Sempre que discuto com alguém sobre a minha vontade de ver Obama vencer as próximas eleições americanas surge a mesma pergunta: mas és tão ingénuo que acreditas que ele vai mudar o fundamental da política americana? A pergunta tanto pode vir da esquerda como da direita. A direita porque quer acreditar que aquilo que apoiou nos últimos oito anos não será posto em causa e a esquerda porque quer acreditar que Bush não foi a excepção, mas a regra da politica americana. Uns e outros têm em parte razão. Mas só em parte. Obama não mudará o fundamental, até porque isso depende mais da resistências externas do que da vontade dos americanos. A lógica imperial dos EUA é a lógica de qualquer potência. Não depende da bondade do seu povo ou do seu líder. Mas, no que é essencial hoje, não têm razão. Porque Obama não será a continuidade de Bush e porque Bush não foi a continuidade da politica americana anterior. A reacção ao 11 de Setembro foi a que foi porque eram aqueles homens, perigosamente irresponsáveis e sem qualquer limite moral, que estavam na Casa Branca.
Obama significará o regresso à realpolitik que dominou a politica externa pré-Bush e pré-11 de Setembro. Aliás, a fase final de Bush, com a nomeação de Robert Gates, já inicou o caminho para o regresso à diplomacia e ao pragmatismo. Ao contrário da teoria de McCain, o “surge” no Iraque resultou mais da aliança feita com os insurgentes sunitas, cansados do terror das organizações próximas da Al-Qaeda, do que do reforço de tropas. Foram a diplomacia e os acordos com os inimigos, mais do que a estratégia militar, que teve um papel complementar na pacificação de Bagdad e do Iraque, que conseguiram que as coisas evoluíssem.
Os poucos sucessos que a Administração americana teve nos últimos anos – mudança da política externa líbia ou contenção das ambições nucleares norte coreanas – resultaram de negociações e compensações. A diferença é que Bush se viu obrigado a recuar no seu voluntarismo por causa da sua fraqueza e não por qualquer opção política de fundo. A política desta administração foi a de Rumsfeld. A nomeação de Gates, como escrevi na altura, significou apenas a assunção da derrota de uma administração sem futuro, sem apoio interno, militarmente esgotada e desacreditada no exterior.
É por isso absurda a acusação que McCain faz a Obama: a de querer negociar com o inimigo. E nem vale a pena perder grande tempo com o debate vazio sobre nuances desta estratégia: se o fará com ou sem pré-condições. Nem há história de negociações ao mais alto nível sem preparação diplomática, nem as negociações com muitas pré-condições alguma vez levaram a algum lado. Tal só é possível quando um dos lados foi derrotado, o que não é o caso do Irão ou de Cuba, por exemplo. E as negociações com o inimigo já se fazem hoje. No Iraque, por exemplo, onde até se arma o inimigo do dia anterior. A diferença é apenas assumi-las como política de Estado e não apenas depois da opção enfrentamento ter sido derrotada. A diferença são as vidas que se poupam no caminho.
Os analistas americanos são mais ou menos consensuais em dar o caso da Geórgia como exemplo das diferenças entre Obama e McCain. Os dois tomaram, como seria de esperar, o lado do seu aliado. Neste ponto são iguais. Mas, no início de Agosto, a retórica de campanha dos republicanos regressou imediatamente à da guerra fria, com propostas de sanções, de isolamento internacional e outros delírios de quem não percebe ou prefere fingir que não percebe o estado de espírito dos aliados europeus. A de Obama foi mais cautelosa.
