O 31 da Armada fez 3 anos. É engraçado porque os rapazes conseguiram importar da equerda algum tipo de modus operandi. E têm uma vantagem: se eles o fizeram, as pessoas sorriem. Se a esquerda o fizer é a arruaça. E eles aproveitam. Fazem bem.
Ontem ergueram uma estátua a Jaime Neves no Campo Pequeno (cá fora?). Lamentavelmente, esqueceram-se dos verdadeiros líderes daquele dia: Melo Antunes, Vasco Lourenço e Ramalho Eanes. Extraordinário que, mesmo no dia que eles festejam, tenha sido a esquerda a pensar e para a direita tenha ficado reservado um papel meramente operacional. Neste país, a esquerda teve as suas desavenças ideológicas. A direita era apenas o pitt-bull que se tinha no quintal para caso de necessidade.
Já me esquecia: parabéns ao 31. Quando precisarmos deles avisamos. Não são o Jaime Neves, mas sempre podem assaltar umas varandas e esse tipo de coisas.
86 comentários 25 Nov 09 em Sem categoria



Pitt Bull’s? Por favor, Daniel.
Caniches ainda vá…
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um assunto que não tem nada a ver, mas que talvez mereça ser mencionado no blog, até porque alguém devia fiscalizar isto de maniera eficaz. Depois disto :http://jpn.icicom.up.pt/2009/05/07/candidatos_ao_inovart_denunciam_caos_no_processo_de_seleccao.html
Agora isto :http://cafe-tropical.blogspot.com/2009/11/furiosa.html
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Daniel Oliveira-
“Neste país, a esquerda teve as suas desavenças ideológicas. A direita era apenas o pitt-bull que se tinha no quintal para caso de necessidade.”
Das melhores frases que já escreveu.
Resta dizer que quanto á esquerda, ainda está nas desavenças ideológicas e que á direita continuam os pitt -bull naquela do ranger de dentes.
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Como toda a gente que viveu estes acontecimentos sabe, o então Major Jaime Neves, vencedor parcial (porque apenas meramente operacional) do 25 de Novembro, foi um dos maiores derrotados do “26 de Novembro”, ganho de facto pelo Melo Antunes, pelo Vasco Lourenço e por muitos outros puros e heróicos Capitães de Abril.
E ainda bem que assim foi, porque se o “25 de Novembro” de Jaime Neves e de toda a Direita tivesse vencido, poderia até ter sido necessário um novo 25 de Abril.
Felizmente que o 25 de Novembro mais não foi, no final, do que a recuperação da genuinidade da Revolução de Abril, deturpada grosseiramente pelos excessos advenientes do 11 de Março e do Gonçalvismo.
Mais, este 25 de Novembro que a Direita sonhou ter só foi definitivamente vencido em Dezembro de 1980, com a morte de Sá Carneiro e a reeleição de Eanes, afastando assim de vez o espectro de um Presidente da República adepto do 24 de Abril (e ex-servidor do colonialismo no Campo da Morte do Tarrafal).
Mas tudo isto, infelizmente (e também por culpa nossa), é uma grande nebulosa na cabeça das gerações mais novas do que a minha, que nada presenciaram e que foram “formatadas”, ao longo de décadas, pelos mitos históricos forjados pela nossa comunicação social. Por exemplo (e sobretudo!) pelo “Expresso”, entre outros…
Oxalá o novo livro do Sousa e Castro (lançado hoje mesmo) possa contribuir para combater esta maré viva de ignorância e desconhecimento…
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“E têm uma vantagem: se eles o fizeram, as pessoas sorriem. Se a esquerda o fizer é a arruaça.”
Que mania da perseguição.
Quem sorri? Quem considera uma arruaça?
Toda a gente? Os jornais? As televisões? O Pacheco Pereira?
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O PS navega à vista, fazendo uns fretes aqui e outros ali.
Os fretes à direita fazem o partido perpetuar-se mais tempo no poder.
Os fretes à esquerda, deixam a esquerda apaticamente ESTUPIDA (pelo menos aparentemente)!
Mais do que nunca, as habituais corporações que sempre emperraram o país, tem o PS e o Governo nas mãos.
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Por razões que já outros apontaram acima, a minha comemoração do 25 de Novembro só pode passar por Melo Antunes.
Para uma melhor comemoração:
http://ernestomeloantunes.com.pt/
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Daniel
Como deve saber, não tenho nenhuma simpatia ideológica pelos rapazes do 31 da Armada, agora eles são coerentes com as suas ideias e procuram pô-las na prática, desestabilizando a sociedade burguesa.
Outros, que se dizem de esquerda estão mais interessados em serem respeitadores do sistema e comer na gamela que este lhe oferece…
Manuel Monteiro
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A grande mudança de rumo neste pais foi num dia 25, mas não foi o de Abril.
O dia 25 de Novembro de 1975 representa o fim de TODAS as formas totalitárias que quiseram dominar este pais durante o século passado.
Lembrei-me tambem de outro 25 de Novembro de 1917, num pais bastante distante do nosso. Nessa apis ouve pela primeira vez eleições livres, e tal como cá tambem os comunistas perderam redondamente.
Mas ao contrário de Portugal, nesse pais a assembleia eleita apenas teve 1 dia de democracia. OS comunista tomaram o poder e nunca mais de lá sairam até à poucos anos.
Ainda no outro dia se festejou essa saida.
25 DE NOVEMBRO SEMPRE, COMUNISMO NUNCA MAIS.
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A grande mudança de rumo neste pais foi num dia 25, mas não foi o de Abril.
O dia 25 de Novembro de 1975 representa o fim de TODAS as formas totalitárias que quiseram dominar este pais durante o século passado.
Lembrei-me tambem de outro 25 de Novembro de 1917, num pais bastante distante do nosso. Nessa pais ouve pela primeira vez eleições livres, e tal como cá tambem os comunistas perderam redondamente.
Mas ao contrário de Portugal, nesse pais a assembleia eleita apenas teve 1 dia de democracia. OS comunista tomaram o poder e nunca mais de lá sairam até à poucos anos.
Ainda no outro dia se festejou essa saida.
25 DE NOVEMBRO SEMPRE, COMUNISMO NUNCA MAIS.
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Os factos que nos levam ao 25 de Novembro…
Os factos que nos levam ao 25 de Novembro
11 de Março de 1975
Divisões profundas entre oficiais do MFA. A ala spinolista é levada a tentar um golpe de estado. Insurreição na Base Aérea de Tancos e ataque aéreo ao Quartel do RAL1. Fuga para Espanha do General Spínola e outros oficiais. Reforço da capacidade de intervenção do COPCON chefiado por Otelo Saraiva de Carvalho.
12 de Março de 1975
São extintos a Junta de Salvação Nacional e o Conselho de Estado e em sua substituição é criado o Conselho de Revolução. O Governo dá início à execução de um grande plano de nacionalizações (Banca, Seguros, Transportes etc…).
26 de Março de 1975
Tomada de Posse do IV Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
11 de Abril de 1975
Plantaforma de acordo MFA/Partidos assinada por CDS, FSP, MDP, PCP, PPD, PS. O acordo visava o reconhecimento, por parte dos partidos, da necessidade de se manter a influência do MFA na vida política do país por um período de transição de três a cinco anos o qual terminaria por intermédio de uma revisão constitucional.
25 de Abril de 1975
Eleições para a Assembleia Constituinte com uma taxa de participação de 91,7%. Resultados dos Partidos com representação parlamentar: PS 37,9%; PPD 26,4%; PCP 12,5%; CDS 7,6%; MDP 4,1%; UDP 0,7%.
19 de Maio de 1975
Início do chamado Caso República . Raul Rêgo é afastado da direcção do jornal pelos trabalhadores, acusado de ter tornado o República no órgão oficioso do Partido Socialista.
25 de Maio de 1975
Ocupação pelos trabalhadores das instalações da Rádio Renascença, propriedade do Episcopado.
6 de Junho de 1975
Em Ponta Delgada realiza-se a primeira manifestação pública da Frente de Libertação dos Açores (FLA). Este movimento sem grande expressão e peso político reivindicava a autodeterminação dos Açores.
25 de Junho de 1975
Independência de Moçambique.
Julho de 1975
Reagindo ao curso dos acontecimentos e à situação criada no jornal República o Partido Socialista desencadeia manifestações de massas – a maior das quais foi a da Fonte Luminosa, abandonando o Governo em 16 de Julho. O Partido Popular Democrático segue-lhe o exemplo. Iniciam-se as diligências para a formação de novo Governo.
5 de Julho de 1975
Independência de Cabo-Verde.
8 de Julho de 1975
MFA divulga o Documento “Aliança POVO/MFA. Para a construção da sociedade socialista em Portugal.”
12 de Julho de 1975
Independência de S. Tomé e Príncipe.
13 de Julho de 1975
Assalto à sede do PCP em Rio Maior. Têm aqui início uma série de acções violentas contra as sedes de partidos e organizações políticas de esquerda, registadas por todo o país mas com maior intensidade no Norte e Centro. Esta onda de violência conotada com as forças conservadoras ficou conhecida por Verão Quente.
27 de Julho de 1975
Fuga de 88 agentes da ex-PIDE/DGS da prisão de Alcoentre.
30 de Julho de 1975
É criado no Conselho da Revolução o Triunvirato que passa a orientá-lo. Constituem-no Vasco Gonçalves, Costa Gomes e Otelo.
7 de Agosto de 1975
É divulgado o Documento Melo Antunes, apoiado pelo Grupo dos Nove, um grupo de militares que representava a facção moderada do MFA, e que se opõem às teses políticas do Documento Guia Povo/MFA apresentado em 8 de Julho.
8 de Agosto de 1975
Tomada de posse do V Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves.
10 de Agosto de 1975
Melo Antunes e apoiantes são afastados do Conselho da Revolução.
12 de Agosto de 1975
Aparecimento do “Documento do COPCON”, em contraposição ao “Documento dos Nove”, e reforçando a ideia de ser atribuído um papel político relevante às Assembleias Populares (democracia de base).
30 de Agosto de 1975
Vasco Gonçalves é demitido do cargo de Primeiro Ministro. Iniciam-se as negociações para a formação do VI Governo Provisório, PS/PPD/PC.
10 de Setembro de 1975
Desvio de 1000 espingardas automáticas G3 do DGM 6 em Beirolas.
11 de Setembro de 1975
Manifestação dos SUV no Porto, numa tentativa de criar no seio das Forças Armadas uma zona de influência adepta do Poder Popular de Base como advogavam alguns partidos da chamada esquerda revolucionária.
19 de Setembro de 1975
Tomada de posse do VI Governo Provisório, chefiado por Pinheiro de Azevedo.
21 e 22 de Setembro de 1975
Agudiza-se a luta política nas ruas: manifestação dos Deficientes das Forças Armadas com ocupação de portagens de acesso a Lisboa e tentativa de sequestro do Governo. Prosseguem as nacionalizações: SETENAVE e Estaleiros de Viana do Castelo.
25 de Setembro de 1975
Nova manifestação dos SUV em Lisboa. Na intenção de retirar poderes ao COPCON o Governo cria o AMI – Agrupamento Militar de Intervenção.
26 de Setembro de 1975
O Governo decide retirar ao COPCON “os poderes de intervenção para restabelecimento da ordem pública”.
27 de Setembro de 1975
Manifestantes de partidos de esquerda assaltam e destroem as instalações da Embaixada de Espanha como medida de protesto contra a execução pelo garrote de cinco nacionalistas bascos, decidida pelo governo ditatorial do Generalíssimo Franco.
15 de Outubro de 1975
O Governo manda selar as instalações da Rádio Renascença, ocupada desde Maio pelos trabalhadores. Mas a ocupação mantém-se.
7 de Novembro de 1975
Por ordem do Governo, o recém criado AMI, faz explodir os emissores da Rádio Renascença.
Confrontos violentos na região de Rio Maior entre representantes das UCP’s e Cooperativas Agrícolas da Zona de Intervenção da Reforma Agrária (ligadas ao sector do trabalhadores rurais) e representantes da CAP – Confederação de Agricultores Portugueses, instituição ligada aos interesses dos proprietários agrícolas.
11 de Novembro de 1975
Independência de Angola.
12 de Novembro de 1975
Manifestação de trabalhadores da construção civil cerca o Palácio de S.Bento sequestrando os deputados.
15 de Novembro de 1975
Juramento de bandeira no RALIS – os soldados quebram as normas militares que regulamentam os juramentos de bandeira e fazem-no de punho fechado.
20 de Novembro de 1975
O Conselho da Revolução decide substituir Otelo Saraiva de Carvalho por Vasco Lourenço no comando da Região Militar de Lisboa.
O Governo anuncia a suspensão das suas actividades alegando “falta de condições de segurança para exercício do governo do país”.
