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	<title>Comentários em: O jornalismo incompetente</title>
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	<description>Os suspeitos do costume</description>
	<pubDate>Sat, 22 Nov 2008 08:35:58 +0000</pubDate>
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		<title>Por: pedro</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-344</link>
		<dc:creator>pedro</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 09 Aug 2006 01:18:36 +0000</pubDate>
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		<description>Meus amigos, sempre houve ricos e pobres, favorecidos e desfavorecidos. Podem enunciar os problemas sem conta que existem.. isso nao serve para nada. Ja toda a gente sabe que é assim. Estes miudos, crescendo onde cresceram é natural que nao saibam fazer mais nada nem tenham vontade nenhuma de fazer o que os outros fazem. Como ja se disse, sao vitimas da sociedade, etc. concordo. Mas entao e como tal, deviam ir todas para uma mesma escola onde seriam educadas com mais autoridade e onde passariam de preferencia a maior parte do seu tempo. Uma escola onde apenas profissionais especializados trabalhariam e se dedicariam. E nao me venham dizer que depois se iam sentir discriminados ou diferentes. Eles ja se sentem assim e descarregam em quem bem lhes apetece. E assim pode ser que se salvassem alguns mais do que se salvam hoje, que sao poucos.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Meus amigos, sempre houve ricos e pobres, favorecidos e desfavorecidos. Podem enunciar os problemas sem conta que existem.. isso nao serve para nada. Ja toda a gente sabe que é assim. Estes miudos, crescendo onde cresceram é natural que nao saibam fazer mais nada nem tenham vontade nenhuma de fazer o que os outros fazem. Como ja se disse, sao vitimas da sociedade, etc. concordo. Mas entao e como tal, deviam ir todas para uma mesma escola onde seriam educadas com mais autoridade e onde passariam de preferencia a maior parte do seu tempo. Uma escola onde apenas profissionais especializados trabalhariam e se dedicariam. E nao me venham dizer que depois se iam sentir discriminados ou diferentes. Eles ja se sentem assim e descarregam em quem bem lhes apetece. E assim pode ser que se salvassem alguns mais do que se salvam hoje, que sao poucos.</p>
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		<title>Por: pgs</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-345</link>
		<dc:creator>pgs</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2006 14:13:12 +0000</pubDate>
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		<description>Há 9 anos, era eu pouco mais que recém-licenciado, concorri para dar aulas no distrito de Beja – nos então designados “mini-concursos” – e fiquei colocado! Na altura tinha apenas uma licenciatura em Sociologia, obtida na Universidade Nova de Lisboa; tão mal forjada para as minhas necessidades de emprego como para as necessidades do mercado.

O facto de ter uma licenciatura em Sociologia tornava-me, na altura e creio que ainda hoje, legalmente habilitado para dar aulas de Português/História ao 2º ciclo do ensino básico; apesar da mesma legislação não me considerar capaz de leccionar… Sociologia!

Quando me apresentei na escola deram-me o horário com a anotação 318/91. Perguntei o que é que aquilo queria dizer e responderam-me que era o diploma legal que regulamentava o ensino especial e, no caso, o ensino que eu deveria leccionar às minhas turmas. Preocupei-me, li o diploma, preocupei-me ainda mais, falei com o conselho directivo que me tranquilizou e me encaminhou para o gabinete de psicologia da escola. No gabinete de psicologia tranquilizaram-me – outra vez! – e disseram-me que não me preocupasse, que não tivesse muitas expectativas em relação aqueles miúdos e que me limitasse a ir com eles ao centro de recursos, ver uns filmes, conversar um bocado… enfim, passar o ano.

Não sei se nesta altura do relato, para avaliar convenientemente a situação, interessa lembrar que eu não tinha experiência lectiva, não tinha qualificações para lidar com crianças com necessidades especiais, nunca tinha dado uma aula e que a única coisa que me habilitava a dar aulas de Português/História (ou passar o tempo com os alunos, como explicitamente o gabinete de psicologia da escola me sugeriu) era uma licenciatura em Sociologia. Por esta altura poder-se-á perguntar se o cenário era este, porque raio resolvi eu aceitar o desígnio. A explicação é simples. Estava desempregado, queria trabalhar (o que nem sempre são condições cumulativas), disponibilidade para sair de casa e ir arranjar emprego a 200 kms de casa (de Cascais a Beja), tinha um “perfil” de habilitações que o “mercado” reconhecia e validava, uma imensa vontade de aprender e, já nessa altura, uma grande apetência para os processos de ensino/aprendizagem.

