O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras prepara-se para deportar de uma criança, de origem russa, com quatro anos, que se encontrava entregue a uma família de acolhimento no nosso país. A criança, com quatro anos, nasceu em território nacional e praticamente só fala português. Passou por uma experiência de negligência por parte dos seus pais e a Comissão de Protecção de Crianças em Risco de Barcelos atribuiu uma autorização de guarda provisória a um casal português.

Apesar da decisão de hoje do Tribunal de Menores de Barcelos, a sua eventual extradição, juntamente com a mãe, continua pendente.


23 respostas ao post “O melhor do mundo são as crianças, desde que tenham o sangue certo”  

  1. 1 1  marta

    É mais branca do que os portugas.

  2. 2 2  Lino José

    Pois, mas não se vá aproveitar deste caso para generalizar.

    Todo e qualquer imigrante que cá se encontre ilegal deve ser extraditado. Portugal não pode ser uma porta escancarada e sem controle para uma massa imensa de gente.

    Portugal tem o direito de escolher as pessoas de que precisa, e acolhê-las com condições. Portugal deve e tem de ser selectivo em relação aos imigrantes.

    Tem de haver uma politica de imigração séria e rigorosa, e todos os que derem trabalho a pessoas ilegais devem ser severamente punidos.

  3. 3 3  Luís Lavoura

    Excelente post.

    O SEF é um Estado dentro do Estado, e as suas decisões sobrepõem-se às dos tribunais.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    “Pois, mas não se vá aproveitar deste caso para generalizar.

    Todo e qualquer imigrante que cá se encontre ilegal deve ser extraditado.”

    É extraordinário que alguém que pede para não generalizar comece logo depois uma frase com “Todo e qualquer imigrante que cá se encontre ilegal…”

  5. 5 5  A.Silva

    Eu sei que o meu caro Daniel não está interessado nos meus comentários,por variás vezes vi que nunca os publicou,são critérios que me surpreendem numa pessoal como o meu caro amigo.Em relação ao caso da menina de Barcelos,achei muito importante a forma como o casal de acolhimento tem procedido em relação ao contacto com a mãe biologica da criança.Eles querem fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que a mãe da menina fique em Portugal para que não se perca o contacto entre mãe e filha.Comparando este caso com o do seu amigo Sargento que anda por aí,podemos ver a diferença do que é uma atitude de amor para com esta filha e esta mãe,e a arrogancia que este Sargento negou até há bem pouco tempo o direito sequer dos pais biológicos verem a Esmeralda.Todavia no caso da senhora imigrante ilegal temo que o que a comunicação social disse sobre ela,ao mediatizar este caso,não facilite a resolução da sua situação.Não vi até agora as almas piedosas que nos entraram pela casa dentro nas aberturas dos telejornais durante tanto tempo para defender o Sargento mexerem uma palha para ajudar esta senhora que está em riscos de ser empurrada para fora das fronteiras da UE.Todos iguais mas alguns,os amigos,mais iguais do que os outros

  6. 6 6  JV

    Tenha o DO paciência, mas enquanto - o que Deus não permita - a gente da minha terra não enlouquecer definitivamente entregando à coligação PSR/UDP os destinos da Nação, Portugal não vai ser um albergue espanhol. Se fosse justificação para alguma coisa o facto de a criança praticamente só falar português e ter sido vítima de negligência por parte dos pais, isso era pretexto para que se fosse a Mafalala e ao morro do Turano, se arrebanhassem todos os garotos que por lá andam a passar fome, e os trouxessemos para cá, pondo-os à guarda das nossas instituições de salvaguarda de menores. Se houvesse de facto uma política de fronteiras e os elementos do SEF tivessem era impedido os pais dela de entrar cá, se os governantes não cedessem aos choradinhos muito comovidos do BE e quejandos amiguinhos dos fracos e oprimidos (desde que os tais fracos e oprimidos não digam que deve haver mais controlo da imigração, estejam contra o casamento de homossexuais, e votem no Salazar como Maior Português de Sempre - que aí, passam a ser a plebe, a canalha rasca e ordinária, essa gente agoniante que cheira a suor, ouve Tony Carreira, dá erros de Gramática e come com as mãos, infecta e mal-educada, perdão instruir melhor nos preceitos que são bons e humanistas porque cá a gente até acha que são bons e humanistas, e quem não acha não é civilizado) e já isto não acontecia. Mas se não se pôde impedir que entrassem, aora é fazer alguma coisa para que saiam. Não somos a Legião da Boa Vontade.

