É uma boa metáfora que o regresso de Sócrates às suas funções tenha sido a inauguração de um call-center para mostrar empenho na criação de emprego. A autarquia de Santo Tirso cedeu os terrenos à PT, uma área total de 3700 metros quadrados (uma mama que empresas sem qualquer dificuldade financeira arranjaram, esta de receberem terrenos pagos pelos contribuintes). Em troca, a PT diz que vai privilegiar a estabilidade no emprego. Vai contratar pessoas? Não queriam mais nada? Vai recorrer a empresas prestadoras de serviços. Mas há mais: diz a imprensa, repetindo o que lhe foi dito, que se trata de criação de “emprego qualificado”. Porquê? Porque será dada prioridade a candidatos que tenham o 12º ano. Sim, leram bem: call-center agora é “emprego qualificado”. Basta que os “colaboradores” tenham o 12º ano. Se tiverem licenciatura, como muitos têm, suponho que serão quadros superiores.


48 respostas ao post “O Portugal moderno do engenheiro Sócrates”  

  1. 1 1  Ricardo

    Credo, Daniel, mais um post como este e ainda o convidam para o 31 da Armada…

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Tens razão, Ricardo, porque a esquerda moderna defende que o Estado pague terrenos a grandes empresas para elas contratarem empresas prestadoras de serviços para lhes fornecerem trabalhadores sem que elas tenham de fazer contratos. E acha que o trabalho em call-centers é coisa muito qualificada. De facto, para um gajo não engolir isto deve ser porque é de direita. E até liberal, quem sabe.

  3. 3 3  Ricardo

    Ok, ok, talvez tenha exagerado um pouco. A verdade é que:

    1) é anti-governo;
    2 ) menospreza, mesmo que não intencionalmente, os operadores de call-center (só a malta com o 9º ano - esses falhados - é que serve para este tipo de trabalho, é?…); e
    3) qual Rodrigo Moita de Deus, termina com uma tentativa frustrada de fazer humor.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    Ricaro,
    1 - É anti-governo, é verdade. Mas isso nã é exclusivo da direita. Aliás, a direita social e opinadora não costuma ser especialmente violenta com Sócrates.

    2 - Não monespreza coisa nenhuma. Apenas diz que call centers não é trabalho qualificado. E não é por ser feito por pessoas com o 12º ano que passa a ser.

    De resto, ainda assim, acho normal que pessoas com o curso superior ou qualificação profissional por via do seu curriculo tenham, em geral, trabalho mais qualificado do que pessoas com o 9º ano ou sem curriculo nenhum. Isso nem quer dizer mais bem pago ou mais aliciante. Quer apenas dizer mais qualificado. Que exige maiores qualificações. É por isso mesmo que se diz que é qualificado: as pessoas passaram mais anos a preparar-se para ele. Ou estudando ou trabalhando.

    Seja como for, o trabalho num call center não exige qualificação. Nem académica nem profissional. Por isso não é qualificado.

    Não acho que pessoas com o 9º ano sejam falhadas. Mas também não acho que pessoas que têm trabalho menos qualificado sejam falhadas. Não costumo fazer essas avaliações das pessoas, muito menos tendo como critério a carreira profissional.

    3 - Não vejo onde está a tentativa de humor no post. Provavelmente achou que era frustrada porque não existia. O posto é todo ele sério.

  5. 5 5  Ricardo

    1 - Eu não falei na direita em geral, antes num certo tipo de direita, nomeadamente a de quem escreve no 31 da Armada, que de “social” não tem nada;

    2 - Espero que tenha entendido a ironia do “esses falhados”. Seja como for, a ideia com que eu fico é que, no que toca às ocupações profissionais de cada um, o Daniel parece ser apoiante de um (inesperadamente) sectário “cada macaco no seu galho”. Eu continuo a achar que, apesar de tudo, é preferível um licenciado a trabalhar como operador de call-center do que desempregado.

    3 - Há ali, no útimo parágrafo, um jogo de palavras com o “call-center”, o “emprego qualificado”, os “licenciados” e os “quadro superiores”, penso eu, mas isso também é irrelevante para o caso.

  6. 6 6  Daniel Oliveira

    Não discuto que não seja preferível (não deixa de ser uma perda de energias e recursos), continua a não ser trabalho qualificado. É só disso que estou a falar. Não é qualificado.

    Não, não acho que deva ser cada macaco no seu galho. Acho que para fazer alguns trabalhos (os qualificados) é necessária preparação específica. Eu gosto de saber que um advogado formou-se em direito e que um médico tirou medicina. Mas volto a repetir: a qualificação não tem de ser académica. Em muitas profissões qualificadas a carreira profissional é mais importante. Depende das profissões.

    Ainda assim, acho que há milhares de famílias a fazer enormes sacrificios para que os seus filhos se qualifiquem e melhorem as suas vidas. Podem não arranjar outro emprego e não conseguirem aquilo que queriam. Escusam é de ser insultados e dizerem-lhes que aquilo é um trabalho qualificado. Não é e eles, mais do que ninguém, o sabem. Sabem que não estão a usar as ferramentas que, com tanto sacrifício, conquistaram.

    A questão central, se não ficou claro, é que o trabalho qualificado está a desaparecer e não a aparecer no país. Isto, quando temos mais gente qualificada do que tinhamos. E as razões são profundas e políticas: as escolhas do tipo de desenvolvimento que queremos ter. E Sócrates segue o pior dos caminhos. Esta inauguração, valendo o que vale, é um excelente exemplo daquilo que ele pensa ser a solução para o país. E é assim porque ele não faz ideia para onde quer ir. Não tem nem nunca teve um rumo. É um político de plástico sem substância nem programa.

