Existisse em Portugal uma direita digna desse nome e estaríamos a debater o défice, o endividamento público, o peso do Estado na economia e o papel dos privados no combate ao desemprego. Estaríamos a discutir o conselho do FMI para reduzirmos os salários dos nossos trabalhadores para aumentar a competitividade.
Fossem os partidos à esquerda do PS vistos como verdadeiras alternativas de poder e o país estaria a discutir se queremos o modelo sueco, finlandês e dinamarquês, que aposta em mais receitas fiscais e mais despesa pública, ou o modelo romeno, búlgaro e lituano, que prefere um Estado magro nas receitas e nos gastos. Estaríamos a discutir políticas públicas de emprego e a discutir se o nosso problema é termos salários demasiado altos para as nossas possibilidades ou termos a sociedade mais desigual de toda Europa em que apenas alguns vivem muito acima das nossas possibilidades.
Estivesse o PS interessado em governar e estaria a explicar porque reduz o investimento público quando fez dele o seu cavalo de batalha e como podem as grandes obras criar emprego agora.
Houvesse políticos neste país e cidadãos interessados na política e o debate sobre o Orçamento do Estado seria o momento alto da democracia parlamentar.
Houvesse jornalismo empenhado nessa democracia e estaria o país a tentar compreender o que está por de trás dos números do Orçamento do Estado, para além de frases feitas em economês e as verdades lapidares que disfarçam cartilhas ideológicas.
Como nada disto se passa, resta o escândalo e as conversas de restaurante. Sem líder e sem norte, a direita põe as suas esperanças em Mário Crespo, como as pôs em José Manuel Fernandes ou Manuela Moura Guedes. Sem compostura e sem ideias, o PS entretém-se a tentar calar jornalistas e colunistas. Sem horizonte de poder, o resto da esquerda não consegue fazer passar o seu discurso no meio do burburinho da espuma dos dias.
O que é relevante é nota de rodapé. O que é acessório está no centro do debate. É este o nosso défice democrático. Porque falta o confronto político com alternativas claras, sobra a arrogância infantil de José Sócrates e o nulo absoluto em que se transformou o PSD.
Publicado em stereo no Expresso Online.
48 comentários 3 Fev 10 em Sem categoria


“Fossem os partidos à esquerda do PS vistos como verdadeiras alternativas de poder e o país estaria a discutir se queremos o modelo sueco, finlandês e dinamarquês, que aposta em mais receitas fiscais e mais despesa pública, ou o modelo romeno, búlgaro e lituano, que prefere um Estado magro nas receitas e nos gastos”
Havia maneiras mais discretas de lhes chamar nomes…
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Excelente texto, Daniel. 100% de acordo.
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“Fossem os partidos à esquerda do PS vistos como verdadeiras alternativas de poder e o país estaria a discutir se queremos o modelo sueco, finlandês e dinamarquês,” MENTIRA. Esses modelos nada têm com o BE nem PC. Pobre (de cor) Volvo, Nokia, Lego, Skanska, AVK, Ikea, Saab…etc se estivessem num Estado nas mãos do afinador de máquinas Jerónimo de Sousa ou do Doutor Anacleto Louçã, é como diz o Belmiro de Azevedo “mentir com todos os dentes”. Talvez por isso não sejam vistos como “verdadeiras alternativas de poder”.
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Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 16:08
A direita está incomodada com o BE?
Libertário Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 19:28
Eu diria mais, o crescimento salarial nos países referidos pelo Daniel Oliveira (Roménia, Lituânia etc.) tem sido superior a 20% anualmente durante a ultima década. Acho que ele se devia informar melhor.
Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 20:22
Talvez o facto de virem da quase miséria ajude a explicar esse facto.
Libertário Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:08
Daniel, de qualquer forma a Lituânia e Roménia têm uma coisa em comum com os países nórdicos que também menciona no post: Um peso do estado sobre o PIB menor que o Português.
Muito gostam os senhores de insistir nas comparaçoes com os escandinavos…. Menos mal, podiam ter-se lembrado de seguir os metodos laborais japoneses. Olhe, nao china tambem tem havido grande crescimento.
É com cada absurdo…
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….Ja agora. Partido a esquerda? Como diz o minhoto e bem, esta a falar do PC e do BE? Na escandinavia? Nem o Daniel acredita no que escreve….