    É extraordinário que alguém que pede para não generalizar comece logo depois uma frase com “Todo e qualquer imigrante que cá se encontre ilegal…”

    Para terminar, como o DO não citou porque não lhe cheirou, dizendo que Portugal tem o direito de escolher as pessoas de que precisa, e acolhê-las com condições. Portugal deve e tem de ser selectivo em relação aos imigrantes. Isto deve fazer-lhe uma confusão brutal (pois então não entra toda a gente?, que «racismo!!!!!»), mas, e termino como comecei, é a isto que se chama «política de imigração com bom-senso», antónimo de «bloco-de-esquerdices»…

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    A. Silva, pela 3.485.987ª vez, use a tecla F5

  8. 8 8  baldassare

    A vergonhosa lei de sangue em vez da lei de solo, no que consta a reconhecimento de nacionalidade para crianças, é abjecta.

    Quem nasce “cá”, mas os seus pais são de “lá”, nem é de “cá” nem é de “lá”.
    Se Portugal abre fronteiras (porque necessita da mão de obra), tem de reconhecer nacionalidade aos filhos dos imigrantes. Por uma questão de justiça, de lógica e de humanismo.

    O sangue ser o critério é um dos últimos vestígios de monarquia da nossa república.

  9. 9 9  JV

    Se Portugal abre fronteiras (porque necessita da mão de obra), tem de reconhecer nacionalidade aos filhos dos imigrantes. Por uma questão de justiça, de lógica e de humanismo.

    Se o senhor precisar que um canalizador vá a sua casa fazer umas reparações tem de conceder ao filho dele direito de propriedade sobre o seu domicílio? Acha isso lógico? Acha isso justo, ou sequer humano, para os seus filhos legítimos?
    Precisando de mão-de-obra, aceitamo-la; mas a pertença à Nação Portuguesa não se adquire pelo simples facto de se ter nascido cá. É um património inalienável: e, como qualquer outro nas mesmas circunstâncias, herda-se.

  10. 10 10  The Studio

    Não se percebe do que o Daniel reclama. Se do facto da criança estar em risco de expulsão, se do facto da criança infelizmente ser branca.

    Quanto à expulsão dos ilegais em Portugal, é o que determina a lei.

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    The Studio, já cá faltava o seu bracinho em riste.

  12. 12 12  rouxinol

    “a pertença à Nação Portuguesa não se adquire pelo simples facto de se ter nascido cá. É um património inalienável: e, como qualquer outro nas mesmas circunstâncias, herda-se.”
    A questão é ideológica.
    Ambas as formas de delegar a nacionalidade, esquecem as aspirações de um cidadão, e dificultam sempre a sua vida por acasos de nascimento. Mas o jus sanguinis consegue ser ainda mais horrendo, ao permitir não apenas que o ser humano venha já condicionado pelo espaço geográfico onde nasce, mas também pela situação legal dos seus progenitores com uma dada divisão administrativa. A criança vem ao mundo já como cidadã de segunda categoria, isto é absolutamente nojento.

  13. 13 13  JV

    o jus sanguinis consegue ser ainda mais horrendo, ao permitir não apenas que o ser humano venha já condicionado pelo espaço geográfico onde nasce, mas também pela situação legal dos seus progenitores com uma dada divisão administrativa. A criança vem ao mundo já como cidadã de segunda categoria, isto é absolutamente nojento.

    Mais nojento ainda era, sendo Portugal a terra dos portugueses, se se concedesse iguais direitos sobre ela a filhos de cidadãos de outros países. Era como se uma casa pertencesse à família Silva e o senhor postulasse que tivessem iguais direitos de a herdar os membros da família Bastos!

  14. 14 14  rouxinol

    Tal como eu tinha dito, a questão é ideológica e encalha precisamente aqui:
    “sendo Portugal a terra dos portugueses”

    - E o que é um português?

    tu responderás…

    - Alguém filho de pai e/ou mãe portuguesa

    E então eu digo que discordo que Portugal tenha que ser a terra de filhos de pai e/ou mãe portuguesa.
    Digo-te que Portugal deve ser o país de quem cá nasceu e de quem para cá veio residir, porque não vejo que a nacionalidade por ascendência deva ser privilegiada. Se me quiseres explicar o porquê de o ser, ficarei mais esclarecido.