  7. 7 7  Fado Alexandrino

    A primeira coisa que é preciso analisar ao ler este post é perdoar a Daniel Oliveira por julgar que o mundo parou em mil novecentos e carqueja.
    Para o bem e para o mal tudo mudou.

    E portanto os “call centers” são hoje uma necessidade imperiosa das empresas.
    Por serem de carácter extremamente volátil o seu quadro de pessoal é flutuante e por isso nenhuma empresa moderna contrata pessoal antes entregando esse serviço a empresas externas.
    Por outro lado todas as autarquias disputam esse bem raro que é o emprego. Aposto que todas as pessoas desta autarquia estão satisfeitas com a entrega dos terrenos.

    Claro que isto são conceitos muito difíceis de perceber por qualquer adepto do Bloco de Esquerda que ainda ontem classificou de perigo social, um dos maiores empregadores portugueses, esse mesmo o Belmiro de Azevedo.

  8. 8 8  Hugo

    Alguém se lembra do outro engenheiro (Guterres) ter em meados da década de 90 vendido as licenças de 3G às operadoras ao preço da banana enquanto no resto da europa custavam biliões? Tudo com o pretexto de termos mais tarde (i.e. agora) comunicações mais baratas… (são das mais caras da europa).

  9. 9 9  samuel

    ó Daniel, tu aindaperdesw tempo com estes socretinas de merda.

    Vão bugiar.

    Qualificados são os empregos das filhas e amantes como no caso do ministério da Justiça. isso sim são empregos.

  10. 10 10  Rui Sousa

    Penso que não se trata nem de direita nem de esquerda. Apenas olhos e ouvidos para se achar fascinante este regresso de Férias do nosso primeiro. Continuamos a apostar no “mesmo cavalo” que nos oferece baixos salarios em troca de generosas ofertas a empresas como a PT. É Genial não?
    Continuamos sem direcção, não se ouve ninguém no Governo nem fora dele discutindo a Estratégia de portugal para o futuro. o mesmo caminho de soluçoes em cima dos joelhos pois as eleiçoes são já aí.
    O problema não são as eleiçoes serem já ai, o problema é o medo de quem esta no “poleiro” perder tao rapidamente todas as benesses que a posição lhes traz. Talvez ´so com mais de uma legislatura arranjam as fabulosas posições com que a nossa classe politica se entretem depois da sua aventura parlamentar.
    Tudo já era muito fraquito, mas porque não a comunicação social deixar de transmitir tais eventos (novo PC/ call center)
    Por falar em call-center; porque será que uma boa parte dos call-center dos USA não é nos USA? Não terão mao de obra qualificada?

  11. 11 11  clara martins

    Porque é que a malta do Bloco é tão elitista? E convencida? É por isto que eu deixei de votar no BE. Assim não vão longe, Daniel Oliveira.

  12. 12 12  O Psiquiatra de serviço

    Não sei porquê, mas sempre que ouço um político a prometer postos de trabalho fico sempre com a pulga atrás da orelha. É que em 95% dos casos trata-se, invariavelmente, de emprego artificial. Quer dizer - um emprego que não gera riqueza suficiente para liquidar a sua remuneração.

  13. 13 13  Daniel Oliveira

    Clara Martins, leia lá o post e diga lá onde é que ele é elitista? Trabalho qualificado quer dizer uma coisa, não é forma de ser simpático com o trabalho.

    Talvez não me conheça, mas vou-lhe dizer uma coisa que aqui já disse várias vezes: é-me absolutamente indiferente em quem vota.

  14. 14 14  Emanuel

    Interessante e inovador seria por exemplo aproveitar os muitos terrenos abandonados e criar indústrias agrícolas e aumentar a nossa produção nessa área. Motivar a “mão-de-obra qualificada” a criar empresas e gerar receitas. Desta maneira o que vamos criar? Vamos dar dinheiro a jovens, para investirem em telemóveis e outros bens não produzidos por cá e que depois vão recorrer a call-centers para os ajudar…
    Já agora… só quem nunca recorreu a serviços de call-centers é que pode realmente falar em “trabalho qualificado”…

  15. 15 15  Daniel Oliveira

    “os “call centers” são hoje uma necessidade imperiosa das empresas.
    Por serem de carácter extremamente volátil o seu quadro de pessoal é flutuante e por isso nenhuma empresa moderna contrata pessoal antes entregando esse serviço a empresas externas.”

    Agora que despejou a cassete diga lá: em quem é que o seu quadro de pessoal nesta função tem de ser mais flutuante do que qualquer outro? Claro que as coisas mudaram. Mas nem sempre mudam para melhor e as mudanças somos nós que as fazemos.

  16. 16 16  Sebastião Dias

    Num país de mão-de-obra pouco qualificada e de elevado desemprego entre a mão-de-obra pouco qualificada, é de louvar a criação de emprego para mão-de-obra pouco qualificada.

    No entanto o Sócrates confunde um pouco as coisas.

    Em primeiro lugar, não foi o governo que criou os postos de emprego dos quais ele se anda agora a gabar, foram as empresas, alé de que os postos de emprego criados ficam bastante aquem das promessas eleitorais feitas, que agora convém não lembrar.

    Em segundo lugar, e como o Daniel diz, estes postos de trabalho realmente não são de mão-de-obra qualificada, mas eu desculpo este erro de Sócrates pelo seu percurso académico de pouco qualificado, sinuoso e pouco transparente, que mais tarde se veio produzir os resultados que se conhecem, nomeadamente as famosas casas do Sócrates.

