Para que conste: não tenho nada contra, muito pelo contrário, a existência de um museu sobre Salazar em Santa Comba Dão. Mas o Estado apenas o deve financiar se o projecto der garantias de rigor histórico e se for uma mais-valia para o estudo do Estado Novo. Seria até muito bem-vindo. Se pretender ser uma homenagem ao ditador e ponto de peregrinação para os que se sentem derrotados pela democracia, não deve receber nem um tostão de apoio do Estado democrático. Eles que o paguem. Cabe ao presidente da Câmara escolher o caminho.


Sem respostas ao post “O museu”  

  1. 1 1  O PROFANO

    BoAs!
    Apesar de toda a carga negativa que teve o Estado Novo, não podemos esquecer que foi mais uma época da História da Nação, logo deve existir sempre um museu que promova o estudo dessa epoca.O problema, como sempre, é que os meios não justificarão os fins. E ao fim ao cabo,o museu será um tributo postumo a Salazar, á PIDE e aos atentados á Liberdade que ocorreram no Estado Novo. Vai ser a “Fátima” da extrema-direita revolucionária com romarias sem fim. Mas o Povo é e será sempre soberano…
    Abraços Profanos…

  2. 2 2  Pedro Fernandes Martins

    Concordo inteiramente com este ponto de vista. É uma situação um tanto ou quanto ingrata. Talvez nunca se venha a saber a verdadeira intenção de quem está à frente do dito projecto. Boas “postagens”!

  3. 3 3  amaral

    E o Estado a subsidiar coisas privadas do estilo “Fundação Soares”,como è?

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Acho muito bem. Talvez recordar-lhe que Mário Soares, ao contrário de Salazar, foi eleito pelos portugueses- E que a dita fundação faz um excelente trabalho de arquivo histórico disponível para o público. E que a Fundação é uma Fundação, não é uma empresa e que há dezenas de fundações que são apoiadas pelo Estado.

  5. 5 5  helena

    Acho óptimo e deveria ser construído/transladado para junto do altar dos tres pastorinhos e quiçá ter uma sucursal na igeja universal dos reino de deus.Homem como este já não se contenta- mesmo depois de morto fisicamente -( não morre enquanto houver tantos mentecaptos a recordá-lo pela sua Grandiosidade) esquecem-se é que houve Pide, Tarrafal, covardia frente á Guerra..etc)com um museusito em Terras deSTª Comba Dão
    .Merece , no mínimo um lugar no Panteão, não acha??

    Já agora risque o meu nome dos fiéis que irão, em peregrinação a tal santuário de anti.semitas,anti-liberais,anti-democratas, gays, enfim anti tudo que não vale tanto como um bom salarista. Que se pense na imagem de salazar que matou 3 tios meus e meu avÔ paterno, deixando marcas profundas num então jovem sonhador de 30 anos, que morreu desiludido e era meu pai

  6. 6 6  Francisco Silva

    Concordo com a sua posição, apesar do Daniel também ter feito censura sobre um comentário meu.
    A extrema direita revê-se no Salazar muito por causa de patetices que a esquerda faz como a manifestação em Santa Comba, visto que Salazar não teria qualquer simpatia por esses grupos que por aí pululam.
    Salazar foi o purgante necessário nos anos 30 e 40, e os portugueses não souberam ou não quiseram livrar-se dele. Salazar não se impôs até o irem buscar.
    Não arranjem doenças que necessitem de tais purgantes!
    E um museu a Cunhal, já teria cabimento com dinheiros do estado?

  7. 7 7  José Manuel Faria

    Sou contra o museu o fascismo não merece de modo algum um “monumento”.

  8. 8 8  Francisco L

    Se tivesse de qualificar o Sr. António, o conterrâneo desses labregos abstractos “e não só mas também” de Santa Comba Dão; designá-lo-ia de: grande filho da puta… e tudo mais!
    Mas, como gosto de pensar que para além de republicano sou um democrata e acredito na liberdade do próximo, como elementar, e na independência das ideias, como essencial; e foi, indiscutivelmente, para isso que estes trinta-e-tal anos de lutas e desassossegos serviram, julgo eu! Não deve-mos apagar das paredes o nome de tiranos, ou de qualquer outros estorvos, que ao logo da nossa, talvez atormentada, Historia nos desagradaram, por qualquer que seja a razão. Pois correríamos o rico de não ter nada que passar às gerações futuras, sendo que o número de mafarricos que desfilaram por aqui longo dos tempos foi tal, que é um rol d’caraças.
    Para o estado financiar tal pardieiro deve ser preciso um milagre do padroeiro lá do sito (um tal de Cerejeira, que tem boas relações lá no inferno também), mas…
    É moralmente errado vangloriar os feitos desse quase padreco e asqueroso déspota, é verdade, mas não espero por lá os calcantes!
    De qualquer modo deixo aqui uma frase de Voltaire:
    “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você diz, mas defenderei até a morte o direito que tem em dizê-las”

  9. 9 9  Luís Lavoura

    Eu o que pergunto e porque e que ha de haver um museu sobre o Estado Novo e sobre Salazar, quando nao ha nenhum museu sobre a Primeira Republica, nenhum museu sobre o reinado de D Jose, nenhum museu sobre o PREC e sobre Vasco Goncalves, nenhum museu sobre D Carlos e D Luis, etc.