    Ainda que não te importes de ver o mundo segregado em blocos monolíticos, negando o indivíduo e a sua liberdade. Não deves achar que uma pessoa que se desloca da sua terra natal para trabalhar, deva resignar-se a uma condição que retira dignidade à sua opção, desnivelando toda a concorrência entre os indivíduos e criando classes de privilegiados. Achas que a opção de sair do país tem menos dignidade?
    Por exemplo, se em Portugal houvessem duas divisões administrativas e um indivíduo se deslocasse de Bragança para Lisboa para trabalhar…Deveria aceitar o estatuto que tu queres conferir aos estrangeiros?

    Consegues ver as consequências macroeconómicas de políticas orientadas por essa lógica?? Um mundo onde o fluxo de capitais circula livremente, mas a mão-de-obra está confinada ao seu espaço geográfico de uma forma coerciva, e portanto, ao papel que a conjuntura económica lhe atribui (divisão internacional do trabalho).

  15. 15 15  JV

    Digo-te que Portugal deve ser o país de quem cá nasceu e de quem para cá veio residir, porque não vejo que a nacionalidade por ascendência deva ser privilegiada. Se me quiseres explicar o porquê de o ser, ficarei mais esclarecido.

    Muito simples: esses são os legítimos proprietários. Os outros não: como já te disse, vieram cá fazer umas reparações. Mais nada. O exemplo que te dei parece-me suficientemente claro: se um Bastos for a casa de um Silva instalar a TV Cabo não tem de ficar com uma parte da propriedade. Nem ele, nem o filho.

    Ainda que não te importes de ver o mundo segregado em blocos monolíticos, negando o indivíduo e a sua liberdade.

    Isto não tem nada a ver com blocos monolíticos. A tua casa é tua: se precisares que alguém vá lá consertar alguma coisa e não lhe deres direito de propriedade, não estás a cometer uma injustiça.

    Não deves achar que uma pessoa que se desloca da sua terra natal para trabalhar, deva resignar-se a uma condição que retira dignidade à sua opção, desnivelando toda a concorrência entre os indivíduos e criando classes de privilegiados.

    Acho. Não está na sua terra, como pode ter os mesmos direitos dos que de lá são? Se eu amanhã fosse a tua casa tinha direito de mexer nas gavetas, de me instalar, de comer o teu pão, etc.?

    Achas que a opção de sair do país tem menos dignidade?

    Não disse isso. Não estou a falar do acto de emigrar, mas do tratamento que os que para cá vieram devem ter.

    Por exemplo, se em Portugal houvessem duas divisões administrativas e um indivíduo se deslocasse de Bragança para Lisboa para trabalhar…Deveria aceitar o estatuto que tu queres conferir aos estrangeiros?

    Estás a confundir divisões administrativas dentro do mesmo país e a existência dois Estados independentes. Se se tratasse de ir de Portugal para França, a título de exemplo, obviamente que sim.

    Consegues ver as consequências macroeconómicas de políticas orientadas por essa lógica??

    Pronto, o cliché que faltava: isso é mau para a contabilidade.
    Diz-me uma coisa: se alguém te desse uma mesada de €100,000 mas em troca exigisse sodomizar-te todas as noites, aceitavas? Suponho que não. Assim, parece-me que nos entendemos quanto a haver valores mais importantes do que o dinheiro: o amor próprio por exemplo. Seja por nós mesmos, ou pelo que os nossos pais nos legaram.

  16. 16 16  Diógenes

    “Muito simples: esses são os legítimos proprietários. Os outros não: como já te disse, vieram cá fazer umas reparações. Mais nada. O exemplo que te dei parece-me suficientemente claro: se um Bastos for a casa de um Silva instalar a TV Cabo não tem de ficar com uma parte da propriedade. Nem ele, nem o filho.”

