
Cavaco Silva só pode dissolver o Parlamento no princípio de Abril, passados no mínimo seis meses das eleições (Artigo 172.º da CRP). Mais um mês e meio a dois meses para as eleições, estamos em finais de Maio, princípios de Junho. Isto se fosse tudo rápido. E depois a formação de governo. Quem ficaria dono e senhor da situação nos próximos quatro ou cinco meses? Pois, ele mesmo.
É que vou já a correr manifestar-me com a malta do PSD e do CDS para entregar o país ao senhor Silva enquanto não pode haver eleições. Temos que estar todos juntos, não é? Não é altura para dividir as hostes, pois não? Isto é política, não é o “Live Aid”. Quero Sócrates bem longe. Mas pela mão do povo e nunca para entregar o poder ao Presidente. O que eles querem sei eu: para nos safarmos, como queremos, de Sócrates, juntarmos os trapinhos por um dia numa união nacional que acabe a prestar vassalagem ao Nosso Senhor de Boliqueime e à promessa de um governo de tecnocratas que ponha isto tudo na ordem. Não é o sectarismo que me move. É mesmo contrariando a cegueira do sectarismo do momento que não me meto em atalhos guiado por quem sei exactamente onde me quer levar, só porque é inimigo do meu inimigo. Em tempos de crise, a esquerda já experimentou várias vezes estas estranhas convergências. Correu sempre muito mal.
38 comentários 9 Fev 10 em Sem categoria38 respostas ao post “Nós somos um rio que não vai parar”
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“Nós somos um rio que não vai parar”
Nós, quem?
Não se compreende o silêncio dos partidos face à gravidade institucional que a publicação dos despachos do procurador João Marques Vidal e juiz de Instrução António Costa Gomes depois das investigações conduzidas pelo inspector da polícia judiciária Teófilo Santiago, sobre o manifesto “indício” de crime de atentado ao estado de direito praticado pelo primeiro-ministro José Sócrates.
Um dos fundamentos da Democracia – a liberdade de expressão – é posto em causa da forma mais torpe e descarada e, perante “indícios” tão claros, os partidos políticos balbuciam a medo palavras de circunstância como se de uma banalidade se tratasse.
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Tal e qual. Querem fazer-nos crer que basta trocar o PS pelo PSD – ou, na sua versão, pelo Presidente da República – para que tudo fique bem. Há 5 anos vi um filme semelhante: bastava trocar o PSD pelo PS e tudo ficaria bem. Eu até tive alguma esperança; viu-se o resultado.
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Há outra solução: o PS escolher outro primeiro ministro.
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Inacreditável….. o Homem pode ter atentado contra o Estado de Direito, pode ter levado empresas privadas a agir conforme os seus interesses(uma espécie de corrupção ao contrário), pode ter censurado jornalistas, isto já para não falar de um conjunto de casos menos claros sobre dinheiros, casas, outlets ou universidades….
Mas exigir a demissão dele é que não.
Se o homem fosse de direita, perdão de um partido de direita, e se a conjuntura política fosse diferente (leia-se se o presidente fosse de esquerda) então tudo bem… É que isto das convicções é muito bonito, mas não podemos perder de vista a “big picture”.
Por meu lado que me considero mais de direita que de esquerda, considero inaceitável que um primeiro ministro seja suspeito(suspeitas fundadas) de metade das coisas que sócrates é acusado.
Princípios são princípios, não são condicionáveis.
Embora não concorde com a maioria do que diz, tinha-o noutra conta
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O que nos vale é o Daniel estar atento e saber o que “eles” querem. Sim, que ao Daniel ninguém engana!
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 12:46
Estes não enganam, com toda a certeza.
O grande ideal da Esquerda é a disseminação da pobreza – chamam-lhe luta contra as desigualdades – é por isso natural o medo de que o poder lhes fuja das mãos. Desenvolver o país e criar riqueza, reduz o eleitorado que a mantém no poder.
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Como sou sportingista desconfio por princípio das boas intenções dos benfiquistas, por isso não vou com eles à bola.
Clubismo puro.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 12:49
João, eu não desconfio. Percebo quais são. E são legitimas. Não são é as minhas.
A Reacção é o Sr. Oliveira. Acha-se mesmo um revolucionário?
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 12:58
Não.
Com tanta desconfiança e tanto desalento para com a classe política governante, Cavaco Silva salta para a ribalta, empunhando a bandeira da estabilidade e da bem-aventurança. Aparece como o paladino da democracia, num momento em que tantas vozes de levantam contra os atentados perpetrados contra a sua essência.
Cavaco personifica a salvação da pátria, o D. Sebastião dos desiludidos com o denso nevoeiro que paira sobre São Bento.
Será ele o timoneiro de que o país precisa?
Será para ele que o povo se vai virar em busca da tão ansiada estabilidade?
Estará Cavaco, tal como Putin, a preparar-se para se suceder a si mesmo?