    É este o Portugal que temos para o século XXI. Um país moderno em que os jovens devem ambicionar trabalhar em call-centers e cujo governo se especializou na organização de eventos.

  17. 17 17  jtmota

    Apenas 3 pontos que me merecem referencia no post:

    1- De facto o trabalho num caal-ceter não é trabalho qualificado. Dizer tal é atentar contra a iteligência de quem ouve tal coisa.

    2- Quanto a cedência de terrenos pela autarquia, poderá ser, ou não, um bom negócio para a mesma dependendo das contrapartidas dadas pela empresa. Poderá ser um mau negócio, um paliativo para uma situação conjuntural de desemprego, com efeitos imediatos em termos eleitorais na autrquia, ou talvez um grande negócio.

    3- Mas que raio faz o Socrates ali? Não estamos perante um protocolo entre uma empresa privada e uma autarquia?

  18. 18 18  PR

    Não se esqueçam do apoio amigo do Bava…

  19. 19 19  jcd

    “Seja como for, o trabalho num call center não exige qualificação. Nem académica nem profissional. Por isso não é qualificado.”

    Pode ser ou não. Se for para perguntar um número de telefone, não será. Se for para ajudar a instalar uma rede é. O serviço de apoio da Linksys, por exemplo, pareceu-me bastante qualificado. Segundo as notícias, este call-center vai servir os clientes da PT de banda larga, Sapo ADSL, banda larga móvel TMN, Meo TV e clientes empresariais, logo tem mesmo quer mais qualificado que o serviço 118, que está instalado em cabo Verde.

    O Daniel prefere que a PT faça o call center em S.João da Madeira ou que o deslocalize?

    De qualquer modo, como é que o sugere que se façam os call-centers? O objectivo não discutir filosofia, é responder a perguntas de quem precisa de ajuda.

    E claro que estas coisas são flutuantes. Por exemplo, lança-se um novo produto no mercado. Durante uns tempos há uma enxurrada de pedidos de informação. Depois, quase que desaparecem. Depois, vem os pedidos de apoio técnico, concentrados nos primeiros tempos de vida dos produtos, quando a maior parte dos clientes os adquire. Os problemas reportados vão sendo identificados e corrigidos, pelo que o número de chamadas tem tendência a diminuir.

    Outro exemplo, sempre que há uma grande competição internacional, tipo Europeu de Futebol, há milhares de novos assinantes dos sistemas por cabo. Nesses dias, o número de chamadas dispara.

    Como é que o Daniel quer, com as leis de trabalho mais rígidas que se podem conceber, adaptar-se as necessidades sem se socorrer à contratação?

  20. 20 20  António de Almeida

    -Esta questão não divide esquerda/direita, socialistas/liberais/conservadores, ou quem quer que seja. Esta questão é na realidade um embuste, a PT instala-se em Santo Tirso, deslocaliza os call-centers de Lisboa e Porto para lá, à medida que forem terminando os contratos com os prestadores de serviços que existem no presente, centralizando num local, permite racionalizar custos. Provavelmente já não percebo nada de empresas, mas antigamente (no período pré-Socrático), estas coisas significavam redução na mão de obra. Onde alguns conseguem ver a criação de 1200 postos de trabalho, eu teimo em ver a substituição de prestadores de serviço, talvez mais de 1200 espalhados pelo país, por estes centralizados em Santo Tirso. O negócio foi bom para a autarquia? Sim, por isso aceito a entrega dos terrenos públicos, bom para a PT? certamente que sim, bom para o país? Não! daí não compreendo a deslocação de José Socrates, afinal o homem é P.M., gostemos dele ou não, nem tão pouco Manuel Pinho, para uma cerimónia destas, justificava-se a presença dum secretário de estado, do autarca e do presidente da PT. Se isto fosse um país normal, e não uma república das bananas.

  21. 21 21  Minhoto

    O Daniel tem razão neste post, isto é emprego da treta, o 12 º ano deve ser daquele das novas oportunidades. Se for para empregar o pessoal das fábricas que foi despedido e andou em cursitos acho bem. Agora enfiar a juventude num call-center é capar-lhes o futuro!

  22. 22 22  Ibn Erriq

    Ninguém tem dúvidas que o PM gostaria de anunciar empregos realmente qualificados e duradouros. O facto de ter anunciar estes é bem o sinal do estado a que isto chegou!

    Como se diz na minha terra, “quem não tem cão caça com gato” ou ainda “quando não há trigo comesse centeio”.

    Qualquer dos ditados populares não é muito abonatório :(

  23. 23 23  Vítor

    Acredito que em alguns casos como no caso das avarias e dos procedimentos técnicos, o trabalho tenha de ser qualificado. Mas também não me interessa se nos call-centers o tipo trabalho é qualificado ou não, o que interessa são as vantagens para o trabalhador.

    Mas para quem conhece a região de S. Tirso que é campeã no desemprego, esta notícia acaba por ser excelente. Mais vale este tipo de emprego que nenhum. E acho excelente que se dêem este tipo de oportunidades a pessoas com maiores qualificações visto serem as mais prejudicadas mesmo que seja em Call-Centers.

    Na empresa onde estou, eu comecei por Operador de Carga em Trabalho Temporário apesar de ter Licenciatura e Pós-Graduações, mas no entanto tive sempre perspectivas de melhorias de condições de trabalho na medida em que a empresa estava em fase de progressão. Eu conheço pessoas que estavam efectivas e vieram para o desemprego porque a empresa faliu. Por isso, o tipo de contrato de trabalho por vezes não tem grande significado.

