Vale a pena ler este texto de fundo, que nos dá o contexto histórico do que se passa em Gaza, de Avi Shlaim, professor de relações internacionais na Universidade de Oxford e autor de The Iron Wall: Israel and the Arab World and of Lion of Jordan: King Hussein’s Life in War and Peace. Publicado no Guardian e traduzido pelo Esquerda.net que tem republicado em português muito do que de me lhor se tem escrito sobre o Gaza e o conflito no Médio Oriente.

“A única forma de dar sentido à guerra insensata de Israel em Gaza é através da compreensão do contexto histórico. Estabelecer o Estado de Israel em Maio de 1948 implicou uma enorme injustiça para os palestinianos. As autoridades britânicas ressentiram-se amargamente do apoio americano ao novo Estado. No dia 2 de Junho de 1948, Sir John Troutbeck escreveu ao secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Ernest Bevin, que os americanos eram responsáveis pela criação de um Estado gangster encabeçado por um “grupo de líderes totalmente sem escrúpulos”. Eu achava esta opinião demasiado severa, mas o cruel ataque de Israel ao povo de Gaza e a cumplicidade da administração Bush reabriram a questão.

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Escrevo como alguém que serviu fielmente no exército israelita na década de 60 e que nunca questionou a legitimidade do Estado de Israel nas suas fronteiras antes de 1967. O que eu rejeito veementemente é o projecto colonial sionista para além da Linha Verde. A ocupação da Cisjordânia e da Faixa de Gaza no rescaldo da guerra de Junho de 1967 teve pouco a ver com segurança e muito a ver com expansão territorial. O objectivo era estabelecer o Grande Israel através do controlo político, económico e militar permanentes dos territórios palestinianos. O resultado foi uma das mais prolongadas e brutais ocupações militares dos tempos modernos.

Quatro décadas de controlo israelita causaram danos incalculáveis à economia da Faixa de Gaza. Com uma grande parte da população de refugiados de 1948 encaixados numa pequenina faixa de terra, sem infra-estruturas ou recursos naturais, as expectativas de Gaza nunca foram brilhantes. Contudo, Gaza não é um simples caso de subdesenvolvimento, mas sim um caso inigualável de cruel deliberação de não-desenvolvimento. Usando a expressão bíblica, Israel tornou o povo de Gaza de colectores de madeira e extractores de água, numa fonte de trabalho barato e num mercado cativo para os bens israelitas. O desenvolvimento da indústria local foi activamente impedido de modo a que se tornasse impossível aos palestinianos acabar com a sua subordinação perante Israel e estabelecer as bases económicas necessárias para um verdadeira independência política.

Gaza é um caso clássico de exploração colonial na era pós-colonial. Os colonatos judeus nos territórios ocupados são imorais, ilegais e um obstáculo insuperável à paz. São simultaneamente um instrumento de exploração e um símbolo da odiada ocupação. Em Gaza, os colonos judeus eram apenas 8.000 em 2005, em comparação com 1,4 milhões de residentes locais. Todavia, os colonos controlavam 25% do território, 40% da terra arável e parte de leão das escassas fontes de água. Ombro a ombro com estes intrusos estrangeiros, a maioria da população local vivia na mais abjecta e inimaginável pobreza. Oitenta por cento ainda hoje subsiste com menos de dois dólares por dia. As condições de vida na Faixa continuam a ser uma afronta aos valores civilizados, um poderoso incentivo à resistência e um terreno fértil para o extremismo político.

Em Agosto de 2005, um governo do Likud liderado por Ariel Sharon encenou uma desocupação unilateral de Gaza, retirando os 8.000 colonos e destruindo as casas e quintas que deixaram para trás. O Hamas, movimento de resistência islâmica, conduziu uma campanha eficaz para expulsar os israelitas de Gaza. A retirada foi um humilhação para as Forças de Defesa Israelitas. Para o mundo, Sharon apresentou a retirada como uma contribuição para a paz baseada numa solução de dois Estados. Mas, no ano seguinte, outros 12.000 israelitas estabeleceram-se na Cisjordânia, reduzindo ainda mais a possibilidade de um Estado Palestiniano Independente. Ocupar terras e fazer a paz são coisas simplesmente incompatíveis. Israel teve escolha, e escolheu a terra em vez da paz.