Conheci finalmente os alunos. Eram 14. Distribuídos por 4 (!) turmas o que dá uma média de 3,5 alunos/turma. Uma turma tinha 6, a outra tinha 4 e ainda havia 2 turmas com 2 alunos cada. Nenhum deles tinhas necessidades especiais – sobretudo deficiências ou incapacidades como o discurso correcto lhes chama agora – como o diploma anunciava. Tinham de facto necessidades especiais, mas de outra ordem. Resultavam essas necessidades especiais de serem crianças provenientes de montes isolados e de lugarejos rurais, onde a sociabilidade era pouca, pobre, rude e, não poucas vezes, violenta.

Fosse lá como fosse, a escola tinha resolvido contratar um professor de português e um de matemática e outros de outras disciplinas para dar “acompanhamento” mais personalizado (um acompanhamento sobre o qual nem sequer tinham pensado muito…) a estas crianças.

Nem vou falar sobre o efeito que esta pedagogia, alegadamente inclusiva, e o seu efeito estigmatizante, consubstanciado no facto de se criarem turmas especiais para os “bichos do mato” ou, como lhes chamavam na altura, os “319”, tinha sobre as crianças.

Vou falar de prioridades. E de custos. Que é coisa que a esquerda normalmente acha que faz parte da agenda suja da política.

Ora bem, eu tinha na altura um horário completo (deveriam rondar, não me recordo com exactidão, as 21 horas lectivas) tal como todos os meus colegas que tinham, também eles, aproximadamente 4 turmas “normais”. Uma turma “normal” contava com uns 20 e tal alunos. Façamos a coisa pelos 22. Ora cada colega tinha (4 turmas x 22 alunos) 88 alunos. Eu tinha 14. Recebíamos todos aproximadamente o mesmo. Eu deveria receber, líquidos, qualquer coisa como 180 contos. Ora, isto fazia com que os meus alunos, para desenvolverem competências em Português/História, custassem, cada um deles, (180 cts/14 alunos) quase 13 contos por mês. Ao passo que os outros alunos custavam apenas (180 cts/88 alunos) 2 contos; para o mesmo objectivo.

A pergunta que eu faço, e faço-a a pensar nesta minha experiência particular, como a faço a pensar nos acontecimentos em discussão sobre a violência nas escolas urbanas e sub-urbanas é a seguinte: e os melhores? Quem se preocupa com os melhores? Aqueles que, em turmas “normais”, aguardam pelo curso normal, na melhor da hipóteses, da mediania geral? Pior: quem se preocupa com aqueles que, não sendo ainda pré ou proto ou recém delinquentes, pelo convívio e sobretudo pela partilha do espaço escolar com todos aqueles que já são qualquercoisa-delinquentes acabam por não se desenvolverem como mereciam numa escola que estimulasse a excelência e que não andasse sempre a olhar para os mais violentos, e para os mais carentes de ajuda e para os mais atrasados.

É evidente que não julgo que se devam deixar cair, ainda mais, os mais fracos. O que não suporto é ver a Escola consumir-se até à exaustão com toda a problemática dos coitadinhos, nomeadamente por via dos efeitos que o meio exerce sobre eles, como se o facto de se nascer e viver na Cova da Moura tornasse o individuo, inexoravelmente, num marginal inimputável ou merecedor de maior atenuante que outro marginal qualquer nascido e criado na Quinta da Gandarinha.

