
Com atraso, soube que morreu um antigo camarada, o Acácio Barradas. Por vezes colérico, sempre competente e de um rigor deontológico à prova de bala, intransigente quando a regra parece favorecer a facilidade, nunca desmereceu a sua carteira profissional: a que, entre milhares, tinha o número 89. Conheci-o no principio da minha carreira como jornalista, no “Diário de Lisboa”. A última vez que o encontrei, há dois anos, foi numa livraria. Uma conversa rápida. Sentia por ele um misto de admiração e medo (aquele que se sente com vinte anos perante um jornalista que admiramos e cujo o julgamento severo pode destruir sem remédio a nossa auto-estima). Mesmo passados tantos anos, temi o pior. Felizmente a idade tinha-lhe domado não o julgamento mas o temperamento. Ou tinha apenas mais em que pensar. O encontro rápido não deu para repetir longas conversas. O Acácio era, como quase todos os jornalistas com história, um conversador com quem o tempo se ganhava. O jornalismo português perdeu um homem de carácter. E, como em todas as profissões, eles são quase sempre a excepção.
O seu funeral será no próximo sábado.
5 comentários 29 Out 08 em Sem categoria



E verdade.
Foi um grande jornalista e homem verdadeiro, daqueles sem papas na lingua e dono de grande independencia.Um espirito de excelencia.
E ficara entre nos.
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É uma vergonha o que a padralhada faz. Mais uma vez, uma pessoa, só proque foi figura pública em vida é levada para os rituais obscurantistas dessa canalha.
Fizeram o mesmo com Luiz Pacheco e com o poeta portuente Joaquim Castro Caldas, que até foi trazido para Lisboa de propósito para lhe darem uma missa.
Como é possível não haver leis que punam convenientemente quem comete estas atrocidades.
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Se a Direita Portuguesa fosse igual a Esquerda Portuguesa, estaria aqui a festejar a morte do “camarada” tal como a Esquerda festejou a morte de Haider. Felizmente do lado da Direita ha’ decencia e respeito.
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The Studio, “camarada” é o termo que os jornalistas usam para se referirem aos seus colegas. Nada tem a ver com política. A sua ignorância visitou, mais uma vez, o nosso blogue.
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