A direita em Portugal pode não ser grande coisa, mas com a graça de Deus a esquerda do PS nem alternativa é.
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Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 16:55
LVá ver quem faz governo actualmente na Noruega.
O PS tem um problema e grave…meteu o Socialismo na gaveta faz tempo e começou a roçar-se no Liberalismo sem saber muito bem o que isso era. Já nem regressar a casa consegue mais…deu demasiado nas vistas.
O Bloco de Esquerda já lhe ocupou o espaço definitivamente.
Não fique zangado.
Henrique Morais Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 17:27
LIberalismo? Com mais de 60% da populaçao dependente do estado e o estado metido em tudo que é grande empresa privada… Nao é que perceba muito do assunto, mas isto não se parece nada com liberalismo.
Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 21:00
Henrique
É o eterno problema dos Liberais: não podem acabar com o publico de uma vez só!
Mas sempre se vai arranjando qualquer coisa para eles, especialmente endividar o estado durante décadas com parcerias.
è a herança Liberal para os meus netos: DIVIDAS para pagar.
E já agora… se existisse em Portugal um P.S. que fosse P.S.
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Cecília Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:22
Tal e qual.
Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:28
isagt
curtas e boas!
cafc Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 12:50
Cara isagt
Completamente de acordo. Mas, porém, contudo e todavia…
Mas, PS é PS (enquanto sigla). O significado pode ser diferente. No princípio, era Partdo Socialista.
Porém, quando o Socialismo foi “metido na gaveta”, passou a significar Partido Soarista. Provavelmente, a sigla até poderia passar a PSG (Partido Socialista na Gaveta). Isso só não terá acontecido porque, o “mon ami Mitrand” não era adepto do PSG (Paris Saint-Germain).
Contudo, o tempo foi passando. O Socialismo (do PS) nunca mais foi encontrado. Creio que nem o Indiana Jones seria capaz de tal “feito”.
Todavia, PS ganhou um novo significado. Partido do Sócrates que, durante uma legislatura, foi o Partido Sózinho a (des)governar o País. Agora, está a transformar-se no Partido Solitário.
Minha amiga, vamos aguardar pelos próximos episódios. Até lá, parabéns pelo seu extraordinário comentário e, como uma vez escreveu o Rui F, um abraço fraterno.
É um verdadeiro prazer ler iluminados como o Daniel Oliveira. Porque a esquerda do PS se deve guiar por modelos suecos, finlandeses, porque o Daniel Oliveira acha que sim, porque está maravilhado, ainda a digerir aquela coisa chama social-democracia. Ainda estou para compreender porque esteve o Daniel Oliveira dentro do PCP. Geralmente é o contrário, as pessoas preferem coisinhas mais brandas enquanto ainda acreditam que o Capitalismo pode ser derrotado por essa terceira via, e mais tarde compreendem que a social-democracia (isto é, o PS, em Portugal) acaba por ceder aos interesses do Capital. O Daniel Oliveira é aquela personagem da “Esquerda Possível” graças à qual o que resta de irreverência ao Bloco de Esquerda acabará por se desvanecer. Não admira que seja acarinhado na imprensa.
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Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 17:07
O PS em Portugal é uma espécie de social democracia. Um arremedo.
O PS não só cedeu aos interesses do capital Liberal como se portou como um menino de coro: Os Liberais fugiram para o PS que acabou por lhes dar o sustento em cómodas PPP por muitas gerações.
o Problema é mais o PSD: vai morrendo dia a dia.
Não duvide que o unico socialismo de confiança em Portugal é o BE.
AA Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 20:38
“Compre menina compre!” Oiça o que lhe digo, quanto mais o BE crescer, mais significa que meteu o socialismo na gaveta. É tão simples quanto isso, o parlamentarismo fez o mesmo ao PS.
Já agora esse “F” é de “Faustino”, aquele tipo do BE que aclama Chavez como o novo farol do Socialismo?
Rui F Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:34
AA
Sabe qual o problema do PSD?
È ter encolhido para o PS e encolher aos poucos para o CDS. Contudo o PSD pode sempre recuperar do déficit, bastando para isso tirar mais do estado que o PS, para meter nas PPP’s a 40 anos… esas doidas pisgam-se do PS em 2 tempos.
Só o BE pode levantar actualmente em Portugal a bandeira do socialismo.
a direita portuguesa não é grande coisa e os comentadores de direita ajudam a perceber isso.