Uma das grandes diferenças entre Obama e McCain será, seguramente, a relação com a Europa. Bush achou que podia dispensar as opiniões públicas europeias. Como se pode ver no Iraque e no Afeganistão, a perda das opiniões públicas europeias teve um preço para os Estados Unidos. Não é fácil para os líderes europeus, perante esta postura, manter tropas no terreno. E a ideia de que podiam contar apenas com a chamada “Nova Europa” é apenas idiota. Porque esses países contam pouco no concerto europeu e dependem das potências europeias. E porque uma relação demasiado estreita com eles acabará por levar os EUA ao enfrentamento com a Rússia, a última coisa que o resto da Europa deseja. Este novo enfrentamento com a Rússia é talvez a mais preocupante novidade republicana e uma das fortes razões para os europeus quererem McCain longe de Washington. A escalada de conflito com a Rússia é algo que a Europa dispensa ver na sua fronteira a leste.
Na relação com a Europa, McCain parece corresponder a uma continuidade de Bush. Com a agravante da repetição ser ainda mais insuportável do que o original. Pelo contrario, Obama terá o beneficio da dúvida (ou mesmo o entusiasmo) dos europeus. E isso muda muito na capacidade de manter os aliados em consonância com as suas politicas. A direita europeia tende a desprezar, por conveniência interna, a importância da Europa na politica internacional. Tentando esquecer que, fortes ou fracos, unidos ou divididos, os europeus são os únicos aliados dos EUA com capacidade militar, diplomática e, acima de tudo, com o conhecimento do terreno (pelo seu passado imperial) para agir em muitos dos territórios onde os americanos querem intervir politicamente. E perante uma crise financeira internacional, as boa relações com a Europa são ainda mais importantes. Obama está ideologicamente mais bem preparado para um Mundo multipolar, onde a negociação (seja em relação à guerra, seja em relação ao aquecimento global, seja em relação à economia) tem algum lugar.
Já em relação ao Iraque e ao Afeganistão, as estratégias de Obama e McCain não são muito claras. Obama diz que quer retirar do Iraque para reforçar a presença no Afeganistão, onde o perigo realmente existirá. McCain quer manter tudo no Iraque e repetir o irrepetível no Afeganistão. Obama não deixa muito claro como fará a retirada, sabendo-se que a pacificação iraquiana é menos do que precária e que o Curdistão iraquiano ainda pode trazer muitos problemas internos e externos ao Iraque. McCain, por seu lado, parece não perceber que o Iraque, que tinha uma estrutura social e politica antes da ocupação, nada tem a ver com o Afeganistão. Na realidade, McCain parece não ter estratégia nenhuma. Uma coisa é certa: Obama terá mais espaço de manobra e é disso que os EUA agora precisam.
Ou seja, não tenho nenhuma ilusão de que os Estados Unidos passarão a desempenhar um novo papel na arena internacional. E até poderia aceitar que, com Obama, desempenharão o mesmíssimo papel, mas com mais eficácia. Só que o voluntarismo, a ignorância sobre a realidade internacional, a mercantilização da guerra levada a extremos pornográficos e a ausência de regras, que marcaram a administração Bush e que McCain, no essencial, continuará, tiveram como preço o caos. Muitas das dificuldades que Obama terá na resolução do problema iraquiano, na inversão da situação calamitosa no Afeganistão e no acompanhamento da perigosíssima instabilidade no Paquistão resultam da irresponsabilidade desta administração. Alguns destes imbróglios já não têm solução.
Devo dizer que apenas num conflito temo mais Obama do que McCain: o da Palestina e Israel. As suspeitas sobre Barack Hussein Obama podem levar o novo presidente a ser mais papista do que o papa e a estar completamente refém do lóbi pró-israelita (não confundir com judeus), muito presente no Partido Democrata. A escolha de Joe Biden para vice, neste como noutros dossiers, só me deixa ainda mais apreensivo. Pelo contrario, é em relação ao bloqueio a Cuba que estou mais optimista. Os cubanos-americanos não gostam de Obama e ele não depende politicamente deles. Deu sinais, como nunca nenhum candidato tinha dado até hoje, de querer sentar-se com Raul Castro. Talvez comece a ser finalmente possível acabar com este patético bloqueio que ninguém com dois dedos de testa consegue defender.
