Acabei de ver a reportagem que aqui já tinha referido sobre a violência nas escolas. Começo por falar da reportagem propriamente dita. Fazer jornalismo não é montar uma câmara escondida e pôr voz off por cima. Porque a escola não podia nem devia ser identificada, não há nada sobre o bairro onde ela está. Nada sobre as condições familiares daquelas crianças a não ser frases genéricas. Nada sobre os pedido que tenham sido feitos ao Ministério para mudar as coisas. Nada sobre a selecção dos professores que ali trabalham, sobre as estratégias para ganhar os alunos. Nada sobre outras escolas com os mesmos problemas e como os tentaram resolver. Nada. Apenas imagens chocantes.
Não vou julgar os professores. Já aqui disse que o sistema de selecção do pessoal docente para cada escola, mais ou menos aleatório, é absurdo. Estes professores farão seguramente o melhor que sabem e podem com miúdos que exigem um tipo de trabalho especial, com pessoas especiais.
Mas o Conselho Executivo, esse sim, merece reprovação. Os pais e os alunos, como é óbvio, identificaram a escola. A direcção da escola perdeu, ao permitir estas filmagens, toda a autoridade que poderia vir um dia a conseguir no meio ou, pelo menos, junto daquelas crianças. Percebe-se que se trata de um Conselho Executivo que desistiu pura e simplesmente de conseguir qualquer coisa ali.
Que exemplo deu a escola ao deixar que os seus professores falassem de cara tapada? Compreendo que o façam, mas com que autoridade ficam junto dos seus alunos quando dizem a um país inteiro que têm medo deles?
A violência nas escolas é assunto antigo. Basta recordar filmes dos anos 60, como “Sementes de Violência”. Não estamos a falar de nada de novo. Estas crianças, sem modelos familiares de autoridade e de afecto, sem modelos de comportamento social, precisam de professores especialíssimos. E, acima de tudo, precisam de professores que não desistam delas, mesmo que isso seja quase impossível. Que estejam preparados para isso. Provavelmente não são estes. Provavelmente não lhes podemos exigir tanto.
Esta reportagem não fez nada para mudar nada. Apenas agravou o problema daquela escola. Ali, podem desistir. Que tenha sido a televisão pública a faze-lo, com a ajuda do Conselho Executivo de uma escola pública, isso sim é que me faz ter muito pouca esperança no que o Estado possa fazer por estas crianças e por esta escola.
Comecei a ver o debate que tentou dar um ar sério a uma reportagem incompetente. Ao ouvir Fátima Bonifácio, desisti. Aturo conversa de taxista, mas só quando tenho pressa para chegar a algum lado.
Por Daniel Oliveira 30 Mai 06 em Sem categoria


a escola é apenas um bom indicador da sociedade que vivemos.
Talvez não precisem de professores (no sentido académico do termo) mas de missionários com o mesmo espírito dos jesuítas que no séc. XVIII se instalavam no Amazonas junto dos Jívaros. E com voto de pobreza como exige o Ministério.
Já agora explique-me porque é que quase todos os tipos do Bloco que eu conheço recitam este discurso paternalista mas matriculam os filhos em escolas privadas?
Não se isso é assim e duvido muito que tu saibas. A minha está numa escola pública. É tudo o que te posso dizer. Mas não me parece que perdesse a autoridade para falar do assunto se ela estivesse numa privada.
No fundo, és um teoricozeco como não deixam de ser os tais taxistas.
A diferença é que o teu discurso é todo bonito e enfeitado. Mas espremido, o sumo é zero.
Boas, eu gostava é que o SR
“tivesse medo de trabalhar”
só isso.Que levasse uns estalos , lhe chamassem todo o tipo de nomes etc.
Já agora, veja se há uma vaga no actual M.E.!Lançe uma circular a proibir as televisões de mostrarem aquilo que todo o PAÍS viu
Fez bem, DO. Era o que devia ter feito, mas não fiz. Isso ter-me-ia poupado à verve da FB quando, para justificar sua discordância com o facto de os pais poderem avaliar os professores disse: «a maioria são analfabetos ou quase». Salazar não diria melhor…
Perdão? Jornalismo incompetente é aquele que dá a notícia sem flores?
