
José Saramago e Cavaco Silva nunca se admiraram um ao outro. Por causa de um obscuro subsecretário de Estado de Cavaco o escritor terá mesmo abandonado o País. Por isso, se Aníbal Cavaco Silva tivesse comparecido no funeral de José Saramago muitos diriam que se tratava de hipocrisia. Mas, ainda assim, o Presidente da República tinha de ir e aguentar com dignidade essa acusação. Porque as críticas que lhe fariam, pondo em causa o homem, deixariam intacta a instituição que ele representa. Porque quem lá estaria não seria Cavaco Silva. Seria o Presidente da República Portuguesa.
A justificação que Cavaco apresentou – não era amigo ou conhecido do escritor – e a verdadeira razão porque esteve ausente – não suporta prestar homenagem a alguém que o enfrentou – são absurdas mas reveladoras. Absurdas porque as funções de representação de um Presidente não são para os amigos. Reveladoras porque mostram que temos como Presidente da República alguém que não consegue ser maior do que o cidadão Aníbal e do que o político Cavaco.
É indiferente se o cidadão Aníbal alguma vez conheceu ou foi amigo de Saramago. É irrelevante o que o político Cavaco sente em relação ao escritor Saramago. Sendo um momento importante para o Estado português, ninguém faria questão que lá estivessem o Aníbal ou o Cavaco. Mas o Presidente da República, esse, nunca poderia faltar à última homenagem ao único prémio Nobel da Literatura de língua portuguesa. A um dos mais importantes escritores do século XX. Àquele que, com Pessoa, atingiu maior notoriedade internacional. É incoerente decretar dois dias de luto nacional e depois estar ausente da cerimónia oficial.
Cavaco Silva mostrou este fim-de-semana que, mesmo no cargo que ocupa, não consegue ser mais do que ele próprio. Não consegue representar o País. E um Presidente que não está acima da sua pequenez, que não percebe a grandeza de um cargo que o transcende, é e será sempre um mau Presidente.
Dito tudo isto, este episódio infeliz com Cavaco Silva, a ignorância de Sousa Lara, a triste reacção do jornal oficial do Vaticano à morte de um grande escritor e outras tantas irrelevâncias não merecerão uma nota de rodapé na História. Já o “Memorial do Convento”, o “Levantados do Chão”, o “Ano da Morte de Ricardo Reis” ou a “História do Cerco de Lisboa” ninguém tira à nossa literatura. E isso é que conta.
Publicado no Expresso Online.
147 comentários 21 Jun 10 em Sem categoria147 respostas ao post “O Aníbal, o Cavaco e o Presidente”
- 1 Pingback on 22 Jun 2010 às 17:17



Sou apoiante de Manuel Alegre a PR e já o fui nas últimas eleições. Não considero sequer que Cavaco Silva seja digno de ocupar o cargo por razões que se prendem com atitudes atentórias dos fundamentos da constituição portuguesa e dos direitos humanos. Por essas mesmas razões, não acho que um presidente da república deva estar no funeral do Saramago, alguém que, tal como Cavaco Silva, não respeitou o direito à diferença de opiniões, fomentou ódios raciais e contestou a soberania nacional.
[Responder]
Caro Daniel
A reacção do jornal do Vaticano é “triste” porque lhe desagradou (independentemente da verdade ou falsidade do que nele se afirma) ou é “triste” porque sendo uma opinião legítima (e sustentável, aliás) não é oportuna? Haja objectividade (que ali não falta).
[Responder]
De resto, porquê tomar sempre um hetero-critério (o Nobel, o divulgação externa)?
Também nisso, continuamos a ser muito pequeninos, muito paroquiais: o importante é o que de nós dizem lá fora – bom ou mau. É reveladora a preocupação de muitos media (v.g. SIC) em espiolhar e revelar tudo o que nos estrangeiros pasquins se dizia sobre Saramago.
Na verdade, outros houve que, por esse critério, estiveram abaixo de Saramago; mas noutros (reverência pela democracia, tolerância e mesmo qualidade literária) o superaram – v. g. Torga, Cardoso Pires. E não tiveram “funeral de Estado” nem presidente a carpir.
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A questão não é o critério ser “hetero”, mas ser objectivo. Coisa que não é fácil na literatura.
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Lúcio Peixe Reply:
Junho 21st, 2010 at 11:16
De acordo, Daniel. Mas a observação, ultrapassa o âmbito da literatura: um génio (admitamos) nesse domínio não se torna, por inerência, um perito em exegese bíblica (…qualquer caloiro de estudos teológicos desmonta as ingenuidades do Sr. Saramago), um mais autorizado leitor da realidade histórica, um guru no terreno da civilidade. Felizmente escolhemos viver em democracia (malgré lui!) e, como tal, até as pouco críticas teses do Sr. Saramago temos de considerar. Não, obviamente, divinizar. É essa a questão.
GMaciel Reply:
Junho 21st, 2010 at 12:29
“qualquer caloiro de estudos teológicos desmonta as ingenuidades do Sr. Saramago”
Lúcio, eu sou crente – já aqui o disse – mas não uma crente ignara ou catequizada pela igreja. Levei mais de um ano a ler e estudar a bíblia, cruzei-a com a História, debrucei-me sobre arqueologia e antropologia, vasculhei tudo o que podia para a ler sob a luz das épocas a que correspondem os factos narrados, porque só assim se pode compreender muita coisa. Depois de muito trabalho de pesquisa, discuti-a com padres católicos, evangelistas, um judeu e testemunhas de Jeová. Resultado? Tornei-me crente, mas afastei-me de todas as instituições do Homem, que dizem representá-Lo, porque lhes esventrei os falsos dogmas e as incoerências e nem eles tiveram como me provar as suas “teorias”.
Foi crente que li “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, e fiquei presa desde a primeira à última linha. Não me choquei, não me confundiu, pelo contrário, achei sublime a visão de Saramago sobre Cristo e bastante verosímil face às normas sociais da época. A genialidade de Saramago estava, uma vez mais, estampada naquele livro tornado polémico, mas, repito, sublime e lúcido.
Dizia?…
PS: ainda não li Caim mas conto fazê-lo.
Lúcio Peixe Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:31
Cara GMaciel
Dizia o que dizia – e que mantenho – e que não vejo contrariado na sua observação. O “Evangelho Segundo Jesus Cristo” e “Caim” são obras de ficção, e nisso apenas devemos sentir-nos gratos ao autor pelo que nelas há de enriquecimento da literatura. A mesma apreciação, porém, não é extensível às “divagações” teológicas do autor, menos ainda à sua pretensa exegese bíblica (amplamente difundida nos “media” a propósito de “Caim” – et pour cause…) de uma pobreza crítica que em nada abonaram o seu autor. E esta nota de lamento nada tem com as tão desejadas (por alguns) guerras anti-religiosas e anti-clericais que fazem as delícias do vulgo.
GMaciel Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:48
Meu caro Lúcio, depois de todas as divagações (sem aspas) teológicas da santa madre igreja católica (abrenúncio), concedo a Saramago ou a qualquer outro o direito de as fazer também, embora não concorde com elas. Porque entre a “ingenuidade” de um e a manipulação de outra, prefiro a primeira.
Repito o que disse: teria ficado bem a Cavaco ter estado presente se tivesse podido porque Saramago era um grande escritor e ajudou a Portugal e a língua portuguesa a ter mais importância no mundo e isto, que eu saiba, sem subsídios do Estado para traduções, o que é já de si merecedor de apreço. Mas Cavaco estava nos Açores e terá entendido que a logística era demasiado complicada para ainda se sujeitar a ouvir o Dr. Louçã a dizer que era hipocrisia.
O que se lamenta mesmo é ver o Dr. Louçã a aproveitar um funeral, com a dor da viúva ao lado, para tentar marcar uns pontos a favor do candidato que terá imposto ao bloco que coordena e que nos últimos meses se calou de repente – nem escolas a fechar a eito, nem o fim dos subsídios a deficientes ou a acamados, nada nem ninguém o faz falar, o que dá um sinal de que o silêncio é de ouro para atingir os fins.
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Carlos Marques,
A crítica a Cavaco está a ser feita por imensa gente. Escolhe Louçã porquê? Para tentar marcar uns pontos à custa do episódio?
[Responder]
Carlos Marques Reply:
Junho 21st, 2010 at 10:49
Porque ouvi perguntarem a Jerónimo de Sousa, Carlos Carvalhas e Francisco Louçã o que achavam da ausência de Cavaco e os dois primeiros, comunistas como Saramago, camaradas de Saramago, disseram que não era o momento para falar dessas coisas. Pelos vistos, não estavam com a alma em forma para aparecer na televisão a fazer comentários políticos.