O que não suporto é ver a Escola transformar-se numa arena em que aos alunos e aos pais dos alunos é permitido insultar, cuspir, agredir e incendiar os cabelos dos professores, com total impunidade. E um Estado que ao invés de proteger a Escola e de a centrar no essencial a desloca para tarefas que deveriam estar a ser, no limite, caso os pais sejam irremediavelmente casos perdidos, desempenhadas pelo Instituto de Reinserção Social, pela Polícia, pelos Tribunais e pela Segurança Social.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Há 9 anos, era eu pouco mais que recém-licenciado, concorri para dar aulas no distrito de Beja – nos então designados “mini-concursos” – e fiquei colocado! Na altura tinha apenas uma licenciatura em Sociologia, obtida na Universidade Nova de Lisboa; tão mal forjada para as minhas necessidades de emprego como para as necessidades do mercado.</p>
<p>O facto de ter uma licenciatura em Sociologia tornava-me, na altura e creio que ainda hoje, legalmente habilitado para dar aulas de Português/História ao 2º ciclo do ensino básico; apesar da mesma legislação não me considerar capaz de leccionar… Sociologia!</p>
<p>Quando me apresentei na escola deram-me o horário com a anotação 318/91. Perguntei o que é que aquilo queria dizer e responderam-me que era o diploma legal que regulamentava o ensino especial e, no caso, o ensino que eu deveria leccionar às minhas turmas. Preocupei-me, li o diploma, preocupei-me ainda mais, falei com o conselho directivo que me tranquilizou e me encaminhou para o gabinete de psicologia da escola. No gabinete de psicologia tranquilizaram-me – outra vez! – e disseram-me que não me preocupasse, que não tivesse muitas expectativas em relação aqueles miúdos e que me limitasse a ir com eles ao centro de recursos, ver uns filmes, conversar um bocado… enfim, passar o ano.</p>
<p>Não sei se nesta altura do relato, para avaliar convenientemente a situação, interessa lembrar que eu não tinha experiência lectiva, não tinha qualificações para lidar com crianças com necessidades especiais, nunca tinha dado uma aula e que a única coisa que me habilitava a dar aulas de Português/História (ou passar o tempo com os alunos, como explicitamente o gabinete de psicologia da escola me sugeriu) era uma licenciatura em Sociologia. Por esta altura poder-se-á perguntar se o cenário era este, porque raio resolvi eu aceitar o desígnio. A explicação é simples. Estava desempregado, queria trabalhar (o que nem sempre são condições cumulativas), disponibilidade para sair de casa e ir arranjar emprego a 200 kms de casa (de Cascais a Beja), tinha um “perfil” de habilitações que o “mercado” reconhecia e validava, uma imensa vontade de aprender e, já nessa altura, uma grande apetência para os processos de ensino/aprendizagem.</p>
<p>Conheci finalmente os alunos. Eram 14. Distribuídos por 4 (!) turmas o que dá uma média de 3,5 alunos/turma. Uma turma tinha 6, a outra tinha 4 e ainda havia 2 turmas com 2 alunos cada. Nenhum deles tinhas necessidades especiais – sobretudo deficiências ou incapacidades como o discurso correcto lhes chama agora – como o diploma anunciava. Tinham de facto necessidades especiais, mas de outra ordem. Resultavam essas necessidades especiais de serem crianças provenientes de montes isolados e de lugarejos rurais, onde a sociabilidade era pouca, pobre, rude e, não poucas vezes, violenta.</p>
<p>Fosse lá como fosse, a escola tinha resolvido contratar um professor de português e um de matemática e outros de outras disciplinas para dar “acompanhamento” mais personalizado (um acompanhamento sobre o qual nem sequer tinham pensado muito…) a estas crianças.</p>
<p>Nem vou falar sobre o efeito que esta pedagogia, alegadamente inclusiva, e o seu efeito estigmatizante, consubstanciado no facto de se criarem turmas especiais para os “bichos do mato” ou, como lhes chamavam na altura, os “319”, tinha sobre as crianças.</p>
<p>Vou falar de prioridades. E de custos. Que é coisa que a esquerda normalmente acha que faz parte da agenda suja da política.</p>
<p>Ora bem, eu tinha na altura um horário completo (deveriam rondar, não me recordo com exactidão, as 21 horas lectivas) tal como todos os meus colegas que tinham, também eles, aproximadamente 4 turmas “normais”. Uma turma “normal” contava com uns 20 e tal alunos. Façamos a coisa pelos 22. Ora cada colega tinha (4 turmas x 22 alunos) 88 alunos. Eu tinha 14. Recebíamos todos aproximadamente o mesmo. Eu deveria receber, líquidos, qualquer coisa como 180 contos. Ora, isto fazia com que os meus alunos, para desenvolverem competências em Português/História, custassem, cada um deles, (180 cts/14 alunos) quase 13 contos por mês. Ao passo que os outros alunos custavam apenas (180 cts/88 alunos) 2 contos; para o mesmo objectivo.</p>
<p>A pergunta que eu faço, e faço-a a pensar nesta minha experiência particular, como a faço a pensar nos acontecimentos em discussão sobre a violência nas escolas urbanas e sub-urbanas é a seguinte: e os melhores? Quem se preocupa com os melhores? Aqueles que, em turmas “normais”, aguardam pelo curso normal, na melhor da hipóteses, da mediania geral? Pior: quem se preocupa com aqueles que, não sendo ainda pré ou proto ou recém delinquentes, pelo convívio e sobretudo pela partilha do espaço escolar com todos aqueles que já são qualquercoisa-delinquentes acabam por não se desenvolverem como mereciam numa escola que estimulasse a excelência e que não andasse sempre a olhar para os mais violentos, e para os mais carentes de ajuda e para os mais atrasados.</p>