Outra diferença: se Obama contar, como tudo indica, com maioria no Senado e no Congresso, há alguma esperança de haver investigações mais profundas sobre Guantanamo, as prisões ilegais para onde os EUA enviam presos, os casos de tortura e a violação permanente de qualquer ideia de legalidade e de respeito pelos direitos humanos que, nos últimos oito anos, marcaram a politica de guerra da Casa Branca. Neste ponto o meu optimismo é muito moderado. Mas mais facilmente veremos alguma justiça com um democrata na presidência do que com um republicano. Mesmo sabendo que McCain se opôs à tortura, a sua base de apoio estará repleta de cúmplices.
Mas se, do ponto de vista externo, faz muita diferença quem vencerá as eleições da semana que vem, do ponto de vista interno as diferenças são bem maiores. Começando pelos “costumes” e pela laicização da politica americana. A escolha de Sarah Palin não deixa grande espaço para dúvidas: qualquer presidente republicano é refém da mais agressiva direita religiosa do Ocidente. E vale a pena recordar que o Supremo Tribunal tem três juízes liberais moderados de partida. E é lá que grande parte das questões de “costumes” e de respeito pelos direitos humanos se decidem. Se é verdade que McCain teria pouco espaço de manobra para escolher ultra-conservadores (não tem o Congresso e deve perder o Senado), Obama pode deixar um legado duradouro para as próximas décadas. Neste domínio, Palin na vice-presidência é um susto e Obama na presidência pode fazer toda a diferença. Será um dos mais liberais (no sentido americano) presidentes que os EUA já tiveram.
No sistema de saúde, na politica fiscal e de emprego, no papel do Estado na Educação e na regulação da economia (ver 10 principais diferenças entre Obama e McCain), Obama poderá significar uma enorme evolução, que retiraria, na Europa, ainda mais espaço de manobra à direita na privatização dos serviços sociais. É verdade que os EUA ainda ficariam muito longe do chamado modelo social europeu. Mas não é de desprezar a importância política de uma inversão no caminho que os EUA seguiram nas últimas décadas.
Por fim, não sendo o mais importante, a vitória de um negro nas eleições americanas tem uma força simbólica que não deve ser negligenciada. A sua origem muçulmana pode também abrir portas no diálogo e afastar o fantasma do confronto de civilizações.
Obama será o presidente americano e não o Presidente do Mundo. Em relação a isso não tenho qualquer dúvida. E é possível que os que, como eu, se opõem à ideia do Império Benigno, à falácia de que o que é bom para a América é forçosamente bom para todos nós, tenham dias difíceis com um presidente americano popular na Europa. Mas o quanto pior melhor tem um preço demasiado alto. Nos últimos oito anos ele custou centenas de milhares de mortos no Iraque, milhões de deslocados, a destabilização de todo o Médio Oriente, Irão e Paquistão, uma perda de tempo criminosa na defesa da sustentabilidade do planeta, o aumento do preço do petróleo e uma crise financeira com repercussões económicas ainda difíceis de prever. Dispensam-se mais episódios desta tragédia.
Extraordinário não é ver quem se opõe ao Império escolher o mal menor. Isso é da natureza das escolhas políticas: a não ser quem procura heróis, é sempre o mal menor que se escolhe. Extraordinário é ver a direita que apoiou Bush, que apoiou a invasão do Iraque, que apoiou Guantanamo, que apoiou a desregulação económica, que apoia a privatização da segurança social e da saúde, a aplaudir Obama contra McCain. Mas percebe-se: precisam de apoiar o próximo presidente dos EUA para disfarçar o seu isolamento ideológico. Não aguentam mais uma derrota.
A previsível vitória de Obama terá outro ganho a que dou importância. O da decência. Em muitos anos, Obama é dos primeiros candidatos que não sendo frouxo não baixou o nível do debate politico. A forma como enfrentou o caso do Pastor Jeremiah Wright, tendo a coragem de levar o debate para onde ele tinha de ser levado, de forma inteligente e sem facilitar, foi um sinal de que a qualidade das lideranças pode vir a mudar. Que o Mundo e os EUA podem estar fartos de políticos ignorantes e espertalhões. E deste ponto de vista McCain revelou-se, nos últimos dois meses, uma enorme desilusão.
