Pedi ao meu amigo José Manuel Pureza, professor na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e especialista em Relações Internacionais (podem ver o currículo aqui), para escrever um pequeno texto para o Arrastão sobre a crise alimentar no Mundo. E ele simpaticamente assim o fez. Aqui fica:

Pois, os chineses e os indianos mudaram a sua dieta alimentar. Mas isso não é uma boa notícia? E depois há as colheitas catastróficas, resultado das alterações climáticas. E isto é dito como se as ditas alterações do clima fossem culpa do clima, ele próprio. Não, que hoje regressem as sublevações da fome no Egipto, no México, na Índia, em Moçambique ou no Haiti não é obra do divino espírito santo; que mais de 30 países estejam à beira do colapso alimentar não é um “desastre natural”. E muito menos uma realidade inexplicável.
Veja-se o caso do Haiti. Há 20 anos era um país auto-suficiente em arroz, a preços razoáveis. Em 1995, o FMI impôs um plano de liberalização económica, com desarmamento alfandegário drástico. O mercado haitiano foi invadido por arroz proveniente dos Estados Unidos e altamente subsidiado. Resultado: hoje o Haiti importa 80% do arroz que consome e ao dobro do preço anterior.
Este é, por isso, um tempo para aprender lições e não as esquecer.
A primeira é que sempre esteve errado o credo desenvolvimentista assente na destruição da pequena e média agricultura de subsistência e na sua substituição pela produção intensiva para exportação. O dogma do comércio livre que, na prática, funciona como liberalização unilateral a adoptar pelos mais pobres e exportação em massa dos excedentes subsidiados pelos mais ricos só ajudou a pôr essa falência em evidência, se necessário era.
A segunda lição é que, de facto, o capitalismo não tem fronteiras. Só que, desta vez, as fronteiras que desapareceram foram as da decência mínima: se for preciso condenar milhões à fome para obter ganhos na bolsa, não há que hesitar. Sobretudo se esses ganhos forem suficientemente tentadores para o capital financeiro poder compensar as perdas do subprime.
Terceira lição: é claro que a fome exige medidas de urgência. Quando o Presidente do Banco Mundial avisa que os preços dos produtos agrícolas vão continuar a subir durante os próximos 7 anos, ele sabe que não será nunca em menos do que isso que se corrigirão as causas profundas da dinâmica galopante da vulnerabilidade alimentar no mundo, sobretudo no mundo pobre.
Mas atenção às armadilhas: foi sempre em nome da urgência – e da salvação dos pobres, pois claro – que se decretaram os choques liberalizadores, a extinção das agriculturas tradicionais e outras modernizações civilizadoras. Como é alegadamente em nome da urgência – e da salvação do planeta, pois claro – que Sócrates quer ser o campeão europeu da incorporação de bio-combustíveis nos transportes, mesmo que à custa do incentivo perverso dado – prometeu ele – a Angola e a Moçambique para serem os nossos fornecedores.
Se algo de positivo há nesta ameaça de catástrofe é ela forçar-nos a repensarmos a pequena e média agricultura como uma prioridade e não como um anacronismo. Talvez esteja na altura de percebermos que a luta pela preservação das hortas no centro das nossas cidades e a luta contra a liberalização mundial do comércio dos produtos agrícolas nos termos em que a quer a OMC não são lutas simétricas mas gémeas.
José Manuel Pureza
Publicado por Daniel Oliveira 10 de Maio de 2008 em Globalização, Sem categoria35 respostas to “Outra vez as vítimas da fome”
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Vi na TV que a Cisco vai criar em Portugal, menos de uma centena de empregos. Será que essas pessoas não terão problemas com a aquisição de produtos alimentares, ou serão os mesmos criados pelos sofisticadas tecnologias da Cisco, convem aqui recordar o que se passou no Brasil. Serão os nossos engenheiros tão incapazes que necessitem de tal ajuda, parece-me que é mais um episódio do Cisco Kid:
CISCO
lá vem o Cisco Kid
que é o maior a sacar
a fazer limpeza Tide
mais um a ludibriar!?
-
vens pagar por conta
e ensinar tecnologias
como baio se monta
O ensinas todos dias!?
-
vais a todas escolas
e eles sabem montar
as crianças são tolas
que lhes vais ensinar?
