    Isto não é nenhuma mesa de café.

    [Responder]

  104. 104 104  Observador Atento

    Ainda aqui não encontrei qualquer referencia às razões de os fluxos migratórios até meados do século XX se processarem da Europa para fora. A partir dos anos 60, assistimos às transmigrações dentro da própria Europa e regiões periféricas (Magrebe, Turquia).
    Na actualidade assistimos ao refluxo migratório da América do Sul, uma forte pressão Africana e Sul da Ásia, igualmente com deslocações consideráveis da Europa de Leste, que em certa medida têm sido contidas pela deslocalização industrial para esses países.
    É de supor que existem causas já identificadas para estas situações.
    A primeira talvez; é que se nos agrada deitarmo-nos com o jantarinho no estômago, aos outros também!
    Agradecia aos espíritos mais lúcidos que me fizessem o favor de esclarecer melhor os porquês destes “fenómenos”.
    Obrigado

    [Responder]

  105. 105 105  Isabel Coutinho

    Dados os parabéns ao Daniel, vamos ao comentário:

    O Daniel diz, já no fim do seu texto: “o que é da natureza humana é querer viver num lugar melhor.”

    Claro que é. O problema só se põe quando, juntamente com esse desejo, uma civilização se quer impor a outra. E isto acontece quase exclusivamente com os povos árabes ou arabizados (não confundir com muçulmanos, embora maioritariamente o sejam também).
    Aquilo de que a Europa tem medo – e eu também – é da invasão de uma civilização que não só nos é estranha, mas também antagónica. E que, além disso, representa um retrocesso civilizacional.
    Eu acho, ao contrário do que se diz, que todos poderão entrar, desde que respeitem aquilo que vêm encontrar. Até podem trazer os seus usos e costumes, e sua religião, etc.: isso só enriquece o cadinho humano como aconteceu, por exemplo na América do Norte. Acontece que este surto migratório – sobretudo da África no Norte para a Europa – não só não se integra, como quer impor aos que os acolhem o seu modo de vida, a sua cultura e, até a sua religião.
    Vejamos apenas um exemplo que tem dado polémica: a exigência que as alunas das escolas usem um lenço na cabeça. O lenço em si, não me ofende nada (desde que mantenham a cara descoberta), mas já me ofende que se proíbam outros alunos de usar um crucifixo ao pescoço. Ofende-me também que lhes seja permitido brutalizar as mulheres ou mutilar os seus órgãos sexuais, com o pretexto que isso faz parte da sua cultura.
    Muitas das práticas que trazem com eles foram abolidas na Europa há centenas de anos.
    Vamos permitir que se reinstalem?
    Se devemos permitir-lhes que vivam “num lugar melhor”, temos todo o direito de impedir que esse lugar se torne pior.
    Não ignoro que há nisto muita culpa dos europeus que, em vez de crescerem, decrescem demograficamente, tendendo a tornar-se em breve uma minoria, perdida numa maré de “outras gentes”, e que, na ilusão de serem “modernos”, perderam as suas referências culturais, e éticas.
    Para que uma civilização não morra é preciso que os próprios a defendam. E isso não se faz fechando as portas à imigração. Faz-se persuadindo estes que se ou se integram, ou não há lugar para eles. Sem guetos, sem segregação e, claro, sem os deixar morrer no mar.

    A comparação com a imigração americana do século XIX não é feliz: aí e então, havia espaço, trabalho e oportunidades para todos. Integraram-se: hoje todos se consideram americanos. A repetição desse “milagre” – o “melting pot” – estou convencida, não seria possível nos dias de hoje. Porque os imigrantes de então, recebiam sem exigir. O que hoje não acontece, antes pelo contrário.

    [Responder]

  106. 106 106  Fernando

    Duarte,

    Acho honestamente que será maçador para os restantes leitores verem-nos mais uma vez levar a discussão para marcadores de haplogrupos e outras “preciosidades” nas quais temos interesse (e que aprecio debater consigo) mas que creio tendem a afastar-nos imenso do tema. Como não vou responder citação-a-citação como costumo, resumindo o meu comentário a:

    - De facto a cocupação islâmica era de origem esmagadoramente berbére, e não árabe ou levantina.

    - Quando se fala de linhagens antigas não há razão para se excluir as linhagens normalmente associadas ao Neolítico (onde se incluí o J*, etc.) Não julgue que tenho algum “fetichismo” com R1b.

    - O meu comentário endereçou propositadamente os visigodos e suevos da mesma forma que os restantes exactamente para tratar de igual modo os super-estratos em questão, para não dar a ideia de estar a “valorizar” uma determinada influência em detrimento da outra. Por isso também falei em termos relativos, dizendo “maioritariamente”. É claro que existem componentes para além dessa “base”, se quiser, de várias origens (e isso é válido para todos ou quase todos os países Europeus)

    Posto isto, a parte do seu comentário que creio estar directamente relacionado (ou mais relacionado tendo em conta a audiência) com o tema:

    Como assim? Tanto quanto se sabe, a nossa composição étnica/genética não tem variado muito desde os dois últimos séculos. E olhe que a julgar pela nossa situação económica o mais certo é que continue a diminuir o número de imigrantes em Portugal. Em contrapartida, assiste-se hoje a um aumento da emigração, inclusivamente, rumo a África. Por isso, não me parece que devamos contar com grandes mudanças a esse nível.