Manhã de 25 de Novembro de 1975
Na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, CEMFA, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas de Tancos, paraquedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas. Detêm o general Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva. Este acto é considerado pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados PS e PPD, depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar inequivocamente o destino político do país. Assim:
Tarde de 25 de Novembro de 1975
Elementos do Regimento de Comandos da Amadora cercam o Comando da Região Aérea de Monsanto.
Noite de 25 de Novembro de 1975
O Presidente da República decreta o Estado de Sítio na Região de Lisboa. Militares afectos ao governo, da linha do Grupo dos Nove, controlam a situação.
Prisão dos militares revoltosos que tinham ocupado a Base de Monsanto.
26 de Novembro de 1975
Comandos da Amadora atacam o Regimento da Polícia Militar, unidade militar tida como próxima das forças políticas de esquerda revolucionária. Após a rendição da PM, há vítimas mortais de ambos os lados.
Prisões dos militares revoltosos..
27 de Novembro de 1975
Os Generais Carlos Fabião e Otelo Saraiva de Carvalho são destituídos, respectivamente, dos cargos de Chefe de Estado Maior do Exército e de Comandante do COPCON.
O General António Ramalho Eanes é o novo Chefe de Estado Maior do Exército.
Por decisão do Conselho de Ministros a Rádio Renascença é devolvida à Igreja Católica.
28 de Novembro de 1975
O VI Governo Provisório retoma funções. O Conselho de Ministros promete o direito de reserva aos donos de terras expropriadas.
7 de Dezembro de 1975
A Indonésia invade e ocupa o território de Timor.
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Meu caro Júlio de Matos
Dirijo-me a si, especificamente, porque o seu comentário tem “muito que se lhe diga”.
1- Tenho algumas discordâncias em relação a “matérias” que não serão o tema base;
1-a) A questão do 11 de Março, o “Gonçalvismo” e os excessos, é muito complexa e, se calhar, estaremos de acordo em muitas coisas (se houver oportunidade de as “esmiuçar”). Na generalidade, não as colocaria dessa forma;
1-b) A derrota de Soares Carneiro (se não estou em erro, foi director doutro campo, S. Nicolau – mas, com “mais ou menos doçura” vai “dar ao mesmo” – que não era só colonialista, era fascista) significou a derrota desse tipo de direita;
1-c) Não associo Sá Carneiro a essa direita que menciona. Quando muito, na escolha do “seu candidato” cometeu um erro que, se a História fosse outra, até lhe poderia ter custado muito caro;
1-d) Dentro deste episódio, ainda gostaria de saber porque é que Mário Soares retirou o seu apoio a Ramalho Eanes. Se não apoiava Soares Carneiro, terá votado em Otelo?
Quanto ao essencial do seu comentário, completamente de acordo. Acrescento só que, em relação à figura principal, Jaime Neves, já tinha desempenhado um “papel interessante” na Guerra Colonial.
Com o 25 de Novembro, disse a Ramalho Eanes, em cerimónia transmitida pela televisão, que os Comandos ainda não estavam satisfeitos. Percebe-se até onde ia a sua “gula”.
Haverá quem queira “retocar” a imagem de Jaime Neves, invocando o facto de se ter apresentado a Salgueiro Maia, em 25 de Abril, para colaborar nas operações militares em curso.
Como, posteriormente, cantou José Barata Moura:
“Cravo vermelho ao peito
A muitos fica bem
Sobretudo dá jeito
A certos filhos da mãe.”
Um abraço, meu caro.
“
[Responder]
creio que o 25 de novembro foi a vitória das forças democraticas sobre as forças que queriam tornar Portugal num estado comunista ao estilo da URSS, extremas esquerdas e etc. acho que foi a vitória dos que queriam um Portugal democrático sobre os que queriam um Portugal do PREC, de VAsco Gonçalvez, e Companhia. não creio que tenha sido um “combate” entre esquerda moderada e democratica e extrema-esquerda, foi sim entre democratas e comunistas.
[Responder]
Toda a gente corrupta saúda o 25 Novembro.É com este golpe que foi um deixar correr o marfim que inté mandoaram o Sá Carneiro e Amado com os porcos com um atentado terrorista.Enfim,a democracia normalizou-se…
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A direita mal podia abrir a boca nessa altura, quanto mais pensar/tomar qualquer tipo de iniciativa…. E uma vez que tudo o que estava a direita do PC estalinista era fascista tambem fica complicado fazer esse tipo julgamento.
[Responder]
Consequencia disso mesmo é que todos os partidos que se formaram, esquerda e direita, la tiveram que mamar com o rumo ao socialismo…
[Responder]
É de ir às lágrimas com comentários e opiniões de que quem na altura andava a saltar de um para o outro dentro do Paizinho
Leram umas coisitas por aí, ouviram uns “sound-bytes” sobre o assunto e vamos isto, vai de debitar “verdades”
E acham-se muito entendidos na matéria, bem haja a sua santa ignorância
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Curioso…
PS, PSD, CDS, BE e outros estão todos eles cravejados de gente que defendeu o acerrimamente o PREC.
[Responder]
Que falta de nível.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 25th, 2009 at 17:46
José MExia, que falta de nível o quê, se não me leva a mal?
Fartei-me de rir com alguns comentários e lembrei-me de repente dessa grande figura o Melo Antunes que em tempos redigiu um programa económico para salvar Portugal.
Não sei o que é que ele percebia de economia mas se calhar foi ajudado pelo Vasco Lourenço (um puro no linguarejar de outros).
Tenho aqui uma fotografia onde se vê um senhor com três estrelas no ombro, um general de aviário, a ouvir um simpático metalúrgico que o “incita a tomar o poder. Este (O Otelo) lamenta a falta de cultura livresca que o poderia ter tornado no Fidel de Castro da Europa.
Vêm no “Os dias loucos do PREC”.
Esses dias ainda hoje por causa de uma pessoa que era doente, o Vasco Gonçalves, corrompem esta democracia de opereta.
Se o comentário for publicado tenho muito gosto em adiantar mais coisas, por exemplo sabiam que havia um capitão que ia tomar café de Chaimite e pistola à cintura?
[Responder]
Meu caro Pisca
Desculpe mas, assim “não vale”.
O seu comentário #17 é perfeitamente “nihilista”.
“Mete tudo no mesmo saco” e não contém qualquer opinião sobre a matéria em apreço.
Como, utilizando a sua expressão “andar a saltar…”, não me é aplicável, agradecia-lhe que esclarecesse qual é o seu pensamento. Se calhar, até poderemos estar de acordo, pelo menos em alguns pontos, tal como “disse” ao Júlio de Matos.
Só que, para isso, é necessário saber qual o ponto de vista de cada um. Poderá ser?
Cumprimentos.
[Responder]
Daniel, sou de esquerda, nem era nascido na altura dos factos, mas também não gosto do tom com que escreve, e duvido que se sinta bem quando o 31 fala da esquerda nesse tom…
Cumprimentos.
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 25th, 2009 at 19:51
João Valente. Estive no aniversário do 31 da Armada. Já é impossível brincar? Bolas!
O Jaime foi sempre um cagão.
Só apareceu quando o “trabalhinho” já estava feito.
Heróis são aqueles que andaram no Ultramar ou que enfrentaram militarmente o regime.
Onde estava o Jaime no 25 de Abril?
E quando se deuo 25 de Novembro, onde estava ele? Dentro dum quartel?
Grande heroísmo ó palhaços do 31 da Armada!!!
[Responder]
Uhm, Pitt-Bull? Eu prefiro esta:
“Lipstick on a pig” (urbandictionary.com)
Slang for when someone tries to dress something up, but is still that something. Usually used on ugly broads, when they put on a skirt and some lipstick and well, they still look like the same disgusting pig.
[Responder]
1. o jaime neves tem tanta importância como a estátua de cartão dos betos monárquicos, népia!
mas talvez se houver por aí voluntários se possa mover um acção civil contra essas amostras de duartes braganças, por conspurcação do espaço público
2. Comenta-se o 25 de Novembro, Eanes e a estranha posição de Soares que se absteve perante as hipóteses PSD/Soares Carneiro vs Otelo.
Mas parece-me escapar aqui o essencial: o tradicional negócio das armas fornecidas ao estrangeiro pelas Forças Armadas (p/e no processo Irão Contras) no qual Eanes detinha todos os cordelinhos. O golpe de 25/N teve a defesa desse lobie como objectivo principal. O Estado que é a Oligarquia Militar dentro de outro Estado, permaneceu incólume e os lugares do generalato com honras e proveitos milionários continua às costas dos contribuintes portugueses.
Aliás, as pistas na investigação a Camarate onde foi assassinado Amaro da Costa levou directamente a Eanes; e aí a investigação parou.
Eanes é hoje doutor (calcemos as galochas) e foi mandatário da campanha presidencial de Cavaco (mesmo de galochas, suba-se para um banco alto, pq o nivel da trampa tende a aumentar)
Era suposto dizer-se aqui alguma coisa sobre os “ideais de abril”?
[Responder]
# 11 António Cunha
“Os factos que nos levam ao 25 de Novembro…”
Parabéns. Mas podia ter começado mais cedo, p. ex. com:
Os factos que nos levaram ao 11 de Março…
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Caro Cafc
O saltar é isso mesmo, pensamos o mesmo
O comentário é unicamente para os “meninos” que leram a correr umas coisas e andam a bolsar, deve ser da juventude, comentários sobre o que não fazem a mais pálida ideia, daí que não passam das frases feitas e apresentadas como verdades “oficiais”.
Sobre o tema em si, nem vale a pena o unico 31 da Armada a quem reconheceria algum valor era o restaurante, comia-se bem
Sobre os tasqueiros do comentário enfim, nem copos de 3 conseguem servir.
Sobre o tal Neves, ao que me disseram quem de facto deu o pelo e muito mais em vários lados, não passa de pavão de parada, sempre pronto para recolher os louros dos outros, mas os inuteis entendem-se sempre muito bem uns com os outros
[Responder]
24 Pinochet
Caro amigo, parece-me que está um pouco enganado com a figura.
5 comissões de serviço chegam-lhe ?
Há pessoas de quem não nos devemos esquecer, assinalando-se o seu lugar na História de Portugal. Para que a memória perdure e não seja apagada.
O Coronel Jaime Neves serviu no Ultramar onde adquiriu justa fama de ser um oficial corajoso, criativo e com grandes capacidades de chefia, qualidades atestadas em missões operacionais. Militar, mas também e sobretudo, homem de guerra.
O Coronel Jaime Neves iniciou a sua carreira militar servindo na Índia Portuguesa. Em Angola, como capitão, comandou a Companhia 365 de Caçadores Especiais. Fez depois o curso de Comandos, também em Angola, e pertenceu à Segunda Companhia da qual farão parte como Alferes, José Gonçalves, Victor Ribeiro, futuros fundadores e Presidentes da Direcção da Associação de Comandos e homens com um papel muito importante em 1975, no 25 de Novembro.
Em Moçambique, Jaime Neves comandou a 28ª Companhia de Comandos e, mais tarde, quando este se constituiu, o Batalhão de Comandos de Moçambique. É precedido por este currículo que vai, a partir do Verão de 1974, comandar o Regimento de Comandos da Amadora, uma unidade chave e que se tornará mais importante, à medida que as sequelas militares do PREC – indisciplina, saneamentos políticos, promoções de aviário, manipulação ideológica dos soldados e graduados – vão tornando as unidades militares cada vez mais apaisanadas e por isso mesmo de pouca ou nenhuma confiança, em termos de cumprimento da sua missão principal – a defesa da pátria, da sua independência e da sua liberdade.
Oficial patriota, Jaime Neves colaborou por algum tempo com o MFA, mas foi-se afastando à medida que se acentuaram no movimento, como dominantes, as linhas de radicalização esquerdistas e anti-nacional, através da aliança progressiva com o PCP e de uma descolonização irresponsável e vergonhosa, quer para os interesses portugueses quer para os interesses das populações dos territórios então descolonizados. Já no 28 de Setembro, Jaime Neves tinha o seu pessoal pronto e preparado, para fazer cumprir a lei. E teria sem dúvida removido as barricadas comunistas, caso para tal tivesse recebido ordens ou instruções de quem de direito. Que nunca chegaram.
Durante 1975, procurou fazer do Regimento de Comandos, uma boa unidade militar, enquadrada por oficiais e quadros com experiência militar de combate em África e com espírito de patriotismo, lealdade e camaradagem. O que não era fácil nesta época, em que, bem pelo contrário, algumas unidades militares se transformaram em bandos ou clientelas partidárias armadas.
Mas conseguiu-o. Deste modo, quando a resistência popular, iniciada no Norte do País, se foi estendendo para o Sul, intimidando o Partido Comunista e os radicais do MFA e fazendo-os pensar duas vezes nas hipóteses de êxito do assalto comunista ao poder, o Regimento de Comandos funcionou como uma ponta de lança, firme e forte, de resistência nacional, na área de Lisboa.
