Então os liberais, não defendem o primado da iniciativa privada, a livre concorrência, mas tambem vá lá a democracia participada, o que é que isso tem a ver com a ditadura salazarenta?
Importa discutir a história, sobretudo num período pós-revolucionário em que a história é feita mais pela imaginação do revolucionário do que pelo trabalho do historiador.
Os críticos de Salazar não estão a conseguir fundamentar os seus pontos de vista. Por isso, estão recorrer muito depressa ao insulto. Isso está a mostrar uma grande dificuldade em fundamentar o que pretendem. O Prof. Pedro Arroja tem sido muito insultado, mas tem sido pouco rebatido.
chiça, só volto a publicar o seu comentário porque já postou para aí uns 10. Já tinha sido publicado há horas!!! Salazarista, ainda vá lá. Mas tem de ser infoexcluido?
Recordo com incontida nostalgia a época da Ditadura:
- Não se podia ouvir o poema “Menino de Sua mãe” declamado por João Vilaret pois a casa entrava em convulsão depressiva e podia trazer mala-pata (não havia Prosac nesses saudosos tempos),
- Ouvia-se a Marcelhesa de portas fechadas e o disco estava escondido a sete chaves (havia recato),
- Não se falava de politica na mesa dos cafés e curiosamente de Deus ainda menos (a bica custava 15 tostões),
- Era certo e sabido que quem não acreditava em Deus ia para o Inferno (havia certezas absolutas),
- Na parede imaculada da sala de aula havia um crucifixo e uma imagem de Marcelo Caetano (não havia pinturas patéticas expostas),
- No recreio era proibido falar crioulo, mas a miudagem não cumpria o determinado (havia insubordinação),
- Cantava-se o hino antes de entrar na sala de aulas - trocava sempre os egrégios avós por heréticos avós (havia liberdade de expressão e nesses tempos podia ser-se dislexico),
- Usávamos todas batas brancas para não haver diferenciação social, algumas colegas minhas andavam descalças (havia alguma flexibilidade na indumentária).
Por tudo atrás exposto acredito piamente, que a Época de Salazar tenha sido igualmente encantadora e arrebatadora.
Salazar foi um tiranete, que obrigou o país a seguir um rumo que os portugueses não queriam.
Perseguiu pessoas por opiniões políticas.
Tinha a sua visão da evolução do mundo, uma visão errada, e dirigiu Portugal em função dessa visão, o que deu para o torto (país fechado, agarrado às suas colonónias, liberdade de expressão limitada).
Por estes aspectos não gosto do regime de Salazar nem da sua pessoa.
Mas Salazar também tem créditos. Uma avaliação isenta da realidade obriga a reconhecê-lo: crescimento económico muito significativo, maior ordem pública, estabilidade governativa. Basta pensar como Portugal estava antes de Salazar para vermos o valor destas conquistas.
As ideologias são máquinas de negação da realidade. O regime que se seguiu teve um comportamente ideológico e infantil.
Quis ser o oposto de Salazar. Por isso diabolizou-o bem para além da realidade. Nunca foi isento na avaliação histórica. Tratou os portugueses como palermas, fazendo propaganda.
Se queremos ser crescidos devemos ver a realidade como ela é. Deveríamos analisar o que o regime de Salazar verdadeiramente foi, no mau (a grande maioria) mas também no bom.
Estou convencido que quando Salazar recebeu as maiores votações no prémio do Maior Português, parte muito significativa dos votos são de protesto pelo tratamento propagandístico e ideológico que o regime que se seguiu deu a analisar a História e Salazar. Os portugueses fartaram-se de ser infantilizados e de lhes contarem a história de forma distorcida, exagerando os erros e ocultando os créditos.
Seria um sinal de maturidade se o país pudesse discutir Salazar sem que as pessoas se ofendessem. Se se pudesse referir alguns das virtudes do regime sem ser insultado e ofendido de fascista.
O regime de Salazar foi, no essencial, um mau regime. Evoluímos e hoje, no essencial e apesar de muitos problemas, estamos muito melhor do que com Salazar
Basta que se conte a história verdadeira para que os Portugueses vejam isso.
