A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) quer que o período normal de trabalho dos funcionários das suas empresas possa ser aumentado até às 60 horas semanais. Para além disso, prevê uma actualização salarial acumulada de um por cento em 2009 e 2010, e mais contratos a termo. Os sindicatos vão apresentar, hoje, um pré-aviso de greve para a véspera de Natal. Se os direitos dos trabalhadores dizem pouco alguns leitores talvez sejam sensíveis, neste momento, à defesa da família. É que para ela existir é preciso estar de vez enquando em casa.


31 respostas ao post “O Natal é da família, não é?”  

  1. 1 1  Antonio Cunha

    Sempre gostava de ver o Continente ou o Jumbo fechados no dia 24. É que gostava mesmo.

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  2. 2 2  Rafeiro Danado

    Tenho alguma dificuldade em comentar a proposta dos Belmiros. PqP!

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  3. 3 3  João Costa

    Com 60 horas de trabalho semanal, ainda sobra muita hora para estar com a família. 108 horas, pelas minhas contas.

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    Daniel Oliveira Reply:

    João Costa, se fizer directas sim, sobra imenso tempo. É brincar com os filhos às 3 da manhã.

  4. 4 4  Jaime Antunes

    Mas em Portugal o horário de trabalho não é de 40 horas?

    Qual é o problema? Querem que o pessoal trabalhe mais, paguem as horas extraordinárias!

    Não percebo a polémica e as ameaças de greve quando há leis que regulam isso.

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  5. 5 5  João Costa

    Daniel, se dormirem 8 horas por dia, dormem 56 horas por semana. Ficam a sobrar ainda 52 horas. Se brincarem 3 horas por dia com os filhos, brincam 21 horas por semana, coisa que duvido 10% dos pais faça. Ainda lhes restam 31 horas. Dá até para ter um blogue e perder uma hora por dia nele, que ainda lhes sobram 24 horas.

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    Daniel Oliveira Reply:

    Junte-lhe transportes, fazer compras, arrumar a casa, fazer o jantar e podem esquecer o resto da vida. Mas ainda assim, uma brutalidade de tempo, claro.

  6. 6 6  isagt

    Os portugueses não sabem ser unidos, nem era preciso greve, nós optávamos todos, por não ir lá, fazer as compras, até os sócios da APED tirarem da cabeça, tamanha injustiça, mas infelizmente, eles sabem que união, não é o forte do povo, conseguindo sempre dividir, para reinar e explorar.
    O comércio tradicional ficava a ganhar e se não forem os portugueses, a tentar fazer alguma coisa, daqui a pouco, com a desculpa da crise económica, ainda começam a obrigar alguns, a levar o edredom e a almofada, para passar a dormir no emprego.

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  7. 7 7  João Costa

    Daniel, como é evidente, estou a meter-me consigo, provocando-o. Claro que 60 horas é um excesso, mas desde que haja acordo entre as partes envolvidas e seja paga a retribuição extraordinária prevista, não vejo porque não possa ser praticado esse horário, em situações pontuais.

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  8. 8 8  Henrique Morais

    “Aqui trabalha-se muito, na EUA trabalha-se bem….”, dizia ja nao sei quem depois de uma temporada nos States. Ai esta a diferença. Podem por e tirar as horas que quiserem, nao vao resolver nada.

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  9. 9 9  Edgar Alain Prost

    Mas a produtividade não devia ter a ver com aquela coisa de criar mais riqueza com menos horas de trabalho? Enfim…
    Se os negócios à volta do Natal só se tornam realmente atractivos para uma empresa se os seus funcionários trabalharem 60 horas semanais, então o melhor é o país declarar falência de vez.

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  10. 10 10  Malack

    Naturalmente, caro João. Isso é o que está em causa. O empresariado da distribuição quer é por o pessoal a trabalhar extraordinariamente e pagar ordinariamente, o que não pode ser.

    Agora, claro que quem quiser trabalhar mais para receber mais temm todo o direito a fazê-lo e até se deve encorajar, creio eu. Eu, por exemplo, gostava de poder fazer horas extras todos os dias. Não me importava de trabalhar mais 2 ou três horas por dias, desde que me fossem pagas precisamente como são, horas extras.

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  11. 11 11  José Sejeiro

    # 1 António Cunha
    Os Belmiros não se importam nada com isso. Os clientes, sabendo da greve, vão lá de véspera. Os trabalhadores do dis 23 é que se lixam.

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  12. 12 12  Sérgio

    João Costa, não é bem isso que a APED pretende. Os patrõezinhos tugas não vão descansar enquanto não provocarem uns motins por esse Portugal fora. É isto o capitalismo?

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  13. 13 13  Helder

    Claro que isto é tudo “negociado” entre patrão o empregado. Do estilo , ou 60h ou porta da rua.

    Mais triste ainda é haver quem acredite que as horas são pagas em conformidade com a lei .
    Queres em ajudas de custo ou em kms ? ou em portas??

