Alguma coisa está errada. Ou o primeiro-ministro fez o que os agentes de justiça andaram a soprar aos jornais mas o Ministério Público foi incompetente para o levar a julgamento, e alguém tem de responder por isso. Ou o primeiro-ministro não estava envolvido em nada e alguém na justiça usou a sua função para combate político, e alguém tem de responder por isso.
Se for o primeiro caso, é grave. Se for o segundo, é gravíssimo. Não há cidadãos de primeira e de segunda. Mas há responsabilidade. Pôr a política nacional a ferro e fogo para depois apresentar uma mão cheia de nada é inaceitável.
O pior é que não é a primeira vez que isto acontece. E começa a parecer que o Ministério Público é arena de confrontos partidários e corporativos e que os instrumentos excepcionais que a comunidade dá estas pessoas são usados para proveito próprio. E isso põe em causa todas as garantias democráticas.
No plano político, como já escrevi, havia um debate (independente da investigação judicial) a ter sobre este caso: a que se deveu a pressa de, em vésperas de passar o poder para outros, encerrar o licenciamento daquele projecto, tendo em conta todas as dúvidas que subsistiam quer em relação aos efeitos ambientais da obra quer em relação às estranhas alterações que se fizeram aos limites da zona ecológica? Gostava de ter podido discutir este assunto, importante para o ordenamento territorial do País e a transparência das decisões administrativas.
Mas como a justiça se envolveu, sem quaisquer resultados neste processo (e temos de aceitar que se não teve resultados é porque não tinha nada para descobrir), esse debate estritamente político ficou prejudicado. Fica uma lição que já se devia ter aprendido: quem usa a justiça como atalho da política degrada a justiça e a política. Ficamos todos a perder.
20 comentários 28 Jul 10 em Sem categoria


Certo, mas falta outra conclusão:
- a justiça pode continuar a funcionar, mostrando que não funciona?
Para quando a transparência e a abertura desses dados recolhidos, que indiciavam as suspeitas?
A justiça não deve ser perturbada enquanto efectua o veredicto, mas depois deve ser transparente disponibilizando os dados e registos do processo, para escrutínio de responsabilidades.
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Basta ouvir as declarações de Carlos Cruz, para ver a merda a que isto chegou !
E ontem tudo o que era xuxalista andava a mandar foguetes. Saíram todos da toca, parecia que tinham ganho o campeonato do mundo.
O unico pais do mundo onde por mais provas que aparecam, existe sempre maneira de os corruptos se safarem.
Veja-se os casos bragaparques, pinto da costa entre outros e percebe-se que somos quase um “não estado” !
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O estado, o que faz, faz bem, Daniel…Principalmente as poucas coisas que devia mesmo fazer…
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Tonibleir: a forma como o senhor fala do Estado é um pouco infantil. O nosso faz mal, o seuco faz bem, outros fazem mais ou menos. Só depende de nós, porque é de nós que o Estado depende.
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Tonibler Reply:
Julho 29th, 2010 at 10:15
Não, não é. O estado só depende de nós no dinheiro, mais nada.
Caro Daniel Oliveira,
Assino por baixo e lembro, uma vez mais (nunca sera em demasia) que os tribunais são a justiça do povo. Ha quem não perceba o significado desta frase e, muito pior, porque muito mais perigoso, ha quem teime em não ver que existe nesse campo um principio raramente desmentido : o povo tem a justiça que merece.
Ora para merecer, e ter, uma justiça melhor, mais bem administrada, deviamos de facto começar por meditar aquilo que você diz no post.
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Quando os visados são “dos nossos”, sempre que a justiça os iliba aplaude-se a “independência do poder judicial”, considerando-se que “assim é que deve ser”;
Quando os visados são “dos outros”, sempre que a Justiça os iliba, aqui d´el rei que a Justiça não funciona, está manietada e dominada por interesses;
Quando os visados são os portugueses que de vez em quando aparecem na TV a dizer que “isto está mal, o dinheiro não chega para nada, menina!”, aí a Justiça mostra-se implacável, “blindada” e cheia de togas, “que o respeitinho é muito bonito!”.
