A proopósito dos 160 anos do Manifesto Comunista e do Congresso Internacional Karl Marx (14 e 15 de Novembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, organizado pelo Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa e a CULT:RA), o suplemento “Actual” do “Expresso” pediu-me a mim e ao Henrique Raposo textos sobre a actualidade do marxismo. Tarefa impossível. 1500 caracteres não dão nem para teoria nem para reflexão. Mais a mais porque, não sendo eu marxista, mantenho, como muita gente, uma ponte de diálogo com a sua tradição crítica. Estou assim longe das correntes anti-marxistas que, contra todas as evidências, negam a sua relevância teórica.

Assim, optei por outro caminho, mais próximo das minhas preocupações: não escrever sobre relevância teórica ou histórica do marxismo hoje, mas sobre a sua relevância política e simbólica da tradição do pensamento marxista (com todas as suas variantes e contradições) na construção de uma alternativa ao Capitalismo, distanciando-me, no entanto, do seu valor identitário. Aqui fica:

Vitoriosos e derrotados do século XX transformaram o pensamento marxista num adorno. Para os vencidos a doutrina sem mácula serve para acumular forças para a resistência, seguros de que o Capitalismo cairá como uma maçã madura, pronta para ser devorada por proletários imaginários. Na fortaleza do dogma, a realidade não tem qualquer papel. Para os vencedores o marxismo é reduzido à sua vulgata, pobre e inútil na leitura de um novo tempo. Sorriem com o final feliz, em que o pensamento crítico se transformou em subversão não apenas da ordem estabelecida, mas até da natureza de todas as coisas.

A importância de Karl Marx não é a sua força identitária, que transforma o comunismo numa religião de agnósticos. Nem sequer a sua história, marcada por um capital de esperança que mobilizou, como nenhuma corrente politica, milhões de seres humanos de quem só se esperava que produzissem, mas também por um role de crimes, purgas e sangue. Nem é saber onde falhou e acertou a sua teoria económica. A importância do marxismo hoje é mais elementar. É a de ser a partir dele que poderá nascer um qualquer movimento critico ao Capitalismo. O que conta não é a doutrina, é a tradição do pensamento marxista, que se desdobrou em imensas possibilidades contraditórias, de Rosa Luxemburg a Toni Negri, de Walter Benjamin a Amílcar Cabral, de Gramsci ao subcomandante Marcos. Se a doutrina marxista morreu, é das suas ruínas que pode nascer mais uma tentativa de superar o Capitalismo. Já tenho um nome para lhe dar: marxismo.

Não deixar de ler o excelente artigo de António Guerreiro no mesmo dossier.


46 respostas ao post “O marxismo morreu! Viva o marxismo!”  

  1. 1 1  paredesdevidro

    De facto, como o próprio Daniel reconhece num outro post, quando toca a falar sobre comunismo limita-se ao gozo para ter uma caixa repleta de comentário.
    E eu dou por mim a contribuir para esse peditório.

    Até mesmo para um social-democrata, o texto parece-me muito pobre.
    Mas enquanto escrita jocosa, apesar de refinado, sempre dá para melhorar o humor neste inicio de tarde.

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  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Paredes de Vidro, já a sua contribuição é rica de reflexão…
    É pobre porquê? Diga, força. Ou o debate político com paredes de vidro se limita a isso? Não acredito.

    Adorei o “até mesmo para um social-democrata…” Aprendeu que os social-democratas, em geral, não pensam muito bem, foi?

    Era tão bom que o debate à esquerda fosse um pouco mais interessante. Acredito que virá a ser. É deixar passar a clubite.

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  3. 3 3  Bang Bang

    Em contraposição às teses predominantes no movimento comunista, que defendem a proletarização da classe média e a incorporação do conjunto dos assalariados urbanos nas fileiras da classe operária, surge uma nova corrente dentro do marxismo que nega essa possibilidade. O principal expoente dessa corrente foi Nicos Poulantzas.

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  4. 4 4  Bang Bang

    Eric Olin Wright, é responsável por um dos programas mais abrangentes de estudo da estrutura de classes no capitalismo tardio nos países europeus, asiáticos e americanos. Wright critica o modelo de Poulantzas, porquanto esse modelo produz (mesmo que involuntariamente) um efeito de esvaziamento do proletariado.

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  5. 5 5  Bang Bang

    Para Myrdal o jogo das forças no mercado normalmente tende a aumentar, ao invés de diminuir as desigualdades entre regiões. Se as coisas forem deixadas para as forças do mercado, livres de qualquer interferência política, a produção industrial, o comércio e as actividades bancárias, aglomerariam-se em algumas localidades, deixando o resto para trás.
    Fruto deste processo de crescimento económico polarizado, que beneficia os sectores e as regiões mais dinâmicas, Mydral propôs, para corrigir tais desequilíbrios, a participação do Estado nas funções alocativa e distributiva, para conter as forças de mercado.

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  6. 6 6  Bang Bang

    Wallerstein e a sua análise do “sistema mundial” é uma tentativa de ver o sistema capitalista como um todo, entendendo que não se trata de uma manta de retalhos de Estados nacionais autónomos, mas de um sistema unificado e altamente hierarquizado a partir do sec. XVI. Para Wallerstein existe uma separação do mundo entre os países de centro e de periferia e a constatação de que estes sofrem com os termos desiguais de comércio praticados por aqueles. As suas ideias vêm ajudando a derrubar alguns dos axiomas pelos quais (sobre)vivemos: a ideia, emprestada do neoclassicismo económico e da teoria da modernização, de que todos os países devem convergir, em algum momento, no paraíso da fartura e da opulência; e a certeza de que o sistema capitalista, apesar de não ter tudo resolvido, pelo menos trouxe ganhos em qualidade de vida para a humanidade, desde que foi implantado há 500 anos.