Repito: Cavaco errou, mas dias de luto não são o momento para ser inclemente. Dessa forma, que moral têm para criticar as atitudes extremistas dos comentadores do Vaticano?
Rui F Reply:
Junho 21st, 2010 at 11:24
Carlos Maques
O que se lamenta mesmo é Cavaco não ter um mínimo de hombridade: estar de férias e continuar emitindo apenas um RELES comunicado. Só demonstra que é rancoroso e sem um mínimo de clemência no seu catolicismo extremista.
Neste aspecto, e conhecendo-se o historial Soares/Saramago – actualmente ambos em paz um com o outro – Soares deu uma enorme lição de cristandade ao Cavaco.
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:10
Soares deu uma enorme lição de cristandade ao Cavaco
Modere-se homem.
Elogie o Pai da Democracia doutra maneira, ele como ateu não gosta nada dessas ideias.
Disse Cavaco Silva que «tinha prometido mostrar as belezas do Algarve aos netos.» Parece-me que para além de mostrar aos netos as belas praias e suas falésias, a serra pícara e os deliciosos “Dom Rodrigo”, Cavaco também lhes proporcionou inadvertidamente uma valiosa lição sobre como a falta de coragem e de sentido de responsabilidade pode levar um homem honrado a cair na mesquinhez.
[Responder]
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 12:06
Foi nos Azores.
O senhor nem sequer consegue ouvir bem as notícias?
Júlio de Matos Reply:
Junho 21st, 2010 at 13:04
“Açores” é o nome geográfico, em Português, para essas ilhas militares americanas.
GMaciel Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:03
Júlio de Matos, Açores é a minha terra e confundir as Lages, na Terceira, com as restantes 8 ilhas é brincadeira pateta ou ignorância. Escolha.
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:07
Claro e por isso é melhor escrever o nome na língua do dono.
Sei da Relva Reply:
Junho 21st, 2010 at 16:34
@fado alexandrino: «O senhor nem sequer consegue ouvir bem as notícias?»
Como o meu nick indica, temo bem que sofra de dislexia (também) geográfica. Mas podia ser pior. Pelo menos não sofro do tribalismo político que grassa por aí.
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:44
Pelo menos não sofro do tribalismo político que grassa por aí.
Hoje não acerta uma.
Conhece alguma democracia onde as oposições andem aos beijinhos na boca de quem governa e que não se acha melhor preparada para governar do que os que lá estão?
E conhece alguma ditadura onde não haja uma oposição que debaixo de medo e com luta não o queira transformar em democracia?
Júlio de Matos Reply:
Junho 22nd, 2010 at 11:04
GMaciel, não fui eu que confundi, foi o que lhes chamou “Azores”, querendo amesquinhar outro comentador.
Já agora, os donos das Lajes não têm língua própria, apenas adoptaram as duas que utilizam na sua papelada oficial (Inglês e Espanhol).
fado alexandrino Reply:
Junho 22nd, 2010 at 12:06
o que lhes chamou “Azores”, querendo amesquinhar outro comentador.
Não quis amesquinhar ninguém, quis foi usando de ironia chamar a atenção para quem manda ali.
Isso é um nome, um nick ou o hospital onde está?
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 20:27
Caro Fado Alexandrino
A resposta que deu ao amigo Júlio de Matos é…
O seu “fino sentido de humor” é reconhecido, pelo menos, pela minha pessoa. Tão ou mais, do que a sua declaração de não querer amesquinhar alguém.
Como prova disso, nem vou “mais longe”. Fico “por aqui”, nesta sua frase:
“Isso é um nome, um nick ou o hospital onde está?”
Tem uma “autoridade moral” para fazer esta pergunta não “amesquinhadora”, não tem?
Então, dentro da minha mais “grossa ironia”, diga lá, em relação à sua identidade:
Isso é o seu nome, um nick ou um livro do Lobo Antunes?
Carlos
As duvidas que tinha ficaram totalmente dissipadas.
Cavaco leva o meu voto.
Mostrou que não é hipócrita, e fez o que qualquer presidente deve fazer. Enviou condolências e enviou representação oficial.
Poderia ter ido ao funeral fazer campanha e piscar o olho à esquerda. Mas não foi.
Saramago certamente não queria Cavaco no seu funeral, e o Presidente fez-lhe esta ultima vontade.
[Responder]
Maria Reply:
Junho 21st, 2010 at 11:15
Já ontem comentei exactamente o mesmo.
Saramago não queria o Cavaco no seu funeral.Ponto.E ele fez-lhe a vontade.Chega de mas e meus mas e porque sim e porque não.Decerto que Saramago concordaria com a frase de que “quem não se sentem não é filho de boa gente”.Acho que ambos são filhos de boa gente.Já chega!
GMaciel Reply:
Junho 21st, 2010 at 11:44
Caro António Cunha, Cavaco, o cidadão, até pode fazer o pino em cima de uma bola de praia em pleno Rossio, a única coisa que se lhe poderia criticar seria o ridículo, mas Cavaco o Presidente tem obrigações inerentes ao cargo às quais, simplesmente, não pode furtar-se ou desculpar-se. Não entender isto é não entender o papel do presidente da República.
Acredito que se Cavaco tivesse cumprido o seu papel os argumentos se trocariam, muitos dos que o criticam chamar-lhe-iam hipócrita, e quem o defende agora continuaria a defender o seu contrário. É normal… idiota mas normal, para ambos os lados porque a vesguice é ingénita e nada tem a ver com esquerda ou direita.
No meu caso, acredite quem quiser porque me é igual ao litro, se Cavaco tivesse cumprido com o seu dever de presidente, teria subido uns pontos na minha consideração.
Antonio Cunha Reply:
Junho 21st, 2010 at 17:37
Cara Gmaciel
Ainda esta manhã ouvi vários opinion makers que acharam correcta a decisão de Cavaco. Ele cumpriu o seu dever.
GMaciel Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:52
“opinion makers que acharam correcta a decisão ”
E depois? Eu penso pela minha cabeça, caro António Cunha, não preciso que me assobiem para beber água.
Caro Daniel,
Com o passar do tempo, tenho vindo a concluir que pensar a política é coisa complicada. NUNCA tive, NUNCA terei, NUNCA……. qualquer simpatia política, pessoal, entelectual, o que quiser, pelo dr. Cavaco. Aliás, já por muitas vezes o escrevi, ele, Cavaco,é o maior exemplo do homem vulgar que diz para si próprio, neste país de abelhudos sem face, que um dia seria pessoa importante, no que aos postos da chefia do Estado diz respeito. Conseguida a aprovação da dra. Maria, lançou-se ao trabalho, e passo-a-passo, lá foi subindo. Culpa dele? Sim por o ter querido. Culpa nossa? Sim porque não tivemos força para impedir a ascenção da vulgaridade. Chegado lá, primeiro chefe de fila, depois chefe de clã, depois chefe do circo, que fez? O que sabe, dizer vulgaridades e dar cobertura a uns amigos. Enfim, desde de que se propôs ser importante, nada fez ou disse que fosse para além da sua aldeâ vaidade. Mas vem a morte de José Saramago, de alguém que fala de um tempo, de um mundo, de uma existência, de uma humanidade que Cavaco nunca deu o mais pequeno sinal de compreender, e eis que Cavaco, que em momento nenhum da sua vida foi mais que presidente de si mesmo, assumiu dignamente o papel de ser ele próprio, e são tantos os que o sensuram por isso, por ele, pelo menos uma vez, assume que José Saramago NUNCa lhe havia passado confiança para lhe dirigir a palavra, e todos queriam que ele, Cavaco, se tomasse de brios e fosse representar mais que a sua vaidade ao funeral de mestre escritor. Palavra de honra!
Que bem que por uma vez me fez Cavaco!
[Responder]
A atitude de Cavaco só revela o que ele é: um político mesquinho, inculto, sem a dimensão humana e política para representar um povo muito antigo e soberano.
Sim, pode dizer-se que houve hipocrisias – embora tudo seja muito subjectivo-, mas nesta altura em que um grande vulto partiu, um escritor que será um clássico da literatura mundial – e, portanto, eterno- um homem que nos ensinou a contestar e a rebelar contra as injustiças, um homem que veio do povo e que nunca renegou as suas origens, nesta altura a obrigação dos portugeses de todos os quadrantes é prestar-lhe uma homenagem. E deixar para amanhã as divergências.
Ao contrário da Igreja Católica Portuguesa, que tomou uma posição digna, o Vaticano destinou no seu jornal oficial uma posição que os marca como aquilo que são: fundamentalistas, intolerantes, inquisitoriais, mesquinhos e rancorosos. Na mesma linha se pronunciou o aborto do Duarte Pio, essa coisa que por aí vegeta…
Honra a Samarago, à sua obra, à sua cidadania!
