Muitos comentadores ficaram incomodados com o post do Pedro Vieira. Supostamente, ele estaria a ser arrogante por fazer troça de quem diz, depois de vaiar uma peça a meio (e não no fim) e insultar os actores, que “é por isso que a nossa mocidade, os nossos meninos, andam aí nas drogas”.

Aproveito o episódio irrelevante para falar da nossa relação com os velhos – gosto mais do que do eufemístico “idoso”. Os comentários, sem que os seus autores se apercebam, são de um paternalismo arrogante extraordinário. O facto do público ser mais velho não lhe retira nenhuma capacidade: a de ser educado, a de sair de uma sala quando não se gosta de um espectáculo, a de não ser autoritário e intolerante perante o gosto dos outros, a de respeitar o trabalho dos actores e o resto do público.

As pessoas em causa foram a esta peça a convite do INATEL. E esta reacção talvez se explique de forma simples: a ideia de que tudo nos é devido. De que nos podemos indignar com tudo o que nos é dado a ver, se não gostamos, sem ter a obrigação de pensar primeiro no assunto. A ideia de que, ligada uma câmara, devemos despejar tudo cá para fora. E de que, numa plateia, estamos ali para ser servidos.

E a reacção de muitos comentadores, que, como foi dito por um outro, seria exactamente a oposta se a plateia com este comportamento fosse composta por jovens (“selvagens”, “não lhes dão educação em casa”, “só ao estalo” e mimos do género), revela este sentimento de culpa com que vivemos em relação aos mais velhos. E com razão. Tratamos mal, enquanto sociedade, os nossos pais e os nossos avós. Mas isso não retira a ninguém obrigações. A de aprender até morrer, a de não ser intolerante com o que não se compreende ou não se aprecia e a de ser educado mesmo quando não se gosta.

A outra ideia exposta foi a de que o INATEL terá escolhido mal o espectáculo. Não era pensado para aquele público. Supostamente, os velhinhos só gostam de revista e do Goucha. Não é, como é evidente, verdade. O gosto das pessoas mais velhas é tão variado como o gosto de qualquer outra faixa etária. Dizer que aquilo não é “pensado” para eles é também de um enorme paternalismo. Julgam que a vernáculo foi inventado a semana passada? Nem entre os jovens nem entre os velhos devemos ser condescendentes com a arrogância do gosto. Acharam a linguagem imprópria? Iam à sua vida. E o facto de serem mais velhos só lhes deu mais tempo para aprenderem as regras da civilidade. Geralmente, os velhos intolerantes já eram intolerantes quando eram novos. Apenas julgam ter atingido um momento das suas vidas em que a sua intolerância tem de ser tolerada. Assim se comportarão quando forem velhos os que hoje, sendo jovens, não gostam do que não conhecem.

Só trataremos com respeito os nossos velhos quando deixarmos de olhar para eles como se fossem crianças. São adultos. Uns bem educados, outros mal educados. Uns tolerantes, outros intolerantes. Uns curiosos, outros orgulhosos da sua falta de curiosidade. Uns conservadores, outros com uma longa vida de libertinagem. Como o resto das pessoas. São apenas mais velhos, como nós seremos. Com os quais temos muito a aprender. E são adultos, que têm, como qualquer ser humano, ainda muito a aprender. São pessoas, com direitos e deveres. Direito a serem tratados com dignidade e exigência. Dever de se comportarem com educação e humildade.

Só trataremos com respeito os velhos quando os tratarmos como qualquer outra pessoa. Quando as enfermeiras ou as funcionárias dos lares não falarem com eles da mesma forma como falam com um bébé (é uma coisa que faz trepar pelas paredes). Quando os filhos não os virem como crianças grandes, incapazes de decidir como bem entendem como deve ser a sua vida. Quando a imagem que passamos deles deixar de ser sempre a da fragilidade e da miséria. Quando deles exigirmos, porque damos.


52 respostas ao post “Os velhos”  

  1. 1 1  Raoul de Joinville

    O respeito pela pessoa não tem escalão etário.

    Infelizmente ainda há quem pense que a idade dá pontos no que à dignidade concerne.

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  2. 2 2  ze

    não diria melhor

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  3. 3 3  Carlos Marques

    Quem é que paga ao Inatel para levar quem quer que seja de borla a peças de teatro? Por quê esta peça e não outra?

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  4. 4 4  Antónimo

    E porquê outra peça e não esta, Carlos Marques #3?