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  7. 7 7  Isabel Coutinho

    Coitado do Marx, deve estar a dar voltas no túmulo.
    Como historiador, o seu contributo foi positivo; como político, foi uma desgraça: falhou em tudo.
    O grande erro foi qurerem aplicar as suas doutrinas, não a um país capitalista, mas a um país rural com uma estrutura feudal.
    A sua grande obra: a criação da social-democracia.

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  8. 8 8  paredesdevidro

    Caro Daniel,
    Não se ofenda, pensei que tivesse mais sentido de humor.

    Quem escreve coisa como esta: «seguros de que o Capitalismo cairá como uma maçã madura, pronta para ser devorada por proletários imaginários.» ou «transforma o comunismo numa religião de agnósticos» ou «milhões de seres humanos de quem só se esperava que produzissem», só pode esperar que seja entendido como brincadeira.

    A realidade demonstra que muitos ex, assumiram-se como comunistas não por um projecto, mas por fé, pela tal religião de agnósticos, julgaram que o capitalismo cairia como maçãs maduras e só esperavam que as massas produzissem.

    É interessante ver a forma como identifica o marxismo, é interessante ver que lhe atribui um papel meramente crítico, uma «tradição de pensamento».
    Ignorando propositadamente o seu papel transformador, a importância que assume diariamente em todo o mundo enquanto instrumento de análise e transformação da realidade, enquanto guia para acção de milhares de trabalhadores e povos de todo o mundo.

    Para si o fundamental é a criação de um novo movimento crítico ao Capitalismo, seguramente para o reformar, para lhe dar um rosto mais humano, por a sua superação revolucionária está fora de questão.

    Para mim, o fundamental reside no facto de 160 anos depois, o Manifesto mantém uma actualidade sem paralelo, continua a afirmar-se como um válido e poderoso instrumento de análise e transformação, um instrumento de luta contra a exploração e a opressão.

    Nota: não substimo sociais-democratas nem o seu pensamento, apenas pensei que vindo de alguém que supostamente conheceu o marxismo, ainda que colocado no outro lado da barricada, no lado do anti-comunismo, o texto seria algo completamente diferente, mais sério e sem o recurso a tantos lugares comuns do pensamento único.

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  9. 9 9  Daniel Oliveira

    Paredes de vidro, é extraordinário como, mesmo num texto com apenas dois parágrafos, é possível fazer uma leitura selectiva. É a demonstração de como há pessoas que lêem os textos para confirmar as suas opiniões e saltam tudo o que atrapalhe.

    Quanto ao mais: falei em superar o capitalismo, não em reforma-lo. Quanto ao debate reformismo/revolução, acho-o hoje completamente inutil. Devo-lhe recordar que os processos na Venezuela e na Bolívia, por exemplo, que suponho que apoia, são reformistas. Está contra eles por isso? É um debate sem grande caminho, como vê.

    De resto, não me leve a mal, mas devolvo-lhe o elogio e acho que quase tudo o que escreve é que sai pouco do lugar comum: “Ignorando propositadamente o seu papel transformador, a importância que assume diariamente em todo o mundo enquanto instrumento de análise e transformação da realidade, enquanto guia para acção de milhares de trabalhadores e povos de todo o mundo.” Além de não o ter ignorado (“marcada por um capital de esperança que mobilizou, como nenhuma corrente politica, milhões de seres humanos de quem só se esperava que produzissem” – mais uma parte que saltou na leitura selectiva), o Manifesto Comunista nunca poderia ser “guia para a acção” 160 anos depois de ter sido escrito. Não é um texto sagrado ou uma Bíblia. A estrutura social é hoje diferente. Os modos de produção são diferentes. O Capitalismo é diferente. Umas coisas são actuais outras não. Como não poderia deixar de ser.

    Dizer que o que eu escrevi se enquadra no pensamento único bate todos os recordes do dogmatismo. Leia lá de novo. E tente não ler como citou.

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  10. 10 10  Manuel Leão

    Daniel Oliveira:

    1 – Palavras suas, de agora, que espero não se distanciem do contexto: « (…) mais a mais não sendo eu marxista mas estando também longe das correntes anti-marxistas (ou das que, contra todas as evidências, negam a sua relevância teórica)»

    2- Palavras, também suas, de 17 de Setembro, a meio da tarde: «Assumo-me como social democrata há muitos anos, ainda antes do BE ser fundado».

    3 – Afirmação de que foi militante do PCP, várias vezes reiterada em alguns escritos seus, mas que, como compreenderá, não tenho elementos que me permitam datá-las.

    4 – Idem, para a afirmação, repetida amiúde, de que abandonou o PCP, dando a entender que isso se terá ficado a dever à sua não concordância, com a prática política daquele partido.

    Atendendo ao facto do Daniel, ser hoje, uma figura de referência, como comentador na imprensa e na televisão, para além da sua intervenção na blogosfera, gostaria de lhe fazer a pergunta inserida no parágrafo seguinte; à qual responderá se lhe aprouver.

    Atendendo às suas afirmações transcritas nos pontos 1 e 2, e uma vez que é «social democrata há muitos anos, ainda antes do BE ser fundado», pergunto: – O Daniel já era social-democrata, na data em que abandonou o PCP ou passou a ter essa ideologia, entre a sua saída e a adesão ao Bloco de Esquerda?