    Eu não me estava a referir aos últimos dois séculos, mas sim ás últimas 3 décadas. O fenómeno da imigração *para* a Europa é relativamente recente, em especial no que toca a imigração extra-europeia, e em particular na escala que assume. Só recentemente é que se observam situações onde mais de metade da população de certas cidades já é de origem extra-europeia, e ainda mais se considerarmos os nascimentos. Os efeitos desta situação recente implicam resultados que vão muito além do que se observou a nível histórico. Para mais os números dos imigrantes são até certo ponto enganadores nesta perspectiva, visto a taxa de natalidade das comunidades africanas com nacionalidade portuguesa (logo não consideradas imigrantes) ser extraordinariamente acima da europeia. Claro que sempre que se procedem a processos de “nacionaliação” em massa o número de imigrantes vai diminuir, mas isso nada interessa para esta questão em particular. Aliás, um espanhol em Portugal é um imigrante mas pouco ou nada influi na alteração que referi dadas as extremas semelhanças a todos os níveis.

    Onde tenho uma opinião diferente da sua é portanto quando diz que “não me parece que devamos contar com grandes mudanças a esse nível”. Quando as próprias estatísticas oficiais dizem que a manutenção do número de habitantes está a ser feito com base nas comunidades de imigração não-europeias isto é um dado novo, com resultados novos em termos da composição da população. Isto não sou eu a dizer: basta ver os artigos sobre esta questão na imprensa generalista (“Mais velhos, mais escuros”).

    Claro está, mais uma vez se coloca a questão de fundo: para muitos isto não é um problema. O próprio artigo acima faz umas considerações sobre a cultura e a língua, etc. Mas isto já é uma discussão sobre a opinião que temos sobre os resultados em si, e não uma discussão sobre se esses resultados se vão verificar ou não.

    [Responder]

  107. 107 107  Nuno Castelo-Branco

    Bom texto.

    Gostaria de lhe deixar algumas questões para as quais jamais encontrei uma resposta aceitável. Talvez o Daniel Oliveira consiga dá-las:

    1. Sendo a Europa o destino destas levas humanas a que o texto se refere, como seria possível manter o mesmo tipo de organização social – direitos, liberdades, garantias, etc -, se aqueles que a criaram – os “autóctones étnicos” – acabassem sobrepujados por aqueles que chegam, ou pelo menos, consistissem numa muito substancial parte da população fixada, alterando todos os padrões aceites e próprios dos países de acolhimento? Há uns anos, o imã da mesquita de Paris, dizia que a sua primeira lei era o Islão, a segunda a do seu país de origem e a terceira a francesa, SE estivesse de acordo com a mesma! Concorda?
    Na verdade, tudo aquilo que o Daniel escreve e a manifestação de total compreensão implícita, deriva exactamente desta “egoísta” civilização ocidental, eivada de grandes princípios que muitas vezes apelam à generosidade alçada ao patamar supremo da Moral nos eu sentido mais lato. Transigir com tudo, ceder no impensável – afinal, aquilo que conseguimos ser ao fim de um longo caminho já milenar – e finalmente, permitir uma autêntica neo-colonização que irreversivelmente caminhará no sentido da criação de estatutos legais diferenciados, etc? Há uns meses, Fátima Bonifácio – insuspeita de ser de direita – dizia num debate televisivo, que a Europa só será Europa se for primordialmente branca e cristã. Escândalo… que todos, no fundo, reconhecem ser uma incontornável verdade. Toda a nossa educação formada ao longo de dois milénios, trouxe aquilo que hoje somos e salvo algumas excepções, os europeus confirmam plenamente esse primado da liberdade em tudo o que isto possa significar. Atravessemos o Estreito de Gibraltar e mergulhamos sem dúvida numa sociedade fisicamente não muito diferente daquelas do sul da Europa, mas abissalmente diversa na sua forma de organização, nas crenças e na visão que tem do homem, dos seus direitos e deveres. Trata-se de um outro mundo. O que fazer então? Abdicar daquilo que consideramos como conquistas essenciais que formam a nossa identidade, para um regresso aos tempos de “um Estado três povos, três leis”? Impossível, a menos que desistamos totalmente daquilo que o Daniel parece defender a todo o transe. Os famosos direitos, a liberdade e o princípio da igualdade.