Participo hoje e amanhã em debates sobre as eleições americanas.
Hoje, dia 27 de Outubro, às 18h00, no auditório B204 do edifício novo do ISCTE, com Clara Ferreira Alves e o Professor George Edwards.
Amanhã, dia 28 de Outubro, às 18h30, na Bulhosa de Campo de Ourique, com Bernardo Pires de Lima.



Arrisco mesmo dizer que Obama já fez diferença na política americana.
Ao fazer um enorme esforço de recenseamento nos bairros mais pobres e das minorias, a campanha de Obama lançou no processo político americano alguns milhões de vozes que antes não contavam. Para o melhor ou para o pior, muitos dos excluídos da prosperidade americana vão começar a pesar eleitoralmente.
Mais: se de todas as promessas que fez, Obama se limitar a cumprir a de garantir que todos os cidadãos têm seguro de saúde, já será um enorme progresso, que dará mais força aos que em todo o mundo lutam contra as políticas privatizadoras neo-liberais.
É o mal menor? É sim senhor. Mas mesmo assim: Força Obama!
Creio ter percebido. Trata-se de ir vivendo a nossa vidinha … o resto é só uma opção entre o acto com ou sem vaselina. Projectos para o futuro? Sim, sim, com o hábito havemos de poder prescindir da vaselina.
Escrever um post tão extenso para explicar uma idiossincrasia que já todos tinhamos percebido é que parece um pouco desnecessário.
Palingrado, ainda bem que já tinha percebido tudo. Não percebo é porque leu um post tão grande se tudo é tão simples para si.
pois sim, bush foi o que foi pela reacção ao 11 de Setembro (um inside job, toda a gente o considera, menos o Daniel, que tem pretensões profissionais a ascender no meio e não pode pessoalmente subscrever certo tipo de opiniões)
na mesma linha, naturalmente, Obama será a ruptura e o regresso à bondade da élite americana como potência imperialista clean - (note-se que não digo “povo”, uma noção manipulatória que pretende sepultar a luta de classes como defunta e inexistente, o que não é verdade)
Tudo isto, a ética, a decência e tal, é muito bonito, mas a análise fulcral do relambório do Daniel falha na razão de levar Obama ao colo, por um motivo muito simples: não considera a base material financeira- económica que é a base que suporta toda a acção politica.
o bush foi o resultado da degradação do capitalismo, do rebentamento da bolha da nova economia; bush foi eleito pelo sistema Enron, o das fraudes contabilistas para enrolar milhões de pequenos investidores accionistas. Explodiu em 2000 no crash do Nasdaq, logo seguido da eleição do biltre e do incontornável 11/9. A saída foi a guerra enquanto o grande capital converteu os valores salvos enterrando-os literalmente em tijolos, convertendo-os numa nova bolha, a do imobiliário: a mesma que agora rebentou em 2007 em Wall Street.
Obama, além de não renegar a herança da guerra (advoga, como o velho mentor Brzezinski lhe ensina , a intensificação do conflito no Afeganistão) e no restante é apenas um novo emissário económico para gerir a transicção para nova bolha especulativa: a das energias alternativas montada a partir de nova e excessiva tributação sobre a “velha economia”
Mas o pior da crise ainda está para vir; veremos se é ainda o bush ou se será o obama quem vai declarar a lei marcial internamente no states, para controlar as revoltas populares. A lei de excepção já está feita e passou no Congresso, mas talvez não venha a ser precisa; afinal embebedado (dissonância cognitiva que leva a que só se aceite aquilo que nos parece ser favorável a titulo individual) por cronistas soft como o Daniel “o povo” tinha obrigação de se comportar serenamente - o problema é que quase ninguém lê o Arrastão nos EUA
“11 de Setembro (um inside job, toda a gente o considera, menos o Daniel)”
Xatoo, adorava saber quem é toda a gente? Deve ser a mesma gente toda que prevê uma lei marcial nos EUA.