    Trata-se de uma falsa analogia. Mesmo que façamos recurso ás mesmas ‘assumptions’ que o caro comentador utiliza, ainda existe o problema de se tratar de uma falsa analogia: quando um trabalhador presta serviços domésticos, este serviço é uma relação económica em que não temos de considerar grandes questões comunitárias. Quanto um estrangeiro vem trabalhar para Portugal, presume-se uma integração na comunidade e nas actividades desta. Outro ponto em que a sua analogia é falsa e não permite retirar uma conclusão sólida é no facto de um cidadão que adquire a nacionalidade à luz do ‘jus solis’ não adquire propriedade alguma: adquire direitos e deveres que lhe assistem. E direitos/deveres não são comparáveis a propriedade.

    Outra problemática reside no conjunto de ‘assumptions’ que fundamentam a teoria nacionalista: o direito à propriedade comum de um dado território em que os sujeitos legais são indivíduos que correspondem a um conjunto de critérios, em exclusão de todos os outros indivíduos, é-me estranha. Os seres humanos são, de acordo com o Direito Natural, todos iguais: as propriedades metafísicas que caracterizam ’ser humano’ encontram-se bem definidas. A ideia de nação é, portanto, uma espécie de apêndice evolutivo, que nos foi útil em tempos, permitindo-nos formar grupos de afinidade com elevado nível de funcionalidade, e com interesses específicos face a outros grupos de afinidade. Mas tais ideias são inúteis numa era em que o ser humano compreende, através das suas capacidades racionais, que todos os seres humanos são iguais, e partilham uma identidade comum, que vai muito além de idiosincrasias culturais e geográficas.

  17. 17 17  rouxinol

    “Muito simples: esses são os legítimos proprietários.”
    Hhmm?! Proprietários do quê?! Tu queres redefinir a propriedade!?!

    “se um Bastos for a casa de um Silva instalar a TV Cabo não tem de ficar com uma parte da propriedade. Nem ele, nem o filho.”
    O paralelismo não é válido porque os portugueses não são nenhuma família e Portugal não é nenhuma casa. Essa tentativa de redefinir a propriedade repete-se ao longo do texto, pelo que não a vou comentar.

    “Acho. Não está na sua terra, como pode ter os mesmos direitos dos que de lá são?”
    Tendo.

    “Não disse isso. Não estou a falar do acto de emigrar, mas do tratamento que os que para cá vieram devem ter.”
    Disseste isso sim, não de uma forma directa mas disseste. Se todos os países adoptarem legislação de acordo com essa lógica (a da casa da família Silva), então estarás a depreciar a atitude de quem emigra em relação à atitude de quem fica na terra natal. Por definição da lei.

    “Estás a confundir divisões administrativas dentro do mesmo país e a existência dois Estados independentes.”
    Um Estado independente é exactamente isso…uma divisão administrativa.

    “Pronto, o cliché que faltava: isso é mau para a contabilidade.
    Diz-me uma coisa: se alguém te desse uma mesada de €100,000 mas em troca exigisse sodomizar-te todas as noites, aceitavas?”

    O que tu consegues com essa penalização da mobilidade é exactamente isso que acabaste de descrever: que as pessoas sejam sodomizadas porque num mercado alargado se têm que submeter à situação de cidadãos de segunda.

    “Assim, parece-me que nos entendemos quanto a haver valores mais importantes do que o dinheiro: o amor próprio por exemplo.”
    Acho curiosa essa referência ao amor. Mas ao amor com laços de sangue, não? :P

  18. 18 18  JV

    Hhmm?! Proprietários do quê?! Tu queres redefinir a propriedade!?!

    Proprietários de Portugal. Ou Portugal não é dos portugueses?

    “se um Bastos for a casa de um Silva instalar a TV Cabo não tem de ficar com uma parte da propriedade. Nem ele, nem o filho.”

    O paralelismo não é válido porque os portugueses não são nenhuma família e Portugal não é nenhuma casa.

    As Nações são, no fundo, famílias mais alargadas. E o território que habitam é a casa que possuem.

    Essa tentativa de redefinir a propriedade repete-se ao longo do texto, pelo que não a vou comentar.

    Nem refutar? Podias ao menos ter tentado mostrar que o conseguias…

    “Não disse isso. Não estou a falar do acto de emigrar, mas do tratamento que os que para cá vieram devem ter.”

    Disseste isso sim, não de uma forma directa mas disseste.

    Não, não disse. Eu digo o que quero, não o que te dava jeito que eu tivesse dito.

    Se todos os países adoptarem legislação de acordo com essa lógica (a da casa da família Silva), então estarás a depreciar a atitude de quem emigra em relação à atitude de quem fica na terra natal. Por definição da lei.