    Se está assim tão interessado em saber quem paga leia o regulamento em http://www.inatel.pt

    Imagino que caso não concorde, sempre pode inscrever-se como associado e bezungar a molécula dos órgãos directivos.

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  5. 5 5  anonimo

    Ai estes velhinhos coitadinhos pois, iguaizinhos a qualquer pessoa no activo, e de quem nunca tratou com velhos, ai esta sensibilidade esquerdista. E porque não uma injecção atras da orelha. O sor daniel o que dizia o tal muslin?
    corta corta
    eh eh eh

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  6. 6 6  JMG

    Uma peça que se ignora, de autor desconhecido, a respeito da qual há um título incompreensível que não parece ter nada a ver com o texto. Os meus colegas parece saberem do que estão a falar; Daniel elabora. O meu Pai, quando se zangava comigo, chamava-me burro: nisso como noutras coisas o santo homem era bem capaz de ter razão.

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  7. 7 7  cafc

    Meu caro Daniel

    O meu total aplauso pelo teu texto.
    Saliento, de forma muito especial, a forma como te referes aos VELHOS. É mesmo assim. Deixem-se de eufemismos, seja “idosos”, “terceira idade”, etc..

    Há quem se julgue “civilizacionalmente” superior a culturas “selvagens” que têm todo o respeito pelos VELHOS e não os “despejam” para qualquer sítio (até os ouvem como “conselheiros”).

    Eu tenho orgulho em ser VELHO e as minhas netas tratam-me, carinhosamente, por “velhote”.

    Imagina tratarem-me por “terceiro-idote”, ou por outro eufemismo…

    Afinal, estamos no século XXI e continuamos com os mesmos preconceitos do século XIX?

    Haja paciência (se calhar do século XXII).

    Um abraço.

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  8. 8 8  José Mexia

    Uma provocação: O Daniel quando não escreve sobre política é muito bom.
    O texto é excelente.

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  9. 9 9  Samuel

    Alto texto, Daniel!

    Abraço.

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  10. 10 10  MiKuKi

    http://www.mikuki.com
    Site que permite a criação gratuita de sondagens para colocação em sites ou blogs.

    P.S.: peço desculpa pela publicidade.

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  11. 11 11  João

    Óptimo texto, espero que seja lido por muitas e muitas pessoas. Os meus parabéns.

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  12. 12 12  Rui F

    Daniel

    Esteve muito bem.
    De qualquer forma, aflige-me ver o estado físico, cultural, económico, em que se encontram os nossos velhos quando os comparamos com os velhos da Europa.

    A melhor foto do Salazarismo e duma direita reaccionária e canalha que podemos ter hoje em dia, é ver o estado geral dos nossos velhos.

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  13. 13 13  alexandrevaz

    É fabuloso isto aqui. Vir a este espaço e dialogar assim, a manta de retalhos de opiniões, a praça pública, cada um em cima da sua caixa de sabão… Digo-o livremente: aprendi muito com este post.

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  14. 14 14  Diana

    Gostei.
    Provavelmente o melhor post que já li no Arrastão.

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  15. 15 15  Carlos Marques

    Caro Antónimo #4

    Se estas actividades do Inatel são subsidiadas pelo Orçamento de Estado, então as pessoas, que não está a pagar na totalidade ou em parte o custo real, deviam era ter agradecido a borla.

    Quanto ao critério de selecção da peça, nada tenho contra esta, que não conheceço, mas fico com curiosidade em saber com que critérios se programam estas actividades.

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  16. 16 16  isagt

    Acho que muitos, dos que comentaram negativamente a peça teatral, nem sequer são velhos, apesar de haver quem considere velho, alguém com mais de 60 anos, no entanto a geriatria só considera velhos, pessoas a partir dos 75 anos.
    Aqui a questão principal, nem será associar o comportamento à idade, mas ao facto de que a grande maioria da população, desde tenra idade, é habituada a refilar, sem ter aprendido, primeiro a pensar e a ser minimamente civilizada.
    Como já cá ando há meio século, sei de certeza, porque já me aconteceu, se não gosto, aproveito o intervalo e não volto a entrar. Com mais dez ou mais 15 anos, farei exactamente a mesma coisa, sem necessidade de tanta verborragia destemperada.
    Todos os dias, muitos canais televisivos, vão ajudando, deseducando o público, dando-lhes doses maciças de estupidez, embaladas em novelas da treta e programas matinais dos coitadinhos, que vão imbecilizando e o resultado, é aquilo que se vê.
    Em qualquer idade se encontram pessoas, que acham, lá do seu pedestal: Se não gostam, é porque, de certeza, não presta. Finalmente e independentemente da idade, cientificamente comprovado, basta duas ou três pessoas começarem a proferir, meia dúzia de palavras de desagrado, para acender, automaticamente, o rastilho de descontentamento na multidão.

