Umas muitas dezenas de pessoas encontraram-se, no sábado à noite, na Padaria do Povo, em Campo de Ourique, e juntaram as suas saudades. Uns leram uns textos, outros tocaram, outros contaram anedotas (como não podia deixar de ser), outros desabafaram e um grupo do MCE cantou uma canção das suas memórias que eram também as memórias dele. Distribui-se um livro feito por muitos dos amigos. Ninguém se pôs com cerimónias. Quem quis chorar, chorou. Quem quis rir, riu. Afinal de contas transportávamos todos o privilegio de sermos amigos dele.
A maior parte das pessoas não tem direito a grandes despedidas. A vida continua, é o que se diz. A outras, mais notáveis, oferecem-se homenagens, discursos, bustos e estátuas. Mas ele, sendo notável, não era um notável. Duvido que alguém ali estivesse por o que ele fez pelo país ou pelo Mundo. Nem estariam por o que ele fez pelos livros, que não foi pouco. Estavam por o que fez por eles próprios. Porque Olímpio Ferreira existiu nas nossas vidas e foi isso que fez toda a diferença. Poucos falaram do seu trabalho, que foi muito e bom. Falámos dele, que foi ainda melhor.
Saí de lá contente. Com saudades, mas contente.
Por Daniel Oliveira 10 Mar 08 em Sem categoria


Saímos de lá contentes, Daniel. Todos nós. E todos com saudades.
Eu sublinho as palavras do meu irmão, Daniel.
Foi bonito ouvir-te a partilhar o teu belíssimo texto.
E sentir o Olímpio, junto de todos nós! Porque como dizes, e bem mais uma vez, estávamos todos lá (e os muitos outros que não puderam ir…) por aquilo que o Olímpio fez por cada um de nós!
Apesar da saudade imensa, ele “esteve” lá!
devo dizer que o seu texto, Daniel, sobre o seu amigo é dos melhores que li na blogosfera.