    Não estou a depreciar atitude nenhuma: estou simplesmente a dizer que não têm o mesmo direito dos cidadãos nacionais a influir na política e a aceder aos cargos electivos, prerogativas de se ser cidadão.

    “Estás a confundir divisões administrativas dentro do mesmo país e a existência dois Estados independentes.”

    Um Estado independente é exactamente isso…uma divisão administrativa.

    Incorrecto outra vez. O Texas é uma divisão admnistrativa dentro dos EUA mas não é um Estado independente; o distrito de Braga, o distrito de Faro ou de Aveiro são, também eles, divisões administrativas, dentro do nosso território - mas o Estado é Portugal.

    “Pronto, o cliché que faltava: isso é mau para a contabilidade.
    Diz-me uma coisa: se alguém te desse uma mesada de €100,000 mas em troca exigisse sodomizar-te todas as noites, aceitavas?”

    O que tu consegues com essa penalização da mobilidade é exactamente isso que acabaste de descrever: que as pessoas sejam sodomizadas porque num mercado alargado se têm que submeter à situação de cidadãos de segunda.

    Lá voltamos nós: alguém falou em cercear a mobilidade? Eu fui claro, há alguns comentários atrás, em dizer que se houver necessidade de mão-de-obra, devemos aceitá-la. Nada condeno na mobilidade: o que não reconheço é aos filhos dos imigrantes os mesmos direitos sobre esta terra que eu tenho e o meu filho terá. Isso, nem por sombras.

    “Assim, parece-me que nos entendemos quanto a haver valores mais importantes do que o dinheiro: o amor próprio por exemplo.”

    Acho curiosa essa referência ao amor. Mas ao amor com laços de sangue, não?

    Ao amor pelo que é nosso, incluindo os laços de sangue para com quem nos legou esta terra. Entendeste-me bem, parece.

  19. 19 19  JV

    Trata-se de uma falsa analogia.

    Explique porquê.

    Mesmo que façamos recurso ás mesmas ‘assumptions’ que o caro comentador utiliza, ainda existe o problema de se tratar de uma falsa analogia: quando um trabalhador presta serviços domésticos, este serviço é uma relação económica em que não temos de considerar grandes questões comunitárias. Quanto um estrangeiro vem trabalhar para Portugal, presume-se uma integração na comunidade e nas actividades desta.

    Presume-se porquê? Isto sim, é um erro de lógica: porque é que a entrada de um cidadão estrangeiro em território nacional acarreta a presunção de que ele se integrará nas actividades da comunidade?

    Outro ponto em que a sua analogia é falsa e não permite retirar uma conclusão sólida é no facto de um cidadão que adquire a nacionalidade à luz do ‘jus solis’ não adquire propriedade alguma: adquire direitos e deveres que lhe assistem. E direitos/deveres não são comparáveis a propriedade.

    São, porque esses direitos e deveres são referentes a um território: Portugal. Cada cidadão português, por assim dizer, é co-proprietário do país.

    Outra problemática reside no conjunto de ‘assumptions’

    O amigo desconhece o termo português «presupostos»?

    que fundamentam a teoria nacionalista: o direito à propriedade comum de um dado território em que os sujeitos legais são indivíduos que correspondem a um conjunto de critérios, em exclusão de todos os outros indivíduos, é-me estranha.

    Tudo bem. Não pretendo impingir-lhe ideia nenhuma: estou só a defender as minhas. Permite-me?

    Os seres humanos são, de acordo com o Direito Natural, todos iguais: as propriedades metafísicas que caracterizam ’ser humano’ encontram-se bem definidas. A ideia de nação é, portanto, uma espécie de apêndice evolutivo, que nos foi útil em tempos, permitindo-nos formar grupos de afinidade com elevado nível de funcionalidade, e com interesses específicos face a outros grupos de afinidade. Mas tais ideias são inúteis numa era em que o ser humano compreende, através das suas capacidades racionais, que todos os seres humanos são iguais, e partilham uma identidade comum, que vai muito além de idiosincrasias culturais e geográficas

    Vejo, por conseguinte, que aceitaria com complacência que lhe arrancassem os filhos de casa e lhos levassem para outra ponta do planeta: que diabo, isso da família foi uma instituição que teve méritos em tempo, mas agora, quando sabemos que todos os seres humanos são iguais, porque hão-de os pais educar os seus próprios filhos? Que homens e mulheres procriem, deixando os seus filhos à guarda do Estado, que saberá encaminhá-los para uma família qualquer. Se forem maltratados, lá estará a polícia para os punir. O resto são concepções passadistas…
    E tinha graça se amanhã um avoengo seu que morreu nas Guerras Napoleónicas visse o neto a dizer «ah, isto tanto faz se quem por cá manda é português ou serbo-croata, que os homens são todos iguais». Olá se tinha!