    Respondendo, ou não, aqui fica o meu agradecimento pelo tempo dispensado.

    P. S. Até pode ser que já se tenha referido isso nalgum dos seus escritos. Mas, se o fez, creia que nada li.

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  11. 11 11  paredesdevidro

    Caro Daniel,

    Considera o debate reformismo/revolução completamente inútil e entende que os processos em curso na Venezuela e na Bolívia são meramente reformistas.

    Como desconheço o que para si define e distingue reforma de revolução, limito-me a dizer que para mim esses processos traduzem já uma verdadeira revolução.
    Isto no sentido de que, ainda que com alcances diferentes, tendo alcançado o poder político, forças progressistas iniciaram um processo que não se limita a reformar um sistema, mas a revolucioná-lo através de políticas de ruptura com os modelos tradicionais burgueses, de alteração do regime de propriedade de sectores económicos estratégicos, de alteração à propiedade e ao uso da terra, entre outras.
    Assim, a meu ver, aquilo que se passa configura uma revolução e não um mero conjunto de reformas.
    E ainda que numa fase embrionária, estamos perante a abertura de caminhos para novas etapas de aprofundamento do carácter socialista desses processos.

    Relativamente ao manifesto, diz «o Manifesto Comunista nunca poderia ser “guia para a acção” 160 anos depois de ter sido escrito. Não é um texto sagrado ou uma Bíblia. A estrutura social é hoje diferente. Os modos de produção são diferentes. O Capitalismo é diferente. Umas coisas são actuais outras não. Como não poderia deixar de ser.»
    Espero não estar a ser selectivo…

    Pois, aqui reside uma outra grande diferença entre nós, é verdade que não estamos perante um texto sagrado, que a estrutura social é diferente, que o capitalismo é diferente, que umas coisas são actuais e outras não. Mas, também é verdade que o capitalismo mantém, no essencial, as características enunciadas no Manifesto – um sistema assente na exploração e no antagonismo dos interesses de classes, que o texto não sendo sagrado ou algo que se pareça, tem uma importância central para a luta dos trabalhadores nos nossos dias, exactamente porque não o lêem de forma dogmática e acrítica.
    E é nesse sentido dialéctivo e criativo que o próprio Manifesto transporta que ele continua a assumir-se como guia para a acção (obviamente, para quem partilha de uma opção revolucionária e não para quem apenas deseja dar um rosto humano ao sistema, regular um pouco das suas contradições, atenuar as suas consequências, reformá-lo).

    A verdade é que infelizmente para o Daniel continua a existir um espectro que assobra a Europa: o espectro do Comunismo.

    É que para quem não baixou os braços e não se acomodou ao sistema – a Luta Continua!

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  12. 12 12  A.R.A

    Não sou tão inflexível como o camarada Paredesdevidro e de facto acredito no espaço ás diferentes formas de interpretação do que Marx legou ao mundo concordando em pleno com o que o DO afirmou
    “Era tão bom que o debate à esquerda fosse um pouco mais interessante. Acredito que virá a ser. É deixar passar a clubite.”

    No entanto a sua clubite também servirá para um qualquer “study case” visto que me parece ainda não saber bem se será carne ou peixe.

    Que não haja duvidas algumas que o Manifesto é (o que não deixa de ser preocupante, no meu entender) extremamente actual, visto que os seus principais pontos de acção sócio-económica focados no século XIX são sem duvida alguma de uma contemporaneidade atroz (daí a minha preocupação!) nos nossos dias. Resumir o trabalhador a sua força de trabalho, sem direitos, tornando-o em mais um nº de capital producente sem voz e subjugado ás leis de mercado é sem duvida alguma o caminho de retrocesso que o mundo tem vindo a seguir desde as décadas de setenta/ oitenta onde a ilusão de progresso nos foi dada pelo avanço do ócio tecnológico em desfasamento do bem estar sócio-económico.

    No entanto, posso afirmar que gostei do texto mais não seja por relembrar as massas Karl Marx e todo o seu vanguardismo que poderá servir de base para uma sociedade moderna onde os sectores de produção terão como pedra angular os indissolúveis direitos per natura dos proletarios de todo o mundo.

    Como o próprio afirmou:
    “Proletários de todo o mundo, UNI-VOS!

    Aquele Abraço
    A.R.A

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  13. 13 13  ramalho santos

    Parabéns para si Daniel Oliveira por ter “alinhado”
    neste novo figurino. Todos ganham.

    Um contributo sem pretensões, porque entendo que nem todos os leitores dominem os confusos “clássicos” citados.

    Manifesto Comunista Karl Marx

    O Manifesto do Partido Comunista, que ficou até hoje como o documento base da luta comunista, demonstra a necessidade do proletariado se apoderar do poder, de se libertar do seu auto-condicionamento, da manipulação económica da classe burguesa, de um poder de Estado ao serviço de uma minoria capitalista contrária ao desenvolvimento harmonioso da sociedade.
    Mas, na realidade, o proletariado no início do século XIX está numa fase de pré-organização como partido político, tentando determinar a forma e os meios de se libertar dos condicionalismos de classe oprimida, social e economicamente, adquirindo consciência do potencial político e da sua força produtiva.
    Para alterarem o status quo e desenvolverem uma acção política, uma organização precisa de uma ideologia, de um programa, e é isto que Karl Marx e Engels, activistas e génios brilhantes, elaboram por incumbência do II Congresso da Liga dos Comunistas, em 1847, – o Manifesto do Partido Comunista.
    No mundo de hoje, uma sociedade comunista sem classes, tal qual é proposta no Manifesto, não constitui programa político das classes trabalhadoras, com excepção de uns quantos países que mantêm essa ideologia como arma de propaganda do Estado, sem real adesão ao nível das classes trabalhadoras, é um equívoco da História.
    A forma como se abusa de um ideal em nome de uma oligarquia que se perpétua no poder sem legitimidade nem honra ou respeito para com os trabalhadores, os novos oprimidos e em nome deles próprios, o absurdo total do sistema de poder.
    Considerando a obra em concreto, no seu contexto como referência e guia de uma filosofia de classe, encontram-se as raízes teóricas, equacionando-se a problemática dos homens divididos em explorados e exploradores, pensa-se o Estado nas suas funções e utilidade, perspectiva-se a articulação possível com outras classes intermédias, determinam-se as soluções dos conflitos entre os homens para sempre, foi este o seu elevado mérito e a esperança que constituiu para a Humanidade.