<p>É evidente que não julgo que se devam deixar cair, ainda mais, os mais fracos. O que não suporto é ver a Escola consumir-se até à exaustão com toda a problemática dos coitadinhos, nomeadamente por via dos efeitos que o meio exerce sobre eles, como se o facto de se nascer e viver na Cova da Moura tornasse o individuo, inexoravelmente, num marginal inimputável ou merecedor de maior atenuante que outro marginal qualquer nascido e criado na Quinta da Gandarinha.</p>
<p>O que não suporto é ver a Escola transformar-se numa arena em que aos alunos e aos pais dos alunos é permitido insultar, cuspir, agredir e incendiar os cabelos dos professores, com total impunidade. E um Estado que ao invés de proteger a Escola e de a centrar no essencial a desloca para tarefas que deveriam estar a ser, no limite, caso os pais sejam irremediavelmente casos perdidos, desempenhadas pelo Instituto de Reinserção Social, pela Polícia, pelos Tribunais e pela Segurança Social.</p>
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	<item>
		<title>Por: Luís Marvão</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-346</link>
		<dc:creator>Luís Marvão</dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Jun 2006 11:17:21 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arrastao.org/uncategorized/o-jornalismo-incompetente/#comment-346</guid>
		<description>Não vi a reportagem em causa.
Concordo com o Daniel quando afirma que professores que aceitam falar para uma reportagem  televisiva de rosto ocultado perdem a (pouca) autoridade que ainda lhes restava junto dos pais e alunos da escola. Pode ser entendido quase como um juízo de facto, não tenho com efeito qualquer intenção de julgar os docentes que assim agiram. Muito provavelmente, fizeram-no por força de um quotidiano de violência cada vez mais insuportável.
A violência, enquanto expressão do conflito, é um dado inelutável da existência, não é possível erradicá-la totalmente. Isto é válido tanto para a escola do antigo regime como para a escola democrática. O problema está em saber gerir os níveis de violência ou de conflito, e  hoje  este fenómeno parece  ter grande repercussão nalgumas escolas, a ponto de se transformar em norma ou de produzir um quadro anómico.
Para além dos problemas inerentes à formação dos professores (e aqui a noção de     “professor especialíssimo”, empregue pelo Daniel, aproxima-se de uma espécie missionarismo a meu ver muito pouco realista; se devemos exigir aos docentes competências profissionais, já o espírito de missão, ou o chamado voto de pobreza, me parece manifestamente exagerado), julgo que algum bom senso poderia contribuir para o recuo da violência na escola. Desde logo, o processo de aplicação de sanções, que de tão diferido no tempo acaba destituído de significado (aqui a responsabilidade é por inteiro do Ministério de Educação).
O processo de expulsão da escola em caso de reincidência não deve ser anatemizado (será aceitável a um professor cruzar-se dia a após dia com seu agressor nos corredores da escola? Quantos de nós suportaríamos esta situação). Quando falo de expulsão, não quero dizer exclusão do sistema de ensino, mas tão-só transferência para um outro estabelecimento, desfrutado aí o aluno dos necessários apoios (psicológico, pedagógicos, etc.).
Em suma, também é necessário reforçar a autoridade do professor. Neste ponto, divirjo do Daniel. Sem uma cultura de responsabilização dos alunos e dos pais não vamos lá.  E a continuar assim, os prejudicados acabam por ser os bons alunos, que importa não esquecer que também os há nestas escolas desfavorecidas (a Escola Pública ainda desempenha um papel importante no combate às desigualdades sociais e tem constituído para alunos oriundo de meios desfavorecidos um veículo de ascensão social).
Aos professores devemos exigir competências nos domínios da matéria curricular que ministram e da pedagogia.  Mas não transformemos os professores em psicólogos e assistentes sociais, pois nem tudo pode provir dos pobres docentes.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Não vi a reportagem em causa.<br />
Concordo com o Daniel quando afirma que professores que aceitam falar para uma reportagem  televisiva de rosto ocultado perdem a (pouca) autoridade que ainda lhes restava junto dos pais e alunos da escola. Pode ser entendido quase como um juízo de facto, não tenho com efeito qualquer intenção de julgar os docentes que assim agiram. Muito provavelmente, fizeram-no por força de um quotidiano de violência cada vez mais insuportável.<br />
A violência, enquanto expressão do conflito, é um dado inelutável da existência, não é possível erradicá-la totalmente. Isto é válido tanto para a escola do antigo regime como para a escola democrática. O problema está em saber gerir os níveis de violência ou de conflito, e  hoje  este fenómeno parece  ter grande repercussão nalgumas escolas, a ponto de se transformar em norma ou de produzir um quadro anómico.<br />
