Não é preciso grande esforço para perceber que os oitenta por cento garantidos pela CGTP e os 13 por cento de adesão dos funcionários do Estado apontados pelo governo não são números para levar a sério. Para quem acompanhou as anteriores greves gerais e esta, uma coisa fica clara: foi a mais fraca greve geral até hoje organizada em Portugal.

Escrevi aqui: «As lutas têm o seu modo e o seu tempo. Falhar nelas é piorar o que já está péssimo. As boas razões para esta greve são as que mereceriam os melhores procedimentos. Esperemos que as agendas partidárias não funcionem contra os objectivos justos desta greve. Esperemos que com tantas boas razões para ser punido, José Sócrates não saia dela reforçado. Se assim for, alguém terá de explicar porquê. Se assim não for, estão de parabéns e serei o primeiro, com genuína alegria, a rejubilar. Esperemos que eu me engane.»

Esta greve era justa em todas as suas razões. Apoiei-a e, como cidadão, tentei com os meus fracos recursos individuais que corresse bem. Achava, como se depreendia facilmente pelos meus textos, que ela não acertava no tempo e no modo. Mas não sou sindicalista e não me cabe a mim marcar greves. Se concordava com as razões, restava-me tentar que corresse bem. Em tempo de guerra não se limpam armas, se me permitem a metáfora talvez demasiado bélica. Correu mal (apesar de muito melhor do que tenta vender o governo e os seus apoiantes), mesmo que isso custe a todos os que consideram, como eu, que este governo está a ser uma tragédia para o futuro do país e que representa a consumação, de forma ainda mais violenta, do programa político do emigrado Durão Barroso.

Vistos os resultados, a greve foi, como salta aos olhos de qualquer pessoa razoável, prematura. E isso aconteceu porque houve pressões vindas de uma sede partidária para a sua precipitação. Desconheço as razões deste disparate. Lamentavelmente, demasiados sindicalistas esqueceram-se que representam os trabalhadores e não o seu partido político. O resultado é trágico: Sócrates ganha um balão de oxigénio e quando vier o pacote da flexibilidade sem qualquer segurança a “bomba atómica” já foi usada. A greve não conseguiu traduzir com justiça o descontentamento que se sente, nem nos sectores onde ele é mais agudo. E palpita-me que ninguém se vai dar ao trabalho de tirar deste disparate todas consequências.

Espero pelo menos que tenha servido para que a CGTP se liberte das ordens de controleiros partidários. Mas duvido. Sobretudo quando sabemos que um homem lúcido como Carvalho da Silva está já com guia de marcha para bem longe. Assim não vamos lá.


27 respostas ao post “O balão de oxigénio”  

  1. 1 1  viror

    fico parvo com isto das greves gerais.trabalho numa empresa privada. tenho 41 anos. vou esperar que me expliquem porque um funcionário publico se reforma com menos de 65 anos.serei eu um portuges de segunda ????eu vou ter que trabalhar até aos 65.comecei com 16.tenho nojo deste país. muito

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  2. 2 2  Epicuro

    Tem toda a razão. Não podemos deixar de lutar, mas é mais que tempo de começarmos a lutar para ganhar.

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  3. 3 3  Luís Lavoura

    Daniel: já hoje uma grande parte dos trabalhadores portugueses, e cada vez mais, têm “flexibilidade sem qualquer segurança”. O “pacote” de que falas, se vier, irá apenas criar mais igualdade entre os trabalhadores, passando todos a ter a mesma flexibilidade e a mesma (falta de) segurança. Poderá ser um resultado um bocado desagradável para alguns, mas será apesar de tudo positivo de alguma forma: os trabalhadores passarão a estar mais unidos, pois estarão todos nas mesmas condições.

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  4. 4 4  antónio

    Ontem na SICN, o ministro Pedro Silva Pereira ao afirmar a legalidade dos serviços mínimos no Metro de Lisboa, deu como exemplo o facto do Tribunal Central Admnistrativo considerar legal os serviços mínimos para a greve dos professores de 2005 23.05.2007. Porque lhe convinha, omitiu todas as vitórias do SMAQ (sindicato nacional de maquinistas) nos diversos tribunais, relativamente a requisições civis e serviços mínimos.

    http://www.negocios.pt/default.asp?CpContentId=260462

    http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=38954&idCanal=90

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  5. 5 5  jal

    Então para o Daniel foi uma sede partidária que precipitou a marcação da Greve?
    Já vimos como é que a tese de que a CGTP é controlada por um Partido faz escola, como o Daniel passa um atestado de estupidez aos milhares de sindicalistas não pertencentes a esse partido e menoriza a força e a capacidade de autonomamente a CGTP decidir sobre as formas de luta.

