Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais

O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia

Estamos a atravessar uma das mais severas crises económicas globais de sempre. Na sua origem está uma combinação letal de desigualdades, de especulação financeira, de mercados mal regulados e de escassa capacidade política. A contracção da procura é agora geral e o que parece racional para cada agente económico privado – como seja adiar investimentos porque o futuro é incerto, ou dificultar o acesso ao crédito, porque a confiança escasseia – tende a gerar um resultado global desastroso.

É por isso imprescindível definir claramente as prioridades. Em Portugal, como aliás por toda a Europa e por todo o mundo, o combate ao desemprego tem de ser o objectivo central da política económica. Uma taxa de desemprego de 10% é o sinal de uma economia falhada, que custa a Portugal cerca de 21 mil milhões de euros por ano – a capacidade de produção que é desperdiçada, mais a despesa em custos de protecção social. Em cada ano, perde-se assim mais do que o total das despesas previstas para todas as grandes obras públicas nos próximos quinze anos. O desemprego é o problema. Esquecer esta dimensão é obscurecer o essencial e subestimar gravemente os riscos de uma crise social dramática.

A crise global exige responsabilidade a todos os que intervêm na esfera pública. Assim, respondemos a esta ameaça de deflação e de depressão propondo um vigoroso estímulo contracíclico, coordenado à escala europeia e global, que só pode partir dos poderes públicos. Recusamos qualquer política de facilidade ou qualquer repetição dos erros anteriores. É necessária uma nova política económica e financeira.

Nesse sentido, para além da intervenção reguladora no sistema financeiro, a estratégia pública mais eficaz assenta numa política orçamental que assuma o papel positivo da despesa e sobretudo do investimento, única forma de garantir que a procura é dinamizada e que os impactos sociais desfavoráveis da crise são minimizados. Os recursos públicos devem ser prioritariamente canalizados para projectos com impactos favoráveis no emprego, no ambiente e no reforço da coesão territorial e social: reabilitação do parque habitacional, expansão da utilização de energias renováveis, modernização da rede eléctrica, projectos de investimento em infra-estruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária, investimentos na protecção social que combatam a pobreza e que promovam a melhoria dos serviços públicos essenciais como saúde, justiça e educação.

Desta forma, os recursos públicos servirão não só para contrariar a quebra conjuntural da procura privada, mas também abrirão um caminho para o futuro: melhores infra-estruturas e capacidades humanas, um território mais coeso e competitivo, capaz de suportar iniciativas inovadoras na área da produção de bens transaccionáveis.

Dizemo-lo com clareza porque sabemos que as dúvidas, pertinentes ou não, acerca de alguns grandes projectos podem ser instrumentalizadas para defender que o investimento público nunca é mais do que um fardo incomportável que irá recair sobre as gerações vindouras. Trata-se naturalmente de uma opinião contestável e que reflecte uma escolha político-ideológica que ganharia em ser assumida como tal, em vez de se apresentar como uma sobranceira visão definitiva, destinada a impor à sociedade uma noção unilateral e pretensamente científica.

Ao contrário dos que pretendem limitar as opções, e em nome do direito ao debate e à expressão do contraditório, parece-nos claro que as economias não podem sair espontaneamente da crise sem causar devastação económica e sofrimento social evitáveis e um lastro negativo de destruição das capacidades humanas, por via do desemprego e da fragmentação social. Consideramos que é precisamente em nome das gerações vindouras que temos de exigir um esforço internacional para sair da crise e desenvolver uma política de pleno emprego. Uma economia e uma sociedade estagnadas não serão, certamente, fonte de oportunidades futuras.

A pretexto dos desequilíbrios externos da economia portuguesa, dizem-nos que devemos esperar que a retoma venha de fora através de um aumento da procura dirigida às exportações. Propõe-se assim uma atitude passiva que corre o risco de se generalizar entre os governos, prolongando o colapso em curso das relações económicas internacionais, e mantendo em todo o caso a posição periférica da economia portuguesa.

Ora, é preciso não esquecer que as exportações de uns são sempre importações de outros. Por isso, temos de pensar sobre os nossos problemas no quadro europeu e global onde nos inserimos. A competitividade futura da economia portuguesa depende também da adopção, pelo menos à escala europeia, de mecanismos de correcção dos desequilíbrios comerciais sistemáticos de que temos sido vítimas.

Julgamos que não é possível neste momento enfrentar os problemas da economia portuguesa sem dar prioridade à resposta às dinâmicas recessivas de destruição de emprego. Esta intervenção, que passa pelo investimento público económica e socialmente útil, tem de se inscrever num movimento mais vasto de mudança das estruturas económicas que geraram a actual crise. Para isso, é indispensável uma nova abordagem da restrição orçamental europeia que seja contracíclica e que promova a convergência regional.

O governo português deve então exigir uma resposta muito mais coordenada por parte da União Europeia e dar mostras de disponibilidade para participar no esforço colectivo. Isto vale tanto para as políticas destinadas a debelar a crise como para o esforço de regulação dos fluxos económicos que é imprescindível para que ela não se repita. Precisamos de mais Europa e menos passividade no combate à crise.