Para além dos problemas inerentes à formação dos professores (e aqui a noção de     “professor especialíssimo”, empregue pelo Daniel, aproxima-se de uma espécie missionarismo a meu ver muito pouco realista; se devemos exigir aos docentes competências profissionais, já o espírito de missão, ou o chamado voto de pobreza, me parece manifestamente exagerado), julgo que algum bom senso poderia contribuir para o recuo da violência na escola. Desde logo, o processo de aplicação de sanções, que de tão diferido no tempo acaba destituído de significado (aqui a responsabilidade é por inteiro do Ministério de Educação).<br />
O processo de expulsão da escola em caso de reincidência não deve ser anatemizado (será aceitável a um professor cruzar-se dia a após dia com seu agressor nos corredores da escola? Quantos de nós suportaríamos esta situação). Quando falo de expulsão, não quero dizer exclusão do sistema de ensino, mas tão-só transferência para um outro estabelecimento, desfrutado aí o aluno dos necessários apoios (psicológico, pedagógicos, etc.).<br />
Em suma, também é necessário reforçar a autoridade do professor. Neste ponto, divirjo do Daniel. Sem uma cultura de responsabilização dos alunos e dos pais não vamos lá.  E a continuar assim, os prejudicados acabam por ser os bons alunos, que importa não esquecer que também os há nestas escolas desfavorecidas (a Escola Pública ainda desempenha um papel importante no combate às desigualdades sociais e tem constituído para alunos oriundo de meios desfavorecidos um veículo de ascensão social).<br />
Aos professores devemos exigir competências nos domínios da matéria curricular que ministram e da pedagogia.  Mas não transformemos os professores em psicólogos e assistentes sociais, pois nem tudo pode provir dos pobres docentes.</p>
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	<item>
		<title>Por: SaltaPocinhas</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-347</link>
		<dc:creator>SaltaPocinhas</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2006 21:58:57 +0000</pubDate>
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		<description>Ainda a propósito deste post o comentário que ia fazer ficou grande demais e resolvi publicá-lo eu. Se se quiser dar ao trabalho de o ler, talvez fique mais esclarecido em relação às competencias dos pais!</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Ainda a propósito deste post o comentário que ia fazer ficou grande demais e resolvi publicá-lo eu. Se se quiser dar ao trabalho de o ler, talvez fique mais esclarecido em relação às competencias dos pais!</p>
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	<item>
		<title>Por: Sónia</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-348</link>
		<dc:creator>Sónia</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2006 12:59:43 +0000</pubDate>
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		<description>Adorei o comentário do Pacheco sobre Fátima Bonifácio.Como ex aluna dela devo dizer que a "madama" acha-se superior a tudo e todos.Considera que todos os seus alunos universitários são analfabetos e tem um enorme prazer em humilhar e ridicularizá-los.Como é q uma "Senhora" que sente o máximo desprezo por todos os seus alunos se pode considerar apta a comentar o que quer que seja sobre educação.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Adorei o comentário do Pacheco sobre Fátima Bonifácio.Como ex aluna dela devo dizer que a &#8220;madama&#8221; acha-se superior a tudo e todos.Considera que todos os seus alunos universitários são analfabetos e tem um enorme prazer em humilhar e ridicularizá-los.Como é q uma &#8220;Senhora&#8221; que sente o máximo desprezo por todos os seus alunos se pode considerar apta a comentar o que quer que seja sobre educação.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Anu</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-349</link>
		<dc:creator>Anu</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2006 12:49:36 +0000</pubDate>
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		<description>Enganas-te. O contexto social já foi visto, relido, reinterpretado, reanalisado, filmado em directo e diferido. O que não tínhamos visto, e que muitos como tu duvidavam, porque fechados na burocracia e no Bairro Alto, é que a violência destas crianças é brutal e que os professores não estão obrigados a lidar com o problema.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Enganas-te. O contexto social já foi visto, relido, reinterpretado, reanalisado, filmado em directo e diferido. O que não tínhamos visto, e que muitos como tu duvidavam, porque fechados na burocracia e no Bairro Alto, é que a violência destas crianças é brutal e que os professores não estão obrigados a lidar com o problema.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Daniel Oliveira</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-350</link>
		<dc:creator>Daniel Oliveira</dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2006 00:43:23 +0000</pubDate>
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		<description>Cara M. Silva,