O verdadeiro objectivo da jogada foi redesenhar as fronteiras do Grande Israel, incorporando os principais colonatos da Cisjordânia no Estado de Israel. A retirada de Gaza não foi então um prelúdio para um acordo de paz com a Autoridade Palestiniana, mas um prelúdio para uma maior expansão sionista na Cisjordânia. Foi uma decisão unilateral israelita, empreeendendo o que foi visto, erroneamente na minha opinião, como uma acção no interesse nacional israelita. Ancorada na rejeição de uma identidade nacional palestiniana, a retirada de Gaza foi parte de um esforço a longo prazo para negar ao povo palestiniano qualquer existência política independente na sua terra.

Os colonos de Israel foram retirados, mas o soldados israelita continuaram a controlar o acesso à Faixa de Gaza por terra, mar e ar. Gaza foi rapidamente convertida numa prisão a céu aberto. A partir daqui, a Força Aérea Israelita obteve a liberdade total para lançar bombas, fazer voos rasantes a baixa altitude e quebrar a barreira do som para aterrorizar os desgraçados habitantes desta prisão.

Israel gosta de se retratar como um farol da democracia num mar de autoritarismo. No entanto, Israel nunca fez nada para promover a democracia no lado Árabe, e fez tudo para a destruir. Israel tem uma longa história de colaboracionismo secreto com regimes árabes reaccionários para suprimir o nacionalismo palestiniano. Apesar de todos os defeitos, o povo palestiniano conseguiu construir a única democracia genuína no mundo árabe, com a possível excepção do Líbano. Em Janeiro de 2006, as eleições livres e justas para o Conselho Legislativo da Autoridade Palestiniana trouxeram ao poder um governo liderado pelo Hamas. Contudo, Israel recusou-se a reconhecer o governo democraticamente eleito, afirmando que o Hamas é simples e unicamente uma organização terrorista.

De uma forma vergonhosa, os E.U.A e a União Europeia associaram-se a Israel para ostracizar e demonizar o Hamas, e para tentar derrubá-lo através da suspensão de receitas fiscais e da ajuda externa. Ocorreu assim, uma situação surreal, com uma significativa parte da comunidade internacional impondo sanções económicas, não contra a ocupação, mas contra os ocupados, não contra o opressor, mas contra o oprimido.

E assim, como tem sucedido frequentemente na história trágica da Palestina, as vítimas foram culpadas pelo seu próprio infortúnio. A máquina de propaganda de Israel faz passar a mensagem de que os palestinianos são terroristas, que rejeitam a coexistência com o estado Judaico, que o seu nacionalismo é um pouco mais que anti-semitismo, que o Hamas são um monte de fanáticos religiosos e que o Islão é incompatível com a democracia. Mas a verdade pura e simples é a de que os palestinianos são pessoas normais, com aspirações normais. Não são melhores nem piores que qualquer outro grupo nacional. Acima de tudo o que desejam é um pedaço de terra a que possam chamar seu e onde possam viver em liberdade e dignamente.

O Hamas, à semelhança de outros movimentos radicais, começou a moderar o programa político depois de subir ao poder. Partindo do rejecionismo ideológico do seu programa, começou a mover-se no sentido de uma acomodação mais pragmática à solução dos dois estados. Em Março de 2007, o Hamas e a Fatah formaram o governo de unidade nacional que estava preparado para negociar um cessar-fogo de longo prazo com Israel. Contudo, Israel recusou-se a negociar com um governo que incluísse o Hamas.

