A comparação feita ontem por Mário Soares entre o mais nojento “assassinato” político na nossa democracia, o de Ferro Rodrigues, implicado por gente sem escrúpulos num caso de pedofilia, e a averiguação de factos sobre a forma como Sócrates beneficiou ou não beneficiou do seu estatuto de político para conseguir um diploma é indecorosa. Mesmo quem não concorde com estas investigações jornalísticas e a forma como elas têm sido dirigidas e mesmo quem alinhe em teorias da conspiração, não pode comparar o incomparável. Incomparável nos danos pessoais e políticos que provocou a um homem, incomparável nas marcas que deixou na política, na justiça e no jornalismo português e incomparável na ausência de critérios éticos mínimos que demasiada gente revelou naquele ano de má memória.
Por Daniel Oliveira 20 Abr 07 em Sem categoria


Sempre que os socialistas metem a pata na poça sai de lá a sombra da cabala. Cabala!? Mula é o que é. A mula que se enche à custa dos favores que se criticam aos outros. Ainda há bem pouco tempo outro cabalista, este do Marco ou de Amarante (tem dias), suspirava: Tráfico de influências, tráfico de influências… Isto agora já não se pode fazer um favor a ninguém!?
Post Scriptum (por extenso para não haver confusões) Bem me tinham dito que ainda havia duas pessoas que ouviam o que Mário Soares vai dizendo. Uma é o próprio Soares a outra, fiquei agora a saber, é o autor deste blog (sentidos pêsames, ouvir Mário Soares só pode ser fruto de um profundo tédio).
Soares por vezes não diz “coisa com coisa”, uma ideotice.
Paulo Tomás Neves, oiço e respeito Mário Soares. Discordo dele grande parte das vezes, mas em geral dá-me um enorme prazer ouvi-lo.
E contudo a motivação é igualzinha. Agora, como isso se entende é que resultaria um mistério, não fosse o da mesma inveja mesquinha.
Ó Daniel, assim de repente sou capaz de me lembrar de 80 ou 90 prazeres mais agradáveis…
Cumprimentos
Von Barata
A propósito de Soares e outros que tal:
http://www.slick.com/dmd/dancemonkeysdance.htm
Concordo consigo. Mário Soares, para mim, morreu ontem.
.
Daniel,
Não acho incomparável o caso de Ferro Rodrigues, com o de José Sócrates. Embora concorde contigo quanto ao facto de Ferro Rodrigues ter sido injustamente acusado de práticas de pedófilia, acho que José Sócrates também está a ser atacado injustamente. A licenciatura do primeiro-ministro é um caso que não interessa nem ao menino Jesus, é importante que todos os políticos e jornalistas voltem a sua atenção, isso sim, para actuação do governo nas mais diversas áreas. A licenciatura do secretário-geral do PS é um assunto mesquinho e que não merecia, sem sombra para dúvidas, tantos posts da tua parte.
Cumprimentos,
João Gomes
http://aquelaopiniao.blogspot.com
É sempre penoso ver as pessoas mais velhas a mirrar com a idade. Então quando se lhes mete uma coisa na cabeça…
Todo este embróglio se resolvia rápidamente, se o próprio visado esclarece-se a opiniáo pública. Mas em Portugal os meus compatriotas gostam de telenovelas e diálogos de futebol.
Nada a fazer.
Discordo que sejam incomparáveis. O estilo é o mesmo, as consequências - em virtude de serem temas diferentes - é que não o são.
Gosto muito de Mário Soares, penso que a maioria das pessoas também, mas diria o mesmo se fosse outra pessoa a dizê-lo.
PS: O ressabiamento e falta de respeito, obviamente não no teu caso Daniel, para com o Mário Soares é algo que me enoja.
Soares tem razão, o problema é que a maior parte das vezes tem-na antes do tempo.
A idiotice do JMF e acólitos é tremenda, e é obvia a campanha do diario Sonae, ajudado por alguns voluntaristas de esquerda que ainda não perceberam que a luta politica tem trincheiras e lados, e Soares é e sempre foi um homem de trincheira.
Como tambem é ridiculo ver um jornal queixar-se por ter sido condenado acerca de uma mentira jornalistica sobre um clube de futebol, e “acolher” nas suas colunas o A. Barreto (mentor do P.Pereira e logo c/direito a lugar cativo no Público), a quem um “bom” juiz perdoou uma calúnia por ser um dos “senadores” da Nação.
Somos uma democracia crescidinha, e os jornalistas têm que aprender a ser responsabilizados pelos seus actos, e que a imprensa é tão livre como manipulável.
Ver o antes e o depois;
http://corporacoes.blogspot.com/
Para quem acha que é o mesmo, fico a achar que não foi nenhum imperativo ético que os levou a tomar posição sobre o que se passou com Ferro Rodrigues, mas apenas clubite partidária. Porque de nenhuma forma as duas coisas podem ser comparadas.
