
«O nome é fictício mas a idade deve ser verdadeira. “Lisa”, 37 anos, doente terminal, vai decidir sexta-feira, em directo, no reality show holandês The Big Donor Show (O Grande Dador), quem irá receber os seus rins.»
Público de ontem.
Alguém que substitui a generosidade pela exibição televisiva e que acaba os seus dias pondo desgraçados a lutar pela vida em frente às câmaras para gáudio das audiências, pode doar todas as partes do seu corpo, menos uma: o coração.
Quanto à empresa Endemol, são apenas os chulos da desgraça alheia.
Por Daniel Oliveira 31 Mai 07 em Sem categoria


Reality Show ?
Diria antes surrealismo do mais puro e duro…
Não existem leis para tamanha anormalidade ?!
O share não pode justificar tudo…cada vez mais a TV se aproxima da barbárie !
O que dirão os “liberais” sobre isto?
Honestamente, não percebo como é que isto é possível. Não percebo, mesmo…
Numa sociedade em que para existir é necessária notoriedade pública, faz sentido que Lisa tenha encontrado este meio para se imortalizar, ganhar tempo à morte, prolongar a sua vida. Deus e os Séquito de anjos foram substituídos pelas audiências e a macabra maquina dos mass media. Enquanto o programa durar ela estará viva, não faz sentido que morra sem ver o final da sua saga pessoal, não é assim nas novelas.
xiiii!!!! Sendo verdade, e acredito q sim, que grande treta!!!! Isto é brincar com as pessoas! e dizemos nós mal deste país (porque ainda somos um país) em que vivemos! Podemos ser pequenos, mas eu ainda me sinto enorme…
é um atentado à dignidade humana.
Absurdo, abjecto, doente, vergonhoso, não tenho nada a ver e tenho vergonha.
Num país, uma moribunda vai à televisão sentir o poder de dar a sua própria vida a um concorrente que procura rins. Noutro, os políticos vão vitoriosamente à televisão dar à mãe o poder de tirar ao filho a vida que só a ele pertence*.
Enfim, cada um chuleia o que pode. A Endemol parasita as desgraças inevitáveis; as evitáveis, essas, já são chuleadas pelo Bloco de Esquerda!
* Infanticídio voluntário executado e financiado pelo Estado, em estabelecimento eficaz e devidamente autorizado para o efeito, desde que o filho a abater tenha menos de dez semanas de vida intra-uterina (por enquanto…).
E o que têm os defensores do aborto a dizer sobre isto? Se a mulher tem o direito de dispor do seu corpo para pôr fim a uma vida humana, não será aceitável, e até mais justificável, dispor do próprio corpo para salvar uma vida?
Tenho muita pena do doente terminal que vai entrar neste programa…Imagino que seja alguém que, sabendo que vai morrer, quer ganhar algum dinheiro rápido para deixar ficar bem a familia…
Explorar isto é uma vergonha, é descer ao nivel mais baixo que pode existir…
oh man, eu ainda tenho a impressao que o drama da madlén tambem foi um reality show
Espero que também os holandeses manifestem a sua indignação. Se não o fizerem, para mim, deixarão de ser seres humanos. Abatam-se !
Lixo. À primeira vista. Mas quem seguiu a história desde o início reconheceu uma coisa chamada causa fracturante. Daquelas a que o BE costuma dar voz, mas neste caso concreto, mesmo sendo muito mais chocante, aparentemente, é muito mais nobre e humana do que biliões de palhaçadas estéreis ao qual o BE nos habituou nos últimos anos.
O voyeurismo de uma “morte anunciada” tornou-se num negócio! Haja telespectadores e lucros nas empresas para pagar a publicidade, do antes e do depois. Venha mais consumo e mais programas Endemol. “La Grande Bouffe”, versão Séc. XXI, vai empanturrar muita gente, ai vai, vai…
Não vejo nada de errado neste programa.
O que é imoral é que a Assembleia da República continue a proibir o livre comércio de rins, dessa forma impossibilitando a muito boa gente o prosseguir a sua vida, pelo menos com dignidade.
Se a mulher tem o direito ao corpo, tem o direito a doar o seu rim, ou a vendê-lo, a quem muito bem entenda.
Estão admirados?
Não leram então a noticia do Daily mail de 3 de Janeiro:
“Fury as TV teenagers play house with REAL babies”
e que TV era esta?
Parent class: The teenage cast of the BBC reality show
The BBC has outraged child protection experts by producing a reality TV show where infants are handed over to live with teenage ‘parents’.
In one episode a ten-year-old goes without food for a day during what the BBC describes as a ‘unique social experiment’.
On another occasion a baby had to be removed from the care of one couple as their relationship fell apart.