Como quer que me refira a uma senhora que diz que aquela escola é um depósito de delinquentes e deve ser desmantelada? Que diz que os pais, em geral, neste país, são analfabetos?

Lamento. Não se trata de pesporrência. Estando nós a falar de crianças, o que quero transmitir é uma coisa bem pior: o mais absoluto desprezo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Cara M. Silva,</p>
<p>Como quer que me refira a uma senhora que diz que aquela escola é um depósito de delinquentes e deve ser desmantelada? Que diz que os pais, em geral, neste país, são analfabetos?</p>
<p>Lamento. Não se trata de pesporrência. Estando nós a falar de crianças, o que quero transmitir é uma coisa bem pior: o mais absoluto desprezo.</p>
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	</item>
	<item>
		<title>Por: Metroid_Mechanoid</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-351</link>
		<dc:creator>Metroid_Mechanoid</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2006 23:39:27 +0000</pubDate>
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		<description>Já fui professor do ensino secundário, por opção, e acabei por desistir. Já lá vão 10 anos e ainda não me arrependi. Vi, na altura, que o "sistema" não tinha tendência paar melhorar, pelo contrário. Infelizmente, confirmou-se. Causas? Pois, são muitas e vejo poucos inocentes. Destaco apenas os não inocentes que considero mais importantes: um ME, mais preocupado em não ter muitos chumbuzinhos para não ficar (ainda mais) envergonhado perante os "parceiros europeus"; umas corjas, a quem chamam sindicatos, que adoram marcar greves para fazer pontes (em debalde esperei por uma greve com uma motivação genuína de lutar por um melhor ensino ... e ainda espero) ou porque se sentem ofendidos com o que a sra. ministra diz deles; uma outra corja de incompetentes que vê no "ensino" a solução para não ir paar o desemprego e que vai manchar o trabalho dos verdadeiros professores (sim, porque os há, não generalizemos, ok?). Junte-se a isto uma cultura tuga do "chico esperto desenrasca" e temos o que temos (não é por isso de surpreender que os filhos de imigrantes do chamado Leste ao fim de dois ou trÊs anos, falem melhor português do que muitos que cá nasceram). Vivo agora na Holanda. Aqui, praticamente toda a gente fala inglês, uns melhor, outros pior, sejam holandeses de nascimento ou imigrantes. Só que aqui não se tolera essas indisciplinas, com a pedagogiazinha acientífica e paternalista da "exclusão, coitadinhos, não conseguem mais do que isso. Aliás, quando comento o que se passa em Portugal, nesse aspecto, as pessoas mostram-se incrédulas e, julgo eu, ficam a pensar, como eu penso, que Portugal, assim, continuará a ser o que sempre foi, um lugar mal frequentado ao qual foram dadas inúmeras oportunidades históricas, mas os piolhosos do sítio, sempe armados em chico-espertos, decidiram repetidamente não as aproveitar, a não ser para proveito próprio e a curto-prazo.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Já fui professor do ensino secundário, por opção, e acabei por desistir. Já lá vão 10 anos e ainda não me arrependi. Vi, na altura, que o &#8220;sistema&#8221; não tinha tendência paar melhorar, pelo contrário. Infelizmente, confirmou-se. Causas? Pois, são muitas e vejo poucos inocentes. Destaco apenas os não inocentes que considero mais importantes: um ME, mais preocupado em não ter muitos chumbuzinhos para não ficar (ainda mais) envergonhado perante os &#8220;parceiros europeus&#8221;; umas corjas, a quem chamam sindicatos, que adoram marcar greves para fazer pontes (em debalde esperei por uma greve com uma motivação genuína de lutar por um melhor ensino &#8230; e ainda espero) ou porque se sentem ofendidos com o que a sra. ministra diz deles; uma outra corja de incompetentes que vê no &#8220;ensino&#8221; a solução para não ir paar o desemprego e que vai manchar o trabalho dos verdadeiros professores (sim, porque os há, não generalizemos, ok?). Junte-se a isto uma cultura tuga do &#8220;chico esperto desenrasca&#8221; e temos o que temos (não é por isso de surpreender que os filhos de imigrantes do chamado Leste ao fim de dois ou trÊs anos, falem melhor português do que muitos que cá nasceram). Vivo agora na Holanda. Aqui, praticamente toda a gente fala inglês, uns melhor, outros pior, sejam holandeses de nascimento ou imigrantes. Só que aqui não se tolera essas indisciplinas, com a pedagogiazinha acientífica e paternalista da &#8220;exclusão, coitadinhos, não conseguem mais do que isso. Aliás, quando comento o que se passa em Portugal, nesse aspecto, as pessoas mostram-se incrédulas e, julgo eu, ficam a pensar, como eu penso, que Portugal, assim, continuará a ser o que sempre foi, um lugar mal frequentado ao qual foram dadas inúmeras oportunidades históricas, mas os piolhosos do sítio, sempe armados em chico-espertos, decidiram repetidamente não as aproveitar, a não ser para proveito próprio e a curto-prazo.</p>
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	<item>
		<title>Por: EUROLIBERAL</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-352</link>
		<dc:creator>EUROLIBERAL</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2006 22:20:15 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arrastao.org/uncategorized/o-jornalismo-incompetente/#comment-352</guid>
		<description>Os eduqueses do ME dizem não querer a "interferência tiranizante dos adultos" na aprendizagem das criancinhas. Pedagogias da batata de individuos que não sabem ser pais, nem educadores nem modelos para a juventude. Esta precisa para se desenvolver de modelos, de referências. Não de adutos acriançados que se coloquem ao lado (e não à frente)deles e não os dirijam. Não querem pais e professores "companheiros". Para companheiros têm os miúdos da sus idade. Precisam é de homens e mulheres a sério para os guiarem e ensinarem. No ensino há hierarquia entre docente e discente. Uma escola não é uma "casa da Joana". Normalmente esse papel de modelo cabe aos pais e professores. Se estes se demitem dessa responsabilidade de interferir no desenvolvimento da criança, esta será um adulto falhado e angustiado, tal como os bananas que teve o azar de lhe sairem como pais ou professores.