    2. Quase um milhão de portugueses partiu nos últimos cem anos para a África e daí regressou após a chamada “descolonização”. O que pode o Daniel dizer quanto a isso? Estabeleceram-se e não teriam então o direito de aí permanecerem se lhes garantissem a vida e direitos de cidadania? É certo que existe o useiro argumento do colonialismo a abater, mas passados todos estes anos e consultando os dados da ONU quanto á realidade de Angola, moambique, Quénia, Rodésias, etc, antes das independências, algo haverá para dizer. O que as autoridades destes novos Estados fizeram e fazem às populações, trata-se de crime assumido mas lavado pela escusa politicamente “correcta”ocidental, de “se tratarem de problemas internos”. Curiosa circunspecção essa, quando os horrores ocorridos na antiga Jugoslávia mereceram todo o tipo de manifestações e a intervenção da comunidade internacional. Eram brancos, claro…

    É-lhe compreensível a clara limitação de circulação e de direitos – religiosos, por exemplo – a que os ocidentais se submetem em numerosos – para não dizer na maioria – países que ademais são financeiramente assistidos pela Europa/América? Que direitos temos nós numa Argélia, Líbia, Egipto, Síria, Paquistão, Irão, Iémen, na generalidade da África subsahariana e até, na Ásia oriental? Que contingências políticas – todas -, religiosas – muitíssimas – e económicas – bastantes – são impostas ao chamado “homem branco”? Decerto tem o Daniel a perfeita consciência destes factos. Negá-los é faltar à seriedade. No mínimo.

    3. O eterno problema “esquerda e direita”.

    Sinceramente, nunca percebi – nem me parece relevante que exista uma assunção nesse sentido – se o Daniel é comunista/trotsquista-ex-estalinista ou maoísta. Nada disto estaria em causa – o Daniel, no ocidente burguês e capitalista, tem todo o direito de ser o que bem entender -, se os exemplos que a história abundantemente denuncia, não fossem precisamente contra os grandes princípios hoje apregoados e que tão diferentes são do claro imperialismo exercido sobre povos limítrofes do falecido “império socialista”. Que respeito tinha esse tipo de esquerda pelas realidades muçulmanas ou pela miríade de religiões que povoavam o espaço dominado pela urss? Na própria Rússia, a sede do Império, não se tornou a igreja ortodoxa num apêndice do próprio Estado, quando este reconheceu o papel essencial que desempenhava na mobilização das consciências durante a guerra de 1941-45?
    Como entende então, a coerciva, ilegal e brutal expulsão de milhões dos territórios do centro e leste europeu, copiando os soviéticos a política gizada pelo regime de Hitler? Li num comentário anterior, uma breve menção a esse triste episódio, sem que seja hoje possível na Europa da Comunidade falar abertamente da verdade de uma limpeza étnica, julgada como “secundária” se a compararmos ao que se passou a Jugoslávia… Ou a lei do vencedor é sempre justa?

    Que critérios teve essa esquerda que hoje facilmente perora sobre “direitos e multiculturalismo” ( que é isso?) quanto ao apoio de regimes claramente criminosos como os de Angola, Etiópia, Moçambique, etc, etc? Se o marco de divisão consiste na cor da bandeira do Partido dominante e claramente alinhado, não vale a pena qualquer tipo de discussão, pois obedece à mera adequação à luta pela conquista de pontos estratégicos de um império tão ou mais dominador quanto outros que alegava querer combater. Aliás, sem qualquer tipo de contestação interna, silenciada pelo medo, opressão, extermínio físico e rígido controle da circulação de pessoas e ideias. Ou será isto contestável? Não é.

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  108. 108 108  Olympus Mons

    112 Nuno Castelo-Branco
    Hum, aquilo que me fascinou no seu texto, foi a alusão ao tempo que aguarda resposta. Esse é o ponto curioso no seu texto.
    Espera e, ou muito me engano, vai continuar a esperar.

    O Daniel, muito provavelmente (e eu estou a arriscar) irá distanciar-se de qualquer responsabilidade ética ou moral sobre esses eventos.

    Ser Daniel (ele que me perdoe esta generalização) é a busca de uma satisfação endógena pela manifestação moralmente superior. Daí que buscar este tipo de respostas em alguém como ele é perca de tempo.
    O “jogo” dos Daniel, é simples. Olhar para um evento e procurar qual o ângulo que mais satisfação lhe traz.
    Na verdade a ordem e os eventos que precederam o nosso tempo resulta, para esta esquerda, de erros de pessoas menores. A solução do mundo nasce no pretérito momento em que a eles adquiriram consciente do mundo. Lembre-se, todos esses eventos são obra de gente menor, em nada matéria relevante.
    4 Milhões de congoleses morrem sob a “guarda”, sob o tempo comunicacional, desta “esquerda das consciências”. Que faziam eles? (Sexy , sexy é o Ahmed da Cisjordânia, e o Moahmed de Gaza… porque o Djabila de Congo, não fazia parte das tertúlias endorfinadas)
    A África do sul do Mandela, entra numa espiral de quebra de desenvolvimento humano nos últimos 20 anos, e faz-se festas de aniversário em honra do dito e do ANC.
    Assassínios por 100000 na África do sul= 50 (Iraque 15); Joanesburgo e cidade do Cabo tem valores superiores a 100 (Bagdad … 33). O número de violações por 100000 hab na África do sul é uma das maiores ofensas civilizacionais de que há memória… onde anda a “esquerda das consciências”, numa altura em que atribui o Mundial de futebol a tal sítio? Onde a tal “consciência da esquerda”?