Infelizmente continua a haver pessoas que querem calar a opinião dos outros, que querem ostracizar quem analisa as coisas de forma neutral e isenta, que se limitam a ofender em vez de rebater com factos, que se recusam a aceitar factos e preferem insultar, que preferem contar a história idealizada e comparar Salazar com Estaline ou Hitler em vez de contar a história tal como ela é.
A Ditadura foi claramente má, porque tolheu as liberdades dos indivíduos.
Qualquer outra análise, é meramente académica e especulativa. Uma analogia rápida: o Tratado de Munich foi *mau* por causa das consequências. A II Guerra Mundial acabou por provocar o progresso mundial, a origem da IIGM foi o Nazismo, logo o Nazismo foi *bom*.
Isto são segundas-leituras pos-factuais.
Como dizia o Joao Pinto, prognósticos só no final do jogo “Prever” o passado é fácil, dificil é prever o futuro.
Foi péssima para o país, especialmente de 58 em diante…
Agora o argumento utilizado por alguns(não devemos generalizar) dos liberais é o do crescimento económico…De que serve o crescimento económico sem o bem estar da população? Basta ver a China ou a India para perceber que (pelo menos para já) de pouco ou nada tem servido…
Concordo plenamente com cada ideia sua, JI, acrescentando ainda que só tiraremos lições da nossa história na medida em que consigamos olhar para ela de maneira desapaixonada. Será possível? Provavelmente não tão cedo. Só depois de terem desaparecido todas as pessoas que forma protegidas pelo regime e, sobretudo, depois de terem desaparecido todas as pessoas que se afirmaram em contraposição a este regime - e parece que hoje não é bom político quem não tem os galões atribuídos pelo chamado «passado de luta anti-fscista». Neste campo continuaremos adiados por umas boas décadas. Talvez a polémica sobre Os Grandes Portugueses dê uma ajuda.
Que saudades dizem certos comentadores, da censura, dos filmes cortados, dos livros e discos proibidos, das chapeladas que eram as eleições e em que só os homens podiam votar,dos professores e dos cerebros expulsos da universidades por serem anti-salazaristas, da repressão das greves, das prisões politicas, da Pide, das conversas em familia,do país beato, anafabeto em que beber dava de comer a umm milhão de portugueses, em suma o paraiso, dos carneiros, daqueles que têm espirito de escravos, daqueles que gostam da canga e do chicote.
Mas para os cidadãos livres, os homens probos, aqueles que aprenderam a pensar pela sua cabeça, Salazar e a sua ditadura eram o inferno.
A ordem pública, J, é aí mesmo que está a questão. Porque é ela que faz com que seja impossível discutir salazar sem ofender algumas pessoas; estão ainda vivos muitos dos que o seu braço da ordem quase matou, muitos dos que viram o seu braço da ordem torturar e matar. E se calhar precisamente por vivermos num país que permite que se instale um condomínio chamado paço do duque no edifício onde deveria existir um museu da resistência ao fascismo, precisamente por não existir uma consideração decente por essa memória, talvez por isso seja tão difícil fingirmos que vivemos num país em condições de fazer as pazes com o seu passado. Não há respeito pelos que morreram, e querem respeito pelos que mataram? As fábulas dos revolucionários, essas fantasias de que fala, resultaram em zero pides julgados, em pensões do estado para muitos deles, e todos sabemos o esquecimento oficial em que morreram Zeca Afonso e Salgueiro Maia. Por isto tudo, não entendo muito bem o que quer dizer.
Quanto ao crescimento económico, bom, se eu guardasse dentro do colchão todo o dinheiro que ganhei em dez anos de vida activa e não o utilizasse para o que ele é preciso, não investisse no meu desenvolvimento e formação e até nos meu direitos, estava rica por esta altura; também seria considerado uma boa gestora? É que se é assim, não sei por que raio os gestores que eu conheço levaram com quatro anos de licenciatura. Afinal, quantas horas lectivas são necessárias para ensinar a descoser e coser um colchão?