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  14. 14 14  Dalila

    Por vezes o que me faz uma certa confusão é a proclamação de que se é de pedra e cal marxista-leninista sem nunca ter lido ou discutido qualquer obra de Marx ou de Lenine,e neste aspecto acho que as pessoas reagem como se estivessem a seguir uma religião.Por outro não aceito que Marx possa ser culpabilizado por aquilo que foi feito invocando a sua doutrina.Agora o que estamos a assistir ao nível dos Países capitalistas mais desenvolvidos é efectivamente a prova de que as suas análises estavam correctas.

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  15. 15 15  agitador

    marx mais tarde compreendeu que o capitalismo não iria cair como uma maça podre ou madura, pelo que ele corrijiu essa parte.

    quanto ao resto, bem , há pontos que ainda são validos outros que deixaram de ter sentido. por isso mesmo é que o marxismo se reinventa e deu origem a muitissimas correntes, incluindo a socialdemocracia. penso que só isso demonstra uma riqueza fenomenal a que os seus escritos deram origem.

    e como o daniel escreveu no fim com esta frase:

    “Se a doutrina marxista morreu, é das suas ruínas que pode nascer mais uma tentativa de superar o Capitalismo. Já tenho um nome para lhe dar: marxismo.”

    a doutrina como um todo morreu, mas alguns principios fundamentais,penso eu, manteem-se.

    sinceramente, acho que nao se vai chamar marxismo a corrente anti capitalista, pois eu estou mais virado para o anarquismo.

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  16. 16 16  Daniel Oliveira

    “O Daniel já era social-democrata, na data em que abandonou o PCP ou passou a ter essa ideologia, entre a sua saída e a adesão ao Bloco de Esquerda?”

    Tendo em conta que não se tratou de uma revelação ou de uma crise de fé (e porque tnha idades e maturidade política bastante diferentes nos dois momentos) não é fácil responder a essa questão. Comecei a ser bastante heterodoxo ainda dentro do PCP, mas, antes de sair e vários anos depois (entre a minha saida do PCP e a fundação do BE passaram quase 10 anos) considerava-me um comunista.

    Nunca fui, desde que comecei a pensar de forma minimamente estruturada em política (se é que se pode dizer isso sobre um miudo de 14 anos, mesmo que vivendo rodeado de política por todos os lados) pró-soviético, o que já fazia de mim uma ave rara. Tive algum fascínio, um pouco infundado, pelo eurocomunismo de Berlinguer.

    Só alguns anos depois de sair do PCP me deixei de considerar comunista (talvez a demora tenha tido mais a ver com razões emocionais do que políticas).

    Dizer que sou social-democrata é, obviamente, uma facilidade para o debate. Porque hoje já nem se sabe bem o que isso seja e porque esses rótulos valem o que valem.

    Ao dizer que sou social-democrata quero apenas dizer algumas coisas.

    Uma é que considero que o Capitalismo é estruturalmente injusto e que a sua dinâmica deve ser contrariada através da intervenção do Estado na economia, do Estado Providência e solidariedade comunitária fora do Estado. Que defendo um Estado que redistribua a riqueza e intervenha para garantir que todos têm oportunidades se não iguais o mais próximas possíveis.

    Que, olhando para a história, a generalidade dos países que optaram por sistemas sociais e económicos que se aproximaram daquilo a que chamávamos social-democracia conseguiram melhores resultados para os trabalhadores sem sacrificar vidas e liberdade.

    E que, e esta é também para o Paredes de Vidro, há reformas que, pela sua natureza, não mudando a natureza do regime, têm resultados revolucionários: é o caso da segurança social e dos direitos laborais. E que essas medidas exigem luta política, sobretudo luta dos trabalhadores de forma organizada.

    Como sou liberal no que toca às liberdades individuais, desconfio da intervenção do Estado na vida privada dos cidadãos (sexualidade, estrutura da família, religião), reconhecendo que a intervenção social e económica tem repercursões no dominio do privado e que só no equilibrio entre a defesa da igualdade e da liberdade é que as duas podem ser garantidas.

    Que defendo a democracia representativa e que acho que ela não dispensa mecanismos de democracia participativa. Que defendo todos os direitos liberdades e garantias do Estado Democrático (liberdade de associação, de manifestação, de expressão, de imprensa, pluripartidarismo, eleições livres, equilibrio de poderes, etc) e que não estou disposto a dispensa-los em nenhum caso e com nenhum objectivo. E que valorizo estes direitos também formalmente. E que se as defendo no meu país, sendo internacionalista, defendo-os com igual vigor e coerência no país dos outros. Mesmo entendendo diferenças culturais, que têm de ser tidas em conta, não defendo uma coisa para o meu povo e outra para os outros povos.