    O amigo bolívar da Venezuela, Comandante Chavez , comanda os destinos de um pais onde a violência e o crime cresceu estrondosamente sob o seu reinado. 130 por cada 100000 faz de Caracas um dos piores sítios de sempre, e 35 para o pais todo faz com que fique no top 5 dos países onde tem maior probabilidade de morrer assassinado (Iraque — 15); cirza a liberdade de expressão , procura reverter ou perverter a ordem democrática, etc, etc. – Que comentários ouve da esquerda das consciências? WOW, alguma admiração! Pasme-se alguma admiração

    Nada. E nada … por uma razão simples. Este “nova esquerda” não é ideológica. Não se essa ideologia acarretar alguma responsabilidade, nem que seja histórica.

    [Responder]

  109. 109 109  Alexandre

    Bom, e genes à parte, a verdade é que Portugal começou por uma emigração, à qual se seguiram muitas outras, umas mais pacíficas que outras. Comecemos pelo princípio, com o Homo Erectus, que surgiu há cerca de 1,5 milhões de anos, que sai do Continente Africano (ao contrário do Homo Habilis, que nunca terá saído de lá) e protagoniza a primeira “diáspora” espalhando-se pelo Velho Mundo (África, Europa e Ásia). Na Europa, migra para as zona Setentrional e Mediterrânica, seguindo três caminhos: um é o Corredor Sírio-Palestino, chegando á Anatólia, e daí progredindo da Europa de Leste para Ocidente; outro, terá sido o Corredor Ciclo-Tunisino; por fim, o último caminho terá sido o do Estreito de Gibraltar – atravessando esta zona, o Homo Erectus colonizaria o Sul da Península Ibérica, por volta de 1.1, 1.2 milhões de anos atrás (há testemunhos do Homo Erectus na zona Sul da Península Ibérica, principalmente artefactos líticos). A antropização na Península Ibérica, ter-se-á iniciado assim no Paleolítico Antigo.
    Há cerca de 800000 anos atrás, novas vagas de Homo Erectus ocupam o território e trazem novos artefactos e alguns materiais perecíveis. Esta segunda vaga constituiu, grosso modo, o Acheulense Antigo ou inicial. Mais tarde estas sociedades de Homo Erectus desenvolvem-se e inauguram o Acheulense Médio por volta de 400.000 – é durante este período que o território nacional é colonizado, com a colonização fazer-se através do Estreito de Gibraltar, e após a passagem deste, através dos grandes rios

    Já o Homem do Neanderthal surgiu há cerca de 120000/150000 anos, descendendo de uma das formas do Homo Erectus asiático (em Portugal surgiu há cerca de 100000 anos, originando o Paleolítico Médio ou Musteriense. O Homo Sapiens Sapiens surgiu há cerca de 35000 anos na Europa e Península Ibérica, não descendendo dos Neanderthais mas sim do Homo Erectus Africanus.
    O Homo Sapiens Sapiens europeu tem diferenças físicas dos restantes Homo Sapiens Sapiens. O mais comum deste Homo Sapiens Sapiens é o Cro-Magnon – é caucasiano, e é o que tem a fisionomia mais parecida com o Europeu actual (outros tipos de Homo Sapiens Sapiens europeus, são o Homem de Chancelade, mais robusto, e o Homem de Grimaldi, da zona italiana, de fisionomia mais grácil, menor estatura e ossos mais largos e mais finos. O Homo Sapiens Sapiens dá origem ao Paleolítico Superior.
    Com as pós-glaciações, no Holocénico, surgem as sociedades predadoras, interconectando-se estes períodos civilizacionais- ou seja, no mesmo período de tempo, coexistem sociedades com níveis diferentes de desenvolvimento. A partir daí, é escolher entre os difusionistas e os evolucionistas…

    [Responder]

  110. 110 110  Duarte Sousa

    Fernando,

    Concordo. Deixemos essa discussão para outra altura. Aquilo era apenas um aparte.

    Em relação ao tema de debate:

    «Onde tenho uma opinião diferente da sua é portanto quando diz que “não me parece que devamos contar com grandes mudanças a esse nível”. Quando as próprias estatísticas oficiais dizem que a manutenção do número de habitantes está a ser feito com base nas comunidades de imigração não-europeias isto é um dado novo, com resultados novos em termos da composição da população»

    Até muito recentemente tem sido isso que se veio a verificar. Aí concordo consigo. No entanto, devido à actual situação económica, o que se verifica agora é um declínio do número de imigrantes no país, e por outro lado, um aumento da emigração. Ora, supondo que não haverá uma grande melhoria na Economia nacional durante os próximos tempos, parece-me razoável acreditar que a composição genética/étnica do país manter-se-á quase inalterada até lá. Ainda para mais, um dos principais grupos de imigrantes – os brasileiros, são maioritariamente descendentes de europeus, o que reforça ainda mais o meu ponto de vista.

