
O disparate anda à solta. Os blogues neo-liberias ficaram excitadissimos porque o Nobel da Paz teria sido dado a um banqueiro.
Primeiro: Muhammad Yunus não é dono do Grameen Bank. Como ele próprio explica: «Não queremos ganhar dinheiro, não é esse o nosso objectivo. Existe um plano de poupanças que atribui uma acção por cada dois dólares. Por isso, os nossos 2,4 milhões de clientes são os donos do banco.»
Segundo: Yunus criou este banco exactamente para tirar as pessoas mais pobres das mãos de quem explorava a sua miséria - «Vi como as pessoas sofriam, como estavam dependentes dos usurários que lhes emprestavam dinheiro, quase sempre montantes muito pequenos.».
Terceiro: avançou com este tipo de microcrédito porque os bancos não davam (e não dão) empéstimos aos mais pobres: «Porque não ir mais longe e emprestar mais dinheiro às pessoas? E isso levou-me ao banco, que recusou emprestar dinheiro a pobres sob o pretexto de que eles o gastariam todo em bens de primeira necessidade e seriam incapazes de reembolsá-lo. Além disso, não tinham garantias reais e as quantias eram tão insignificantes que o negócio não tinha interesse. Após seis meses de negociações, concordaram finalmente em emprestar-lhes dinheiro, mas tendo-me a mim como fiador. E funcionou! As pessoas pagavam regularmente os seus reembolsos e isso entusiasmou-me e encorajou-me a estender estes empréstimos a outras aldeias. Ao fim de algum tempo, pensei em criar um banco independente e propus a ideia ao Governo.»
O microcrédito não é o capitalismo financeiro em pequenino. É a criação de condições de autonomia para os mais pobres sobreviverem no mercado, porque o mercado os deixa invariavelmente de fora. É uma batota, porque não dá rendimentos a quem o criou mas apenas a quem o utiliza. Uma excelente batota.
Só uma ajudinha para estes incautos neo-liberais,demasiado excitados com as suas próprias máximas (com algumas excepções) para saberem o que se passa pelo Mundo: quem tem implementado programas mais vastos de microcrédito, quem é? Hugo Chávez e Lula. Continuam entusiasmados?
Por Daniel Oliveira 14 Out 06 em Sem categoria


Daniel, eu também destaco da entrevista onde foi buscar a declaração que cita o seguinte:
“No entanto, o banco tem de dar lucro para financiar a sua própria expansão e diversificar as suas actividades?
M.Y. - É claro. Não é grande, é um lucro marginal (300 mil contos), depois de pagarmos todos os custos e que reinvestimos.
Quais são as vossas fontes de financiamento?
M.Y. - Contraímos empréstimos junto de outros bancos e emitimos obrigações.”
E esta também:
“Para dar lucro, o Grameen Bank tem de cobrar juros às pessoas. Quais são as vossas taxas de juro, relativamente às de outros bancos comerciais?
M.Y. - No Bangladesh, a taxa média ronda os 15%. No Grameen Bank, cobramos duas taxas: 20%, nos empréstimos a um ano e 8%, nos empréstimos à habitação, o que dará uma média próxima dos 15%, praticamente idêntica à dos restantes bancos comerciais.”
Daniel, o banco tem juros e recorre à banca para se financiar… se isto não é capitalismo, então não sei o que é.
Já agora aqui fica o link para a totalidade da entrevista:
http://www.janelanaweb.com/digitais/yunus.html
e esta parte não conta, não?
“Mas recebem, também, donativos de instituições estrangeiras? Da Grameen Foundation?
M.Y. - Começámos em 1976, sem qualquer dinheiro exterior. Saiu tudo do meu bolso. Depois, tornei-me fiador e os bancos emprestavam o dinheiro. Mais tarde, fomos um projecto apoiado pelo Banco Central do Bangladesh. Só em 1988, é que recebemos pela primeira vez dinheiro de fora, por insistência dos doadores. Mas em 1995, decidimos que deixaríamos de aceitar mais dinheiro. A Grameen Foundation não tem nada a ver conosco, são apenas amigos do Grameen Bank e apoiam a criação de instituições semelhantes noutros países. Não metem dinheiro no banco.