Manuel Monteiro
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“Porque quem lá estaria não seria Cavaco Silva. Seria o Presidente da República Portuguesa”
Ora nem mais!
[Responder]
Não podemos ser ingenuos ao ponto de pensar que a polémica sobre a falta de comparência de Cavaco ao funeral de um homem que sempre o desprezou (no sentido politico do termo) e que certamente não desejaria que estivesse presente, se resume a uma questão de falta de cortesia, ou de sentido de Estado.
Poderiamos mesmo dizer (se não fosse demasiado cruel tanto cinismo) que a morte de Saramago foi ‘oportuna’, ao permitir passar para segundo plano a manchete do Sol sobre a mentira despudurada de socrates, ao mesmo tempo que serve para relançar a campanha Presidencial com a velha questão da censura de que Saramago foi vitima por parte do governo Cavacoe e sem a qual provavelmete não teria ganho o prémio nobel (porque todos sabemos como o nobel da literatura é um premio altamente politizado e como a questão da censura ao livro de Saramago pesou na decisão do juri)
Dito isto, podiamos mesmo dizer que Saramago foi vitima da censura que ele próprio exerceu contra jornalistas do Diario de Noticias nos tempos do Prec em que foi director daquele jornal
Claro que esta ‘falta’ de carácter democrático do grande Nobel não é para aqui chamada. Afinal o funeral de Saramago não passou de uma encenação vergonhosa: elevar o escritor à dimensão sobre humana, de génio literário, quase mitico, para depois usar a sua memória e a comoção provocada pela sua morte, para atingir os adversários politicos. Há dias em que a politica neste pais mete mesmo nojo!
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Manuel Monteiro Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:03
Como disse?
MM
Os meus Parabéns por este magnífico texto, embora não esteja totalmente de acordo com ele.
Há que ver as coisas com distanciamento e serenidade. Estamos perante a morte, caramba… Eu critico a atitude mesquinha de Cavaco Silva, mas não a condeno de todo, em si mesma, mas sim na forma como a “justificou”. Ou seja, havendo aspectos duramente criticáveis tanto na ausência (falta de sentido de Estado), como na presença (hipocrisia política), Cavaco estava perante uma escolha difícil e a única forma de a superar seria, evidentemente, na forma como justificasse a sua opção, ou seja, na sua atitude perante uma situação tão delicada. E aí é que ele estragou tudo e, mais uma vez, deixou a descoberto a sua indigente postura como homenzinho de Estado: não considerando eu demasiado criticáveis nem a sua ausência, nem a sua presença, desde que DIGNAMENTE assumidas, o que foi lastimável foi mesmo a justificação paupérrima que apresentou e, sobretudo, os modos tão vulgares, diria mesmo repugnantes, em que a manifestou. Comprova-se que Cavaco Silva é, de facto, a personalidade mais impreparada e mais rasteira que nos foi dado suportar na Presidência da República, nestes já maduros trinta e seis anos de Democracia e Liberdade…
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Maria: foi a primeira vez que escrevi sobre um assunto que aconteceu ontem. Não vejo muito bem de onde vem esse “já chega”. Pouco me interessa se Cavaco é filho de boa ou de má gente. Não é dele que estou a falar. É do Presidente da República. E parece haver muita gente que não compreende a dimensão institucional do cargo. Incluindo o senhor que transitoriamente o ocupa.
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Dazulpintado Reply:
Junho 21st, 2010 at 13:27
Não Daniel, o senhor está exactamente a falar de Cavaco Silva e não do Presidente da República. Se o protocolo foi cumprido, e parece que foi, o que o senhor exige é sangue. Não por capricho, que o senhor não dá ponto sem nó, mas por calculismo político. É o seu pequeno contributo para a campanha de Manuel Alegre, está no seu direito, só lhe fica bem , não serei eu a criticá-lo.
Já usar o funeral de Saramago para o fazer, depois de tudo o que revelou representar para si a sua morte, e eu não tenho dúvidas que o fez de forma sentida, parece-me deslocado, impróprio mesmo. Mas a política é uma potente máquina de trituração, tritura, tritura sem parar. O Daniel é apenas um componente dessa máquina, uma roda tocada por outras rodas. Fugir à lógica desse movimento não está ao seu alcance. É preciso mais do que inteligência, mais do que cultura, mais do que cosmopolitismo, é preciso maturidade. Vamos ter que esperar.
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:06
Dazulpintado Reply:
Junho 21st, 2010 at 13:27
Ouvi dizer que o Manuel Alegre também não apareceu.
Será verdade?
Não é de admirar Ele considerava-o um poeta menor.
Aliás ele considerava todos os escritores menores que Ele.
Dazulpintado Reply:
Junho 21st, 2010 at 17:03
Fado, o presente envenenado que representa para Manuel Alegre o apoio do BE, condiciona todas as suas acções presentes s futuras. Está metido num vespeiro, qualquer movimento pode conflituar com o rumo que o imprevisível Zangão Louçã decidir tomar nas suas deslocações, cada vez mais autónomas e oportunistas. A coerência fica a cargo dos Danieis Oliveiras da vida que , habilidosos profissionais , cada dia conferem à palavra um novo significado.
Ao PC resta fazer ouvidos de mercador, e pedir aos astros que se alinhem para que Alegre e BE ainda estejam juntos quando forem atingidos pela catástrofe eleitoral que se avizinha.
O timorato Manuel Alegre, outrora tão senhor de si, já era. Venha o próximo.
Em cheio!
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Pelo que diz no texto – mas sobretudo pelo que propositadamente não diz (que é tão ou mais revelador), o Daniel devia querer que:
- Cavaco tivesse a dignidade e a falta de mesquinhez que faltou a Saramago em vida, no que a estes tristes episódios dizem respeito. No fundo, mostrar aos portugueses a diferença de carácter. Não teve. Estiveram bem um para o outro. Até que a morte os separe, dizem.
- Tendo ido ao funeral, que Cavaco se tivesse comportado como a dignidade que a ocasião impunha, mostrando respeito pela família e cerimónia. Ou seja, que aproveitasse o quentinho do cadáver para fazer um comício segundo as suas convicções políticas e pessoais, como Louçã e Jerónimo dignamente fizeram. Há que olhar e seguir os bons exemplos.
Cavaco devia obviamente ter ido. E tendo ido, deveria ter mostrado a todos o que pensava e sentia por Saramago. Não da maneira grotesca e brejeira dos supra-citados mas subtil e subliminarmente através dos gestos e olhares. Do tempo mínimo de presença que o protocolo frio e impessoal impunha. E sobretudo, através dos silêncios e omissões. Como o Daniel, através do que não diz.
O problema é que “esse” não é Cavaco. Tal como Saramago, não consegue fugir dos mesquinhos rancores pessoais e inconsequentes. Assim, compreendo que não quisesse interromper as suas férias. E talvez tivesse razão: estragava as férias dele e o funeral do outro…
[Responder]
Isabel Reply:
Junho 21st, 2010 at 23:10
Brilhante!
Daniel Sobral Reply:
Junho 22nd, 2010 at 5:43
“aproveitasse o quentinho do cadáver para fazer um comício segundo as suas convicções políticas e pessoais, como Louçã e Jerónimo dignamente fizeram.”
Indiscutivelmente Louçã fez campanha, mas é injusto dizer isso do Jerónimo de Sousa, concentrou-se muito mais obra literária e na honra que Saramago fez às gentes do Alentejo. A não ser que cada vez que um político aparece é campanha.
E no meio de toda esta algazarra, o que se destaca é a facilidade com que pessoas de quadrante bem vincado assinalam o comportamento de quem quer que seja recorrendo ao qualificativo “hipocrisia”. Os mais afoitos, caindo no mesmo erro, diriam que tal se deve a “arrogânica moral”. Eu, mais modestamente, prefiro chamar-lhe desatenção e fácil derrpagem em situações contraditórias.
O Sr. Presidente foi “hipócrita” ao não comparecer? Não, foi apenas tolo nas suas pueris justificações. Seria “hipócrita” se tivesse aparecido? Não, apenas mal educado, posto que o falecido dispensaria a sua presença.
Em todo o caso, que contraste entre a majestática elegância do Sr. Eanes e a falta de jeito do Averrel Dalton do momento…
[Responder]
Cavaco devia ou não devia como PR prestar homenagem a Saramago com a sua presença? Não obrigatóriamente. Fez os mínimos, enviou condolências, fez-se representar. Devia, isso sim, evitar a desculpa esfarrapada que deu, o que só prova a sua menoridade intelectual indigna de um PR.
Em circunstância alguma Saramago merecia a presença deste PR no seu funeral.
