Nem vou comentar aqui esta notícia. Haveria, tivesse sido outra a fonte, muito a dizer. Mas não posso aceitar que as escutas da PJ já sirvam para furos jornalísticos sobre faltas de deputados. De deputados ou de qualquer outra pessoa. Bem sei que neste país os direitos cívicos são vistos como uma uma anedota de advogados. O salazarismo deixou marcas e não faltam jornalistas - felizmente há algumas excepções - que da democracia e da Constituição só aprenderam a parte relativa à liberdade de imprensa. E mesmo em relação a essa escapou-lhes quase tudo: o seu fundamento e o seu objectivo.
Faço assim: exijo que o telemóvel do senhor Bruno Contreiras Mateus, que assina este escarro e se diz jornalista, passe a ser devidament escutado. Quero saber das suas conversas, ler as suas mensagens, espreitar-lhe a casa, saber quem são as suas fontes, os seus amigos, as suas amantes, se mente ao patrão quando diz que está doente, se tudo o que escreve foi exactamente como lhe foi dito. Quero tudo! Quero que a PJ ouça e veja tudo e depois me dê os registos para eu os publicar aqui no blogue. O senhor Bruno, que com toda a certeza não tem nada a esconder, vai adorar a ideia.
Por Daniel Oliveira 5 Jun 06 em Sem categoria


É o eterno problema: onde há direitos (a liberdade de imprensa é um deles) há também deveres! Mas há muita gente que não consegue compreender isto!!!
a tal entidade reguladora vai actuar?
O Bruno é um bom jornalista. No máximo, podias usar essa agressividade esclarecida contra os superiores dele, que certamente tiveram uma palavra determinante no assunto. De resto, meu caro, misturas tudo. As amantes do Ascenço não interessam, mas ele assinar pelo amigo interessa. Por outro lado, o Bruno não é pago por ti, por todos nós, para trabalhar, para representar o país. Eu sei: querias que o Ascenço viesse a público dizer: eu assinei pelo Pedroso. Eu também queria. Era mais transparente. Mais bonito. Mas o Ascenço não faria isso… Garanto-te
Não conheço o senhor Bruno Contreiras Mateus. Sei que ele fez o texto e assinou-o. Tem carteira profissional. Serve tb para dizer que não os superiores.
Eu não debati o conteúdo da notícia. Ele é, como é evidente, notícia.
Mas tudo é legitimo para conseguir uma notícia? Podemos torturar pessoas porque a notícia é boa e ela culpada de uma irrgeularidade aos nossos olhos? A escuta telefónia (ou leitura de sms privados) não é um meio lícito de conseguir notícias, por mais importantes que elas sejam. O facto de ter sido a PJ e não o jornalista a ler o sms’s não muda nada. A PJ não o fez para conseguir aquela informação e usou-a de forma ilegitima para atacar alguém. O jornalista é agora cumplice ao tornar pública uma notícia conseguida através da violação de um direito elementar desde o 25 de Abril.
A minha violência foi só a de dizer que a privacidade destes dois deputados não vale menos que a privacidade do jornalista e por isso eu tenho o direito de querer saber tudo usando qualquer sobre ele.
O facto de se ser deputado não retira a ninguém os direitos de primeira geração, como o direito à privacidade.
disse o comentador Dói-Dói:
“O Bruno é um bom jornalista. No máximo, podias usar essa agressividade esclarecida contra os superiores dele, que certamente tiveram uma palavra determinante no assunto”
tá visto!
isto comprova a minha teoria de que já não há Jornalistas. O que há são empregados da Comunicação Social que laboram na sintaxe dos produtos a difundir que lhes são distribuidos.
O próprio Daniel Oliveira,inclusivé, ao aceitar escrever no Expresso tambem só o pode fazer dentro de pârametros pré-determinados.
Nesta “estória” ninguem está limpo. Trata-se apenas de escolher o grau de limpeza e o tipo de lavandaria com que cada “jornaleiro” trabalha.
Disse.
Xatoo: não sou funcionário do Expresso nem jornalista do Expresso. Não tabalho PARA o Expresso. Tenho uma coluna de opinião no Expresso, com todo o gosto. Sempre escrevi o que quis, mandei os textos vi-os publicados uns dias depois tal e qual os tinha escrito.