    Como diz o velho ditado: “Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar”.

  24. 24 24  Sebastião Dias

    Daniel, estranho que durante a silly season e a sua escassez de notícias de jeito na política nacional, não se vire para o comentário aos acontecimentos internacionais que marcam, e como marcam, a actualidade internacional, como seja o caso da Geórgia.

    Não sei se a trupe do «politicamente correcto» da qual eu acho que o Daniel faz parte, mas também da qual o Daniel se gosta de excluir, já tem uma posição moralmente inabalável e coerente com declarações passadas acerca deste assunto, do tipo «votamos no Aristides Sousa Mendes para o maior português de sempre». Ao jeito do «quando o telefone toca», gostava de pedir mais postas sobre o assunto.

    É que eu, que sempre fui defensor dos Estados Unidos, e que sempre vi esta nação como grande aliado da Europa, estou, como sempre estive, mais preocupado com o gigante russo, que nunca foi nosso aliado, que mesmo quando dorme está com uma orelha levantada e quando acorda é ferrar sem dó nem piedade. Pois parece que o gigante russo está de novo acordado, sem ançaime e disposto a marcar território. Quanto à Europa, essa tem a sua poderosíssima arma, a da superioridade moral de quem se faz de morto, quem não quer ter opinião para não levantar o traseiro balofo do sofá.

    -Estou? Amigo Bush? Adivinha lá quem fala!…

  25. 25 25  Daniel Oliveira

    Sebastião, escrevi aqui e no Expresso (pode seguir o link na coluna da direita) sobre a Geórgia.

  26. 26 26  Daniel Oliveira

    jcd, os funcionários de call centers (conheço alguns) seguem à risca o que está escrito nos protocolos. Têm uma formação curta para a função que vão desempenhar e depois seguem o que está escrito à sua frente. Para coisas mais complicadas temos o apoio técnico mais especializado, que é uma coisa diferente e não é, que eu saiba, resolvido ali, nem ao telefone. Posso estar enganado, claro.

    Já agora, conheço bem o serviço de call center da Netcabo (que era da PT), por muitas vezes ter percisado dele, e é péssimo, apesar de ter melhorado, pela minha experiência, nos últimos dois anos.

  27. 27 27  André Carapinha

    Toda a gente que trabalha ou já trabalhou num call center sabe muito bem que tipo de trabalho “qualificado” é esse.
    Trata-se, isso sim, de trabalho completamente desqualificado, com trabalhadores altamente qualificados: licenciados, estudantes universitários, etc., onde as empresas de contratação temporária praticam as maiores arbitrariedades e ilegalidades, e que vive do parasitismo do desemprego entre os jovens licenciados ou com o 12º ano. Inclusivé, o sistema está montado de tal forma que a margem de lucro é tão maior quanto a qualificação dos trabalhadores (por exemplo, ter um engenheiro informático a atender uma linha de suporte à internet).
    Não estou a discutir as razões desse desemprego, ou as hipotéticas necessidades deste tipo de empreendimentos em Santo Tirso, mas a afirmação totalmente despudorada do Sócrates. Emprego qualificado para um engenheiro informático não é trabalhar num call center, é trabalhar em engenharia informática.

  28. 28 28  Justicialista

    Pior que tudo isto foi o Sr. Sócrates ter dito que já tinha cumprido a promessa de criar 150.000 empregos. AHAHAHAHAHAHAHAHA.

  29. 29 29  Duarte Sousa

    Realmente, este PM faz de tudo para disfarçar a qualidade dos dados estatísticos. Mas a culpa também é do povo que elege estes partidos.

    Bem sei que a maioria da população é mal formada, mas com tantos anos de PSD e PS já tinhamos obrigação de exigir melhor. Não quero com isto dizer que a solução recai sobre partidos como o CDS, o PCP ou o BE. Longe disso.

    O que eu quero é um governo que adopte um modelo de governação semelhante ao de países como a Holanda, Suécia, Noruega, Finlândia, Dinamarca, Islândia e Canadá. Esses sim, são os modelos a seguir. Não são os EUA, e muito menos os países que se dizem comunistas (China, Coreia do Norte, Cuba, Angola e Ex-URSS).

    As pessoas precisam de se manifestar e discutir cada vez mais a política exercida neste país. O ideal seria termos um fórum de discussão pública ao ar-livre, em que as diferenças partidárias são postas de lado. O que interessa é o bem-estar do país e não dos partidos, cuja maioria dos deputados não merece metade do que ganha (e alguns ainda se queixam).

    Já se percebeu que a grande chave para o desenvolvimento de um país é a educação. No entanto, parece que a lição não serviu de muito. Vamos contruir novas autoestradas, pontes e aeroportos, mas sobre faculdades e escolas técnicas nem uma palavra que nos possa satisfazer minimamente.

    Pergunto-me se haverá efectivamente espaço no domínio político nacional para as pessoas competentes?

    Shalom

  30. 30 30  Fado Alexandrino

    Agora que despejou a cassete

    Não se irrite.

    Se há algo que um liberal não usa é uma cassete, pela simples razão de que não pode repetir Ad nauseam uma receita pré-formatada para os problemas económicos.

    Ia para responder á sua questão, uma tarefa bastante delicada, mas vejo com agrado que outros intervenientes já lhe explicaram o que é o (cuidado que o que segue é um palavrão) mercado.

    Mas aproveito para lhe explicar como é que o socialismo resolve o problema de o mercado abrandar na compra de um determinado produto.