    A realidade é que esta, ao contrário do que diz o Daniel, foi uma grande greve, uma greve que deixou o Governo e o patronato muito nervosos, uma Greve que se fez sentir em todos os sectores de actividade e em todo o País.

    Certamente, todos desejariamos ver um País completamente paralisado, talvez ainda não tenha chegado a hora, mas aquilo a que assistimos ontem foi a uma poderosa demonstração da capacidade de luta e de mobilização dos trabalhadores portugueses.

    Ao contrário do que o Daniel afirma esta foi uma grande greve geral e um sério aviso ao Governo.

    Uma greve em que sectores tradicionalmente avessos a aderir deram exemplos muito interessantes da sua capacidade de luta.

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  6. 6 6  Xantipa

    O principal problema dos sindicatos é que eles hoje estão “funcionalizados” em Portugal pelos partidos políticos.
    Hoje há sindicatos em que os seus dirigentes, além de serem figuras de destaque nos respectivos partidos, recebem prebendas desses mesmos sindicatos muito diferentes daquelas que defendem para os trabalhadores.
    Um bom exemplo do que acabo de dizer é o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, UGT, em que os seus dirigentes recebem um complemento de vencimento e têm direito a viatura.
    É o chamado sindicalismo “moderno” tão defendido pelo Jorge Coelho.
    Para se fazer uma greve com sucesso torna-se necessário, como diz o Daniel, definirem-se objectivos com muita clareza; nesta greve, as razões para a sua realização eram tantos (com razão), que ficaram todos diluídos.
    “Para que os trabalhadores não fiquem mais pobres”, seria, por exemplo, uma palavra de ordem compreendida por todos os que trabalham.
    Mas o problema em relação à adesão a uma greve prende-se com razões económicas e com razões de justiça.
    Por razões económicas porque hoje um dia de salário perdido tem um peso elevado nas contas que não se podem pagar no fim do mês.
    Por uma razão de justiça porque quem faz greve sente sempre um enorme desconforto ao saber que estão a sacrificar-se também por aqueles que não a fazem e que, ao não a fazer, ganham nos dois campos: por um lado ficam sempre bem vistos pelo patronato e chefias. Por outro lado se a greve tiver sucesso eles serão também beneficiados com as regalias que daí advirão.
    Esta situação de injustiça poderia ser ultrapassada com a existência dos fundos de greve.
    Por um lado os grevistas não sentiram o efeito dissuasor do dia de salário perdido.
    Por outro lado os não grevistas iriam sentir eles próprios o desconforto de perceberem que os seus colegas não estariam a ser prejudicados economicamente.
    Além disso seria possível fazerem-se greves de mais de um dia, que são aquelas que mais tocam ao patronato.
    Imagine-se só, se os poderosos banqueiros iriam resistir durante muito tempo a duas ou tres semanas consecutivas com greves às Sextas e às Segundas feiras!!
    Então pergunta-se: porque é que os sindicatos da UGT e da CGTP não têm fundos de greve?
    A resposta a esta pergunta levaria a um novo post porque este já está muito longo.

    Eu

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  7. 7 7  Junq

    Daniel, porque será que os sindicatos começam a soar a coisa do passado? Onde estão os novos homens, jovens, do sindicalismo? Haverá em quantidade e qualidade? Não estará o sindicalismo em profunda mutação, talvez mesmo mortal? Qual será a alternativa? E é mesmo necessária uma alternativa em termos de grupo organizado preparado para defender os direitos dos trabalhadores?

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  8. 8 8  Ricardo

    Já cá faltava.
    Daniel Oliveira, tal como em textos anteriores, reafirma a sua verdadeira opção.
    Não concordou com a greve mas isso seria apresentar-se do lado da barricada em que pretende esconder que está. Por isso éscreveu concordar com as justificações para a greve. Mas a sua marcação teria sido precipitada e baseada no tacitismo comunista.
    Mas Daniel Oliveira encontrou aqui uma janela para acompanhar um outro objectivo: tentar criar a divisão no movimento operário.
    Este novo texto de Daniel Oliveira não poderia ser mais claro!
    Assim se vê o papel dos Daniéis!