Há na esquerda esta ideia suicida de que uma pessoa só pode ser honesta se for inútil. A esquerda queixa-se que a direita tomou conta dos jornais, mas se alguém de esquerda escreve é porque vendeu alma. Há quem adore ser derrotado e só assim consiga estar de bem com a vida.
Daniel,
Estou contigo nesta última máxima. Aliás, a esqª foi perdendo espaço nos Media e terá mesmo de aproveitar todos os momentos…
De acordo, mas… será que o pecado original não está na manutenção pela PJ de gravações absolutamente irrelevantes para os processos que estão a ser investigados? E que, por cima desta falta grave, ainda façam chegar as partes “voyeuristas” das gravações aos jornalistas?
PS: sem querer contaminar este post com ruídos alheios… olho para o logo deste blog (muito bom, por sinal. Parabéns!) e ele sugere-me que o autor terá cerca de 1,85m de altura. Não queres enfrentar a rasteira realidade, Daniel?
Subscrevo por inteiro post do DO. Muito mais grave do que sabermos se aquele assinou ou não pelo outro é como é que estes sms este tipo de escutas foram feitas, porque carga de água estão no processo casapia e por último, como e porquê vêm parar Às redações dos jornais. O processo casapia é o exemplo do grande big brother em que este país se tornou.
Tanta conversa porque um amigo assinou o ponto do outro, mas isso não se faz em todos os concelhos de Portugal? Nos serviços públicos e nas empresas? Desculpem lá mas isto não é noticia é tontice …
A notícia confirma o que os portugueses já desconfiavam sobre a maneira como os deputados actuam. Mas é claro que muitos ficam chocados com a “ousadia” do CM. A “liberdade de expressão” de Abril não permite questionar o poder político, nem falar sobre certos hábitos da elite. É por isso que ninguém na comunicação social vai pedir uma auditoria ao parlamento. Não, pelo contrário, já se pede é uma auditoria ao “insolente” jornalista!
Patriota,
a julgar pelo seu nome e pelos termos que usa imagino que não faça a mais pálida ideia do que estamos aqui a falar. Só para dar uma ajuda: PIDE, neste blogue, por exemplo, é um termo insultuoso. Só digo isto para não se baralhar. Mas com conteúdo: os pides faziam escutas sem garantias, usavam o seu poder para perseguir as pessoas, torturavam e não respeitavam as regras do Estado de Direito para conseguirem informações. Isso está…? Diga lá comigo… ERRADO! Não se deve fazer.
É errado, muito errado, andar a ler os sms’s das pessoas e dar esses sms’s a jornalistas. E é errado os jornalistas usarem informação conseguida com o uso destes metodos. Assim como seria errado um jornalista publicar uma informação dad por alguém que estivesse a ser torturado. Está a acompanhar? Não se pode usar qualquer meio para ter uma informação. Mesmo quando as pessoas em causa fazem coisas más.
Pronto. Depois explico-lhe, por exemplo, porque é que não se deve torturar terroristas, mesmo sendo eles uns monstros e tendo feito coisas um bocadinho mais graves do assinar o livro de ponto por um colega. Mas isso fica para a próxima, porque o que este país aprendeu em 30 anos não pode você aprender em 10 minutos.
Daniel,
A designação de “patriota” vem no dicionário. Aproveitou um preconceito qualquer relacionado com o meu “nickname” para me dirigir a palavra passando ao lado de tudo o que eu disse. Tudo bem, mas eu sei muito bem do que estou a falar - e não é da PIDE, mas sim do presente.
A notícia do CM é clara, logo na primeira frase: “O registo consta de um exame pericial da Polícia Judiciária ao telemóvel de Pedroso”. Se essa informação não estava em segredo de justiça, o tal Bruno Mateus tem toda a legitimidade para a noticiar.
E nós temos todo o direito de exigir explicações a deputados que são alegadamente eleitos por uma parte dos portugueses, e sustentados pelos impostos de todos. E igualmente o direito de aplaudir os escassos jornalistas que colocam o seu emprego (e às vezes a vida) em risco para questionar estes políticos.
E já agora que falou nas escutas: estes estados democráticos monitorizam TODAS as formas de comunicação, incluindo todas as SMS. No entanto os “talking heads” da comunicação social portuguesa só se preocupam com isso nestes casos em que se descobrem alguns podres dos políticos.
Mas num ponto estamos em sintonia (!): concordo absolutamente consigo quando compara estes deputados a monstros e terroristas.
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