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  14. 14 14  Blondewithaphd

    Sendo assim, que tal um programa estilo: a família vai ter consigo? Ele há com cada uma! E depois falam das gerações que não se substituem…

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  15. 15 15  David

    Ganham mal, Belmiros e quejandos querem que trabalhem ainda mais e sem receberem pelo trabalho extraordinário. E vem a APED, hipocritamente, dizer que a greve não se justifica porque estão a decorrer as negociações. Mas forma de luta “gira”, embora impraticável, era fazer greve às caixas e deixar o pessoal sair sem pagar as compras!

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  16. 16 16  Antónimo

    Os sindicatos levam ainda por cima com exigências de responsabilidade que lhes dificultam a acção.

    Porque não apelar ao boicote – Cliente, evite ir às compras nesses dia e noutros – ou ao excesso de zelo no atendimento, gerando bichas brutais nas caixas e nos sítios de pesagem?

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  17. 17 17  Jaculina

    O problema aqui está no novo código do trabalho, que veio permitir esta barbaridade. A APED só está a cavalgar a onda.
    No entanto, não acredito que a maioria dos trabalhadores dos hipers esteja em posição de fazer greve. Tomara que estivessem. Era sinal que em Portugal os direitos de quem trabalha ainda valiam alguma coisa.

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  18. 18 18  joaquim azevedo

    Subscrevo o comentário da Jaculina #19.
    Muitos estão a opinar de cor. O que se passa é que o Código do Trabalho está a ser aplicado em todo o seu esplendor. Por isso o sr da APED afirma que não está a propor nada ilegal. Pois não, ele está apenas a usar a lei que a maioria PS aprovou na AR, nada mais. Mas ainda há quem pense que o PS é um partido de esquerda, enfim…
    Obviamente que, tal como afirma a Jaculina, os trabalhadores dos hipers não têm condições para levarem a cabo uma luta destas. Sabe disto a Jaculina, sei eu, sabe qualquer pessoa minimamente atenta à realidade e sabem-no, por maioria de razão, os sindicatos do comércio. Simplesmente, perante tal afronta do patronato capitalista predador, os sindicatos não têm como reagir doutra maneira. É um risco enorme mas que tem de ser corrido, sob pena de a partir daqui valer tudo. As chantagens vão ser muitas, ninguém duvide. E os primeiros aliados que os abutres vão tentar conquistar para a causa da exploração desenfreada, vão ser “os consumidores”, ou seja, nós.
    Logo, nós podemos ter uma palavra a dizer nesta história…

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  19. 19 19  Emanuel

    Na indústria textil falam de retirar subsídio de Natal e de férias. À custa da crise há mt patrão a tentar tirar proveito. A produtividade portuguesa tem mais a ver com a gestão e patrões que com trabalhadores. Qualquer um que esteja perto da direcção de uma empresa conhece problemas de má gestão e de desperdício de dinheiro. É aí que estão os problemas de gestão…

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  20. 20 20  Sérgio

    Por outro lado quanto mais pisarem mais se aproxima o dia do ajuste. Depois quando os carros começarem a ser virados virão os do costume a lamentar que tais coisas ocorram num país supostamente civilizado.

    Até na China, numa escala diferente é certo, o PCC já se apercebeu que não pode manter o povo chinês a trabalhar ad aeternum por meia chávena de arroz por mês.

    Casos como este têm-se repetido: http://www.businessweek.com/globalbiz/blog/eyeonasia/archives/2009/07/rioting_chinese.html

    E cá na Europa já faltou mais…

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  21. 21 21  JP

    Já estou como o Vasco Graça Moura:
    Votaram neles, então agora besuntem-se!

    Quantos dos trabalhadores que agora se queixam (e bem) votaram no PS/PSD/CDS e aprovaram com isso as alterações que estes provocaram ao Código do Trabalho?

    Quantos deles passam a vida a encher a boca e a dizer que “os políticos são todos iguais”?

    Pois bem, o resultado está aí. Agora já é tarde para vir chorar.

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  22. 22 22  Antónimo

    Se não podem fazer greve, mais um motivo para o sindicatos irem pensando em organizar boicotes económicos e para os trabalhadores entrarem em processo de ronha e zelo, menos perceptível

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  23. 23 23  fidel

    “A produtividade portuguesa tem mais a ver com a gestão e patrões que com trabalhadores. Qualquer um que esteja perto da direcção de uma empresa conhece problemas de má gestão e de desperdício de dinheiro.”

    que grande verdade camarada!
    quem puder e quiser que pergunte na PT que raio se passa numa das suas empresas, com muito nome no mercado, que neste momento é um autentico manual de como não gerir uma empresa e de como atropelar todos os direitos dos trabalhadores. É um verdadeiro case study.