Está bonito, está…
Ao contrário de ti gostei da reportagem. Chocante mas necessária. Se a camara não estivesse escondida teriam filmado o quê??
Concordo contigo no caso do CE da escola. Onde está? O que fez? Quanto à fátima bonifácio normalmente sabedo que fala. Não sei em que táxis andas tu, mas devem ser muito especiais!
percebo a problemática mas não concordo com o teu discurso. postei sobre a matéria e julgo que os principais responsávies são os…. pais!
Agora querem que os professores resolvam na escola problemas sociais e políticos que estão claramente a montante. Com a entrada na CE e o alargamento da escolaridade obrigatória, os sucessivos Ministérios da Educação começaram a exigir às escolas resultados para as estatísticas. Com os “objectivos mínimos”, e a transição obrigatória, instalou-se progressivamente um sistema perverso que conduziu à actual situação. Se os professores são desrespeitados e desprestigiados pelas próprias instituições, como se pode esperar que os alunos lhes reconheçam autoridade e saber?
Muita da culpa do estado de coisas na nossa educação é a ICAR, com a conivência do Estado dito laico, andar a chupar as verbas para as suas escolas para gente rica e abastada, onde se fazem lavagens cerebrais e tortura psicológica.
O Bloco também é conivente quando o seu responsável máximo começa uma campanha para presidente da républica ao lado de uma freira numa dessas escolas!!! (não é de estranhar, depois de ter escolhido um lacaio do policarpo para seu mandatário, não é?)
Eu acho que simplesmente a escola permitiu as filmagens por estar numa situação desesperante…
Acredito que aquela escola já seguiu todos os procedimentos correctos e exigidos para resolver a situação e não conseguiu.
Dizer que a reportagem vai piorar ainda mais a situação, sinceramente não vejo como, só se os alunos matarem os professores…
E não venham dizer que não é uma situação nova, porque é! Casos de indisciplina sempre houveram mas também os professores de uma maneira ou outra conseguiam lidar com a situação…
O que se viu ontem foram professores completamente impotentes, assustados, desmotivados e rendidos. Acho que neste caso, os meios justificam os fins!
Aquilo não foi um debate sobre a escola, aquilo foi um debate sobre as escolas cujos alunos são filhos de emigrantes maioritariamente africanos e de gente gente pobre.
Existem casos muito graves de escolas em outros contextos sociais em que os problemas de disciplina se mantêm, quer sejam publicos ou privados. Existem casos de escolas publicas em bairros de classe média , onde uma aluna de raça negra foi violentamente agredida psicologicamente e por fim fisicamente por pertencer a outro bairro e os pais “não terem automóveis de marca”. Nessa mesma escola houve uma mãe de um aluno que quis bater numa professora por ela ter pedido ao seu filho que apanhasse um livro que mandara para o chão.
Ao ser um debate sobre essas comunidades aquele foi um debate sobre a imigração, dissimulado pela perspectiva escolar. Isto não é negar o problema, mas sim negar o modo como é apresentado. Depois sempre com a preocupação hipocrita por parte do pivot, de que não foram mencionados nomes etc…Bem, toda a gente já viu a publicidade de filmes americanos que começam assim ” Algures num cinema bem perto de si…”.Tenham medo, muito medo.
Depois toda a gente sabe que a observação muda a coisa observada. Os professores ao saberem que estão a ser filmados, obviamente dramatizam a situação, por falta de acção, visto isso beneficiar o ponto de vista do Conselho Executivo.
Não é que aquele problema não exista, existe, agora discutam-no no seu contexto e poupem-nos a manipulações
grosseiras.
Este video tambem pode ter intuitos comerciais pois como a RTP luta com falta de verbas, sempre o poderá vender ao PNR para as suas sessões de esclarecimento na busca de novos aderentes, num bairro perto de si.
Uma mensagem desculpabilizante, o que é lamentável.