    Somente através de um forte crescimento económico no curto e médio prazo é que haverão condições para que essa tendência se inverta, uma vez que a emigração está correlacionada de modo positivo com o crescimento económico e, subsequentemente, com criação de emprego. Todavia, há que considerar também os efeitos dessa eventual mudança económica sobre a nossa taxa de natalidade. Esse é outro factor determinante para nossa composição genética e não apenas a imigração.

    [Responder]

  111. 111 111  Nuno Castelo-Branco

    Ao 113, Olympus Mons

    Eu sei que a resposta é difícil, senão impossível. O recurso a temas como este, faz parte de uma certa colectânea de inacessibilidades, por assim dizer. Não existe qualquer tipo de solução que possa ser plenamente explicada a todos os interessados, ou sejam, os que chegam e aqueles que os recebem. Declarar o encerramento das fronteiras, enquanto no interior da Europa elas permanecem escancaradas, torna-se numa contradição. Quanta gente não anda por cá a resmungar quanto ao estatuto privilegiado que nas empresas estrangeiras instaladas em Portugal, os naturais de outros países da UE auferem em detrimento dos portugueses. Qualquer pateta chegado de Paris com carta de recomendação da sede, salta escalões, recebe um salário melhor e adquire um estatuto social que nada tem de comparável ao daqueles outros que nos servem os cafés e as tostas nas pastelarias.
    Fechar as fronteiras acarreta pesados custos para a economia, num espaço político-económico em depressão (?) demográfica e onde não existe qualquer tipo de política realista para a natalidade. aliás, a mensagem enviada a população é contraditória, desde a legislação facilitadora das IVG, até aos subsídios irrisórios, os impostos, etc.
    Assim, o tema emigrante/imigrante é sempre apetecível para a delimitação da caduca fronteira entre o Bem e o Mal, dependendo aqui do ponto de vista em que cada um dos interessados se situa.
    O que está verdadeiramente em causa, é o enfraquecimento e posterior liquidação daquilo que consideramos ser todo um património adquirido ao longo de séculos. Assim, interroguemo-nos:
    1. Que valor tem para um muçulmano obediente à crença, a arte exposta nos nossos museus? Sabendo nós que existem claras regras para a expressão artística, encararíamos de bom grado uma espécie de política hitlero-estalinista de retirada de exposição de obras “indecentes”, desde Rubens a Rembrandt, Goya, Manet, Picasso, etc, etc? da ocultação primeira à posterior destruição “por inutilidade ofensiva” não será apenas uma questão de tempo?
    2. Como podemos nós permitir um claro retrocesso na fundamental questão da igualdade de género? O Daniel conseguirá explicar essa necessidade a um senegalês, mauritano, líbio ou saudita, por exemplo?
    3. Quais são os critérios pelos quais a esquerda procede à indexação de sátrapas aceitáveis e inaceitáveis? Que visão pode transmitir ao seu eleitorado acerca de genocidas como os srs. Samora Machel, Luís Cabral, Agostinho Neto e J. E. dos Santos, para apenas falarmos naqueles que Portugal patrocinou?
    4. A questão da coerência para eleitor ver.
    Uma vista de olhos numa banca de propaganda do PC/BE, mostra a perfeita coincidência na exibição dos gadgets que dão consistência ao todo. Obras de reconhecidos autores que desde sempre pugnaram por sistemas de concentração do poder à revelia daquilo que consideramos ser a livre escolha das populações; uma constante desculpabilização de atrocidades que vitimaram centos de milhão em todo o mundo, com a luminosa atenuante do “processo histórico” a caminho de um futuro redentor; a rejeição de factos em detrimento de meras interpretações colaterias e totalmente anacrónicas, vistas à luz de mentalidades que nada de comum têm com aquelas existentes nos modelos passados objectos da análise. Por exemplo, a interpretação “annalle” (termo aggiornatto para comunista) da crise de 1383-85, é de uma total comicidade que apenas descridibiliza quem a tentou fazer crer como boa., num arrazoado merceeiro de teres e haveres sem qualquer intervenção da vontade de um qualquer Eu essencial que conformou ou provocou determinados acontecimentos. Torna-se tão risível esta análise histórica, como a “ciência” do “grande Lysenko”.

    Ao Alexandre

    Fez bem em recordar-nos a epopeia expansionista dos hominídeos, homo-sapiens, etc. No entanto, a situação que o Daniel oportunamente foca, nada tem em comum, pois respeita exclusivamente à sociedade humana que se chama civilização em todas as suas facetas e diversidade.

    [Responder]

  112. 112 112  Alexandre

    Nuno, são tudo facetas da mesma realidade – a busca de melhores condições de sobrevivência para a propagação da espécie. A única diferença entre “eles” e “nós” é a passagem do tempo e outros valores morais e sociais, transitórios, todos eles.

    [Responder]

  113. 113 113  Madalena Madeira

    As migrações podem agravar ou melhorar o choque de civilizações ( ocidente/islão)?