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  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Ricardo, peço desculpa pensar e não ser um soldado do CC. Fará o senhor os processos de intenções que entender, decidindo quando sou sincero e quando não sou. Mas o que escrevo e o que escrevi é o que penso. Vantagens de não pertencer a um partido que me impede de o dizer em público…

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  10. 10 10  Carlos Alberto

    Não podia estar mais de acordo com o que o Daniel Oliveira escreve. Só que acho, que Carvalho da Silva deveria retirar as consequências da sua gestão neste assunto. DEVIA DEMITIR-SE, e entregar definitivamente o controle da CGTP ao Comité Central do PCP.

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  11. 11 11  Ricardo

    Não poderia estar mais de acordo. Por isso Daniel e outros procuram alinhar na ideia de que a greve foi um fracasso.
    Veremos se foi. Pelo que presenciei surgiram novas esperanças e oportunidades de mobilização, até vindas de sectores mais expostos e menos mobilizados.
    Mas para Daniel, o dia a seguir é para contar espingardas. Não para demonstrar que vale sempre a pena lutar. Para Daniel o dia a seguir serve para alinhar e tentar difundir a tese de que se não houve mais mobilização foi porque a CGTP não é controlada pela sede da S. Bento. Pois é. Os trabalhadores preferem manter a independência da sua Central de Classe. É na Vitor Cordon que se dirige a CGTP. São os órgãos eleitos pelos trabalhadores que dirigem a CGTP. E em última análise são os plenários nacionais e o Congresso da CGTP.
    Não! Não é a Rua de S. Bento nem o Largo do Rato.

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  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Ricardo, adoro quando se lembram da autonomia dos sindicatos. Um pouco tarde de mais, é verdade.

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  13. 13 13  José Manuel Faria

    Carvalho da Silva era um bom candidato a Presidente da República, apoiado pelos partidos à esquerda do PS

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  14. 14 14  Luís Oliveira

    “Espero pelo menos que tenha servido para que a CGTP se liberte das ordens de controleiros partidários.”

    “um homem lúcido como Carvalho da Silva”

    ROFL!

    Tem de experimentar o stand-up comedy…

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  15. 15 15  joana cardoso

    Com amigos destes, os trabalhadores nem precisam de inimigos.
    Classificar a greve geral de balão de oxigénio para o governo deve ser um comentário que possivelmente não veremos nem nos comentadores mais enfeudados ao PS.
    Mas, no fundo, eu só queria uma explicação do Daniel : a que horas e quem é que, pela CGTP, falou em 80% de adesão à greve.
    Eu não vi nem ouvi. E pelo contrário nos telejornais da noite o que vi foi os jornalistas a interromperem deseducadamente o Carvalho da Silva e perguntarem-lhe por uma percentagem nacional de adesão, sem que ele, acertadamente, jamais tenha respondido.
    Eu sei que os comentários são muitos, mas ó Daniel, por todos os santinhos não deixe de prestar-me a informação que lhe estou a pedir.
    E se, por absurdo, não a têm, então vá já emendar o post.

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  16. 16 16  António P.

    Boa tarde Daniel,
    Face a esta sua análise, à posteriori, não consigo perceber como apoiou a greve à anteriori.
    Estava-se mesmo a ver :
    - que a “bomba atómica” quando for necessária está seca;
    - que o PC é que controlava a greve.
    Também não consigo perceber como é que o BE e outras esquerdas cairam numa armadilha velha de dezenas de anos e em vez de se demarcarem da greve como os argumentos que o Daniel agora usa…lá foram “cantando e rindo” de braço dado com a velhada do PC.
    Parece que na ausência de capacidade para convocarem uma greve geral quiseram mostrar às juventudes militantes o que seria uma ao vivo…convocada pelo PC.
    Cumprimentos

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  17. 17 17  Daniel Oliveira

    Foram os números dados à tarde pela Lusa e por vários sites a partir de um levantamento que a CGTP teria feito através de centenas de empresas.

    António P, ainda bem que ninguém pode responsabilizar o resto da esquerda pelo mau resultado da greve. Estariamos agora a ser o bode expiatório de todas as desgraças. Do meu lado, apoiei a greve porque, como escrevi, concordo com os seus propósitos. O erro táctico não me faz esquecer o acerto de princípio.