[Responder]
Com a autoridade que não tenho, duvido que Saramago faça parte do número daqueles Portugueses que “por obras valerosas se vão da lei da morte libertando”; e a autoridade que não tenho vale tanto como a dos que a têm, porque está vedado aos contemporâneos avaliar com segurança a grandeza dos artistas. Mas a comunidade deve dar testemunho, através dos seus representantes, do respeito devido àqueles de nós que fazem Portugal existir no concerto das Nações (desculpem o empolado da frase, foi como me saíu). E por isso assino em baixo do que DO escreveu.
[Responder]
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 18:43
Meu caro JMG
Para continuar a “inquietar e provocar”, deixo mais um link
http://www.youtube.com/watch?v=BJ4kNt7iQdE&feature=related
Depois, diz qualquer “coisinha”, combinado?
Desde o poema ao seu autor. Porque Mário Viegas é, sobejamente, conhecido…
Um abraço.
Carlos
JMG Reply:
Junho 22nd, 2010 at 19:57
Gastas cera com ruim defunto, Carlos. Eu leio quase que exclusivamente ensaios sobre história, economia e assuntos vários, de há muitos anos (ando a ler, vê lá tu, uma portentosa História da Palavra), tudo da mesma editora – mas, de ficção, nada, desabituei-me. Aqui há uns anos um Americano, professor de literatura, jubilou-se e resolveu fazer uma coisa que só mesmo na cabeça de um Americano: uma listagem de todos os autores clássicos desde os alvores da escrita literária até ao presente, cuja obra seria necessário conhecer para, na opinião dele, um indivíduo se poder considerar culto. Este tipo tinha, parece, uma anormalidade qualquer que era útil para a profissão, e que consistia em ler de uma maneira fotográfica (e não sequencial, como nós), o que lhe dava uma grande velocidade. Chegou à conclusão que, para pessoas normais e à razão de 8 horas por dia, seriam precisos 11 anos para a qualificação. Depois, decidiu comprimir a lista até ao mínimo essencial e chegou a 27 autores (a última lista tinha um só autor Português, Pessoa). Isto vale o que vale, claro, mas o meu ponto é que não se pode ler tudo. E eu Sena nunca li – talvez um dia, juntamente com outros talvezes. Mas os teus lembretes não ficam perdidos – vou sempre ver. Um abraço.
José Maria.
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 21:03
Meu caro José Maria (JMG)*
“Gastas cera com ruim defunto, Carlos”.
Estás a “puxar pela minha costela vicentina” para te “mandar… pastar caracóis”?
Meu amigo, ninguém tem tempo para tudo e como tal, tem que fazer opções. Como escrevi noutro post, temos aqui a oportunidade de partilhar o que cada um de nós conhece. E isso, é muito bom, não achas?
Manda-me, também, os teus lembretes, que receberei com muito prazer. Mesmo que, depois, tenha que “atacar as tuas malditas ideias direitosas” (esta, embora atrasada no tempo, é para a troca).
Meu amigo, arranja um “bocadinho de tempo”, para vires aqui mais vezes, combinado?
Um grande abraço.
Carlos
*Desculpa mas, anteriormente, esqueci-me de te “tratar” por José Maria. É a PDM (porcaria da memória) que começa a atraiçoar-me.
A partir de agora, a melhor homenagem que posso prestar a José Saramago é não “falar” do comportamento do “presidente de si próprio” em relação ao Escritor Nobel da Literatura.
Carlos
[Responder]
Gostaria de ter escrito este artigo…
Resumidamente uma crítica a um ser que cada vez se torna mais pequeno perante os olhos de quem pensa um pouco o país.
É um camponês iletrado que sabe fazer umas contas e que infelizmente chegou a presidente de Portugal.
Espero que em Janeiro a dose não se repita.
É decididamente o pior presidente da república depois do 25 de Abril!
[Responder]
Muito bem, faltava o 1º violino, já cá está.
Morreu um português dono de uma obra impressionante em livros e pela qual ganhou um Nobel, não se lhe conhece mais nenhum feito notável, não criou nenhuma obra de caridade, nem teve participação em nenhum movimento com relevância.
Nasceu num lugarejo no Alentejo, escreveu um livro sobre um convento em Mafra e em determinado momento da sua vida resolveu exilar-se para Espanha mas vá lá saber-se porquê na altura da sua morte a cidade de Lisboa resolveu chamá-lo seu.
E fez-se um funeral que partiu da mesma Câmara com honras de Polícia Municipal.
Discursaram o presidente da mesma, as Ministras da Cultura de Portugal e Espanha (cada uma debicando o seu bocadinho) o presidente de uma obscura fundação que leva o seu nome e o líder politico do PCP.
Homenageou-se o escritor e o militante político.
E perante isto queriam que o Presidente da República estivesse presente.
Vejam lá se conseguem enxergar o disparate.
[Responder]
cafc Reply:
Junho 21st, 2010 at 12:37
Caro Fado Alexandrino
Como você é “incorrigível”, pelo menos vai aceitar
que errou, geograficamente.
Saramago nasceu na freguesia de Azinhaga, concelho da Golegã, distrito de Santarém.
Esta não vai desmentir, pois não?
Carlos
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:02
Muito obrigado, quando ouvi falar em Azinhaga e como ele era, diziam, comunista associei tudo ao belo Alentejo.
Peço desculpa ao Alentejo.
cafc Reply:
Junho 21st, 2010 at 16:08
Caro Fado Alexandrino
Tal como prometi, iniciei um novo “ciclo comunicacional” consigo.
Não peça desculpas ao “belo Alentejo”, porque ele bem gostaria de ter Saramago como “seu filho”.
“Levantado do Chão”, prova-o. E Catarina será, sempre amada, não só pelos Alentejanos. Há mais Comunistas para além do Alentejo…e muitos Democratas, também.
Deve ter confundido azinhaga (veja a etimologia da palavra) com azinheira. Até a Senhora de Fátima “utilizou” esta árvore nobre mas, você deve ter feito esta “associação”:
http://www.youtube.com/watch?v=ci76cKwFLDs
Carlos
Dazulpintado Reply:
Junho 21st, 2010 at 17:29
“Há mais Comunistas para além do Alentejo…e muitos Democratas, também.”
Estimado carlos,
Espero que esta sua frase não seja mais do que um “lapsus linguae”.
cafc Reply:
Junho 21st, 2010 at 19:08
Caro Dazulpintado
Não, não é. Temos que inseri-la no contexto de a quem eu me estava a dirigir.
Aliás, aplica-se a todas as pessoas que entendem que os Comunistas, generalizadamente, não são Democratas, ao mesmo tempo que pretendem fazer crer que “ex-fascistas” são o garante da Liberdade.
Se não me fiz entender, paciência. Era uma espécie de “gozo” em relação a quem propala a ideia de que, em Portugal, os Comunistas são a “praga” que ameaça a Democracia. Todos os outros constituem a “linha da frente” que salvará a Liberdade.
Um abraço.
Carlos
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 22:02
cafc Reply:
Junho 21st, 2010 at 19:08
Muito obrigado, IMHO (isto é só para fingir que também sou intelectual) um comunista nunca pode ser um democrata, como é que isso pode ser possível a quem tem como lema ” a ditadura do proletariado”, a não ser e temo que seja verdade que isso já tenha sido atirado para o caixote do lixo.
Claro que quem apoiou uma ditadura por acção ou omissão (mais ou menos 99% dos portugueses) também igualmente não pode ser democrata.
E assim fico eu e
o senhor, mas o senhor à condição, e só passa depois de sair dessas casas com “paredes de vidro”.
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 11:05
Caro Fado Alexandrino
“Porque temeis, homem de pouca Fé?”
Se o senhor não fosse tão “distraído”, tinha constatado a razão do seu temor. Mas, pode consultar uns “sites” sobre esse tema. Até poderá ver como evoluiu (ou, melhor, involuiu) o conceito de “ditadura do proletariado”, até à “ditadura da nomenklatura”. Verificará, então, que as primeiras vítimas foram Comunistas. Foram as purgas, senhor, foram as purgas…
Só uma pequena nota pessoal. Já escrevi, por duas vezes, que deixei a militância no PCP há 31 anos. E refiro-o, de novo, porque “temo” que o Fado Alexandrino se auto-convença que eu sou “funcionário do PCP”.
Mas, como há mais Comunistas para além desse Partido, eu sou um deles.
Carlos
fado alexandrino Reply:
Junho 22nd, 2010 at 12:13
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 11:05
Mas, como há mais Comunistas para além desse Partido, eu sou um deles.
Certo.
Já disse milhares de vezes, uma vez comunista, comunista para toda a vida honra lhes seja feita.
Mas, há sempre um mas, só debaixo da superior liderança do PCP essa luta pode levar à vitória.
Os outros partidos que se intitulam de comunistas, ou são revisionistas ou contra-revolucionários ou esquerda caviar.
