Concordo com quase tudo o que disse a ministra da Educação, há dois dias, sobre os professores.
Concordo muitas vezes com o que diz o ministro da Saúde sobre os médicos.
Concordo muitas vezes com o que diz o ministro da Justiça sobre os juízes.
Só há um pormenor: como não governo, não preciso dos professores, dos médicos e dos juízes para mudar nada. De um ministro espera-se um pouco mais. A não ser que este governo ache que a melhor maneira de vencer as resistências de cada classe profissional seja virar o resto do país contra elas. Já foi tentado. No fim, todos somados, aqueles que atacaram já são mais do que o resto do país. E vai-se para oposição lamentar o país que se tem.


Sem respostas ao post “O equívoco dos ministros”  

  1. 1 1  Eric Blair

    Tal como escrevi lá na tasca:
    Abstendo-me, por enquanto, de opinar acerca da medida em si, registo que a mesma ministra que considera óbvia a avaliação dos docentes por parte daqueles que cada vez mais se demitem da sua cota parte de responsabilidade no complexo processo educativo, despreze a avaliação que diária e gratuitamente lhe é facultada pela classe que ela supostamente comanda.

  2. 2 2  natália

    Do discurso da ministra da Educação: (…)Os melhores professores ficam com os melhores alunos e os docentes com pior estatuto na casa levam com as turmas mais difíceis”.

    As minhas conclusões: os melhores alunos merecem os melhores professores; os piores alunos precisam dos melhores professores.
    Moral da história: não pode haver lugar para professores medíocres.

  3. 3 3  real

    O que o Daniel quer dizer (presumo) é que em vez de se atacarem as classes profissionais devem-se atacar os sindicatos. Eu até concordo com ele, os sindicatos são normalmente a fonte e a raiz do imobilismo, mas num dia em que Van Zeller já ganha por 1-0, nem eu me atreveria a tanto…

  4. 4 4  luikki

    nao posso concordar com a ministra!
    conheço centenas de professores e dezenas de escolas e, se temos de aceitar que há professores que vendem aulas contra um cheque ao fim do mês, será imoral não louvar os brilhantes profissionais, que muitas vezes em condições adversas exercem a sua profissão.
    é muito fácil incriminar os professores, esquecendo as miseráveis condições da grande maioria das escolas, mal construídas, sem iluminação apropriada, sem climatização e sem eqipamentos básicos….
    e quantos alunos chegam à escola completamente deformados pela vivência social e familiar que tem, e dos quais muito dificílmente se pode esperar sucesso?
    o discurso da ministra parace ter um objectivo muito claro:
    a privatização do ensino!
    e, por ser ofensivo para os profissionais, mereceria, da parte destes, uma resposta à altura!

  5. 5 5  Saloio

    Ó Daniel: meter a ministra da educação no mesmo saco do ministro da justiça é injusto, mesmo circunstancialmente.

    Uma, é competente , séria e empenhada. O outro é incompetente e não sabe bem o que anda a fazer.

    No assunto que mais me toca, o da justiça, posso dizer-lhe que é muito difícil “mexer”. Os juízes e os procuradores consideram-se uma classe à parte e são, por força da lei, inamovíveis e intocáveis.

    Mas o problema mais sério é a sua total e absoluta falta de qualquer responsabilidade. Nem civil, nem criminalmente. Fazem o que querem e não têm nada que dizer a ninguém. Quando cometem erros, como no caso do Paulo Pedroso, quem irá pagar os milhões de indemnização, sou eu e os outros saloios contribuintes. O juiz Rui Teixeira: nada! Daí a arrogância com que tratam o povão e a pouca importância que dão aos processos, pois ganham o mesmo ao fim do mês.

    Ainda ontém compareci numa delegação do Ministério Público, para uma audiência marcada para as 14 horas. O senhor Procurador soube da minha chegada às 13h55, mas abandonou as instalações à minha frente às 14h15, tendo regressado às 14h55. A referida audiência começou às 15,10, sem um simples pedido de desculpa - mas eu nem me aborreci, apesar de ter esperado num corredor interior mal cheiroso e sem cadeiras.

    É que ontém tive sorte…já chegeui a iniciar diligências 4 horas depois da hora marcada - isto, quando não nos mandam para casa ao fim de 3 horas de espera inútil. No entanto, se os notificados se atrasarem mais de 5 minutos levam com multas, e os advogados com participações para a Ordem, ou a diligência começa sem eles. É a apregoada igualdade no sistema judicial.

