Estão os comentadores todos a falar do discurso de Cavaco porque Cavaco disse que era preciso dizer a verdade para dizer depois aquilo que toda a gente sabe.
Por Daniel Oliveira 6 Out 08 em Sem categoriaEstão os comentadores todos a falar do discurso de Cavaco porque Cavaco disse que era preciso dizer a verdade para dizer depois aquilo que toda a gente sabe.
Por Daniel Oliveira 6 Out 08 em Sem categoria
há dois chavões que funcionam lindamente para os transeuntes de memória curta:
1. “”a crise é internacional” apesar de Portugal já estar em crise há 8 anos 8 - mais concretamente desde que o ex-ministro dos negócios estrangeiros de Cavaco Silva Durão Barroso tomou as rédeas do poder e o submeteu ao dicktat dos neoconservadores de Washington
2. O outro chavão é, não há cão nem gato que o não mencione: “houve uma falha de regulação” - mas, analistas e outra gentinha com conhecimento dos trâmites internos do Império, de quem são caninamente aliados, deveriam saber que se aliaram com vigaristas e corruptos (Stiglitz dixit em declarações ao site “DemocracyNow”) - efectivamente sempre existiram “reguladores”, na falta de uma há (ou havia, antes da implosão do WTC7 a 11 de Setembro de 2001) duas entidades: a SEC, (Securities and Exchange Commission) que zelava pela transparência das operações dos mercados financeiros e a EEOC (Federal Laws Prohibiting Job Discrimination) que devia impedir que gente sem escrúpulos e com tendências criminais tivessem acesso a postos importantes em organismos públicos.
o discurso de Cavaco foi memorável, pelo menos porque serviu a todos por igual.
Aqui ficam umas passagens:
http://planetaspolitik.blogspot.com/2008/10/proclamao-da-repblicao-discurso.html
O diagnóstico de Cavaco está bem feito.Ouvi as reacções dos vários partidos mas os que se situam á esquerda do PS achavam que ele devia indicar quais os culpados.Evidentemente que há culpados mas seria melhor que ele desse a sua opinião acerca do que se pode fazer para sairmos desta situação,porque o debate acerca dos culpados tem tempo para se fazer.Ficarmos todos a culparmo-nos uns aos outros como acontece nos “tristes”debates na AR,não resolve nada.Nenhuma força politica por si só consegue resolver o buraco em que já estavamos que com o que se passa nas economias mais desenvolvidas ainda nos afunda mais.
Todas as intervenções do actual presidente me recordam, invariavelmente, um velho filme de Hal Ashby – “Being There” – uma fábula política pintada em tons de comédia negra.
A história conta-se em poucas palavras: num mundo onde está ausente qualquer reflexão articulada sobre a realidade (ou sobre o discurso que a partir dela se elabora), o titubear desconexo de um pobre jardineiro cujo limitado conhecimento das coisas se resume ao zapping televisivo (memorável Peter Sellers), passa por rigorosa e profunda sabedoria. Quando não sabe o que dizer, o simples e ingénuo jardineiro alinha atarantado meia dúzia de banalidades ao acaso onde os seus desnorteados contemporâneos vislumbram poderosas metáforas, rasgos de invulgar sapiência, pérolas de um pensamento superior.
Impagável.
Vejam (ou revejam) o filme se puderem. Tem imensa graça. Uma fonte inesgotável de sorrisos (muito amarelos, claro).
Eu acho o Cavaco muito melhor actor do que o Peter Sellers, ( vejam os filmes “A Múmia” e o regresso da Múmia), só que o argumento do filme do Hal Ashby era tb ele muito melhor do que estes enredos disconexos que escrevem para o Cavaco debitar.
Ele já me tinha entusiasmado nos debates presidenciais com a sua imitação de “Bacalhau da Noruega seco, em silêncio”, mas com texto ele atrapalha-se um pouco, o que também é natural porque para ele aquilo é escrito em chinês, e por outro lado mesmo para um excelente actor ter que fingir que há uma crise enorme que está a deixar os governos do mundo todos tontinhos, o do Sócrates também já não sabem onde fica o Norte há algum tempo.
PS- Há por aí 3 ou 4 bacanos que queiram entrar com 10€ para fazermos uma holding e comprarmos a Islândia?
Esqueci-me do resto da frase:
…onde fica o Norte há algum tempo, não é nada fácil.
Agora é que está correcto.
PS - Alinham no negócio ou não?