Atendendo à actualidade do tema, deixamos no Arrastão, e com a autorização do autor, um texto originalmente publicado por Paulo Pena, jornalista, na sua conta do Facebook.

Só para citar de memória, e deixando de fora os amendoins: Houve o caso Paulo Portas/Moderna; o caso Paulo Pedroso/Casa Pia; o caso Portucale; o caso Freeport; e, agora, as «certidões» da sucata. Tudo grandes investigações que envolviam políticos e não passaram no teste do algodão. Mal ou bem, estas grandes incursões da justiça no mundo da política foram, ou virão a ser, fiascos. Mas deixam um subtexto que substitui a verificação da veracidade ou falsidade das alegações: os políticos não se deixam apanhar, ou fazem leis para se «safar», ou condicionam os intrépidos magistrados.
O que são, nos media, estes casos? Investigações jornalísticas? Ou, em 90% dos casos, uma nova categoria de «reportagem sobre investigações», como lhes chamam Bill Kovach e Tom Rosenstiel, no imprescindível livro Os Elementos do Jornalismo (Porto Editora)?

Veja-se a descrição americana, e compare-se com a realidade portuguesa:

«Neste caso, a reportagem desenvolve-se a partir da descoberta ou fuga de informação de uma investigação oficial (…) O risco deste tipo de reportagem (…) é que o seu valor depende muito do rigor e do cepticismo do repórter envolvido. O repórter proporciona ao entrevistado um precioso espaço para a difusão de uma alegação ou insinuações, sem qualquer responsabilização pública. Isto não significa que a reportagem sobre investigações esteja, por inerência, errada. Mas está repleta de riscos, geralmente negligenciados. Nesta situação, os repórteres apenas costumam conhecer parte da investigação, em vez de serem responsáveis pela mesma. A hipótese de serem manipulados pelas fontes é elevada. Em vez de vigiar as instituições do poder, a imprensa fica vulnerável e torna-se num instrumento à mercê das mesmas.»

Estes são os riscos. E basta ir à hemeroteca para constatar que andamos, todos, a ser muito pouco cépticos com um género particular de investigações: as investigações judiciais. Em Portugal há, e houve em momentos críticos, como os anos da Casa Pia, jornalistas a partilhar blogues com magistrados (convenientemente anónimos). Houve um PGR que nunca foi investigado por ter mandado a sua assessoria de imprensa divulgar notícias falsas. Houve um director-nacional da Judiciária que mentiu a um jornal, acusando Ferro Rodrigues, na altura líder do PS, de um crime horrendo que era falso, e continua, ainda hoje, a aplicar «justiça» num tribunal superior.

Andamos mesmo a ser pouco cépticos. Tão pouco cépticos que já é altura de pararmos para pensar se não andaremos a ser coniventes e acéfalos.
Para mim, a separação de poderes dá a resposta ao dilema: os jornalistas devem investigar, e não fazer de caixa de ressonância; os investigadores judiciais devem ser avaliados pelos resultados das suas investigações e não pela comoção pública que geram as suas quase-descobertas; e os políticos devem ser julgados pelas suas acções e não pela sensação de verosimilhança que gostamos de associar entre uma discordância política e uma falha ética. Há políticos honestos de quem discordamos e políticos corruptos com quem concordamos.

Foi Kapuscinski que disse que «os cínicos não servem para este ofício». E tem cada vez mais razão. A diferença entre cínicos e cépticos devia ser ensinada nas faculdades de jornalismo.

Paulo Pena, jornalista.


43 respostas ao post “Os cínicos e os cépticos”  

  1. 1 1  José Bastos

    Acabei de saber que um incêndio destruiu 75% da contabilidade da empresa Freeport, em Inglaterra.

    Fiquei algo céptico com esta notícia.

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  2. 2 2  Crowd Funding Journalism?
  3. 3 3  Valupi

    Excelente aviso à navegação.

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  4. 4 4  Antonio Cunha

    O advogado da Fatinha Felgueiras dizia que a justiça portuguesa estava 50 anos atrasada e era Salazarenta.

    Caiu-lhe tudo em cima. E não é que o raio do brazuca tinha razão !!!

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  5. 5 5  Carlos Marques

    Então e o Preto? Porque é que o BE andou atrás do Preto e agora vem com esta conversa? Tanto falaram quando foi do BPN e agora estão calados que nem ratos. Eu tenho a minha teoria: estão em causa empresas públicas e portanto isso é mau para quem quer nacionalizar ainda mais empresas. Sempre quero ver se o BE vai ter coerência e apoiar a inversão do ónus da prova.