Exactamente.
Mesmo que Obama nao va mudar nem o mundo, nem toda a politica americana , seja a de su casa ou a internacional, ha muito que ja estabeleceu as diferenças e todas elas sao muito boas.
Mostrou caracter onde outros se limitaram a mostrar apenas ideias endurecidas pelos velhos habitos de um poder de ricos e nada mais.
Conseguiu abrir as portas de voto aos que nunca la tinham chegado e conseguiu trazer para o acordar de direitos todos os que ate aqui tinham sido limitados pela velha estrura que agora lhe faz frente e quase sempre de maneira indigna.
E imenso trabalho, e um magnifico trabalho e esse ja ninguem lho tira.
Segundo a notícia, que parece excepcionalmente cuidadosa, foi uma auditoria da Inspecção Geral das Finanças, cujos dados foram posteriormente enviados para o DIAP.
Mas, face ao teu esclarecimento, compreendo a contenção. Estava era preocupado que fosse distracção.
Abraço.
“Obama significará o regresso à realpolitik que dominou a politica externa pré-Bush e pré-11 de Setembro.”
um exemplo da politica externa pré-Bush e a sua real politik
http://www.youtube.com/watch?v=w-DWBfiq2is&feature=related
tric, se viu os debates saberá que, fazendo o paralelo com o Darfur, não escolheu o melhor exemplo. Acho que o sentido da minha frase é claro. Pode ir buscar todos os crimes ou omissões dos EUA ao longo da história e usando a frase colá-los a Obama. Mas será uma forma séria de discutir?
pois, pois…
O que quer dizer o “pois, pois…”?
Tudo isso é muito actual e de indiscutível importância mundial, mas estou a estranhar que nenhum dos anfitriões pareça ter dado importância à autorização do Ministro das Finanças a que fossem devassados os e-mails dos funcionários, à procura de fugas de informação (http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1347560&idCanal=57).
Parece-me bem mais que um fait divers e, sobretudo, um atentado aos direitos de cidadania que, se for deixado impune ou não merecer sequer comentários, pode bem ser o início de uma atitude pública “à americana”, mesmo sem Patriot Act.
Eu postei uma coisita (http://antropocoiso.blogspot.com/2008/10/be-afraid-be-very-afraid.html), mas a vossa audiência é incomparavelmente maior. Por isso apelo a que não deixem a questão passar ao lado.
“…McCain revelou-se, nos últimos dois meses, uma enorme desilusão.”
Esta é uma grande verdade. A causa talvez se relacione com o espectro da derrota. Ficou claro que McCain numa situação de aperto perde o discernimento, capaz das mais variadas tropelias. Pelo contrário, Obama sempre que foi apertado manteve o tino e a compostura. Isto por si só mostra bem quem tem mais estatura e estofo para presidente.
“Pode ir buscar todos os crimes ou omissões dos EUA ao longo da história e usando a frase colá-los a Obama.”
quero dizer que fui apenas buscar um exemplo do Democrata Clinton
Paulo, só ainda não escrevi sobre o tema porque não fiquei seguro se ele resultou de uma investigação judicial.
Fui um dos que aqui comentou o excesso de expectativas de sectores da esquerda com a eleição de Obama.
Admito influência positiva nalgumas questões expostas pelo Daniel. Noutras torço o nariz. Palpites.
À partida há um factor quase anedótico que me leva a acreditar não só na eleição de Obama como, e principalmente, na rejeição de muitos milhões de americanos na continuidade da velha ordem. O aparecimento de Sarah Palin como candidata a vice mostrou a muitos americanos que o rei ia nu e obrigou outros, alguns “colados” e empedernidos defensores das políticas americanas da era Bush a reformularem a sua opção.
Nesse ponto, Palin fez mais por Obama que todos os actores de Hollywood juntos.