Isto não sou eu que o digo, quem o diz são os verdadeiros comunistas com o selo de garantia.
Como dizia Cristo naquela parábola da ovelha tresmalhada, está na altura de o senhor considerar o retorno.
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 14:28
Caro Fado Alexandrino
“Uma vez comunista, comunista para toda a vida”
Como você já o “disse milhares de vezes”, só pode ser uma “verdade inquestionável”. E é, aqui, que o seu temor deve ceder o lugar ao pavor.
Zita Seabra, no PSD. Celeste Cardona, no CDS-PP.
Nem “falo” dos outros, nem dos que estão no PS.
Seria uma lista quase interminável, só em relação aos que militaram no PCP.
Durão Barroso deve ser, ainda, mais “Mao” do que os outros. Meu caro, exponha a sua teoria da “ameaça Comunista, através da disseminação.”
Pessoalmente, ser-me-ia mais vantajosa a parábola do “filho pródigo”… com as necessárias adaptações à “parte do vil metal”. Já agora, uma pequena “correcção”. Quem o “dizia”, chamava-se Jesus.
Não retornarei nem procurarei “nova casa partidária”, como já afirmei. Não tenho saudades do passado, porque só o “revisito” para não repetir erros. Por isso, só tenho saudades do Futuro.
Carlos
Parabéns pela crónica.
O C’Aníbal foi igual ao Aníbal comedor de bolo-rei.
[Responder]
Usarem a morte de alguém para fazer a política da cusquice e do julgamento moral ao nível das revistas cor-de-rosa é baixo, mesmo muito baixo. É por isso que não têm o voto dos portugueses para governar. E é isso mesmo. Muito fraco.
Quanto ao Saramago nunca apreciei a obra (comecei mas…) e muito menos a pessoa.
[Responder]
Manuel Monteiro Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:09
“Comecei mas…” o cérebro não deu para mais…
Manuel Monteiro
Minhoto Reply:
Junho 21st, 2010 at 22:28
Não há nada como rebater os outros com insultos, mas pode ter razão. Estou-me marimbar para si.
Como vai a vida na URSS?
Cavaco Silva só não veio ao funeral de Saramago, porque, à semelhança da maioria dos portugueses, não perdoa o facto de um homem ter vindo de um ambiente pobre e humilde e ter chegado onde chegou. É que em Portugal existe a ideia de quem é grande é grande. Se tivesse morrido um dos políticos do sistema podre neoliberal, um banqueiro, um grande empresário ou um filho do senhor X ou Y, aí nem os netinhos impediam Cavaco de vir dos Açores ao funeral. Agora ao funeral de um Comuna que criticava a igreja e o sistema político instituído, isso nunca.
[Responder]
Quê? Escritores comigo? Eu nunca leio, nem jornal, que me basta a maria, a missa, mais a do papa, que diz o nome dos meus netos com uma simpleza, meu deus, que nenhum escritor iguala, em Portugal, de certeza.
E cada um lá tem os ministros que tece, com o presidente que merece, atrasadinho da silva que seja, omessa.
[Responder]
“As duvidas que tinha ficaram totalmente dissipadas.
Cavaco leva o meu voto .“
Sargento Cunha,
Esta é mesmo á sargento.
Eu uma vez fui partir pedra para uma pedreiro de castigo por não ter trocado os lençóis da cama, porque tendo vindo de fim-de-semana e a minha velhota os tinha lavado com sabão clarim.
Tu tens montes de tiques destes sargentos lateiros, para não te chamar outra coisa.
[Responder]
António Cunha Reply:
Junho 22nd, 2010 at 10:26
ó Bolota
Tu com esse feitiozinho de revolucionário da treta deves ter levado poucas na tropa, deves.
Aliás parece que foram poucas….
Já te disse várias vezes que NUNCA meti ninguém de castigo na tropa. Tinha outros métodos para resolver os assuntos.
Mas como os fumos da IC19 não te deixam ver em frente, só olhas pró lado.
Li hoje no Público que o BE e o PCP recusaram um voto de pesar pela morte do escritor Couto Viana. Não por causa da sua obra, mas por motivos políticos.
Criticaram os que tentaram diminuir Saramago por causa da política, mas fizeram a mesma figura.
Dois pesos e duas medidas_ uma vergonha!
[Responder]
A comparação de Couto Viana a Saramago só pode ser um momento de humor.
[Responder]
Dazulpintado Reply:
Junho 21st, 2010 at 16:07
É isso Daniel, o senhor não se consegue libertar. A continuar assim ainda o veremos apoucar Maria Cavaco Silva, como faz alguém aí acima. Também sobre o insulto e o enxovalho o senhor é muito selectivo na escolha do sentido a quem permite sejam dirigidos, logo o senhor, que diz repudiar o combate político assente na injúria e no envolvimento dos familiares de cada um. Espantoso!
João Pedro Pimenta Reply:
Junho 21st, 2010 at 17:22
Ninguém comparou um e outro: apenas referiram um facto, que esses dois partidos recusaram o voto de pesar a um homem que contribuiu para a cultura portuguesa em muitas vertentes (peosia, teatro, cinema), apenas e só por razões políticas. a pattir daqui, apenas fica a propaganda e a certeza de que continuam a achar que a cultura só pode ser reconhecida se os seus agentes forem de esquerda.
Esperava do Daniel um pouco menos de sectarismo, mas pelos vistos enganei-me. Já do seu movimento político e do seu “coordenador” não se espera nada de bom. Revelaram que são cem vezes mais mesquinhos que Cavaco Silva e Sousa Lara.
Isabel Reply:
Junho 21st, 2010 at 23:14
Já agora, se alguém souber responder.
Houve já algum escritor de direita que tenha recebido o Nobéle?
“A partir de agora, a melhor homenagem que posso prestar a José Saramago é não “falar” do comportamento do “presidente de si próprio”.“
cafc ,
E se eu te disser que quem armou esta caldeirada á Boliqueime foi a Maria Cavaca??
Já reparaste que o homem anda sempre enfadado??? Levar com uma Cavaca verruguenta todosssssssssssssssssssssss os dias, porra que nã há Cavaco c´aguente.
Para mim a Cavaco passou á historia.
[Responder]
cafc Reply:
Junho 21st, 2010 at 15:34
Meu caro Bolota
O “filho de Boliqueime” é uma nulidade cultural. Ao longo dos tempos, de disparate em disparate, provou à saciedade (e à sociedade) que só poderá “saber” alguma coisa de contas.
O “presidente de si próprio” foi à Turquia, numa viagem de Estado e aproveitou, para cumprir um desejo da esposa. Visitar a Capadócia.
Agora, estava nos Açores para “os mostrar” aos netos. Claro que a esposa já demonstrou ter mais capacidades intelectuais do que o Aníbal, o António, o Cavaco e o Silva, todos juntos. Por isso, acredito na “caldeirada” que tu mencionaste.
Razão tem o “analfabeto” do António Aleixo:
“Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.”
Um abraço.
Carlos
Isabel Reply:
Junho 21st, 2010 at 23:19
Carlos
Você a cabou de se queixar que as pessoas não consideram os comunistas democratas. É verdade; não consideram porque não são.
Cavaco Silva é filho do povo, trabalhou, estudou e chegou longe.
Devia ser um exemplo para vocês, a prova de que “ser o povo quem mais ordena” é possível.
Mas ao contrário de todas as previsões, para vocês, o PR devia ter sangue azul.
É extraordinário.
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 11:32
Minha amiga Isabel
Eu já não sei se não percebe o que lê ou se, percebendo, “faz de conta” que não percebeu.
Não critico Cavaco por ter “origens humildes” mas, porque, manifestamente, se esqueceu delas.
Teve todas as hipóteses de se “cultivar” mas, exibe uma confrangedora ignorância nesse domínio. Depois, só lhe resta o “pôr-se em bicos de pés”, perante vultos maiores da Cultura. Já ouviu lalar de um certo Miguel Torga?
Minha amiga, eu não me “queixo”. Até acho uma certa “piada”, como, por exemplo, à sua expressão “as pessoas não consideram os comunistas democratas”. Pudera, se os Comunistas já nem são pessoas, como poderiam ser Democratas?!
Um abraço.
Carlos
João Cerqueira ,
Deixe-me adivinhar, é sargento…
[Responder]
A comparação não é entre os escritores, é entre os políticos que distinguem os que militaram nas suas fileiras e aqueles que estiveram do outro lado.
Eu já escrevi que considero Saramago um dos melhores escritores de sempre.
O que está em questão é a recusa de uma homenagem a um homem da cultura_ e Couto Viana deixou obra com valor http://www.spautores.pt/page.aspx?idCat=139&idMasterCat=67&contentID=227&idLayout=8&idLang=1 _ por ele ter sido ”fascista” ou simpatizante do Antigo Regime.