    Que não considero apenas que os fins não justificam os meios, penso mesmo que os meios transportam já em si os fins: um regime que não respeite as regras democráticas só pode construir sociedades injustas, um partido que não pratique a democracia interna não a praticará no poder, sindicatos que não respeitem as regras democráticas na participação dos trabalhadores nas suas decisões serão incapazes de defender os direitos dos trabalhadores na sociedade e nas empresas. E que, nesta mesma linha, sou pacifista, considerando que o uso da violência política, podendo ser inevitavel (em todos os campos ideológicos, seja através do Estado, seja contra ele, aconteceu), é um mal em si mesmo. Mais uma vez, porque o uso da violência, mesmo quando pretende libertar, traz sempre consigo a semente da injustiça e do totalitarismo.

    Que, apesar de toda a estrutura social e de produção ter mudado, existem interesses de classe antagónicos e o trabalho continua a ter uma centralidade que, não resumindo nem explicando todos os conflitos sociais, é o terreno onde eles se expressam com maior clareza. O que não impede que a identidade individual corresponda a uma confluência de identidades várias e que não tenho uma hierarquia de lutas, em que as do mundo do trabalho surjam sempre primeiro.

    Por fim, que nada disto resume as minhas posições políticas, que são menos definitivas e menos claras do que este tosco enunciado. Que vivendo num Mundo em mutação acelerada tenho as respostas que tenho e estou disponível para encontrar outras.

    Espero te-lo esclarecido, Manuel Leão. Provavelmente não. Mas tentei. Agradeço a pergunta e fico satisfeito por termos conseguido chegar a um tom de debate bem mais agradável.

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  17. 17 17  J Ferro

    Excelente! Eu, cá por mim, continuo marxista (só, sem leninismo, trotsquismo, maoismo) há 72 anos! E sê-lo-ei até ao fim.

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  18. 18 18  xatoo

    1. Valeu a pena vir até aqui só para ler a afirmação de Isabel Coutinho (14.50) de que “Marx foi um historiador” – já não me ria tanto desde que o social democrata Santana Lopes foi “eleito” para primeiro ministro.
    2. a corrente dita marxista, sempre se dividiu, ainda antes de Marx, em duas correntes distintas: a do operarismo e a dos “jovens filósofos” humanistas saídos da “ideologia alemã. Quando o Manifesto saíu, como suplemento do jornal Berliner Zeitungs em1848 na Alemanha havia apenas “filósofos”,não havia luta revolucionária, só lá chegariamos com os acontecimentos da Guerra 14-18. Marx perseguido e censurado exilou-se em Inglaterra – e aí sim, aconteciam coisas, com o movimento Cartista onde pontificava outro filósofo: Frederick Engels que estaria na base da formação da Liga Comunista em Inglaterra – no entanto, aí também era prática comum a expulsão do Partido dos militantes da corrente operarista, tida como “demasiado radical”.
    Portanto, não é de estranhar que, regra geral os operários que, pela sua condição não tiveram possibilidades de se “emburguesar teoricamente” ainda hoje sejam segregados e excluidos, desde os Media até à progressiva exclusão dos sindicatos do simulacro de concertação social.
    3. Daí que, misturar diferentes épocas e condições histórias em diferentes perspectivas económicas, p/e como Rosa Luxemburgo e Tony Negri seja uma rematada asneira.

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  19. 19 19  Daniel Oliveira

    “3. Daí que, misturar diferentes épocas e condições histórias em diferentes perspectivas económicas, p/e como Rosa Luxemburgo e Tony Negri seja uma rematada asneira.”

    É uma rematada asneira incluir Rosa Luxemburg e Tony Negri na “tradição do pensamento marxista”? É isso que está a dizer? É que apenas isso que é dito. Gostava imenso que explicasse como os retira da tradição do pensamento marxista. Ou então acha que essa tradição não existe e não subsiste hoje, ou acha que subsistindo e existindo ela não inclui, em dois momentos históricos diferentes (em que a tradição do pensamento marxista “se desdobrou em imensas possibilidades contraditórias”), nem Rosa Luxemburg nem Negri ou algum dos dois. Seria original. Apesar de nunca ter lido nada seu que não considere quase tudo uma rematada asneira, fiquei mesmo curioso.

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  20. 20 20  ramalho santos

    Caro Daniel, é de Karl Marx que se fala?

    Como ninguém reclamou cá vai uma segunda dose. Se não gostarem digam.

    Resumindo: muito do que está estabelecido no Manifesto constitui uma fonte do estudo das sociedades. Não estão esgotadas as contribuições que explicam a origem do conflito social, considero que um dia a Humanidade se voltará de novo para as problemáticas aí expostas.
    A sociedade actual encontrou lenitivos para os grandes conflitos sociais, mas não a solução ideal e final. O tema deste trabalho de análise do Manifesto, permitiu-me uma viagem muito gratificante a diversos estudos académicos, todos eles inconclusivos sobre a validade das ideias marxistas para o devir da Humanidade.
    Voltando ao tema em análise, o que nos diz o Manifesto sobre as condições necessárias à revolução dos explorados deste mundo: transformar a condição do proletariado, levá-los a tomar consciência da sua situação real.
    Que a burguesia, para reforçar o seu domínio económico, fomenta uma reserva de desemprego no seio do proletariado, e em consequência, este atinge o nível de esbulhamento total.
    Sem propriedades, sem individualidade, sem família, sem leis, sem moral, sem religião, sem pátria: tudo foi açambarcado pelo burguês.
    É precisamente a grandeza deste despojamento que promove a universalidade do proletariado e lhe confere a sua excepcional missão revolucionária.
    A burguesia trabalha, pois, no sentido da sua própria destruição: ”fabrica os próprios coveiros. A sua queda e a vitória do proletariado são inevitáveis”. (Manifesto).