Salazar foi mais que um tiranete. Foi um tirano. E incubou um Portugal fascista e atrasado. Só me recordo de Franklin quando oiço desculpá-lo: aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.
Felizmente haverá sempre outros dispostos a lutar por ambas, para todos.
Alguns pensam que foi apenas o que merecíamos, queríamos, deixámos persistir, não quisemos acabar, e agora temos dificuldade em varrer para debaixo do tapete. Há quem pense que não há ditador sem povo que o mantenha. Fomos, somos, bons ou maus? Talvez importe mais saber se no futuro poderemos ser melhores, seja em ditadura ou em democracia. E, já agora, temos a democracia que merecemos?
“Dizer que um ditador tem como crédito «maior ordem pública e estabilidade governativa» é um pouco redundante, não?”
Nem por isso.
Mugabe, Musharraf, Saw Maung, Al-Bashir não têm garantido grande ordem pública.
Quanto a estabilidade governativa, poucos ditadores se aguentaram tanto tempo no poder como Salazar.
Analisando as coisas friamente e com alguma distância, salazar era um ditador, sem a menor dúvida. O representante máximo de um regime que se impunha pela força, o que para mim é deplorável. A evolução da ditadura para a democracia foi um grande avanço para Portugal.
Agora, salazar foi um ditador “soft” e não vale a pena tentar incluí-lo à força na longa lista dos grandes demónios do séc XX. Compará-lo a Hitler ou Estaline é uma figura de estilo, não tem cabimento histórico.
Pintar o quadro mais negro do que ele foi é um exercício ideológico e de propaganda de que o regime pós-25 Abril usou e abusou.
A ditadura salazarista foi boa ou má para o país? Quer-se dizer, para o país foi boa porque assim garantiu a sua independência em relação ao Reino das Berlengas que, é certo e sabido, mais dia menos dia nos iria invadir com gaivotas telecomandadas. Agora para os portugueses já não foi assim tão bom porque já acabou há trinta anos, ou cinquenta, ou duzentos e trinta e cinco, já não sei, e ainda há pessoal com saudades daquela merda, dasse.
Podiamos passar a fazer as eleições por telemóvel. 3 vostos para cada um, 60 cêntimos mais IVA. Boa ideia, não era? E uma boa fonte de receita para o Estado.
Sr. Amaral, em democracia cada cidadão só vale UM VOTO.
O ditador Salazar NUNCA SE ATREVEU A FAZER ELEIÇÕES LIVRES.
Concursos tipo Big Brother, merecem só crédito de quem ,vai-me desculpar , deve pouco á inteligência.
Então e o Afonso de Albuquerque
O Bartolomeu Dias
O Diogo Cão
O Francisco de Almeida
O Constantino de Bragança
O Pedro Alvares Cabral
O Martim Moniz
O João das Regras
O Nuno Alvares Pereira
O Damião de Gois
O Pedro Nunes
O Garcia da Orta
O Padre Antonio Vieira
A Paula Vicente
O Gil Vicente
O Alexandre Herculano
O Antero de Quental
O Eça de Queirós
A Josefa de Óbidos
O Gregorio Lopes
Etc Etc Etc
Tanta gente de tão variadas profissões, DETERMINANTES do Portugal que somos, e que estas concursatas de meia-tijela pura e simplesmente ignoraram, para dar relevo a um ditador beato, cinico, e INCOMPETENTE.
O Arrastão é um blogue de Daniel Oliveira, Pedro Sales e Pedro Vieira.
Para contactar cada um deles faça o favor clicar nos seus nomes e dizer de sua justiça: Daniel Oliveira Pedro Sales Pedro Vieira
Liberais salazarentos, deixem-me rir….
Então os liberais, não defendem o primado da iniciativa privada, a livre concorrência, mas tambem vá lá a democracia participada, o que é que isso tem a ver com a ditadura salazarenta?
Foi excelente e faz muita falta,como o actual sistema,só por si,demonstra.