Jaime Neves desempenhou um papel fundamental ao longo do Verão de 1975, não só mantendo os Comandos como uma força disciplinada e não tocada pelo radicalismo subversivo, como estabelecendo, com os elementos da então criada Associação de Comandos, uma boa articulação que vai permitir através das duas companhias de antigos militares, “convocados”, constituir uma força experimentada que actuará, decisivamente, no 25 de Novembro.
[Responder]
27 xatoo
Então quem é que teve importancia neste cantinho quase comunista da altura ?
O Cavalo Branco ?
O Camarada Vasco ?
O Otelo ?
[Responder]
Isso de 31 da armada é o quê?
Como os videos e acções deles são sempre de noite, nunca consigo saber afinal o que é aquilo.
[Responder]
fado alexandrino … com tantas “verdades” parece que era o único português vivo no PREC!
António Cunha … esqueceu-se do cónego Melo e das orelhas, feitas porta-chaves, cortadas aos pretos pelo seus majores.
Daniel Oliveira … tem razão; os anarquistas-monarquicos do 31 têm piada quando imitam, com arruaças, certas acções da esquerda.
[Responder]
No tempo do Vasco Gonçalves não havia tanta trampa; tanto aborto; ladroagem; tanta falta de patriotismo; tanto amiguismo e nepotismo; tanta maçonaria; tanta corrupção e tanta falta de ética e moral!
O pessoal do 25 de Novembro bem podem ir para o Diabo que os carregue!
[Responder]
Daniel Oliveira Reply:
Novembro 26th, 2009 at 10:05
Social-Fascista: “o tempo de Sallazar não havia tanta trampa; tanto aborto; ladroagem; tanta falta de patriotismo; tanto amiguismo e nepotismo; tanta maçonaria; tanta corrupção e tanta falta de ética e moral!”
Já leu isto, mais ou menos, não leu. Então pense bem antes de escrever.
e das orelhas, feitas porta-chaves, cortadas aos pretos pelo seus majores.
Ó meu senhor veja lá se percebe que deve ter havido talvez três ou quatro majores que tenham andado mais do que cinco quilómetros para lá do quartel.
Tire-se de cuidados e vá ver os postos dos que morreram no Monumento aos Mortos da Guerra no Ultramar.
Orelhas de pretos só se as encomendavam pelo correio à cobrança.
[Responder]
31 António Cunha
por sorte calhou-lhe o comentário nº 31, igual ao dos betos adeptos da oligarquia monárquica.
quanto ao resto,
vc é sempre assim vesgo?, ou consegue interpretar um texto?
(refiro-me concretamente ao ponto 2 do meu comentario)
[Responder]
Lembro-me da rapaziada dos comandos a invadir as salas de aula do liceu da Amadora e de abaterem a tiro um trabalhador na estação da Amadora quando este distribuía comunicados contra o Estado de Sítio decretado na zona da Região Militar de Lisboa.
Alguém falou de liberdade de imprensa? Os escaparates de 1975 estavam cheios de jornais de extrema-direita como “A Barricada” e “O Retornado”. E aquela bomba que colocaram nas antenas da Rádio Renascença, ocupada pelos trabalhadores? E os incêndios das sedes dos partidos de Esquerda?
Há uma diferença substancial entre o 25 de Abril de 1974 e o 25 de Novembro de 1975: no primeiro viemos para a rua festejar com os soldados; no segundo, mobilizaram os cães de fila, impuseram um Recolher Obrigatório e proibiram a imprensa na Região Militar de Lisboa.
Ganhou a “democracia”? Sim, a “democracia” dos que perderam no 25 de Abril. Não sabem como chegámos aqui? Começou no 25 de Novembro.
Sobre os 31 armados aos cucos: os infantes devem andar aborrecidos de jogos florais e de andarem a comparar árvores genealógicas, ensandeceram – “ai que que subversivoooo!”
Ainda não perceberam que o problema da monarquia é o de que os reis não se substituem com eleições, só a tiro. Já resolvemos esse problema em 5 de Outubro 1910.
[Responder]
xatoo
eu gosto mesmo é de teorias da conspiração.
36 CausasPerdidas
assim de repente lembro de 20 assassinatos feitos pelas fp25, dos quais alguns inocentes e um bebé. quer para a troca ?
[Responder]
SOCIAL-FASCISTA
No tempo do (Vasco Gonçalves) Salazar, não havia tanta trampa; tanto aborto; ladroagem; tanta falta de patriotismo; tanto amiguismo e nepotismo; tanta maçonaria; tanta corrupção e tanta falta de ética e moral!
O pessoal do 25 de (Novembro) qualquer mês, bem podem ir para o Diabo que os carregue!
[Responder]
Meus caros, já passaram quase trinta e quatro anos (mais de uma geração! Estamos todos a envelhecer…), vamos a ver se, para começar, conseguimos distinguir entre factos (que não se discutem) e opiniões políticas (que podem e devem ser LIVRES).
O António Cunha, com quem aliás estou sempre em profundo desacordo, fez aqui um excelente trabalho para nos ajudar nesta distinção. Sintético, mas muito pedagógico, sobretudo para os que “não estavam cá” à altura dos acontecimentos.
Eu era ainda adolescente, mas morava no Bairro da Encarnação, em Lisboa, e por isso estive sempre no olho do furacão, quer no 11 de Março, onde assisti a tudo – parecia um filme de guerra ao vivo! -, quer no 25 de Novembro, muito mais medonho, porque apesar de não ter havido combates na zona do então RALIS (Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa), ex-RAL 1 (a 11 de Março ainda se chamava Regimento de Artilharia 1), o perigo de confrontos sérios era bem maior – falava-se mesmo na possibilidade de uma Guerra Civil!
Por isso, o meu Pai pegou na família e, nessa noite de 25 de Novembro, nem dormimos em casa, tais eram os receios de deterioração da situação militar em Lisboa (para mim, embora receando ver a minha humilde casa destruída, havia contudo um certo lado emotivo e de aventura, inconsciente sem dúvida, em tudo aquilo…).
Por isso é importante divulgar primeiro os factos e discutir opiniões só depois.
E sobre os factos há por aqui alguns disparates (gralhas?) evidentes. Destaco apenas as que me parecem fruto não da ignorância, mas da má-fé, e que dizem respeito ao trapalhão desse insuportável chato que se assina chatú (ou “xatoo”): caro senhor, ou senhora, menino, ou menina, pois fique sabendo que nas Eleições presidenciais de 5 de Dezembro de 1980 (ao contrário do que boçalmente afirma no ponto 2. do seu comentário n.º 27) a decisão NÃO era entre PSD/Soares Carneiro (e está-se aqui a esquecer do CDS…) e Otelo, mas sim entre aquele e RAMALHO EANES, apoiado de novo pelo PS (tal como já fora em 76), mas desta feita também pelo PCP (que o combatera aquando da primeira eleição, à qual candidatou o Octávio Pato)!
Para além disso, seu xatarrão trapalhão, o chamado “caso Irão/Contras”, de que você sempre se socorre, só aconteceu alguns anos depois de 1980, não sendo tido nem achado na altura das presidenciais desse ano, que foram de facto decisivas para a nossa Democracia (SENÃO, Ó TRAPALHÃO, COMO É QUE EXPLICA QUE O SEU PARTIDO, O P. C. P., SE TIVESSE EMPENHADO TÃO A FUNDO NA REELEIÇÃO DE EANES? TAMBÉM ESTAVA IMPLICADO NO CASO “IRÃO/CONTRAS”?).
É este tipo de argumentação deturpadora dos factos que me faz muita erisipela mental.
Relativamente à pertinente questão do amigo “cafc”, deixe-me dizer-lhe que também eu nunca compreendi bem a opção de Mário Soares nessas Presidenciais. Nem o seu próprio Partido, que se dividiu bastante, mas optou pelo apoio a Eanes, no momento talvez de maior perigo para o Regime Democrático saído do 25 de Abril, desde a deriva do Gonçalvismo, mas desta vez o perigo vinha da Direita. E não concordo mesmo nada consigo no “branqueamento” de Sá Carneiro, que era o grande cérebro da contra-revolução pacífica e “legal” que se preparava com a Eleição de um general de papelão como Soares Carneiro, pois o grande “projecto” de Sá Carneiro para Portugal nunca passou de um mero projecto de poder pessoal absoluto, que ele definia como “uma maioria, um governo, um presidente”, ou seja, o poder total nas suas mãos!
Num momento delicado como este, em que a maré era claramente de Direita (tinha havido já Legistativas a 5 de Outubro desse ano fulcral e também muito quente de 1980, que deram a maioria absoluta à Aliança Democrática, do PPD e do CDS), se Sá Carneiro não tem falecido e se Soares Carneiro tivesse sido eleito Presidente, talvez hoje não se falasse tão brandamente do 25 de Novembro.
Quanto a mim, é inquestionável que a Direita mitificou esta data do 25 de Novembro para assim caucionar a sua adesão ao 25 de Abril. Ou seja, a Direita portuguesa não consegue aceitar o 25 de Abril por si só, sem recorrer à muleta do 25 de Novembro. Problema que terá que resolver, se quiser algum dia ganhar credibilidade ao Centro.
Resumindo, que este comentário já se alongou demais, e pegando na discutível frase do António Cunha «A grande mudança de rumo neste pais foi num dia 25, mas não foi o de Abril.», diria que, antes muito pelo contrário, o 25 de Novembro não foi “nada” comparado, históricamente, com o 25 de Abril, como é óbvio.
O 25 de Novembro foi uma importante correcção a um desvio grave, o chamado “gonçalvismo”, que ameaçava crescer a pontos de desvirtuar a própria essência DEMOCRÁTICA do 25 de Abril, mas nada mais do que isso.
Outros desvios menores aconteceram no percurso dessa Revolução tão drástica quanto urgente como a que se sucedeu em Portugal após esse momento libertador único e incomparável que nos libertou em 1974, tais como o 28 de Setembro (quase esquecido), que forçou a demissão de Spínola e conferiu inequívoca densidade social e estrutural ao 25 de Abril (expurgando os que não desejavam dele mais do que um mero golpe de cúpulas, que mudasse o Regime no seu carácter mais intolerável, mas sem desmantelar as suas raízes sociais), ou o 11 de Março, ou até, muito importante, a data esquecida da tomada de posse do VI Governo Provisório, que formalmente pôs termo ao Gonçalvismo, antes ainda do 25 de Novembro.
E, finalmente, o tal 5 de Dezembro de 1980, igualmente muito importante, por constituir por sua vez a necessária “correcção democrática” a um certo pendor do 25 de Novembro que até aí manteve algumas esperanças secretas de fazer retroceder o 25 de Abril, pelo menos, até ao 27 de Setembro de 74…
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Corrijo (pedindo desculpas a todos):
1º) Já se completaram os tais 34 anos (ontem e hoje…);
2º) RALIS: Regimento de Artilharia de Lisboa, não “Ligeira”.
Declaração pessoal de “interesses”, facultativa, mas que ainda assim julgo ser relevante: à altura dos acontecimentos do 25 de Novembro, eu, que nunca fora (nem me tornei alguma vez) marxista, antes provindo de uma certa mentalidade situacionista do anterior Regime, que me levou até a ser conotado com a “reacção”, lá no meu velho e tão revolucionário Liceu de D. Dinis, já conseguira chegar por mim próprio à conclusão de que o 25 de Abril fora, afinal, uma coisa positiva para o meu País (apesar de tudo, aos 15 anos já se pode ter muita capacidade cognitiva…) e, naquele “Outono Quente” de 75, sentia-me pela primeira vez na vida, desde que o 25 de Abril despertara em mim o interesse pela Política, perfeitamente sintonizado com o meu Governo, chefiado pelo valoroso Almirante Pinheiro de Azevedo, pelo que temia e odiava quer os irresponsáveis militares do então COPCON, dos SUV’s e dessa cambada toda, quer os hesitantes, débeis e indefinidos, como Costa Gomes, pelo que exultei e respirei de alívio com a vitória também política, mas sobretudo militar, do Governo no 25 de Novembro.
Contudo, hélas, logo me apercebi de que havia uma subtil mas significativa diferença entre o significado dessa vitória para, por exemplo, Jaime Neves, Pires Veloso, ou Sá Carneiro (na altura ainda muito discreto e “debaixo das saias” de Mário Soares) e para Homens como Melo Antunes, Vasco Lourenço, Pezzarat Correia e tantos, tantos outros.
Ramalho Eanes, na altura, era ainda politicamente uma incógnita, mas acabaria por caír para o campo destes segundos. A partir daí, aprendi a desconfiar tanto ou mais das falácias mais ou menos doces da Direita (consoante as circunstâncias mais favoráveis ou mais adversas), do que dos urros descontrolados da Esquerda, que afinal se começaram aos poucos a revelar muito mais ingénuos e benignos do que as falinhas mansas de certos vencedores do 25 de Novembro…
Mas digamos que, levada a extremos, a candura e a inocência dos revolucionários podem, ainda que sem o querer, ser mais perigosas do que a perfídia controlada e bem-aparentada da Direita.