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Tonibleir: eu voto. Não para o conselho de administração da PT ou da EDP, porque não sou accionista. Mas para o governo deste país. Já tinha desconfiado que, como bom neoliberal radical, não acredita na democracia representativa. Aliás, nesse plano o Tonibleir tem muito em comum com as correntes políticas que mais critica.
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Bem visto. Subscrevo totalmente e, pela minha parte, não vou esquecer nunca os responsáveis e os beneficiários da tentativa de golpe de estado palaciano, que provocou uma autêntica “guerra fria civil” em Portugal, perpetrada no ano transacto. E que nada ficou a dever, em dolo, às intentonas de 11 de Março e de 25 de Novembro de 75. Mas as consequências de 2009 para certa Direita portuguesa, a do cavaquismo-ferreirismo-pachequismo-rangelismo, serão desastrosas. E prolongar-se-ão por muitos anos…
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falta uma hipotese: ou quem agora conclui o que conclui é ingénuo ou parvo.
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Caro Daniel Oliveira
mas então não está demonstrado pela Justiça que “(…) o primeiro-ministro não estava envolvido em nada e alguém na justiça usou a sua função para combate político, e alguém tem de responder por isso.”?
Não foi isso que a Justiça anunciou?
Passemos à segunda parte então: “alguém tem que responder por isso”. Sim! Alguém tem que responder por isso!
Era sobre isso que eu esperava que o Daniel tomasse uma posição tão indignada como a minha: depois de seis anos concluem (contra tudo o que sopraram para os media) que afinal Sócrates nem sequer era suspeito… portanto nem sequer poderia ser ilibado… 6 anos! Acha isto normal? Não está indignado?
Mas, não. O DO ainda mantém uma suspeitazinha…
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Só não vê quem não quer ver. Enquanto a Justiça estiver minada pela Maçonaria, não há volta a dar…
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Daniel,
O meu voto, tal como o seu, só funciona para decidir 1/3 dos orgãos de soberania. E, destes, só para decidir o que fazer, não o que não fazer. Não posso votar para despedirem todos os funcionários públicos porque tal está vedado aos meus (supostos) representantes que, já por si, podem não ser eligíveis se a sua actividade não for completamente inútil para a sociedade. Na realidade, tenho que pagar 1 estado mas só posso decidir sobre uma fracção irrisória desse estado, eu eleitor. Não porque só tenho um voto, mas porque esse voto não acede ao poder de facto.
Logo a única forma de me proteger do estado, tal como todos os outros, é fazer de tudo para não lhe dar dinheiro.
Eu da EDP e da PT não preciso de ser protegido. Só do estado. Não pela sua vontade, mas porque felizmente já é assim…
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Preferia que fosse directo ao assunto e afirmasse, preto no branco, o seguinte:”Acho que o Sócrates meteu a mão na massa, mas como é poderoso, escapou”.
Assim, como está, até o Mário Crespo faz melhor…
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David Ferreira: o senhor preferia, mas eu não tenho dados para achar isso e não.
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A Justiça vale o que vale, e em Portugal vale zero.
A estória da presunção de inocência é uma treta!
Ontem Joana Amaral Dias pedia que, no caso BCP, “desta vez se fizesse justiça” (ou seja, que os senhores fossem condenados).
Cavando um ‘cadito mais fundo, concluímos que afinal há mais apoiantes da teoria do Portas para os sumários… só varia o tipo de crime.
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A Justiça em Portugal é uma brincadeira de mau gosto, veja-se o caso casa pia, mais 30 dias de martírio, não só para as vítimas, mas também para aqueles que vão ser absolvidos, ou, no máximo, condenados a pena suspensa, vergonhoso, nada mais.
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Ahaha, alembra-me o Salazar, se cá viesse e visse estes A Martins, o Sócas e Cia, do PS, como os primos deles do PSD, por igual eunucos e nepotes (sobrinhos) de italianos do Sul.
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Parece que não houve tempo para fazer perguntas importantes a uma pessoa e essa pessoa chama-se José Sócrates. Está tudo dito.
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Este é o MP do PS e do PSD! Sobretudo do PS, desde 1978!!
Está tudo dito…
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