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Sem respostas ao post “Olá de novo”  

  1. 1 1  Hugo Carreira

    Caro Daniel,
    lamento fazer uso deste espaço, mas não encontro outro modo de o contactar.

    Sei que se interessa activamente pela questão do aborto e do próximo referendo. Por essa razão, e pela exposição pública que tem, envio-lhe uma troca de correspondência com a provedoria do espectador da rtp. Suponho que nada disto seja novidade e muito menos inesperado, mas talvez lhe seja útil a si ou a alguém que se interesse pela imparcialidade da tv que pagamos.

    [Dia 11 de Dez. enviei este mail:]
    Exmo. Sr.

    Saltando entre canais, deparei-me com uma curiosa entrevista na RTP2.
    Num programa que julgo chamar-se “Ecclesia” (ou será antes uma rúbrica de “A Fé dos Homens”?), uma representante de um movimento anti-aborto apresentava em detalhe um “kit informativo” criado com o óbvio propósito de incentivar o voto no “Não” no próximo referendo (consultando o endereço on-line desse movimento - http://www.vidascomvida.org -, surge em 1º plano: “Abertura do site: 13 de Dezembro de 2006″).
    Não sendo espectador regular desse programa, desconheço se num passado recente terão havido “programas informativos” de divulgação de kits “Antes a Sida do que usar preservativo” ou do kit “O papel da mulher é ficar em casa com os filhos e obedecer ao marido”.
    Seja como for, e uma vez que se trata da RTP (paga pelo contribuinte), questiono-me se o mesmo espaço permanente e priveligiado será igualmente atribuído a, por exemplo, movimentos pró-Secularização, associações de agnósticos, etc.
    E não sendo esse o caso, gostaria de saber se, pelo menos aqueles que são a favor do “Sim”, e por uma questão de elementar independência dos canais públicos, terão ao dispôr os mesmos recursos e tempo de antena que a RTP disponibiliza semanalmente para a intervenção política e doutrinária da Igreja Católica a favor do “Não”.

    Desde já grato pela atenção,
    Hugo Carreira

    ….

    [a resposta]

    Exmo. Sr. Hugo Carreira

    Em nome do Provedor do Telespectador, agradeço o e-mail que nos enviou.
    Em relação ao tema do Aborto, e como se aproxima um referendo, estará o Provedor atento à imparcialidade e isenção com que a Televisão Pública tratará esta questão, sendo certo que essa análise será feita no seu conjunto e não de uma forma casuística. No entanto, e mesmo assim, actuará o Provedor sempre que considere que foram ultrapassadas essas mesmas regras de uma forma ostensiva nos conteúdos das diferentes reportagens.
    Especificamente sobre a emissão de programas religiosos, existe um tempo de emissão, ao abrigo de um contracto de concessão de serviço público, celebrado entre a RTP e o Estado português, destinado a programas religiosos, sendo o respectivo tempo rateado segundo o seu grau de representatividade. Os conteúdos dos referidos programas, não são, portanto, da responsabilidade da RTP.
    Contudo, não deixámos de tomar em devida conta o conteúdo da sua mensagem.

    Com os melhores cumprimentos,

    A Chefe de Gabinete
    Fernanda Mestrinho.

  2. 2 2  Mike

    Mais um… pelo sim…

  3. 3 3  André Esteves

    Caro Hugo,

    Essa questão também interessa profundamente aos membros da Associação Républica & Laicidade http://www.laicidade.org .

    Quanto ao Daniel.. Não posso falar por ele, mas no passado ele sempre demonstrou um mal-estar com os ateus e agnósticos cá da praça, muito para a decepção e confusão dos mesmos…

    As minorias deveriam ser uma questão da esquerda.. Pelo menos isso… Mas parece que há uma grande excepção para a esquerda portuguesa e para a jornalística em particular.

    Bem… às vezes acho que é o facto dos ateus e agnósticos preferirem sair do armário e dizerem o que pensam, sentem e são, ao contrário da mediocre maioria que o esconde com medo de perder oportunidades de ascenção e protagonismo social.

    Visite a associação. Não é de ateus e agnósticos mas é a única que advoga e defende a laicidade do estado nesta chafarica de espíritos a que chamamos portugal.

  4. 4 4  Daniel Oliveira

    André,

    Sou ateu. O meu activsmo é apenas pela laicidade do Estado. O meu ateismo é para mim matéria pessoal e não política. Sempre que vocês se movem em defesa da laicidade, contam comigo. No resto, prefiro o meu canto.

    O assunto interessou-me o suficiente para ter feito um post sobre ele.

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