Aplicaram a Couto Viana a mesma lógica que Sousa Lara aplicou a Saramago.
[Responder]
Logicamente que podendo apreciar, Saramago não quereria o cidadão Anibal Cavaco Silva no seu funeral….
O Presidente ao não estar presente para acompanhar os seu netinhos nos Açores apenas provou, mais uma vez, que não é o Presidente de todos os portugueses.
já agora a cronica do jornal do Vaticano revela apenas que da vasta obra de Saramago o seu autor, a quem a História dedicará o anonimato, apenas leu dois livros, ou se calhar resumos escolares de o EVANGELHO SEGUNDO JESUS CRISTO e CAIM…. O que não avaliza ninguem a poder arrogar-se a escrever sobre a obra de Saramago deveria escrever e assumir escrever sobre obras de Saramago.
[Responder]
Alexandre Carvalho da Silveira Reply:
Junho 21st, 2010 at 16:23
Cavaco não é o Presidente de todos os portugueses, porque foi eleito com 51% dos votos.
Mas Saramago tambem não é de certeza o escritor predilecto dos portugueses; por isso até acho um abuso terem-lhe feito um funeral de estado.
Quero no entanto deixar claro que este comentario não pretende diminuir os meritos literarios de Saramago; acho que esquerda fez um aproveitamento politico assaz mesquinho da morte do escritor e Nobel da literatura José Saramago.
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 18:51
Cavaco não é o Presidente de todos os portugueses, porque foi eleito com 51% dos votos.
Cuidado, nunca use esse argumento, é muito perigoso.
Estou a lembrar-me, por exemplo, do último referendo sobre o aborto.
O PR não foi ao funeral de Saramago e fez muito bem. Claro que a hipocrisia de Louçã veio mais uma vez ao de cima quando viu frustrada a hipotese de humilhar publicamente Cavaco se ele se atrevesse a aparecer no dito funeral. As tropas de choque do BE já deviam estar preparadinhas para a competente vaia.
Se nos recordarmos do que Saramago disse de Cavaco enquanto Presidente da Republica, claro que seria a suprema hipocrisia este apresentar-se no dito funeral, e hoje os que o criticam por não ter ido, estavam a critica-lo por ter tido o descaramento de lá ir.
E depois penso que o proprio Saramago, dispensava bem a presença de Cavaco no seu funeral.
[Responder]
O Presidente da República tinha a obrigação de prestar a última homenagem a José Saramago, exactamente por tudo aqui que ele foi e significou, como teria de prestar a qualquer outro homem de qualquer quadrante político de tal envergadura.
E a mim pouco me interessa também que Saramago não o quisesse lá provavelmente também não ia querer Sócrates.
Agora que não foi, que se provou inapto e que fez as delícias da direita mesquinha não há que fazer campanha política com isso. Tal como muita gente disse, as acções ficam para quem as pratica. Fica para Cavaco o amargo com que encerrou esta relação com um dos homens que mais marcou o nosso país nas últimas décadas.
[Responder]
“As duvidas que tinha ficaram totalmente dissipadas.
Cavaco leva o meu voto.”
Ganda Cunha pá….e eu a pensar que bossa- excre , ia votarrr no Nobrete ou Alegrete!Uf táva a ver….ai,ai, já tou mais descanxadinho.
[Responder]
Pela enésima vez, vou aqui lembrar uma frase histórica, que se mantém com toda a actualidade, e que dedico aos admiradores e acólitos do “venerando chefe de Estado” que se manifestam a favor da sua atitude.
(Escrêvo-a em maiúsculas, para que “eles” a leiam bem…e a “digiram” melhor !
“A INCULTURA DE CAVACO SILVA, POLÍTICA E NÃO SÓ, É ABISMAL, E O SEU TRIUNFO FOI O TRIUNFO DA VULGARIDADE !”
Marcelo Rebelo de Sousa-1995
Boa digestão ! E que lhes faça bom proveito…
[Responder]
José Saramago foi ontem a enterrar.
O Presidente da República não esteve presente.
Penso que deveria ter estado. Pelo simples facto de, quer se goste quer não da sua obra, Saramago ter sido o maior representante da literatura portuguesa, nos últimos 40 anos.
Ficaria bem ao presidente da república demonstrar que, pelo menos na hora morte, as divisões do passado se encontram, de todo ultrapassadas.
Suscitou-se, de imediato, a polémica acerca da falta de independência do mais alto magistrado da nação.
Sinceramente, não a entendo.
Um presidente da República nunca pode ser «de todos os portugueses.» É esse o drama de qualquer presidente: ele será sempre o representante da percentagem dos cidadãos que o elegeu.
É verdade que, desde Mário Soares, os presidentes começaram a dizer que, são «de todos os portugueses». Mas a ideia de que, a partir da inicial divisão de votos em eleições, se atinge a unidade da nação, nem que seja por habituação, não passa de uma mera quimera.
Em Monarquia Constitucional acontece, precisamente, o contrário. Parte-se do «uno» que é o Rei ou a Rainha; que, por isso mesmo, não é eleito ou eleita. Permite-se a cada um dos cidadãos, a seguir, ser o que lhe aprouver, em cada momento.
Até se admite, como é evidente, que a «República» prefira, em vez da forma monárquica, ter, como forma de regime, a republicana.
Cavaco Silva agiu como um Presidente ao faltar ao funeral; como é óbvio, não foi «de todos os portugueses.»
Tenho a certeza que se Portugal tivesse um Rei; ele seria o primeiro a comparecer nas exéquias.
[Responder]
MRS que é invejoso, escreveu isso numa epoca em que era moda (como agora) bater no Cavaco.
Muito boa gente neste pais não o queria ver PR em 1995.
MRS tinha uma razão acrescida: temia que Cavaco derrotasse Sampaio que anos antes o tinha derrotado a ele para a Camara de Lisboa.
MRS, que é tão catolico, e não se cansa de o dizer devia saber que a inveja é um Pecado Mortal; com tanta missa, e tanto maldizer, ainda vai parar ao Inferno
[Responder]
José Peralta Reply:
Junho 21st, 2010 at 21:13
Marcelo Rebelo de Sousa, em 1995 disse uma verdade ! Caso raro, talvez ! Mas que ainda hoje, continua a ser uma verdade !
Agora, é conselheiro de Estado ! Mesmo que a pense, não a diz…
Óbviamente !
Sem comentários. O texto do D. O. diz tudo.
[Responder]
Daniel, recebo os replys do arrastão por email, mas hoje não estão a chegar. Existe algum problema ?
[Responder]
A meu ver,salvo alguns opinadores,a ausência de Cavaco não foi notada.
Teve uma coisa boa:de uma vez por todas,o próprio Cavaco reconheceu que não é Presidente de todos os portuguses.
Obrigado,Dr. Cavaco,por ter reconhecido que não é meu Presidente.
[Responder]
João Pedro Pimenta, só por razões políticas tal voto poderia existir. É isso que quis dizer. Trata-se, de resto, de uma figura obscura da nossa cultura.
[Responder]
Alexandre Carvalho da Silveira Reply:
Junho 21st, 2010 at 19:07
Quem não é de esquerda não tem dimensão; já não pachorra para tanta arrogancia.
João Pedro Reply:
Junho 21st, 2010 at 23:54
Obscura? Pelo amor da Santa! Só se fosse porque alguns sectores não gostavam dele e queriam que permanecesse na “obscuridade” (ou no “obscurantismo”). Tratava-se tão só de um voto de pesar, apenas isso, nada mais. Ao recusá-lo, mostraram bem que a cultura é antes de mais uma ferramenta ideológica, em que só devem ser reconhecidos aqueles que estão em determinada trincheira. Já não há mais dúvidas.
A ideia de que o Presidente da república não esteve presente no funeral de saramago por não suportar prestar homenagem a quem o enfrentou, é um verdadeiro caso de psiquiatria.
Não esteve presente porque acha que saramago foi um ser nojento, mesquinho, mau, mal formado. Acha o Presidente da República e muitos, muitos outro Portugueses.
Apesar de, tenho certeza, não confundir esse pequenino homem com a obra literária que deixou.
[Responder]
Daniel Oliveira 21 Jun 2010 às 18:24
Está o senhor a dizer que quando morre um intelectual o voto de pesar da Assembleia da República é medido de acordo não com a obra em si, mas se pertence a esta ou aquela seita?
Li mal de certeza absoluta, não acredito que um humanista como o senhor aceite isto, a ser verdade.
Já agora figuras obscuras da nossa cultura sou eu, para sempre, e o senhor , por enquanto.
[Responder]
Caro Daniel Oliveira,
É com algum espanto que aprecio esta vossa (de quase toda a gente!) preocupação com as elieções presidenciais.