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  17. 17 17  Pinto

    Também não tenho grande paciência para esta ideia do “antigamente é que era bom”. Os tempos mudam e cada época tem as suas características.

    Esta conversa é tão antiga quanto a humanidade.

    Os jovens de hoje gostam do luxo. São mal comportados, desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos, passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Não se levantam quando um adulto chega. Contradizem os pais, apresentam-se em sociedade com enfeitos estranhos. Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes, cruzam as pernas e tiranizam os seus mestres. SÓCRATES (470-399 A.C.)

    O nosso mundo atingiu um estado crítico. As crianças já não dão ouvidos aos seus pais. O fim do mundo não pode estar muito longe.(Sacerdote egípcio, ca. 2000 a.C.)

    Esta juventude está podre no fundo do coração. Os jovens são maus e preguiçosos. Nunca serão como a juventude de outros tempos. Os de hoje não serão capazes de manter a nossa cultura. (Inscrição em cerâmica encontrada nas ruínas de Babilónia, ca. 2000 a.C.)

    Não tenho nenhuma esperança quanto ao futuro do nosso país, se a juventude de hoje tomar o poder amanhã, porque esta juventude é insuportável, sem comedimento, simplesmente terrível. Hesíodo (ca. 720 a.C.)

    O pai teme os seus filhos. O filho acha-se igual ao seu pai e não tem nem respeito nem consideração aos seus pais. O que ele quer é ser livre. O professor tem medo dos seus alunos. Os alunos cobrem o professor de insultos. Os mais novos querem tomar já o lugar dos mais velhos. Os mais velhos, para não parecerem antiquados ou despóticos, consentem nesta demissão. E, para coroar tudo, em nome da liberdade e da igualdade: a libertação dos sexos! (Platão ; 428-348 a.C.; A República, livro VIII)

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  18. 18 18  Andre

    Já agora Daniel fiquei sem perceber se concorda, ou não com o post. É que este título “e é por isso que a nossa mocidade, os nossos meninos, andam aí nas drogas” é, na minha opinião, nojento. Rotula aquelas pessoas de tacanhos, saudosos da ditadura e analfabetos.
    E depois os outros é que são paternalistas e não respeitam os outros…

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    André, concordo. É uma citação.

  19. 19 19  Zé Bonito

    Totalmente de acordo. A este respeito, talvez valha a pena começar a olhar a sério para o conteúdo confrangedor dos programas autárquicos dirigidos aos idosos (chamados de “animação sénior”). As câmaras perceberam que se trata de uma “massa eleitoral” significativa e não arranjaram melhor maneira de a cativar, do que tratá-la como débil mental, ignorando toda a sua experiência e potencialidade. Aconselho vivamente um “passeio” pelas páginas das autarquias locais, onde se podem encontrar “maravilhas” do tipo “construir presépios com material reciclado”, como se gerações que viveram numa fase menos consumista da nossa sociedade, tivesse muito a aprender sobre as vantagens de transformar uma garrafa de Coca-cola num São José…

    [Responder]

  20. 20 20  alexandrevaz

    LAM comentou que “não é por acaso que muitos profissionais defendem que, bilhetes, só para quem os quiser comprar.” É por isso que muitos profissionais defendem espectáculos pagos, porque é o primeiro crivo na selecção de um público. (Espero não estar a dizer nenhuma burrice…)
    Mas isso já nos afasta do que Realmente aqui se discute: velhos ou não, urbanos ou não, nascidos antes ou depois de 74, com uma enxada ou um portátil na mão, com cursos ou sem eles, há limites (ou deveria haver) para o civismo, a boa-educação. E foi disso que o Daniel falou.

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  21. 21 21  mt

    parece-me bastante absurda a discussão deste “caso” em torno da idade. então não se está mesmo a ver que o que aqui está em causa não é o grupo etário mas o grupo SOCIAL? a classe sim senhor, definida não tanto em termos económicos mas culturais: os (muito poucos) com mais educação/informação versus os (muitos mais) com menos educação/informação?

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  22. 22 22  Justicialista

    Apesar de não discordar do texto, tenho de fazer um reparo: a liberdade de expressão de cada um não exige que tomemos “consciência” ou que ponderemos a crítica. A liberdade exige responsabilidade, mas essa é uma consequência que sofremos após os nossos actos.