Israel continuou o jogo de dividir para reinar entre as facções palestinianas rivais. No final dos anos 80, Israel tinha apoiado o emergente Hamas com vista ao enfraquecimento da Fatah, o movimento nacionalista secular liderado por Yasser Arafat. Agora, encoraja os corruptos e dóceis lideres da Fatah a derrubar os seus adversários políticos e religiosos e recuperar o poder. Os agressivos neoconservadores norte-americanos participaram na sinistra trama de instigar uma guerra civil palestiniana. A sua manobra foi um factor fundamental no colapso do governo de unidade nacional e levou a que em Junho de 2007 o Hamas tomasse o poder em Gaza, para prevenir um golpe da Fatah.

A Guerra desencadeada por Israel em Gaza a 27 de Dezembro foi o culminar de uma série de choques e confrontos com o governo do Hamas. No entanto, num sentido mais lato, é uma guerra entre Israel e o povo palestiniano, porque o povo elegeu o partido no poder. O objectivo declarado da guerra é enfraquecer o Hamas e intensificar a pressão até que os seus líderes concordem com um novo cessar-fogo nos termos impostos por Israel. O objectivo não declarado é assegurar que os palestinianos em Gaza sejam vistos pelo mundo como apenas mais um problema humanitário, e assim sabotar a sua luta pela independência e a criação de um Estado.

O momento em que a Guerra despoletou foi determinado por conveniência política. Estão marcadas eleições gerais para 10 de Fevereiro e todos os principais candidatos procuram uma oportunidade para provar como são duros. As altas patentes do exército já engendravam algo para desferir um duro golpe no Hamas, de forma a limpar a nódoa deixada na sua reputação pelo falhanço da guerra contra o Hezbollah no Líbano em Julho de 2006. Os cínicos líderes israelitas podiam também contar com a apatia e impotência dos regimes árabes pró-ocidentais e com o apoio cego por parte do presidente Bush no final do seu mandato na Casa Branca. Bush prontamente apoiou o ataque, colocando todas as culpas pela crise no Hamas, vetando as propostas do Conselho de Segurança das Nações Unidas para um cessar-fogo imediato e dando carta branca a Israel para lançar uma invasão terrestre a Gaza.

Como sempre, o poderoso Israel clama ser a vítima de agressões palestinianas, mas a completa assimetria de poder entre ambos os lados deixa pouco espaço para dúvidas sobre quem é a verdadeira vítima. Este é de facto um conflito entre David e Golias, mas a imagem bíblica foi invertida – um pequeno e indefeso David palestiniano enfrenta um altamente armado, impiedoso e dominador Golias israelita. O recurso à força militar severa é acompanhado, como sempre, pela estridente retórica de vitimização e revestida de uma mistura de auto-comiseração e afirmação de superioridade moral pelos seus actos. Em hebreu, isto é conhecido como a síndrome de bokhim ve-yorim, “chorar e disparar”.

É claro que o Hamas não é um movimento inteiramente inocente neste conflito. Tendo-lhe sido negado o fruto da sua vitória eleitoral e estando confrontado com um adversário sem escrúpulos, recorreu às armas dos fracos – o terror. Os militantes do Hamas e da Jihad Islâmica continuaram a lançar ataques de rockets caseiros Qassam contra os colonatos israelitas perto da Faixa de Gaza, até ao passado mês de Junho, quando o Egipto mediou um cessar-fogo de seis meses. Os danos causados por esses rockets primitivos são mínimos, mas o impacto psicológico é imenso, incitando o povo israelita a exigir protecção do seu governo. Nessas circunstâncias, Israel tinha o direito de actuar em autodefesa, mas a sua resposta às alfinetadas dos rockets foi completamente desproporcional. Os factos falam por si. No decorrer de três anos depois da retirada de Gaza, 11 israelitas foram mortos pelo fogo destes rockets. Do outro lado, só e apenas entre 2005 e 2007, a IDF (Força de Defesa de Israel) matou 1,290 palestinianos em Gaza, entre os quais 222 crianças.