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  6. 6 6  aaa
  7. 7 7  José Bastos

    Ouvi José Sócrates dizer hoje que duvidava da legalidade, e até da veracidade, das escutas em que foi apanhado. Quis fazer acreditar que seria ele o alvo dessas escutas.

    Creio que estava a ser cínico.

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  8. 8 8  Fado Alexandrino

    os jornalistas devem investigar, e não fazer de caixa de ressonância

    Um artigo de alta qualidade próprio de um jornalista português.
    Fala em imensos casos, não aprofunda nada, não cita um nome, deixa suspeições.
    Pode, com um bocadinho de sorte, chegar a director do Diário de Notícias.

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  9. 9 9  Raoul de Joinville

    Quando num país existe um número crítico suficiente e significante de jornalistas e operadores judiciaís para agirem como putas, então esse país passou a ser um simulacro.

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  10. 10 10  Toninho

    Olha que chatice! :(

    “BE elegeu vereador com passado criminal”

    Aqui > http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Politica/Interior.aspx?content_id=153917

    Tinha logo que acontecer com o único eleito na minha vizinhança.

    Cumprimentos.

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  11. 11 11  AL`garvio

    A mim a justiça em Portugal parece uma “casa de putas finas”……….

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  12. 12 12  Daniel Oliveira

    Toninho, para haver “passado criminal” é preciso haver uma condenação. Não conheço a pessoa em causa, não faço ideia quem seja. Mas o título, pelo menos a julgar pela notícia, está errado.

    Caros Fado, José Bastos e Toninho: sendo comentadores profissionais (que quase não lêem os textos que comentam mas comentam sempre), diria que este texto do Paulo Pena é pérolas a… bem, vocês sabem.

    Um dia os leitores deste blogue ganharão coragem para fazer comentários no meio deste ruído que nunca é realmente sobre os temas dos posts: para discordar, concordar mas falar deles. Infelizmente, estes bloggers que sabendo que as caixas de comentários do Arrastão têm muito mais leitores do que os seus próprios blogues fazem delas não um espaço de comentário continuam a ocupar o espaço quase todo.

    Aos mesmos e outros que estão, no post sobre o José Carvalho, a fazer este exercício, fica o aviso que nem um comentário seu será ali publicado. É uma questão de decência. Ali só serão publicados posts de homenagem à pessoa que morreu há 20 anos. Se não sabem respeitar isso, vão pregar para outra freguesia.

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  13. 13 13  Toninho

    Ups!

    Agora fiquei um pouco aborrecido. :(

    Profissional do “coment”, moi?…

    Venho aqui praticamente todos os dias é certo mas sou habitualmente parco nas apreciações que faço.

    Aprecio a “caligrafia” do Daniel em determinados aspectos.

    Noutros nem tanto.

    Cumprimentos e desculpe lá qualquer coisinha.

    ;)

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  14. 14 14  Mário Moniz

    Penso que vai chegando o momento de pôr alguma ordem neste blog, sob pena de afastar quem o visita com intenção de partilhar o contraditório com seriedade.
    Infelizmente, há muita gente que confunde liberdade com libertinagem.
    Uma coisa é dar toda a liberdade de opinião. Outra, bem diferente, é permitir toda a espécie de comentários abusivos, frequentemente vindos de “profissionais da confusão”, e que nada de útil trazem aos assuntos em discussão.
    Nestes casos torna-se cretino permitir a sua publicação.

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  15. 15 15  isagt

    No meio de tanta caldeirada jornalística, a minha política, é tentar seguir meia dúzia de pessoas em que “ainda” acredito, sejam jornalistas ou economistas e os restantes, podem escrever ou palrar à vontade que eu não lhes ligo nenhuma.

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  16. 16 16  fado alexandrino

    Para uma pessoa que se afirma como figura pública e que representa a face de um agrupamento político o senhor cai demasiadas vezes no insulto.
    Para um blog que se afirma como colectivo avança também demasiadas vezes no paternalismo.
    Portanto não me vou alongar sobre o seu texto, ele fala por si.

    O texto do jornalista é de tal modo confrangedor que ele próprio se o lesse outra vez havia de duvidar de o ter escrito talvez por ter feito a “pesquisa” na hemeroteca.
    É pouco.

    Confesso no entanto que nunca vi o nome dele em jornal nenhum e portanto estamos talvez no inicio de uma brilhante futura carreira.
    Para terminar peço-lhe, senhor Daniel Oliveira modere-se um bocadinho, um dia chegará a um posto de relevo e não gostará de ser lembrado por isto.

