Vital Moreira rejubila porque “até Marrocos” já iniciou as obras da sua primeira linha do TGV. Para quem dedica tanta atenção aos planos ferroviários saharianos, parece ter-lhe escapado a admissão, este sábado ao Expresso, de que o governo admite privatizar e desmantelar a CP. O resultado não será difícil de antever. Acelerar ainda mais o encerramento das linhas tradicionalmente deficitárias, uma medida intimamente correlacionada com o progressivo despovoamento do interior. Curiosamente, o próprio ministério das Finanças admite que a absurda ligação Lisboa-Porto – ao contrário do Alfa e Intercidades que são os serviços mais lucrativos da CP – venha a ser deficitária. Não há problema: paga-se com os impostos dos contribuintes que vão ficar sem a enésima linha de comboio regional.

Bem vistas as coisas, a analogia com regimes como o marroquino até é capaz de não ser uma ideia tão absurda assim.


7 respostas ao post “Olá Marrocos”  

  1. 1 1  Carlos Marques

    Fazer o TGV, “quantos mais melhor”, é dinheiro fácil para os bancos.
    Ter uma sistema ferroviário a sério também podia ser e até podia melhorar as condições da indústria nacional de metalomecânica pesada, mas não é sexy como um TGV a brilhar e com aquele cheiro de carro novo.

    Claro que ter um TGV sem ter os outros comboios todos é como ter submarinos e depois não ter lanchas rápidas de patrulha.

    E será que o Prof. de Coimbra diz que o TGV marroquino é para ligar Marrocos à Europa?

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  2. 2 2  G

    As linhas ferroviárias fecham sempre por vontade política, com ou sem ação de lóbis. Assim foi nas linhas trasmontanas que fecharam. A CP atual presta um serviço menor neste momento, e é de relembrar que foi a CP que encerrou as linhas nos anos 80. Não por vontade própria, porque a CP não a tem, mas por indicações superiores. Se entregarem muitas das ligações aos privados, não será por isso que as linhas fecham. Os privados candidatam-se a determinadas ligações, e as ligações que se entenderem deficitárias mas importantes receberão apoio do Estado.

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  3. 3 3  G

    E não se pode falar de ‘linhas tradicionalmente deficitárias’. Se muitas dessas linhas atualmente deficitárias tivessem recebido o investimento equivalente ao recebido em outras linhas do litoral essas teriam certamente bons resultados.

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  4. 4 4  Nom_de_Guerre

    Inacreditável que até um país tão autocêntrico como os EUA estejam a reactivar os seus serviços urbanos e regionais de comboio enquanto fazemos precisamente o contrário.

    Já que falamos de comparações, que dizer da Suécia, que tem apenas uma auto-estrada e um serviço de comboios abrangente, fiável e acessível e nenhum comboio de AV (só VE).

    Com o fim da era do petróleo barato vamos acabar com o oposto de um sistema de transportes eficiente…

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    Carlos Marques Reply:

    De acordo.

    Mas para esses bons exemplos o exemplo sueco já não interessa tanto – eles só servem mesmo quando é para falar da carga fiscal; a forma muito mais eficiente como aplicam o dinheiro é questão a que não se dá importância num país onde num só ano, e de grande crise, se aumenta os professores em 420 milhões de euros, sem se esperar nada em troca, e temos um canal público, muito deficitário, que continua a pagar fortunas por futebol como se fosse rico.

    Acresce que os suecos pagam pelos serviços (mas sem as explorações que nós cá sofremos com as empresas monopolistas do regime). Uma viagem de comboio entre aeroporto e centro de Estocolmo é feita a velocidade elevada (VE), mas não é subsidiada.

    O que dirá agora o agora eurodeputado Rui Tavares a quem ouvi dizer que o TGV para Madrid era bom porque se podia ir lá dar umas aulas e voltar no mesmo dia? Ainda mantém a opinião? Quando as empresas multinacionais começarem a deslocar ainda mais as sedes para Madrid sempre quero ver qual será a opinião na altura.

    O AVE em Espanha é muito importante para eles porque é um país maior e que precisa de coesão nacional, por razões óbvias. Para nós, com as low costs, mais vale ir de avião a Madrid, ou então num comboio VE, seria suficiente.

    Quando os aviões se tornarem incomportáveis, acredito que já os Mag-Lev, que já estão a funcionar na China, estarão em funcionamento na Europa e no Japão – nessa altura ainda nós estaremos a pagar o brinquedo dos meninos.

  5. 5 5  Antonio Cunha

    Portugal tem as prioridades em termos de transportes todas erradas. TODAS

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  6. 6 6  Nuno

    As 2 maiores cidades portuguesas distam 300kms. Temos um comboio (Alfa), capaz de fazer 200 (220?) km/h. É fazer as contas. Em vez de termos 2 autoestradas norte-sul paralelas, podíamos ter 2 linhas de comboio norte-sul paralelas, uma rápida (Alfa directo Lx-Porto, ou Alfa Lx-Porto com poucas paragens) e outra com mais paragens (IC + IR). Ligue-se Lisboa a Madrid via TGV (já agora, qual é a bitola, mesmo?); e quiçá Porto-Vigo. Aposte-se na ligação rápida entre as grandes cidades e os dormitórios/cidades de média dimensão (a linha de Cascais DEVE dar dinheiro, tal como a Fertagus!!). Menos Autoestradas, mais e melhores IPs, ICs e ENs. SCUTS?? Brincamos? Aposte-se em linhas de caminho de ferro litoral-interior; como é possível por exemplo Coimbra não estar ligada a Viseu??? Ou Lisboa-Setúbal-Évora?

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