Independentemente dos números, a matança de civis está errada. Esta regra aplica-se tanto a Israel como ao Hamas, mas o historial inteiro de Israel é de uma brutalidade desenfreada e incessante para com os habitantes de Gaza. Israel também manteve o bloqueio da Gaza depois que o cessar-fogo entrou em vigor, o que, do ponto de vista dos líderes do Hamas, constitui mais uma violação do acordo. Durante o cessar-fogo, Israel impediu toda a exportação desde a faixa, em clara violação de um acordo de 2005, levando a uma aguda diminuição das oportunidades de emprego. Oficialmente, 49.1 % da população está desemprega. Ao mesmo tempo, Israel restringiu drasticamente o número de camiões que transportam comida, combustível, botijas de gás de cozinha, fornecimento de água de beber e para o saneamento, e mantimentos médicos para Gaza. É difícil perceber como ao esfomear e congelar os civis de Gaza se pretende proteger as pessoas do lado israelita da faixa. Mas, mesmo se assim fosse, ainda seria imoral, seria uma forma da punição colectiva que é estritamente proibida pelas leis humanitárias internacionais.

A brutalidade dos soldados de Israel está completamente aliada à desonestidade dos seus oradores. Oito meses antes de lançar a guerra actual contra Gaza, Israel criou um Directório Nacional de Informações. As principais mensagens deste directório para os média são que o Hamas quebrou os acordos do cessar-fogo, que o objectivo de Israel é a defesa da sua população e que as forças de Israel estão a ter o máximo de cuidado para não atingir civis inocentes. Os doutos em manipulação de Israel foram notavelmente bem sucedidos na divulgação destas mensagens. Mas, na sua essência, esta propaganda é um pacote de mentiras.

Um fosso profundo separa a realidade das acções de Israel da retórica dos seus oradores. Não foi o Hamas, mas o IDF que quebrou o cessar-fogo. Fê-lo com um raide em Gaza no dia 4 de Novembro que matou seis homens do Hamas. O objectivo de Israel não é apenas defender a sua população, mas derrotar finalmente o governo Hamas em Gaza, voltando o povo contra os seus soberanos. E, longe de ter o cuidado de poupar civis, Israel é culpado do bombardeio indiscriminado e de um bloqueio de três anos que levou os habitantes da Gaza, agora 1.5 milhões, à beira de uma catástrofe humanitária.

A injunção Bíblica de olho por olho é bastante selvagem. Mas a ofensiva insana de Israel contra Gaza parece seguir a lógica de olho por pestana. Depois de oito dias de bombardeio, com um custo de mais de 400 palestinianos e quatro Israelitas mortos, o zeloso gabinete encomendou uma invasão terrestre de Gaza cujas consequências são incalculáveis.

Nenhuma escalada militar pode comprar a imunidade de Israel dos ataques de rockets da ala militar do Hamas. Apesar de toda a morte e destruição que Israel lhes infligiu, eles mantiveram a sua resistência e continuaram disparando os seus rockets. Isto é um movimento que glorifica a vitimização e o martírio. Não há simplesmente nenhuma solução militar para o conflito entre as duas comunidades. O problema com o conceito de segurança de Israel é que ele nega até a mais elementar segurança da outra comunidade. O único caminho de Israel para obter segurança não é pelo tiroteio, mas por meio do diálogo com o Hamas, que declarava repetidamente a sua prontidão para negociar um cessar-fogo a longo prazo com o estado judaico dentro das suas fronteiras de 1967 de 20, 30, ou até de 50 anos. Israel rejeitou esta proposta pela mesma razão que desprezou o plano de paz de 2002 da Liga árabe, que está ainda na mesa: implica concessões e compromissos.

Este breve historial das quatro décadas passadas faz com que seja difícil resistir à conclusão de que Israel se tornou um estado pária “com um grupo de líderes completamente sem escrúpulos”. Um estado pária habitualmente viola a lei internacional, possui armas de destruição em massa e pratica o terrorismo – o uso da violência contra civis com objectivos políticos. Israel cumpre todos esses três critérios; o barrete ajusta-se e ele deve usá-lo. O verdadeiro objectivo de Israel não é a coexistência pacífica com os seus vizinhos palestinianos, mas a dominação militar. Continua compondo os erros do passado com novos erros ainda mais desastrosos. Os políticos, como qualquer pessoa, são naturalmente livres de repetir as mentiras e os erros do passado. Mas não é obrigatório fazer assim.”