Por isso, como cidadãos de diversas sensibilidades, apelamos à opinião pública para que seja exigente na escolha de respostas a esta recessão, para evitar que o sofrimento social se prolongue.

Publiquem nos vossos vossos blogues. No link em baixo os subscritores

Manuel Brandão Alves, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Carlos Bastien, Economista, Professor Associado, ISEG;
Jorge Bateira, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
Manuel Branco, Economista, Professor Associado, Universidade de Évora;
João Castro Caldas, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural do Instituto Superior de Agronomia;
José Castro Caldas, Economista, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Luis Francisco Carvalho, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
João Pinto e Castro, Economista e Gestor;
Ana Narciso Costa, Economista, Professora Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Costa, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Artur Cristóvão, Professor Catedrático, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro;
Álvaro Domingues, Geógrafo, Professor Associado, Faculdade da Arquitectura da Universidade do Porto;
Paulo Areosa Feio, Geógrafo, Dirigente da Administração Pública;
Fátima Ferreiro, Professora Auxiliar, Departamento de Economia, ISCTE-IUL;
Carlos Figueiredo, Economista; Carlos Fortuna, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
André Freire, Politólogo, Professor Auxiliar, ISCTE;
João Galamba, Economista, doutorando em filosofia, FCSH-UNL;
Jorge Gaspar, Geógrafo, Professor Catedrático, Universidade de Lisboa;
Isabel Carvalho Guerra, Socióloga, Professora Catedrática;
João Guerreiro, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
José Manuel Henriques, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Pedro Hespanha, Sociólogo, Professor Associado, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
João Leão, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
António Simões Lopes, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Margarida Chagas Lopes, Economista, Professora Auxiliar, ISEG;
Raul Lopes, Economista, Professor Associado, ISCTE-IUL;
Francisco Louçã, Economista, Professor Catedrático, ISEG;
Ricardo Paes Mamede, Economista, Professor Auxiliar, ISCTE-IUL;
Tiago Mata, Historiador e Economista, Universidade de Amesterdão;
Manuel Belo Moreira, Engenheiro Agrónomo, Professor Catedrático, Departamento de Economia Agrária e Sociologia Rural, Instituto Superior de Agronomia;
Mário Murteira, Economista, Professor Emérito, ISCTE- IUL;
Vitor Neves, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
José Penedos, Gestor; Tiago Santos Pereira, Investigador, Centro de Estudos Sociais;
Adriano Pimpão, Economista, Professor Catedrático, Universidade do Algarve;
Alexandre Azevedo Pinto, Economista, Investigador, Faculdade de Economia da Universidade do Porto;
Margarida Proença, Economista, Professora Catedrática, Escola de Economia e Gestão, Universidade do Minho;
José Reis, Economista, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
João Rodrigues, Economista, doutorando, Universidade de Manchester;
José Manuel Rolo, Economista, Investigador, Instituto de Ciências Sociais;
António Romão, Economista, Professor Catedrático, ISEG-UTL;
Ana Cordeiro Santos, Economista, Investigadora, Centro de Estudos Sociais;
Boaventura de Sousa Santos, Sociólogo, Professor Catedrático, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Carlos Santos, Economista, Professor Auxiliar, Universidade Católica Portuguesa;
Pedro Nuno Santos, Economista;
Mário Rui Silva, Economista, Professor Associado, Faculdade de Economia do Porto;
Pedro Adão e Silva, Politólogo, ISCTE;
Nuno Teles, Economista, doutorando, School of Oriental and African Studies, Universidade de Londres;
João Tolda, Economista, Professor Auxiliar, Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra;
Jorge Vala, Psicólogo Social, Investigador;
Mário Vale, Geógrafo, Professor Associado, Universidade de Lisboa.


69 respostas ao post “O outro manifesto”  

  1. 1 1  Daniel Santos

    estranhamente ou talvez não, ainda não vi nenhum dos que fizeram a vénia aos “28 sábios”, falarem uma linha sequer sobre este… fenómenos esquisitos…

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  2. 2 2  Rui Herbon

    Oh não, outro manifesto!

    “só com emprego se pode reconstruir a economia”

    Errado. Só com crescimento se reconstrói a economia. A criação de emprego (nomeadamente o subsidiado, o periódico ou sazonal, ou simplesmente o inútil) não gera crescimento, mas o crescimento gera sempre emprego.

    E como se cresce? Investindo no sector produtivo e nos serviços ligados às novas tecnologias.

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  3. 3 3  André

    Os jornais gostam sempre de criar conflito mas ainda não entendi em que medida este manifesto choca com o outro apresentado à dias… não defendem as grandes obras publicas como prioridade, mas sim um grande investimento publico em variadas áreas.
    Facilmente se entende se se o investimento for diversificado atingirá mais empregos e criar empregos sustentáveis é sem duvida o maior desafio. Quando apontam “projectos de investimento em infraestruturas de transporte úteis, com destaque para a rede ferroviária” pode não ser só a ligação Lisboa-Badajoz em TGV mas a renovação da rede ferroviária portuguesa que excepto a linha do norte se encontra desactualizada e aos poucos vai morrendo.