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Mais uma excelente análise. O Daniel, como cidadão do mundo que é, percebe claramente que a politiquice em Portugal não é norma no resto do mundo. Vendo os debates políticos em Portugal, percebe-se que tudo não passa de estratégia e jogos eleitorais.
Com a mais grave crise económica discute-se tudo menos política. O PSD e CDS demitem-se de apresentar alternativa e no país com maior representatividade de esquerda da Europa, o governo governa à direita.
O povo está apático, arredado de tudo. Não existe consciência cívica e o povo só sai à rua quando lhe mexem no bolso.
A juntar ao défice da economia e ao défice democrático está o défice moral que ainda causa mais danos que os outros dois.
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“e mais despesa pública, ou o modelo romeno, búlgaro e lituano, que prefere um Estado magro nas receitas e nos gastos”
Esqueceu-se de incluir o “eslovaco”, aquele país com o mesmo PIB per capita de Portugal mas que cresce 70 vezes mais.
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Grande texto. Parabéns.
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Epa Daniel assim não dá.
Nem uma coisinha para discordar de si ?
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Não está provado que Sócrates tenha tentado fazer calar colunistas estejam eles ou elas onde estiverem, agora está mais que provado que houve muito jornalista que tentou fazer calar sócrates provavelmente em espirito de obdiência a colegas e patrões lol, o chamado “caso ” da moura guedes e o agora chamado “caso” mário crespo são a prova irrefutável dessa tentativa e quanto a isso é que não há mais nada a dizer .Neste país as cousas sempre foram assim, há sempre muita gente capaz de se vender a preço baixo hehehe.
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Francamente Daniel!
Como se você não soubesse que Portugal já não é um Estado Soberano, e não soubesse que os portugueses estão bem cientes disso e marimbam-se no Orçamento porque sabem que a discussão do dito cujo já não é um momento alto de democracia, mas sim um exercício de empurra a ver quem obtém mais e melhor acesso à teta, dentro dos condicionalismos impostos pelos credores da dívida (os verdadeiros soberanos).
Como se não soubesse que os jornalistas já não são independentes e que também eles andam mais preocupados em manter o emprego do que em praticar o nobre serviço público de informar o Povo. E que não podem fazer xixi fora do penico, quanto mais levantar lebres em brasa sobre o que está por de trás dos números do Orçamento!
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cada vez mais o unico blog que vale a pena ler
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Está optima a análise, Daniel.
saudações
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Este simplismo, mais uma vez repetido, é confrangedor: “modelo sueco, finlandês e dinamarquês, que aposta em mais receitas fiscais e mais despesa pública”.
Então, para adoptarmos os modelos dos países referidos, a principal medida é aumentar a receita fiscal e a despesa pública? Fantástico.
Se fizermos o contrário, o nosso país vai-se aproximar do “romeno, búlgaro e lituano”.
Uma análise brilhante.
E que tal esta?
Cabo Verde, Angola e Timor têm o português como língua oficial.
EUA, Reino Unido e Austrália têm o inglês como língua oficial.
Daqui conclui-se que se adoptarmos o inglês como língua oficial, a nosso rendimento per capita aproxima-se do destes três países e distancia-se dos três primeiros.
Ahh, e tal, não há essa relação directa, há muitos outros factores a ter em conta. Ahh, pois, tem toda a razão.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 17:16
Não é isso que é dito. Ainda assim, deram-se dados político-economicos para falar de política e economia. E para falar de um debate permanente que é o do peso do Estado na economia. A comparação seguinte é, digamos, para ser simpáticos, absurda.
Sexta-feira, Março 18, 2005
A Carroça Volvo vai à Frente dos Bois Lusos
Anda por aí uma ideia muito inteligente. Uma ideia também compartilhada pelo nosso primeiro-ministro, o que a faz parecer ainda mais inteligente.
A ideia é que Portugal deve seguir o modelo nórdico de desenvolvimento. Ora eu acho muito bem. Parece que os nórdicos vivem melhor que os portugueses e nós por cá devemos saber imitar o que se faz bem lá fora. De más imitações já estamos fartos.
Se a ideia inteligente é mesmo para avançar, só é preciso escolher entre 3 opções de modelo a seguir. Queremos seguir o modelo nórdico inteligente finlandês, o modelo nórdico inteligente norueguês ou o modelo nórdico inteligente sueco?