Importa discutir a história, sobretudo num período pós-revolucionário em que a história é feita mais pela imaginação do revolucionário do que pelo trabalho do historiador.
Os críticos de Salazar não estão a conseguir fundamentar os seus pontos de vista. Por isso, estão recorrer muito depressa ao insulto. Isso está a mostrar uma grande dificuldade em fundamentar o que pretendem. O Prof. Pedro Arroja tem sido muito insultado, mas tem sido pouco rebatido.
Só os tolos discutem tudo com toda a gente.
Foi excelente,faz imensa falta e o actual sistema é a melhor prova disso.Até a censura,hoje,é encapotada…”democrática”.
chiça, só volto a publicar o seu comentário porque já postou para aí uns 10. Já tinha sido publicado há horas!!! Salazarista, ainda vá lá. Mas tem de ser infoexcluido?
Recordo com incontida nostalgia a época da Ditadura:
- Não se podia ouvir o poema “Menino de Sua mãe” declamado por João Vilaret pois a casa entrava em convulsão depressiva e podia trazer mala-pata (não havia Prosac nesses saudosos tempos),
- Ouvia-se a Marcelhesa de portas fechadas e o disco estava escondido a sete chaves (havia recato),
- Não se falava de politica na mesa dos cafés e curiosamente de Deus ainda menos (a bica custava 15 tostões),
- Era certo e sabido que quem não acreditava em Deus ia para o Inferno (havia certezas absolutas),
- Na parede imaculada da sala de aula havia um crucifixo e uma imagem de Marcelo Caetano (não havia pinturas patéticas expostas),
- No recreio era proibido falar crioulo, mas a miudagem não cumpria o determinado (havia insubordinação),
- Cantava-se o hino antes de entrar na sala de aulas - trocava sempre os egrégios avós por heréticos avós (havia liberdade de expressão e nesses tempos podia ser-se dislexico),
- Usávamos todas batas brancas para não haver diferenciação social, algumas colegas minhas andavam descalças (havia alguma flexibilidade na indumentária).
Por tudo atrás exposto acredito piamente, que a Época de Salazar tenha sido igualmente encantadora e arrebatadora.
Salazar foi um tiranete, que obrigou o país a seguir um rumo que os portugueses não queriam.
Perseguiu pessoas por opiniões políticas.
Tinha a sua visão da evolução do mundo, uma visão errada, e dirigiu Portugal em função dessa visão, o que deu para o torto (país fechado, agarrado às suas colonónias, liberdade de expressão limitada).
Por estes aspectos não gosto do regime de Salazar nem da sua pessoa.
Mas Salazar também tem créditos. Uma avaliação isenta da realidade obriga a reconhecê-lo: crescimento económico muito significativo, maior ordem pública, estabilidade governativa. Basta pensar como Portugal estava antes de Salazar para vermos o valor destas conquistas.
As ideologias são máquinas de negação da realidade. O regime que se seguiu teve um comportamente ideológico e infantil.
Quis ser o oposto de Salazar. Por isso diabolizou-o bem para além da realidade. Nunca foi isento na avaliação histórica. Tratou os portugueses como palermas, fazendo propaganda.
Se queremos ser crescidos devemos ver a realidade como ela é. Deveríamos analisar o que o regime de Salazar verdadeiramente foi, no mau (a grande maioria) mas também no bom.
Estou convencido que quando Salazar recebeu as maiores votações no prémio do Maior Português, parte muito significativa dos votos são de protesto pelo tratamento propagandístico e ideológico que o regime que se seguiu deu a analisar a História e Salazar. Os portugueses fartaram-se de ser infantilizados e de lhes contarem a história de forma distorcida, exagerando os erros e ocultando os créditos.
Seria um sinal de maturidade se o país pudesse discutir Salazar sem que as pessoas se ofendessem. Se se pudesse referir alguns das virtudes do regime sem ser insultado e ofendido de fascista.
O regime de Salazar foi, no essencial, um mau regime. Evoluímos e hoje, no essencial e apesar de muitos problemas, estamos muito melhor do que com Salazar
Basta que se conte a história verdadeira para que os Portugueses vejam isso.