    Acho que os idosos, se não gostaram, têm todo o direito, e até o dever, de o exprimir, da forma que o entenderem. Não podemos ser intolerantes com os apupos e palavras menos simpáticas.

    [Responder]

  23. 23 23  Batman

    Então e a democracia? Já não se pode vaiar uma peça? Tem de ser no fim? Temos de ser o “público-alvo”? E a performatividade? É só para os artistas?

    Quantas peças são assim vaiadas? Por velhos? E por novos? Poucas, muito poucas! Então não estamos perante um caso normal…! E que vídeo mostra o decorrer da peça, para saber o que lá se terá passado?

    De uma coisa sei: tem dado de comer a muita gente letrada contentar-se com o “arriar no pagode”. É tão fácil. Porque é que havemos de gostar dos feios?

    [Responder]

  24. 24 24  Pedro Penilo

    Então e a democracia? Já não se pode vaiar uma peça? Tem de ser no fim? Temos de ser o “público-alvo”? E a performatividade? É só para os artistas?

    Quantas peças são assim vaiadas? Por velhos? E por novos? Poucas, muito poucas! Então não estamos perante um caso normal…! E que vídeo mostra o decorrer da peça, para saber o que lá se terá passado?

    De uma coisa sei: tem dado de comer a muita gente letrada contentar-se com o “arriar no pagode”. É tão fácil. Porque é que havemos de gostar dos feios?

    (Comentei a partir do computador de um amigo meu e, por lapso, saiu com o seu pseudónimo. O comentário é meu, Daniel.)

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Pedro, vaiar a meio de uma peça é impor a nossa opinião aos demais porque os impede de ouvir e ver. É como chegar uma exposição tua e, porque não gosto, partir ou destruir o teu trabalho.

    O vídeo mostra o decorrer da peça, em que os actores nem se conseguem ouvir. Porquê? Porque dizem palavrões. A censura colectiva não é melhor que a do Estado. Estou-me nas tintas se é pagode ou não. Não sou paternalista. E no dia que a democracia do publico decidir se podes levar uma peça até ao fim é melhor imigrares para bem longe. Porque o teu trabalho nem se compreende bem e estás por isso a fazer pouco das pessoas.

  25. 25 25  Ana Carvalho

    Concordo totalmente com o texto! O velhos intolerantes e malcriados já o eram quando novos. Agora esperam que lá por serem velhos, os insultados sejam tolerantes. Por mim essas criaturas mal criadas cujos comportamentos assistimos não devem sair de frente da TV: o Goucha é mesmo o que ele merecem!

    [Responder]

  26. 26 26  João André

    Confesso que não subscrevo por completo o texto do Daniel. Se é verdade que somos demasiado condescendentes com os velhos/idosos (é-me indiferente o termo usado para os tratar desde que seja com respeito) também não deixa de ser verdade que os velhos não são apenas adultos com mais anos de idade.

    O corpo humano é efectivamente um organismo que se vai deteriorando e isso tem consequências nas capacidades e personalidades das pessoas. O cérebro vai perdendo capacidades (neurónios vão morrendo ao longo da vida e a certa altura as suas tarefas deixam de ser assumidas por outras partes do cérebro) e outras partes do organismo vão perdendo eficácia, pelo que o cérebro reordena as suas prioridades para compensar esta perca de faculdades. Isso leva a que o cérebro não mais funcione da mesma forma e que muitas vezes seja absolutamente necessário tratar os mais velhos de forma distinta dos outros adultos. Não é uma questão de paternalismo: é uma questão de biologia.

    Claro que isto não desculpa necessariamente o comportamento de quem foi ver aquela peça, mas permite que se questione a lógica de os levar a ver esta peça.

    [Responder]

  27. 27 27  Pedro Penilo

    A esmagadora maioria das exposições e a esmagadora maioria das peças de teatro termina sem que nada de relevante se passe, quer as pessoas gostem ou não. Não se trata portanto de um problema de má educação ou intolerância que se permita generalizar, como o post do Pedro Vieira quer fazer, escolhendo para título uma frase já nossa conhecida, dita por um dos espectadores.

    O teatro tem além disso uma tradição particular: não é para ouvir sem reação. Os espectadores não destruiram a obra. Destruiram aquele momento que lhes estava reservado a eles e só a eles. Tinham a liberdade soberana de fazer com ele o que entendessem, no momento que entendessem. (O vídeo não mostra tudo o que se passou). Digo “eles”, porque aqui parece evidente que se tratou de uma reação de genuína indignação colectiva – que ainda não é proibida – de que se distanciou apenas um casal.