    Sera que cada mandao que mandou em Portugal devera ter um museu sore o seu periodo historico_

  10. 10 10  Nicolaias

    Maior parte das fundacoes nada mais servem do que para lavar dinheiro. Talvez o Mário Soares ande ainda a lavar dinheiro que ganhou com a “Diamantina”, em Angola.
    Concordo que se mantenha viva a memória, mas não a idolotração das coisas negativas que a história lega.

  11. 11 11  Tardes de Bolonha

    Daniel,a sua argumentaçao sobre a necessidade de se fazer um museu sobre o Estado Novo,que respeite o rigo histórico,só posso concordar com ela.Mas você ao dizer “em Sta.Comba Dão” cai,inconscientemente,talvez,na ratoeira daquela gente salazarenta que se pôs aos berros com vivas ao ditador.É isso que eles quere,em Santa Comba.Nao vê o Daniel,que por mais rigoroso que seja o tal museu ou centro de estudos,acaba sempre por ser um local de peregrinaçao dos admiradores do Salazar?Voce sabe que a difusao de propaganda daquele regime é claramente proibida-e bem pela Constituiçao.Façam o tal Museu noutro local,mas nao no sitio onde Salazar está enterrado.E que o façam mostrando a butalidade do regime desenhado por Salazar,nao apenas os seus objectos pessoais.Outra coisa Daniel:ainda bem que a Ministra da Cultura nao embarcou naquela brincadeira e nao vai autorizar a cedencia de material dos AN-Torre do Tombo para aquele “altar”.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    eu não disse um Museu sobre o Estado Novo, que também deveria existir. Disse um museu sobre Salazar. Rigoroso. E esse só pode ser em Santa Comba Dão. E se for rigoroso - não esquecendo a repressão do Estado Novo e o papel de de Salazar nele - não vejo como pode ser lugar de peregrinação.

  13. 13 13  F.Torres

    Apoio totalmente o seu ponto de vista.

  14. 14 14  Filipa

    Daniel Oliveira parece querer voltar ao modelo autárquico do Estado Novo em que todas as autarquias estavam sujeitas ao mesmo poder. O Daniel não reconhece o direito dos cidadãos de uma autarquia a fazer o que entenderem com a sua autonomia política. O Daniel acha que todas as decisões autárquicas devem estar sujeitas ao poder de um Estado democrático unitário.

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    Filipa,

    1. As autarquias recebem dinheiro do Estado central e ainda não são autonomias regionais.
    2. Espero que tenha consciência que o museu não poderá ser construído exclusivamente com dinheiros autárquicos.

  16. 16 16  Sinfonia do disparate consonante

    Está-se mesmo a ver que a garantia de rigor histórico teria de ser validada pelo Fernando Rosas, pelo Daniel Oliveira ou por alguém de confiança.

    Tudo fica bem para o Daniela desde que a ditadura dos outros possa ser substituída pela sua.

  17. 17 17  Daniel Oliveira

    Sinfonia, qual é a minha ditadura?

  18. 18 18  dass

    Concordo inteiramente. Justifica-se perfeitamente um museu, mas não um mausoléu. As reacções das duas facções de manifestantes em Santa Comba foi vergonhosa!

  19. 19 19  Filipa

    O Daniel tem duas e apenas duas opções. Ou é contra a intervenção do estado na cultura e na ciência, ou, sendo a favor, tem pelo menos que ser a favor do pluralismo e da diversidade no sistema público. Isto é, tem que exigir que o estado apoie projectos tão diversos quanto possível, o que terá que incluir tantos projectos de extrema esquerda como de extrema direita. Não que isso seja a melhor solução, porque as estruturas do estado estarão sempre dominadas por facções, mas pelo menos é mais coerente que criticar tudo o que o estado apoia de extrema direita e não criticar nada que o estado apoia de extrema esquerda. O PCP fez de uma campa, a da Eufémia, um mausuleo e ninguém disse nada !

  20. 20 20  Tardes de Bolonha

    É um disparate enorme comparar o busto de Eufémia com a intençao de se criar um espaço dedicado a Salazar.Catarina era uma camponesa,que foi assassinada gravida,nao era nenhuma dirigente politica.Nao estou aqui a fazer nenhuma apologia do PC.Estou apenas a distinguir uma martir do simbolo do regime culpado pela morte de Catarina.Mas como agora é moda colocar Salazar e Cunhal como duas faces da mesma moeda(incluindo alguns comentadores de “esquerda” ou da Esquerda Moderna)…

  21. 21 21  Sinfonia do disparate consonante

    No meu comentário onde se lê “Daniela” deverá ler-se “Daniel”. Foi um lapso.

    A ditadura do Daniel é a ditadura do pensamento que mais lhe convém. Servindo-se da máscara do “rigor histórico” o Daniel quer impor uma visão histórica, quer que a história vá ao encontro das suas crenças, da sua fé. Isto lembra-me o Ministério da Verdade no Mil novecentos e oitenta e quatro de Orwell.

  22. 22 22  Antonio M

    Suponho que o rigor historico seja um museo que fale unica e exclusivamente da PIDE e da censura….

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