Por Daniel Oliveira
O presidente do Senado italiano exige em tribunal ao escritor Antonio Tabucchi a quantia exorbitante de 1,3 milhões de euros, devido a um artigo publicado no “L’Unitá”. O diário “Le Monde” afirma que este processo «ilustra a violência das relações entre o poder e a imprensa» e lançou uma petição em defesa do escritor luso-italiano. Leia e assine.
11 comentários 1 Dez 09 em Sem categoria



O mínimo que esperava dum post isento de preconceitos, que pede para assinar uma petição, seria ter o link que leva ao dito processo de difamação.
Assina-se de cruz agora? Não está bem.
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Uma coisa que não percebo.
Um escritor terá as mesmas liberdades que qualquer outro cidadão. O presidente do senado não gostou do que ele disse e meteu-o em tribunal, exercendo um direito que lhe assiste. O tribunal, decidirá. Não é assim que funciona a democracia?
Então os referendos não valem e os abaixo assinados já são mais que os tribunais?
E o Mário Soares que assina a petição e cala-se perante o que o governo português faz aos jornalistas e aos jornais?
Chegámos aonde?
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Tudo o que seja para confrontar esse ignóbil homenzinho chamado Berlusconi acho que é desejável. Quase tenho vergonha de ter uma percentagem de sangue italiano.
Dandy; Esquerdista, republicano e laico.
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Dandyzinho,se existisses eras um perigo(julgas tu),minha pequena anedota raivosa.Mas não existes pobre de ti.
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O Berlusconi é um louco com a mania das grandezas e com uma enorme mania de adoração a si próprio.O Tabucchi é um enorme escritor.
Tenho a certeza de os que julgam serão capazes de compreender essas diferenças.
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#5 Maria
Maria, o que está em jogo é a nossa admiração ou repulsa por alguém ou saber se houve ou não, segundo a lei, difamação?
Presumo que tenha lido o artigo em causa. Já agora, como é que resolvia então um diferendo idêntico entre 2 “grandes escritores”?
Raciocínio perigoso…
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Assinei sem reticências…
Manuel Monteiro
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6 PedroM 2 Dez 2009 às 15:02
#5 Maria
Bom PedroM
O meu caro está a colocar-me dúvidas muito razoáveis.
A nossa admiração ou repulsa são emoções que em principio devem andar afastadas do nosso julgamento sobre as acções efectivas de pessoas. Até até aí estamos de acordo.
Porém quer queiramos quer não, existem diferenças entre pessoas que também não devemos ignorar e essas diferenças quando baseadas em actos podem fazer muita diferença na forma como avaliamos (julgamos) as acções que praticam.
Se eu me deixasse de algum modo tocar por repulsas ou admirações neste caso entre Berlusconi/Tabucchi-não teria escrito o que escrevi.
Se tivesse lido com atenção haveria de ter verificado que eu me limitei ao direito á minha observação das cousas, sendo que do Berlusconi a observação das cousas me deixa a claro que ele é sem dúvida alguém que padece da mania das grandezas e de enormes desvios ilusórios sobre a sua própria pessoa.
Quanto a Tabucchi, para além de ser um escritor de excelência sempre deu prova de ser um ser humano de qualidade e de ilusões e desvios que eu tenha seguido até agora, ainda não deu nenhum sinal.
Portanto e em relação á matéria, quem avalia prova e quem julga deve de certo modo ter a tarefa facilitada pelo que de ambos se conhece na prática das suas práticas.
Assim sendo remeti para os que julgam a tarefa de julgar.
Quanto a mim não escondo que a minha simpatia por Tabucchi é infinamente maior e que do sr Berlusconi nada me encanta e tudo me afasta.
Um tipo que se aproveita do poder que tem para ter sexo com menores não faz o meu gosto.
Quanto a conflitos da mesma natureza em relação a escritores.