-
tu vais fazer parceria
a parceria com a PT
e sacarás todo o dia
nossos euros, porquê?
-
Vai lá para o Iraque
Cisco usa a pistola
que aqui há ataque
ao pessoal da bola!?
-
usa lá o teu tambor
com as balas a mais
faz qu’um agricultor
só produza cereais!
-
Vai lá p’ra a Rodésia
onde sofre camponês
leva o baio à falésia
mostra aquilo qu’és!
-
À Madeira do Jardim
mostra tua tecnologia
que tu lá verás enfim
como ele te desafia!
-
engenheiro deste País
do Portugal sem rumo
abate-me esse infeliz
com ataque de fumo!
-
tens tanto aonde ir
vai mas é para Irão
ajuda-o a conseguir
matar a população!
-
Cisco não tem igual
mata todo o fulano
o pobre de Portugal
quer tornar humano!?
-
Cisco usa a garupa
o baio, tua montada
bale nele, upa, upa
aqui não fazes nada!
-
Toda gente t’aplaude
Ó Cisco és tão gentil
vai fazer nova fraude
vai Cisco pró Brasil!
-
Pisco
-Eu só gostaria que me explicassem onde existe liberalização. Na Europa da PAC? Na subsidiada agricultura do midwest? Agora o neo-liberalismo é subsidiar políticas? Há por aqui muita confusão com os “ismos”.
Mas,isto,foi o q ele ontem disse na crónica matinal da Antena 2 e muito bem!
Para aprofundar vejam o resistir.info ou odiario.info que se podem documentar profusamente.
A proósito,os vermes do mercado, ainda não vieram vomitar o seu pútrido fel de que o q é preciso é mais liberalização e a retórica dos criminosos de que não há almoços grátis…
Como ganhar dinheiro à pala da fome.Eis aqui a superioridade moral do capitalismo.
Parabéns, Daniel Oliveira, por teres conseguido e teres postado este excelente artigo do José Manuel Pureza (não conhecia, mas vou pesquisar).
E este artigo dá muito que pensar. A fome, por enquanto, atinge os mais desprotegidos de todo o mundo mas, estou em crer, não tardará a bater à porta de muita boa gente que pensava que ela, a fome, era uma coisa de tempos passados…
Soluções para este desastre - mais um - da humanidade, não as vejo no horizonte. Mas estou certo de que não virão nem do Banco Mundial, nem do FMI ou da OMC. Afinal, foram estas organizações que, a soldo dos países mais ricos, a verdadeiramente criaram…
Se calhar Wallerstein tem mesmo razão. Se calhar as relações de comércio e as efectivas condições desfavoráveis de trocas, entre as regiões mais pobres, produtoras de materias-primas básicas provenientes do sector primário com baixo valor acrescentado, e as regiões mais ricas, exportadoras de mercadorias com alto valor acrescentado, geram mesmo um circulo vicioso de pobreza que os países periféricas muito dificilmente conseguem escapar. E neste sistema mundial dominado pelas grandes unidades económicas o jogo de forças no mercado tende mesmo a aumentar, ao invés de diminuir, as desigualdades entre regiões. Até pode ser que seja assim. Mas cuidado: o capitalismo também tem coisas muito boas.
Se calhar o problema da escassez de alimentos - se é que não será antes uma má distribuição de alimentos - não devia servir para uma campanha anti-globalização, mas antes para uma campanha pró-globalização. Não falo desta globalização imposta pelas grandes companhias sedentas de mercado, mas uma globalização de uma ONU de pulso forte que não hesite mesmo em actuar contra governos e companhias. É ver o caso da antiga Birmânia, o escândalo que é Angola, etc. Se por um lado os países têm direito a explorar os seus recursos, por outro é dificil perceber que direito esses mesmos países/estados têm em delapidar esses mesmos recursos: o desmtamento/destruição da floresta Amazónica não será antes de tudo uma causa global? A fome a que algumas populações africanas estão sujeitas, não justificaria já a deposição de governos? Zimbawe, Angola…
Finalmente, nos bio-combustíveis, o senhor primeiro-ministro limitou-se a fazer o papel do aluno cábula que olha para um resumo da matéria, mete umas palavritas e tenta brilhar. Já desde o final do ano passado que existem dados - e não apenas na posse de meia-dúzia de académicos - a explicarem que, para lá dos problemas da alimentação e especulação, a energia envolvida na produção dos bio-combustiveis excede os ganhos finais. Os bio-combustíveis liquídos assim como o bio-gás só fazem sentido quando em pequenas aplicações, localizadas e dentro do espírito de reciclagem de subprodutos. O caso da junta da Ericeira - http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1328274&idCanal=59 - é um bom exemplo de como os biocombustíveis podem funcionar e também de como o estado procurar sempre obter dinheiro a qualquer custo
Não tem nada a ver com o artigo do José Manuel Pureza. Caso interesse para abrir um debate.