É a mesma teoria miserável da vitimização e desresponsabilização que tende a ver o patrão como explorador tiranizante (marxismo) ou a mulher como escrava do homem (feminismo). Tudo teorias falhadas que conduziram as sociedades a tragédias económicas e sociais dramáticas, ou à destruição das relações entre géneros no decadente ocidente. Tal como a pedagogia eduquesa, esse vómito de mentes doentes e imaturas, destruiu a formação da personalidade e a capacidade profissional de gerações inteiras de jovens.

Quousque tandem abutere, eduquensis, patientia nostra ?</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Os eduqueses do ME dizem não querer a &#8220;interferência tiranizante dos adultos&#8221; na aprendizagem das criancinhas. Pedagogias da batata de individuos que não sabem ser pais, nem educadores nem modelos para a juventude. Esta precisa para se desenvolver de modelos, de referências. Não de adutos acriançados que se coloquem ao lado (e não à frente)deles e não os dirijam. Não querem pais e professores &#8220;companheiros&#8221;. Para companheiros têm os miúdos da sus idade. Precisam é de homens e mulheres a sério para os guiarem e ensinarem. No ensino há hierarquia entre docente e discente. Uma escola não é uma &#8220;casa da Joana&#8221;. Normalmente esse papel de modelo cabe aos pais e professores. Se estes se demitem dessa responsabilidade de interferir no desenvolvimento da criança, esta será um adulto falhado e angustiado, tal como os bananas que teve o azar de lhe sairem como pais ou professores.</p>
<p>É a mesma teoria miserável da vitimização e desresponsabilização que tende a ver o patrão como explorador tiranizante (marxismo) ou a mulher como escrava do homem (feminismo). Tudo teorias falhadas que conduziram as sociedades a tragédias económicas e sociais dramáticas, ou à destruição das relações entre géneros no decadente ocidente. Tal como a pedagogia eduquesa, esse vómito de mentes doentes e imaturas, destruiu a formação da personalidade e a capacidade profissional de gerações inteiras de jovens.</p>
<p>Quousque tandem abutere, eduquensis, patientia nostra ?</p>
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		<title>Por: CausasPerdidas</title>
		<link>http://arrastao.org/sem-categoria/o-jornalismo-incompetente/#comment-353</link>
		<dc:creator>CausasPerdidas</dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 May 2006 18:57:57 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">http://arrastao.org/uncategorized/o-jornalismo-incompetente/#comment-353</guid>
		<description>Sobre a atitude dos professores: o ministério pode ser mau a ministra pior, mas querem que eu acredite que não há meios de resolver situações daquelas, mesmo num quadro de funcionamento deficiente como aquele que temos?
Os professores daquela escola deviam ser demitidos de imediato porque são incompetentes! Em última análise, se há falta de segurança chamem os GOE, contactem a brigada da NATO, não a RTP!

A profissão de professor é das belas que existem, é a minha opinião. Mas está cheia de gente que escolheu essa profissão com a mesma "vocação" com que um jovem camponês de uma aldeia dos arrabaldes de Viseu escolhe ir para a GNR: "não há mais nada".
As escolas estão cheias de mercenário(a)s, de debitadore(a)s automático(a)s de matérias que ofendem a memória dos professore(a)s  que me fizeram ter curiosidade pelas coisas do mundo. Não, não andei na "privada", andei num dos liceus mais "problemáticos" do país.