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  21. 21 21  Clara Belo

    Divergências à parte, porque é que não vão todos ao congresso? Eu só se não puder é que não vou lá estar.

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  22. 22 22  Robespierre

    Chamar Toni Negri e o Sub-Comandante Marcos de “marxistas” não me parece, de todo, plausível. Um, Negri, é um anarco-nazi com pouco para oferecer que não sejam umas críticas pouco fundamentadas à questão da “Filosofia” do Marxismo. É um claro oportunista à moda antiga, vindo das confusões e fantochadas de meninos-ricos a que se chamou Brigadas Vermelhas.
    Já o Delegado Cero cortou com o Marxismo, embora aceite que possa ser chamado de “conselhista”, mas mesmo assim muito distante de Rosa Luxemburgo ou Josip Tito. É um anarquista “moderno”, que mistura Proudhon, Malatesta, Kropotkin e a mística índia. De marxista terá o passado.

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  23. 23 23  xatoo

    Daniel
    de certo modo o nick Robespierre, por linhas tortas e pensamento reaccionário enviesado já lhe respondeu à questão da grande confusão que é misturar épocas e acontecimetos numa caldeirada enfiada dentro dum tacho genérico que vc designa por “marxismo”
    quanto ao mais,
    é uma pena que o seu pensamento maniqueista leve sempre tudo para o campo dos brilharetes pessoais: “nunca li nada seu que não considere quase tudo uma rematada asneira” – e deixe a essência das questões para as calendas

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  24. 24 24  xatoo

    quanto ao “Negri, ser um anarco-nazi” integrante das Brigadas Vermelhas, como afirmou o Robespierre, o pobre coitado não sabe que no julgamento de um desses casos em Bolonha um dos implicados em “atentados terroristas” testemunhou que tinha sido contratado, ele e muitos outros, pela CIA para depois com esse tipo de acções denegrir os militantes revolucionários. Pois é, essa operação, em Itália e com o Baden-Meinhof na Alemanha (e noutras partes da Europa), ficou conhecida como “Operação Gládio”
    http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Gladio

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  25. 25 25  Dalila

    Já agora o xatoo podia descrever o nome dos vários filosofos e politicos citados nestes comentários que eram operários e não se deixaram “emburguesar teóricamente”

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  26. 26 26  Manuel Leão

    Daniel Oliveira:

    O facto de lhe ter agradecido, por antecipação, não me isenta de lhe agradecer, de novo, tal foi o tempo que lhe tomei e a boa vontade manifestada. Creia que fiquei esclarecido, quanto ao seu percurso político. Mais, a sua resposta excedeu as minhas expectativas. De tal modo que, tendo o “post” começado por referir os 160 anos do Manifesto Comunista, sou levado a classificar o que escreveu, como um espécie de “manifesto” político pessoal. E digo isto sem qualquer espécie de exagero ou ironia.

    Apreciei, sobremaneira, a sua sinceridade ao afirmar que a demora em deixar de ser comunista teve «mais a ver com razões emocionais do que políticas». O que, tendo presente a idade e as circunstâncias envolventes, não custa a perceber.

    O mesmo já não se passa com a afirmação seguinte: «Dizer que sou social-democrata é, obviamente, uma facilidade para o debate. Porque hoje já nem se sabe bem o que isso seja e porque esses rótulos valem o que valem.

    Bem, mas se há militância política num partido, ou frente de partidos, terá de haver ideologia, objectivos políticos e práticas políticas, já para não falar em estratégia. E, mesmo que existam ideologias diferentes, nesse Bloco, terá de haver uma plataforma mínima que traduza os pressupostos acima referidos. E a questão que coloco é: será essa plataforma fundamentalmente criada com base na social democracia, próxima daquilo que existe nos países escandinavos? Ou essa é apenas uma corrente minoritária dentro do Bloco? Pergunto isto, porque, como já referi noutra oportunidade, o discurso político do Bloco me parece substancialmente mais radical do que isso. E não só a mim, mas também na avaliação mais comum, tanto na comunicação social, como na blogosfera. De tal modo, que é bastante generalizada a ideia que o Bloco de Esquerda se situa, no espectro político, à esquerda do próprio PCP. E é isto que me causa uma certa perplexidade. Disse que os rótulos valem o que valem, mas para o interior dos partidos e principalmente para o exterior, os rótulos são uma parte importante das referências. Não só importantes mas também imprescindíveis. A meu ver, claro.

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  27. 27 27  Robespierre

    Sim xatoo, é um facto que as Brigadas Vermelhas se tornaram, a dada altura, completamente manipuladas pela CIA. Mas a verdade é que de “revolucionários” tinham muito, muito pouco. O ultra-esquerdismo, seja anarquizante ou maoísta ou o que lhe quiserem chamar, apesar de um verbalismo apelativo, de um voluntarismo romântico e de uma simbologia muito engraçada, sempre foi e será reaccionário. Conscientemente ou não.

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  28. 28 28  Daniel Oliveira

    Manuel Leão, mais tarde respondo-lhe de forma completa. A minha posição ideológica não só é minoritária no Bloco como nem chega a ser uma corrente. É provavelmente minoritária na minha própria corrente. Mais tarde respondo-lhe porque, ainda assim, sou militante no Bloco (que é maioritariamente mais radical do que eu, de facto), e o que penso ser o que os militantes do Bloco, eu incluido, têm em comum.