Infelizmente continua a haver pessoas que querem calar a opinião dos outros, que querem ostracizar quem analisa as coisas de forma neutral e isenta, que se limitam a ofender em vez de rebater com factos, que se recusam a aceitar factos e preferem insultar, que preferem contar a história idealizada e comparar Salazar com Estaline ou Hitler em vez de contar a história tal como ela é.
Dizer que um ditador tem como crédito «maior ordem pública e estabilidade governativa» é um pouco redundante, não?
A Ditadura foi claramente má, porque tolheu as liberdades dos indivíduos.
“Prever” o passado é fácil, dificil é prever o futuro.
Qualquer outra análise, é meramente académica e especulativa. Uma analogia rápida: o Tratado de Munich foi *mau* por causa das consequências. A II Guerra Mundial acabou por provocar o progresso mundial, a origem da IIGM foi o Nazismo, logo o Nazismo foi *bom*.
Isto são segundas-leituras pos-factuais.
Como dizia o Joao Pinto, prognósticos só no final do jogo
Foi péssima para o país, especialmente de 58 em diante…
Agora o argumento utilizado por alguns(não devemos generalizar) dos liberais é o do crescimento económico…De que serve o crescimento económico sem o bem estar da população? Basta ver a China ou a India para perceber que (pelo menos para já) de pouco ou nada tem servido…
Max Mortner
Concordo plenamente com cada ideia sua, JI, acrescentando ainda que só tiraremos lições da nossa história na medida em que consigamos olhar para ela de maneira desapaixonada. Será possível? Provavelmente não tão cedo. Só depois de terem desaparecido todas as pessoas que forma protegidas pelo regime e, sobretudo, depois de terem desaparecido todas as pessoas que se afirmaram em contraposição a este regime - e parece que hoje não é bom político quem não tem os galões atribuídos pelo chamado «passado de luta anti-fscista». Neste campo continuaremos adiados por umas boas décadas. Talvez a polémica sobre Os Grandes Portugueses dê uma ajuda.
Qualquer ditadura é má. A Salazarista amordaçou Portugal durante décadas.
Que saudades dizem certos comentadores, da censura, dos filmes cortados, dos livros e discos proibidos, das chapeladas que eram as eleições e em que só os homens podiam votar,dos professores e dos cerebros expulsos da universidades por serem anti-salazaristas, da repressão das greves, das prisões politicas, da Pide, das conversas em familia,do país beato, anafabeto em que beber dava de comer a umm milhão de portugueses, em suma o paraiso, dos carneiros, daqueles que têm espirito de escravos, daqueles que gostam da canga e do chicote.
Mas para os cidadãos livres, os homens probos, aqueles que aprenderam a pensar pela sua cabeça, Salazar e a sua ditadura eram o inferno.
A ordem pública, J, é aí mesmo que está a questão. Porque é ela que faz com que seja impossível discutir salazar sem ofender algumas pessoas; estão ainda vivos muitos dos que o seu braço da ordem quase matou, muitos dos que viram o seu braço da ordem torturar e matar. E se calhar precisamente por vivermos num país que permite que se instale um condomínio chamado paço do duque no edifício onde deveria existir um museu da resistência ao fascismo, precisamente por não existir uma consideração decente por essa memória, talvez por isso seja tão difícil fingirmos que vivemos num país em condições de fazer as pazes com o seu passado. Não há respeito pelos que morreram, e querem respeito pelos que mataram? As fábulas dos revolucionários, essas fantasias de que fala, resultaram em zero pides julgados, em pensões do estado para muitos deles, e todos sabemos o esquecimento oficial em que morreram Zeca Afonso e Salgueiro Maia. Por isto tudo, não entendo muito bem o que quer dizer.
Quanto ao crescimento económico, bom, se eu guardasse dentro do colchão todo o dinheiro que ganhei em dez anos de vida activa e não o utilizasse para o que ele é preciso, não investisse no meu desenvolvimento e formação e até nos meu direitos, estava rica por esta altura; também seria considerado uma boa gestora? É que se é assim, não sei por que raio os gestores que eu conheço levaram com quatro anos de licenciatura. Afinal, quantas horas lectivas são necessárias para ensinar a descoser e coser um colchão?