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  17. 17 17  José Bastos

    #12

    Daniel, o seu problema resolve-se com facilidade. Publique só os comentários que não considera serem ruido e os que acha que estão de acordo com o tema do post. Vai ver que rápidamente o número de leitores deste blogue irá disparar.

    Para que saiba, li o texo, e o que escrevi tem tudo a ver com o tema. O Daniel pode é não ter percebido, o que é diferente.

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  18. 18 18  Raoul de Joinville

    Daniel,

    de si espero o óbvio: que não vá na onda dos apelos censórios.

    Os «diamantes» cintilam sempre no meio da «ganga», por mais que esta seja.

    Persista na prática dos seus ideais, ainda que eles sejam relativos e contestados.

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  19. 19 19  PERSA

    Apela-se a CAVACO que tenha a coragem que teve Sampaio: pontapé no traseiro do cromo.

    As escutas são anuladas não porque o seu conteúdo não mereça inúmeras certidões mas porque um detalhe processual foi interpretado (mal) de forma a salvar Sócrates.

    Sócrates salvo pela má interpretação da lei que ele fez para ser impune e continuar a traficar em paz.

    ACORDA CAVACO – O PAÍS NÃO PODE SER GOVERNADO POR UM TIPO CONSTANTEMENTE SALVO PELO GONG (NORONHA, INCENDIOS QUE QUEIMAM POR AZAR DOCUMENTOS NO CASO FREEPORT,ETC, ETC).

    Pode estar imune à máquina judicial mas não pode governar um país sério.

    CAVACO TRAVA A CABALA DO PS CONTRA A JUSTIÇA.

    ELEIÇÕES JÁ

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  20. 20 20  Paulo Pena

    Que me desculpem os Pedros e o Daniel, mas gostava de esclarecer apenas duas coisas que podem não ter ficado claras com a transposição deste texto de uma página pessoal no Facebook (onde a audiência é escolhida) para um blogue: esta é a minha opinião sobre a relação dos jornalistas com a justiça, não é a minha opinião sobre o caso Face Oculta. Dito isto:
    José Bastos, fora do meu «ofício» eu tenho todo o direito a ser cínico, se quiser. Não creio que me conheça para presumir o que penso. Não devo é contaminar a informação que presto aos meus leitores com as minhas opiniões.
    Fado Alexandrino, se quiser ter a maçada de se alongar sobre o que é confrangedor no texto, terei todo o prazer em discuti-lo consigo. Mas não vale dizer que é por não apontar «nomes», pelo menos enquanto o seu próprio nome nesta discussão for um pseudónimo.

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  21. 21 21  SILVA

    Acho o artigo excelente!
    Este tipo de política-jornalismo-justiça está a degradar a nossa sociedade e a afundar os políticos, os jornalistas e os agentes da justiça (investigadores, magistrados e juízes).
    Aliás, eles são as novas castas da sociedade portuguesa, os intocáveis, aqueles que fazem tudo sem que lhes sejam pedidas contas!
    Por mim, deixei de acreditar, de perder tempo com este tipo de jornalismo.
    Sei que o país está cheio de corruptos, mas está ainda mais cheio de profissionais incompetentes, que não exercem correctamente as suas funções.
    Admira-me que o PSD não tenha percebido ainda que não é por aí que se vai. Não aprendeu nada com as eleições, que não foram ganhas pelo PS, mas perdidas pelo PSD.
    Repito. Sei que há muita corrupção, por parte dos políticos, mas também estou farto de tanto mau jornalismo e de tão má justiça!
    Cá vamos, cantando e rindo…

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  22. 22 22  FP

    Caro José Bastos
    Explique lá então a sua mensagem, porque eu não vi nenhum desenvolvimento. Apenas umas bordoadas para o ar.

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  23. 23 23  PERSA

    Ninguém pode ser escutado sem autorização de Juiz. Ninguém.
    A única diferença é que no caso de Cavaco, Jaime Gama e Sócrates esse juiz é o presidente do STJ.

    Autorização do juiz para escutar um suspeito é ouvi-lo a falar com terceiros. Para esses terceiros serem ouvidos não é necessária autorização DESDE QUE ESTEJA A FALAR PARA O TELEFONE SOB ESCUTA.

    Se não fosse assim a lei das escutas não produzia efeitos : só se podiam escutar pessoas a falar consigo próprias ou outros suspeitos eles também sob escuta.

    Em resumo pode-se escutar qualquer pessoa que comunique com uma pessoa sob escuta judicial. Os direitos dessa pessoa não estão a ser violados.