    Volto a chamar a atenção para que a má educação e a intolerância (que já cá estavam antes) não pode explicar isto. Não é costume o público desagradado fazer isto.

    A temática dos velhos, neste caso, não tem sentido; curiosamente, pelos mesmos critérios que invocas. Noutras circunstâncias, poderia estar de acordo contigo. Mas paternalismo é pensar que têm de se comportar assim ou assado.

    Essa história do paternalismo: como é que se pode reconhecer que há políticas de exclusão, e ao mesmo tempo, esquecer que produzem efeitos, gente enfraquecida e empobrecida? Andar meio país vergado à fome, e depois querer que se saiba comportar quando o levam a espreitar a ópera?

    E essa coisa sinistra da “formação de públicos”, em que uns têm o privilégio de criar, outros o privilégio de assistir, e outros ainda a sorte de que umas tias da Lapa lhes digam o que é de bom gosto!

    Nada disto belisca a qualidade do espectáculo em causa – que não conheço. Mas um artista que quer ter público (e sobretudo, se quer ter público “levado” pelo INATEL) tem de estar preparado para isto. (Não para a agressão física, que se tivesse acontecido, eu condenaria).

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Pedro, a temática dos velhos não nasceu do facto deles serem velhos mas dos comentários por se ter criticado velhos. O argumento é exactamente esse: é indiferente se são velhos ou não. E analisar porque tantos comentadores “dão o desconto” só por serem velhos.

  28. 28 28  rafael

    Concordo parcialmente com a análise aqui realizada. Por um lado, cocordo que velhos, novos e assim-assim têm que ter modos, têm que se saber comportar em sociedade. Nao gostam da peça, que saiam. Eu tive uma vez o azar de assistir a uma peça intragável, creio que do Seiva Trupe, e para chegar à porta tinha que passar pela boca de cena. Lixei-me que tive de comer até ao fim. Os velhos aqui comentados nao tinham que o fazer…

    Outra questao que já me parece mais discutivel é a escolha da peça pelo INATEL. Parece ter havido um desfasamento claro, nao da idade com a peça, mas do nivel social e cultural dos velhotes com o teor da peça. Em nome de levar gente à cultura, nao podemos levar TODA a gente a TODA a cultura. Como em tudo, creio que deveria haver um certo nivel de discernimento, pensando em que habitos estas pessoas tinham e a partir daí que “nivel” de aceitaçao elas teriam para com algo ligeiramente ou completamente diferente do seu “quotidiano” cultural.

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  29. 29 29  João Cerqueira

    Se os idosos proferiram palavrões durante o espectáculo e insultaram os actores, tal comportamento deve ser censurado porque nada o justifica.
    Infelizmente, na maioria dos cinemas e até peças de teatro, o público fala como se estivesse no café e atende tranquilamente os telemóveis. E semelhante comportamento parece ter-se tornado normal. Ninguém parece indignar-se, ou discutir o assunto.
    Será porque são jovens?
    Mas, uma coisa é censurar um comportamento malcriado_ de velhos ou jovens _, outra é tornar alvo de chacota esse os protagonistas desse comportamento.

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  30. 30 30  tiago pinheira

    excelente texto :)
    fico contente por ver que há quem perceba as coisas do esmo modo que eu.. porque há conceitos sociais que independentemente da cidade, do género, da idade, devem ser respeitados e entendidos por todos.

    porque respeitar não é ter pena.
    bom texto.

    (não questiono o teor da peça nem o acontecimento em si, uma vez que não tenho conhecimento profundo sobre a peça em questão..)

    [Responder]

  31. 31 31  ze manel

    Excelente texto de Daniel Oliveira – o dedo na ferida!
    Desmistifiquemos de vez a imagem do velhinho que tem de ser idiota ou a fazer deles idiotas.

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  32. 32 32  Helena

    Não conheço a peça para me pronunciar, mas a enorme vaiada e os comentários que vi e ouvi no pequeno vídeo, são de uma enorme falta de educação cívica, cultural e não tem nada a ver com a idade. Quando não se gosta sai-se ao intervalo, não se faz aquela berraria.
    Gente malcriada há nos novos, nos assim-assim e nos velhos. Neste caso foram os velhos.