Em resultado disso, tornei-me centrista convicto, ainda que com maior pendor intelectual para a Esquerda, desde que isenta de dogmas marxistas (e sem prejuízo de assumir a minha formação moral tradicionalista e conservadora).
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Já agora impõe-se também a correcção: RAL 1 eram as iniciais de Regimento de Artilharia LIGEIRA n.º 1, nome com que, repito, este famoso Quartel interveio no 11 de Março, mas que já fora substituído por RALIS, a 25 de Novembro desse mesmo ano de ambos os golpes militares (75).
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35 fado alexandrino
25 Nov 2009 às 23:06
estou cada vez mais convencido que o Fado fez a guerra COLONIAL como machambeiro
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ANTONIO CUNHA & CAUSAS PERDIDAS
Antonio, voçe, assim como a maioria dos que aqui escrevem, fala de cor e sem decoro sobre um assunto que perde qualquer relevancia quando entramos pelo facilitismo do copy/paste de artigos ou opiniões que não são identificados e ou são transcritos de forma tendenciosa.
Se, ao invés, se documenta-se convenientemente, parava de uma vez com o absurdo de culpar os comunas por tudo e por nada e alcançaria o facil entendimento de que o resultado pratico do 25 de Novembro é o nosso país real (não se esqueça disso) e se quiser saber algo na linha do terrorismo das fp25 eu consigo-lhe as seguintes, que retirei do Centro de Documentação 25 de Abril da Univ. de Coimbra (já para não dizer que escolhi um site comunista) portanto, não ande á pesca, vá aos sitios certos:
ATENTADOS DA EXTREMA-DIREITA NO MES DE JANEIRO 1976
02/01/1976
- Início de um surto bombista atribuído à extrema direita (ELP, MDLP) e que se prolongará pelos próximos meses. Os ataques visam alvos considerados de esquerda, sobretudo pessoas e bens de militantes de partidos políticos. Nos primeiros dias do mês de Agosto, a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar prendem os primeiros elementos acusados de pertencer à rede terrorista que ficou conhecida como “Rede Bombista”
-3 de Janeiro
•O New York Times publica uma entrevista a vários membros do ELP que reivindicam a sua quota parte de responsabilidade nas acções anti-comunistas do passado Verão. (JSC)
18 de Janeiro
•Atentado bombista contra o estabelecimento comercial de um militante do MDP/CDE de Santo Tirso
20 de Janeiro
•Atentado bombista contra a sede do MES em Faro.
Foi alguem preso ou julgado, assim como foram os operacionais das fp25? NÃO e porquê?
Acha que me consegue responder, Antonio?
CAUSAS PERDIDAS
Concordo plenamente com o que afirmou e mais, se alguma duvida restasse quanto ao interesse da URSS em Portugal, o mesmo foi categoricamente demonstrado com a ajuda desta com tractores e alfaias agricolas durante o periodo da reforma agraria, ao passo que a G.B (que era a emissaria de paises “preocupados” com o “mau” exemplo na Europa) oferecia armas e petroleo ao Mario Soares e restante “direitas” para se acabar de uma vez com o PREC.
Só assim é que poderemos compreender as estirpe dos nossos governantes e as elites da liderança que nos continuam a relembrar que, afinal, ainda só tivemos o 25 de Abril-1ª parte.
A.R.A
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caro julio de matos
so uma opinião minha, talvez a direita portuguesa não se de bem so com o 25 de abril não porque ele trouxe a liberdade mas proque levou-nos ao gonçalvismo e ao PREC, e recorra ao 25 de novembro para nos lembrar-mos do que esteve em risco, de Portugal se tornar Comunista, ou se tornar numa democracia. e já agora, sobre o sá carneiro, creio que “uma maioria, um governo, um presidente” era a busca por uma estabilidade que faltava a Portugal desde o 25 de abril. mas tambem tenho que dizer que visto o que as maiorias absolutas fazem, talvez não se teria tornado num garante de estabilidade, mas sim de arrogancia como socrates, mas nunca se saberá ficará nos segredos da história.
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O Jaime neves??
Um dia ainda conto essa estória .
Lool.
Por acaso lembro-me de um episódio de morrer a rir que mete o jaime neves , os chamites do jaime neves a natália e o botequim da natália mais uns amigos que por lá então se encontravam
Tirando isso, quero lá saber do jaime neves .
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Tomo a liberdade de reproduzir o comentário de Manuel Monteiro que me parece que foi na “mouche”
Daniel
Como deve saber, não tenho nenhuma simpatia ideológica pelos rapazes do 31 da Armada, agora eles são coerentes com as suas ideias e procuram pô-las na prática, desestabilizando a sociedade burguesa.
Outros, que se dizem de esquerda estão mais interessados em serem respeitadores do sistema e comer na gamela que este lhe oferece…
Manuel Monteiro
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Amigo ARA
Tanto os atentados contra sedes de partidos de esquerda como a muitíssimo bem organizadas FP25 são algo que me deixa lixado, que é para não dizer mais…
Agora comparar actos isolados como uma organização terrorista composta por militares das forças especiais treinados na Argélia e Libia também já é de mais.
“Dos 18 homicídios, a Justiça Portuguesa apenas conseguiu punir um, o do agente da PJ Álvaro Militão. Os assassinos não cumpriram a pena. A justiça não foi cumprida. As mortes foram esquecidas. Mas a dor de todos aqueles que perderam alguém permanece, assim como a vergonha de se ter que dizer que o crime compensou.”
“«FP-25 matam bebé de quatro meses»
A família Dionísio já dormia a sono solto, em São Manços, a cerca de vinte quilómetros de Évora, à beira da estrada que leva a Beja. Manuel, a mulher e os dois filhos, um menino de ano e meio e um bebé de quatro meses, ocupavam o único quarto da humilde casa, na rua Gouveia. Pouco passava da meia-noite. Uma tremenda explosão levantou da cama, em sobressalto, a aldeia em peso.”
“O rebentamento acordou os cerca de 1500 habitantes de São Manços. O estrondo foi tão grande que o coração de uma mulher de 79 anos não aguentou o susto: Rosária Jorge Pereira, que dormia a centenas de metros da bomba, morreu de comoção.
Mas o maior horror dessa madrugada de 30 de Março de 1984, uma quinta-feira, abateu-se sobre a família de Manuel Caeiro Dionísio. A bomba fez um buraco na parede e rebentou mesmo no enfiamento do berço onde dormia o bebé, Nuno, de quatro meses.
A força da deflagração deixou a caminha em pedaços. O menino foi projectado contra uma parede interior e morreu com a cabeça esmagada. Os pais e o irmão, no mesmo quarto, escaparam milagrosamente sem um arranhão.
Comunicados com a chancela das FP 25, espalhados pelas ruas de São Manços, não permitiam grandes dúvidas sobre os autores do atentado: a bomba foi reivindicada pela organização terrorista sem uma lágrima de pudor nem de misericórdia.
O crime na aldeia de São Manços prova muito bem a trágica teia de enganos em que se moviam os dirigentes e operacionais das Forças Populares 25 de Abril.
”
amigo ARA lá está voce com a mania que é “sabão” (sabe tudo)
OS textos que eu publico são todos eles verdades insofismáveis.
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“Outros, que se dizem de esquerda estão mais interessados em serem respeitadores do sistema e comer na gamela que este lhe oferece…”
olhe que o PS vai ficar ofendido!
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41 Júlio de Matos
vc próprio se definiu como um garoto de calções na altura dos factos. Portanto é melhor nem se meter nisto e entreter-se a recordar os berlindes com que então brincava na “sua humilde casinha”(sic). È por causa de gabirus xico-espertos da sua casta e das farroncas que debitam que o país é o que é.
Portanto aqui fica o desmentido:
Nessas eleições de 1980 o Mario Soares à última hora retirou a confiança a Eanes, ninguém soube muito bem porquê. Essas eleições verificaram-se em clima de grande tensão pois tinham passado apenas 3 dias da queda do avião de Sá Carneiro que matou o alvo a abater: o Ministro da Defesa Amaro da Costa. Ele sabia do caso das armas traficadas pelas Forças Armadas! e essa foi a sua sentença de morte.
Mais, nas investigações que se seguiram, como disse e repito, os indicios conduziram todos direitinhos a Eanes. Aliás o caso “Camarate” ainda continua no Parlamento…
Se vc usasse outro nick que não esse estúpido “julio de matos” até lhe podia mencionar o nome dos agentes envolvidos na investigação, seu palermóide.
[Responder]
Meu caro Júlio de Matos
No seu comentário #41 refere-se ao que eu escrevi em #12.
Não tive qualquer intenção de “branquear” Sá Carneiro. Apenas tentei fazer a destrinça do que, na minha opinião, são adversários políticos e inimigos políticos.
1- Sá Carneiro era um adversário político mas, tinha (e tenho) um grande respeito pelo seu percurso, mesmo antes do 25 de Abril. Com os exemplos mais recentes, não consigo “ver” que o que classifica de “poder pessoal absoluto” tenha diferenças com os que foram “exercidos” por Cavaco Silva e José Sócrates;
2- Soares Carneiro, quanto a mim, só perdeu essa eleição porque Sá Carneiro morreu. Continuo a pensar que muitos portugueses tiveram medo que, sem Sá Carneiro vivo, a democracia ficasse à mercê de um Presidente “em roda livre”, com os antecedentes que se conheciam;
3- Isto sou eu a pensar e, reconheço, é tão válido como o que o meu amigo pensa. Apenas quero “dizer” que não consigo comparar o Sá com o Soares Carneiro.
Permita-me uma última referência, talvez emotiva,
quanto ao 11 de Março. Nesse tempo, eu era alferes-miliciano de uma das companhias operacionais do RAL 1. Vivi tudo o que se passou, como antes tinha vivido situações que conduziram ao 25 de Abril. No 25 de Novembro, já tinha passado à disponibilidade.
Tudo o que eu vivi nesse tempo de serviço militar obrigatório, quero deixar guardado para mim e para a minha família, muito em especial para a minha esposa, companheira e amiga que, comigo partlhou momentos muito difíceis, incluindo aquele em que fui denunciado à PIDE, perdão, já se chamava DGS.
Um abraço, meu amigo.
[Responder]
Daniel Oliveira,
Sinceramente não cheguei a perceber se o post era totalmente irónico ou não.
Todos temos direito a ser um bocado lentos de vez em quando.
O fundo da questão é a generalização que o Daniel faz.
Se eu escrever que a esquerda é ridícula na sua presunção de superioridade intelectual, o Daniel é capaz de não gostar. E a esquerda não é toda igual.
Se eu escrever que a esquerda é profundamente inculta quando tenta reduzir o papel da direita no 25 de Novembro a meros operacionais, o Daniel é capaz de não gostar. E a esquerda não é toda igual.
Se eu escrever que a esquerda é irritantemente analfabeta quando não consegue ter distanciamento na análise da história contemporânea, o Daniel é capaz de não gostar. E a esquerda não é toda igual.
Creio que perceberá que seria falta de nível chamar trogloditas a todas as pessoas de esquerda (no fundo foi o que fez em relação à direita).
Isto não tem importância nenhuma, mas irritam-me os comentadores que aproveitam qualquer hipótese para mostrarem a sua falta de cultura democrática.
Cumprimentos,
José Mexia
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 26th, 2009 at 16:16
José Mexia, o post, irónico ou não, é apenas uma brincadeira.
(…) Agora comparar actos isolados como uma organização terrorista (…)
ficamos a saber que as fontes históricas do sr António Cunha consideram os actos terroristas dos MDLP, do ELP , etc, como actos isolados.
a não ser que queira dizer que os terroristas destas organizações de extrem direita estavam …isolados.
[Responder]
Pobre xatoo, para além de seres burro, pensas mesmo que tens poder para ofender alguém?
Não percebeste ainda que não passas de um ZERO (à Esquerda)?
Vai hibernar para a Coreia do Norte e fica-te por lá, que não fazes cá falta nenhuma.
[Responder]
Estimado cafc,
vejo que, afinal, estávamos ambos mesmo “em cima do acontecimento” no dia 11 de Março!
Pois, se está recordado também do dia 12, saiba que nessa tarde eu estava lá, em frente ao portão principal do Quartel, com a “malta” do Liceu D. Dinis que rumou, a pé e expontâneamente, desde Chelas até ao então RAL 1, propositadamente para prestar homenagem ao Soldado Luís, falecido durante o bombardeamento!
Um abraço…
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51 xatoo, mas “aqui fica o desmentido” de quê, exactamente?
Mantém-se o absurdo de ligar o caso “Irão/Contras” às Presidenciais de 80, ao próprio 25 de Novembro, sucedido CINCO ANOS ANTES (é obra do Zandinga?), e nada se explica sobre os FACTOS que são a irrelevância de Otelo em 80 (nem me lembro sequer se foi candidato!) e, mais do que isso, a OPÇÃO DO PCP PELO APOIO À RECANDIDATURA DE EANES!