    Quem estava sob escuta era o Vara. Com autorização do Juiz. O Sócrates foi ouvido legalmente pois comunicou com um escutado. Não há qualquer razão sequer para pedir autorização ao juiz para ouvir Sócrates pois não se montou escuta ao telefone do cromo.

    Quanto à acusação do Governo de que o Sistema Judicial é uma organização criminosa é mandatório que o Governo apresente as provas que tem dessa acusação.

    Se não tem provas, se é um insulto para, atirando lama para cima das pessoas, safar os alegados corruptos do governo, então o governo tem de ser demitido.

    Ao afirmar sem provas que o Sistema Judicial é uma organização criminosa o Governo está a pôr em causa o regular funcionamento de uma instituição democrática.

    Demissão já.

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  24. 24 24  Gmaciel

    Feliz ou infelizmente, o cínico também diz: a partir dos 10 mil euros, as pessoas honestas contam-se pelos dedos de uma orelha!

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  25. 25 25  José Peralta

    Daniel Oliveira

    Felicito-os, ao jornalista Paulo Pena (que não conhecia) pelo seu artigo, e a si, por aqui o transcrevêr.

    E na sequência da sua leitura, vou citar dois artigos, saídos no “Público” em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 2005, respectivamente da autoria de Miguel Sousa Tavares,” Direitos, privilégios e desperdícios”, o primeiro,e de António Marinho e Pinto, “A greve de um órgão de soberania”.

    Escrevia Miguel Sousa Tavares, a propósito da “famosa greve” dos magistrados judiciais:-”(…) os tribunais são também órgãos de soberania e os magistrados eram, há dez anos atrás, a classe sócio-profissional mais considerada nas sondagens de opinião.(…)Para aqui chegarmos, foi preciso que ambas as magistraturas judiciais tivessem tratado diligentemente de desbaratar em dez anos o prestígio de que, até então, justamente gozavam. Hoje, os juízes e o Ministério Público podem gritar aos quatro ventos que estão a ser maltratados e desconsiderados, que ninguém mexerá uma palha para os defender.Para quê defender quem não nos defende ? Quem está sempre pronto a reclamar por isto, por aquilo e por aqueloutro, pelas férias, pelos subsídios, pelas regalias, e jamais pelos direitos dos desgraçados que esperam em vão por uma justiça que é quase sempre má ou tardia ? (…)Nunca os incomodou o facto de o
    objectivo essencial da sua actividade – que é o serviço público – servir para tudo menos para cumprir a sus função. Como se a justiça, primeiro que tudo, devesse servir os que a servem e não os que a ela recorrem e a pagam.”
    “Quando um cidadão comum olha para o estatuto profissional de um juíz, o que vê é que eles, assim que saiem da escola, têm emprego garantido, começam por ganhar 2330, mais 700 de subsídio de renda de casa (que manterão ao longo de toda a sus carreira, mesmo depois de reformados…), têm um regime especial e privilegiado de segurança social (o qual é pago em mais de 50 por cento, pelos utentes da justiça ), têm mais de dois meses de férias por ano, são independentes, isto é, não respondem perante ninguém, são irresponsáveis nas suas decisões, por mais incríveis que estas possam ser, são inamovíveis para sempre, por piores que sejam, e só respondem disciplinarmente perante os seus próprios pares, com toda a escandalosa benevolência que daí tradicionalmente resulta. Que outro emprego existe assim no mundo normal onde as pessoas vivem sem ser à sombra do Estado ?” (sic).