“pouca esperança no que o Estado possa fazer por estas crianças e por esta escola”
Mas é o Estado que tem que fazer alguma coisa? E se as crianças não quiserem, verdadeiramente, que alguém faça alguma coisa por elas? Será que as crianças, e as suas famílias, estão motivadas para receber ajuda de alguém - especialmente do Estado? E será que o Estado, isto é, os nossos impostos, tem mesmo a obrigação de andar a fazer alguma coisa? Será que o Estado deve nomear, e pagar, um preceptor particular que ajude, de forma individualizada e sensível, como se requer, cada uma dessas crianças? Não é já suficiente o esforço que todos nós fazemos, através dos nossos impostos, para procurar dar uma educação a essas crianças?
Primeiro violência nas escolas sempre houve, mais ou menos encapotada , no tempo da ditadura, mais ás claras hoje.
Quando dois alunos andavam há pancada no patio, quando pequemos furtos eram feitos DIARIAMENTE nos balnearios, quando pais não se ensaiavam de pregar duas bofetadas num professor, porque ele tinha sido mais violento com o seu filho, isto eram situações, normais, escrevo o que vivi nos anos 60, primaria de Campo de Ourique, Manuel da Damaia, Ferreira Borges, só que os jornais NÂO ESCREVIAM NADA, ou o assunto não merecia nenhum destaque.
Penso que um professor é um educador, e até uma referência para os seus alunos, se o fôr realmente, só que muitos vão para professores porque não arranjaram outro emprego, e é aí que começam os problemas.
Estes jovens , eu sei ,exigem outro tipo de actuação mais especializada, mas ai do país que condene á partida( como ontem dizia uma douta personagem) ao lixo, chamando-lhes delinquentes
estes jovens.
Precisam de DISCIPLINA, precisam de NORMAS, certamente , mas precisam sobretudo de PROFESSORES QUE SEJAM PROFISSIONAIS , e que ganhem a sua confiança.
Quanto á D. Fatima Bonifácio, a dita professora universitaria e estudiosa( começo a perceber o estado a que chegaram as nossas universidades, com gentinha assim a ensinar)
só me posso RIR das tiradas da madama, certamente o seu curiiculum e o seus conhecimentos foram adquiridos nos cursos de verão ministrados pelo Jean Marie Le Pen.
Como é que Portugal quer ser levado a sério, quando uma qualquer Fatima Bonifácio de pacotilha, se atribui o titulo de investigadora…..
Vi o programa na RTP1.
Nada espantado com o retrato das nossas escolas públicas porque a ignorância continuada dos nossos rebentos não pode ser justificada, a todo o tempo, pela incompetência dos professores.
Com a generalizada indisciplina que reina/reinará nas escolas públicas não há/haverá professores que nos valham.
A escola não precisa de professores especialíssimos (o que é isso? Vamos abrir mais um curso?!) porque isso é coisa que só existe na cabeça dos que não sabem ou não querem resolver o problema.
A vida já me ensinou que “Ninguém sai às pedras da calçada”.
Vivemos numa terra de manhosos onde o bem comum se confunde e restringe ao bem pessoal. Sempre assim foi e “está retratada nos clássicos”. Como querem que as criancinhas não espelhem o que os adultos são?
A situação é corrigível? Claro que é se os “criadores de ineficácia” forem corridos do ministério da educação.
Aqui vai um exemplo.
Qual a razão do aumento brutal do número de “cidadãos” que vêm fazendo “as pazes” com o Fisco? Deu-lhes um ataque de cidadania e/ou patriotismo? Ou será que foi o resultado de lhes “apertarem o rabo” já que, a actual gestão do Fisco sabe bem que “quem é manhoso tem cu com medo?”.
Foram precisos funcionários especialíssimos? Ou foi apenas preciso nomear um Director competente que, porque o é, organiza os seus meios e incentiva/ obriga o seu pessoal a funcionar e gostar de obter resultados?
Deu trabalho? Certamente. Foi eficaz ? Vejam os resultados de Janeiro a Abril e concluam.
Nas escolas há apenas que acabar com a indisciplina (ponto parágrafo) porque o resto virá por acréscimo. E o resto é alunos a trabalhar no duro porque não se aprende a brincar. O que é desejável é aprender com alegria.
Está provado que o actual esquema de gestão partilhada não funciona na nossa terra.