Uma era uma mentira do principio ao fim, este caso pode merecer discussão, mas tem muitas verdades comprovadas. Uma era a acusação mais grave que se pode fazer a alguém (que viola crianças), outra é uma questão relevante, mas a léguas desta. Uma envolveu escutas a dirigentes partidários irrelevantes para o caso, com a sua publicação na imprensa, esta ainda nada teve de ilegítimo na investigação. Uma envolvia o sistema de justiça, a outra não. E podia continuar aqui o dia todo.
“Uma era a acusação mais grave que se pode fazer a alguém (que viola crianças), outra é uma questão relevante, mas a léguas desta.”
Pouco importa, aos despeitados, a diferença, se o argumento à mão lhes serve a raiva, à falta de outro melhor. Por isso que o que fizeram, indiferentemente, com o Ferro e agora com Sócrates, com as mesmas armas que acharam à mão. E ora, há que dizê-lo, que Soares o topou bem, como em geral os portugueses. Ou imagina-se, sequer, que em novas eleições, a que se recandidatasse, este Sócrates perdesse para algum opositor?…
Quando é que o dirigente partidário comenta a vitória folgado de Mário Nogueira para SG da Fenprof? Ou está a lamber as feridas do foguetes que deitou antes de tempo?
Com uma acusação concordas, com a outra não. E a tua indignação jorra toda daqui. Simples.
Primeiro, “…um enorme prazer em ouvi-lo…”, depois “…E podia continuar aqui o dia todo…”.
Ó Daniel, deixe lá esses fulanos da política e distraia-se mais… Beba uma Duvel e fume um charutinho…
Com os melhores cumprimentos
Von Barata
Caro Daniel
O caso de Sócrates começa a ser desviado da sua intrínseca razão de ser. O importante é que o homem não foi sério. E o país não pode ser governado por uma pessoa que comprovadamente não é séria. Peço-lhe que esta noite no programa “O Eixo do Mal” não deixe cair este assunto e bata na tecla de que a seriedade de um governante é o mais importante. Caso contrário, vale tudo e não se fala mais em corrupção. Comprar (mesmo de um modo que aparente troca de favores) um diploma de curso é corrupção.
Cara dirigente do PCP e membro do seu CC, lamento o resultado (que facilitará a saída de Carvalho da Silva sonhada há muito por Jerónimo de Sousa), mas felicito a tendência sindical PCP-linha ortodoxa pela vitória eleitoral. Felizmente, na Fenprof, e contra a vontade do PCP, foram garantidas há muito as regras de proporcionalidade e democráticas que permitem que uma direcção perca eleições. Oxalá fosse assim nos sindicatos onde o PCP governa sem permitir sequer oposição. Como vêm a democracia sindical às vezes compensa. Podiam tirar daqui uma lição. Mas duvido. Geralmente são dos que acham que a democracia só vale a pena quando dá vitórias. Suponho que agora não vão tentar impugnar o acto eleitoral, como tentaram no SPGL, quando perderam.
Eu já lhe disse que andava a tomar os desejos por realidades, que os professores já são crescidinhos e que não precisavam de pastores, mas pensando bem acho que até foi bastante útil o deu empenho em apontar o grande “crime” do Mário Nogueira (o homem é comunista, caramba!) porque assim quem votou nele sabia precisamente o que ele representava isto é uma candidatura nacional, aberta, assente em critérios exclusivamente sindicais, que não irá dispensar ninguém em suma uma candidatura séria que não engana os professores e educadores.
Margarida, eu não ensino nada a ninguém. A vitória foi legitima mas eu posso não ficar satisfeito. Ou a Margarida deixa de criticar Sócrates só por ele ter sido eleito democraticamente?
Reparei que nada disse sobre o método eleitoral na fenprof, tão diferente daquele que o PCP defende nos sindicatos onde domina.
O que interessa não é comparar
intrinsecamente o caso F.Rodrigues e o caso Sócrates, o que interessa é o pano de fundo. E o pano de fundo é que a direita faz tudo p/ir p/o poder, e serve-se sempre de campanhas baixas, foi assim c/Soares, Vitorino, F.Rodrigues, Sócrates e será sempre assim porque eles dominam a comunicação social. É isso o que interessa, e o que Soares quis dizer (não se prendam aos sound bytes), e aqui não existe meio-termo, pode-se discordar (como eu discordo em certa parte) deste governo, outra coisa é fazer o papel de idiota util da direita, e atacar Soares?!!!