Yet the corporation ignored formal protests, refused to allow social workers on the set to monitor filming, and has been accused of cynically putting babies and children at risk for the sake of entertainment.
The BBC insists it has taken ‘extraordinary’ steps to ensure the safety of the children and claimed it had worked with one specialist charity to ensure the series was handled with ’sensitivity’.
E vivam as audiências!
Nunca me deixa de espantar a capacidade dos portugueses de se fazerem de damas chocadas.
- O Canal é Pay-Per-View. Só vê quem quer (e paga para isso). Não são “os holandeses” que o vêem. É quem quiser pagar para isso.
- Ninguém obriga ninguém a doar o orgão. Ninguém obriga ninguém a participar. Ninguém obriga ninguém a ver.
Para quê tanta indignação?
- É por ser a dadora a arbitrar qual dos dadores compatíveis quer doar o seu rim quando morrer?
- É por, quem quiser, poder assistir ao processo de decisão? Há décadas que em vários países se transmitem detenções policias em directo, cirurgias em directo. Anda no mundo todo, em especial em Portugal, a transmitir-se o pranto de dois pais que perderam uma filha, em directo 24 horas por dia.
… Como a Holanda (e os Holandeses) estão décadas mais avançada na cultura da liberdade do que Portugal …
O Economist defendeu há poucos meses que o negócio de orgãos devia ser legalizado:
http://www.economist.com/opinion/displaystory.cfm?story_id=8173039
Existe um país avançado em que isto já acontece: uma pessoa pode arbitrar a quem quer doar um rim e receber até 5000 euros por ele.
O país é o Irão. Pelos vistos menos conservador e mais liberal do que Portugal …
Os Holandeses sempre foram um povo especial, no bom e no mau, agora parece-me que existe aqui alguém que ainda está de greve, e acha que afinal os outros não têm direito a fazer o que quiserem com o seu corpo, então e o aborto… não estou a ouvir nada!
Se o doente terminal quer doar um órgão que em breve vai deixar de fazer falta tem mais do que o direito de escolher a pessoa que vai beneficiar com isso. O facto de ser perante 2 pessoas ou 2 milhões, hoje em dia é completamente indiferente, já não moramos na barraquinha pequena, deixámos de estar sozinhos, é bom que se habitue a isso.
João,
Mesmo admitindo que ninguém coage ninguém a participar no concurso e que ninguém é obrigado a vê-lo, a transformação do sofrimento em espectáculo é sempre degradante. Claro que a auto-humilhação e a degradação moral é um direito de cada um. Nisso não posso senão dar-lhe razão.
Outra coisa bem diferente seria a liberalização do comércio de órgãos. Pois se esse tráfico fosse legal haveria muita gente que, lançada na indigência, consideraria a hipótese de vender um rim (ou, por que não, um coração) para fazer face à miséria, constituindo-se assim uma clara situação de abuso dos fortes (dos ricos) sobre os fracos (os pobres).
E’ uma fixacao holandesa esta dos reality shows. Faz falta um Pedro Arroja para sugerir que e’ por conta do Calvinismo.
ontem, na entrega de prémios da revista Meios&Publicidade, Piet Hein, director-geral da endemol portugal, garantiu que nunca produziria um programa destes em portugal.
fez até piada, ao receber o prémio, dizendo que este havia sido conseguido sem ele ter tido necessidade de doar os rins a ninguém.
a ver vamos.
bom, o programa… enfim… . estou mais chocada, na verdade, com alguns comentários que leio aqui, de uma verborreia violenta, ofenciva e baixa, muito baixa. daniel, isto diverte-o?
Afinal era tudo mentira!!! vá-se lá perceber…
No tempo dos romanos a populaça divertia-se com o massacre de animais e pessoas indefesas ou com o combate de gladiadores…
Antes, no tempo dos gregos, e resultado de uma outra cultura, eram os teatros e os estádios que estavam cheios…
Na idade média, um bom divertimento era ir assistir a um auto de fé, ver queimar os malandros dos judeus…
Muitos ainda iriam hoje se os houvesse…
Vemos aquilo que socialmente somos…
Estes reality shows que agora aparecem por todo o lado, apenas mostram o quanto “nós todos” globalmente estamos embrutecidos…
Há séries de qualidade que terminam porque não dão lucro (o ROME por exemplo…) enquanto que estas porcarias têm espectadores, dão share…
Por outras palavras, somos umas bestas que só temos o que a maioria quer…
A culpa também é colectivamente nossa…
Pessoalmente gosto de muito do que passa na RTP2 (onde passou o ROME) mas a maioria vê TVI…
Quanto mais Big Brothers vemos mais engordamos a máquina de embrutecimento…
Americanices em que, qualquer dia, estamos mais americanos que os próprios…