Concerteza que já percebeu, porque é um homem inteligente, que para nós – tristes pagadores de impostos – pouco importa se lá está o Dr. Cavaco, o Engº Belmiro ou o Arq. Moura.
Quem ocupa estes lugares tem cada menos influência sobre as nossas vidas, cada vez menos poder.
Pergunto: a nossa vida é mais influênciada pelos vetos do Presidente da República Portuguesa ou pelas taxas Sr. Jean Claude Trichet? E agora pergunto como no anúncio “vintage”: e foi você que pediu um Trichet Ferreira?
Sugiro que relativizemos a nossa “imensa minoria” portuguesa e que pensemos que o voto se tornou inútil, tal como se tornaram inúteis os sindicatos e talvez até os partidos políticos!
[Responder]
Fado, écque leu exactamente ao contrário.
[Responder]
fado alexandrino Reply:
Junho 21st, 2010 at 22:08
O que eu li foi
o BE e o PCP recusaram um voto de pesar pela morte do escritor Couto Viana. Não por causa da sua obra, mas por motivos políticos
e o senhor confirma
João Pedro Pimenta, só por razões políticas tal voto poderia existir
E eu deduzi que o senhor acha que pode e deve haver votos políticos na Assembleia da República sobre intelectuais que tenham morrido.
Ainda bem que acha que não e que só se deve considerar a obra e não o homem.
Já agora a Imprensa Nacional contrariando o BE e o PCP editou toda a sua obra muito recentemente.
Não me parece que o PR, pelo cargo que ocupa, esteja “obrigado” a estar presente no funeral de quem quer que seja. Quando muito pode representar Portugal numa cerimónia no estrangeiro.
Neste caso Cavaco seria sempre preso por ter e por não ter cão. Pessoalmente, acho uma hipocrisia ir ao funeral de quem não gostamos.
Já agora, se considerarmos que o PR tinha de estar no funeral de Saramago, temos de fazer uma lista das pessoas que merecem ter o PR no funeral?
Recentemente faleceu um escritor (João Aguiar) infinitamente melhor que Saramago (seja como PORTUGUÊS, como escritor ou como pessoa) e não vi nem um décimo do aparato mediático.
[Responder]
Cafc,
Aleixo que era conterrâneo de Cavaco…
Aqui vai…
Maiores querem parecer
Lá dizia o velho Aleixo
Que de tanto padecer
Só tinha barba no queixo
E ao contrário o Cavaco
Com o seu ar de rufia
Andando sempre enjoado
Pudera, é a Maria…
Ó Aniballllllllllll, grita ela
Tu nã vais ao funeral
Olha mas é pra´panela
Nas furnas a fumegar
Como diria o Aleixo
Vem da serra um infeliz
Vender sêmea por farinha;
Passado tempo já diz:
– Esta rua é toda minha.
Um abraço
[Responder]
E agora algo “completamente” diferente:
O inefável Rui Pedro Soares alegadamente terá comparado a comissão parlamentar (vai mesmo em minúsculas para combinar com os resultados) ao caso TVI com a santa inquisição.
Quando a cretinice anda de braço dado com a ignorância, resulta em mais um episódio para o anedotário nacional.
[Responder]
Daqui a 5 anos ninguém se lembra do Saramago. Enfim.. Quanto ao Nobel, “todos” sabemos como isso se fabrica.
[Responder]
Sobre o facto de Couto de Viana ser uma figura “obscura” queria citar uma frase de um poeta português, cujo nome não posso mencionar, sob pena de atingir a “profunda sensibilidade” de alguém que amesquinha todo o sagrado, sacralizando a mais banal relação filial:
«Meu Deus, faz com que eu seja sempre um poeta obscuro.»
[Responder]
Eu que já critiquei neste espaço Cavaco por não ter utilizado o veto na lei do casamento de homos, digo que subiu muitos pontos na minha consideração.
Deu a Saramago e à sua corte, a importância que eles na realidade têm.
Sr. Presidente já fiz as pazes consigo.
[Responder]
acredito na igualdade de todos mas com um juiz imparcial que é o Rei em vez de termos juízes comprados que tornam a nossa republica um autêntico caso de “Apito Dourado
[Responder]
Isabel,
Quanto menos sentido de Estado tiver o Presidente e mais for um líder de facção mais a senhora gosta dele. Isso tem uma coisa boa: quanto mais gostar dele menos fácil será a sua reeleição. Espero que o venha a adorar.
[Responder]
O Louçã também não esteve bem ao tentar chamar a atenção para si com a questão “Cavaco”.
Parece que lhe é impossível que se fale de um assunto de interesse nacional sem se falar nele.
[Responder]
Não é facção.
Nem toda a gente tem por Saramago a adoração que os comunistas têm por ele.
Dão-nos licença, ou não podemos?
Ele foi um bom escritor, ponto. Há mais vida cultural para além de Saramago.
Não entendo esta histeria.
[Responder]
Daniel Sobral Reply:
Junho 22nd, 2010 at 1:03
“Nem toda a gente tem por Saramago a adoração que os comunistas têm por ele.
Dão-nos licença, ou não podemos?
Ele foi um bom escritor, ponto. Há mais vida cultural para além de Saramago.
Não entendo esta histeria.”
Imagine-se que em vez de Saramago seria a vez de Paulo Portas, muito menos de todos os Portugueses do que Saramago. Faria lá falta o presidente?
E a esquerda beata iria votar ou deixar de votar por ver um presidente seu prestar a sua última homenagem ao Paulinho das Feiras como fez a direita beata.
Haja paciência
Daniel, acha que um partido não deve chamar à atenção para questões de Estado para não dar nas vistas?
[Responder]
A narrativa parece pré-estabelecida: Cavaco vai-se saír mal, quer vá (pela hipocrisia) quer não vá (pela desconsideração) quer “aguente com dignidade” (aguentar o quê, já agora, e com que efeitos para a tal “dignididade presidencial”?). Não há nem nunca houve hipóteses de Cavaco Silva se saír bem nesta narrativa.
Esta narrativa também não é para todos: só come esta narrativa quem a quer comer. Como foi no caso do casamento entre pessoas do mesmo sexo, onde no fim de contas nos ficámos a perguntar se para certos colunistas não foi mais relevente do que a promulgação o seu “modo de promulgar” – criando-se a narrativa de mais uma situação onde não há nem nunca houve hipóteses de Cavaco Silva se saír bem).
Estas narrativas promovem, indirectamente, a agenda política de eleger Manuel Alegre, uma agenda política que tem sido sobretudo concretizada em ataques de carácter a Cavaco Silva, esperando ainda um efeito de cortina de fumo à incómoda colagem de Alegre ao PS.
Esta narrativa é, obviamente, legítima. Pois tudo isto é política.
Este episódio é que me parece longe demais pelo aproveitamento de um momento de pesar como a morte de Saramago. E, se no caso de dignatários no local (como o deputado Dr. Louçã, acima mencionado) há que contar sempre com o espicaçar dos repórteres ávidos de encher longos directos televisivos, este post vai direitinho ao alvo – e o aproveitamento resulta por demais evidente.
Cmpts,
[Responder]
Claro que sim Daniel, mas sempre empunhando o megafone? Será o BE capaz de falar da vida do país senão através da vuvuzela?
[Responder]
Daniel: não vale a pena. Quer queiramos quer não, seria sempre, com a presença de Cavaco, passada uma certa imagem de “perdoar” e “desculpabilizar” nestas horas difíceis. Cavaco não tem essa dimensão humana. Cavaco é discípulo do Deus vingativo, que Saramago ofendeu.
Deixo uma pergunta: será o humanismo uma característica apenas das pessoas de esquerda?
[Responder]
Cavaco fez bem em não aparecer.
Saramago não merecia (nem queria, suponho) a presença do PR.
Saramago disse que se Cavaco fosse PR não voltaria a pôr os pés em Portugal, se Cavaco fosse era logo acusado de impostor e estar a aproveitar o momento para piscar o olho à esquerda, etc…
Esta esquerda moralista que tem sempre razão é mesmo irritantezinha…
PS: as palavras de ordem gritadas no funeral só provam que Cavaco fez muito bem!
[Responder]
Daniel Sobral,
parece-me bem que quem está a fazer campanha é o senhor. Concorda com o apelo que foi feito, apenas não gosta de quem o fez. E no entanto houve mais umas dezenas de pessoas (editoriais, comentadores) que a fizeram. Aí tudo bem. Aquela pessoa écque não.
[Responder]
Daniel Sobral Reply:
Junho 22nd, 2010 at 10:44
Daniel Oliveira
“parece-me bem que quem está a fazer campanha é o senhor. Concorda com o apelo que foi feito, apenas não gosta de quem o fez.”