    A questão + grave e + chocante para os ocidentais não será a questão de género?! e os islâmicos não se sentirão ameaçados com a possibilidade das suas mulheres adquirirem os mesmos direitos das mulheres ocidentais?

    Ora vejamos,
    MITO
    “Os direitos das mulheres no mundo árabe agora são protegidos”.

    FATO
    Na maioria dos países árabes, a Sharia, ou lei islâmica, define as regras do
    comportamento social tradicional. Segundo essa lei, cabe às mulheres um
    papel inferior ao do homem e são, portanto, discriminadas em seus direitos e
    liberdades individuais.

    Daniel Pipes, especialista em Oriente Médio, explica: “Na visão islâmica, a
    sexualidade da mulher é vista como tão poderosa que constitui um perigo
    real à sociedade”. Portanto, mulheres livres constituem “o desafio mais perigoso
    enfrentado pelos homens que buscam cumprir os mandamentos de Deus”.

    Combinados, “os desejos femininos e seus irresistíveis atrativos dão às
    mulheres um poder sobre os homens que rivaliza com o de Deus”.2

    “Deixados à própria sorte”, continua Pipes, “os homens bem poderiam ser
    vítimas das mulheres e abandonarem Deus”, o que resultaria em desordem
    civil entre os crentes. No pensamento tradicional, destaca Pipes, as mulheres
    representam uma ameaça interna à sociedade islâmica semelhante àquela
    externa representada pelo infiel. Tradicionalmente, a mulher árabe casa-se
    cedo com um homem escolhido por seu pai. Um marido tem o direito de se
    divorciar a qualquer momento, mesmo contra a vontade da esposa, por meio
    de uma simples declaração de que é a sua intenção.

    Embora a imagem da mulher com direitos iguais venha se desenvolvendo,
    ainda que lentamente, em alguns países árabes mais seculares, isso permanece
    confinado aos centros urbanos e círculos da classe alta. A mutilação
    sexual ainda é comum nas zonas rurais do Egito, da Líbia, de Omã e do Iêmen.

    Além disso, leis que restringem os direitos das mulheres vigoram em praticamente
    todos os países árabes. Na Síria, um marido pode impedir sua esposa de
    deixar o país. No Egito, no Iraque, na Líbia, na Jordânia, em Marrocos, em Omã
    e no Iêmen, as mulheres casadas precisam da permissão por escrito de seus
    maridos para viajar ao exterior e podem ser impedidas por uma razão qualquer.
    Na Arábia Saudita, as mulheres precisam obter uma permissão por escrito do
    parente masculino mais próximo para sair do país ou viajar em transporte
    público pelas diferentes partes do reino.

    Segundo as Nações Unidas, “o uso da capacidade das mulheres árabes na
    participação econômica e política continua sendo o mais baixo do mundo
    em termos quantitativos (…) Em alguns países com assembléias nacionais
    eleitas, ainda é negado às mulheres o direito a voto ou de ocupar cargos.
    Uma em cada duas mulheres árabes não sabe ler nem escrever”.3

    Num tribunal da Sharia saudita, o testemunho de um homem equivale ao de
    duas mulheres. No Kuwait, a população masculina pode votar, mas as
    mulheres não. Egito, Marrocos, Jordânia e Arábia Saudita têm leis estabelecendo
    que a herança de uma mulher deve ser menor do que a de seus irmãos
    homens (em geral, por volta da metade do valor). As leis marroquinas perdoam
    o assassinato ou a violência contra uma esposa surpreendida cometendo
    adultério; entretanto, mulheres que agridem seus maridos pegos nas mesmas
    circunstâncias são punidas.

    Agredir a esposa é uma prática relativamente comum nos países árabes e as
    mulheres maltratadas contam com poucos recursos. O Departamento de
    Estado dos EUA vem destacando em relação à Jordânia (e na maior parte do
    mundo árabe) que “agredir a esposa é, tecnicamente, motivo de divórcio,
    porém o marido pode tentar demonstrar que tem o respaldo do Corão para
    agredir com o intuito de corrigir (a conduta de) uma esposa desobediente ou
    não-religiosa”.4

    Na Arábia Saudita, as restrições contra mulheres estão entre as mais extremas
    do mundo árabe. As mulheres sauditas não podem se casar com não-sauditas
    sem permissão do governo (raramente fornecida); são proibidas de dirigir
    veículos motorizados ou bicicletas; não podem usar banheiros públicos
    quando há homens por perto; e são obrigadas a se sentar na parte de trás dos
    ônibus públicos, separadas dos homens. Na Universidade Rei Saud, de Riad,
    os professores lecionam em salas para homens enquanto as mulheres
    assistem às aulas por circuito fechado de TV, em salas distantes.5 As “colunas
    de aconselhamento (islâmico)” na imprensa da Arábia Saudita recomendam
    o rígido controle disciplinar das mulheres como parte de um casamento
    adequado. Elas devem cobrir todo o corpo e o rosto em público e as que não
    o fazem estão sujeitas a castigo físico por parte da polícia religiosa saudita,
    conhecida como Mutaauín. Os sauditas estendem seu tratamento discriminatório
    às mulheres até mesmo no exterior. Por exemplo, durante uma visita
    do príncipe Abdula aos Estados Unidos, seus ajudantes exigiram que nenhuma
    mulher fosse admitida na sala de controle de tráfego aéreo que monitorou
    seu vôo ao Texas, para uma reunião com o presidente Bush. Eles também
    exigiram que nenhuma mulher recebesse permissão para estar na pista do
    aeroporto onde estivesse o avião.6