7 de Janeiro de 2009


28 respostas ao post “O objectivo de Israel não é a paz, mas o domínio militar”  

  1. 1 1  Ar.

    para os ardentes defensores de israel UN: IDF officers admitted there was no gunfire from Gaza school which was shelled http://www.haaretz.com/hasen/spages/1054009.html

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  2. 2 2  António Ferreira

    Parece que está totalmente fora de questão o Hamas parar de atirar qassams contra as populações civis do sul de Israel. Não sei se repararam mas a única justificação apresentada por Israel para o ataque a Gaza foi o envio desses qassams. E não sei se repararam mas os qassams continuam a chover. Por isso, seus imbecis, não acham que seria boa ideia parar de disparar o caralho dos qassams? (até porque não obtiveram nada com isso, a não ser o pretexto para uma guerra)

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  3. 3 3  hb

    o artigo é bastante bom…

    copiei para meu blog.

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  4. 4 4  Levy

    “Eu achava esta opinião demasiado severa, mas o cruel ataque de Israel ao povo de Gaza e a cumplicidade da administração Bush reabriram a questão.”

    Não seja cinico. Você sempre achou isso. Eu é que sempre achei que você não achava. Há medida que o tempo e as suas postas vão sendo públicadas estou cada vez mais convencido que você é anti-israelita. Escusa de se ofender, porque não é para o ofender e ser “anti-israelita” não é nenhum crime. Pode se-lo a vontade. O que convinha era declara-lo de uma vez por todas, para se saber com quem estamos a falar.

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  5. 5 5  SENHOR CIRCUNSPECTO

    Bom post, bem historiado, só há um pormenor importante que deveria ter sido lembrado como causa directa e passo táctico da nova agressão israelita: as reservas de gás ao longo da costa da faixa de gaza. Se o controlo da água era um dos objectivos primários da guerra de há dois anos no Líbano, agora temos gás.

    Ó Levy, e você, não é anti-nada? Para já, o que me salta à vista como óbvio é que você é anti Hamas, no mínimo, e antipalestiniano até à quinta geração em toda a sua simplicidade máxima.

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  6. 6 6  O Psiquiatra de serviço

    Alguém se terá esquecido repentinamente do conceito de “proporcionalidade”?
    Ainda não percebi o que alimenta um questiúncula em que os factos esmagam os argumentos. Neutralizar os pontos de lançamento de rockets é um acto de legítima defesa, direito que assiste a qualquer estado do mundo. Agora matar indiscriminadamente populações é crime de guerra. E nada me convence de que, para Israel, quanto menos palestinianos em Gaza melhor. E é isso o que está a acontecer. Potenciar, rentabilizar, tirar o máximo partido dos rockets do hamas, matando o maior número possível de palestinianos.
    Não acredito que Israel, com toda a tecnologia militar de que dispõe, não tivesse tido meios mais eficazes de, cirurgicamente, eliminar os seus inimigos. Os factos levam-nos a ver que para Israel os inimigos são os palestinianos, de forma praticamente indiscriminada.
    Tenham paciência e olhos na cara, porque o valor da vida não flutua conforme a raça, fé ou nacionalidade. É absoluto e ponto final!

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  7. 7 7  João Costa

    Daniel, estranho muito que a para ilustrar este post não tenha colocado uma fotografia com mulheres e crianças. Olhe que estes lapsos não lhe ficam bem.

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  8. 8 8  O Psiquiatra de serviço

    PS: a facilidade e a familiaridade com que Cymerman se movimenta no governo e no exército israelita, no mínimo, legitima dúvidas. Acho que Cymerman não é tendencioso. Limita-se apenas a divulgar o lado israelita da questão, como se fosse uma espécie de relator oficial, porta-voz, ou coisa equivalente.