Podemos escolher o modelo nórdico inteligente finlandês, até porque é o modelo nórdico inteligente que dá menos trabalho. Só teremos que fazer duas Nokias. Os finlandeses só têm uma mas eles são só 5 milhões. Nós somos mais, precisamos de duas. Este é um excelente caminho. A Nokia sozinha tem uma capitalização bolsista por cada finlandês corresponde a 80% do PIBpc de Portugal; Se juntarmos duas Nokias ao que já temos em Portugal estamos em cima dos finlandeses. Vamos nessa?
Outra opção é seguir o modelo inteligente nórdico norueguês. Claro, vamos começar por transformar os défices em superavits superiores a 10% ao ano, mas dava-nos algum jeito termos petróleo. É que as exportações de petróleo da Noruega em 2005 correspondem a mais de metade do rendimento de cada português. Eu gosto deste, até porque a gasolina está cara e nós por cá temos poucas barragens para produzir energia. É óbvio que se apostarmos inteligentemente no petróleo, em três tempos pedimos meças a meio mundo.
Temos uma terceira alternativa. O modelo nórdico inteligente sueco. Este também é muito fácil. Só temos que fazer 3.000 empresas competitivas. Claro, teremos que ter as nossas versões da Volvo, Ikea, H&M, Atlas Copco, Astra Zéneca, Saab, Alfa Laval, Stora Enso, Ericsson, ABB, Electrolux… As casas não se começam pelo telhado. É verdade que quase todas estas empresas começaram há muitos, muitos anos, mas com o choque tecnológico a gente chega lá num instante.
Agora é só escolher. 1,2 e 3, pick one!
Que felicidade para nós, portugueses, ter estes modelos nórdicos inteligentes à nossa disposição. Já imaginaram o que seria começarmos por copiar as despesas públicas destes países sem antes nos preocuparmos em adaptar o modelo que criou as receitas? É que com estes ministros que temos, e com estas teorias do estado que faz tudo e dá tudo a todos, sem o modelo nórdico a funcionar, estávamos bem tramados, safa!
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Henrique Morais Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 19:01
Não vale a pena…Aqui nao se cansam das comparaçoes desde que o outro lançou os numeros magicos dos gastos publicos.
De “economia planificada” percebem eles. É so colar com cuspe e já está.
JMG Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:36
Eu tenho uma mini-Elecrolux e estou interessado em transformá-la numa concorrente do gigante sueco. Bem sei que a diferença é grande, mas, que diabo, uma empresa deve ser mais simples de gerir que um país. Como, ao que parece, importando o modelo sueco os amanhãs começam a cantar em Portugal, não seria possível importar para a minha fábrica o modelo de gestão da Electrolux? Dava-me muito jeito.
Wyrm Reply:
Fevereiro 3rd, 2010 at 23:50
jcd, então o estado sueco não sufocou a iniciativa privada? é que como é tão grande e sufocante e eles pagam tantos e tantos impostos acho estranho que tenham as tais 3000 empresas.
e consta que a saúde e a educação lá são gratuitas.
jcd Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 9:52
Wirm
Em qualquer ranking de liberdade económica, os países nórdicos (exceptuando a Noruega) estão no topo da lista. A regulação e a burocracia são incomparavelmente inferiores às nossas, o estado tem um papel de ajuda às empresas e não de bloqueio e a legislação não é feita para armadilhar a vida dos empresários. As leis laborais são flexíveis e os tribunais são rápidos. Tudo coisas que não temos. Mas mesmo assim, a carga fiscal não deixa de ser um problema. Se vires a lista das maiores empresas suecas ou finlandesas, todas elas nasceram antes do estado social. Novas empresas não conseguem vingar com facilidade. O grande sucesso nórdico das últimas décadas foram os telemóveis e grande parte desse sucesso deve-se ao avanço com que partiram. Devido à grande dimensão territorial e à pouca população, já tinham telemóveis antes dos outros e conseguiram manter a tecnologia à frente.
A Suécia já foi nº3 em PIBpc, nos anos 70, e hoje está em 25º.
Rui F Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 14:15
jcd
Tem preferencia por algum modelo?
ou tudo o que vier à rede é peixe?
ou tudo ao mólho?
nota de rodapé:
“Como nada disto se passa, resta o escândalo e as conversas de restaurante” Esqueceu-se de completar o verso : “e as recentes propostas fracturantes.”