Olá, irmão Castro.
Como sabes, as coisas mais importantes no Iraque são a segurança e a electricidade. As temperaturas já são superiores a 40 graus e temos que ficar doze horas por dia sem água fresca por não ter electricidade. Para além de tudo isto, não podemos sair de casa depois das sete ou oito da noite.
A minha “nova” casa é muito próxima da rua principal, pelo que se torna ainda mais perigoso. Na semana passada, fizeram rebentar uma carga explosiva a apenas vinte metros da minha porta. A resistência visou uma patrulha do exército iraquiano, matando dois dos oficiais que iam a passar.
Sabes,
gostaria de contar ao mundo o crime da Administração Bush. O Presidente americano disse que antes de 2003 o Iraque era muito perigoso. Vivíamos em Paz, mas diziam que Saddam tinha armas de destruição maciça. Como depois não encontraram as tais armas, então acusaram Saddam de ser um ditador, justificando assim a invasão e o derrube do regime.
Bush, Pentágono e CIA cometeram erros, é verdade, mas agora, quem paga por eles?
Destruíram o Iraque e já não o conseguem reconstruir. Um milhão de mortos em cinco anos! Quem será responsabilizado por estes crimes? Eu sei a resposta: ninguém! Esse milhão não é importante para os americanos. E não falta quem esteja ansioso por destruir o que resta do meu país.
Muitos dos líderes árabes do terceiro mundo são ditadores. Imagina que os americanos os depunham a todos… teriam que destruir meio mundo!
A verdade não pode ser escondida: os americanos “cavaram” um grande crime no Iraque e agora não o conseguem tapar.
Querido Castro,
estou destroçado!
Sinto-me muito triste e desgostoso com o que vejo acontecer ao meu povo.
Sou Sunita, mas todos os iraquianos são meus irmãos.
Não posso tolerar o que está a acontecer no meu país.
Estou farto de fugir.
Envia um grande abraço a todos os teus amigos do blogue, em especial aos que têm partilhado a minha dor. E se alguém tiver forma de me ajudar a sair do Iraque e a arranjar um país onde os meus filhos possam crescer em paz, por favor não se esqueçam de mim.
Preciso de todas as ajudas possíveis!!!
Bassim Schuaip
مرسلة بواسطة bassimفي
Mensagem transcrita do blog Cheiro a Pólvora, do jornalista Luís Castro.
Parabéns ao Daniel pela escolha do autor convidado e parabéns ao José Manuel Pureza pela texto lúcido e racional que não segue a escola liberal dogmática presente nos economistas de agora, principalmente nos provenientes de Chicago (onde Milton Friedman, por influência de Hayek, exerceu uma grande influência).
Muitos outros casos poderiam ser ditos de influências dúbias do FMI. Quando os EUA deram apoio ao México foi precisamente nas mesmas condições que o fez quando deu ao Thaiti — a abertura do mercado Mexicano, que foi rapidamente engolido pelas evoluídas quintas americanas subsidiadas e muito keynesianistas…
No entanto, não acredito que o futuro seja o sobre-proteccionismo ou o sobre-intervencionismo. Um Estado pesado tem tido consequências bastante negativas, como aliás se pode constatar em países como a China, Cuba, entre outros.
O futuro é perceber quando as propostas de liberalismo económico são apenas para menter a hegemonia de determinados países ou não. Uma faca pode ser usada para muita coisa, depende de quem a ergue decidir. O liberalismo económico é precisamente igual.
Parabéns pelo texto.
Concordo em absoluto com o comentário do José Pureza. Mas os biocombustíveis ainda vão fazer o planeta bater muito mais fundo!