Retenho ainda uma frase de Guterres ” Roma (a direita) não paga a traidores…”
“eu não ensino nada a ninguém”, diz hoje, tão modesto. Afinal o problema é também de falta de memória mas eu lembro-lhe o que escreveu por aqui:
“Limpeza sindical derrotada
Os números provisórios indicam que a lista “unitária” criada pela linha ortodoxa do PCP para a Fenprof elegerá menos delegados do que a lista realmente unitária (tem gente de vários partidos e de partido nenhum, característica comum a qualquer lista que se queira chamar de “unitária”) liderada pela independente Manuela Mendonça. Três consequências óbvias: a estratégia de limpeza que a nova direcção do PCP tem para todos os sectores em que militantes seus estão envolvidos leva a primeira derrota evidente; a tomada de assalto da CGTP (onde a Fenprof representa 10% dos sindicalizados), correndo com todas vozes criticas ou apenas dissonantes, incluindo as do próprio partido, segue ferida; e a substituição forçada de Carvalho da Silva por Mário Nogueira (candidato a lider da Fenprof previsivelmente derrotado) torna-se mais difícil.
Posted by Daniel Oliveira on março 27, 2007
Vejam:
http://portugueses-irritantes.blogspot.com
e ajudem a escolher o tuga mais irritantes para os seus compatriotas.
PARTICIPA!
Mas há ainda uma pequena GRANDE diferença:
É que o assunto da Casa Pia, bem ou mal lá chegou a tribunal e está a ser julgado, ilibados aqueles a quem a Justiça nada tem a apontar… ou talvez não o tivesse conseguido, sei lá!
Enquanto o presente “affaire” Sócrates NÃO está morto e enterrado, pese embora a vontade de muitos em passar uma esponja sobre o caso.
Afinal, novas ramificações continuam a ser noticiadas e, como diz o povo, “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és”!
Bem, o que se pode dizer é que o ainda PM não escolhe lá muito boas companhias professorais… e outras que tais!!!
Mas então Mário Nogueira ganhou onde se esperava (era uma certeza) que era ganho da Manuela Mendonça?
Digam-me que não vem ao caso, mas falam aí disso e eu acho-lhe importância. Não de certo para a Manuela, que sempre disse que ia aos votos que as pessoas lhe dessem, assim como o Mário, sem guerras.
Margarida, os números, que eu disse que eram provisórios, não se confirmaram e Mário Nogueira ganhou e as consequências referidas não acontecem. Explique-me lá onde quer chegar.
A estratégia de limpeza que a nova direcção do PCP tem para todos os sectores em que militantes seus estão envolvidos teve uma vitória democrática (o que é muito raro); a tomada de assalto da CGTP (onde a Fenprof representa 10% dos sindicalizados), correndo com todas vozes criticas ou apenas dissonantes, incluindo as do próprio partido, segue com mais facilidade; e a substituição forçada de Carvalho da Silva por Mário Nogueira (candidato a lider da Fenprof vencedor) torna-se mais fácil.
Boas razões para a Margarida ficar contente.
Obviamente que os números eram provisórios, foi precisamente esse o meu ponto NESSA discussão e também lhe disse que as coisas se resolviam no Congresso, como aliás se resolveram.
E parabéns ao Congresso da Fenprof e à eleição do Mário Nogueira e da vitória de uma candidatura nacional, aberta, assente em critérios exclusivamente sindicais, que não irá dispensar ninguém em suma uma candidatura séria que não engana os professores e educadores.
Margarida, num comentário diferente noutro post você escreveu, sem tirar nem por, “uma candidatura nacional, aberta, assente em critérios exclusivamente sindicais, que não irá dispensar ninguém em suma uma candidatura séria que não engana os professores e educadores”.
A história da cassete é uma piada anti-comunista. Escusa de a confirmar.
E torno-lhe a repetir exactamente isso que Mário Nogueira encabeçou “uma candidatura nacional, aberta, assente em critérios exclusivamente sindicais, que não irá dispensar ninguém em suma uma candidatura séria que não engana os professores e educadores”.
Margarida (bocejo).
Já agora esqueci-me de lhe dizer que apreciei as suas referências aos laços familiares do coordenador do BE. Vamos falar das suas? É que falar da vida privada dos outros escondida no anonimato é o que faz qualquer cobarde. Você tem todos os tiques de um bufo. Escondidinha manda as pedras.
E esqueci-me de acrescentar que os professores apoiaram a candidatura do Mário Nogueira para a FENPROF porque não são masoquistas e escolheram o melhor para a organização que os representa.
Margarida, espero que seja professora, já que fala em nome dos ditos. Mas segundo sei não é.
Presume-se então que o membro da Comissão Política do BE e autor do post “Limpeza sindical derrotada” seja professor?
Não me queria meter na conversa sobre o sindicato dos professores. Mas parece-me que esse tal Nogueira ainda se vai mostrar uma aposta erra do PCP.
Também houve tempo em que o José Judas era mto ortodoxo.