    PS: Por esse ponto de vista, vejo que não se opunha à colonização. Que raio, todos os homens são iguais: que passadistas esses africanos e asiáticos, tão apegados (pausa para fazer uma cara enojada)a essa ideia de… argh!… Pátria…

  20. 20 20  Diógenes

    “Explique porquê.”

    Se tivesse lido o meu texto com atenção, teria encontrado a fundamentação para a afirmação que fiz. Tal como referi, existem diferenças nas propriedades essenciais das duas coisas que estamos a comparar. Não pode comparar a prestação de um serviço que pressupõe uma relação económica “simples” à interacção comunitária complexa que se dá quando um imigrante decide viver e trabalhar em Portugal. A discrepância entre propriedades fundamentais impede que estabeleça uma analogia válida, constituindo uma falácia lógica.

    “Presume-se porquê? Isto sim, é um erro de lógica: porque é que a entrada de um cidadão estrangeiro em território nacional acarreta a presunção de que ele se integrará nas actividades da comunidade?”

    A não ser que se refira a um cadáver, é uma presunção de carácter necessário: por ‘actividades da comunidade’ entende-se o conjunto abrangente de todas as actividades, de cariz legal, económico, cultural e político que decorrem no seio da comunidade. Seja a que nível for, não existem contingências.

    “O amigo desconhece o termo português «presupostos»?”

    As minhas desculpas. Viver no estrangeiro e estudar durante tanto tempo em língua inglesa pode ter as suas consequências. No entanto, suponho que a sua compreensão do meu discurso não tenha sido afectada.

    “PS: Por esse ponto de vista, vejo que não se opunha à colonização. Que raio, todos os homens são iguais: que passadistas esses africanos e asiáticos, tão apegados (pausa para fazer uma cara enojada)a essa ideia de… argh!… Pátria…”

    Não me oponho a que seres humanos possam mover-se livremente entre qualquer espaço geográfico e político, escolhendo o local que entendem ser o mais propício para que as suas potencialidades possam florescer. Oponho-me à ideia de que um conjunto de seres humanos assista à revocação de certos direitos fundamentais em nome de outro conjunto de seres humanos. Deve existir equidade e harmonia entre os residentes e os imigrantes, e não uma submissão legal dos segundos aos primeiros.

  21. 21 21  JV

    “Explique porquê.”

    Se tivesse lido o meu texto com atenção, teria encontrado a fundamentação para a afirmação que fiz.

    Li com atenção, e não eoncontrei.

    Tal como referi, existem diferenças nas propriedades essenciais das duas coisas que estamos a comparar. Não pode comparar a prestação de um serviço que pressupõe uma relação económica “simples” à interacção comunitária complexa que se dá quando um imigrante decide viver e trabalhar em Portugal. A discrepância entre propriedades fundamentais impede que estabeleça uma analogia válida, constituindo uma falácia lógica.

    Ser cidadão de um país significa poder influir nas decisões sobre a sua organização política. Em verdade, a grande mais-valia que a categoria de cidadão confere ao homem é a possibilidade de participar na gestão de um território: ora, o que interessa saber é se esse território é seu por direito não é. Daqui tiram-se duas conclusões: ou o herdou, tendo por isso legitimidade para nele ter voz, ou não. Se supusermos que não se reveste de qualquer importância saber se quem nele tem influência pertence ou não ao local, nesse caso a colonização é aceitável: se os homens são todos iguais, pouco importa se quem manda em Angola vive em Lisboa, em Tóquio, ou em Luanda.

    “Presume-se porquê? Isto sim, é um erro de lógica: porque é que a entrada de um cidadão estrangeiro em território nacional acarreta a presunção de que ele se integrará nas actividades da comunidade?”