    Tomemos por exemplo um casaco.
    Vendiam-se cem e passaram a vender-se cinquenta e portanto é preciso reduzir o número de trabalhadores ou lançar a empresa na falência.
    Agora surge o senhor Daniel Oliveira e explica:

    -Se em vez de duas casas e dois botões fizermos cinco casas e colocarmos cinco botões os casacos demoram mais tempo a fazer e já ninguém é despedido.
    Uma óptima ideia embora em vez dos cinquenta que se vendiam se passam a vender nenhum.

    Mas é assim que os trabalhadores ganham as suas justas guerras contra o patronato como se verificou na Opel da Azambuja.

    Para terminar tenho uma informação que o vai fazer saltar de contente:
    Os três últimos telefonemas que me fizeram quer do Meo, quer da PT foram efectuados por simpáticas brasileiras.

  31. 31 31  A Luta Continua!

    Há pessoal que vive em realidade paralela!

    Quem vai trabalhar para o call center vai fazer um trabalho estúpido (POUCO QUALIFICADO!!), mal pago e com precariedade laboral. Se a intenção é tirar um dos concelhos com uma das maiores taxas de desemprego do país, acho que aqui também vai ser um fiasco, tendo em conta que, Santo Tirso fica nos arredores do Porto (Qual descentralização?…há pessoal que não conhece a geografia do país?!), perto de Braga, Famalicão, Guimarães, etc. Ou seja, tudo cidades com mesmo muita gente com formação académica…e sem emprego! Será essa legião de desgraçados que irá ocupar os lugares a ganhar quinhentos euritos a fazer esse trabalho estúpido.

    Numa região com a maior taxa de desemprego do país, e onde vivem um terço dos portugueses…é actualmente uma das regiões mais pobres de toda a Europa; o Primeiro Ministro deveria ter um pouco de vergonha na cara pelas alternativas miserentas que tem o desplante de anunciar.

  32. 32 32  Zé joão

    Daniel!
    Você não para de me surpreender!
    Trabalhar num call center é um trabalho tão digno como outro qualquer!
    Seja o trabalho executado por alguem com o 9º ano ou com um Doutoramento qualquer!
    O problema do mercado do trabalho em portugal é esse mesmo, impera a ideia (mediocre) que as licenciaturas destinguem as pessoas! Vá-se lá saber porquê!!!!!
    Bem se vê a merda que é feita e dita pelos “licenciados” e “mestres” e “doutores” que vao governando este país, que são comentadores da “treta” nos programas de televisão e por aí fora!
    O mercado de trabalho é feito de oportunidades!
    Ou as há ou não! Basta ser pragmatico.
    Os “licenciados” são qualificados numa determinada àrea e mais nada! Fora dessa área o seu valor é sempre relativo! Responsabilidade, dignidade e dinamismo, são caracteristicas humanas, não se aprende numa porcaria de uma faculdade! Se existem oportunidades nessa àrea tudo bem, se não, claro que vai haver um problema! Ser licenciado em Direito ou noutra área qualquer não garante que a pessoa seja “multi-task”!!!! Por isso não sei o que as pessoas querem ou esperam! Tem tudo a mania que é Doutor!!! E todos gostam de viver com esse “status”! Quando vamos a ver a maioria é um “simples” licenciado, termo académico que nem é suficiente para o classificar como “perito” numa determinada área! Por isso… acordem! O que uma pessoa tem é de ser é flexivel para aprender sempre algo mais!!!!!! Se não não se sobrevive no mercado de trabalho!!!!!
    Se um licenciado acabar a trabalhar num call center só tem é de dar o seu melhor! E não pensar que está a trabalhar no meio de “aliens” que lhe são inferiores, pois isso não é verdade! Se quiser algo melhor tem de fazer por isso e não se lamentar de que como é “licenciado” merece algo melhor e por isso não aceita trabalhos onde se pagam 500 euros… Nós não vivemos num pais hiperdesenvolvido e com uma economia prospera… mas acho que isso já deu para perceber! Ou não?

  33. 33 33  mariana

    há poucos anos atrás, andava eu no 1º ano da faculdade, cruzei-me na rua com uma amiga de infância que me disse que, enquanto tirava um curso técnico de teatro, estava a trabalhar no call center da optimus em matosinhos. na altura, lembro-me de ter comentado: boa ideia! isso parece-me um bom emprego para quem está a estudar. ao que ela anuiu, dizendo que não dá para viver mas sempre juntava algum para tirar o curso de bailado em madrid.

    6 anos depois, começo a ficar baralhada. aquilo que eu, e a minha amiga, tomávamos por um trabalho de “biscate” para os estudantes, bom para juntar uns trocos, está a ser visto como um trabalho para a vida. como servir às mesas em esplanadas, como fazer pizzas ou fritar batatas. de repente (ou não foi? a mim pareceu-me de repente…) aquilo que eram trabalhos de circunstância, ou então trabalhos reservados a quem não queria (ou infelizmente não podia) estudar mais, estão agora a ser tomados como empregos “sérios”, empregos “de carreira”.

    um 1º ministro dizer isto, e louvar a mão-de-obra qualificada destes empregos, não é só uma besta a gozar com a desgraça alheia. é o culminar da total desacreditação da formação académica como meio para obter mais e melhores empregos. é mostrar às empresas que elas não precisam de licenciados para nada, só para falar ao telefone. e para, nos intervalos, tirarem umas cervejolas…

  34. 34 34  Daniel Oliveira

    “Daniel!
    Você não para de me surpreender!
    Trabalhar num call center é um trabalho tão digno como outro qualquer!”