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  33. 33 33  JV

    E a reacção de muitos comentadores, que, como foi dito por um outro, seria exactamente a oposta se a plateia com este comportamento fosse composta por jovens

    Sim, porque os arrastados não inham imediatamente a terreiro explicar-nos que a peça é uma vergonha por isto e por aquilo, legitimando, de um modo que só não chegaria a ser paternalista por tanto ter de vergonhoso, quaisquer dislates e boçalidades cometidas por jovens. Mas sim, reconheço que teria uma reacção diametralmente oposta se fossem jovens a fazer isto. E sabe porquê? Porque eu não aprecio as situações pelo seu valor facial. Ao contrário do Daniel, «gosto de voltar ao básico do básico» nesta e noutras matérias. E o que se tem a tirar é que estes velhos sabiam que se se indignassem contra a peça que estavam a ver, iam ser proclamados filisteus e incultos; ao passo que os tais jovens, em demonstrando indignação, sabiam perfeitamente que teriam a sua conduta «contextualizada» por arrastões diversos. Porque vivo num mundo onde sei perfeitamente que qualquer acção de protesto ou discordância operada por idosos é vexada e humilhada pela opinião publicada, enquanto que qualquer acto de «rebeldia» e «irreverência» juvenil merece festinhas na cabeça, desculpas, e um ou outro sorriso de orgulho por «termos gente». Eu sei-o, e estes idosos também o sabem, e contudo optaram pelo protesto, pela pateada, pela vaia, por deixarem claro que não gostaram do espectáculo que lhes era oferecido, e que consideravam que os gozava. Por isso lhes dou ainda mais valor e expresso tanto maior solidariedade: a mesma solidariedade que jamais uma plateia de jovens me mereceria, porque sei bem o mundo em que me movo. Eu e o DO, que com a afirmação em epígrafe não faz senão duas coisas: (i) tentar desviar as atenções da boçalidade obrada pelo seu colega de blogue lançando-se ad hominem contra quem dele discordou para eludir a verdadeira crítica, e (ii) usar de sonsice para intentar equiparar situações iguais pelo simples facto de decorrerem – literalmente… – no mesmo teatro de operações.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    JV, vou guardar este seu comentário. Só para outras ocasiões em que defende que temos de reagir da mesmíssima maneira a acontecimentos análogos mesmo que os actores sejam completamente diferentes.

  34. 34 34  Justicialista

    Porque é que quando se vai a uma peça de teatro ou um concerto de música é natural que quem goste, aplauda e quem não goste não possa apupar? Temos de gostar de tudo o que nos é impingido? Só podemos aplaudir? Somos humanos, é natural que queiramos exprimir os nossos gostos e sentimentos e não vejo mal nenhum nisso. Aliás, acho que é expressão de liberdade e democracia.

    Não compreendo o porquê de tanta polémica.

    [Responder]

    Daniel Oliveira Reply:

    Justicialista, prefiro que aplaudam no fim. Mas sobretudo não gosto que se manifestem de tal forma que me impossibilite a mim de ver o resto da peça.

  35. 35 35  Pedro Penilo

    De acordo, não são velhos: são pobres e pretos.

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  36. 36 36  mf

    não sei , acho que nos devemos por no lugar de um velhote de trás do sol posto todo contente , ainda que empenado , a meter o reumático pra trás das costas , porque vai à capital ver uma bela de uma peça de teatro ( tipo revista , imaginará ele ) e pim , sai-lhe uma aula de cozinha. que grande desilusão!!! do tamanho dos protestos ….sair , para uma pessoa de idade , custa , e sair em vão deve custar ainda mais. respeitar as pessoas passa também por respeitar os seus gostos , por mais esquisitos que nos pareçam. e lá por ser à borla não têm obrigação de gramá-la. o animador , armado em educador de gostos , é que devia ser reciclado.

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  37. 37 37  kruzeskanhoto

    É por estas e por outras que acho que não devia haver entradas à borla para espectáculos. Se tivessem pago, mesmo pouco que fosse, não teriam este comportamento deplorável.

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  38. 38 38  alexandre vaz

    “oz artiztas são bonz artistaz… hum… e num habia necessidade…. azz….”

    [Responder]

  39. 39 39  alexandre vaz

    pena… agora vejo que é só nos filmes é que as pessoas levam consigo – à cautela – fruta e legumes podres para situações destas…

    se isso acontecesse na vida real, dada a peça, seria deliciosamente irónico…

    [Responder]

  40. 40 40  Gonçalo

    Há quanto a mim duas questões diferentes.