Ou não considera que também isso é
– em grande parte – circo em vez de pão?
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“. Ainda assim, deram-se dados político-economicos para falar de política e economia.”
Sim, mas mesmo assim convém que haja alguma relação entre eles.
Na Dinamarca, Finlândia, etc, as empresas que geram grande parte da receita fiscal não dependem do Estado (por exemplo Nokia).
Uma coisa é o estado proporcionar serviços de qualidade aos cidadãos para estes poderem ter uma vida melhor, serem mais produtivos, empreendedores, etc.
Outra é o estado ser o “motor da economia”. Não resulta.
Não é por se criticar o despesismo do estado que se está directamente a criticar a despesa do estado. São coisas diferentes, como o Daniel sabe bem. Critico que pagamos demais para o que estado dá em troca. Ou se diminui o que pagamos ou o estado dá mais em troca. Agora ir pagar mais para manter inutilidades e roubos tem um limite. E estamos a chegar muito perto dele.
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Essa não é a questão essencial! Onde é que eu já ouvi isto?
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Fossemos nós menos passivos… menos medrosos… cada vez odeio mais o salazar.
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Rui F.,
Falar de liberalismo em Portugal é o mesmo que falar de democracia na Coreia do Norte. É preciso explicar-lhe porquê? Se for aconselho-o a informar-se acerca do que significa liberalismo. O Sr parece aqueles cristãos que atribuem todo mal ao Diabo e o todo o bem a Deus.
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Rui F Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 11:23
João Pedro
Isso é a história da carochinha que conta aos seus filhos?
Ou sente-se de certa forma incomodado com as parcerias PP que carregaram o país de dívidas para os seus netos?
Sabe…estou deveras preocupado com o futuro deste país
O facto de a direita em Portugal deixar muito a desejar não significa que a asfixia democrática não possa roubar espaço a outros debates. É uma boa oportunidade para “bicares” uns e outros (no que és, aliás, mestre), mas como defensor de certas liberdades não deixa de ser surpreendente. Por pouco até não sublinhavas aqueles que se recusavam a discutir o aborto ou os casamentos homossexuais “porque há problemas mais urgentes, o desemprego, etc”. A analogia não é total (nunca é, ou não era analogia), mas com certeza percebes.
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Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 2:28
Não acho o debate sobre a liberdade de expressão menor. Tanto que escrevi vários posts sobre o assunto. O que é extraordinário é como cada um destes episódios – e a questão da liberdade de expressão em Portugal é maior e mais grave do que estes episódios – se tornou a tábua de salvação de uma direita sem nada para dizer. De resto, estou cá sempre para essa luta que me diz imenso.
Resumindo: a liberdade de expressão não é uma nota de rodapé. O episódio de Mário Crespo é. O conjunto de episódios em que estamos sempre envolvidos sem nunca fazermos os debates que separam as águas são.
Daniel Oliveira Reply:
Fevereiro 4th, 2010 at 2:29
Mais: estamos num momento fundamental do debate político. O primeiro orçamento deste governo. Repito: central. E ele quase não existiu.
PS: onde está “sublinhavas” leia-se “subscrevias”.
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Caro Daniel Oliveira: na minha opinião, a questão não é bem se queremos o modelo sueco ou o modelo romeno. É que, independentemente do modelo, a economia precisa de ser revitalizada e, para tal, o Estado tem que a asfixiar menos. Haverá áreas em que é possível – e talvez até justo – recolher mais impostos mas, de forma geral, as exigências que o Estado impõe a empresas e particulares são hoje demasiado elevadas para o nível de rendimentos nacional. Depois, e de forma sustentada, podemos até construir o modelo sueco (se todas as partes – governo, empresas privadas que vivem em torno do governo, sindicatos, etc. – pensarem mais em objectivos de médio e longo prazo do que em ‘vitórias’ ou lucros imediatos). O problema é desejarmos primeiro os níveis salariais e de protecção social e só depois nos preocuparmos com as fontes de financiamento. E continuarmos a ter governos (e oposições) que insistem em apostar na despesa e no investimento público de retorno duvidoso, como se as receitas surgissem milagrosamente e não apenas na sequência de uma actividade económica saudável.
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