A direcção do “Diário de Notícias” dá hoje uma lição de deontologia profissional aos restantes jornais, o que vindo de quem dirigiu o “Correio da Manhã” corresponde a uma lição de boas-maneiras dada por Valentim Loureiro. Escreve-se, a propósito das investigações sobre o caso do diploma de Sócrates: “O jornalismo deveria ter seguido por caminhos mais seguros. Uma “investigação” não produz notícias avulsas todos os dias, algumas sem conteúdo nem sentido. Uma investigação séria pode também acabar sem qualquer publicação ou, então, num caso destes, tem de trazer substância”.

Esta afirmação vem da mesma direcção editorial que no “Correio da Manhã” publicou notícias avulsas que envolviam Ferro Rodrigues num caso da pedofilia. Que nunca esperou pelo fim de nenhuma investigação para destruir a vida e a carreira de um inocente. Que nunca se moveu por qualquer tipo de rigor. O comportamento do pasquim que Marcelino dirigia levou mesmo Ferro Rodrigues a apresentar queixa por difamação contra o jornal. Mas não lhe devolveu o direito ao seu bom nome.

A prova da contradição desta direcção pode ler-se no mesmíssimo editorial: “Sucede-se a divulgação de factos irrelevantes e o caso resvalou para uma guerra entre dois jornais, que podem ser ligados aos interesses dos respectivos grupos económicos, e o primeiro-ministro”. Presume-se que se referem à OPA e à Sonae. Das duas uma: ou quem escreveu isto tem alguma razão objectiva para acreditar que houve envolvimento da Sonae na publicação das notícias sobre o diploma de José Sócrates e deve garantir que o seu jornal faz uma “investigação séria” sobre o assunto e depois dela pode fazer tal acusação, ou acha que é assim que as coisas funcionam sempre, e teremos de estar atentos aos interesses do senhor Oliveira e às manchetes do “Diário de Notícias”.

Para ser levado a sério não basta fazer um ar grave. É preciso dar algumas provas mínimas de seriedade e não fazer dos leitores idiotas enquanto se fazem ajustes de contas com a concorrência. E no caso do actual director do “Diário de Notícias”, falta dar provas de que mudou desde que participou no mais vergonhoso assassinato político da nossa história recente. Podemos ter todos memória muito curta, mas Marcelino tem demasiadas responsabilidades no estado a que chegou o jornalismo português para nos termos esquecido dele.


15 respostas ao post “O sonso”  

  1. 1 1  Paulo

    Com que então o Ferro foi assassinato político e o sócrates foi o qué??? aliás Sr. Daniel se é legítimo pensar-se que o Sócrates teve algum benefício nesta matéria da UNI também é legítimo pensar-se que pode ser retaliação da SONAE. Ou o Sr. Daniel conhece os Azevedo ao ponto de dizer que seriam incapazes de tal????

  2. 2 2  Daniel Oliveira

    Eu sobre Sócrates tenho dúvidas com base em documentos publicados, não em suposições de editorialistas. Sobre o “Público”, trata-se de uma suposição sem nenhuma base factual. E quanto a Ferro, trataram-se comprovadamente de mentiras, das mais nojentas que já se publicaram em Portugal.

  3. 3 3  peter

    Caro daniel, como qualquer pessoa de bom senso, também eu acho que o CM esteve envolvido na mais baixa campanha de que há memória em portugal para assassinar politicamente alguém. agora, que o sr que dirigia o CM escreveu sobre o público hoje no DN é absolutamente verdade!
    como também é que o jose manuel fernandes está a tentar salvar o público à custa do bom nome do socrates, pois esprimido aquilo não dá nada!

    gosto de o ler, nem sempre concordo consigo, especialmente quando sai da análise social, política ou jornalística e vai para assuntos que conhece pouco, ninguém é perfeito. Também eu tenho pessoas e estilos que combato, agora, lá que o marcelino escreveu bem hoje, lá isso escreveu!
    (não o digo contente, pois também não aprecio nem o estilo e a ideologia do dito sr)

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    peter, a minha discordância consigo é essa: eu acho que aquilo espremido dá algumas dúvidas legitimas que merecem investigação. Se não achasse, diria.

  5. 5 5  rr

    Por mim não gosto nem do DN nem do Publico (bem para ser justo não gosto da maior parte dos jornais portugueses,mas como a caixa de comentarios é limitada, fico-me por estes dois)
    mas acho que no caso do DN ter que provar os factos pela acusação que fez acerca da Opa, acho que se alguma coisa que o caso Sócrates prova, e o director do Público defendeu, é a total inversão da prova. Alias toda a imprensa vive numa especie de far west editorial, “primeiro atira-se e depois tenta-se provar”. Neste caso não faz sentido provar o contrário.
    E o que é aqui aduzido ao Dn tambem pode ser aduzido ao Público em qualquer outra altura, é esse o problema,aqui não há inocentes.
    Embora concorde que o que foi feito ao Ferro Rodrigues foi de facto uma infâmia, foi até mais que isso. A questão é que quando todos uma vez ou outra, ultrapassam certos limites, depois disso o que é que interessa ser mais ou menos culpado,mais ou menos inocente? É a cultura instalada.