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  9. 9 9  Miguel F. Carvalho

    palmas Daniel!!

    o uso destas fotos vai ao encontro dos portugueses que adoram ver sangue!!

    pena é que não tenhas colocado há uns meses atrás as da chacina entre o Hamas e a Fatah… ou vídeos dos fuzilamentos…

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  10. 10 10  Bolota

    “ Pena é que não tenhas colocado há uns meses atrás as da chacina entre o Hamas e a Fatah… ou vídeos dos fuzilamentos…”

    Miguel F. Carvalho,

    O que tem o ku a ver com as calças???
    Se o Hamas e a Fatah fizeram o diz e, se fizeram fizera mal, legítima a chacina de 3 semanas dos Israelita sobre Palastinianos???

    “ o uso destas fotos vai ao encontro dos portugueses que adoram ver sangue!! “

    Já vi que Miguel F. Carvalho deve ser marroquino…por ai, já que não gosta da foto.
    Já agora por foto, a mesma retrata alguma falsidade ou é real??? È que há por ai quem duvide da veracidade dos facto e outros que nem acreditam em imagens.

    Por certo esta gente, você incluído, não tem certezas que o homem foi á lua, já que não estavam lá.

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  11. 11 11  nuno castro

    não consigo perceber o que defendem os defensores de israel neste conflito. Para além da hipocrisia habitual e das acusações ranhosas de anti-qualquer coisa, o que defendem eles verdadeiramente?

    gostava de ter uma resposta minimamente inteligente e sóbria de um qualquer “Levy” que por aqui poste.

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  12. 12 12  Levy

    5 # “Ó Levy, e você, não é anti-nada?”

    Do assunto em discussão, não!

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  13. 13 13  lorelei

    #4
    Sr Levy, a citação que usa é do próprio autor do artigo. Tente lê-lo na íntegra.

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  14. 14 14  cc

    fotografia espantosa! o fotógrafo em vez de socorrer o ferido prefere fotografar o seu sofrimento, para dar a conhecer ao mundo o horror que se vive na faixa de gaza. fotografia bem escolhida, por si DO. você DO procederia como o fotógrafo?

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  15. 15 15  Levy

    13 # lorelei

    Tem razão, obrigado. Fui enganado pelas aspas.

    Retiro a posta 4.

    Vou fazer férias deste blogue.

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  16. 16 16  Pedro Sales

    CC,

    Como é normal não sei em que circunstâncias é que esta foto, que estava hoje em grande destaque no Guardian, foi tirada, mas perceberá que o fotógrafo poderia estar a várias dezenas de metros. Os fotógrafos profissionais não usam máquinas compactas, usam objectivas que custam quase tanto como um carro.

    Mais a mais, esse critério significa que não pode haver fotojornalismo de guerra.

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  17. 17 17  A.R.A

    NEM MAIS!

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  18. 18 18  Su

    Caro psiquiatra, folgo encontrá-lo por aqui. O seu comentário arranca bem, termina melhor mas pelo meio suscita-me muitas dúvidas.
    É óbvio que Israel não anda a matar palestinianos indiscriminadamente enquanto móbil. Caso contrário, se fosse essa a sua intenção, com os meios de que dispõem o número de mortes desta ofensiva não andaria pelas nove centenas, mas pelas centenas de milhares… Isto é uma constatação. Em segundo lugar, com o recurso sistemático que o Hamas faz a escudos humanos, é virtualmente impossível a qualquer exército conseguir atingir os seus objectivos sem danos colaterais. Que são mesmo isso, mas é uma m****, porque se tratam de vidas. Repare, enquanto que aos israelitas não convém nada matar civis e eles evitam-no (a opinião pública está tendendo a culpar israel e o nº de mortes desta ofensiva são pedras no seu sapato); ao Hamas até convém! Utilizam os civis como escudo e depois quando morrem ainda têm cobertura mediática a seu favor… Hediondo, não é?

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  19. 19 19  Confucio

    Já agora, algum dos iluminados me faz o favor de esclarecer, qual é o objectivo do Hamas?