    Joana Cardoso, as cabeças livres fazem a crítica quando ela deve ser feita. E basta ouvir o contentamento da direita e do PS para perceber o erro. A maioria dos trabalhadores, já agora, foi trabalhar. A crítica ao momento e ao modo da greve geral foi feita, antes de mais, por eles. Talvez seja melhor prestar-lhes atenção.

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  18. 18 18  Filipe Moura

    Luís Lavoura, era fixe então que os investigadores de carreira com emprego garantido pelo Estado, como você, passassem a estar nas mesmas condições dos bolseiros de investigação científica, como eu, não era? Passávamos a estar todos tão unidinhos!

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  19. 19 19  jal

    Caro Daniel,
    Ouvi no telejornal as palavras de João Proença da UGT e de quem é que me lembrei imediatamente?
    Obviamente, de si.
    Tal não foi a coincidência de pontos de vista.

    É verdade, já agora, resta dizer que também não esteve muito longe do pensamento do 1º Ministro.

    Está no caminho certo, verá que mais tarde será recompensado…se já não estiver a ser.
    A direita costuma a ser muito generosa com certos precursos.

    [Responder]

  20. 20 20  joana cardoso

    Desculpem voltar à carga, mas assim não dá. Eu perguntei ao Daniel a que horas e quem é que, pela CGTP, tinha falado em 80% de adesão.
    Ele responde que foi …a LUSA ! A qual, pelos vistos, já fala pela CGTP e no post do Daniel quem paga é a CGTP !
    Isto é sério » Não, não é.
    Daniel reconheça francamente que durante o dia de ontem não ouviu nem viu nenhum dirigente da CGTP falar em 80%.

    E faça um PS ao post em que diga que o contraponto aos números do Governo não é da CGTP mas da LUSA !

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  21. 21 21  Antonio Silva

    Não há dúvida, é mesmo uma questão de classe! No dia seguinte à Greve Geral há os que procuram salientar os aspectos positivos dessa acção e outros há que procuram denegri-la e lançar insinuações baixas para dividir os trabalhadores. O Daniel mais uma vez se coloca do lado dos patrões e deste miserável governo.

    [Responder]

  22. 22 22  António Fonseca

    Algumas notas:

    1. Faço uma proposta aos leitores deste post. Leiam o artigo imaginando-se no dia 29 de Maio. Alterem o tempo dos verbos. Mais coisa menos coisa chegarão a um outro artigo do mesmo autor escrito poucos dias antes. Ora isto seria de todo compreensível se este post fosse ilustrado com factos e situações que de forma clara demonstrassem a assertividade do post anterior. Estaria provado o génio estratégico de Daniel Oliveira. Ao contrário, chovem, ou mentiras “que os oitenta por cento garantidos pela CGTP” (como já alguém aqui escreveu e pôs a gaguejar o autor do blog e membro da Comissão Politica do BE, em nenhum momento a CGTP apresentou números globais) ou então chove a mais fina demagogia governamental: “foi a mais fraca greve geral até hoje organizada em Portugal”. Perde-se um génio ganha-se um… e um…
    Isto tudo para demonstrar que sim que o Daniel Oliveira teve uma atitude persecutória face à Greve Geral.
    2. O Daniel devia, por uma questão de honestidade provar ainda o que diz, concretizando:
    “houve pressões vindas de uma sede partidária para a sua precipitação” eu conheço de facto a pressão que as politicas vindas da sede do PS provocaram para as grandes jornadas de luta de 2 de Março, 12 de Outubro ou 28 de Março que vieram a ter o seu corolário lógico na convocação da greve geral. O Daniel conhece outras? Que factos apresenta para o provar?
    3. Sobre o argumento “a greve foi prematura”. Pergunto: porque desliga o Daniel a convocação da Greve Geral das maiores jornadas de luta dos últimos 15 anos em Portugal, que já referi?