    A primeira é a falta de educação das pessoas em eventos e espaços públicos que faz com que, por exemplo eu tenha praticamente deixado de frequentar cinemas, concertos e eventos públicos, ou pelos menos comecei a escolhe-los de forma mais selectiva.

    Aborrece-me tremendamente saber que é quase impossivel alguém ser expulso de um teatro ou de um cinema mesmo que tenha uma conduta imprópria, no cinema então já me aconteceu de tudo inclusive deixar um filme a meio por não o conseguir ouvir, neste caso concreto da inatel se logo no inicio alguém tivesse “convidado” os senhores a abandonar a sala aposto que nada se teria dado.

    A segunda questão é a integração dos velhos na sociedade e eu não vou ser hipocrita neste assunto. As pessoas ou sabem estar nos sitios ou ficam em casa e isso aplica-se a toda a gente, há muitos velhos (o termo não me causa nenhuma repugnancia) que parecem animais fora da jaula, estão sempre a arranjar conflitos e confusões porque não percebem o funcionamento das coisas ou simplesmente porque se sentem mal com a condição deles, seja o que for. Quem anda nos transportes públicos talvez perceba o que estou a dizer.

    [Responder]

  41. 41 41  Dinada

    Não li um único comentário.

    Saltei logo para aqui em ânsias de aplaudir este poste que diz ipsis verbis o que penso.

    E se eu respeito os velhos…

    Parabéns pelo texto, Parabéns Daniel!

    [Responder]

  42. 42 42  Antonio Cunha

    Caro Daniel, concordo totalmente consigo e com o seu ponto de vista.

    No entanto gostaria de deixar apenas 2 informações:

    No site oficial da peça está explicito que a peça tem linguagem “menos” própria

    Este pessoal do Inatel devia ser imediatamente proibido de voltar a assistir a peças de teatro ou outra actividade com caracter gratuito.

    [Responder]

  43. 43 43  Natália Santos

    Eu sou voluntária num centro de dia com 20 idosos e a 1ª coisa que fiz foi comprar um livro sobre animação cultural, pois nunca tinha lidado com a situação.
    Nesse livro, havia jogos e mais jogos, muitos deles não adaptados a estes idosos porque uns não sabem ler nem escrever e outros sabem mas vêem mal.
    Aproveitei algumas ideias, e depois pura e simplesmente comecei a conversar, a ler o jornal, eles por vezes dizem poemas, às vezes discutimos ( apaixonadamente !)os casos do dia,
    ou vemos qualquer coisa que está a dar na televisão, falamos de coisas úteis, tais como conseguirem convencer o médico a passar-lhes uma receita de genéricos que são grátis para quase todos, pois as reformas andam entre os 250 euros e os 400 ( os ricos).

    Numa formação a que fui, pedi encarecidamente que se deixasse de o usar a expressão animador cultural ( e portanto também se libertasse mais o conteúdo da função) e se usasse só ” animador” no sentido daquele que tenta dar ânimo ( e que à socapa, também recebe ânimo desses a quem dá, numa troca preciosa).

    Tive logo outros voluntários que concordaram comigo, pelo que na próxima acção de formação, vamos então discutir a fundo o papel do animador, para além de pôr pessoas a cantar ou a fazer florinhas de papel.

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  44. 44 44  Pinto

    Os jovens devem ser rebeldes e imaginativos e confrontar-se com as regras dos mais velhos. O que está errado hoje não são os jovens, que são iguais aos de sempre, mas os velhos que querem ser jovens e se acham rebeldes e imaginativos e demitem-se do seu papel.

    João César das Neves, 01/08/2007

    http://jnverao.blogs.sapo.pt/5934.html

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  45. 45 45  Roger The Shrubber