Obama será um Clinton melhorado. Nada mais do que isso. Infelizmente para nós todos, que temos tão pouco que qualquer coisa é melhor, este duplo pouquinho (ser melhor do que Bush e melhor do que Clinton) já é bom.
Espero estar enganado e que ele mude mesmo as coisas.
Bom, digo desde já que apesar do meu cepticismo, evidentemente quero que Obama vença. Mesmo com as limitações das circunstâncias ele representa uma viragem (ainda que simbólica) fundamental em inúmeros aspectos, e uma esperança.
Daniel
se não é previsivel qualquer estado de excepção porque é que fizeram a lei? e porque é que deslocaram uma unidade especial militar para prevenção?
e já agora explique lá: porque é que o secretário de estado da Defesa Robert Gates, (segundo o New York Times) transitará incólume da administração bush para a de Obama?
e pq? o subscretário de Estado do Tesouro de Clinton, actual responsável pela FED de New York passará a secretário de estado de Obama?
vê aqui qualquer ténue sintoma de “mudança”? - é que às promessas sociais, a essas leva-as o vento,,,
Bom
eu ca fartva -me de rir se depois de ver Obama na frente de TODAS as sondagens, depois de ter visto ( como hoje vi ) o apoio incondicional do povo americano gritando a sua esperança e o nome de obama em todos os lugares , aparecesse de repente uma desgraça pelo estado de excepçao.
Havia de ser lindo havia.
meus senhores,fieis servidores do império,com que então ,querem aplicar a velha receita (com papas e bolos se enganam os tolos),porque o fim é o mesmo,vocês devatem o que é melhor para o império
Não li o post, peço desculpa, só li as intervenções em diagonal.
Sobre a “devassa” dos computadores públicos dos funcionários da DGCI, estou mortinho por dar opinião.
Eu realmente fico abismado com esta “mijeira” pelo Obama, o tipo deve estar bem preparado para assumir o cargo, mas ver pessoas que pouco têm a ver com a sua área política a fazer política activa (na aldeia é certo) só pode ter uma explicação…clubite.
Mas o que vos não sabeis é que o Obama já assinou um acordo comercial com Portugal, e se perder está a pensar candidatar-se contra o Socrates.
Ou pelo menos assim diz a Onion News:
http://www.theonion.com/content/video/obama_undertakes_presidential
A guerra da Jugoslávia não foi antes dos bushistas?…
A realidade é que o povo pobre ou não votará ou acabará por ver os seus anseios e dificuldades serem utilizados como tropa de choque eleitoral ao serviço de interesses que não os seus. No fim, mais desilusão e mais abstenção.
Obama? Uma campanha bem orquestrada, um “caso a estudar” no que toca à Comunicação, bem melhor que a campanha desastrada do anterior candidato democrata. Se ganhar (não confundam desejos com a realidade política estado-unidense), poderá ser “um poquinho melhor” que mais do mesmo do fundo da escala. “America First”, também ele, quando chegar a altura.
Mais dois comentários:
- Olhando a forma como se fazem campanhas eleitorais nos EUA, orgulho-me de viver num país bem mais democrático no que toca a eleições. A minha convicção é tanta que incluo nesta opinião o peso negativo da manipulação da imprensa, o futebol, a construção civil e tudo o resto.
- Há um sector da Esquerda que continua a acreditar em robins dos bosques e que está mais disposta a viver mergulhada na floresta dos cálculos eleitorais do que a expor-se, com as suas próprias bandeiras, à batalha em campo político aberto.
Causas Perdidas,
Conforme é dito algures no texto de DO, e de evidente bom senso, é que a eleição de Obama, a concretizar-se, não vai representar nenhum modelo de paraíso na Terra.
Lá, como cá, até que haja governos “de alfaiate”, à medida de cada um, impera a opção pelo mal menor.
É curto? É.
Estas eleições, independentemente até do candidato que for eleito, tiveram à partida uma virtude que foi trazer muitos americanos à política e a fazerem opções. Sabendo o que a casa gasta, isso foi um enorme passo.