Salazar foi mais que um tiranete. Foi um tirano. E incubou um Portugal fascista e atrasado. Só me recordo de Franklin quando oiço desculpá-lo: aqueles que abrem mão da liberdade essencial por um pouco de segurança temporária não merecem nem liberdade nem segurança.
Felizmente haverá sempre outros dispostos a lutar por ambas, para todos.
Alguns pensam que foi apenas o que merecíamos, queríamos, deixámos persistir, não quisemos acabar, e agora temos dificuldade em varrer para debaixo do tapete. Há quem pense que não há ditador sem povo que o mantenha. Fomos, somos, bons ou maus? Talvez importe mais saber se no futuro poderemos ser melhores, seja em ditadura ou em democracia. E, já agora, temos a democracia que merecemos?
“Só os tolos discutem tudo com toda a gente”
Esta frase podia ter sido dita por Salazar…
O que foi feito do meu outro comentário?
“Dizer que um ditador tem como crédito «maior ordem pública e estabilidade governativa» é um pouco redundante, não?”
Nem por isso.
Mugabe, Musharraf, Saw Maung, Al-Bashir não têm garantido grande ordem pública.
Quanto a estabilidade governativa, poucos ditadores se aguentaram tanto tempo no poder como Salazar.
Analisando as coisas friamente e com alguma distância, salazar era um ditador, sem a menor dúvida. O representante máximo de um regime que se impunha pela força, o que para mim é deplorável. A evolução da ditadura para a democracia foi um grande avanço para Portugal.
Agora, salazar foi um ditador “soft” e não vale a pena tentar incluí-lo à força na longa lista dos grandes demónios do séc XX. Compará-lo a Hitler ou Estaline é uma figura de estilo, não tem cabimento histórico.
Pintar o quadro mais negro do que ele foi é um exercício ideológico e de propaganda de que o regime pós-25 Abril usou e abusou.
O facto de Salazar estar entre os primeiros 10 “grandes portugueses” é uma boa resposta a essa pergunta
A ditadura salazarista foi boa ou má para o país? Quer-se dizer, para o país foi boa porque assim garantiu a sua independência em relação ao Reino das Berlengas que, é certo e sabido, mais dia menos dia nos iria invadir com gaivotas telecomandadas. Agora para os portugueses já não foi assim tão bom porque já acabou há trinta anos, ou cinquenta, ou duzentos e trinta e cinco, já não sei, e ainda há pessoal com saudades daquela merda, dasse.
amaral,
Podiamos passar a fazer as eleições por telemóvel. 3 vostos para cada um, 60 cêntimos mais IVA. Boa ideia, não era? E uma boa fonte de receita para o Estado.
Sr. Amaral, em democracia cada cidadão só vale UM VOTO.
O ditador Salazar NUNCA SE ATREVEU A FAZER ELEIÇÕES LIVRES.
Concursos tipo Big Brother, merecem só crédito de quem ,vai-me desculpar , deve pouco á inteligência.
Então e o Afonso de Albuquerque
O Bartolomeu Dias
O Diogo Cão
O Francisco de Almeida
O Constantino de Bragança
O Pedro Alvares Cabral
O Martim Moniz
O João das Regras
O Nuno Alvares Pereira
O Damião de Gois
O Pedro Nunes
O Garcia da Orta
O Padre Antonio Vieira
A Paula Vicente
O Gil Vicente
O Alexandre Herculano
O Antero de Quental
O Eça de Queirós
A Josefa de Óbidos
O Gregorio Lopes
Etc Etc Etc
Tanta gente de tão variadas profissões, DETERMINANTES do Portugal que somos, e que estas concursatas de meia-tijela pura e simplesmente ignoraram, para dar relevo a um ditador beato, cinico, e INCOMPETENTE.
“… águas das fontes calai,
ó ribeiras chorai,
que eu não volto a…”