    No dia seguinte (1 de Outubro de 2005) António Marinho e Pinto escrevia:- “A greve dos magistrados judiciais é a maior machadada na credibilidade da justiça, mas terá um mérito inegável: fará o povo tomar consciência de que os verdadeiros problemas da justiça resultam mais da cultura corporativa dos magistrados que das leis ou da acção dos políticos.(…)Tudo em luta contra o “patrão que os explora” e lhes nega “direitos inalienáveis”.
    “A greve culminará um processo de sabotagem da justiça que já vem detrás e que assumiu foros de amotinação, quando a actual maioria decidiu, e bem, acabar com alguns dos mais escandalosos privilégios das corporações judiciais.(…)Que querem, afinal, os magistrados ? Querem manter e até aumentar as suas imensas regalias. Querem continuar a ser titulares de órgãos de soberania, mas ganhar como gestores (mais do que o próprio Presidente da República). Querem continuar a pertencer ao Estado, mas a tratar-se em clínicas privadas e usufruir dos melhores médicos,tudo gratuitamente. Querem que 97 por cento dos processos judiciais fiquem parados quase três meses por ano, para que eles tenham 13 dias de férias no Natal, 10 na Páscoa e 60 no Verão.”
    “(…)Muitos magistrados instalaram o reino do arbítrio nos tribunais e, alguns, até, um clima de terror.As partes não podem fazer um mero requerimento ou suscitar uma simples decisão do juíz, mesmo que de mero expediente, que logo terão de pagar centenas de euros de taxa de justiça pela decisão negativa. E todo esse dinheiro vai para o imenso saco com que se pagam os privilégios de que beneficiam.”(…)Prisioneiros de velhos e ridículos estéreotipos de grandeza e magestade, muitos nada fazem para serem respeitados e tudo fazem para serem temidos, quando num Estado de direito não há – não pode haver – lugar para o medo.”
    “A independência como garantia (dos cidadãos) para a boa administrção da justiça foi transformada num privilégio pessoal de cada um fazer o que lhe apetece.A irresponsabilidade como garantia de independência só tem servido para exculpar os que abusam dos seus poderes e atrpelam o direito e a verdade. A inamovibilidade e a vitaliciedade foram transformadas numa espécie de direito divino às funções”.
    Tal panorama já era de esperar desde que se consentiu que titulares de órgãos de soberania se organizassem em sindicatos. Com o sindicalismo nas magistraturas, deixou de haver verdadeira regulação e mesmo hierarquia funcional. Os Conselhos Superiores(da Magistratura e do MP) foram subalternizados.(…)A responsabilidade e hierarquia funcionais diluíram-se na camaradagem sindical.Já não se pode separar os bons dos maus, os cumpridores dos inadimplentes, os que servem a justiça dos que se servem dela. Todos valem o mesmo em termos sindicais.”(…)”Dois simples sindicatos, com dois ou três mil inscritos, são os verdadeiros detentores do poder soberano de administrar justiça. Dois sindicatos confiscaram ao povo português essa parcela de soberania.”
    (…)”A parte sã das magistraturas foi suplantada pela gangrena do mercenarismo. Os órgãos de disciplina mais parecem órgãos sindicais.A maioria dos melhores magistrados calaram-se e quase se escondem.O tempo e o palco estão para os carreiristas que bajulam a nomenclatura. Alguns dos magistrados melhor classificados são preteridos em favor dos que tem amigos bem colocados, como tem sido denunciado no acesso ao Supremo Tribunal de Justiça. E, no entanto, os magistrados são muito diferentes entre si.Há muitos que são intelectualmente honestos, competentes, dedicados e que trabalham bem acima da média, enquanto outros são verdadeiros mercenários.(…)Porém, o sindicalismo igualou-os a todos”.
    (…)”Um bom magistrado faz boa justiça mesmo com más leis, mas um mercenário nunca faz justiça, serve-se dela. Talvez se compreenda então que é altura de expulsar os mercenários, para aproveitar e incentivar os bons magistrados que ainda restam e trabalham quase na clandestinidade”.(sic)

    Não me compete a mim, cidadão comum, acrescentar qualquer comentário a estes dois depoimentos, a estes libelos acusatórios, a esta visão dantesca da Justiça Portuguesa.

    Transcrevo-os em resumo, “para memória futura”, com a secreta (e vã?) esperança que, de 2005 até ao presente, alguma coisa tenha melhorado…

    Mas relevo o apoucamento, a injúria, a ridicularização, o aviltamento que “certos sindicalistas” dedicam ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, e julgo compreender porquê…! Ele…”toca-lhes” na “intocabilidade”, algo a que ninquém estava habituado!

    E aproveito para manifestar a minha estranheza, pela atitude dos deputados do BE e do PCP, ao verberar asrecentes declarações corajosas do ministro da Economia, quando , a meu vêr, deviam era solidarizar-se com elas…

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  26. 26 26  fado alexandrino

    Peço desculpa de voltar a este post mas como gosto de ficar informado depois de o senhor Daniel Oliveira me ter dado uns sopapos fui investigar quem era o jornalista citado.

    Ora infelizmente só encontrei este artigo repetido cinco ou seis vezes em blogs e noutras páginas da sitios de convívio.

    Como eu julgava que jornalista era aquele que escreve em jornais, pergunto:

    -Afinal em que jornal escreve este tão citado jornalista?

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    Pedro Sales Reply:

    Fado,

    Na Visão.

  27. 27 27  Toninho

    Escrevam o que escreverem…digam o que disserem…se Portugal fosse um país dito normal, este velhaco do PM já estava nas horas do crl!

    Depois temos o PR, uma desilusão, outra nulidade.

    Isto só vai à bomba mas como não querem acreditar, sigamos então para bingo.