É isto que queres desmentir? É o caso “Irão/Contras” que explica a campanha do PCP pela re-eleição de Eanes? Ou és tu que és um aldrabão compulsivo, ou estás já atacado pelo bicho (Alzheimer), ou já chegaste novamente à fase de brincar com berlindes? Explica-te, trapalhão, ou terei de me passar a referir sempre a ti como o xatarrão MENTIROSO.
[Responder]
Meu caro José Mexia
Embora no seu comentário #53 se tivesse dirigido ao Daniel Oliveira, o último parágrafo já era genérico, em relação aos “comentadores que aproveitam qualquer hipótese para mostrarem a sua falta de cultura democrática”.
Como esse conceito é subjectivo (pelas razões que muito bem compreenderá), poderia objectivar essa sua afirmação?
Ou seja, apontar claramente os comentadores com os quais discorda (e as respectivas opiniões), contribuindo, dessa forma, para que todos nós possamos melhorar a nossa cultura democrática.
Um abraço.
[Responder]
Vamos lá a ver se agente se entende!
O António Cunha que consegue em 2 segundos aceder a todas as estatísticas, a ver se me podia dar os NOMES dos Gonçalvistas, simpatizantes do PREC e Legisladores desse tempo que ingressam agora nas fileiras do PS, do PSD e até mesmo do CDS.
Toda essa gente que virou a agulha e que agora é apelidada de ex, era suficientemente informada, adulta e intelectualmente madura para saber o que faziam e que ideologias defendiam.
Isto de saltarem borda fora e responsabilizarem o PCP e as outras esquerdas do que se passou no verão quente, é típico daquele portuguesinho malandro, cábula e chico esperto.
Só porque hoje são ex, não podem sacudir a água do capote por possíveis erros cometidos.
O PPD/PSD votou muitas vezes a favor das nacionalizações, por exemplo!
Neste Aspecto, o BLOCO Central é muito mais pernicioso que o PREC.
Receberam milhões da CEE para por isto nos “eixos” afinal…os PRETOS vão é saltando à VARA sempre que podem.
[Responder]
pois, os operacionais podiam ser broncos e tal, mas se tanto a 25 de Abril como a 25 de Novembro as coisas tivessem dado para o torto, creio que o Salgueiro Maia e o Jaime Neves se teriam tramado, enquanto os estrategas dos vários postos de comando teriam sempre a escapadela assegurada.E eu lembro-me desse tempo,acreditem,nasci em 55.
[Responder]
Pit-bull é bem melhor que ratazana…
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António Cunha: Rigor. As FP 25 foram uma organização que apareceu após o PREC.
Em nenhum lado do que escrevi falei ou fiz a apologia dessa organização ou dos seus métodos, não sei porque as foi buscar.
Mas percebo: esquerda/comuna/estalinista/união soviética/pol pot/mao tse-tung/Chavez… todos menos a Madre Teresa de Calcutá – pensado bem, aquela da fraca figura andar a apontar um dedo à fome e outro à riqueza é capaz de tornar a sua memória suspeita.
Não tenho mortos para a troca, lamento. Conversa acabada.
[Responder]
ANTONIO CUNHA
«OS textos que eu publico são todos eles verdades insofismáveis.»
Amigo Antonio, acredito que o seu comentario será mais uma demagogia insofismavel do que uma verdade que não se põe em causa.
È certo que morreu gente ás mãos do terrorismo das “extremas” – Verdade – agora culpar os comunistas de um rol de acusações falaciosas só para achar um alvo onde desabafar as suas magoas é – Demagogia.
Mas quer uma verdade insofismavel, então cá vai:
O Otelo, no 25 de Novembro, quando dá ordens para os paraquedistas saírem desapareceu várias horas, logo em seguida. Atenção que estamos a falar de um comandante principal que dá as ordens, compromete unidades, dá instruções para se ficar em alerta permanente e ………. depois afasta-se.
O que terá acontecido para que ele tenha decapitado as chefias? Até os agentes da CIA e gentes ligadas a essa gente ficaram, a dada altura, perdidos no processo.
Sendo o Otelo um catavento politico narcisista (ora recebia aplausos da esquerda ora da direita) e de uma incoerencia atroz, que se revelou fatal para os intentos da revolução, que poderia ter muito bem utilizado o 25 de Novembro para saldar umas contas com algumas personalidades que sairam da toca “armados” em pitt-bull’s mas que desde 25/04 de 1974 até então nem vê-los, de tão revolucionarios que eram, NADA FEZ!
Portanto, de certeza que para si o Otelo sempre foi um comunista, mas, como a Historia o demonstrou, nem dá para catalogar qualquer tendencia politica no individuo a não ser o seu gosto narciso pela ribalta. – Poderemos considerar isto uma verdade insofismavel, Antonio?
Aquele Abraço
A.R.A
[Responder]
JULIO DE MATOS #41
«O 25 de Novembro foi uma importante correcção a um desvio grave, o chamado “gonçalvismo”, …»
Caro Julio, se não lhe fosse muito incomodo, será que me poderia responder a seguinte questão:
Porque acha o “Gonçalvismo” um desvio grave para um periodo em pleno processo revolucionario?
Com os meus cumprimentos, aguardo.
A.R.A
[Responder]
“… a esquerda a pensar…”???????
Tem toda a razão… a pensar, mal, mas a pensar.
[Responder]
Bien vu, bien dit . E , já agora,
corroborado pela direita:
“De resto, o 25 de Novembro levou, de início, muita gente ao engano. Julgou tratar-se de um embate entre esquerda e direita, de que esta teria triunfado. Deste equívoco se alimentou durante uns tempos o 25 de Novembro. O que, na realidade, se verificou foi simplesmente o confronto entre uma extrema esquerda anarco-revolucionária e a esquerda socialista e maçónica, tendo esta última prevalecido.” (Marcelo Mathias)
[Responder]
Meu caro A.R.A.
Desculpe mas, como já escrevi, esta questão toca-me muito em termos emotivos. Vou tentar ser racional, até porque já passaram muitos anos:
Não podemos esquecer que o Movimento dos Capitães começou por uma mera reinvindicação “corporativa”, contra o facto de (por necessidade do regime fascista, para prosseguir o “esforço da guerra colonial”) os oficiais milicianos “meterem o chico”. Os oficiais do quadro sentiram-se prejudicados com esse facto.
Com o evoluir dessa reivindicação, os oficiais do quadro mais politizados conseguiram transformá-la
em “conspiração para o derrube do regime”.
O livro de Spínola “Portugal e o futuro”, as consequências que teve (com as exonerações do próprio e de Costa Gomes”) e todos os factos que se seguiram, penso que são bem conhecidos.
Sobre o mito Otelo:
1- O meu amigo define-o muito bem, com a designação narcisista;
2- Otelo “reconduziu” Jaime Neves nos Comandos da Amadora, depois do “saneamento” ali ocorrido depois do 11 de Março;
3- Nesse dia 11 de Março, Otelo e Carlos Fabião (então, salvo erro, Chefe do Estado Maior), estavam incontactáveis nos seus postos de comando;
4- Quem assumiu o “comando” de quem resistia à tentativa violenta de Golpe de Estado desse dia 11, foi a então 5ª Divisão, comandada por Varela Gomes;
5- Quem estava a ser bombardeado pela aviação e cercado pelos para-quedistas era o RAL 1;
6- Apesar disso, foi ao Alto do Duque (onde deveria estar o Otelo) que chegaram as primeiras baterias anti-aéreas de Cascais;
7- Só depois, chegaram outras dessas baterias ao RAL 1.
Termino, por aqui. É só mais um pequeno contributo para o que tem sido comentado. Acreditem que não provém do que li mas, sim do que vivi.
Um grande abraço, amigos.
[Responder]
Meu caro Júlio de Matos
Quanto ao seu comentário #57, não me recordo, especificamente do que me conta.
Lembro-me da generosidade de todos os “civis”.
Com os aviões e helicópteros a sobrevoarem o RAL 1, acorreram com as “mãos nuas”, fazendo uma muralha humana. Isto no dia 11.
Depois, com a mesma generosidade, passaram dias e noites a “guardar o quartel”, não “viesse o diabo tecê-las”.
Entre estes momentos, houve a homenagem ao Soldado Luís. Pessoalmente, só estava nesse local (situado dentro do RAL 1), na altura em que soou o alarme e, consequentemente, os civis tiveram que abandonar o quartel.
De qualquer forma, fica aqui a recordação de um tempo de generosidade pura em que, “um puto de calções” não foi ao Ral 1 “jogar ao berlinde” e, talvez se tenha cruzado com um “velhote”, que, tal como “o puto”, estava LÁ.
Meu amigo, um grande abraço.
[Responder]
ARA
o que para mim não tem qq margem para duvida é a azia com que o PCP ainda hoje fala de Otelo.
Otelo foi inteligente, ou alguem lhe abriu os olhos, e percebeu que era o testa de ferro para algo que o PCP e mais uns quantos andavam a cozinhar.
Se calhar foi o seu amigo Vasco Lourenço que lhe abriu os olhos. Segundo consta Otelo dava mais importancia Às opiniões de Lourenço do que de outra pessoa qualquer.
Mas olhe o publico publicou por estes dias um texto muito interessante. Se tiver pachorra de ler tudo até ao fim, lá está a explicação de onde se meteu Otelo
Contagem decrescente para uma guerra civil
Foram 20 dias alucinantes. O Governo mandou bombardear a Rádio Renascença. Os trabalhadores da construção civil sequestraram o Governo e a Assembleia. O Governo entrou em greve. Os líderes do PS, PSD e CDS fugiram para o Porto, porque ia ser criada a Comuna de Lisboa independente. Os pára-quedistas ocuparam as bases da Força Aérea. A guerra civil ia começar. A reconstituição hoje possível do 25 de Novembro de 1975, a partir de entrevistas com os principais intervenientes e dos livros que, para deixarem o seu testemunho para a História, alguns deles têm publicado. Por Paulo Moura
Norte Quinta-feira, 6 de Novembro de 1975. À hora de jantar, o Conselho da Revolução interrompeu os trabalhos. Deveria ser um breve intervalo, naquela reunião conjunta com o Governo de coligação, mas prolongou-se, para conselheiros e ministros verem o debate na RTP entre Mário Soares e Álvaro Cunhal.
No ecrã a preto e branco, o jornalista envolto em fumo de cigarro anunciou os líderes dos partidos Socialista e Comunista. “O sr. dr. teima em querer fazer a revolução com uma minoria”, diz Soares, com um risinho. Cunhal responde rápido: “Não. O que eu quero é fazer a revolução com revolucionários.”
A reunião do Conselho da Revolução fora pedida pelo executivo. O primeiro-ministro, Pinheiro de Azevedo, cujo cognome era o “Almirante sem Medo”, exigia medidas para que o deixassem governar. Os militares não lhe obedeciam, os sindicatos e os comunistas organizavam manifestações de protesto todos os dias, os media divulgavam propaganda radical e apelavam à sublevação, principalmente a Rádio Renascença, que, em Outubro, fora ocupada pelos trabalhadores e se transformara em porta-voz da esquerda revolucionária. Era preciso fazer qualquer coisa.
Pinheiro de Azevedo e alguns dos conselheiros falaram sobre isto durante o intervalo, que se prolongou demasiado devido ao grande interesse do debate da RTP, dando azo a que fosse tomada, um pouco à socapa, aquela decisão, antes de todos voltarem à sala. A decisão terrorista.
“O Partido Comunista tem um pé no Governo e todo o corpo, e o outro pé, de fora, fazendo mobilização no país, para derrubar o Governo”, diz Soares na televisão. “Isto leva em linha recta o país para a confrontação armada e uma guerra civil.” Cunhal vai contrariando: “Nós também queremos evitar a guerra civil. Mas não se fale da disciplina da direita reaccionária…”
Soares continua: “O que o Partido Comunista deu provas, durante estes meses, é que quer transformar este país numa ditadura.” E Cunhal: “Olhe que não, olhe que não.”
Conselheiros da Revolução e ministros voltaram para a sala de reuniões, no Palácio de Belém. Prosseguiram os discursos e as queixas, até que o Conselho disse que sim a todas as sugestões do sarcástico primeiro-ministro. Uma delas, já combinada no intervalo, era a decisão terrorista de Estado e dizia respeito à Rádio Renascença. Às 4h30 da manhã do dia 7, sexta-feira, pouco depois de a reunião ter terminado, uma bomba era lançada, na Buraca, sobre os emissores da rádio rebelde, calando-a de vez. A ordem foi dada pelo Governo, com aval do Conselho da Revolução e através do chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general Morais e Silva, e quem a executou foram forças pára-quedistas da Companhia de Caçadores 121, aquartelada no Lumiar.