Se isso acontecer, só terá que agradecer à errática e titubeante política de Sócrates, se é que alguém pode agradecer a um político que não soube capitalizar a simpatia e o respeito dos portugueses.
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Dazulpintado:
Disseminar a pobreza não é um projecto de esquerda, mas de direita. Um dos grandes pensadores políticos da direita, Jeremy Bentham, chegou mesmo a afirmar que a principal função do Estado era manter a grande massa da população ao nível da subsistência mínima, de modo que fosse forçada a trabalhar por qualquer preço e impedida de se meter em política. Tomara eu que os seus sucessores, que pensam exactamente o mesmo, tivessem a franqueza de ser igualmente explícitos.
E a riqueza não se cria, produz-se. A ideia de que ela se cria foi precisamente o que nos meteu no sarilho em que estamos. Quantas vezes é preciso repetir isto? Nem com a crise aprendem?!
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Há minutos, pela mão da Sic, “assassínio de carácter”, queixa-se Sócrates.
Mas, pergunto eu que nada percebo disto, como se mata o que não existe?
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Nem de propósito: depois de escrever o comentário acima, li no “Ladrôes de Bicicletas” este post em que se mostra que o economista Vítor Bento, novo Conselheiro de Estado, é afinal um seguidor razoavelmente explícito de Jeremy Bentham e acha como ele que a pobreza dos trabalhadores é condição indispensável para a riqueza do País.
Já demos para esse peditório no tempo de Salazar. Não nos vão comer por lorpas outra vez.
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Jose Ferrafa Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 14:53
Ele, pela voz do Bissaia Barreto, dizia que um trabalhador não necessitava mais do que uma fatia de pão, uma sardinha e 4 azeitonas para se governar…
Antónimo Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 15:53
João Duque, um dos repetentes convidados do Mário Crespo no Plano Inclinado, é um economista que defende que o desemprego tem de subir mais para partir a coluna aos trabalhadores.
Mas também deve estar pela liberdade de expressão.
Daniel, essas justificações estão cada vez mais esfarrapadas.
Quando a coisa tá mal, ahh e tal o presidente da republica. Agora, já não quer entregar o poder ao sr de boliqueime. ehehehe
Sabe que é o PR que convida um partido a formar governo, não sabe ? Sabe que ele é o único que pode dissolver o governo ?
O Santana Lopes deve estar rir-se que nem um perdido.
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A solução transitória para isto é o País começar a ser governado pelos Directores Gerais: 6 pelo PCP,(cada um torce pelos seus) 5 pelo BE (linha F.Louçã), 1 pelo PS (para distribuir a papelada)1 pelo PSD e 1 CDS como acessores. Depois, o PS vai bugiar aproveitando o bugio para se emolar, o PSD vai mandar bugiar os seus próprios militantes que lhe fazem oposição e o CDS vai fazer assédio ao Freitas, do género, volta que andas arredio!!!
Nota: Abaixo o assédio moral que o PS e seu governo faz aos cidadãos deste País !!!
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era uma boa frase para a futura campanha do rio rio. assim, ardeu (para ele).
mas o cerne de toda esta justa indignação popular está nos ataques do sócrates à liberdade de expressão, embora reconheçamos, sem que isso justifique a sua atitude, que se dirige àqueles que o atacam pessoalmente.
o homem não se contém, está visto, e lixou-se por isso. fizesse como o queirós, que está visto que resulta e não utilizou as influências que o cargo lhe proporciona.
mas a solução para garantir a liberdade de expressão, esteja quem estiver no poder, é só uma: iMONIZá-la.
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Oh A. Cunha
O Santana Lopes ri-se de qualquer anedota ordinária que lhe contem lá no tasco.
(Mas atenção, só tascos que vendam whisky)
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Convém, portanto, manter a aliança entre políticos, banqueiros e capitalistas amigos?
Já agora, o que pensa relativamente à questão da coerência?
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O Daniel já escreveu muita coisa ridícula neste blog, mas desta vez utrapassa todos os limites. É claro que a malta do PCP, PSD e CDS não querem entregar o poder ao Cavaco Silva. Mesmo que o quisessem tal não seria possível dado que o Presidente não tem poder legislativo. A dar-se a queda de Sócrates, aconteceria simplesmente que o PS substituiria o Primeiro Ministro ou com menor probabilidade, seriam marcadas novas eleições. Eu não acredito que o próprio Daniel acredite na patetice que acabou de escrever.
O que fica aqui claro é que o Daniel (e o seu partido) rege a sua postura por um jogo mesquinho de interesses e não por uma questão de princípios. Em vez de fantasiar que o Cavaco se vai tornar numa espécie de Fuhrer, o Daniel devia explicar é porque razão o BE é o único partido da oposição tão meiguinho com Sócrates. Isso é que os seus leitores gostariam de saber, se bem que a sua tese lunática também não está mal, se vista sob um prisma humorístico.