A “dieta alimentar de chineses e indianos”? Duvido. As “colheitas catastróficas, resultado das alterações climáticas”? Não me parece. A imposição de um “plano de liberalização económica” por parte do FMI? Não creio. A “destruição da pequena e média agricultura de subsistência”? Frio, muito frio. “O dogma do comércio livre”? Que ideia! A tentativa, por parte do “capital financeiro”, de “compensar as perdas do subprime”? Nem pensar.
Eu acho que a culpa é toda de o “Sócrates querer ser o campeão europeu da incorporação de bio-combustíveis nos transportes”, só pode ser.
Portanto, se quisermos, de facto, pôr termo à ameaça da fome no mundo, não é com “lutas pela preservação das hortas no centro das nossas cidades” nem com “lutas contra a liberalização mundial do comércio dos produtos agrícolas nos termos em que a quer a OMC” que vamos lá. O que é preciso mesmo é votar contra o Sócrates no próximo ano.
(Acabara eu de ler o artigo de Boaventura de Sousa Santos transcrito no “Esquerda Net” e perguntava-me perplexo: “Como pode este gajo falar de fome no mundo sem falar do Sócrates?”. Felizmente, há o Arrastão.
E já agora: eu tenho uma teoria sobre a origem do ciclone Nargis, que devastou Mianmar; mete o Sócrates e o bater das asas de uma traça que havia num armário em casa dele. Quer que eu escreva um post para o Arrastão?)
Parece-me que José Manuel Pureza, tem toda a razão.
Embora não preceba nada de economia,(e de achar que as hortas dentro na cidade não chegam)parece que o regresso à agricultura é a única forma de sair desta. Mas uma agricultura moderna e rentával, mesmo que tenhamos de comer OGMs. Temos que acabar com o luxo de “plantar” campos de golf em terrenos aráveis. E fazer piscinas onde não há água.
Para mim foi tudo culpa do diabo da “Orópa”, que nos mandou deixar campos ao abnadono (set aside), proibiu-nos de pescar, mandou-nos arrancar vinhas e, ultimamante ainda quer transformar cereais em combustíveis.
Mas há também um enorme egoísmo do “mundo rico” (e mesmo do remediado). Consome-se uma enorme quantidade de bens completamente dispensáveis. O luxo dos ricos é a miséria dos pobres, e isso desde que o mundo é mundo.
Além disso, globalização produziu uma nova forma de colonialismo. Ainda havemos de passar de colonizadores a colonizados. É bem feita !
Há de certeza mais mais a dizer sobre isto. Mas, por agora … chega.
Acabei de encontrar isto no blogue commonsense:
“especulação com alimentos
Muita gente se interroga sobre quem é que anda a especular com géneros alimentícios, conduzindo a esta crise alimentar.
A resposta é simples: são os mesmos especuladores que especulam nos mercados financeiros.
Antigamente, especulavam com divisas e títulos. Depois começaram a fugir do USDollar, pela evidência do seu colapso. Desataram então a compar Euros, mas pararam de o fazer porque acham que já está caro, acima do seu valor real.
Trata-se de um fenómeno conhecido por “fuga perante a moeda”. Quando o mercado interioriza que as moedas estão altas demais, foge delas e compra bens tangíveis, antigamente quase sempre o ouro ou outros metais preciosos.
Mas a última invenção do Yupies especuladores foram as “commodities” e, dentro delas, os bens alimentares. Começaram com o café. Depois foram os cereais. São bens dos quais se não pode prescindir e cuja procura nunca baixa mais do que um certo limite. Abaixo desse limite é a fome.
A origem deste fenómeno está nos gigantescos défices americanos: o Governo americano não paga as suas dívidas, nem no interior nem no estrangeiro, e emite “papel”. Para além de um certo volume, esta prática acarretou o colapso do Dollar.
Tudo isto agravado com as astronómicas transferências de riqueza da Europa e da América para a China e a Índia em consequência das deslocalizações induzidas pela globalização. As quantias fantásticas que estão a ser acumuladas na China, na Índia, no Dubai, etc. saíram de algum lado e não podem deixar de fazer falta nas economias donde vieram.
A crise das “sub-prime” é um consequência directa da falência de milhares de famílias americanas da classe média, lançadas no desemprego pelas deslocalizações, que não conseguem pagar as hipotecas das suas casas, conduzindo também à falência de quem lhes emprestou o dinheiro. Basta olhar para as perdas escondidas de tantos Bancos. Pouco se fala disto, mas é verdade. A América está em falência. Barroso teria dito: “de tanga”.