    Mas o trabalho não qualificado é pouco digno? Saberão alguns comentadores o que quer dizer “trabalho qualificado”?

  35. 35 35  Luís

    As maminhas para os 150 mil empregos:

    Barclays e PT vão ter centro de atendimento a clientes no Vale do Ave
    2008/08/08

    João Gonçalves revelou que, «tal como o Estado português faz com as empresas estrangeiras, o grupo CRH também ficará isento de pagar contribuições à segurança social durante os primeiros anos de funcionamento».

    http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=979771&div_id=1728

  36. 36 36  Sebastião Dias

    Há muito desemprego, há muitas pessoas desqualificadas no desemprego mas, curiosamente, há também bastante emprego para pessoas desqualificadas que não querem trabalhar em trabalhos que não precisam de qualificação.

    Eu, enquanto profissional qualificado, e exercendo uma profissão que me deixa pouco tempo livre - o único tempo livre que tenho é para escrever aqui uns posts, que algumas pessoas me dizem que não têm qualificação - ando deseperadamente à procura há cerca de dois meses de uma pessoa, que não precisa de quaisquer qualificações, para fazer as limpezas em minha casa (que está a ficar num estado inqualificável).

    Conheço muita gente com exactamente o mesmo problema. Há também muita falta de vontade para trabalhar.

  37. 37 37  Duarte Sousa

    “Daniel!
    Você não para de me surpreender!
    Trabalhar num call center é um trabalho tão digno como outro qualquer!”

    Mas o trabalho não qualificado é pouco digno? Saberão alguns comentadores o que quer dizer “trabalho qualificado”?”

    Nem vale a pena comentar. Esta gente faz de tudo para tentar ficar na mó de cima, mesmo que não tenham razão nenhuma. Conversa de manhosos…

    Para que fique claro. O trabalho no call center é digno, mas não pode ser considerado como emprego qualificado. Emprego qualificado é aquele que requer habilitações superiores.

    Se estivéssemos num país desenvolvido, os estudante universitário seriam pagos para prosseguir os seus estudos, tal como acontece na Dinamarca. Mas na verdade vivemos num dos países mais atrasados da UE. Em breve ficaremos em último lugar, senão mudarmos drasticamente de rumo.

    Quando é que isso acontecerá? Se os portugueses contam com alguma espécie de Messias, bem podem esperar. A mudança tem de surgir a partir de nós. Resta saber se haverá espírito e engenho para tal.

  38. 38 38  A Luta Continua!

    Mariana, o seu comentário pareceu-me muito oportuno. De facto há gente a viver em realidade paralela e sem muito sentido da decência; desde logo, considerarem normal que uma empresa que tem lucros de muitos milhões de euros, receba terrenos à borla para contratar licenciados (Como o pessoal da direita gosta de dizer: que a sua formação custou muitos milhões de euros aos contribuintes) a pagar misérias que impossibilitam a sobrevivência económica, sem qualquer espécie de vinculo laboral.

    Enfim, é a diferença entre a direita e a esquerda…É por isso que estou onde estou…essencialmente por uma questão de decência.

  39. 39 39  CausasPerdidas

    A velha distorção.
    O problema não está num quadro legal que salvaguarde actividades caracterizadas pela sazonalidade, nestes casos o contratado sabe ao que vai e sabe também que se trata de um emprego de passagem. Exemplo? O turismo. Os restaurantes em época alta necessitam de bem mais gente que nas épocas em que o turismo não tem expressão.
    Também as empresas especializadas que fazem determinados tipos de serviços especializados para outras empresas estão sujeitas às flutuações do mercado. Mesmo assim, mesmo “levezinha”, não há empresa que sobreviva se não tiver um quadro de confiança que lhe garanta mais valia técnica.
    Os “call-centers” não são todos iguais. Se há casos em que se está durante algum tempo a promover um produto - outra vez uma situação de emprego de passagem -, outros casos há em que o atendimento corresponde a uma actividade efectiva da empresa. O atendimento da EDP era feito até há poucos anos por funcionários do quadro, com possibilidade de movimentação interna “para” e “de” e foi entregue a traficantes de carne humana, vulgo empresas de “trabalho temporário” que despedem os trabalhadores/as quando estes estão perto de adquirir direitos devido à sua antiguidade - com reflexo, aliás, na qualidade do atendimento que a empresa presta aos clientes. Para não falar da descapitalização técnica que a sangria da “eléctrica” tem sofrido à conta da entrega de actividades originais da empresa a sociedades de “carne para canhão” e empresas satélites com mais e mais administradores e menos trabalhadores com direitos…
    No caso concreto. Perante a falta de emprego no interior a chegada de qualquer actividade, mesmo “descartável”, é sempre bem vinda. As pessoas precisam de sobreviver. Os municípios, mais jeitinho menos interesse, têm que fazer algo. Caso contrário descobrem um dia que as listas de eleitores estão vazias.
    O que está em causa no “post” do Daniel e que foi convenientemente escamoteado atrás é a contradição do discurso do “choque tecnológico” com o embandeirar em arco com um “call-center”. Dos tais milhares de postos de trabalhos e de qualificação tecnológica, zero. A não ser que “o média seja o emprego”, isto é, pelo facto de se trabalhar com alta tecnologia (telefones) se considere um “call-center” uma forma de emprego estruturante para um país que quer sair da cepa torta…
    Quanto à abertura de espírito de liberais e dos outros… basta ligar a TV para ver quem se repete. É sempre a mesma conversa da legislação laboral muito protectora, blá, blá… Mas o que eu vejo é o lucro especulativo a aumentar e as vidas de milhões de trabalhadores a serem sacrificadas no altar da especulação. E dos números que dizem que trabalhamos mais horas, que temos menos direitos e que somos menos produtivos que os países-modelo em direitos sociais a serem sempre esquecidos pelos comentadores profissionais, nada. Fico mesmo com a sensação de que a legalização da escravatura até seria bem vista por muita dessa gente - quando falo de escravatura, não falo do Spartucus, refiro-me a carradas de horas de trabalho-extra (que são postos de trabalho que ficam por oferecer), ao tempo desperdiçado em transportes e em actividades que podiam ser descentralizadas. Outra vez: a EDP e a Telecom fecharam muitas dependências para centralizarem tudo nas grandes cidades obrigando os seus trabalhadores a perderem parte do dia enfiados nos transportes (e os “valores da família”?) E, claro, os clientes sem atendimento. E a seguir os tais “call-centers”, a mão-de-obra descartável. E milhares de trabalhadores com conhecimentos obrigados a ir para a pré-reforma. E o horror dos salários dos sujeitos que tomaram estas decisões.
    A “mão invisível” a funcionar ao arrepio do controlo dos cidadãos. Lição rápida de economia socialista: antigamente pagava-se a portagem para fazer a manutenção da ponte, agora paga-se para a manutenção e para o lucro dos accionistas.