    4. O Daniel foi contra a marcação da Greve Geral. É respeitável que o seu sentimento de descontentamento não seja igual ao dos trabalhadores sindicalizados na CGTP-IN (tenho mais duvidas é que mereça o respeito de todos aqueles que arriscaram o seu posto de trabalho, chamar à greve um disparate, mas também já sei que o Daniel não se importa nada de ser acompanhado pelos Belmiros nestes comentários). Mas já agora, que alternativas proporia?
    5. “Falhar nelas é piorar o que já está péssimo” (mais uma tirada à Belmiro de Azevedo).
    Aqui o Daniel revela-se mais do que se poderia supor, pois de para além de demonstrar um total desconhecimento sobre os processos de luta (ao contrário do que possa pensar, as lutas mais bem sucedidas dos trabalhadores são resultado de um processo muitas vezes não linear, de grandes jornadas e de pequenas acções. Todas elas muito importantes. O que piora a situação Daniel, não são as greves, são as politicas de direita do Governo PS).
    Ultimo comentário para o apetitoso “Em tempo de guerra não se limpam armas…”. O Daniel é jornalista, sabe e leu a forma como foi tratada a greve nos media, sabe que ainda a esta hora que escrevo se fazem artigos e se tecem peças que terão impacto relativo na apreciação da população. Dizer que a “guerra” acabou seria na boca de alguns uma ingenuidade, na sua será uma traição. Isso os trabalhadores não esquecem.

    António Fonseca
    Rio de Mouro
    Estudante

    PS.: “António P, ainda bem que ninguém pode responsabilizar o resto da esquerda pelo mau resultado da greve. Estaríamos agora a ser o bode expiatório de todas as desgraças” já nos cheirava que o apelo a greve da parte dos Danieis era meramente instrumental. Ainda bem que o confirma.

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  23. 23 23  antónio

    ontem no debate mensal, o 1º ministro fartou-se de defender a UGT.

    sintomático

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  24. 24 24  Rogério leite da Silva

    Ó meu caro Daniel! Nota-se perfeitamente que de teoria podes ser um sábio mas de luta não percebes rigorosamente nada, aliás à imagem de quase todos os Blokistas que pregam grandes retóricas mas na prática… Quem pensar que uma guerra se ganha ou perde numa única batalha, não sabe do que fala.
    A luta desenvolve-se com várias batalhas. uma vezes perde-se, outras ganha-se. O tempo utilizado, só o futuro demonstrará se foi ou não acertado. A semente vai ficando no terreno. Este post que escreveste é demonstrativo de que esperavas este momento para poderes libertar mais uma tese retórica de quem não tem mais que palavras para contribuir para a luta de transformação da sociedade que se impôe.

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  25. 25 25  Daniel Oliveira

    Rogério, fui dirigente estudantil e faço política extra-partidária há mais de vinte anos. Poderá estar em desacordo comigo, mas escusa de se pôr em bicos de pé para falar comigo. Diga lá qual foi a última luta dirigida pelo PCP que, depois de tantas batalhas, foi ganha. Tivéssemos seguido a estratégia do PCP na questão do aborto e o resultado teria sido, muito provavelmente, o mesmo. Felizmente não seguimos e, sem perceber nada de lutas, ganhámos.

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  26. 26 26  João

    Se a greve geral tivesse corrido muito bem… diziam que tudo tinham feito por ela… (e faziam parte da vitória) como correu menos bem (principalmente a nível mediático) sacodem a `´agua do capote… basta ver que na autoeuropa, onde o be tem tanta força (pelo menos dizem que sim) qual foi a adesão para perceber o que o be fez, ou não pela greve. porque o be gosta é de espetaculo. são os melhores. basta vê-los em lisboa…. em que o sá fernandes se põe em bicos de pés com a história da bragaparques que curiosamente em votação na assembleia municipal contou com o voto favorável do be….
    mas isso não interessa para nada… isso não passa nas noticias. e as acções do be são apenas para as noticias…
    ja agora qual é a questão de principio que impede que a questão do aborto seja resolvida na assembleia da reública. ou então porque não resolvemos tudo por referendo??? talvez porque o be precise das questões fracturantes (mas pouco significativas… só num país como o nosso o aborto tem a importância que tem… não fossem as politiquices, à bloco, e ja estaria resolvido há imenso tempo)
    as questões realmente importantes não são os casamentos gay, o aborto e outras que tais….

    o importante são as questões da justiça social, da educação, dos salários justos, do emprego, da segurança social…

    mas o bloco gosta mais dos pequenos temas que enchem primeiras páginas…

    o bloco gosta mais de dizer mal do pc e, eventualmente discordar do ps…

    é esse o bloco de hoje.
    por isso tenho saudades do psr e da udp.

    este é o bloco que diz mal da democracia pc mas no qual são sempre os mesmos que mandam… que diz mal dos politicos mas que tem um vereador(sem pelouros) com onze funcionários…

    é deste bloco, com estas atitudes que eu me cansei…
    divirtam-se, comam à mesa com o poder e deixem as migalhas para nós…

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  1. 1 Arrastão: Dois anos

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