O ministério tem que começar por rever a regulamentação onde acabam as “retenções” e passa a haver reprovações, onde há faltas com consequências, onde há sanções imediatas para comportamentos inaceitáveis e onde se acaba com a utopia (é-o porque até hoje produziu o que está à vista) da gestão partilhada.
Acabem de vez com a “complexidade do assunto” que é a razão primeira de nada ser feito.
Já agora experimentem nas escolas a versão do fisco.
Porque antes do mais, repito, sem disciplina não há espaço para ensinar.
Última nota: um blogue útil impõe regras mínimas de civilidade.
Escrever, “Ao ouvir Fátima Bonifácio, desisti. Aturo conversa de taxista, mas só quando tenho pressa para chegar a algum lado”, é pesporrência.
Não vi a reportagem, mas não tenho pena, imagino. É fácil imaginar, depois do que já aqui li.
Este estado de coisas deve-se a muitos factores, a exclusão, a aculturação, a falta de referências para os jovens como para os pais, e, como ter referências se apenas se existe na gettorização.
As responsabilidades são de todos, do ministério, dos conselhos executivos, dos governos e das nossas boas consciências a propósito destas questões.
Não se fazem omeletes sem se partir ovos e todos vamos ter de pagar agora, antes que seja tarde, muito tarde.
que chorrilho…
Não é Comissão Executiva, é Comissões Executivas. As escolas são na Pontinha, Cacém e a treceira já não me lembro mas era cá em lisboa
A confirmação da linha-geral dos “teasers” que passaram durante a semana apenas veio justificar aquilo que escrevi: atitudes imbecis, vezes coberturas jornalísticas mentecaptas, igual a país de esgoto.
Sobre a atitude dos professores: o ministério pode ser mau a ministra pior, mas querem que eu acredite que não há meios de resolver situações daquelas, mesmo num quadro de funcionamento deficiente como aquele que temos?
Os professores daquela escola deviam ser demitidos de imediato porque são incompetentes! Em última análise, se há falta de segurança chamem os GOE, contactem a brigada da NATO, não a RTP!
A profissão de professor é das belas que existem, é a minha opinião. Mas está cheia de gente que escolheu essa profissão com a mesma “vocação” com que um jovem camponês de uma aldeia dos arrabaldes de Viseu escolhe ir para a GNR: “não há mais nada”.
As escolas estão cheias de mercenário(a)s, de debitadore(a)s automático(a)s de matérias que ofendem a memória dos professore(a)s que me fizeram ter curiosidade pelas coisas do mundo. Não, não andei na “privada”, andei num dos liceus mais “problemáticos” do país.
Um dos meus filhos andou na escola da Bela Vista em Setúbal, considerada também “problemática” - para desfazer o estereótipo que vi por aí, o puto até é do BE.
Nos tempos em que como pai me dirigi àquela escola, encontrei dos professores mais empenhados que consegu(em)iam trabalhar com comunidades que não valorizam a escola – para além dos impedimentos de Classe, a mesmo problema que acontecia, não há muitos anos, com muitas famílias portuguesas com “selo de qualidade PNR”.
Nesta escola conheci crianças que queriam continuar a estudar e não puderam porque os seus pais necessitavam da sua ajuda no orçamento familiar. Pretas, como alguns dos energúmenos que saltavam de carteira em carteira na “reportagem” da RTP. Por que não vem a RTP a Setúbal perguntar aos pretos de todas as cores da escola da Bela Vista o que querem ser quando forem grandes? Porque não vem falar com os “pretos” dos “stôres” que querem ser professores, ali, e não em escolas-de-classe-média-alta-com balúrdios-em-explicações ?
Sim, também detectei “baixas da treta”, “chutar para o próximo ano o problema”, falta de coragem de chumbar quem tem de chumbar para não criar problemas ao “ranking”…
Passou-me pelas aulas um professor que insistia em afirmar que dizia aos seus alunos futuros professores que “as crianças são a flor da minha luta é em nome deste princípio que vos chumbo”. Justificava ele que quando olhava para os futuros professores via-lhes na cara o rosto dos futuros alunos.
Na “reportagem” da RTP os professores nem cara tinham.
Sobre a atitude dos professores: o ministério pode ser mau a ministra pior, mas querem que eu acredite que não há meios de resolver situações daquelas, mesmo num quadro de funcionamento deficiente como aquele que temos?