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  29. 29 29  Isabel Coutinho

    Xatoo:

    Ainda bem que o fiz rir. Isso só revela a sua ignorância. Vá estudar um bocadinho mais sobre Marx, além do “Manifesto Comunista”, que não lhe caiu do céu aos trambulhões.

    Podia explicar-lhe muitas coisas … mas acho que vale tanto a pena como explicá-las ao Santana Lopes …

    Boa noite, durma bem.

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  30. 30 30  Hugo

    Algumas das melhores criticas ao marxismo vêm de Noam Chomsky e Bakunin, na raiz do problema está a teoria de Marx sobre a natureza humana e dela a definição da relação entre a sociedade e o individuo. No fundo, o problema, é que ao contrário do que Marx afirma, a sociedade existe para que o individuo tire proveito dela, e não o contrário. Senão éramos essencialmente insectos a trabalhar para a colmeia…

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  31. 31 31  Fabiana

    Daniel, o seu comentário (16) reflecte, quase na íntegra, aquilo que defendo. Mas, tem-me parecido, o debate só adquire um tom “bem mais agradável” quando descorre sobre si ou quando confirma aquilo que diz. Também no Eixo do Mal, o seu comportamento de “detentor da verdade” tem vindo a influenciar negativamente o debate. O que é pena, para mim, porque era o que mais gostava de ouvir.

    [Responder]

  32. 32 32  xatoo

    Dalila
    exemplos de operários “não emburguesados”:
    Carvalho da Silva e Jerónimo de Sousa
    Isabel Coutinho:
    Para efeito das situações revolucionarias que hoje em dia são tão vilipendiadas se é do Marx do tempo do Movimento Cartista (que esteve na origem do Manifesto) que pretende falar vamos a isso.

    [Responder]

  33. 33 33  Daniel Oliveira

    Jerónimo de Sousa e Carvalho da Silva (que muito aprecio, este último) foram operários há 30 anos. O primeiro é, desde então, funcionário partidário sem qualquer actividade como operário ou qualquer ligação à sua profissão anterior. Quanto tempo é que sobrevive o estatuto?

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  34. 34 34  Fabiana

    Errata: discorre

    [Responder]

  35. 35 35  Stran

    A todos,

    Como é que o comunismo consegue ultrapassar o problema das preferências pessoais?

    Ao Daniel,

    Para quando a criacção de um espaço para um verdadeiro debate sobre a Esquerda, um espaço de opinião objectivo e que não se perda em “foclores” opinativos?

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  36. 36 36  G Martins

    Daniel Oliveira sou militante do Bloco, e de há uns tempos para cá, apercebi-me, que se existe transição para o socialismo, é feita pela social democracia. Toda a história nos mostra que os verdadeiros avanços nesse sentido foram feitos por aí.

    Se como diz o BE, o objectivo é melhorar verdadeiramente a vida das pessoas, temos que avançar com um programa-novo para 2009 baseado na social-democracia. E, acredite Daniel, as bases do Bloco, (e cada vez mais me apercebo disso), defendem a sua visão, sem tirar nem por.

    O Manuel Leão diz que essa não é a imagem que o BE, passa para o exterior. Não é. Mas, Manuel, o BE é o único partido verdadeiramente pluralista em Portugal, acredite, é que se não o fosse já há muito teria abandonado o BE.

    Por isso, Daniel, se pudesse responder à questões do Manuel Leão, ficaria também de facto, deveras agradecido.

    Cumprimentos,

    G Martins

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  37. 37 37  Minhoto

    Sim o Daniel tem razão em relação ao estatuto de operário, então o Jerónimo de Sousa tem como profissão afinador de máquinas, é pra rir e o Bernardino Soares acho que é motorista da Casa Pia
    bem se não é tem cara disso.
    Quanto ao seu marxismo Daniel acho que o Pacheco Pereira já chamou atenção a estes marxismos reinventados.
    Ó Daniel acha que, com o seu estatuto social de burguês, ia longe no PC nos seus moldes actuais?

    [Responder]

  38. 38 38  João

    Ó G Martins não fale pelas “bases do bloco” de forma tão assertiva, pelo menos sem antes consultar as moções apresentadas à última convenção e respectivos resultados.
    É que a última vez que li os estatutos do Bloco ainda lá estava que defendemos “a perspectiva do socialismo
    como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e opressão”.
    E é por isso que lá estou.

    [Responder]

  39. 39 39  Stran

    João,

    - Onde está uma maior explicação dos principios defendidos pelo BE?

    - Como conciliar a liberdade individual na sua plenitude com o combate ao capitalismo?

    - Que tipo de Estado defende o BE? E economia (de planeamento centralizado)?

    Aguardo pelas respostas e agradeço desde já a atenção.

    Stran

    [Responder]

  40. 40 40  João

    Caro Stran, as suas questões remetem para o programa do BE… que não existe. Há quem diga que depois do próximo ciclo eleitoral nos iremos dedicar a essa tarefa clarificadora.
    Mas desde já lhe dou a minha opinião: se por “liberdade individual na sua plenitude” entende a liberdade de exploração do trabalho pelo capital a minha resposta é não; se por liberdade entende a livre expressão de ideias, partidos, etc, a resposta é sim. Não há liberdade sem limites, hoje vivemos limitados pelos ditames do capital, amanhã viveremos limitados pelos ditames do social.
    E porque é que não viveremos em ditadura, neste socialismo versão Bloco? Porque acreditamos (no BE TODAS as correntes o defendem) que não haverá socialismo sem que a maioria dos trabalhadores o sufraguem nas urnas. Claro que também não temos a pretensão de que seremos (ou que outros serão) o partido de vanguarda dos trabalhadores. Temos a convicção de que estaremos lá, faremos parte dessa maioria.
    A traços largos é o que eu penso, e, creio, é a sensibilidade largamente maioritária no Bloco.