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  4. 4 4  Bang Bang

    Manela Ferreira Leite ainda ontem disse que não havia nem um economista que não concordasse com o outro manifesto dos 28. Afina, não faltam por aí economistas radicalmente discordantes. Começo a perceber qual é o significado de falar verdade para Ferreira Leite.

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  5. 5 5  Antonio Cunha

    Eu vou “encomendar” um manifesto para me darem muito mas muito dinheiro.

    Isto agora é manifestos a pedido. Diga-nos a sua causa e nos damos-lhe os economistas.

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    Daniel Oliveira Reply:

    António Cunha, disse isso do manifesto dos 28 ou só agora se lembrou?

  6. 6 6  Carlos Santos

    Caro António Cunha,

    Enquanto subscritor deste manifesto, o que lhe digo é que “Nós” não recebemos nem um cêntimo. Fizêmo-lo por convicção. Não acredito que nenhum dos nomes aí citados tenha participado em estudos pagos para viabilizar as obras do projecto. Além disso se ler bem não se trata nem de longe apenas de economistas como bem dizia o Rui Tavares os economistas, em que me incluo, não têm o monopólio do entendimento social. Também me quer parecer que a generalidade destas pessoas não tiveram responsabilidades em o país chegar ao que chegou.

    Pior que o seu comentário só a crónica do José Manuel Fernandes a respeito.

    Caro Rui Hérbon, conhece as minhas posições a respeito. Deixe-me dizer-lhe que o outro manifesto não tem uma palavra sobre crescimento no curto prazo. Logo, sobre emprego. Tem contudo uma verdadeira núvem de palavras sobre défices. Como pode ler no meu blogue: a Espanha tem um problema a esse nível. Nós não.

    Um abraço Daniel.

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  7. 7 7  Minhoto

    Dado que a política do BE é a do PS sobre os grandes investimentos não acho estranho que aqui não se debata a Fundação para as Comunicações Móveis. No outro dia vi um programa na tv sobre a pirataria pesqueira mundial focado especialmente na Austrália, um jornalista foi a Rússia à sede de uma companhia que pratica esta “arte” e a cena era igual a do jornalista que foi tocar a campainha da dita Fundação, num prédio “insuspeito” lá tocou e a resposta pasme-se foi a mesma só que em russo.

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  8. 8 8  buxa

    tanto professor doutor, meu deus!

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  9. 9 9  Libertário

    Investimentos públicos só se provarem que existe retorno do investimento num dado prazo ou se for imprescindível para o interesse publico. Por exemplo um TGV de Lisboa para o Porto não é nem uma coisa nem outra.
    Caso contrário mais vale baixar os impostos no valor equivalente ao que se iria gastar, isto iria ajudar as empresa mais do que qualquer outra coisa.
    Depois o estado deveria igualmente reduzir as suas próprias despesas. A melhor forma de o fazer seria despedir todos os detentores de cargos políticos na administração publica.
    Igualmente necessário seria uma reorganização, passando funcionários de tretas sem sentido para onde realmente são necessários.

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  10. 10 10  rosinha dos limões

    “Sócrates à conquista dos independentes de direita”..(in DN 27/6/2009)

    …Entre os presentes no encontro, que se realizou-se esta quinta-feira, em Lisboa, sob rigoroso sigilo, estiveram José Miguel Júdice (ex-bastonário da Ordem dos Advogados e ex-dirigente do PSD, agora desfiliado), Daniel Proença de Carvalho (advogado, antigo director de campanha de Freitas do Amaral em 1986), António Carrapatoso (presidente da Vodafone Portugal), António Mexia (presidente da EDP, ex-ministro das Obras Públicas no Governo de Santana Lopes), Henrique Granadeiro (presidente da Portugal Telecom) ou Carlos Monjardino (presidente da Fundação Oriente e um nome sempre próximo do PS e de Mário Soares).”
    O que pretenderá José Sócrates desta gente??
    Que o apoiem nas eleições, ou pelo menos que não entrem na campanha de Manuela Ferreira Leite???? E o que “terá” para lhes dar em troca???
    O contributo que lhes pede, tem um preço. E esta gente cobra sempre caro.
    Espero para ver.

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  11. 11 11  Rui Carlos Gonçalves

    E eu que pensava que o DO não ligava nenhuma aos “professor[es] doutor[es] por amor de deus”…

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Rui, eu ligo a quem tem coisas para dizer e quando é especializado numa determinada área. Ser Professor Doutor é que não é, por si só, um carimbo de qualidade. Muiro menos de qualidade política.

  12. 12 12  Levy

    “O debate deve ser centrado em prioridades: só com emprego se pode reconstruir a economia”

    É ao contrário. Quanto o título está ao contrário, o resto está igual.

    Este manifesto lembra-me o “eduquês” é tudo muito bonito e romântico, só que não resolve problema nenhum.

    Não explica como é que se criam os empregos, nem quem os cria. Não explica como é que se evita que o dinheiro que se injecta através de “investimento público económica e socialmente útil” (que frase tão bonita e tão vaga ao mesmo tempo) saia do país através de importações. Não explica o que se faz no futuro, com uma dívida externa brutal, e que este manifesto pretende aumentar ao ser contra as “restrições orçamentais”. Etc etc
    Sempre desconfiei que esta malta da extrema esquerda tinha um problema com a disciplina, está aqui mais um exemplo.