Os professores daquela escola deviam ser demitidos de imediato porque são incompetentes! Em última análise, se há falta de segurança chamem os GOE, contactem a brigada da NATO, não a RTP!
A profissão de professor é das belas que existem, é a minha opinião. Mas está cheia de gente que escolheu essa profissão com a mesma “vocação” com que um jovem camponês de uma aldeia dos arrabaldes de Viseu escolhe ir para a GNR: “não há mais nada”.
As escolas estão cheias de mercenário(a)s, de debitadore(a)s automático(a)s de matérias que ofendem a memória dos professore(a)s que me fizeram ter curiosidade pelas coisas do mundo. Não, não andei na “privada”, andei num dos liceus mais “problemáticos” do país.
Um dos meus filhos andou na escola da Bela Vista em Setúbal, considerada também “problemática” - para desfazer o estereótipo que vi por aí, o puto até é do BE.
Nos tempos em que como pai me dirigi àquela escola, encontrei dos professores mais empenhados que consegu(em)iam trabalhar com comunidades que não valorizam a escola – para além dos impedimentos de Classe, a mesmo problema que acontecia, não há muitos anos, com muitas famílias portuguesas com “selo de qualidade PNR”.
Nesta escola conheci crianças que queriam continuar a estudar e não puderam porque os seus pais necessitavam da sua ajuda no orçamento familiar. Pretas, como alguns dos energúmenos que saltavam de carteira em carteira na “reportagem” da RTP. Por que não vem a RTP a Setúbal perguntar aos pretos de todas as cores da escola da Bela Vista o que querem ser quando forem grandes? Porque não vem falar com os “pretos” dos “stôres” que querem ser professores, ali, e não em escolas-de-classe-média-alta-com balúrdios-em-explicações ?
Sim, também detectei “baixas da treta”, “chutar para o próximo ano o problema”, falta de coragem de chumbar quem tem de chumbar para não criar problemas ao “ranking”…
Passou-me pelas aulas um professor que insistia em afirmar que dizia aos seus alunos futuros professores que “as crianças são a flor da minha luta é em nome deste princípio que vos chumbo”. Justificava ele que quando olhava para os futuros professores via-lhes na cara o rosto dos futuros alunos.
Na “reportagem” da RTP os professores nem cara tinham.
Os eduqueses do ME dizem não querer a “interferência tiranizante dos adultos” na aprendizagem das criancinhas. Pedagogias da batata de individuos que não sabem ser pais, nem educadores nem modelos para a juventude. Esta precisa para se desenvolver de modelos, de referências. Não de adutos acriançados que se coloquem ao lado (e não à frente)deles e não os dirijam. Não querem pais e professores “companheiros”. Para companheiros têm os miúdos da sus idade. Precisam é de homens e mulheres a sério para os guiarem e ensinarem. No ensino há hierarquia entre docente e discente. Uma escola não é uma “casa da Joana”. Normalmente esse papel de modelo cabe aos pais e professores. Se estes se demitem dessa responsabilidade de interferir no desenvolvimento da criança, esta será um adulto falhado e angustiado, tal como os bananas que teve o azar de lhe sairem como pais ou professores.
É a mesma teoria miserável da vitimização e desresponsabilização que tende a ver o patrão como explorador tiranizante (marxismo) ou a mulher como escrava do homem (feminismo). Tudo teorias falhadas que conduziram as sociedades a tragédias económicas e sociais dramáticas, ou à destruição das relações entre géneros no decadente ocidente. Tal como a pedagogia eduquesa, esse vómito de mentes doentes e imaturas, destruiu a formação da personalidade e a capacidade profissional de gerações inteiras de jovens.
Quousque tandem abutere, eduquensis, patientia nostra ?