    Quanto aos pobres dos fabricantes de fatos e sapatos, toda a gente sabe das qualidades “empresariais” de muitos deles. “Se pudéssemos ter um bocadinho do comunismo chinês, mas só para os trabalhadores”.
    No outro caso, o da indústria automóvel, Setúbal: Movauto (Peugeot , Datsun, Honda, Mercedes…) IMA (Mini…), Barreiros (Volkswagen…), Renault, Entreposto,…todas estas empresas fecharam. Baixos índices de produtividade? Hum…
    Estas empresas só faziam montagem - o que no caso da metalurgia quer dizer: actividade assente em “operários não especializados”. Idem, para os montadores de electromésticos. “Fundição de Oeiras”, “Produtos Estrela”, no Porto…
    “Não faças, compra já feito, segue o exemplo do “ti” Belmiro”. Inovação? Industrialização? Subsíduo do Estado já! Que morram os direitos adquiridos dos trabalhadores! Temos os patrões mais socialistas da Europa!

    Regressando aos popós, que sobrou de uma possível actividade inovadora de construção automóvel em Portugal? A Autoeuropa. Tirando as empresas satélites, algumas bem interessantes em termos tecnológicos e com possibilidade de fabricarem outros produtos, o que sobrará quando os tipos na Alemanha fizerem o mesmo que na Bélgica e fecharem a fábrica ou quando for atingido o limite do tolerável na negociação com os trabalhadores? Não ficará nada.
    O trabalho desqualificado pode ser feito em qualquer lado, é o seu preço (baixo) e o custo do transporte das matérias primas e dos produtos acabados, e ainda a proximidade de um mercado “decente” que ditam o investimento.
    Variar o que é preciso é variar. E as “bolhas” rebentar.

    Quanto ao resto, basta verificar os lucros das tais empresas que os trabalhadores “afundam” - no dizer de uns tantos que nunca comeram o pão que o diabo amassou. São quase nulos, a prova evidente de que “somos um país católico”: os patrões mantêm as empresas abertas só para dar emprego aos trabalhadores…
    E depois ver que a quantidade de sinais exteriores de riqueza é maior nos sítios onde há mais salários (dos mais baixos) por pagar… O triunfo do mais aptos, o malvado do Darwin tinha que ter razão em alguma coisa!
    A verdade é que a modernização de Portugal continua a não se fazer por culpa dos seus dirigentes, porque têm interesse directo no estado das coisas ou são capatazes políticos dos primeiros. Ao governo classifico-o nesta última categoria.

    Os tais “geradores de riqueza” - das respectivas contas bancárias, bem entendido -, tão admirados pelos darwinistas sociais, passam a vida a ameaçar meter o dinheiro “lá fora” quando o Estado lhes exige um pouco mais. Os outros que paguem a conta, lucros privatizados e socialização dos custos… Quem tiver paciência, que escarafunche bem o caso de Tróia, ali, do outro lado do Sado e a três quilómetros a nado de Setúbal. E responda: Porque é que Sócrates ofereceu as areias da praia dos setubalenses ao merceeiro?

    Como isto vai longo e a casa não é minha: Os arautos dos que (de facto) decidem, não percebem o que quer dizer “TRABALHAR PARA VIVER E NÃO VIVER PARA TRABALHAR”. Mandam trabalhar por nada os outros que já vivem esmagados pelo trabalho de sobreviver. Só sabem fazer isso, tentar convencer os outros que não há nada para além da vida miserável do “fa- favor onde quer que me ponha”. Não viveriam muito tempo num país onde houvesse trabalho para todos e só comesse quem trabalhasse - nunca vi nenhum, mas é porreiro pensar que tal possa acontecer, também não há quem acredite que depois de morrer vai para o céu?
    Retalhos de um tempo que vai retornando: “os tigres combati-os eu e fui devorado pelos percevejos”.

  40. 40 40  Justicialista

    O facto de o Daniel ter que andar a explicar mais de 15 vezes o que quis dizer no seu post e que é mais que óbvio para qualquer pessoa minimamente instruída, demonstra que QUALIFICAÇÃO [e trabalho qualificado muito menos] é coisa que os portugueses não têm e nem nunca vão ter, dado é o estado calamitoso do ensino em Portugal. Cada vez acho mais que não nasci para ser Português.