    Não percebo como é que tanto professor doutor, conseguem produzir um documento que qualquer pessoa minimamente sensata percebe que não é possível de ser aplicado sem levar um país à ruína.

    [Responder]

  13. 13 13  Levy

    12 # DO

    O que é um cientista social?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    “O que é um cientista social?”
    Alguém que faz investigação na área das ciências sociais?

  14. 14 14  Levy

    6 # DO

    “disse isso do manifesto dos 28 ou só agora se lembrou?”

    O Daniel publicou aqui o manifesto dos 28?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Levy, isto não é um jornal. É um blogue assumidamente orientado politicamente. Se o Público também o quiser ser, é bom que o assuma.

  15. 15 15  Levy

    16 # DO

    Não percebeu a minha frase. O António Cunha pode não ter dito isso aqui, porque o manifesto não apareceu aqui. Você está a desconversar.

    17# DO

    A economia é uma ciência social.
    Escreveu “51 economistas e cientistas sociais”. Porquê a distinção entre os economistas e os outros? Não percebo o motivo, por isso lhe fiz a pergunta, porque não estava a entender se o para o DO “cientista social” seria outra coisa.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Economistas e outros cientistas sociais, se preferir.

  16. 16 16  Rui Herbon

    Carlos Santos,

    Tem razão. O outro era um manifesto meramente negativo. Não propunha nada de nada a não ser inacção. Nem este é uma espécie de counterpart, não é o valor positivo (ou negativo) do mesmo número.

    Mas se no caso do outro eu concordava com as críticas a alguns dos grandes investimentos (não subscrevo de modo nenhum a crítica ao investimento público em geral, antes o defendo, desde que seja investimento e não despesa presente ou futura), aqui vejo diversos pontos de discordância sobre os quais escreverei amanhã se tiver tempo, desde logo a questão de como se cria emprego, que é muito referida mas não chega a ser concretizada. Mas também sou capaz de passar em “sua casa” e deixar-lhe uma ou outra questão, afinal é da dialética que surgem as soluções para os problemas.

    Um abraço

    [Responder]

  17. 17 17  Carlos Santos

    Caro Lévy,

    Permita-me que lhe esclareça uma coisa sobre ciências sociais. A e B querem trocar um objecto. Por dinheiro. Você chamaria a isso mercado. Eu sou economista, dos tais que assinaram este manifesto. E digo-lhe que o mercado é antes de mais uma criação social. Porque se A e B vivessem em ilhas desertas (cada um na sua), bem podiam gritar, que não havia mercado. Mas se o mercado é uma construção social, é uma interacção entre pessoas, a psicologia social tem alguma coisa a dizer, a sociologia tem alguma coisa a dizer, a História tem alguma coisa a dizer. Ou você nasceu a saber fazer trocas?

    Quanto a “ser ao contrário” entre economia e emprego, eu peço-lhe que me diga como se faz a retoma numa economia com exportações em queda (uns 18%), consumo privado em queda, e investimento em queda (uns 20%)? Espera pelo Pai Natal? E se ele demorar 10 anos a chegar? Não aprendeu nada com esta crise, pois não? Essa de que os mercados se regulam a si mesmos foi chão que deu uvas. Para alguns crédulos.

    [Responder]

  18. 18 18  Minhoto

    Levy,

    O “cientista social”, profissão que aprendi hoje que existia, deve ser da mesma criação do titulo pomposo de “auxiliar da acção educativa”.
    Daniel para ser-se “cientista social” é preciso ter-se curso, têm Ordem dos Cientistas Sociais? Terá algo em comum com a Igreja da Cientologia?

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Minhoto, até para si a ignorância tem limites.

  19. 19 19  Carlos Santos

    Minhoto, desculpe o processo de intenções mas vocês faz-me lembrar o António CUnha que vem aqui lançar confusão para depois se ir gabar ao insurgente.

    [Responder]

  20. 20 20  Levy

    23 # Minhoto

    O DO já rectificou isso. Ele explicou que era alguém que “faz investigação na área das ciências sociais”. E incluiu o economistas dentro de este grupo.

    Para além disso, estes “cientistas sociais” têm ainda o hábito de querer fazer experiências de engenharia social. Ora sendo os “cientistas sociais”, referidos no manifesto, de extrema esquerda, adivinhe lá que experiências é que fariam se os deixassem….

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    “estes “cientistas sociais” têm ainda o hábito de querer fazer experiências de engenharia social”

    As coisas que se escrevem aqui.

  21. 21 21  Levy

    22 #

    “se faz a retoma numa economia com exportações em queda (uns 18%), consumo privado em queda, e investimento em queda (uns 20%)”

    As exportações estão em queda, porque os nosso produtos provavelmente não interessam ao menino jesus. Dai que para isso se inverter, o tecido produtivo tem de apostar em em produtos exportáveis. Sendo o tecido produtivo privado, são eles que terão de orientar nesse sentido. O papel do estado é não atrapalhar, é fazer funcionar bem os sectores que estão na sua competência (burocracia, justiça, fisco e educação). Com estes 4 no estado em que estão, vocês podem ir pedindo mundos e fundos que nunca sairemos disto. Por tudo isto, o investimento público que tiver de ser feito, deverá sê-lo nestas 4 áreas. O manifesto não sugere nada disto, pelo contrário, ideologicamente debita umas expressões vãs, e sugere que deva haver uma política económica no sentido de ser o Estado a ir decidir e interferir no tecido produtivo.
    As suas perguntas até sugerem que só um estado planificador pode inverter a situação, pois assume que alguma coisa tem de ser feita a nível central.