Já fui professor do ensino secundário, por opção, e acabei por desistir. Já lá vão 10 anos e ainda não me arrependi. Vi, na altura, que o “sistema” não tinha tendência paar melhorar, pelo contrário. Infelizmente, confirmou-se. Causas? Pois, são muitas e vejo poucos inocentes. Destaco apenas os não inocentes que considero mais importantes: um ME, mais preocupado em não ter muitos chumbuzinhos para não ficar (ainda mais) envergonhado perante os “parceiros europeus”; umas corjas, a quem chamam sindicatos, que adoram marcar greves para fazer pontes (em debalde esperei por uma greve com uma motivação genuína de lutar por um melhor ensino … e ainda espero) ou porque se sentem ofendidos com o que a sra. ministra diz deles; uma outra corja de incompetentes que vê no “ensino” a solução para não ir paar o desemprego e que vai manchar o trabalho dos verdadeiros professores (sim, porque os há, não generalizemos, ok?). Junte-se a isto uma cultura tuga do “chico esperto desenrasca” e temos o que temos (não é por isso de surpreender que os filhos de imigrantes do chamado Leste ao fim de dois ou trÊs anos, falem melhor português do que muitos que cá nasceram). Vivo agora na Holanda. Aqui, praticamente toda a gente fala inglês, uns melhor, outros pior, sejam holandeses de nascimento ou imigrantes. Só que aqui não se tolera essas indisciplinas, com a pedagogiazinha acientífica e paternalista da “exclusão, coitadinhos, não conseguem mais do que isso. Aliás, quando comento o que se passa em Portugal, nesse aspecto, as pessoas mostram-se incrédulas e, julgo eu, ficam a pensar, como eu penso, que Portugal, assim, continuará a ser o que sempre foi, um lugar mal frequentado ao qual foram dadas inúmeras oportunidades históricas, mas os piolhosos do sítio, sempe armados em chico-espertos, decidiram repetidamente não as aproveitar, a não ser para proveito próprio e a curto-prazo.
Cara M. Silva,
Como quer que me refira a uma senhora que diz que aquela escola é um depósito de delinquentes e deve ser desmantelada? Que diz que os pais, em geral, neste país, são analfabetos?
Lamento. Não se trata de pesporrência. Estando nós a falar de crianças, o que quero transmitir é uma coisa bem pior: o mais absoluto desprezo.
Enganas-te. O contexto social já foi visto, relido, reinterpretado, reanalisado, filmado em directo e diferido. O que não tínhamos visto, e que muitos como tu duvidavam, porque fechados na burocracia e no Bairro Alto, é que a violência destas crianças é brutal e que os professores não estão obrigados a lidar com o problema.
Adorei o comentário do Pacheco sobre Fátima Bonifácio.Como ex aluna dela devo dizer que a “madama” acha-se superior a tudo e todos.Considera que todos os seus alunos universitários são analfabetos e tem um enorme prazer em humilhar e ridicularizá-los.Como é q uma “Senhora” que sente o máximo desprezo por todos os seus alunos se pode considerar apta a comentar o que quer que seja sobre educação.
Ainda a propósito deste post o comentário que ia fazer ficou grande demais e resolvi publicá-lo eu. Se se quiser dar ao trabalho de o ler, talvez fique mais esclarecido em relação às competencias dos pais!
Não vi a reportagem em causa.
Concordo com o Daniel quando afirma que professores que aceitam falar para uma reportagem televisiva de rosto ocultado perdem a (pouca) autoridade que ainda lhes restava junto dos pais e alunos da escola. Pode ser entendido quase como um juízo de facto, não tenho com efeito qualquer intenção de julgar os docentes que assim agiram. Muito provavelmente, fizeram-no por força de um quotidiano de violência cada vez mais insuportável.
A violência, enquanto expressão do conflito, é um dado inelutável da existência, não é possível erradicá-la totalmente. Isto é válido tanto para a escola do antigo regime como para a escola democrática. O problema está em saber gerir os níveis de violência ou de conflito, e hoje este fenómeno parece ter grande repercussão nalgumas escolas, a ponto de se transformar em norma ou de produzir um quadro anómico.
Para além dos problemas inerentes à formação dos professores (e aqui a noção de “professor especialíssimo”, empregue pelo Daniel, aproxima-se de uma espécie missionarismo a meu ver muito pouco realista; se devemos exigir aos docentes competências profissionais, já o espírito de missão, ou o chamado voto de pobreza, me parece manifestamente exagerado), julgo que algum bom senso poderia contribuir para o recuo da violência na escola. Desde logo, o processo de aplicação de sanções, que de tão diferido no tempo acaba destituído de significado (aqui a responsabilidade é por inteiro do Ministério de Educação).
