
Como de costume, quando se fala de subsídios para a cultura, fazem-se ouvir as vozes do costume. Pois eu acho que o investimento público na cultura é como o investimento em Investigação e Desenvolvimento (feito quase exclusivamente pelo Estado, em Portugal). Sem ele, dependendo apenas do mercado, morremos como país. Nem sequer o chamado “cinema comercial” sobrevive sem o contributo do chamado “cinema de autor”.
Socorro-me de um comentário Nuno Teles aqui no Arrastão. Nesta lista dos cem melhores filmes da última década, que tem à cabeça obras primas como Elephant, Mulholland Drive e Saraband e que está repleta de filmes chamados de “comerciais”, surgem seis filmes portugueses, com João César Monteiro logo em 20º lugar. E acrescento outra, da New Yorker, onde surgem dois, em sessenta, com Manoel de Oliveira em quarto.
E ficam as perguntas que o Teles aqui deixou e mais algumas: Quantos são países de dimensão semelhante à nossa que atingem o mesmo nível? Quantos sectores de actividade nacional alcançam a mesma projecção internacional? E quanto gastou o Estado, se compararmos com outros países europeus? Quantos países podem mostrar esta relação custo/benefício? Como podemos, mesmo perante a admiração e respeito que o cinema português merece fora de portas (santos da casa não fazem milagres), continuar a tratar os realizadores, os produtores e os actores de cinema português como um bando de parasitas incompetentes? Até quando, apesar do que por cá se vai fazendo contra tudo e contra todos, viveremos orgulhosos do nosso desprezo pela cultura? Já temos mais telemóveis do que qualquer país e o maior centro comercial europeu, mas quando seremos finalmente Europa?
Se não compreendem outra linguagem que não seja o maldito economês, fica esta: não há crescimento económico no primeiro mundo sem produção cultural. Não há terceiro sector e inovação sem arte. Não há qualificação e competitividade sem criação artística. Assim, tudo na única medida que hoje conta (sem perder tempo com o pluralismo cultural e o desenvolvimento humano de uma comunidade), fica mais fácil de perceber?
18 comentários 12 Mar 10 em Sem categoria18 respostas ao post “Os santos da casa não fazem milagres”
- 1 Pingback on 13 Mar 2010 às 17:18



O Daniel acha e está no seu direito… assim como há muita gente que discorda e está igualmente no seu direito. Não há pedestais!
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ó Daniel e eu pergunto, quanto Portugueses viram ou querem ver essas obras primas ?
Atire-se dinheiro para financiar arte que apenas meia duzia de pseudo intelectuais gosta., a coberto de defender a arte, a cultura as minorias.
E se vierem com a treta do costume sobre o futebol e os estádios, digo-lhe que ainda ontem no estádio da luz estiveram 50.000 pessoas a pagar 20 ou 30 Euros.
É este o papel que o estado deve ter ? O estado “teta” ? Onde todos podem “mamar” ?
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“Não há terceiro sector e inovação sem arte. Não há qualificação e competitividade sem criação artística. Assim, tudo na única medida que hoje conta (sem perder tempo com o pluralismo cultural e o desenvolvimento humano de uma comunidade), fica mais fácil de perceber?”
Portanto, aumentando subsidios ao cinema (e à cultura em geral) mais pessoas vão ter acesso à cultura, logo a qualificação e competitividade vai aumentar, a economia florescer, etc etc?
Portanto, o problema da “incultura” portuguesa, é que os portugueses não acedem a ela porque ela é pouca? É isso?
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A sofisticação do seu raciocínio lógico parece demonstrar o que diz.
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Conclusão: devemos financiar o Estádio da Luz (e do Alvalade, e do Dragão).
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Goncalo Reply:
Março 12th, 2010 at 18:21
O grande génio
http://www.youtube.com/watch?v=eN7R31MQYSg
e o melhor filme de sempre
http://www.youtube.com/watch?v=OXqclEiV8Ho&feature=player_embedded#
Antonio Cunha Reply:
Março 12th, 2010 at 18:33
Se for o AJJ que manda umas bocas, é ordinário.