    O consumo privado está em queda, porque Portugal não produz rendimentos que sustentem o consumo e porque paga em capital e juros somas astronómicas. Andou-se durante anos a gastar o que se tinha e o que não se tinha. Parte dessa responsabilidade foi dos governos, que tal como o Carlos, assumem que deve ser o Estado a tratar de tudo.
    Como é que perante uma situação de divida gigante, vocês ainda sugerem que se afrouxe a disciplina orçamental?

    O investimento está em queda. Mas qual? O das rotundas?

    [Responder]

  22. 22 22  tonibler

    Para quem duvidava que não existe tal coisa como “ciências sociais”, lê este manifesto e o estatuto dos “cientistas”.

    Mas numa coisa o Daniel tem razão, não dizem muito mais asneiras que os outros, apenas diferentes.

    [Responder]

  23. 23 23  Levy

    22 # Carlos

    “eu peço-lhe que me diga”

    Eu na posta 14 deixei algumas perguntas, às quais o senhor não respondeu. Quem lança um manifesto, quando interrogado, deve explicar mais em detalhe as propostas. O professor de economia é o senhor, deve ser o senhor a explicar, e não eu.

    De qualquer das formas, já vi que tem um blogue, assim que tiver tempo irei ler o que diz, a ver se fico mais esclarecido.

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  24. 24 24  Ana

    Como já se percebeu nos últimos tempos, a opinião destes economistas e cientistas sociais vale tanto como a de qualquer um de nós… no final nenhum deles consegue prever nada ao certo e muito menos encontrar as soluções milagrosas para os problemas económicos… porque as soluções na teoria servem para ambos os lados, têm ambos os seu quê de razão, mas na prática resulta a que tiver sorte nas circunstâncias do momento!
    Isto de ser economista é como ser meteorologista… no final ninguém vai pedir responsabilidades se os resultados forem exactamente os contrários às previsões!! Bora lá com mais manifestos que a malta pode dizer o que quiser, que tanto faz!

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  25. 25 25  fado alexandrino

    Soube agora, via televisão, que Boaventura Sousa Santos assina um dos manifestos.
    A quem mandar um mail nos cinco minutos seguintes dizendo qual deles é, enviarei a obra completa do mesmo encadernada.

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  26. 26 26  Carlos Santos

    #10 Libertário,

    Essa dos investimentos públicos terem de obdecer a uma análise custo benefício foi bem desmontada pelo Francisco Oneto no Ladrões de Bicicletas. Mas quanto aos impostos:
    - se eu tiver uma empresa que não antecipa procura, o IRC até pode ser 0%. Eu não vou produzir para ter prejuízo pois não?
    - se me fala de IRS há que distinguir: as pessoas de maiores rendimentos muito legitimamente poupam mais. Imagine 40% do rendimento. As pessoas de rendimentos baixos poupam imagine 5%. Se você descer o IRS às segunda, eu aplaudo. Porque elas vão consumir 95% do que você lhes der e por isso vão revitalizar a economia. Em crise de procura. Se você descer às primeiras elas vão consumir 60%.

    Por isso, as descidas de impostos neste tipo de crise só são eficazes nos escalões mais baixos de rendimento.

    #14 Lévy

    “Não explica como é que se criam os empregos, nem quem os cria”

    Lance um programa de investimento público em construção de escolas. Onde é que lhe custa a ver o emprego a ser criado?

    “Não explica o que se faz no futuro, com uma dívida externa brutal, e que este manifesto pretende aumentar ao ser contra as “restrições orçamentais”.

    Realmente faria bem em ler o meu texto sobre o assunto, mas eu explico. A França, que mal ou bem tem resistido mais à crise que qualquer país europeu já disse que o PEC (a restrição orçamental europeia) revisto já não serve. A própria UE se endividou (lê o Anatole Koletzky do Times Online?) em 75 mil milhões de Euros para início de conversa para financiar investimentos de recuperação de emprego em países em crise.

    “se evita que o dinheiro que se injecta através de “investimento público económica e socialmente útil” (que frase tão bonita e tão vaga ao mesmo tempo) saia do país através de importações. ”

    Explique-me lá como evita que o investimento privado saia do país via importações? A diferença é só uma: é que não há investimento privado. Está a ver a piada?

    “Não percebo como é que tanto professor doutor, conseguem produzir um documento que qualquer pessoa minimamente sensata percebe que não é possível de ser aplicado sem levar um país à ruína.”

    CLaro! Agora você viu tudo. O que a gente quer é a terra queimada, não é Danie? Caro Lévy, chavões de Direita não, por favor.