    [Responder]

  41. 41 41  Dalila

    Xatoo, eu referia-me aos filosofos e politicos que são referidos no texto e nos comentários portanto a sua resposta nada tem a ver com a pergunta.Quanto aos citados tanto quanto eu sei o Jerónimo de Sousa foi operário e já há muito tempo que é funcionário partidário,o Carvalho da Silva foi operário,passou a ser sindicalista e tanto quanto sei hoje é tambem professor universitário.Eu fiz-lhe esta pergunta porque existe no PCP um preconceito de que só os operários é que tem consciencia de classe,e quando são feitas as listas para os orgãos dirigentes existe uma percentagem que tem de aparecer com a indicação de que são operários.

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  42. 42 42  André Silva

    É isto o texto?
    Se sim é extremamente pobre e redutor do papel do marxismo de hoje e no futuro.

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  43. 43 43  ramalho santos

    Stran,
    Como é que o comunismo consegue ultrapassar o problema das preferências pessoais?

    R: Muito fácil, não há preferências pessoais.

    Fabiana,
    Então para si o Daniel já era? Seja clemente, não lhe basta ter feito uma excelente observação sobre o “estilo” do nosso anfitrião?

    Sobre o nosso amigo Marx, uma III virada se me derem licença.

    Ainda o Manifesto.

    O primeiro passo da revolução operária é a elevação do proletariado a classe dominante, a conquista da democracia, e do aparelho do poder.
    “A história de todas as sociedades até aos nossos dias é a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de confraria e companheiro, numa palavra: opressores e oprimidos, sempre estiveram em oposição constante; travaram uma luta sem tréguas, ora disfarçada, ora aberta, que em todos os casos terminou ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela ruína das diferentes classes em luta.” (Manifesto).
    As contradições entre o proletariado e a burguesia são tais que é inevitável a revolução e a ditadura do proletariado.
    Da vitória insurreccional do proletariado à sociedade comunista que não voltará a ter necessidade do Estado…, mas de outro Estado…
    O proletariado servir-se-á da sua supremacia política para arrancar pouco a pouco à burguesia todo o capital, para centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado.
    A evidente inutilidade do parlamentarismo e a impossibilidade de colaboração das classes, a condenação do reformismo, do socialismo de Estado, do comunismo utópico e apolítico são as linhas programáticas de acção dos partidos comunistas.
    A concepção materialista da história, é recusar qualquer leitura da mesma, que pretenda dar como sujeito da história um sujeito transcendente, Deus, Providência, o Espírito, etc.
    Uma concepção materialista da história é afirmar o carácter fundamental das necessidades materiais e humanas (alimentação, vestuário, abrigo, etc.) e do trabalho para as satisfazer, organizado em estruturas económicas capazes de determinar toda a organização social.
    A história e a sociedade são uma consequência da produção a fim de satisfazer as necessidades humanas.
    O Manifesto expressa uma relação entre a teoria e a prática ao propor que as “condições teóricas dos comunistas não se baseiem de modo algum em ideias e princípios inventados ou descobertos por este ou aquele reformador do Mundo.
    Elas são mais do que a expressão geral das condições reais da luta de classes existentes, de um movimento histórico que se desenvolve diante dos nossos olhos”. (Manifesto)
    “A abolição das relações de propriedade até aqui existentes não é uma característica peculiar e exclusiva dos comunistas.”

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  44. 44 44  Manuel Leão

    Minhoto:

    Motorista da Casa Pia tem alguma cara especial?

    Ou foi só para ter graça?

    Se foi, veja lá não lhe caia um dentinho. Não tenho nada a ver com B. S. mas acho que há um nível mínimo para se debater ideias.

    Hoje, até nas tascas, o nível é mais elevado.

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  45. 45 45  Daniel Oliveira

    Fabiana, por acaso tenho imensa dificuldade em ouvir pessoas, ainda mais se falam na televisão, se elas estão convencidas que não é a verdade que estão a dizer. Eu não me julgo detentor de coisa nenhuma, muito menos da verdade, até porque sou um relativista. Só que em debates cada um diz o que pensa e bate-se por o que pensa. Tenho o meu estilo e não é novo. Apenas dou a minha opinião e não sou dado a intróitos de declarações de modéstia que, quando são feitos, quase sempre são falsos. Não sou agora, como não era quando me “gostava de ouvir”. Estão com tantos defeitos como os que sempre tive.

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  46. 46 46  CausasPerdidas

    O Marx foi porreiro quando “descobriu” as classes, o mal dele foi ter proposto a luta entre elas… o que foi errado porque alguém se podia magoar.
    E essa de ter profetizado na sua doutrina que o capitalismo se despenharia no pó da História tal como a maçã de Newton, como os seus apóstolos gostam de dizer!? Só mesmo de um tipo que disse que a religião era o ópio do povo!

    Além disso toda a gente sabe que o Proletariado ficou soterrado debaixo do muro de Berlim e que agora a Classe Operária só existe na China.
    Aqui no ocidente pós-social-democrata e moderno só há Classe Média. Lá na minha empresa já nem me chamam de “trabalhador” mas de “colaborador”, para eu não me esquecer de esquecer.

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