    A ONU, organizações internacionais e ONGs de direitos humanos locais
    pressionam constantemente os regimes dos países árabes a melhorar o estado
    dos direitos humanos em geral e os das mulheres em particular. Segundo
    dados da ONU, a proporção de representantes do sexo feminino nos parlamentos
    árabes é de apenas 3,4% (em comparação com 11,4% no resto do
    mundo). Além disso, 55% das mulheres árabes são analfabetas. Angela
    King, assistente do vice-secretário-geral das Nações Unidas, convocou
    publicamente os países árabes a garantir às mulheres os seus direitos.

    Os regimes árabes encontram diversas maneiras de lidar com a pressão
    internacional por melhorias nos direitos das mulheres. Em geral, preferem
    apresentar suaves mudanças a aplicar reformas radicais que poderiam
    contradizer suas ideologias e se contrapor aos elementos conservadores
    dentro do país.

    Mais informação:

    http://israelxxpalestina.blogspot.com/2007/08/16-os-direitos-humanos-nos-pases-ases.html

    [Responder]

  114. 114 114  Euroliberal

    Madalena Madeira:

    As mulheres muçulmanas prezam acima de tudo a coesão e os valores familiares, ao contrário da ideologia decadente do putedo feminista ocidental, reduzido à solidão, à frustação amorosa e sexual e ao decréscimo da maternidade. A violência de género é muito superior no ocidente (em Portugal em 2008: 40 mulheres assasinadas por maridos ou companheiros e milhares espancadas).

    A “liberdade” de pôr ao léu em público a celulite da peidola ou das alcatras não é um valor na sociedade islâmica, onde as mulheres são mais respeitadas e mais protegidas e são globalmente muito mais felizes, tal como em geral as mulheres de todo o mundo não ocidental.

    Por isso é que há cada vez mais homens ocidentais a preferirem mulheres não ocidentais… porque estas ainda gostam de ser mulheres e dão o devido valor a um marido cumpridor.

    Por mim, o putedo feminista podia emigrar todo para África e ser substituido por mulheres-mesmo-mulheres do Leste, da América Latina, do Médio Oriente… e se nem lá as quiserem, olhem… MONTEM-SE NUM PORCO.

    [Responder]

  115. 115 115  Isabel Coutinho

    Alexandre,

    O seu texto sobre o homem pré-histórico, tem interesse e, sobretudo, está correcto (o que é raro aqui).
    Mas o origem genética não é o que está em causa – a maioria dos povos europeus são arianos. O que interessa é o protótipo de civilização que aqui se desenvolveu.

    A civilização europeia, quer queiram quer não os senhores de Bruxelas, é herdeira nas culturas greco-romana e judaico-cristã (note-se que estas duas religiões são de origem oriental).
    Dos gregos herdámos o espírito filosófico, dos romanos o prático, do judaico-cristianismo, o ético.
    A nossa civilização, embora com elementos herdados de outras, foi-se desenvolvendo a afirmou-se entre os séc. VI-V a.C e os séc. IV e VI da nossa era, conjugando esses três elementos. Estendeu-se do Atlântico aos Urais e mais tarde, através dos europeus, às duas Américas e à Austrália. É verdade que chegou aos confins do Mundo onde apenas deixou a sua marca.)

    Outras civilizações se desenvolveram noutras partes do mundo, sobretudo na Ásia (Índia e China) que, não sendo melhores nem piores, são radicalmente diferentes.
    A África é, neste aspecto uma excepção onde apenas na orla mediterrânica se desenvolveram civilizações dignas desse nome.

    No séc. VII d.C contudo, uma religião, surgida na Arábia e também de base judaico-cristã – o Islamismo – veio sobrepor-se ao que restava dessas civilizações, expandindo-se em menos de um século por todo o norte de África e ocidente da Ásia, chegando a penetrar na Europa através da Península Ibérica (onde acabou por ser expulsa ou absorvida). Todos os países, culturas e religiões onde o islamismo se instalou – quase sempre pelas armas – foram arrasadas e arabizadas, impondo-se o Islão como único elemento civilizacional.
    A civilização árabe que chegou a ser brilhante em determinado período da sua história, não conseguiu também resistir a essa força dominante que é o islamismo.
    A religião islâmica subjugou todo e qualquer outro domínio civilizacional (instituições, etc.), independentemente dos povos ou na etnias preexistentes, impedindo o desenvolvimento harmónico de uma verdadeira civilização. Tudo passou a ser religião ou subordinado a ela. Daí a errada identificação de muçulmanos com árabes: porque foram os árabes que a vincularam e impuseram (nenhuma religião no mundo foi e é tão impositiva e exclusivista).