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  27. 27 27  fernando almeida

    Para inverter esta situação porque não começar por sugerir soluções?
    Por exemplo acabar com os self service nas áreas de serviço e criar assim centenas, senão milhares, de postos de trabalho? Nem que fosse a trouco de mais uns centimos nos preços.
    Aqui o Governo devia intervir em criar a respectiva regulação.
    Mais, esta medida acabava com muitos acidentes causados exatamente por este serviço ser executado pelos proprios condutores.

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  28. 28 28  Carlos Santos

    #27 Lévy

    “As exportações estão em queda, porque os nosso produtos provavelmente não interessam ao menino jesus.”

    Eu fico parvo. Você tem ideia de como está o mundo? As exportações estão em queda porque tirando a China, o Brasil, a Índia e mais 2 ou 3 casos isto é UMA CRISE GLOBAL!

    “O consumo privado está em queda, porque Portugal não produz rendimentos”

    Boa! E isso porque há despedimentos, falências, quebras de investimento e carolas como o Victor Bento (um dos 28) que querem cortar salários.

    “O investimento está em queda. Mas qual? O das rotundas?” Não, este que pode ler numa tabelinha que retirei das famosas previsões da OCDE esta semana: http://bit.ly/DSDT6 [o investimento é aí chamado de Formação Bruta de capital fixo].

    #29 espero ter-lhe respondido

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  29. 29 29  joao

    É óbvio que investimentos públicos monstruosos como estes irresponsáveis defendem, com uma divida (publica, externa) crescente e imparável como pano de fundo, é uma experiência de engenharia social gravíssima.

    É uma experiência social pois quem vai ter de pagar estas loucuras vão ser os nossos filhos e pessoas que ainda não nasceram, estes iluminados garantem que com as suas mezinhas o crescimento e o progresso retomarão o caminho glorioso do passado recente e os nossos filhos agradecidos pagarão as nossas dívidas. A salvação ficará mais próxima.

    A fé no progresso e no crescimento infinito a caminho da salvação é das crenças religiosas mais perigosas para a humanidade.

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  30. 30 30  Borda-lo

    Isto de “defender” ou “atrasar” as Obras Públicas é uma real imbecilidade! Não se pode pôr tudo num cabaz, como se de uma promoção de supermercado se tratasse. Ou se fazem todas as grandes obras, ou não se faz nenhuma? São essas as únicas opções? Isto faz lembrar um pouco a história do Euro; quem discordava dos 10 estádios era imediatamente acusado de estar contra o próprio Euro.
    Afinal, para que SERVEM as ditas Obras? Para dar emprego e “estimular” a economia? Então construam umas pirâmides no meio do Alentejo, ou uma ponte Lisboa-Funchal, que é capaz de dar que fazer durante uns tempos…
    Pessoalmente apenas quero que me digam (porque sou assumidamente ignorante) quais os objectivos de CADA UMA das Obras, e como se encaixam numa estratégia global.
    Se fazemos um TGV Lisboa-Porto, o que acontece à linha do Norte? E com o TGV é preciso mais uma autoestrada paralela à A1? Com ligação ferroviária Lisboa-Madrid quanto tráfego aéreo se perderá? E rodoviário? É mesmo preciso o TGV ir ao aeroporto? Porque não apenas uma ligação directa Lisboa-aeroporto? O TGV precisa daquele traçado com aquelas estações? E porquê autoestradas e não IPs em condições? Há estudos que mostrem previsões de tráfego em cada umas das linhas ferroviárias? O tráfego portugal-espanha vai aumentar, ou apenas migrar da rodovia para a ferrovia? Mostrem por favor as questões TÉCNICAS em que se baseiam as decisões políticas, em vez de andarem com manifestos políticos.

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  31. 31 31  JEM

    DO
    Qual é a dívida pública portuguesa?
    Quem a vai pagar? Quando? Como?
    Como financiamos projectos que não geram rentabilidade para se pagar a eles próprios? Como financiamos défices de Estado crónicos?

    [Responder]

  32. 32 32  Minhoto

    Levy,

    Os “cientistas sociais” que tentam a “engenharia social” que já se conhece o resultadoe a qual o JMF lembra no editorial do Público “à custa da pobreza geral” enquadram no “cientista louco” comum ás outras ciências e por associação, dado que conheço pouco este ramo, lógica aos “cientistas sociais”.

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  33. 33 33  Carlos Santos

    #36 joão,

    Vamos chegar a um acordo: você quer que haja um país para as gerações futuras, certo? Se elas vão beneficiar de investimento público feito hoje, a equidade intergeracional do pagamento está garantida

    #38

    Acredite que os dias do PEC estão contados.

    #39 confundir keynesianismo e totalitarismo é simplesmente não querer ser sério.

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  34. 34 34  Levy

    33 # Carlos Santos

    “Lance um programa de investimento público em construção de escolas.”

    Mais escolas? Mas nós já temos 10 mil escolas. para que é que quer mais escolas?

    “A própria UE se endividou (lê o Anatole Koletzky do Times Online?) em 75 mil milhões de Euros”

    Com o mal dos outros podemos nós bem. Eles têm economias sólidas que aguentam o pagamento do serviço da dívida.

    “Explique-me lá como evita que o investimento privado saia do país via importações?”

    Eu não tenho de responder pelos privados, mas se for investimento em indústrias exportadoras, acabará por compensar. Mas eles é que têm de medir os riscos. Você é quer relançar a economia com o dinheiro dos outros (o público).