    Cumprimentos.

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  28. 28 28  Bolota

    “ Afinal em que jornal escreve este tão citado jornalista? “

    Fado,

    Você quando embirra, é pior que sarna.
    Importante é se o que o homem escreveu, é atinado ou não e eu acho que é

    Mas cínico, cínico sabe o que é??? É achar que os miúdos foram abusados na Casa Pia e depois votar em PPedroso em Almada.

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  29. 29 29  Patricia

    Só enfia a carapuça a quem ela serve,eu não ouvi o ME dizer que eram os magistrados que faziam espionagem politica.No meu entendimento tem todo o cabimento se a cusação for feita ás fontes que passam as informações em segredo de justiça para a comunicação social.Quanto á s direcções de informação dos orgãos de comunicação social e aos jornalistas,há aqueles que são sérios e os que são corruptos que olham mais ás audiencias e vendas do que á qualidade do que produzem

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  30. 30 30  fado alexandrino

    Mas não vale dizer que é por não apontar «nomes», pelo menos enquanto o seu próprio nome nesta discussão for um pseudónimo.

    Peço desculpa não tinha reparado que tinha feito uma entrada.
    Um jornal, uma revista não são a internet. Isto é tão óbvio que já o poderia ter percebido.
    Por isso enquanto o senhor penso que naturalmente, dá o seu nome aos artigos que escreve (nunca compro a Visão porque prefiro ler o original que é o Newsweek) eu também naturalmente poderei usar um nome qualquer para as minhas intervenções.
    Presumo que se eu dissesse que era o António Manuel o senhor ficava satisfeito e já não era anónimo.
    Quando fiz o meu apontamento pensava que era um artigo de um jornalista num jornal qualquer, vejo agora que é apenas um apontamento na internet, e portanto retiro o que disse.
    Aqui, internet, vale tudo e temos que ter uma certa condescendência uns para os outros e para os escritos.
    Até eu, por vezes, me sinto jornalista.

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  31. 31 31  José Bastos

    #20 Paulo Pena

    Caro Paulo Pena, queira por favor explicar porque acha que eu terei presumido o que quer que fosse a sue respeito.

    #22 FP

    Caro Senhor, as “bordoadas”, como lhes chama, são factos.
    Ao comentar estes dois factos, que me intrigaram pela maneira como foram notíciados, aproveitei para tentar poupar trabalho às faculdades de jornalismo.
    Não deixa de ser curioso que, a sua contribuição para este post não encerre qualquer mensagem ou desenvolvimento…será apenas uma bordoada?

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  32. 32 32  atom

    O Sr. Paulo Pena escreveu um texto que ilustra perfeitamente, na minha opinião, o “jornalismo” que se faz em Portugal. Se ele é jornalista ou não é irrelevante para a qualidade do texto. O texto, por retratar a realidade que qualquer observador pode visualizar, vale por si próprio e é autónomo em relação à actividade profissional do autor.
    Notável e desassombrado (tal como é norma dele) o texto do Dr. Marinho Pinto. Uma revelação de uma associação de poderosos em cujas mordomias da qual ninguém pode tocar.
    Penso que aqueles a quem esta associação é útil, já terão prometido a satisfação do seu caderno de encargos. Assistiremos à anulação de todas as reformas que afectaram as mordomias desse grupo de poderosos.

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  33. 33 33  João Berninger

    Acho que já está na altura do Daniel e dos Pedros porem alguma ordem neste blog.

    Tal como alguns leitores, também eu já estou farto de alguns leitores/comentadores que só vêm para aqui com o único intuito de criar desordem, insultar e tentar impossibilitar qualquer discussão séria. Por vezes sinto vontade em comentar os post – quando penso que posso acrescentar algo à discussão ou simplesmente para colocar uma questão -, mas mal abro a caixa de comentários deparo-me com os “comentadores habituais” e os insultos da praxe (sem qualquer conexão com os post e o assunto em questão).

    Não são assim tantos como isso (talvez uma dúzia), mas monopolizam o espaço deste blog e incomodam, insultam e não permitem uma salutar troca de ideias..

    Este é um blog pessoal, logo apenas depende dos moderadores. Espero que pensem no assunto.