Ora entre os “páras” o predomínio dos esquerdistas era cada vez maior. Activistas do PCP e dos partidos maoístas faziam agitação e propaganda junto dos efectivos das unidades especiais e altamente disciplinadas de pára-quedistas, fazendo-os sentir um peso na consciência por terem bombardeado a Renascença.
Sábado, 8 de Novembro. Apercebendo-se do mal-estar entre os “páras”, Morais e Silva, acompanhado pelo capitão de Abril Vasco Lourenço, foi à Base Escola de Tropas Pára-Quedistas, em Tancos, explicar a acção contra a “rádio vermelha”. Uma sessão de esclarecimento foi convocada para o pavilhão gimnodesportivo da base. O general começou a falar, ao lado de um embaraçado Vasco Lourenço (que sempre achou injustificável a operação Renascença), mas foi interrompido por um soldado, que lhe roubou o microfone para dizer: “Camaradas, vamos todos sair daqui. O meu general é um burguês, que já fez a sua opção de classe e não pode defender os nossos interesses. Portanto, não temos nada que estar aqui a ouvi-lo.” E abandona o pavilhão com a maioria dos soldados, para se irem juntar a uma reunião paralela, com os sargentos da base.
Humilhado, Morais e Silva ficou sem resposta, e acabou também por sair do recinto. Os oficiais presentes continuaram a reunião, decidindo que, por não haver disciplina possível, iriam apresentar-se no Estado-Maior da Força Aérea, para pedir a passagem aos seus quadros de origem. Nesse mesmo dia, 123 oficiais abandonaram a base de Tancos, deixando-a entregue a sargentos e praças, e instalam-se na base aérea de Cortegaça, perto de Espinho, com a ajuda e apoio do chefe da Região Militar do Norte, Pires Veloso. Morais e Silva, esse, jurou vingar-se.
Domingo, 9 de Novembro. Uma gigantesca manifestação de apoio ao VI Governo Provisório foi convocada para o Terreiro do Paço pelo PS e o PSD. Pinheiro de Azevedo, com Mário Soares e Sá Carneiro, ficou numa das janelas da sala do Estado-Maior da Armada. Mas mal o primeiro-ministro começou a discursar, denunciando o golpismo do Partido Comunista, rebentou uma granada de fumo no meio da multidão. Gerou-se o pânico, correrias, gritos, uns tentando abandonar a praça, outros deixando-se atropelar, outros tentando encontrar e castigar os culpados. Pouco depois, começou a ouvir-se um tiroteio vindo dos arcos da praça. A Polícia Militar tentava dispersar a tiro os desordeiros, provocando o pandemónio. Da janela, Pinheiro de Azevedo gritava: “O povo é sereno! O povo é sereno! É apenas fumaça! É apenas fumaça! O povo é sereno!”
Segunda-feira, 10 de Novembro.
Na base de Tancos realizou-se um plenário em que foi aprovada uma moção de repúdio pela operação contra a Renascença. Os sargentos assumiram a autoridade, reinstalaram a disciplina e treinos com intensidade redobrada, armaram uma companhia especial para garantir a defesa da base.
Terça-feira, 11 de Novembro. Dois sargentos pára-quedistas deslocaram-se ao Forte do Alto do Duque, onde se situava o quartel-general do Copcon (Comando Operacional do Continente). Pediram para falar com o chefe, Otelo Saraiva de Carvalho. “Meu general, vimos aqui oferecer-lhe 20 mil tiros por minuto”, disse um dos sargentos. Colocavam-se à disposição e sob o comando de Otelo, em troca do seu apoio à luta dos “páras”.
Quarta-feira, 12 de Novembro. Otelo manifestou publicamente o seu apoio aos pára-quedistas. Morais e Silva começara a executar a sua vingança. Numa série de ordens confusas, ia mandando passar à disponibilidade os praças pára-quedistas. Na prática, extinguiu os pára-quedistas.
Para explicar a sua posição, Otelo promoveu uma reunião entre Morais e Silva e o Presidente da República, Costa Gomes. “Meu general, eu quero dizer-lhe claramente que não posso apoiar esta decisão unilateral do Morais e Silva”, disse Otelo. “Temos uma força pára-quedista de centenas de homens perfeitamente disciplinados, uma força excelente para o combate, que pode actuar em qualquer situação, e agora, por despacho, este gajo elimina a força de pára-quedistas?”
“Mas eles não me respeitam”, defendeu-se Morais e Silva.
“Não te respeitam, porque tu participaste em ordens que não têm pés nem cabeça”, atacou Otelo. “Destruir à bomba os emissores da Rádio Renascença, só porque ela estava ocupada pelos trabalhadores? Não havia outra forma de resolver o problema?”
A delegação dos pára-quedistas que visitou o Copcon informou ainda Otelo que os oficiais baseados em Cortegaça estavam a enviar aviões para sobrevoarem ameaçadoramente a base de Tancos. “Estão a fazer voos a pique sobre nós”, disse um dos sargentos. “E, se houver alguma atitude ameaçadora, nós queremos rebentar com o avião.”
Otelo enviou então, como medida dissuasora, metralhadoras antiaéreas para os páras em autogestão.
No mesmo dia, às 5 da tarde, uma manifestação de trabalhadores da construção civil cercou o Palácio de S. Bento, onde o Governo se encontrava reunido, para apresentar ao primeiro-ministro o seu caderno reivindicativo. Em frente do portão da residência do primeiro-ministro, os trabalhadores colocaram uma enorme betoneira, obstruindo a saída. Ninguém poderia abandonar o palácio antes de terem sido atendidas as reivindicações, explicaram os delegados sindicais.
No interior, permanecia o Governo inteiro, mas também os deputados da Assembleia Constituinte, que estava reunida, o público que assistia à sessão e os funcionários do palácio. Uma delegação dos manifestantes foi falar com Pinheiro de Azevedo, que declarou não tencionar ler sequer o documento das reivindicações, enquanto se mantivesse aquela situação de pressão. Em resposta, representantes dos trabalhadores entraram no salão nobre e na varanda, onde instalaram um sistema sonoro e de onde iniciaram um comício permanente. Não iriam “arredar pé”, enquanto os seus problemas não fossem resolvidos, gritaram aos altifalantes. E com isso assumiram o sequestro do Governo e dos deputados, que duraria 36 horas, sem que as forças de segurança, comandadas pelo Copcon de Otelo, fizessem coisa alguma.
Vendo a situação entrar num impasse, com os trabalhadores a estenderem mantas e acenderem fogueiras para dormir e ficar ali por tempo indeterminado, Pinheiro de Azevedo veio à varanda apelar à dispersão, sob a promessa de estudar o caderno reivindicativo. Mas os manifestantes não o queriam ouvir, e gritavam e insultavam mal o primeiro-ministro abria a boca. “Fascista!”, chamavam eles, e o “Almirante sem Medo” perdeu a paciência: “Fascista uma merda!” Ou na versão de outras testemunhas: “Vão todos bardamerda!”
Só na manhã de quinta-feira, dia 13 de Novembro, os manifestantes permitiram a saída dos deputados, funcionários e elementos do público assistente à sessão da Constituinte. Os ministros continuaram sequestrados até que Pinheiro de Azevedo acabou por assinar um “compromisso” em que aceitava certas reivindicações.
Sexta-feira, 14 de Novembro.
Os líderes do PS, PPD e CDS fugiram para o Porto, onde participaram numa manifestação de apoio ao Governo, que acabaria com o assalto à sede da União dos Sindicatos. O país estava a dividir-se em dois. A região de Lisboa estava dominada pelas forças comunistas, e cada vez se tornava mais claro, para muita gente, que para as combater seria necessário fazê-lo a partir do Norte, onde os moderados e a direita detinham a supremacia, entre a população e nos quartéis. As forças democráticas tomariam posições na zona do Porto e os comunistas declarariam a Comuna de Lisboa. O país seria dividido em dois e seguir-se-ia a guerra civil.
Não chegou a haver consenso sobre esta solução, mas os líderes dos partidos democráticos, pelo sim pelo não, fugiram para o Porto com as respectivas famílias.
Foi Vasco Lourenço quem sempre recusou esta debandada das forças. A certa altura, numa reunião do Grupo dos Nove, o próprio Melo Antunes, que era o autor do documento, assinado por nove membros do Conselho da Revolução, que marcava posição contra o avanço do totalitarismo esquerdista na vida militar e civil do país, já estava a defender a retirada para o Porto. “Pronto, convenceram-me. Eu aceito”, disse Melo Antunes. Mas decidiu impor uma última condição: “Desde que o Vasco Lourenço também aceite.”
“Não. Eu não aceito. Isso seria a guerra civil”, disse Vasco Lourenço. “Vamo-nos preparar para reagir a qualquer tentativa que haja, e vamos manter o Costa Gomes do nosso lado. Porque o primeiro a saltar perde.”
E o Grupo dos Nove começou a trabalhar num plano militar para combater os comunistas e a extrema-esquerda, sempre na perspectiva de uma reacção contra um eventual golpe deles. Mantendo-se do lado da legalidade, teriam a garantia do apoio da maioria das unidades militares. Por isso era fundamental informar o Presidente Costa Gomes dos seus planos e ganhar o beneplácito dele. E depois esperar por um deslize dos esquerdistas.
Para conceber o plano militar, os Nove designaram Ramalho Eanes, embora Vasco Lourenço fosse o líder operacional do movimento dos moderados. Do outro lado, estavam todas as forças militares controladas pelo Partido Comunista e pelos partidos da extrema-esquerda, com a ajuda de todos os civis a quem seriam distribuídas armas, em caso de confronto. No seu total, contando com as lideranças organizadas e efectivas que possuíam, não constituíam uma força capaz de levar a melhor num conflito armado. Pelo menos era isto que os Nove pensavam.
Mas as coisas já seriam diferentes se Otelo assumisse a liderança de todo o sector da esquerda. O prestígio do comandante do Copcon era imenso. Para muitos, ele representava os trabalhadores, os mais fracos, os ideais do Movimento dos Capitães, encarnava a própria revolução. Fora ele a fazer o 25 de Abril, e a assumir as rédeas do poder quando todos disso se demitiam. Foi ele que permitiu e protegeu as ocupações de casas, de fábricas e de terras, que lançou as campanhas de dinamização cultural e de alfabetização. Ele, com toda a sua loucura e exagero, as suas frases bombásticas e assustadoras (“Fascistas para o Campo Pequeno”), era a figura moral e romântica, o símbolo da infinita generosidade de Abril. Mais do que ninguém, ele tinha a capacidade de arrastar as massas atrás de si. De fazer cumprir todas as ordens que desse, por pura lealdade, por puro afecto.
Por isso, Otelo era cobiçado pelas várias forças políticas. O Partido Comunista tentou por todos os meios tê-lo do seu lado, os esquerdistas acreditaram poder contar com ele, aliciando-o com os ideais de poder popular com que ele simpatizava. Até o CDS tentou levá-lo aos seus comícios, para tirar dividendos do seu poder de sedução. Mas Otelo, apesar de se ter deixado manipular em muitas situações, sempre resistiu ao recrutamento político. Nunca perdeu a independência. Naquela altura, era o comandante da Região Militar de Lisboa e do Copcon, uma estrutura que tinha sob a sua alçada todas as forças de segurança e especiais e ainda as unidades de todas as Forças Armadas, em caso de emergência. O Copcon fora criado pelo Presidente da República (Spínola, na altura). O seu poder era legal, além de imenso. Antes de começar a perder o controlo de muitas das forças, devido à acção e influência dos activistas civis da esquerda, Otelo foi o homem mais poderoso do país.
Agora era visto como o líder de todo o sector da esquerda, o único homem capaz de a unir para qualquer propósito, incluindo o de pegar em armas para defender “as conquistas de Abril”. Os apoiantes dos Nove (que incluíam desde a esquerda moderada do PS até à extrema-direita do ELP e MDLP) viam-no assim. Os comunistas e a extrema-esquerda viam-no assim. Só ele, Otelo, não aceitava esse papel.
Na semana seguinte houve manifestações contra e a favor do Governo, reuniões dos moderados, do seu grupo militar, reuniões do Copcon, com todos os elementos civis afectos ao PC e à esquerda radical que cirandavam em torno de Otelo, reuniões dos pára-quedistas em luta.
Vasco Lourenço informou Otelo do plano militar contra o eventual golpe da esquerda. “Eu garanto-te que nós não tomamos a iniciativa do golpe”, disse-lhe Vasco Lourenço. “Agora, não te envolvas em nenhuma iniciativa, porque se alguém der o primeiro passo, nós estamos em condições de lhe cair em cima. Toma cuidado com isso.”
A ideia era ganhar Otelo para o lado dos Nove. Porque eles estavam do lado da legalidade. Tinham, desde as remodelações havidas meses atrás, em consequência do Pronunciamento de Tancos, apoio da maioria do Conselho da Revolução, e tinham o apoio do Presidente da República. Além disso, Vasco sabia que Otelo compreendia as ideias da facção dos Nove. A liberdade, a realização de eleições e o respeito pelos seus resultados, e até a circunstância de os Estados Unidos e as potências ocidentais não tencionarem permitir a instauração de um regime comunista em Portugal, tudo isto eram argumentos a que Otelo era sensível. Mas o ideal do poder popular era mais forte. E também, segundo os seus detractores, a disponibilidade para ser influenciado pelos seus apaniguados.