    Sendo estes atrasos tão sistemáticos, tornaram -se “normais” para quem frequenta os tribunais. E termino este ponto esclrecendo os leitores que é corrente, aliás, normalíssimo (atrevo-me a dizer: em todos os tribunais do país), marcarem-se 5 e 6 diligências de processos diferentes para a mesma hora. Naturalmente, vai haver muita gente à espera. Caso não acreditem, vão espreitar às 14 horas ao Tribunal Correccional de Lisboa. Nunca percebi poqre é que os jornalistas nunca ali vão.

    Outro assunto que me encanita é a colocação do senhor procurador à mesma altura do senhor juiz - como ultimamente se referencia na GLQL. Trata-se de uma velha luta dos procuradores na ânsia de maior poleiro, cuja justificação está aonde?…no seu próprio estatuto!
    Ou seja, para os ingénuos que pensam que há igualdade nas partes em confronto numa audiência, aí têm o melhor exemplo.
    Isto para não falar nos prazos. Se o particular deixa passar um prazo, a peça deixa de ser eficaz e a acção pode ir ao ar. Ao inverso, os senhores procuradores e juízes também têm prazos estabelecidos na Lei, mas podem ultrapassá-los largamente pois não há nenhuns problemas…são eles que decidem.
    Faz lembrar a frase de George Orwell, “somos todos iguais; mas há uns mais iguais…”.

    Voltando ao senhor ministro: sendo uma pessoa com um passado laboral duvidoso (lembrem-se de Macau), a sua falta de habilidade e de credibilidade em nada ajuda a sua actividade, já para não falármos no pouco respeito que lhe têm. De nada lhe serviu pôr o povo contra os juízes e ter terminado os dois meses de férias judiciais: por vingança na surdina, os processos ainda passaram a andar mais devagar, como seria de prever…quem mais uma vez pagou as favas de tal incomptência não foi o senhor ministro, mas o povo e a nossa democracia.

  6. 6 6  cronicasdeariana

    Lamento que a Ministra da Educação tenha feito durante este ano lectivo uma “publicidade” tão humilhante para as escolas e para os professores. Lamento ainda mais o facto de ela ser professora, porque ou conheceu uma realidade completamente distinta ou conhece a sua realidade!

  7. 7 7  ze

    Pois Daniel. Todos péssimos, os professores - porque não acabar com eles? Excepto com os do ensino privado (reparaste que a Ministra não se lhe refere?) que não é, aparentemente, ministrado por professores, mas por ET’s. Mal andamos quando fazemos propaganda com base em bodes expiatórios,e não promovemos as melhores práticas, antes procuramos assanhar segmentos da população contra “corpos de malfeitores”. Se todos mudássemos de profissão para ministros é que era! Jornalistas incluídos, claro. A avaliação exige rigor, e o rigor impede a generalização, mas as palmas dependem das letras gordas. Lamento dizer, até porque lutei toda a vida sinceramente por ela, mas acho que a Escola Pública e a prória dignidade da profissão de mestre estão provavelmente liquidadas com estas campanhas do Governo PS. Agora, ser professor vai ser negociar cinzentismos e obediências, evitar conflitos e seguir o cherne, perdão, a ideia de mediania dos media, Morangos com Açúcar incluídos. Afinal, os professores só são considerados profissionais em Portugal há menos de 100 anos - um tempo curto. Antes qualquer um podia tomar conta de crianças, desde que pagasse umas licenças, ou, no caso das meninas, nem isso. Lembra-te de Júlio Dinis: o mestre escola dos menos pobres com aspirações (os pobres nem pensavam nisso)era-o nas horas vagas de ser barbeiro…
    O drama das afirmações da Ministra que tu valentemente subscreves é que se perdeu mais uma oportunidade de promover a qualidade no ensino e nas escolas e nos próprios professores. Na Escola Pública, claro, um sonho tonto da República, para pobres e ricos, mulheres e homens, urbanos e rurais. Tão tonto que valorizava os professores, tornados responsáveis precisamente pelo respeito que se lhes deve e a exigência que se lhes havia de pedir perante os alunos e a sociedade. Asim, pela boca da Ministra, ajudada, é verdade, pelo exemplo de muitos, mas também pelo “apagamento” dos exemplos contrários, há que amesquinhá-los e quem sabe exterminá-los. Que chatice na Finlândia e na Irlanda terem feito o oposto. Que surpresa no Oriente das taxas elevadas de sucesso em literacia os mestres serem considerados! Em nenhum destes países eles são avaliados pelos pais em demagogia, mas por estruturas públicas essas responsabilizáveis, e por conceitos sociais valorizadores da escola, e do conhecimento (não confundir com “ter cionhecimentos”=ter cunhas, por ter andado no mesmo colégio, por exemplo). Ignorantes, é o que é! Portugal, Lurdes Rodrigues, Valter Lemos, farois da qualidade do saber educar, é que a sabem toda.