Se for um velho decrépito já é um génio.
Génio o caralho. É um ordinarão que não devia ter levado nem mais um tusto.
Se quer avaliar, tem de experimentar ver outros. Que isto de opinar sobre cinema por o que se vai vendo nos títulos dos jornais é coisa pequenina. Tente e depois diga o que acha.
E sim, adoro a resposta: “quero que as más línguas se fodam”. Só a quem sobra talento se poder dar ao luxo de responder assim. Poucos podem, claro.
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Antonio Cunha Reply:
Março 12th, 2010 at 18:31
Daniel, assim não se percebe a quem está a responder. Já sei tá com o i-pod, certo ?
Sim, se for AJJ é só AJJ. Se for um génio, é um génio.
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Quando se atacam ideias cimentadas de certa intelectualidade é o caralho em cuecas (para usar linguagem à génio César Monteiro, RIP)
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saltou-lhe a costela comuna. cultura de estado é o que você quer.
vá dar uma voltinha. vá pedir para outro lado.
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ironizando, poderíamos argumentar que, pegando num dos indicadores ilustrativos da grande qualidade do cinema português, apresentado no post do DO, como o custo/benefício (seja isso o que for) , se calhar até se pode melhorar, reduzindo os custos, ou seja os subsídios.
uma vez que este é um assunto que parece interessar ao DO posso propor, perdõe a ousadia, que faça um artigo comparando os montantes dos subsídios atribuídos pelo estado às diferentes actividades culturais, o nº de profissionais abrangidos, o nº de cidadãos a que essas chegam e o retorno.
ficaríamos todos com uma idéia mais clara do que se anda a falar.
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Nunca há, nem haverá, dinheiro que chegue para todos os produtores culturais, pelo que há que ratear as verbas. E aí (numa versão benigna do que na realidade se passa) os subsídios ajudam quem um grupo de “peritos” culturais acha que “tem talento” ou um “projecto consistente” ou, melhor ainda, é já um “génio”, como Oliveira e César Monteiro. Sucede porém que os contemporâneos nunca são competentes para separar o trigo do joio, com ou sem intelectuais estrangeiros de permeio a dar palpites embrulhados num palavreado pedante e confuso e a fazer listas de génios incompreendidos e obras ignotas de países periféricos. Depois, os artistas têm boca e advogados de defesa, as pedras e os objectos não. É por isso que os monumentos desmoronam, as bibliotecas têm acervos pobres e funcionamento deficiente, os museus (os verdadeiros, não os depósitos de lixo moderno e pós-moderno) mal conseguem sobreviver …
O nosso País é pobre. Sê-lo-ia igualmente, mas não mais, sem cinema algum. Perdoe-me se, para este peditório, não dou nada. Ou melhor, dou, mas contrariado.
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Impressionante é haver gente a argumentar que nao percebe que, no minimo, o cinema representa a nossa memória… Memória diz-lhes alguma coisa?
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Antonio Cunha Reply:
Março 13th, 2010 at 19:04
Exactamente, memória.
Memória de terem sido os 5 euros mais mal gastos da minha vida. Nunca me esquecerei, é certo.
não sei. eu gosto do João Pedro Rodrigues. Gosto. de aí a meter os seus 2 filmes nos melhores….o jurí é paneleiro. só pode. são completamente banais à parte a cena homo. tesuda , pronto . mas há para aí porno , né?.
lamento , uma lista onde não constam os idiotas do lars ou a festa de Vitenberg ou o alex de la iglesia ou pulp fiction ou Emir Kusturica e tal , não é lista nem é nada.
e o oliveira é um chato : só para intelectuais que debarram acerca de um quadro FANTÁSTICO pintado por pessoas de 3 anos pensando que foi por um tipo xpto. o rei vai nu. sou incapaz de ver um filme dele. saí sempre a meio. tentei. não vim ao mundo para tais sacrificios.
E o único gajo de Jeito no cinema português actual foi quem filmou ” Ganhar a vida” ( passou no canal arte , oh intelectualoides com medo de não serem inteligentes )
è só rir , a malta que só se valoriza através dos outros e que segue ” tendências”. Cresçam.
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