Ponhamos a coisa deste modo:-
Berlusconi-(que escreve mal que se farta)
Mussolini- ( que escrevia mal que se fartava )
Num conflito entre estes dois se ele pudesse existir, cá para mim haveria empate técnico, ambos poderiam ir para á prisão pelos crimes cometidos.
Diferença única entre um e outro: um tem a cabeça; o outro morreu sem ela.
Berlusconi /Tabucchi- Ausência de empate técnico.
Um passa a vida metido em escândalos.
O outro passa vida metido á escrita.
Conflito entre dois escritores incentes.
Pois teria que os julgar segundo a qualidade.
Raciocino perigosamente?
Concordo.Você nem queira saber as antipatias que este tipo de raciocinio me traz
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#8 Maria
Maria, 1ª observação (que considero a mais importante num estado democrático e de direito): Não disse que efectivamente tinha lido o artigo em causa. Sendo o artigo a base do dito processo, tudo o resto é irrelevante para o caso (o processo de difamação).
Só depois de o conhecer, analisar (não segundo as nossas leis mas pelas Italianas – que desconheço mas admito serem idênticas às nossas na matéria) e avaliar é que me posso pronunciar. É assim que penso.
“A nossa admiração ou repulsa são emoções que em principio devem andar afastadas do nosso julgamento sobre as acções efectivas de pessoas. Até até aí estamos de acordo.”
Por acaso não estamos. O “nosso” julgamento é possível baseado nisto. É pessoal. O julgamento em tribunal é que não pode considerar estes aspectos.
A avaliação do carácter, moral, ética e da conduta pessoal que cada um faz de determinada pessoa é irrelevante em tribunal. São avaliações subjectivas e pessoais, baseadas precisamente em conceitos abstractos em função precisamente do carácter, moral, ética e da conduta pessoal de quem avalia.
Porque afinal, a “observação das cousas” muda conforme quem as observa e opiniões opostas são igualmente válidas neste contexto que falamos.
O que está em causa não é se gostamos do Berlusconi ou do Tabucchi.
Repito: Eu, pessoalmente, não assino de cruz sem saber do que estou a falar. Muito menos por questões de amor/ódio de cariz pessoal.
“Quanto a conflitos da mesma natureza em relação a escritores.
Ponhamos a coisa deste modo:-(…)”
Além de não ter percebido o que quis dizer, revelou outro aspecto perturbador.
O que disse foi “como é que resolvia então um diferendo idêntico entre 2 “grandes escritores”; ou seja, no caso em que 2 escritores (escritores apenas por Tabucchi ser escritor. Pode imaginar quem quiser) que considere “incentes” por igual, se desentendam e um deles processe o outro por difamação (tendo como base um artigo de jornal), como é que os “julga”?
E diz-me a Maria: “Pois teria que os julgar segundo a qualidade”!
Ou seja, se o “escritor x” insultar alarvemente o “escritor y” mas, na sua opinião, tiver “melhor qualidade” está absolvido!
E já nem comento o facto de comparar Berlusconi com Mussolini. Se o tivesse feito pelo aspecto físico ou tamanho, não deixava de ser uma “indirecta” sobre o que realmente pensa, mas pronto, passava. Agora o que faz é dizer aos milhões de vítimas da II guerra e do genocídio (e seus familiares) que não vale a pena fazerem “tanta fita” por coisas equivalentes a “mania das grandezas e de enormes desvios ilusórios sobre a sua própria pessoa” ou mesmo “sexo com menores”. Acho insultuoso.
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9 PedroM 3 Dez 2009 às 11:18
#8 Maria
PedroM.
Ena pai , o que vai para aí.
Resumindo tudo á expressão mais simples:-
A ironia é uma grande virtude.
Há quem a compreenda e aprecie.
Depois há os outros.
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#10 Maria
Sócrates e o resto do Parlamento também se devem achar muito “irónicos” com aquela conversa com que nos brindam.
Admito, sou dos que não a compreende e aprecia. Realmente, depois há outros. Há sempre.
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