  8. 8 8  natália

    É capaz de ser verdade:

    “ (…) A escola pública portuguesa, actualmente, não serve ninguém, porque transformou-se num centro de apoio social, de entretenimento e de guarda de crianças e jovens (…)

    (…) a escola pública está-se a esvaziar de alunos oriundos das classes média, média alta e alta. Está-se a transformar num centro social para as classes sociais mais desfavorecidas (…)

    Também é capaz de ser verdade:

    “ (..)Proventura esquecem-se as pessoas do que era o ensino no anos 70 e anteriores, da quantidade de pessoas que simplesmente saia do sistema ou era deixada para trás… E que hoje estão na escola. Comparar os poucos (e éramos poucos) que conseguiam prosseguir no sistema de ensino com a globalidade da população que o faz hoje é não apenas cegueira, mas muito perigoso.”

    Frases retiradas de longos textos de leitores do Abrupto (31/05/2006)

  9. 9 9  Moz

    Mas quem e como se avaliza quem são os tais “melhores” e “piores” professores se, como é dito, os melhores alunos são “atribuídos” a determinados professores, (geralmente da corte do conselho directivo) e os outros vão para quem não se senta à mesa do poderzinho (cada vez mais fascistóide, diga-se também), da escola? Quem é que querem enganar com tanta desinformação?

  10. 10 10  Anónimo Genuíno

    Daniel: perdeu uma boa ocasião para estar calado.

  11. 11 11  Pisco

    Ontem ao ouvir falar a ministra da educação, lembrei-me de um velho professor de Ciências e de Matemática e que também fazia uns versos, ora vejamos o que ele diz do ensino:
    A CHAVE DO ENSINO
    A Ministra da Educação
    No seu educar dá brado
    Sai da escola o charlatão
    Ou então sai um tarado!?
    -
    E a Senhora de Lourdes
    É Senhora e uma Santa
    Mas esta Doutora Lurdes
    Só na conversa, encanta!
    -
    Falei com mestre escola
    Ou melhor um professor
    Ele disse que na sua tola
    Só s’encontra um bolor!?
    -
    Quis desfazer um templo
    Que ela anda a construir
    E deu a título d’exemplo
    Um certo aluno, a dividir:
    -
    “Estamos mal com as leis
    Reflecte o tal professor!”
    Diz ao aluno divide seis
    Pelo dois se fazes favor?
    -
    Escreve o seis no quadro
    Faz lá o sinal de divisão
    Coloca o dois nesse adro
    E dizes-me quantos são!?
    -
    O aluno com dificuldade
    Com receio pega no giz
    E sem sentir à vontade
    Diz ao professor, infeliz:
    -
    O meu mestre não podia
    Passar uma conta melhor
    Esta operação não queria
    Só a de somar, por favor!
    -
    Vendo-o com dificuldade
    Diz o mestre, usa a mente
    O aluno com notoriedade
    Soltou o doze de repente!?
    -
    E seis bifes pedi no talho
    Pedi ao meu amigo Vavá
    Se não lhe der trabalho
    Divida por dois, que dá?
    -
    O Vavá diz que dá doze
    E olha-me estupefacto
    Sentindo uma overdose
    Diz: “não é isto de facto?”
    -
    Eles não sabem tabuada
    Nem sabem o Português
    Já não levam a palmada
    Veja qu’a Educação fez!?
    -
    Ele qu’ensinava Ciências
    Deu aparelho reprodutor
    Uma aluna de indecências
    Pergunta porque faz dor!?
    -
    O tal professor não pode
    Um tal acto exemplificar
    Pois se com menina fode
    Não mais pode leccionar!?
    -
    Ao ouvir falar essa ave
    A Ministra de Educação
    Professor viu que a chave
    Só será outra revolução!
    -
    Pisco

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