Agora são totalmente independentes?
M.Y. - Totalmente.”
ele começou como sendo mero fiador, para se tornar independente.
Amigo: os lucros vão para o reinvestimento e os seus donos são TODOS os clientes. Eu não disse que o microcrédito funcionava fora do capitalismo. Mas não há acumulação de riqueza nas mãos dos proprietários. E isso faz toda a diferença. O Banco usa os intrumentos do mercado financeiro sem os objectivos que as empresas financeiras têm: a acumulação de riqueza dos seus accionistas. O Banco autofinancia os seus investimentos futuros e o seu crescimento para ajudar mais gente. Isto, usando todos os instrumentos do Capitalismo (ou é isso ou é o Estado) é diferente das empresas normais.
«Não queremos ganhar dinheiro, não é esse o nosso objectivo. Existe um plano de poupanças que atribui uma acção por cada dois dólares. Por isso, os nossos 2,4 milhões de clientes são os donos do banco.»
É aqui que está a diferença. Como se fosse pequena…
Vá lá, o Daniel reconhece algum mérito a Lula…
O que me espanta é que o Daniel diz mal do Bush mas consegue dizer bem do Chavez e do Lula??? Eu digo mal do Bush e do Chavez e do Lula! O chavez é um lunático ao nivel do toino do iraniano e do da coreia do norte; o lula concede microcrédito aos pobres? mas concede macrocrédito aos amigos do partido, aliás, crédito a fundo perdido!! Aliás, este sistema de microcrédito surgiu em economias de mercado pouco desenvolvidas pois é de constatar que é nas ECONOMIAS DE MERCADO MAIS AVANÇADAS que existem as melhores condições de acesso ao crédito para TODOS pelo que o MERCADO NÃO OS DEIXOU DE FORA! Na Venezuela, Irão e Coreia do Norte o acesso ao crédito deve ser um exemplo para o mundo ocidental pois claro!
Qual é exactamente o micro-crédito que o Lula e o Chávez fazem?…
P.S. Por muito que você tente, todas as suas explicações acabam sempre por dar no mesmo: aquilo que o Grameen Bank faz é capitalismo, capitalismo e mais capitalismo. Não adianta inventar.
“Após seis meses de negociações, concordaram finalmente em emprestar-lhes dinheiro, mas tendo-me a mim como fiador. E funcionou!”
Quem é que emprestou o dinheiro, no final das contas? Sem a existência de um grande financiador não haveria lugar para o microcrédito do senhor Muhammad Yunus.
Sobre questões de fundo, aparentadas, poderá ver em: http://www.aparenciasdoreal.blogspot.com/
Se não lhe interessar particularmente, poderá recomendar aos seus amigos mais virados para questões teóricas.
Gott ist tot, pelos vistos não é só ele.
Ó Camisa, suponho que já no Paquistão, na Colombia e na Tailândia tudo corre bem para os pobres, se é que os há. Por fim, eia lá para trás o que eu escrevi sobre Chavez e Lula. ~
Nuno F, nós vivemos em sociedades capitalistas e este tipo de projectos também. A questão, como já disse, são os objectivos. Há elementos de capitalismo em projectos não-capitlistas, assim como há elementos socializantes (veja o comércio justo ou as correctoras socialmente empenhadas - que dão garantias aos investidores quando ao tipo de empresas em que investem) em projectos capitalistas. Mesmo que lhe custe, o Mundo não é a preto e branco.
não esqueçamos que tambem teve ajuda do estado.
Já agora, este post do Insurgente que (curioso) parece-me ir no mesmo sentido que o Daniel Oliveira
http://oinsurgente.blogspot.com/2006/10/acerca-do-yunus-e-do-micro-crdito-2.html
“Já agora, este post do Insurgente que (curioso) parece-me ir no mesmo sentido que o Daniel Oliveira”
Como escrevi no post, não sei o suficiente para ter uma opinião definitiva, até porque é uma matéria bastante complexa.