    “é que não há investimento privado.”

    E porque é que será que não há? Isso é que convinha explicar.

    “Caro Lévy, chavões de Direita não, por favor.”

    Você fala-me de chavões, como se tudo o que escreve não fossem chavões. O diz na posta 35 é tudo menos conversa de economista.

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  35. 35 35  Levy

    38 # JEM

    Julgo que nem as pessoas do manifesto nem o dono deste blogue estão interessados em responder às suas pertinentes perguntas. Eles é mais frases bonitas, e boas intenções, quando chega à hora de discutir os números, não estão para ai virados.

    39 # Minhoto

    Outra coisa a saber em relação a estes “cientistas sociais” é para quem trabalham, e se têm interesse directo no manifesto que elaboraram.

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  36. 36 36  Antonio Cunha

    25 Carlos Santos

    Voce é um mentiroso !!!!!

    E sempre que o apanhar a fazer o seu joguinho manhoso irei denunciá-lo.

    A unica vez que escrevi nesse blog foi para o denunciar e para esplicar à pessoas que por lá escrevem o que voce costuma fazer aqui no arrastão.

    Como tem um blog de merda vem aqui mandar uma jardas e mendigar uns clics

    Patético.

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  37. 37 37  Antonio Cunha

    Acho piada àqueles que sempre foram contra o alcatrão de Cavaco e que dizem que os seus governos foram só estradas.

    Esses mesmos que agora querem tudo o que é obra publica.

    Ao menos na altura havia dinheiro.

    Mas a melhor foi a das auto-estradas que se pagavam a si mesmas propostas por Cravinho. E que vamos ter de pagar por muitos e bons anos.

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  38. 38 38  Antonio Cunha

    Que Deus, Alá, Buda e quejandos nos livrem de que Economistas como o Carlos Santos e Louçã um dia cheguem sequer perto de liderar seja o que for

    [Responder]

  39. 39 39  joao

    #40 “Acredite que os dias do PEC estão contados”

    E então, depois vamos poder endividar-nos até ao infinito?

    Os senhores são irresponsáveis e querem fazer experiências com o dinheiro dos outros (e dinheiro que não existe), inclusive os que ainda não nasceram.

    Eu não quero fazer parte desta experiência social!
    Querem fazer experiências façam-nas com o VOSSO dinheiro!
    Deixem-nos em paz!

    [Responder]

  40. 40 40  Duarte Sousa

    # 3 Rui Herbon

    «Só com crescimento se reconstrói a economia. »

    A economia também cresce com a criação de emprego. Sem emprego, diminui drasticamente o rendimento per capita e, consequentemente, o consumo interno e o volume de negócios das empresas.

    É preciso as duas coisas (entre outras) e não apenas uma.

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  41. 41 41  montenegro

    Estamos safos. Temos o Boaventura Sousa Santos na lista. É o Cadilhe em versão BE

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  42. 42 42  Duarte Sousa

    «Acho piada àqueles que sempre foram contra o alcatrão de Cavaco e que dizem que os seus governos foram só estradas.»

    Algumas dessas estradas, escolas e hospitais tinham mesmo de ser construídos, tendo em conta a necessidade de reduzir as assimetrias regionais. Acho que isso não pode ser posto em causa.

    O que se pode no entanto criticar é o modelo de competitividade da nossa economia durante essa época, que assentava substancialmente numa política de salários baixos, mão-de-obra pouco qualificada, produtos de baixo valor acrescentado e moeda fraca.

    Este modelo é totalmente inviável nos dias de hoje, tendo em conta os condicionalismos impostos pela nossa entrada UE e a alta competitividade de países como a China, México e Tailândia nos sectores de baixo valor acrescentado.

    Perante esta mudança de paradigma, Portugal vê-se obrigado a alterar de forma radical e num curto espaço de tempo a sua política económica e social.

    Para nos tornarmos competitivos temos de apostar cada vez mais na qualidade e capacidade de inovação e diferenciação, tanto dos nosso recursos humanos, como das nossas empresas e instituições estatais. Este é um dos grandes desafios com que nos deparamos actualmente e que, pelos vistos, não tem tido uma resposta ainda muito positiva. Outro grande desafio será a inversão da nossa pirâmide etária. Quanto mais tarde agirmos, mais dificil será dar a volta ao problema e mais graves serão as consequências.

    «Ao menos na altura havia dinheiro»

    Grande parte vinha da CEE.

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  43. 43 43  João Pedro

    Não li o outro manifesto. Se isto é melhor que conseguem fazer com o envolvimento de tantos sábios então estamos estramados. Acho que qualquer zé da tasca era capaz de escrever banalidades semelhantes e se calhar com outra independencia ideologica. Tanta gente de presumivel valor intelectual junta e é isto que sai. Estamos entregues à bicharada.

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  44. 44 44  António Alves

    Nessa lista não vejo ninguém que trabalhe verdadeiramente. isto é, que retire o seu rendimento da economia real. É tudo gente alimentada directamente pelo orçamento do estado. Se esta gente pagasse IRC não falava assim.