    Para começar, eu estava lá. Eu vi este espectáculo.
    Em todo o São Luiz éramos 11 pessoas que não tínhamos desconto especial por idade nos transportes públicos colectivos – sim, 11, eu contei-os, não era difícil.
    Acho engraçado como toda a gente comenta e quer tirar conclusões profundas sobre uma coisa que não tem tanta explicação assim. Se calhar, nem etária.
    Alguém vê uma peça televisiva sobre a peça de teatro, acha a ideia da comida em palco e do cozinhar-se durante a peça gira e organiza uma excursão, a pensar que é um bom programa para um grupo grande de pessoas.
    As pessoas pensam que vão ver uma peça simpática, sobre comida e coisas ‘fofinhas’ e depara-se com duas personagens principais carrancudas, algo violentas – principalmente na forma verbal: tratam os subordinados aos berros ao longo da peça, assediam sexualmente uma das personagens femininas, tratam-se mal entre eles, discutem muito alto, geram, em geral, pouca simpatia (propositada, sem dúvida) e dizem bastantes obscenidades.
    Não é o que se estava à espera. Por acaso, o que despoletou a primeira reprovação até foi de teor escatológico “A comida é para cagar, não para pensar…”.
    O público, que desde o início da peça se mostrou muito conversador e inconveniente, desgosta. Entre as expectativas e a realidade há um fosso enorme.
    O resto é comportamento de grupo, de multidão.
    Se 1 ou 2 se sentirem injustiçados, barafustam baixinho e vão-se embora. Se forem 1 ou 2 centos, vão revoltar-se e fazer-se ouvir.
    Não há grandes teorias sobre isto. Podem pôr-lhe a idade, podem pôr o que quiserem, o tamanho da insatisfação e da reacção é simetricamente proporcional ao número de insatisfeitos.
    A reacção das pessoas mais velhas, em efeito propulsor, é que foi curiosa. Eu vi o mal nos olhos deles e juro que não lhes fiz nada. E eles, que para lá foram, “enganados” como diz um dos senhores, extremando as posições – pressão de grupo!, pressão de grupo! – dizem aqueles disparates. Vêm de trás do grupo para dizerem coisas em frente à câmara – não é normal verem isso, novos e velhos?!
    Que nós, mais novos e muito menos enervados que eles estavam na altura, os apouquemos e prefiramos arranjar teorias “La Féria” ou dos velhinhos decrépitos para perceber uma coisa tão simples é que me parece estúpido.

    Posso só dizer-vos que é bom material para humor – generalizações grosseiras, etc.

    Mas, ok, fale-se para aí! Façamos brainstorms e workshops. Vamos escalpelizar isto até ao fundo, que isto é a coisa mais importante que temos para fazer nos próximos 15 minutos, e ficar contentes com as conclusões vazias que encontrarmos. Escrever as próprias conclusões.
    Já se matou algum tempo e até parece que se avançou.

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  46. 46 46  João

    Importa ler hoje a crónica da Helena Matos no Jornal “Público”. Alguns cronistas têm tanta necessidade de ser do “contra” e de marcar a sua alegada independência do (alegado) pensamento único, que por vezes perdem alguma noção da realidade…

    Parece que a cronista não se recorda que os espectadores podem sair a meio do espectáculo, vaiar no final (em vez de aplaudir), comentar e criticar nos jornais, blogs, etc..

    Mas existe algo mais importante que se chama respeito e educação: não só pelos actores (que estão a desempenhar a sua actividade profissional), mas também pelos OUTROS espectadores. Ou será que estes têm obrigação de levar com a má disposição dos outros?

    É por estas e por outras que em muitas salas de cinema é quase impossível ver um filme sem toques de telemóveis, conversas mais ou menos disparatadas a meio do filme, risinhos histéricos que se sucedem, etc.. A obrigação de levar com o ruído começa a tornar-se insuportável…

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  47. 47 47  João Cerqueira

    Senhor João

    O final do seu comentário alerta para a total falta de educação e civismo de uma parte considerável dos frequentadores de cinemas e até teatros.
    Gente sem princípios nem respeito pelos outros que atende chamadas de telemóvel durante os filmes e comenta as cenas em voz alta.
    E ai de quem lhes pedir silêncio!
    Mas como a maioria são jovens (embora também deva haver alguns idosos malcriados no meio da turba) o comportamento é aceite como algo inevitável e ninguém parece interessado em punir semelhante desrespeito pelos outros (que pagaram um bilhete nada barato).
    Ser advertido pelo funcionário ou posto fora da sala caso continue a perturbar o espectáculo está fora de questão.

    É um atentado aos direitos do cidadão, uma forma de autoritarismo fascista incompatível com uma sociedade democrática e, sobretudo, um acto de lesa-majestade contra a livre expressão dos jovens.
    Porque se os jovens se comportam assim, é apenas uma nova forma de relacionamento social e com a cultura que os velhos do Restelo não compreendem. Por outro lado, o civismo é um conceito elástico que pode muito bem englobar um toque de telemóvel durante um filme, ou a meio de um concerto de piano. E quem não percebe isto, não percebe a mudança dos tempos. Afinal, os pianistas sempre foram grandes reaccionários.
    Eu, como também não percebo, comprei um DVD.

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