    A não ser que se refira a um cadáver, é uma presunção de carácter necessário: por ‘actividades da comunidade’ entende-se o conjunto abrangente de todas as actividades, de cariz legal, económico, cultural e político que decorrem no seio da comunidade. Seja a que nível for, não existem contingências.

    Não sei o que o leva a presumir isso. Mesmo entre os portugueses há pessoas que não participam de algumas actividades que referiu: há quem não vote, logo não participando das actividades políticas; há quem viva em mendicância,logo não participando da actividade económica; há quem nunca na vida vá sequer ao cinema, não tendo qualquer participação das actividades culturais. O que o faz presumir que os imigrantes têm necessariamente de o fazer?

    “O amigo desconhece o termo português «presupostos»?”

    As minhas desculpas. Viver no estrangeiro e estudar durante tanto tempo em língua inglesa pode ter as suas consequências. No entanto, suponho que a sua compreensão do meu discurso não tenha sido afectada.

    Não, não foi. Mas como há situações em que certos comentadores se servem de expressões em língua estrangeira por pura peralvilhice, supondo tratar-se também do seu caso, não pude deixar em claro. As minhas desculpas também.

    “PS: Por esse ponto de vista, vejo que não se opunha à colonização. Que raio, todos os homens são iguais: que passadistas esses africanos e asiáticos, tão apegados (pausa para fazer uma cara enojada)a essa ideia de… argh!… Pátria…”

    Não me oponho a que seres humanos possam mover-se livremente entre qualquer espaço geográfico e político, escolhendo o local que entendem ser o mais propício para que as suas potencialidades possam florescer.

    Nem eu. Ao que me oponho é que se considere que tudo é de todos. Vejo que se eu tenho dificuldades em ler os seus textos, também não está a ser-lhe fácil ler os meus. Assim, repito o que já disse, desta feita a bold: Eu fui claro, há alguns comentários atrás, em dizer que se houver necessidade de mão-de-obra, devemos aceitá-la. Nada condeno na mobilidade.
    Espero ter sido esclarecedor.

    Oponho-me à ideia de que um conjunto de seres humanos assista à revocação de certos direitos fundamentais em nome de outro conjunto de seres humanos. Deve existir equidade e harmonia entre os residentes e os imigrantes, e não uma submissão legal dos segundos aos primeiros.

    A diferença entre os primeiros e os segundos é uma e é inequívoca: os primeiros são os legítimos legatários do país. Os outros, estão cá a convite. Creio que consegue perceber que se receber um hóspede em casa e ele lá permanecer nem que sejam 40 anos, o dono continua a ser o senhor…

  22. 22 22  andreia pirett dos santos silva

    por favor queria muito saber o que devo fazer, pois estou fazendo minha cidadania na italia e minhas filhas vieram e agora estao passando um tempo na casa de uma amiga em londres,e eu estou na italia agora a madrinha delas que italiana vai buscar elas o que devo fazer para trazer elas sei problema na imigracao. pois tenho muito medo de perder as minhas filhas entao devo fazer uma procuracao para ela ou nao quais documentos ela vai precisar para trazer elas de volta para italia………….por favor eu preciso de uma resposta certa pois a imigracao na italia e muito rigorasa entao tenho medo deles nao deixarem minhas filhas entrarem aqui na italia entao quais providencia devo tomar para trazer elas em siguraca, e qual o orgao devo procurar aqui na italia para resolver isso. por favor mi mande resposta obrigada………………

  23. 23 23  Maria

    Compreendem-se as leis que tem a haver com os chamados “ilegais”–nao esquecendo que muitos desses “ilegais” sao usados e muito como mao de obra muito barata e logo ai o termo “ilegal” tem muito que se lhe diga .

    Mas deixando esa materia de lado , o que aqui esta em causa e a vida de uma criança.
    Se o estado decidiu primeiramente por atribuir essa criança a uma familia de adopçao entao tera que pensar melhor sobre as decisoes que tomar em relaçao a criança.
    Retirar-lhe a familia nao pode ser uma decisao tomada em cima do joelho.
    Se a familia nao funciona ou disfunciona entao e em virtude da primeira decisao, terao que a entregar a outra.Retirar essa criança do nosso pais ao abrigo dessas tais leis de “ilegais” seria neste caso um exemplo de falta de consciencia absoluta.

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