    Ora, é isso mesmo que a Europa teme: que a tolerância europeia seja o agente da sua própria morte. E é isso que está na base da sua reacção à emigração africana: romenos, eslovacos, ou búlgaros, são europeus. Marroquinos, líbios, sírios, eritreus ou paquistaneses não são. O que não seria um problema se não arrastassem consigo esse elemento anti-civilizacional que é o Islão. O Islão dos suicidas, dos terroristas e dos bombistas, que é o Islão arabizado, venha ou não da Arábia Saudita. E de uma religião que não se limitam a praticar mas que querem impor.

    Porque será que, apesar de todas as meias-palavras e meias-promessas, no fundo ninguém quer a Turquia (mesmo a moderna) na União Europeia? Por muitas vantagens económicas e estratégicas que isso pudesse trazer-lhe?

    Sejamos francos, por uma vez: alguém terá de dizer que o rei vai nu.

    Deixemo-nos pois de genes, etnias ou cores da pele. O que está em causa é a nossa civilização. Que temos todo o direito a defender.

    [Responder]

  116. 116 116  Tiago Matos Ferreira

    Sem imaginar soluçoes para o problema/soluçao aqui debatido, uma imigraçao s/ direitos, s/ integraçao, e uma segurança social sem a contribuiçao de trabalhadores imigrantes, sabemos bem a quem interessa. Numa Europa dita dos direitos humanos, onde cresce a discriminaçao, onde se criam ministerios da imigraçao e identidade nacional, onde se criminaliza, onde se exigem provas de ADN para reunificar familias de imigrantes certamente que ´e uma politica com a marca de segregaçao politica, religiosa e racial.
    Tem que se encontrar soluçoes, nao vai la com textos bem elaborados, mas ´e este o caminho correcto?

    [Responder]

  117. 117 117  Madalena Madeira

    Euroliberal ,

    Pelo discurso vulgar e ordinário (” putedo feminista ocidental”; “liberdade” de pôr ao léu em público a celulite da peidola ou das alcatras ;Por mim, o putedo feminista podia emigrar todo para África e ser substituido por mulheres-mesmo-mulheres do Leste, da América Latina, do Médio Oriente… e se nem lá as quiserem, olhem… MONTEM-SE NUM PORCO.),
    que o srº. utilizou aqui neste blogue ( que ainda me parece sério), só posso concluir que que se trate , pois o sr.º está mentalmente doente( foi nitidamente traido por uma mulher! Daí a sua raiva toda, em relação às mesmas.Acontece a muitos).

    Tenha vergonha na cara!. Já viu se alguém utilizasse esse tipo de palavriado ( que utilizou) em relação à sua mãe, ou à sua filha ou à sua mulher?Gostava?

    [Responder]

  118. 118 118  Duarte Sousa

    #Madalena Madeira

    O Euroliberal é apenas mais um daqueles meninos ignorantes de classe média, armados em guerreiros do teclado e que delira com a causa jihadista. É para ele uma fantasia heróica. No entanto, para além de lhe faltarem os cojones para agir como um verdadeiro jihadista é também daqueles que se fartam de consumir produtos norte-americanos e israelitas, e que portanto, continua a contribuir para o reforço da Economia dos EUA e Israel, sem dar por isso.

    [Responder]

  119. 119 119  Euroliberal

    Madalena Madeira,

    O tom que utilizei é o adequado para responder a uma islamófoba que propaga estafados preconceitos de origem nazi-sionista para justificar o islamocidio cruzado começado em 1948 no Médio Oriente. Eu trato a escumalha colaboracionista nazi-sionista comme il faut…

    Segundo as feminazis, o critério fundamental, para escolher o lado da barricada, são os pretensos “direitos da mulher”, na versão decadente do putedo feminista ocidental…

    Logo os muçulmanos são o eixo do mal para as feminazis, e justificar-se-ia o islamocídio em curso no Médio Oriente que só no Iraque desde 1990 vitimou 2 milhões de iraquianos…Um terço dos quais mulheres e crianças…

    É este o tipo de “direitos” que o putedo feminista neoconeiro defende: centenas de milhares de mulheres chacinadas, por terem a religião errada, porque se obstinam em usar véu e em não se despirem publicamente como as badalhocas feministas…que deveriam ser o seu modelo.

    [Responder]

  120. 120 120  Madalena Madeira

    Euroliberal ,

    Não sou nazi, nem fascista, nem islamofóbica!, nem jamais o afirmei que era, nem aqui , nem em lugar algum.
    A linguagem agressiva, ordinária e provocatória que continua a utilizar neste blogue leva-me, mais uma vez , a crer que precisa URGENTEMENTE de tratamento psiquiátrico,
    Faça um favor a si mesmo: TRATE-SE e deixe esse ódio todo sair.

    [Responder]

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