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  45. 45 45  Sebastião Dias

    Palermas de esquerda. Sempre criticaram a política do betão. Agora que o país está À beira da ruina querem empenhar as próximas gerações a contruir obras megalómanas. E desculpam-se com Keynes

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  46. 46 46  á de moura pina

    Um manifesto revelador das fragilidades da esquerda em Portugal, que nada acrescenta, e que poderia perfeitamente ser assinado por Sócrates se fosse economista em vez de engenheiro.

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  47. 47 47  Carlos Santos

    #51 Ora muito bem. Assim é que é a velha direita do malho. Porque isso de universidades e cultura não dá pão a ninguém. É preciso é trabalho tangível que produza coisas em que se possa tocar. A cultura até é subversiva. Encoraja as revoltas e os gay pride e essas coisas. No tempo da outra senhora é que era!

    Tenha juízo homem. Se quer saber, pago IRS de trabalho dependente e independente, e IVA. Porque me lembrei de escrever um livro. Veja lá. E pago a tempo e horas. Ah, o IMI conta? Assim para aumentar a minha dignidade acima de pária social aos seus olhos, que é o meu objectivo de vida.

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  48. 48 48  Carlos Santos

    Sebastião dias,

    Mas acha que temos o exclusivo da palermice?
    E quanto ao Keynes, não arruine a memória do homem. Leia-o antes.

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  49. 49 49  The Studio

    Quando pela primeira li sobre o apoio do BE a estras grandes obras públicas pensei que fosse gralha. Afinal confirma-se. Tantos anos a contestar a política de betão dos governos de Cavaco Silva e de repente, num passe de mágica, aparece o Louçã a defender essas políticas. Há no entanto uma imensa diferença: A grande maioria das estradas construídas no tempo do Cavaco eram mesmo necessáriam. As obras que o BE agora defende é a construção de elefantes brancos. Na altura havia dinheiro e generosas contribuições da UE. Agora não.

    Daniel, como analista político que é, explique lá esse passo de dança do BE que de repente aparece ao lado do lóbi dos patos bravos, aqueles que realmente vão ganhar muito dinheiro se as obras forem construídas.

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  50. 50 50  The Studio

    “Vamos chegar a um acordo: você quer que haja um país para as gerações futuras, certo?”

    Certo. E para que tenham futuro vamos deixar-lhes linhas ferroviárias a dar prejuízo e a dívida correspondente à construção das linhas.

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  51. 51 51  fado alexandrino

    explique lá esse passo de dança do BE

    É a tentativa de um “pas de deux”.
    Estão há muito tempo sentado num cantinho do salão e parece que o dono do mesmo vai precisar de um par.
    Ora vamos lá a ajeitar o vestidinho para parecermos airoso.

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  52. 52 52  Antonio Cunha

    A ditadura do ARRASTAO é magnifica

    Deixa um mentiroso andar aqui a espalhar falsidades, mas bloqueia por 4 vezes os meus posts.

    PARABENS

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    Daniel Oliveira Reply:

    antónio cunha, todos os comentarios ficam bloquados até serem aprovados

  53. 53 53  DSC

    Declaração de interesses: Não li o manifesto dos 28 e, por isso mesmo não teci nenhum comentário ao mesmo.

    Li este manifesto e quero dar os meus parabêns ao Sr. Daniel Oliveira. Vejo que começa a ganhar sentido de humor e até contribuí com a exposição de textos absolutamente ao nível dos gato fedorento. Eles que se cuidem.

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  54. 54 54  João Costa

    Eu tenho uma regra de ouro para a política económica e social a seguir: tudo o que o Boaventura Sousa Santos subscrever, está nos antípodas daquilo que deve ser seguido. Nunca falha.

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  55. 55 55  The Studio

    E então o analista político Daniel Oliveira não comenta a viragem política do BE? Depois de uma história de combate à política de investimento público do PSD (a política de betão), de um momento para o outro o BE aparece de braço dado com os patos-bravos a defender o TGV. Os patos bravos eu compreendo, são eles quem se vai encher de dinheiro com estas obras. O BE vou compreender após o Daniel nos explicar. Obrigado.

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  56. 56 56  MigPT

    É claro como água que para este manifesto juntaram-se alguns economistas (normalmente da cartilha) e muitos (muitíssimos) “cientistas sociais”. Aliás, um dos grandes problemas de miopia económica na esquerda é pensar que a economia é uma ciência e por isso, pensam que aplicando determinada acção, obtêm sempre o mesmo efeito, como se economia fosse uma ciência exacta. Daí os planos quinquenais, com os seus célebres efeitos nas populações.

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  57. 57 57  Maria

    Pois este passa a ser o meu manifesto e contém 1 pergunta incluída:

    ó louçã também vai fazer alianças com o portas e ka d. manuela? cuidado não vá isso ficar + 1 bloco de betão

    http://apombalivre.blogspot.com/2009/09/o-louca-tambem-vai-fazer-aliancas-com-o.html

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  1. 1 cinco dias » Manifesto de economistas e cientistas sociais
  2. 2 E as gerações vindouras mandam a hipoteca para qual cemitério? « BLASFÉMIAS
  3. 3 a arrogância fatal « O Insurgente
  4. 4 cinco dias » À espera esperando pelos “51 economistas”…………….

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