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  24. 24 24  Rosinha dos limões

    As 60 Horas estão incluídas no Código de Trabalho em vigor. O parlamento europeu, (posteriormente,) se não estou em erro, votou contra este normativo laboral, precisamente pelas injustiças que acarreta para a vida familiar dos trabalhadores e pelo abuso de poder dos mais fortes sobre os mais fracos, numa época de grande desemprego.
    No final do século XIX, alguém chamou a isto “exploração”. Palavra feia, que ninguém quer hoje ouvir.
    Os deputados do PS/PCP/Bloco votaram contra.
    Não sei o que faz esta regulamentação em vigor em Portugal.
    Ou estou mal informada, ou o Governo em concluio com o patronato, está a ignorar o facto.
    No caso do sector da distribuição (um dos que mais explora os trabalhadores), não era de esperar outra coisa.
    Espero que ao menos a Ministra do Trabalho tenha a decência de chamar esta gente à razão.
    Infelizmente os consumidores não serão nunca a arma de defesa dos trabalhadores. Somos todos mais ou menos “dependentes” daquelas casas. Ninguém pensa nas horas de trabalho do CAIXA, quando tem de pagar a conta.
    E a APED e os Belmiros e os Jerónimos sabem-no muito bem.
    Como também sabem que “os seus trabalhadores” não fazem greve. Pois não. Mais de metade são contratados a termo ou temporários. Espera-os a porta da rua. Aos outros, igual saída terão, mais cedo ou mais tarde.
    O direito à greve está consagrado. A greve não. Só faz quem pode. Os funcionários públicos, por exemplo.
    Os direitos, liberdades e garantias não se instituem somente através das leis, mas das condições para os cidadãos os exercerem . A greve é um desses casos.
    Para que liberdade e direitos nos estamos a deixar encaminhar,mansamente, em nome das crises económicas e financeiras que eles, os capitalistas, arranjam, insaciáveis na ganância.
    Para reflectir. Vai valer tudo???

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  25. 25 25  Joao da Silva

    Trabalhar 60 horas por semana, implica trabalhar 6 dias a 10 horas.
    Levantas-te as 6,30 da manha, para te preparares sais de casa as 7,30, com sorte levas uma hora para chegar ao emprego, tomas um cafe, de manha trabalhas das 9 as 13, uma hora para almoco, de tarde das 14 as 20, depois com mais sorte ainda chegas a casa as 21, fazes o jantar, e comes as 22, ou vais para a caminha logo e fazes a digestao a dormir, ou ficas uma hora a ver a miseravel televisao a que tens direito. depois eh esperar por o dia de descanso que vais ter e que passa a correr, onde aproveitas para por o sono em dia.
    Tempo para os filhos?
    Alguem anda a gozar connosco!
    ja agora digam aos senhores da APED para porem na entrada das suas empresas a famigerada frase:
    “ARBEIT MACHT FREI”

    Sacanas de merda!

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    Daniel Oliveira Reply:

    João Silva, com as duas horas de almoço possíveis (estou a dar dados do sindicato) pode chegar a 14 horas por dia no local de trabalho.

  26. 26 26  José Costa

    Eu acho que o melhor era acabar com o problema de uma vez por todas.

    Metiam-se os trabalhadores num senzala com a família e chamavam-se-lhe escravos.

    Aí é que era! Salários nada, trabalho muito e de direitos, a comidinha e o tecto… Ah e a chibata se se portassem mal.

    E no Natal ração reforçada para tb não dizerem que o patrão não é amigo.

    Parece que a proibição que vigora desde os tempos do Marquês de Pombal de não haver escravos em território nacional está para acabar…

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  27. 27 27  Juca

    60H semana é muita coisa…

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  28. 28 28  joaquim azevedo

    Este post está um pouco desequilibrado, parece-me. Faltam aqui os adeptos do Capital a defender os “empreendedores” e o código do trabalho. Estranho!

    Rosinha #26, você está certa em parte. É verdade que o Parlamento Europeu não aprovou essa história das 60 horas. Mas, o nosso código do trabalho prevê essa possibilidade em determinadas circunstâncias ditas de excepção. Acontece que neste caso particular a questão tem outros contornos. Está em negociação um novo contrato colectivo de trabalho para o sector do comércio e o patronato, aproveitando mais uma benesse do Código que tem a ver com a caducidade dos contratos colectivos, encosta os trabalhadores à parede com este tipo de propostas. Invocam, por exemplo, o chamado banco de horas, cuja prática já é corrente em muitas empresas. Mas fazem-no de uma forma completamente abstrusa que consiste em avisar o trabalhador no dia anterior ou no próprio dia em que está a laborar que ele (trabalhador) tem de ficar mais horas a trabalhar.
    Em suma, o Código do Trabalho, como alguns avisaram, é um ataque sem precedentes aos direitos e à dignidade de quem trabalha. Poucos quiseram dar ouvidos a quem alertou para estas possibilidades, agora as consequências começam a aparecer. E é bom que nos convençamos de que isto é apenas o início.

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