À partida, a subsidiação deste tipo de iniciativas não me parece em si mesma uma das formas de de intervencionismo mais destrutivas mas tenho dúvidas tanto sobre os efeitos líquidos dos programas (ver os estudos de Jonathan Morduch, que numa primeira leitura me parecem bastante consistentes) como de que seja um fenómeno que deva entusiasmar os liberais (pelas razões apontadas nos artigos do Jeffrey Tucker, ainda que eu não partilhe todas as objecções dele).
“Nuno F, nós vivemos em sociedades capitalistas e este tipo de projectos também. A questão, como já disse, são os objectivos.”
Nao, Daniel.
O capitalismo não é aquilo que você acha que ele devia ser.
Há capitalistas preocupados com o bem estar dos outros e há capitalistas selvagens.
Enfim, os capitalistas são seres humanos que agem, como qualquer ser humano.
Você pode não estar de acordo com certos actos capitalistas. Até aí tudo bem.
O que não pode dizer é que o capitalismo em si, não trás riqueza para as pessoas, bem pelo contrário! E o GB é um excelente exemplo disso.
Tentar florear e dizer que o GB não é bem capitalismo, isso é demagogia.
Em relação aos “objectivos do capitalismo”, eles são sempre os mesmos. Em maior ou em menor escala: Enriquecer as pessoas.
E isso só se consegue através de actos capitalistas.
Já agora, gostei da sua expressão “comércio justo”…
1. O objectivo do Capitalismo é uma coisa e o dos capitalistas é outra coisa. O Capitalismo, sendo um sistema económico, não tem nem deixa de ter objectivos porque não tem uma vontade própria
2. Não, o objectivo dos capitalistas não é enriquecer as pessoas, é o seu próprio lucro.
3. Nã é por acaso que Muhammad Yunus não é dono do seu bando. Tivesse o seu banco accionistas, que não os seus clientes, e toda a sua política teria de ser alterada para impedir, por exemplo, o crédito mal-parado.
4. Repito que o banco recebeu apoio estatal.
O Daniel anda aos poucos a perceber o que é Corporate Finance. Agora até já sabe que o lucro não é o demónio que a cartilha marxista lhe ensinou. Começa a perceber que do lucro pode haver duas opções, ou é reenvestido ou é distribuído (palavra tão cara aos marxistas)pelos accionistas. Agora já sei que quando uma instituição financeira portuguesa não distribuir dividendos, por exemplo por motivos de sinalização, o nosso novo especialista em Corporate Finance ficará muito contente. Já agora, a propósito de donos de bancos, quem é o dono do BCP?
ah ah ah
desculpem, mas o comentario do mig pt não merece comentarios só me saiu isto.
ah ah ah
acontece haver questões da maior importância em que me revejo no Daniel, completamente, como esta, com o ganho de ainda o achar quase exaustivo e excelente
então penso, que me importa onde mora o partido que aqui e ali parece derivar do que ão tenho, se na visão geral e parcelar do Mundo somos coniventes?
sendo que desta ainda registo com agrado a sua referência positiva a essas duas figuras a que nem se tem poupado a crítica, circunstancialmente
Lula e Chavez não implementaram o qualquer programa de micro-crédito. mas de esmolas. A diferença é que no primeiro há retorno, no segundo, não.
Daniel!! este Post não tem por onde se lhe pegue!! É um poço de contradições e confusões!! É uma precipitação enunciativa e demonstra falta de preparaçao sobre a natureza das coisas!! Devemos saber quando estamos, e podemos, propagar acerca do “Dever-Ser” e devemos saber ser meramente recognitivos em relação ao “Ser”!!
«Daniel!! este Post não tem por onde se lhe pegue!!».
Bruno, você já escreveu isso sobre vários posts e depois explicou que eu não estava preparado e depois ou não disse nada ou meteu os pés pelas mãos. Sabe que ser arrogante dá algum trabalho. Não basta fazer pose altiva. Se quer debater, debata. Se só tem isso a dizer, não vale a pena dar-se ao trabalho de dizer nada.
350euros