    Cumprimentos

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  34. 34 34  Xico

    Sou leitor ocasional deste blog. Contudo, tenho optado por nunca comentar algumas poucas coisinhas da vossa escrita que considero obtusas. Até porque na generalidade concordo com a maior parte do que escrevem.
    Mas desta vez não posso resistir a entrar em cena, depois de ler este texto e, sobretudo, depois de ouvir as considerações menos próprias aos actores do sistema judicial feitas pelo Daniel Oliveira no “Eixo do Mal” a propósito do caso “Face Oculta”.
    É um facto indiscutível que há gente boa e gente má em toda a parte, em todas as áreas profissionais e em todos os sectores político.
    Mas certamente é graças ao esforço diário de lutar contra a corrente, e contra os poderes instituídos, em prol de um país mais justo, que muitos dos actores de justiça trabalham arduamente, mesmo pondo em risco a sua pele.
    A propósito da questão que tanto incomoda o camarada Daniel aqui deixo um artigo escrito esta semana no Jornal de Negócios, por Helena Garrido, o qual consegue perfeitamente sintetizar o espírito de quem trabalha nestes meios.

    http://www.jornaldenegocios.pt/index.php?template=SHOWNEWS_OPINION&id=395883

    Imagine-se, por uns minutos, que os processos “Portucale”, “Freeport”, “Furacão”, “Submarinos”, “BCP”, “BPN”… estavam concluídos. Julgados e com condenados. Estaríamos agora a viver e a avaliar o caso “Face Oculta” da mesma maneira

    Imagine-se, por uns minutos, que os processos “Portucale”, “Freeport”, “Furacão”, “Submarinos”, “BCP”, “BPN”… estavam concluídos. Julgados e com condenados. Estaríamos agora a viver e a avaliar o caso “Face Oculta” da mesma maneira? Existiriam as fugas de informação a que assistimos?

    Claro que não. Temos um passado de justiça marcado por processos intermináveis que, quando concluídos, acabam em condenações perdidas em recursos e prescrições ou com penas sobre aqueles que sempre surgiram como os elos mais frágeis e menos prósperos.

    O conhecimento do que se passa noutros países, dos Estados Unidos aos nossos vizinhos espanhóis, agrava ainda mais essa avaliação de uma justiça injusta.

    Quanto mais paralisada vai ficando a justiça, maior tem de ser a revolta de todos os homens e mulheres de bem que, todos os dias, defendem a justiça, os polícias, os procuradores, os juízes e até os advogados.

    Na população em geral, que somos nós, alimenta-se a apatia, o “encolher de ombros” com um violento incentivo ao “safe-se quem puder e sem olhar a meios”.

    Enquanto isto vai acontecendo, os socialistas e alguns protagonistas da justiça escolhem o erro de se preocuparem apenas com as fugas de informação, as violações ao segredo de justiça e a voracidade dos media. Não compreendem que as “notícias” são cada vez mais o escape de uma máquina em ebulição. Não percebem que acabam por ser estas notícias que, infelizmente, transmitem um sentimento mínimo de justiça.

    Os “julgamentos populares e sumários” a que, na prática, estamos a assistir tenderão a ser cada vez mais e mais violentos. O sistema está a reagir, em busca de justiça, e usa o novo meio de “justiça popular”, que já não é o pelourinho mas a página no jornal, a peça na televisão, na rádio ou na Internet.

    Não vale a pena gritar contra a violação do segredo de justiça ou contra a voracidade dos media. Vale sim a pena perguntar porque se violam esses segredos. E porque se queixam alguns da violação desses segredos que por vezes servem mais para proteger pessoas do que a investigação.

    O processo “Face Oculta”, do que dele se conhece, já é tenebroso. A Polícia Judiciária e o Procurador responsável pelo caso merecem o nosso agradecimento pela coragem que têm revelado. Sim, é verdade que estão a cumprir a sua obrigação. Mas sabemos, pela experiência de outros, que cumprir a obrigação pode ter um preço elevado nas suas vidas.

    O horror que o caso revelou completa-se em terror quando o Procurador-Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça são envolvidos na rede do caso por terem na sua posse escutas que envolvem o primeiro–ministro, há cerca de três meses. Um terror que se justifica por verificarmos que não conseguem transmitir-nos uma mensagem que nos leve a acreditar que a decisão será tomada com o olhar vendado da imagem da justiça.

    Estamos a chegar a um ponto demasiado perigoso. Se queremos acabar com os julgamentos populares, se queremos combater as violações do segredo de justiça e se queremos ser justos com as figuras públicas, pondo fim às suspeições que sobres elas se vão acumulando, temos de ter justiça. Mais e mais injustiça feita de julgamentos populares sumários é a alternativa. A escolha é dos políticos.

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  35. 35 35  cafc

    Meu caro João Berninger

    Estou, no fundamental, de acordo consigo.

