Numa das escolas do 2º e 3º ciclos que foram analisadas, os estudantes pertencem maioritariamente a classes sociais elevadas, apresentam um bom desempenho escolar e beneficiam de equipamentos novos, enquanto noutra os alunos são sobretudo de classes desfavorecidas, registam altas taxas de reprovação e usufruem de equipamentos escolares degradados.
No primeiro caso, a percentagem de alunos que chumbaram mais do que uma vez é de apenas sete por cento, um valor que dispara para os 49 por cento na escola frequentada sobretudo por alunos de classes desfavorecidas.
A taxa dos que nunca chumbaram é igualmente esclarecedora, situando-se nos 82 por cento na primeira escola e em apenas 33 por cento na segunda.
“Sendo todas públicas e situadas na mesma zona, há escolas de elite e outras de crianças quase marginalizadas. Toda a gente quer pôr os filhos nas escolas com melhores alunos e essas acabam por ter mais candidatos do que vagas, o que lhes permite seleccionar os estudantes e excluir os repetentes ou os provenientes de um bairro social, por exemplo”, explicou Pedro Abrantes, um dos investigadores responsáveis do painel Diversidade e Desigualdade nas Escolas.
Por Daniel Oliveira 6 Dez 06 em Sem categoria


“o que lhes permite seleccionar os estudantes e excluir os repetentes ou os provenientes de um bairro social”
E depois há quem ache, como o director do Jornal onde essa notícia aparece, que em vez dessa selecção encapotada dever ser combatida, ela deve ser ainda mais incentivada dando total autonomia para as escolas seleccionarem que alunos aceitam.
Vale a pena pôr a questão: e eles importam-se com o desfecho indicado no estudo referenciado?!…. Suspeito que não. A direita neo-liberal e neo-conservadora nunca se preocupou com os que sofrem com as suas políticas. Simplesmente desprezam os “perdedores”.
DEpoois fazem rankings, comparando o incomparável.
E daí?
Há muitos anos que sabemos que é assim. Pelo menos desde os anos 60 (por exemplo, com os trabalhos de Bourdieu e Passeron) que a investigação deixou isso bem claro (e divulgou à exaustão) que se nada for feito, é assim mesmo. Sabemo-lo bem e o trabalho do ISCTE pelos vistos não traz nada de novo.
Mas a questão é outra: também já sabemos, pelo menos desde os anos 70, que isso não é uma inevitabilidade e que, se fizermos o trabalho adequado, também a esmagadora maioria das crianças de sectores socialmente desfavorecidos podem ter sucesso escolar e educativo.
Ás teses fatalistas da sociologia da educação podemos contrapôr as concepções pedagógicas da chamada “diferenciação pedagógica” que nos têm provado, na prática, no terreno, que é possível alterar esse estado de coisas e obter excelentes resultados.
Ora a pergunta é: o que está a ser feito para ajudar as crianças dessa escola (e as respectivas famílias) a terem sucesso na escola?
É incontornável a questão da origem, etc, etc, social dos alunos das nossas das escolas para as podermos hierarquizar em termos da qualidade do seu ensino e do seu trabalho? Claro que sim. E desde há muito que teria sido interessante um qualquer conjunto de procedimentos avaliativoa externos, capazes de, com o máximo de objectividade possível,nos darem o resultado à séria, ou pelo menos o mais possível, do desempenho dessa escola. Depois, nós, pais ou quem quer que fosse escolheríamos, porque salvo poucas excepções~(e para mal dos nossos pecados) a pressão demográfica é quase nula, escolheríamos livremente, repito, aquela que achássemos era a melhor escola. As que não fossem escolhidas, santo deus, era a vida, sem alunos e sem razões de grande peso para os não ter, não pode haver dinheiro! Atenção, que na avaliação externa teriam que contar e com peso específico preciso os resultados dos exames nacionais, é que a objectividade das causas que os originaram só pode ser analisada depois, não sei se me faço entender! Não me surpreendo rigorosamente nada com os resultados do estudo, suponho que ninguém se surpreende, prefiro é retirar dele lições de rigor e não a facilidade de quem pouso exige e se exige, e assim as escolas dos pobrezinhos reproduzem-se, tal como as suas consequências e nós lá lhes vamos justificando os resultados.
Vitorr.
Mas as escolas públicas escolhem os alunos que as frequentam? Não são todos os alunos colocados por um sistema central e computadorizado? Não sabia que fosse assim.
Eu acho que os pais devem ter o direito de escolher a escola que querem que o filho frequente. Devem ter esse direito, tal como um estudante universitário tem o direito de escolher o curso que quer frequentar. Os pais não devem ser limitados nesse direito, e não devem ter que fornecer explicações (tipo “o meu emprego é perto dessa escola”) para a escola que escolhem.
Agora, também acho que as escolas não devem poder escolher os alunos que as frequentam. Todas as candidaturas àquela escola devem ser tratadas por igual.
E prece-me muito estranho que assim não aconteça atualmente, em escolas públicas.
“Mas as escolas públicas escolhem os alunos que as frequentam?”
Pelos vistos, se houver mais candidatos que vagas, sim.
“Não são todos os alunos colocados por um sistema central e computadorizado?”
Imagino que essa questão seja irónica, não?
jhghg