A mobilidade social é o grande elogio que se faz aos Estados Unidos. Leia-se o destaque de ontem do Diário de Notícias e veja-se como a realidade contraria o mito. O sonho americano é na Escandinávia. E parece que o maldito Estado ajuda.

A possibilidade de uma criança que esteja entre as 20% mais pobres de um país continuar na mesma situação económica na idade adulta é, nos Estados Unidos, de 40%. No Reino Unido, de 30%. Na Escandinávia de 25%. Os EUA, seguidos dos ingleses, são os que, nos países desenvolvidos, a menor mobilidade social.

Cada 1% de rendimentos a mais dos pais britânicos explica 0,5% do acréscimo de rendimento dos filhos. Essa percentagem é, nos EUA, de 0,47%. 0,15% na Dinamarca, 0,41% em França e 0,32% na Alemanha.

A educação constitui o verdadeiro elo de ligação entre os rendimentos dos pais e dos filhos. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos pais pesam 30% no grau de qualificação dos filhos, que, por sua vez, é fulcral na determinação dos rendimentos futuros.

Portugal não se pode rir. 67% dos filhos de licenciados tiram o curso superior. Nos filhos de pessoas com o primeiro ciclo, esse número desce para os 7%.


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