    Pela parte que me toca (e num princípio de crítica e auto-crítica), agradecia que me “dissesse” se faço parte da “talvez uma dúzia” que referiu. E, em caso afirmativo, quais são as críticas que entende fazer-me.

    Pode crer que estou a querer estabelecer uma troca de impressões sérias e agradecia que me respondesse, quanto mais não seja para podermos, como o meu amigo (e muito bem) “dizia” podermos ter uma salutar troca de ideias.

    Um abraço e “vamos a isto”!

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  36. 36 36  fado alexandrino

    João Berninger
    15 Nov 2009 às 13:01

    Era tão bom um mundo em que o senhor Berninger decidisse aquilo que se podia ouvir, ver, falar, escrever e pensar.

    Po acaso até já existiu, se não sabe onde pergunte, responderei com todo o gosto.

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  37. 37 37  B Aranda

    Ainda mais que os jornalistas, creio que os magistrados estão muito sobre-prestigiados na nossa sociedade.

    Peço desculpa pela generalização, mas o que vejo é uma classe profissional que se olha a si mesma como se tivesse acima dos outros cidadãos, com tiques de vigilantismo, que acha normal que se façam escutas, que se utilize a videovigilância, que se diga cobras e lagartos dos “políticos” (quando se reduziram os tempos e as razões da prisão preventiva), etc, etc…

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  38. 38 38  Toninho

    # 34

    “… Espero que pensem no assunto.”

    Não conhecia esta ave por aqui.

    O Sr. Berninger muito mais do que um censor, não se dispensa de pressionar também os autores deste espaço que por ser livre e pluralista constitui incentivo à minha presença (de quando em vez) discordante.

    Construa-se já um “muro” especial de corrida para o democrata Berninger.

    Cumprimentos

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  39. 39 39  bico de lacre

    Daniel, eu que não tenho nenhum blog nem me apetece ter, gosto de vir aqui de vez em quando ler os seus escritos e os comentários que a eles fazem, e quando estou para aí virado também participo, às vezes com seriedade e tentando dar a minha opinião acerca do assunto em questão, outras apenas na brincadeira dizendo umas patacoadas e armando-me em engraçado.
    Devo dizer-lhe que acho que tem todo o direito de excluir os comentários que lhe pareçam abusivos ou despropositados, depende da sua exclusiva vontade se aceita qualquer tipo de comentário, pois como repetidamente tem afirmado, a casa é sua e você abre a porta a quem quer, mas tenho alguma dificuldade em entender estas ameaças censórias, tanto mais quando me parece que são feitas apenas a quem de si discorda. Se lhe aborrece aturar os comentadores chatos, despropositados e discordantes, ponha o blog a aceitar frequentadores apenas por convite, assim já escusa de ficar enfadado com “as melgas”. Mas lembre-se que depois dificilmente fará outro anúncio que o Arrastão atingiu não-sei-quantos milhões de visitantes.

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  40. 40 40  BlackPaulo

    Queria dar os parabens ao Paulo Pena por este artigo. Trata-se de uma reflexao brilhante, e subscrevo-a inteiramente. Eu considero que e’ a falta de verdadeira cultura jornalistica que leva a que se verifique um simples ecoar de boatos e a enveredar-se pela noticia facil. Mas isto nao se cinge ao jornalismo – temos uma cultura de pouca exigencia no exercicio de funcoes, que talvez se manifesta na sua forma mais banal e visivel com o designio de dr. a qualquer licenciado.

    ” Mas lembre-se que depois dificilmente fará outro anúncio que o Arrastão atingiu não-sei-quantos milhões de visitantes.”
    Meu caro, debater e’ uma coisa. Confrontar constantemente com argumentos esfarrapados numa linha quase infantil e egocentrica, torna-se exasperante e cansativo para todos. O merito do numero de visitantes e popularidade tem que ser dado a quem produz o blog, o papel de quem comenta passa por de facto se contribuir com um minimo de sensatez, nem que seja com humor.

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  41. 41 41  bico de lacre

    Agora sobre o assunto.
    Fico também muito apreensivo com estas escutas na posse das duas mais altas figuras da justiça Portuguesa, e questiono-me:
    Eles acharam-nas ilegais e guardaram-nas ainda assim? Para quê?
    Acharam-nas legais mas não as utilizaram, porque chocava com a agenda política?

    Diz no texto que motivou este post:
    “Tudo grandes investigações que envolviam políticos e não passaram no teste do algodão.”
    E Digo eu:
    Por causa destas investigações e dos políticos que nelas estão envolvidos, todos nós não passamos no teste da farinha.

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  1. 1 JORNALICES | multiMEDIA things by PEDRO JERÓNIMO

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