Sábado, 15 de Novembro.
O movimento dos moderados teve uma reunião alargada no Palácio das Laranjeiras, em que volta a ser colocada a hipótese de fuga para o Norte. Jaime Neves, o comandante do Regimento de Comandos, que estava do lado dos Nove, mas tinha muitos apoios entre a extrema-direita, declarou de súbito: “Se vamos avançar para o Norte, é melhor ser já. Porque eu, neste momento, garanto que uns 200 homens vêm comigo. Daqui a uma semana ou duas já não sei se me restam alguns.”
Vasco Lourenço reagiu logo, saltando para o patamar das escadas onde muitos se sentavam: “Afinal que merda de comandante és tu? Afinal és um bluff. Vais mas é para a tua unidade e agarras bem os teus homens, e daqui a 15 dias vais ter os mesmos 200 todos contigo. Porque eu já disse que veto quaisquer ideias de fuga para o Norte.”
Na mesma reunião, discutiram-se as medidas a adoptar para fazer face ao agravamento das situações política, militar e social. Foi decidido que era preciso afastar Otelo do comando da Região Militar de Lisboa, substituindo-o por Vasco Lourenço. O segundo passo seria retirar poderes ao Copcon e, depois, extingui-lo. Sem poderes legais, Otelo (que tinha acabado de chamar contra-revolucionário ao Conselho da Revolução) poderia ainda ser perigoso, mas, pensavam os moderados, mais controlável.
“Um comando é muito efectivo quando o seu comandante tem, cumulativamente, muito prestígio e força legal”, pensava Ramalho Eanes. “Entre os subordinados, há um conjunto de homens extremamente determinados que estão ligados ao comandante devido ao seu carisma, e obedecem-lhe intransigentemente. Há outro número de subordinados, talvez maior, que não tem dúvidas em seguir as ordens daquele homem de quem gostam e a quem estão ligados, desde que isso não implique para eles e as suas famílias um grande perigo. O que quer dizer que cumprem as ordens, quando isso não implica consequências para as suas famílias, porque o fizeram num quadro de legalidade.”
Por causa deste princípio da sabedoria militar, Eanes acreditava que, fora da legalidade, Otelo teria menos de metade dos potenciais seguidores, se desse uma ordem de combate contra as forças apoiadas pelo Presidente da República.
No campo político, a decisão que se seguiu à reunião das Laranjeiras foi ainda mais ousada. Foi tomada ao almoço, no restaurante O Chocalho. O que deveria o Governo fazer para impor o respeito? Foi Gomes Mota, um dos mentores do Movimento dos Nove, quem deu a ideia: o Governo poderia suspender as suas funções até que lhe fossem dadas garantias. Entrar em greve!
Vasco Lourenço apoiou logo: “Compro! Compro essa ideia! O Governo vai entrar em greve!” Melo Antunes, sempre mais ponderado, ainda objectou: “Estás louco? O Governo entrar em greve? Onde é que já se viu isso?”
“Nunca se viu, vai-se ver aqui”, respondeu Vasco. “O Governo vai entrar em greve.” Logo a seguir telefonaram a Mário Soares, que acabou por concordar e convenceu os outros ministros civis. E Pinheiro de Azevedo partiu para Belém, para informar alegremente o Presidente da República da original decisão.
À saída, o almirante explicou aos incrédulos jornalistas: “Estou farto de brincadeiras. Eh, pá, fui sequestrado já duas vezes, pá. Estou farto de ser sequestrado. Não gosto. É uma coisa que me chateia, pá. Estou farto. Por isso entrámos em greve.”
Quinta-feira, 20 de Novembro.
Na reunião do Conselho da Revolução o Movimento dos Nove propôs a nomeação de Vasco Lourenço para a Região Militar de Lisboa. Otelo Saraiva de CarvalhoOtelo protestou, mas acabou por concordar. Vasco Lourenço também, com uma condição: que Otelo aceitasse a solução. Porque achava que seria completamente diferente Otelo chegar às unidades que o apoiavam e dizer: “Aceitei esta solução, porque é a menos má”, do que dizer: “Não concordei, mas impuseram-me esta solução.”
Otelo disse que sim, mas, quando chegou ao Copcon, deparou-se com a discordância dos seus oficiais. Telefonou a Costa Gomes: “Ó meu general, está aqui um problema tramado. É que grande parte das unidades não querem o meu afastamento, e não aceitam o Vasco Lourenço. Eu acabei por aceitar a posição deles. Era o meu voto contra todos.”
“É pá, mas isso já está decidido”, responde o Costa Gomes.
“Pois é meu general, mas o que é que eu hei-de fazer?”
No dia seguinte telefonou a Vasco Lourenço: “Eh pá, afinal, falei com a minha rapaziada, e eles não aceitam isso, pá. Tenho de ir explicar isto ao Costa Gomes e gostaria que viesses comigo.” Ao Presidente Otelo disse que as unidades de Lisboa e os seus comandantes não aceitavam Vasco Lourenço, que não tinha por isso condições para chefiar a Região Militar. Vasco respondeu que os comandantes não o queriam porque, com ele, acabaria a bagunça. O Presidente marcou nova reunião, para a decisão final, para dia 24.
No mesmo dia, no Ralis (Regimento de Artilharia Ligeira de Lisboa), uma das unidades dominadas pela esquerda, fez-se um estranho juramento de bandeira. De punhos erguidos, os soldados gritaram: “Juramos ser fiéis à pátria e lutar pela liberdade e independência. Juramos estar sempre, sempre ao lado do povo, ao serviço da classe operária, dos camponeses e do povo trabalhador. Juramos lutar com todas as nossas capacidades, com voluntária aceitação da disciplina revolucionária, contra o fascismo, contra o imperialismo. Pela democracia e poder para o povo, pela vitória da revolução socialista.”
Durante o fim-de-semana o PS organizou grandes manifestações contra o totalitarismo na Alameda Afonso Henriques, em Lisboa, e segunda-feira, 24 de Novembro, o Conselho da Revolução reuniu-se enquanto, em Rio Maior, os agricultores, orientados pela CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), cortavam os acessos a Lisboa, dispondo árvores abatidas ao longo da estrada. O objectivo dos agricultores era exigir que o Conselho da Revolução acabasse com a “anarquia em Lisboa”.
Receando que as barricadas de Rio Maior provocassem alguma acção de resposta da esquerda, Eanes e os operacionais do plano militar colocaram-se em alerta. O Conselho aprovou, para o comando da Região Militar de Lisboa, a nomeação de Vasco Lourenço, que entretanto se considerou desvinculado da condição que impusera, em consequência da “traição” de Otelo.
A reunião acabou tarde. Otelo saiu e dirigiu-se ao Copcon. Eram 4h30 da manhã, mas o forte estava cheio de gente. Oficiais de outras unidades, civis, militantes dos vários partidos de extrema-esquerda. Otelo atira-se para o sofá onde já estavam sentados Costa Martins, um oficial da Força Aérea ligado ao PCP, e outros oficiais da sua confiança. Diz: “Passei aqui só para vos comunicar que deixei definitivamente de ser o comandante da Região Militar de Lisboa. O Vasco Lourenço assumiu o cargo. Eu fico apenas comandante do Copcon.”
Costa Martins levanta-se e diz: “Mas os pára-quedistas não vão aceitar esta situação, e vão ocupar as bases aéreas!” Otelo olha para ele. “As bases aéreas? A que propósito?”
“Isto cheira-me a golpada!”, diz outro oficial, Tomé Pinto. Otelo responde: “A mim também. Aguenta aí.” E chamou o major Arlindo Dias Ferreira, piloto aviador do Copcon, e o capitão Tasso de Figueiredo, da Polícia Aérea do Copcon, levou-os para uma sala à parte.
“Que significa isto? Que boca é esta do Costa Martins?”
“Otelo, isso não é nada connosco”, disse Arlindo. “É a luta dos pára-quedistas com o Morais e Silva, que quer dissolver as unidades.”
Otelo desconfia: “Se isso acontecesse, não poderia servir de pretexto para os Nove, que já encomendaram um plano de operações ao Eanes, para lançarem uma operação contra nós, e para liquidarem a esquerda? É que uma coisa é o apoio que eu dou aos páras, na sua luta contra o Morais e Silva. Outra coisa é eles ocuparem as bases aéreas, em resposta à minha demissão da Região Militar. Não sei se vocês estão a ver a ligação.”
“Não, está descansado, não é nada disso. Nós vamos tomar providências”, respondeu Arlindo.
“Então tomem as providências todas, senão há bronca.” E Otelo decidiu: “Estou estafadíssimo, não estou para aturar esta pessegada, vou para casa descansar. Vocês travem-me essa porcaria, se houver alguma coisa.”
“Vai, vai sossegado.”
Otelo atravessou a sala e saiu. “Já dei indicações ao Arlindo. Boa noite, rapaziada.”
Foi acordado ao meio-dia, pelo seu chefe de Estado-Maior, com a notícia: “Meu general, é melhor vir rapidamente para o Copcon, porque há aqui uma situação muito grave. Os pára-quedistas ocuparam as bases aéreas, de Monte Real ao Montijo, às 5h da manhã.”
Otelo dirigiu-se imediatamente ao Copcon. Mal entrou, o seu chefe de Estado-Maior apontou-lhe a sala ao lado: “Meu general, está ali o comandante da Força de Fuzileiros do Continente, à sua espera.”
Ribeiro Pacheco, capitão-de-fragata, de farda branca, impecável, fez continência. “Sr. general”, disse ele, “vim aqui para lhe dizer que tem a Força de Fuzileiros do Continente ao seu dispor. Mande, que nós obedecemos. Se quiser, nós vamos neste momento atacar o Regimento de Comandos da Amadora. Vamos lá e destruímos aquilo tudo.”
No Regimento de Comandos da Amadora, Ramalho Eanes tinha instalado o posto de comando do contragolpe. Costa Gomes assumiu o comando supremo das Forças Armadas e delegou os seus poderes em Vasco Lourenço, que atribuiu a Eanes o comando operacional. Estava tudo a postos para o combate. Se os fuzileiros atacassem os comandos, seria o início de uma guerra que ninguém podia prever quando e como terminaria. Alem dos fuzileiros, dos pára-quedistas, da Polícia Militar e do Ralis, não se sabia exactamente que outras forças poderiam sair em defesa da esquerda. Eanes, Costa Gomes, Vasco Lourenço, sabiam que tudo dependia de Otelo. Por isso, a primeira coisa que Presidente fez mal soube da saída dos páras foi chamar a Belém o comandante do Copcon.
Mas ele nunca mais chegava. Que iria Otelo fazer? Assumiria a liderança da facção que o via como o seu líder e iniciaria a guerra?
No Copcon, os dois homens olharam-se por escassos segundos. O capitão-de-fragata estava à espera da decisão, em sentido.
“Eh pá, ó Pacheco, aguente aí”, disse-lhe Otelo. “Não vai fazer nada disso. O senhor vai mas é daqui, mete-se no carrinho, vai lá para a Força de Fuzileiros, em Vale do Zebro, e fique lá, calmamente, a aguardar o desenrolar dos acontecimentos. Eu vou ver o que se está a passar. Fique a aguardar qualquer indicação do nosso general Costa Gomes.”
O chefe dos fuzileiros saiu. O chefe de Estado-Maior de Otelo disse-lhe: “O nosso general Costa Gomes já telefonou para cá duas vezes, pedindo para o meu general se apresentar em Belém.”
“Diga-lhe que vou comer qualquer coisa e já vou para lá”, respondeu Otelo.
“Ainda bem que chegou, já estava a ficar aflito”, disse Costa Gomes quando Otelo entrou. E só então declarou o estado de sítio.
As operações foram lançadas por Eanes, usando os comandos de Jaime Neves. À excepção da Polícia Militar, na Calçada da Ajuda, onde o tiroteio que se instalou provocou três mortos, todas as acções decorreram sem violência. Na RTP, o golpe dos esquerdistas chegou a anunciar a vitória, numa emissão rapidamente interrompida.
“Aqui não há meias-tintas, não tenho mais tempo para conversar”, anunciou o jovem oficial barbudo Duran Clemente, à entrada dos estúdios do Lumiar. “Isto é tudo muito desagradável, mas, se for necessário matar, eu tenho de matar.” E, depois de ter trancado o director da RTP num gabinete, avançou para o estúdio, onde iniciou um discurso sobre as delícias do poder popular, acompanhado de slides alusivos. Às 21h10, os telespectadores vêem Clemente começar a esbracejar, em protesto contra os sinais que o técnico lhe fazia, e de seguida surgirem no ecrã as imagens do filme O Homem do Diners Club, de Danny Kaye, já emitido dos estúdios do Porto.