  6. 6 6  baldassare

    O Público baseou as suposições em factos.
    Facto: diploma de sócrates foi assinado a um omingo
    Facto: o certeficado de habilitações de sócrates foi assinado em agosto
    Facto: nos documentos oficiais da AR aparece “Engenhiro” antes do nome do deputado José Sócrates, mesmo que isso não fosse verdade.
    Facto: Sócrates teve o mesmo professor a quatro (ou cinco, já não me lembro) disciplinas. Esse professor era o reitor da UnI e futuramente exerceu cargos a convite de ministros do Governo PS.

    etc…

    Há um conjunto de factos e surgem naturalmente um conjunto de suposições acerca do passado académico de sócrates.
    O Público agiu, na minha opinião, bem.

    Mesmo que o motivo tenha sido a OPA, o apuramento da verdade é a função de um jornal.
    Quaisquer que tenham sido os motivos que levaram à investigação, esta é legítima porque pretende apurar a verdade sobre a licenciatura de José Sócrates…

    Quanto ao Marcelino, um conjunto de factos do seu passado editorial, levam-me a supor que ele é uma besta. Investigue-se.

  7. 7 7  Bang Bang

    João Marcelino e João Manuel Fernandes são duas faces da mesma moeda. Da moeda má, diga-se. Portugal está mais mal servido nas direcções dos jornais do que na direcção dos destinos do país. Quem diria!!

    Jornalismo de sarjeta?

  8. 8 8  Fado Alexandrino

    Quando Vata marcou um belo golo com a mão pelo Benfica, se houve alguém escandalizado não foram certamente aqueles que dele beneficiaram.
    O senhor atira-se desalmadamente ao Marcelino e ao seu lugar-tenente mas ele foi contratado para aumentar as vendas do jornal.
    E é isso que está a tentar fazer mesmo que assim não dê para rir como as crónicas dos intelectuais de esquerda.
    Quem não gosta pode sempre fazer duas coisas:
    Deixar de comprar o jornal
    Comprar e queimá-lo na praça pública.

  9. 9 9  nm

    Mas quem é que vos disse que é o Marcelino que faz os editoriais? Vinha assinado? Em regra, deve ser o seu amigo Ferreira Fernandes a fazê-lo. E acho que neste caso da licenciatura o DN tem toda a razão. Como V., Daniel, eu acho que o trabalho do Público pode dar alguma coisa se for esprimido. Ainda não vi foi que alguma dessas notícias tivesse sido bem espremida.

  10. 10 10  Stran

    Este caso é talvez exemplificativo de como o jornalismo está a morrer em Portugal. Se algum de nós tivesse apenas os factos que foram apresentado publicaria como o Publico fez ou investigaria melhor? Desde quando é que dúvidas são noticias? e publicasse primeiro antes de investigar?
    Claramente como foi conduzido o processo foi no sentido de um ataque pessoal camuflado de duvidas legitimas, ou faz algum sentido o ritmo que as noticias foram lançadas?
    Eu acompanhei apenas a primeira e o dia anterior à entrevista e nunca pensei que por essa altura ainda existiria tão pouca consistência nas duvidas lançadas. Como foi dito por rr:
    “Facto: diploma de sócrates foi assinado a um omingo
    Facto: o certeficado de habilitações de sócrates foi assinado em agosto
    Facto: nos documentos oficiais da AR aparece “Engenhiro” antes do nome do deputado José Sócrates, mesmo que isso não fosse verdade.
    Facto: Sócrates teve o mesmo professor a quatro (ou cinco, já não me lembro) disciplinas. Esse professor era o reitor da UnI e futuramente exerceu cargos a convite de ministros do Governo PS.

    etc…”
    destes factos chega-se a alguma conclusão? Ou seja apenas foram lançadas para causar danos na imagem do primeiro-ministro e não por ser uma peça jornalística séria!
    Além disso algumas peças jornalísticas têm falhas graves publicadas!

  11. 11 11  Daniel Oliveira

    nm, eu falei sempre desta direcção.

  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Fado Alexandrino, o que é que isso tem a ver com o post. Estou a criticar um editorial. Quanto ao DN, há uma terceira possibilidade: criticar a sua linha editorial, usando desse direito que se chama liberdade de expressão.

  13. 13 13  Xpto

    Eu acho muito mal que o sr. Daniel venha falar da Casa Pia numa altura destas. É que se é verdade tudo o que diz do Marcelino e do CM, esse é certamente um assunto que deverá fazer uma comichão do caraças ao Grande Ideólogo Ferreira Fernandes…

  14. 14 14  A.Alves

    O sr(dr?)D.Oliveira é agradável de ler quando veste a pele de jornalista.Quando encarna o papel de militante do inefável B.E, é intragável!

  1. 1 Arrastão: Dois anos

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