O processo de expulsão da escola em caso de reincidência não deve ser anatemizado (será aceitável a um professor cruzar-se dia a após dia com seu agressor nos corredores da escola? Quantos de nós suportaríamos esta situação). Quando falo de expulsão, não quero dizer exclusão do sistema de ensino, mas tão-só transferência para um outro estabelecimento, desfrutado aí o aluno dos necessários apoios (psicológico, pedagógicos, etc.).
Em suma, também é necessário reforçar a autoridade do professor. Neste ponto, divirjo do Daniel. Sem uma cultura de responsabilização dos alunos e dos pais não vamos lá. E a continuar assim, os prejudicados acabam por ser os bons alunos, que importa não esquecer que também os há nestas escolas desfavorecidas (a Escola Pública ainda desempenha um papel importante no combate às desigualdades sociais e tem constituído para alunos oriundo de meios desfavorecidos um veículo de ascensão social).
Aos professores devemos exigir competências nos domínios da matéria curricular que ministram e da pedagogia. Mas não transformemos os professores em psicólogos e assistentes sociais, pois nem tudo pode provir dos pobres docentes.
Há 9 anos, era eu pouco mais que recém-licenciado, concorri para dar aulas no distrito de Beja – nos então designados “mini-concursos” – e fiquei colocado! Na altura tinha apenas uma licenciatura em Sociologia, obtida na Universidade Nova de Lisboa; tão mal forjada para as minhas necessidades de emprego como para as necessidades do mercado.
O facto de ter uma licenciatura em Sociologia tornava-me, na altura e creio que ainda hoje, legalmente habilitado para dar aulas de Português/História ao 2º ciclo do ensino básico; apesar da mesma legislação não me considerar capaz de leccionar… Sociologia!
Quando me apresentei na escola deram-me o horário com a anotação 318/91. Perguntei o que é que aquilo queria dizer e responderam-me que era o diploma legal que regulamentava o ensino especial e, no caso, o ensino que eu deveria leccionar às minhas turmas. Preocupei-me, li o diploma, preocupei-me ainda mais, falei com o conselho directivo que me tranquilizou e me encaminhou para o gabinete de psicologia da escola. No gabinete de psicologia tranquilizaram-me – outra vez! – e disseram-me que não me preocupasse, que não tivesse muitas expectativas em relação aqueles miúdos e que me limitasse a ir com eles ao centro de recursos, ver uns filmes, conversar um bocado… enfim, passar o ano.
Não sei se nesta altura do relato, para avaliar convenientemente a situação, interessa lembrar que eu não tinha experiência lectiva, não tinha qualificações para lidar com crianças com necessidades especiais, nunca tinha dado uma aula e que a única coisa que me habilitava a dar aulas de Português/História (ou passar o tempo com os alunos, como explicitamente o gabinete de psicologia da escola me sugeriu) era uma licenciatura em Sociologia. Por esta altura poder-se-á perguntar se o cenário era este, porque raio resolvi eu aceitar o desígnio. A explicação é simples. Estava desempregado, queria trabalhar (o que nem sempre são condições cumulativas), disponibilidade para sair de casa e ir arranjar emprego a 200 kms de casa (de Cascais a Beja), tinha um “perfil” de habilitações que o “mercado” reconhecia e validava, uma imensa vontade de aprender e, já nessa altura, uma grande apetência para os processos de ensino/aprendizagem.
Conheci finalmente os alunos. Eram 14. Distribuídos por 4 (!) turmas o que dá uma média de 3,5 alunos/turma. Uma turma tinha 6, a outra tinha 4 e ainda havia 2 turmas com 2 alunos cada. Nenhum deles tinhas necessidades especiais – sobretudo deficiências ou incapacidades como o discurso correcto lhes chama agora – como o diploma anunciava. Tinham de facto necessidades especiais, mas de outra ordem. Resultavam essas necessidades especiais de serem crianças provenientes de montes isolados e de lugarejos rurais, onde a sociabilidade era pouca, pobre, rude e, não poucas vezes, violenta.