O golpe tinha acabado. A fase louca da revolução também. Uma depuração percorreria todos os níveis das Forças Armadas. Um reequilíbrio à direita seria reposto no Conselho da Revolução. Otelo e os seus oficiais seriam presos. O Partido Comunista obteve a garantia de que não seria ilegalizado, desde que abandonasse os impulsos golpistas e aceitasse o jogo eleitoral. Ramalho Eanes emergiria como o herói do 25 de Novembro. Pouco depois era eleito Presidente da República. A fase totalitarista da revolução dava lugar ao período democrático, ainda que à custa de uma boa parte do idealismo inicial. Entrou-se na época da normalização, da revolução possível.
Mas muito ficou por explicar. Quem deu a ordem aos pára-quedistas para ocuparem as bases? Foi o PCP que preparou o golpe da esquerda? Se sim, com que objectivo? Fazer pressão para que houvesse um reequilíbrio à esquerda na composição do Conselho da Revolução e Governo, depois da queda de Vasco Gonçalves? E, nesse caso, porque desistiu? A URSS terá recuado na sua promessa de apoio? Ou terá temido que a extrema-esquerda assumisse o controlo? A ser assim, terá sido esta uma forma hábil de se desembaraçar dos esquerdistas?
E Otelo? Terá traído os companheiros? Terá tido medo? Terá avaliado a correlação de forças e concluído que perderia? Terá planeado tudo, lançando os páras na sua aventura, para provocar a reacção dos Nove, porque previu que isso era a única solução? Isso explicaria por que se fechou em casa, das 5 da manhã ao meio-dia, sem atender o telefone. Terá sido genialmente maquiavélico, ou terá sido enganado? Ou terá feito o jogo dos Nove porque, no fundo, acreditava que eles representavam o regresso à verdadeira essência dos ideais de Abril?
Apesar de todos os mistérios que persistem, visto de hoje o 25 de Novembro parece antes de tudo uma imensa encenação, em que, tacitamente, todos, da extrema-esquerda à extrema-direita, conspiraram para o mesmo desfecho. Como se estivessem cansados, e optassem pela paz.
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Meu caro António Cunha #70
Como já escrevi, em relação a tudo o que esteja relacionado com este tema, “falo” apenas do que vivi. E só de algumas coisas, porque as outras só foram e serão sempre compartilhadas com a minha esposa, companheira e amiga.
Dentro desse princípio, escrevi o meu pensamento sobre Otelo (e foi apenas relativo a um período, porque se fosse mais extensivo…). Ele, nem foi inteligente, nem quem quer que fosse lhe “abriu os olhos”. Foi, sempre, na minha opinião, o que eu escrevi.
O último parágrafo do seu comentário merece uma análise muito séria. Que haja quem esteja disponível para o fazer sem sectarismos ou preconceitos. Se assim acontecer, eu estou disponível para isso.
Como hoje já estou um pouco “cansado”, aguardo que o debate comece. Amanhã, cá estarei.
Um grande abraço, meu amigo.
[Responder]
Bolas.
Fala-se no jaiminho neves e aparece logo uma data de gente a contar as estórias do otelo e ainda mais a defender o salazar hehehe, as coisas que o neves ainda provoca;))
[Responder]
Oh A.Cunha deixe-me la por uma cunha.
” …um oficial corajoso, CRIATIVO e grande capacidade de chefia…” Espero que ele nao tenha cortado a cabeca aos turras e espetado elas num pau colocando-as ao longo das picadas.
Isso para mim nao e criatividade e plagio do mais rasca.
Isso ja eram praticas “democraticas milenares’ para atemorizar os inimigos que foram aperfeicoadas (updated lol) aqui ali com a invencao do fogo, mas aqui acrescentando as questoes politicas umas pitadas religosas…
[Responder]
@Daniel, Júlio de Matos, António Cunha
Existem vários que reclamam ser herdeiros desta democracia.
Quem contraria que a situação actual do país não é filha da responsabilidade dos “políticos” do pós 25 de Abril?
Todos reclamam louros e absolutamente nenhum, e repito, nem um assume responsabilidades.
Até quando é que se vão ser celebrados os 25’s de Abril e Novembro?
[Responder]
ANTONIO CUNHA
Caro amigo, antes de enviar algo, lei-a primeiro pois as minhas questões ficaram sem resposta.
«Se tiver pachorra de ler tudo até ao fim, lá está a explicação de onde se meteu Otelo»……………..
«E Otelo? Terá traído os companheiros? Terá tido medo? Terá avaliado a correlação de forças e concluído que perderia? Terá planeado tudo, lançando os páras na sua aventura, para provocar a reacção dos Nove, porque previu que isso era a única solução? Isso explicaria por que se fechou em casa, das 5 da manhã ao meio-dia, sem atender o telefone. Terá sido genialmente maquiavélico, ou terá sido enganado? Ou terá feito o jogo dos Nove porque, no fundo, acreditava que eles representavam o regresso à verdadeira essência dos ideais de Abril?»
A azia, ás vezes, torna-nos demasiado ansiosos para a combater, olhe, aconselho-lhe um Alka Seltzer pois sempre é mais eficaz e menos inconclusivo.
A.R.A
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CAFC
Meu amigo, eu nunca me esqueci que «Não podemos esquecer que o Movimento dos Capitães começou por uma mera reinvindicação “corporativa”,» ou não fosse o meu nome A.R.A e por isso mesmo, não nos poderemos nunca esquecer do trabalho subversivo dos operacionais afectos ao PCP e anti-regime no seio das forças armadas e do seu heroico contributo para o manietar de uma dictadura que insistia em acabar com uma geração de jovens para continuar a impor o seu imperialismo no Ultramar.
Aquele Abraço
A.R.A
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FACHO
«Todos reclamam louros e absolutamente nenhum, e repito, nem um assume responsabilidades.»
E quem assumiu as responsabilidades do regime?
Os pide’s que ficaram uns meses na cadeia quando houve presos politicos que lá ficaram anos, em Portugal e no Tarrafal?
Se vamos falar em responsabilidades, teria-mos que falar no 24 de Abril de 1974 para perceber que, mantendo figuras de outrora em funções após a revolução dos cravos foi o maior flop da revolução.
A.R.A
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75 A.R.A
Mas qual azia ? Pelo Otelo ? Tá a gozar ou quê ?
Olhe, merecida homenagem a Melo Antunes, esse sim um grande homem.
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Daniel Oliveira Reply:
Novembro 30th, 2009 at 17:13
António Cunha: alguma vez haviamos de estar de acordo. Também acho Melo Antunes um grande homem
Meu caro António Cunha
No meu comentário #71 esqueci-me de colocar o amanhã entre parêntesis. Afinal é hoje. E, ainda bem, porque vi que a questão continua “em aberto”.
Passando já à frase “Como se estivessem cansados e optassem pela paz”:
1- Penso que, resumidamente, as acções dos paraquedistas em 25 de Novembro, só pretendiam uma alteração da correlação de forças no Conselho da Revolução;
2- Os conselheiros da Força Aérea, conotados com a direita, seriam substituídos por outros, do agrado da esquerda (à esquerda do PS e do Grupo dos Nove);
3- Apesar das divergências entre o PCP e Otelo (cujo documento foi delicadamente apelidado de Cop-críticos), essa alteração da correlação de forças servia as duas partes. Otelo tinha sido substituído por Vasco Lourenço no comando do Copcon.
Não menciono, propositadamente, o papel da direita (amalgamada com o PS e o Grupo dos Nove), para ver se surgirão outros comentários que possam contribuir para este debate, sem utilizar a táctica de “atirar uns tiros” para o ar.
Concluindo:
1- Como não existiu a 25 de Novembro uma verdadeira tentativa de tomar o poder pela força, a resposta (do PS, Grupo dos Nove & Cia) revelou-se, militarmente, muito eficaz;
2- Daí que, à excepção da PM, não tenha havido confrontos (e parece que até foi o Mário Tomé a pôr-lhes fim).
As declarações de Melo Antunes (no sentido anti-revanchista, publicamente apregoado por Jaime Neves), contribuiram, decisivamente para a tese de que “já estavam cansados e optaram pela Paz”.
Neste contexto, subscrevo esse pensamento.
Não sei se alguém virá aqui contrariá-lo. E era bom que assim fosse, para podermos “falar” de coisas que não devem ser tabús.
Meu caro, um abraço e até à próxima.
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ANTONIO CUNHA
Amigo Antonio, a azia de que lhe falava não se referia a personagem de Otelo mas ao copy/ paste da noticia. Olhe deixe estar…………
Confesso que me supreendeu com essa homenagem a Melo Antunes que, mesmo do outro lado da barricada ideologica, vendo algo de mau no horizonte foi contra os designios da sua direita e quejandos pitt-bull, afirmando publicamente o seu repudio acerca da possivel ilegalização do PCP.
«”achava que era perfeitamente imoral essa tentativa de eliminação do PC, porque no fundo era isso que se exigia, quer dizer o seu desaparecimento como partido. Era não só imoral e injusto, como politicamente disparatado, absurdo, porque seria o fim do processo democrático”.» Melo Antunes
Embora com uma visão politica distinta da minha, foi sem duvida, um grande Homem. Aqui fica a minha homenagem.
Aquele Abraço
A.R.A
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Daniel Oliveira Reply:
Dezembro 2nd, 2009 at 13:18
ARA, eu vou um pouco mais longe: olhando para trás com alguma frieza, foi dos homens com mais tino em todo o processo de democratização do país
82 Daniel Oliveira
Amen.
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DANIEL OLIVEIRA
Não, não necessita de ir mais longe pois, para mim, o Tenente-Coronel Melo Antunes, foi sem duvida alguma alguem que poderia ser hoje em dia lembrado por sido uma das principais figuras que impediram uma guerra civil em Portugal e uma figura maior da nossa democracia dada a sua convicção e imparcialidade.
Mas sabe qual foi a paga por não te apoiado a “caça as bruxas” que a direita anseava?
Foi ter permanecido na memoria despeitada de uma direita pitt-bull que até então não passavam de caniches engalanados com a democracia mas sedentos de uma mesquinhez revanchista e interesseira (basta lembrar que à data da sua morte em1999, Melo Antunes era ainda tenente-coronel, só sendo promovido a coronel cinco anos depois e que em 1992, Cavaco Silva então primeiro-ministro recusa apoiar a sua candidatura a director-geral da Unesco.)
Leia estes extratos de uma reportagem, por ele dada ao Expresso:
http://www.islasdecaboverde.com.ar/islas_de_cabo_verde/noticias/2_ccpd_prosseso_de_descolonizacao.htm
Aquele Abraço
A.R.A
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Meus caros amigos
Nunca é demais lembrar os Capitães de Abril.
Permitam-me que, neste espaço, refira o que nunca quis protagonismos e foi, de todos o “meu herói”. Também ele foi vítima de revanchismos mesquinhos. Um agradecimento muito especial ao Moita Flores, que colocou, frente a frente, o “vivo andante com coração de pedra” e a estátua do Homem com coração de ouro”.
Transcrevo um poema para as crianças, dedicado ao nosso Salgueiro Maia:
“Era uma vez um homem
que andou a fazer a guerra
mas quis plantar cravos
nos jardins da nossa terra.
Militar de poucas falas
sabia bem o que queria,
cansado de tantas mortes
na guerra que então havia.
Era capitão dos tanques
que o inimigo temia,
mas nos seus canos pôs cravos
com pétalas de poesia.
Um dia de madrugada
bateu forte o coração
porque era chegada a hora
de vir destronar o Papão.
Para trás ficou Santarém
na noite fresca de Abril
e os homens que o seguiam
valiam por mais de mil.
E foi no Largo do Carmo
que, valente, ergueu a voz
para dizer ao Papão:
“Agora mandamos nós”.
E nunca pediu em troca
dessa linda valentia
um título ou um posto
pois lhe bastava a alegria.
Foi-se embora antes do tempo
quando a doença o levou
regando só com lágrimas
os cravos que plantou.
Era o Salgueiro Maia,
capitão do nosso Abril,
pondo fim a velhos medos
numa noite primaveril.
Se um menino perguntar:
“Este soldado quem foi?”
respondemos-lhe a cantar:
“Maia foi o nosso herói.”
(do CD “Abril, Abrilzinho” de Manuel Freire, Vitorino e José Jorge Letria)
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Camarada MAIA
Sabes que enquanto eu não me juntar a ti, não deixarei de tentar transmitir o que tu ÉS.
Transcrevi aquele poema, no momento em que a minha neta mais velha estava a ouvir o CD pela enésima vez.
E ouve-o porque te adora. Eu já lhe contei a tua História, tal como o tinha feito com a minha filha.
Espero que outros anónimos a contem, para que a memória perdure.
ATÉ QUALQUER DIA, CAMARADA!!!
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