Eu sei que com tudo o que aparece aqui e nos meios de comunicação em geral, o mais provável seria eu estar a fazer campanha. Provavelmente julgou me militante do PC.
Mas…
Não tenho nada contra quem fez o apelo ao ponto de ter votado nele nas últimas legislativas. E nunca votaria no Jerónimo de Sousa, nem o tenho em grande conta politicamente.
Isso não me impede de ver quem se comportou há altura dos acontecimentos. E por muito que Cavaco tenha estado mal, Saramago merecia o melhor dos presentes e acho que aí Jerónimo fez justiça há figura de Saramago ao contrário de Louçã.
Só os comparo por nesta situação representarem os extremos.
“E no entanto houve mais umas dezenas de pessoas (editoriais, comentadores) que a fizeram. Aí tudo bem. Aquela pessoa écque não.”
Há uma diferença entre lamentar a lamentável atitude do Presidente de Portugal, a meu ver algo legitimo a todos, e marcar o último adeus a Saramago com declarações amargas.
André: irrita-se menos com a esquerda que não tem razão?
[Responder]
Nuno Alexandre,
dito tudo isso… Cavaco devia, tendo em conta os argumentos institucionais que aqui foram dados, ter estado presente ou não? É que discutir a discussão é uma excelente forma de fugir a todas as criticas.
[Responder]
Delirante. O homem, literatura á parte, enquanto homem não passou de um escroque. Mesquinho, mau caracter, mal formado, muito pouco sério.
Dizem-me que a mulher ainda é pior…
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GMaciel Reply:
Junho 22nd, 2010 at 11:31
Hummm… a mim também dizem muita coisa, mas eu tenho esta irritante mania de querer ver com os meus olhos.
Feitios!
cafc Reply:
Junho 22nd, 2010 at 17:15
E eu, que tenho bastas relações familiares com “gentes do Norte”, sempre ouvi dizer que, a isto, se chama “emprenhar pelos oubidos, carago.”
Carlos
O nível cultural (ou a manifesta falta dele) das pessoas que aqui vêm atacar José Saramago é gritante.
Portanto: compara-se Saramago com um mero escritor e depois estigmatiza-se porque defendia ideias e era comunista.
Um retrato do país de mesquinhos que temos.
Ele é só o 1º prémio Nobel da Literatura de Portugal.
Reconhecido internacionalmente. Aqui há tempos falava com um colega neo-zelandês que me perguntava se Saramago tinha edição no país dele. Ele nem sequer sabe quem é Cavaco. Muito menos os líderes da direita bafienta portuguesa.
Porque o que marca a existência e a transmissão da cultura de um povo são os seus artistas, realizadores, pintores, escultores, fotógrafos… Não são nem nunca foram os seus políticos.
O desrespeito por Saramago traduz linearmente o nacionalismo bacoco e a pequenez imensa de quem por ele não consegue mais do que ver o ser pessoal em vez do ser literário e humano.
O que é ainda mais estranho é que a direita queira à força esmagar a cultura de um país só porque essa cultura vem da esquerda.
Pois é meus amigos: a cultura, os pensadores, os seus executores (escritores, escultores…) em quase todo o mundo perfilham ideias de esquerda. Porque é lá que está o livre pensamento sem espartilhos e com humanismo. Se não gostam mudem de planeta…
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Daniel Sobral Reply:
Junho 22nd, 2010 at 12:11
“Aqui há tempos falava com um colega neo-zelandês que me perguntava se Saramago tinha edição no país dele. Ele nem sequer sabe quem é Cavaco. Muito menos os líderes da direita bafienta portuguesa.”
Isto não indica nada mas só por curiosidade um amigo meu Italiano, professor de história, supra partidário mas de matriz Social-Democrata, com muito entusiasmado veio me mostrar um livro de Oriana Fallaci chamado “Entrevista com a história”, julgo eu. Trazia uma entrevista a Álvaro Cunhal. Reparei no índice que a seguir vinha uma entrevista com o dobro do tamanho a Mário Soares. Perguntei-lhe se tinha lido, disse-me que sim mas não tinha muito interesse.
Como disse, isto não revela nada, mas imediatamente comparei aquele interesse de alguém que nada tem a ver com Cunhal com a forma como nós diaboliza-mos através de mitos quem pensa de forma diferente.
GMaciel Reply:
Junho 22nd, 2010 at 12:27
Bravo!!!!
Sr Presidente biba… já tem o BOTO da Isabel, e do Cunha. Lindo, comovente a fra….:”Sre Presidente já tem o meu voto”!!!!O que o Sr Silva passou, só de pensar que, poderia eventualmente, não “contar com os “botos” da Isabelita”!!!
Sr “PResidente”, não se esqueça Dela e do amigalhaço Cunha. para o “próximo 10 de Junho”!!
PS: isto se (AINDA) for FERIADO…topas?
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António Cunha Reply:
Junho 22nd, 2010 at 16:48
E vai ganhar à primeira.
Nesse dia virei aqui distribuir Alka-seltzer gratuitamente.
Isabel Reply:
Junho 22nd, 2010 at 22:57
O seu comentário teve piada.
Eu não disse que ia votar nele, mas vou.
Vou, infelizmente, porque por muitas reservas que eu tenha em ralação a ele, tudo é melhor do que entregar o País a um irresponsável que quer unir a esquerda para mais depressa dar cabo do que ainda falta.
E como sou portuguesa de alma e coração e não lacaia de imperialismos estrangeiros, lá terá que ser.
O Cavaco silva e o Sousa lara fazem agora o tal dueto fantásticamente infeliz. Unidos pela santa ignorância e rancores a cheirar a mofo.
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GMaciel Reply:
Junho 22nd, 2010 at 17:35
Eheheheh… boa Maria!
o homem é preso por ter e por nao ter. se nao foi é porque foi coerente com ele e nao representou o pais (o Saramago realmente adorava Portugal… imenso). Se fosse era hipocrita. Enfim. É a Tuga. Dizer sempre mal. E eu também o faco.
Agora de Saramago… desse nao gostava
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Graça,
O inefável Rui Pedro Soares, o quê??? “A minha filha e o marido são uns vigaristas” e o que me dizes ás tramóias do grande João Nabais e sua elegantíssima esponja???
Mas depois são estes que cagam postas de pescada e arrotam grosso nos megas processos ou quando são chamados a botar faladura seja qual for o assunto e são estes ainda que defendem os Rui Pedro Soares e afins..
Como é possível que figuras como o casal Nabais vigarizarem os próprios País???
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O Arrastão podia fazer um inquérito interessante.
Quanto gastou o Estado Português com as cerimónias fúnebres de Saramago ?
Os palpites poderiam ser quantitativos : entre X e Y, ou qualitativos, barato, caro, muito caro.
Nos palpites qualitativos, haverá que ter em conta a actual situação das economias europeias… sem querer influenciar.
Vá lá Senhores Arrastão, um bocadinho de coragem não faz mal a ninguém…
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GMaciel Reply:
Junho 22nd, 2010 at 22:04
De certeza que custou menos de 75 milhões de euros, que foi quanto custou a visita do papa à paróquia, e será uma ínfima parte do custo da falta de cultura e da ignorância de muitos portugueses.
MP Reply:
Junho 22nd, 2010 at 23:31
A isto se chama “acusar o toque” !
GMaciel Reply:
Junho 23rd, 2010 at 11:18
Ó MP, que desilusão. Esperava uma reacção mais inteligente, a isto se chama “argumento de chavalo imberbe”.
Tsc,tsc….
MP Reply:
Junho 23rd, 2010 at 13:22
A isto se chama “pior a emenda que o soneto”.
GMaciel Reply:
Junho 23rd, 2010 at 14:53
Como diria José Mário Branco, “consolida, filho, consolida”!
Agora em BD:
MP Reply:
Junho 23rd, 2010 at 15:25
ahahahahahahahahaha.
Genial a interacção entre a prosa literária e a BD.
MP, faça o senhor no seu blogue. Isto não é o cano de esgoto.
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Dazulpintado Reply:
Junho 22nd, 2010 at 21:53
!Credo Daniel, que mala leche.
MP Reply:
Junho 22nd, 2010 at 23:30
Evidentemente que não esperava outro tipo de resposta. Absolutamente reveladora…
Ainda bem que não o surpreendo, MP. Você também não me surpreende a mim.
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A crónica do ( insuspeito) Vasco Graça Moura sobre a obra de Saramago e também sobre o próprio Saramago, publicada hoje no DN, é muito interessante.
Termina assim “Um grande escritor pode ter destas contradições e defeitos que o aproximam mais de nós e não retiram nada ao estatuto da sua grandeza”.
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nem mais, nem mais. roubei-lhe o texto (devidamente identificado, ora pois)
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