Fosse lá como fosse, a escola tinha resolvido contratar um professor de português e um de matemática e outros de outras disciplinas para dar “acompanhamento” mais personalizado (um acompanhamento sobre o qual nem sequer tinham pensado muito…) a estas crianças.
Nem vou falar sobre o efeito que esta pedagogia, alegadamente inclusiva, e o seu efeito estigmatizante, consubstanciado no facto de se criarem turmas especiais para os “bichos do mato” ou, como lhes chamavam na altura, os “319”, tinha sobre as crianças.
Vou falar de prioridades. E de custos. Que é coisa que a esquerda normalmente acha que faz parte da agenda suja da política.
Ora bem, eu tinha na altura um horário completo (deveriam rondar, não me recordo com exactidão, as 21 horas lectivas) tal como todos os meus colegas que tinham, também eles, aproximadamente 4 turmas “normais”. Uma turma “normal” contava com uns 20 e tal alunos. Façamos a coisa pelos 22. Ora cada colega tinha (4 turmas x 22 alunos) 88 alunos. Eu tinha 14. Recebíamos todos aproximadamente o mesmo. Eu deveria receber, líquidos, qualquer coisa como 180 contos. Ora, isto fazia com que os meus alunos, para desenvolverem competências em Português/História, custassem, cada um deles, (180 cts/14 alunos) quase 13 contos por mês. Ao passo que os outros alunos custavam apenas (180 cts/88 alunos) 2 contos; para o mesmo objectivo.
A pergunta que eu faço, e faço-a a pensar nesta minha experiência particular, como a faço a pensar nos acontecimentos em discussão sobre a violência nas escolas urbanas e sub-urbanas é a seguinte: e os melhores? Quem se preocupa com os melhores? Aqueles que, em turmas “normais”, aguardam pelo curso normal, na melhor da hipóteses, da mediania geral? Pior: quem se preocupa com aqueles que, não sendo ainda pré ou proto ou recém delinquentes, pelo convívio e sobretudo pela partilha do espaço escolar com todos aqueles que já são qualquercoisa-delinquentes acabam por não se desenvolverem como mereciam numa escola que estimulasse a excelência e que não andasse sempre a olhar para os mais violentos, e para os mais carentes de ajuda e para os mais atrasados.
É evidente que não julgo que se devam deixar cair, ainda mais, os mais fracos. O que não suporto é ver a Escola consumir-se até à exaustão com toda a problemática dos coitadinhos, nomeadamente por via dos efeitos que o meio exerce sobre eles, como se o facto de se nascer e viver na Cova da Moura tornasse o individuo, inexoravelmente, num marginal inimputável ou merecedor de maior atenuante que outro marginal qualquer nascido e criado na Quinta da Gandarinha.
O que não suporto é ver a Escola transformar-se numa arena em que aos alunos e aos pais dos alunos é permitido insultar, cuspir, agredir e incendiar os cabelos dos professores, com total impunidade. E um Estado que ao invés de proteger a Escola e de a centrar no essencial a desloca para tarefas que deveriam estar a ser, no limite, caso os pais sejam irremediavelmente casos perdidos, desempenhadas pelo Instituto de Reinserção Social, pela Polícia, pelos Tribunais e pela Segurança Social.
Meus amigos, sempre houve ricos e pobres, favorecidos e desfavorecidos. Podem enunciar os problemas sem conta que existem.. isso nao serve para nada. Ja toda a gente sabe que é assim. Estes miudos, crescendo onde cresceram é natural que nao saibam fazer mais nada nem tenham vontade nenhuma de fazer o que os outros fazem. Como ja se disse, sao vitimas da sociedade, etc. concordo. Mas entao e como tal, deviam ir todas para uma mesma escola onde seriam educadas com mais autoridade e onde passariam de preferencia a maior parte do seu tempo. Uma escola onde apenas profissionais especializados trabalhariam e se dedicariam. E nao me venham dizer que depois se iam sentir discriminados ou diferentes. Eles ja se sentem assim e descarregam em quem bem lhes apetece. E assim pode ser que se salvassem alguns mais do que se salvam hoje, que sao poucos.