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  20. 20 20  Zézé

    2# António Ferreira:

    os Kassans só pararão quando as fronteiras de Gaza e o bloqueio marítimo e aéreo forem levantados de forma permanente e definitiva. Foi exactamente para obter o levantamento desse bloqueio (que é um acto de guerra e violação da trégua) que os kassans começaram a ser disparados… e o Hamas têm ainda milhares. Quanto aos mais de 1000 mortos verificados entre os civis de Gaza (onde não há exército, pelo que todos, mesmo a polícia, são civis), esses crimes serão exemplarmente punidos após a libertação da Palestina. Não serão esquecidos.

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  21. 21 21  Zézé

    # 19, ó Confúcio, é simples:

    O objectivo do Hamas é libertar a a Palestina, (do Jordão ao mar) da ditadura racista apartheidesca, do estado (só) judeu, para aí estabelecer uma democracia laica para todos os palestinianos (muçulmanos, judeus e cristãos) com base no princípio base da democracia: ONE MAN,ONE VOTE.

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  22. 22 22  Zézé

    Ó Levy, você é mesmo nazi (NAzional-ZIonisten) ? Acredita mesmo nesse merda do “povo eleito” com poderes sobre as terras dos outros, dos subhomens ? E também estende o braço, batendo os tacões, ao gritar “HEIL ISRAEL” ?

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  23. 23 23  José Henriques

    Eu cá não gosto muito do Hamas, (não esqueço que foram apoiados por Israel para combater a Fatah) mas nem tenho que gostar. Foram legitimamente eleitos e as “democracias” americana e israelita apressaram-se a mrimbar-se para isso. Mas para se matar um chefe do Hamas, é legítimo matar a família toda? Essa era a lógica dos nazis, ou não era?

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  24. 24 24  Raquel

    Interessante, este artigo de Shlaim. Louvemos a atitude pedagógica do Daniel. Se fosse sempre assim, provavelmente teríamos debates mais bem informados acerca desta infindável tragédia.

    Consideremos então a tese de Shlaim. Primeira e mais importante premissa do seu argumento: o likud é dominado pelos ultra radicais sionistas. (ele não diz isto aqui mas noutro paper que podem obter na net)

    Seja como for, presume que o Greater Israel é o objectivo estratégico do estado israelita. Quem é que defende a noção de GI em Israel? Quase ninguém! Quem o defende são judeus ultra radicais, considerados terroristas pelas forças de segurança, devidamente encarcerados por estas e continuamente vigiados. Há uns tempos atrás li, julgo que no The Economist, um texto do chefe do Shin Bet (serviços secretos militares) em que dizia que considerava os radicais judeus tão ou mais perigosos do q os radicais islâmicos.

    Ou seja, como é que Israel pode implementar uma política inspirada pela noção de Great Israel quando quase ninguém defende este projecto??

    Como é que um grupo político marginal, sem qualquer capital eleitoral, consegue dominar um partido governo? Não me parece.

    Segunda questão, foi o likud que expulsou os colonatos de Gaza e (não totalmente) do west bank (faltam muitos). Se os radicais controlassem o likud, presumo que o likud não teria conseguido o que conseguiu, a sua expulsão.

    Esta constatação deita por terra o argumento de que é a noção de Great Israel, tão propalada por Shlaim como o leitmotif de toda esta tragédia, que inspira as acções do estado israelita.

    Shlaim afirma q Sharon “retirou” da faixa de gaza.

    Isto é uma mentira pegada. Porquê?? meses e anos antes a situação em gaza (para o exercito israelita) havia sido bastante pior. O que é q Sharon fez???? Nada. Não saiu de Gaza. Ora, isto leva-nos a pensar que Shlaim está errado. As causas da saída de gaza tem que ver com outras questões, na minha opinião, uma delas sendo a ilusão imbecil de que a fatah ganharia as eleições!! (entre outras).

