João Miranda chama censores aos que são contra subsidios públicos a um museu de Salazar.
Em Outubro, João Miranda berrava contra o subsídio ao teatro de Plástico, «pago pela população»

Os pobres não deviam pagar o teatro que não viam, os que sofreram a repressão de Salazar devem pagar o museu que os insulta.

(Com a ajuda da Avenida Central)


Sem respostas ao post “O problema dele não é o subsidio, é o subsidiado”  

  1. 1 1  Nicolaias

    Uma coisa é manter viva a memória para não se cair nos mesmos erros, outra coisa é idolatrar os erros passados.
    No entanto, não me espanta que seja criado um “Museu Salazar”, uma vez que o Oliveirinha foi a personagem que venceu o concurso “Os Grandes Portugueses”. Com a ascensão da extrema direita na Europa, não me espanta, também, que os fascistas passem a ser adorados e desejado o seu retorno.

  2. 2 2  aqui

    Ser contra todos os subsídios do estado independentemente do conteúdo não é defender a censura.

    Ser contra os subsídios do estado apenas nos casos em que o conteúdo não agrada é defender a censura.

    Querer impedir o poder político eleito de Santa Comba de promover um projecto por razões de conteúdo e não se sendo de Samta Comba para além de ser tentativa de censura é querer voltar ao modelo autárquico do tempo do Estado Novo.

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Claro que eu não defendo subsídios sem critérios. E que critérios podem ser?

    De resto, João Miranda também não e o senhor também não, já que é a favor de subsídios a um museu.

  4. 4 4  Pedro Bizarro

    Daniel, julgo que há aqui duas posições possíveis:

    1- Ser-se contra a abertura do Museu, com ou sem subsídios. E isto é censura.

    2- Não se ter nada contra o museu per si, mas ser-se contra os subsídios. Neste caso, há duas subhipóteses:
    a) Ser-se, por norma, a favor dos subsídios, mas ser-se contra os mesmos neste caso concreto. Nesse caso, há uma disparidade de critérios que convém explicar, sob pena de os outros acharem que, no fundo, adoptamos a posição descrita em 1, mas temos problemas em admiti-lo directamente. Parece-me ser esta a posição do Daniel.
    b) Ser-se contra os subsídios à cultura em geral, sendo este apenas um caso igual a tantos outros. Aí podemos limitar-nos a criticar as posições expressas em 1 e 2, a). Parece-me ser esta a posição do João Miranda.

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    Claro que há sempre disparidade de critérios. Se assim não fosse, qualquer um que pedisse um subsidio recebia-o. De resto, eu posso ser contra uma coisa sem a querer censurar. Sou contra a abertura de um museu de elogio a Salazar e se o senhor acha que não tenho esse direito quem me está a tentar censurar é o senhor.

  6. 6 6  pedro bizarro

    Primeiro e antes de mais: sou genericamente contra a subsidiarização da cultura, o que inclui este caso concreto. A minha discordância tem apenas a ver com a forma como, defendendo-se os subsídios em abstracto, se é contra este subsídio em concreto.

    Em relação ao que escreveu:

    “Claro que há sempre disparidade de critérios. Se assim não fosse, qualquer um que pedisse um subsidio recebia-o.”

    1- Os subsídios não são uma inevitabilidade.
    2- Mesmo existindo, creio que não têm - nem devem - de ser concedidos ou negados em função das ideias implícitas na obra subsidiada, mas sim com base no que esta vem acrescentar à forma como vemos o mundo. Isto é um bocado vago, eu sei, mas parece-me que um museu com estas características, goste-se ou não dele, acrescenta de facto qualquer coisa.

    “Sou contra a abertura de um museu de elogio a Salazar e se o senhor acha que não tenho esse direito quem me está a tentar censurar é o senhor.”

    1- Uma coisa é a sua posição - pessoal - sobre o museu em si, que é obviamente livre e inatacável. Mas quanto a isso, tem bom remédio - não vá lá. Como vê, não o estou a tentar censurar.
    2- Outra coisa, completamente diferente, é a sua posição sobre o comportamento que o Estado português deve ter nesta matéria. Parece-me que é isto que estamos a debater. E aqui, até saúdo a sua posição sobre o financiamento estatal da cultura neste caso concreto, que coincide plenamente com a minha. Como escrevi logo ao início, só questiono os seus motivos, mais nada.

    E, quanto aos seus motivos, continua sem me explicar cabalmente porque é que, invertendo o raciocínio que fez em relação ao J. Miranda, defende que os pobres devem pagar o teatro que não vêem, mas que os que sofreram a repressão de Salazar não devem pagar o museu que os insulta.

    Mas há que agradecer ao bom povo de Santa Comba Dão e ao seu autarca - se não fosse por eles, acho que não viveria para ver o Daniel assumir uma posição liberal na questão do financiamento estatal da cultura. Mais umas ideias destas e ainda acabamos a ler o Daniel… no Blasfémias.

  7. 7 7  Daniel Oliveira

    «Mesmo existindo, creio que não têm - nem devem - de ser concedidos ou negados em função das ideias implícitas na obra subsidiada, mas sim com base no que esta vem acrescentar à forma como vemos o mundo.»

    Se ler o meu post anterior verá que estamos de acordo.

    Escrevi: «não tenho nada contra, muito pelo contrário, a existência de um museu sobre Salazar em Santa Comba Dão. Mas o Estado apenas o deve financiar se o projecto der garantias de rigor histórico e se for uma mais-valia para o estudo do Estado Novo. Seria até muito bem-vindo.»

    Um mausuleu a Salazar não acrescenta nada, um museu rigoroso sim.

    PS: Sou por principio defensor dos subsídios à cultura. Muito superiores aos que são dados hoje. E não deixo de achar estranho que se seja contra os subsídios à cultura e a favor de outros subsídios.

  8. 8 8  Sinfonia do disparate consonante

    Subsidiar a cultura é uma forma de fazer com que aquilo que está morto pareça vivo.

  9. 9 9  sebastao dias

    «Sou por principio defensor dos subsídios à cultura. Muito superiores aos que são dados hoje.»

    Também acho que sim, sobretudo se estiver a falar em subsidios de desemprego (e só nos casos em que descontaram para o fundo).

    E também no ensino das artes nas escolas - é aqui que se deve gastar dinheiro.

    Os artistas sem talento não são mais do que as outras pessoas que trabalham, que lutam por melhores empregos, que estão precários, que são despedidos, que chegam ao fim do mês com mais uns furos no cinto.

    Corte-se o subsidio a todos os chupistas medíocres que só são artistas na forma de conseguir dinheiros públicos para financiar a sua falta de talento.

    O talento quando existe manifesta-se. É rentável. Dá para enriquecer e gosto de ver os bons artistas compensados pelo seu público - há bons exemplos disso.

    A arte é uma actividade que envolve algum risco, mas este risco poderá ser minimizado na medida do talento de cada um.

    Se o artista acredita na sua ideia então que invista nela, como um empresário investe o seu dinheiro.

    Bem vistas as coisas, acho que todos concordamos que há demasiados artistas a ganhar dinheiro à conta do estado.

    Gosto muito de Inglaterra. Nunca vi tanto talento a ser exibido nas ruas e tão poucos subsidios a ser atribuidos a artistas.

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