Aproveito para felicitar o Bruno que acabou por ser a única pessoa coerente neste blog.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 17:18
A malta do PCP são duas pessoas, suponho. Garanto-lhe que o PCP, com tudo o que lhe possa criticar, nunca se meteu nestas alhadas. Nunca se manifestou com a direita.
José Luiz Sarmento.
Sabe, na prática a teoria é outra.
Já ouviu a frase “ quanto mais produz mais perde”, especialmente relacionada com cooperativas e afins? Decerto que sim.
Fazendo fé no que diz, então deve ter uma explicação para o facto de, sendo Portugal um país onde a esquerda é maioritária 25 anos em 35, a pobreza não ter parado de aumentar.
Onde estão então os empreendedores nessa esquerda maioritária, talentosos criadores de riqueza, generosos nos salários, exemplos de sucesso para todos nós? Já sei, só se manifestam quando chegam ao poder, porque brincar ao monopólio com dinheiro usurpado é muito fácil . No mundo real, arriscando o seu próprio dinheiro, a coisa fia mais fino.
A esquerda é como algumas ONGs. Precisam de catástrofes que justifiquem a sua existência.
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José Luiz Sarmento Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 18:47
Tem razão, Dazulpintado: a teoria é uma coisa e a prática é outra. Por exemplo: em teoria, a esquerda foi maioritária 25 anos em trinta e cinco; mas na prática nunca mais deixámos de ser governados à direita (e trata-se duma direita radical) desde que o Mário Soares meteu o Socialismo na gaveta. É isto, e não uma imaginária hegemonia da esquerda, que explica o aumento da pobreza e da desigualdade em Portugal.
Vicente de Lisboa Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 21:24
Deveras Caro José Luiz Sarmento, o PS não é um verdadeiro Escocês
Boa tarde, posso fazer-lhe uma pergunta sincera Sff Sr Daniel?
tendo de escolher um de dois cenários…preferia Sócrates como Pm ou MFL?
É que a sua resposta pode indiciar muita coisa…e agradecia, caso queira responder, sinceridade…
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António Cunha Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 17:51
ó Frederico
Essa é que é a pergunta dos 500 milhões.
Tal como os adeptos do fcp não se importam de ter um presidente corrupto, aldrabão, mentiroso e sei lá mais o quê, os xuxalistas também querem manter o Pinocrates no poder a todo o custo.
Mas deixe lá, aposto consigo que muitos benfiquistas e sportinguistas não se importariam de ter o pinto rei como presidente.
Do mesmo modo que muitos psd’s não se importariam de trocar a Manela pelo pinto de sousa
Pedro Frederico Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 18:19
Boa tarde Sr António, não sou psd nem sou nada, até poderia escandalizar alguns (inclusivé o autor do post) se dissesse que já votei em todos (ou quase) não tenho problemas nem cores, mas gosto do meu país e acho que fiz uma pergunta pertinente…eu não tapo caras antes de votar, nem consulto directivas partidárias nem nada, mas penso antes de faze-lo….
PS sou do FCP e importo-me em ter um presidente corrupto, apesar de não condenado não sou burro e sei juntar 2+2…
Ps: percebe-se porque alguma esquerda é chamada “caviar”…o interesse do país tem cor política? eu não tenho e manifestaria-me em qq lado e ao lado de qq pessoa caso o assunto fosse de superior interesse nacional…para alguns as bandeiras partidárias, o caviar na mesa, importa mais que a ética e a verdade…tenho dito e passe bem… porque o esturjão passa mal e vai piorar…
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António Cunha Reply:
Fevereiro 9th, 2010 at 18:23
Para a malta Caviar este problema coloca 1 pergunta:
É mais importante ser do contra ou estar contra Socrates ?
Eu pensava que uma manifestação que tem como objectivo demonstrar apoio á liberdade de imprensa teria o apoio de tudo o que é democrático, sem olhar a esquerda ou direita…Não li nada no manifesto que implique outra coisa que não isso…se calhar este blog não é tão democratico como se quer fazer…
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Essa do “Nosso Senhor do Boliqueime” soou-me algo snob. Se ele fosse do Bairro Alto, não diria concerteza “nosso senhor do Bairro Alto”. Mas ser de Boliqueime, uma terreola perdida no Algarve…aptece mesmo gozar, não é?
Não é muito cool ser de Boliqueime, azar, nem todos nascemos nalgum bairro fancy Lisboeta. Mas não se deve gozar com ninguém por causa disso, devia limita-se a criticá-lo enquanto presidente.
Por essas e por outras ´que se chama ao BE esquerda caviar.
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Não percebo toda esta pressa em fazer eleições. Aquilo que está nas escutas é uma revelação, mas as várias movimentações nos meios de comunicação social, desde que Sócrates chegou ao poder, tornavam evidente uma interferência ilegítima na comunicação social. Será que há tanta gente ingénua?. Henrique Monteiro escreve hoje no site do Expresso um excelente artigo sobre o assunto. Está lá tudo.
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