    Para concluir: ” O Hamas, à semelhança de outros movimentos radicais, começou a moderar o programa político depois de subir ao poder. ”

    Isto é pura mentirada. Visitem o site do memri.tv e encontrarão n n n transmissões televisivas do hamas (nada melhor do q citar fontes originais) que “moderou” o seu discurso após a vitória eleitoral. o hamas moderou tanto tanto tanto os eu discurso que interpretou a saída de israel como uma derrota. Esta pretensa “vitória” acirrou-lhes os ânimos, levou-lhes a adquirir milhares de rockets do irao e da siria….esta tese de Shlaim é absurda!

    Concluo com um outro numero: desde 1996…6500 rockets atingiram Israel. Neste particular, assim como em alguns outros (poucos) Shlaim tem razão: por ora, não se trata das mortes Israelitas. Trata-se sim do medo generalizado causado pelos omnipresentes rockets, um medo sentido de norte a sul, que de facto paralisou o país. Ou será que Israel só poderia invocar o direito de defesa se milhares de israelitas forem mortos??

    Seria interessante continuar a conversa.

    Só mais um detalhe: o “polícia” q aparece na fotografia é muito mais do que um polícia: pertence ao hamas, organização que, desde sempre, defende a obliteração do estado israelita.

    Foram estes “polícias” que mataram indiscriminadamente militantes da fatah e inocentes civis simpatizantes do movimento de arafat.

    O uso de civis como escudo é legitimado pelo mesmo racional que “justifica” o uso de bombistas suicidas. Porque é que Israel distribui panfletos a avisar a população civil de que uma certa área vai ser atacada???? PORQUÊ?? Porque quer matar civis? Porque quer ver quase toda a comunidade internacional contra Israel?? Será que pensam que os governantes Israelitas são estúpidos?? Mais: porque é que o Daniel e outros que tais não organizaram manifs contra o hamas quando este movimento chacinou milhares de Palestinianos pertencentes à fatah (e outros, suspeitos de serem simpatizantes)?????? Não me oponho às manifs actuais. As pessoas tem o direito a manifestarem-se, claro. Mas, confesso, há algo de profundamente hediondo no seguinte: quando Israel mata Palestinianos (e isto deve ser ferozmente criticado, obviamente!)…estamos perante uma chacina de inocentes…quando o hamas o faz…well…well…a esquerda fica calada!!

    O que me leva a pensar que é preciso que seja Israel a matar…para que as vítimas desta tragédia sejam inocentes. Ou seja, o que faz com q a esquerda se manifeste de forma tão acirrada…é o facto de Israel fazer parte da “equação”.

    Quando não faz parte, a esquerda nem presta atenção, o que denota uma hipocrisia moral deveras repugnante. É claro que o Daniel vai dizer que é contra a morte de inocentes etc. Mas não se manifestou desta forma quando foram palestinianos a matar palestinianos (inocentes)

    “Actions speak louder than words.”

    Fico-me por aqui. Se desejarem continuar a conversa, com muito gosto, mas só lá pa noitinha.

    Cumprimentos aos membros do blogue,

    Raquel

    [Responder]

  25. 25 25  Raquel

    Caro Daniel,

    Penso que ficar-lhe-ia bem expor aqui VÁRIOS pensadores e académicos israelitas…como Efraim Karsh, por ex. Leia o que ele escreveu sobre isto.

    Há muitas razões para a presente intervenção israelita. Talvez a mais importante seja esta:

    http://www.washingtoninstitute.org/print.php?template=C05&CID=2981

    Não interessa ter uma cambada de fanáticos a competir…pela destruição de Israel.

    percebem??

    [Responder]

  26. 26 26  Raquel

    Ou será que Israel só poderia invocar o direito de defesa se milhares de israelitas FOSSEM mortos??

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  27. 27 27  Rodriguez

    Ler aqui a historia de um palestinian éxodo para que todo nao terminar em uma nazi-sionista matança…

    http://en.wikipedia.org/wiki/Causes_of_the_1948_Palestinian_exodus

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  1. 1 brutalidade.net - Arrastão: O objectivo de Israel não é a paz, mas o domínio militar

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