Um dos meus filhos andou na escola da Bela Vista em Setúbal, considerada também "problemática" - para desfazer o estereótipo que vi por aí, o puto até é do BE.
Nos tempos em que como pai me dirigi àquela escola, encontrei dos professores mais empenhados que consegu(em)iam trabalhar com comunidades que não valorizam a escola – para além dos impedimentos de Classe, a mesmo problema que acontecia, não há muitos anos, com muitas famílias portuguesas com "selo de qualidade PNR".
Nesta escola conheci crianças que queriam continuar a estudar e não puderam porque os seus pais necessitavam da sua ajuda no orçamento familiar. Pretas, como alguns dos energúmenos que saltavam de carteira em carteira na "reportagem" da RTP. Por que não vem a RTP a Setúbal perguntar aos pretos de todas as cores da escola da Bela Vista o que querem ser quando forem grandes? Porque não vem falar com os “pretos” dos “stôres” que querem ser professores, ali, e não em escolas-de-classe-média-alta-com balúrdios-em-explicações ?

Sim, também detectei "baixas da treta", "chutar para o próximo ano o problema", falta de coragem de chumbar quem tem de chumbar para não criar problemas ao "ranking"...

Passou-me pelas aulas um professor que insistia em afirmar que dizia aos seus alunos futuros professores que "as crianças são a flor da minha luta é em nome deste princípio que vos chumbo". Justificava ele que quando olhava para os futuros professores via-lhes na cara o rosto dos futuros alunos.
Na "reportagem" da RTP os professores nem cara tinham.</description>
		<content:encoded><![CDATA[<p>Sobre a atitude dos professores: o ministério pode ser mau a ministra pior, mas querem que eu acredite que não há meios de resolver situações daquelas, mesmo num quadro de funcionamento deficiente como aquele que temos?<br />
Os professores daquela escola deviam ser demitidos de imediato porque são incompetentes! Em última análise, se há falta de segurança chamem os GOE, contactem a brigada da NATO, não a RTP!</p>
<p>A profissão de professor é das belas que existem, é a minha opinião. Mas está cheia de gente que escolheu essa profissão com a mesma &#8220;vocação&#8221; com que um jovem camponês de uma aldeia dos arrabaldes de Viseu escolhe ir para a GNR: &#8220;não há mais nada&#8221;.<br />
As escolas estão cheias de mercenário(a)s, de debitadore(a)s automático(a)s de matérias que ofendem a memória dos professore(a)s  que me fizeram ter curiosidade pelas coisas do mundo. Não, não andei na &#8220;privada&#8221;, andei num dos liceus mais &#8220;problemáticos&#8221; do país.</p>
<p>Um dos meus filhos andou na escola da Bela Vista em Setúbal, considerada também &#8220;problemática&#8221; - para desfazer o estereótipo que vi por aí, o puto até é do BE.<br />
Nos tempos em que como pai me dirigi àquela escola, encontrei dos professores mais empenhados que consegu(em)iam trabalhar com comunidades que não valorizam a escola – para além dos impedimentos de Classe, a mesmo problema que acontecia, não há muitos anos, com muitas famílias portuguesas com &#8220;selo de qualidade PNR&#8221;.<br />
Nesta escola conheci crianças que queriam continuar a estudar e não puderam porque os seus pais necessitavam da sua ajuda no orçamento familiar. Pretas, como alguns dos energúmenos que saltavam de carteira em carteira na &#8220;reportagem&#8221; da RTP. Por que não vem a RTP a Setúbal perguntar aos pretos de todas as cores da escola da Bela Vista o que querem ser quando forem grandes? Porque não vem falar com os “pretos” dos “stôres” que querem ser professores, ali, e não em escolas-de-classe-média-alta-com balúrdios-em-explicações ?</p>
<p>Sim, também detectei &#8220;baixas da treta&#8221;, &#8220;chutar para o próximo ano o problema&#8221;, falta de coragem de chumbar quem tem de chumbar para não criar problemas ao &#8220;ranking&#8221;&#8230;</p>
<p>Passou-me pelas aulas um professor que insistia em afirmar que dizia aos seus alunos futuros professores que &#8220;as crianças são a flor da minha luta é em nome deste princípio que vos chumbo&#8221;. Justificava ele que quando olhava para os futuros professores via-lhes na cara o rosto dos futuros alunos.<br />
Na &#8220;reportagem&#8221; da RTP os professores nem cara tinham.</p>
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