  41. 41 41  aix

    Em termos académicos(para efeito de estudo de profissões)costuma-se distinguir «trabalho qualificado» de «trabalho especializado».O critério é o 1º pressupor estudos ou experiência que creditem uma carteira profissional(tão qualificado é o electricista encartado como o médico).O trabalho especializado implica conhecimentos e/ou capacidades que se podem adquirir pela experiência em tempo curto.(Estudos revelaram que mais de 80% dos trabalhos numa produção em série -vg. montagem de automóveis-são aprendidos em menos de uma semana).O trabalho indiferenciado é que é meramente repetitivo e aprende-se em escassa horas

  42. 42 42  Zé joão

    Claro Daniel!
    Eu não sei o que é “trabalho qualificado”!
    Aliás em portugal só mesmo o Daniel é que é de tal forma sapiente para o saber!
    Mas de certeza que você tambem não sabe o que é!!!! Especialmente se reduz o conceito de “trabalho qualificado” ao ter-se uma licenciatura!!!!
    O que eu acho, pelo aquilo que tenho observado de si, é que você é um bom exemplo de falta de qualificação para o trabalho que faz!
    Enfim, “ciganices”…

  43. 43 43  Daniel Oliveira

    Escreve o Zé João “Mas de certeza que você tambem não sabe o que é!!!! Especialmente se reduz o conceito de “trabalho qualificado” ao ter-se uma licenciatura!!!!”

    Escrevi eu: “De resto, ainda assim, acho normal que pessoas com o curso superior ou QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL por via do seu CURRICULO tenham, em geral, trabalho mais qualificado do que pessoas com o 9º ano ou SEM CURRICULO nenhum. Isso nem quer dizer mais bem pago ou mais aliciante. Quer apenas dizer mais qualificado. Que exige maiores qualificações. É por isso mesmo que se diz que é qualificado: as pessoas passaram mais anos a preparar-se para ele. Ou estudando ou TRABALHANDO.

    Seja como for, o trabalho num call center não exige qualificação. Nem académica NEM PROFISSIONAL. Por isso não é qualificado.”

    Não leu ou não percebe as frases mais simples que lê, caro Zé?

  44. 44 44  Zé João

    Meu caro Daniel:

    “Não leu ou não percebe as frases mais simples que lê, caro Zé?”
    È como me sinto ao perante si e tão altiva sapiencia:
    Um IGNORANTE!!!!
    LOL

  45. 45 45  Daniel Oliveira

    Meu caro amigo, quem trata os outros com arrogância (”o que eu acho, pelo aquilo que tenho observado de si, é que você é um bom exemplo de falta de qualificação para o trabalho que faz!”) tem de estar preparado para ser tratado da mesma maneira. O meu curriculo está disponível na página. Poderá achar que me falta talento (sendo assim lamentavel que perca o seu tempio a vir aqui ler-me), qualificação não me faltará.

    Vejo que diz que eu disse uma coisa e não perde tempo a reconhecer que eu disse outra. Um estilo.

  46. 46 46  Zé joão

    Daniel:

    Quem parece que não se dá bem com a critica é você! E já dixou aqui exemplos flagrantes.
    No entanto eu, apeasar de discordar de si e de não me identificar , na generalidade, com a sua linha de pensamento não deixo de lhe reconhecer uma atitude critica que faz bem à nossa sociedade.
    Porem, independentemente do seu curriculo, que não me interessa para nada, pois isso não faz de si um melhor ser humano que qualquer outro, falta-lhe um pouco de humildade na sua analise e talvez , em vez de reagir tão prepotentemente à critica, deve olhar algumas vezes para si mesmo antes de encher os outros com tão “sapientes” lições de moral e a atribuição de adjectivos que muitas das vezes não são mais do que a projecção da sua atitude!
    Independentemente disso gosto de vir aqui, de vez em quando, e discutir consigo, concordando ou discordando, alguns temas que me parecem pertinentes!
    Tá a ver!
    As coisas não são assim tão más quanto parecem!

  47. 47 47  Pedro Sá

    A questão essencial é a da cedência do terreno: facilmente as autarquias cedem terrenos a empresas que com isso criem um número grande de postos de trabalho. E esse é que é o problema.

    Dão-se dedos e anéis porque vem aí emprego.

  48. 48 48  José Silva

    Cada vez é mais notória a falta de prepração de Pinto de Sousa, para falar de conceitos económico-financeiros; se bem me lembro quando foi da taxa Robin dos Bosques, ele falou que ia retirar uma parcela ao lucro brutal. Quem tem um mínimo de preparação, conhece o lucro bruto, o resultado líquido das demonstrações financeiras. Agora o que mais me pasma é que o dito engenheiro que nada percebe destes conceitos, fala como se estivesse ainda na pasta do ambiente, onde tem sido brutal a área queimada do resto da nossa floresta e talvez por isso utilize o termo líquido que é para apagar o fogo que lhe vai na alma:

    Empregos líquidos do Pinto
    -
    mesmo os cento trinta três mil
    propaganda no líquido estado
    recebem de um povo não senil
    este mero, tão simples atestado:
    -
    gastam o dinheiro em formação
    o povo está tão bem preparado
    limpando os cofres desta Nação
    índa dizem que está empregado?
    -
    quando se dá origem a uma fusão
    um líquido sai dum sólido estado
    inda não é o estado desta Nação?
    -
    deve ser o mero estado de mágoa
    o que este Pinto teria afirmado:
    foi o gelo que passou a ser água?
    -
    Pisco

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