Mas, no centro de tudo isto está também uma seita de especuladores sem escrúpulos que se enriquecem à custa da fome alheia.
É preciso repensar e pôr termo a estes processos, mas é preciso também compreender que os tão louvados benefícios da globalizção só serviram para enriquecer ainda mais os que já eram muito ricos e está a empobrecer escandalosamente os que já eram muito pobres.
A “mão invisível” do hiper-liberalismo tem coisas destas… mas a globalização também tem culpas no cartório.”
http://commonsense.blogs.sapo.pt/
Mas há problemas de fome no mundo e em Portugal??Não sabia de nada e parece que grande parte dos portugueses também não sabem ou não lhes interessa.De facto o que nos preocupa enquanto povo é que o Boavista desça de divisão e Pinto da Costa seja castigado, o resto é tretas.
As gerações dos 30’s irá ser a primeira a pagar a factura dos capitalismos/socialismos/fascismos/comunismos e outras propagandas das últimas décadas. A factura do crescimento galopante da qualidade de vida e poder económico dos nossas avós e pais.
Pois é. Deram-nos a vida. Corrupta, proibitiva, societária, e o sonho intangível de querer utopias.
Paga e não bufa…
Sobre o texto de José Manuel Pureza, uma maravilha, o tema…
Falar da fome em termos globais seria uma leviandade da minha parte, mas…
O que vou dizer se calhar não tem nada a ver com a fome, mas mesmo assim vou arriscar.
- Li por ai que Blair tinha comprado mais uma mansão das 3 ou quatro que dispõe.
Blair que sendo um dos grandes protagonista da politica recente dispensa apresentações.
- Li ainda por ai que o banco alimentar contra a fome, angariou na ordem de 1.702 toneladas de alimentos, o que equivale 1.702.000 Kg.
Se cada Kg custou +/- 60 cêntimos, temos, contas redondas 1 milhão de euros de produtos angariados maioritariamente adquiridos nos grande colossos de distribuição.
Eu que já fui atrasado como sempre, encontrei produtos como o arroz esgotado e tive de me limitar a dar um pacote de sal e outro de açúcar.
Se no 1º exemplo não consigo perceber como é que se compra tanta coisa com um ordenado de 1º Minister, menos percebo como é que os Blairs são eleitos para melhorarem as condições de vida das populações e depois acabam por as encher de fome.
O segundo exemplo nem sei bem como lhe hei-de pegar.
- Será que o pacote de sal que dei, não foi previamente inflacionado???
- Porque não criaram as grandes superfícies, uma linha branca de produtos mais baratos para este fim???
- Facturar 1 milhão de euros á pala da fome, não se torna um bocado…sei lá, enriquecer á sombra de moribundos???
Só mais esta, que se calhar não tem nada a ver com fome…ou terá???
Foi discutida esta semana na Assembleia da Republica uma moção de censura ao governo, mas nem se deu por isso, até porque…Foi rectificado pelo Presidente o Tratado de Lisboa que no entanto foi abafado pela suspensão a Pinto da Costa e á descida do Boavista.
Já agora mais uma que não tem nada a ver com fome…como é que a Liga sendo representantes dos Clubes e, só age de acordo com o que os seus associados decidem, sanciona da forma como o fez???? E a Federação Portuguesa de Futebol, não tem nada a ver como a fome, já que estamos a falar em fome????
Fome???
O Doutor Pureza que não faço a mínima ideia de quem seja escreve bem.
Penso é que nunca esteve em Moçambique, se não saberia que em 1974 AD25 não havia fome em sítio nenhum.
Quando ela apertava davam um pontapé numa mangueira, e já está!
Fado, se não sabe quem é siga o link. É fácil
Fado Alexandrino,
Que saudades do antes do 25 de Abril!
Foi o Samora Machel que lhe deu um pontapé no traseiro e o reenviou para os comunas do PREC?
Estive em Moçambique depois do 25 de Abril, vi muitos problemas de vários tipo, nomeadamente de carências alimentares, mas vá perguntar-lhes a eles (aos moçambicanos) o que é que preferem, se o colonialismo ou a dignidade. Vai ver que volta a levar outro pontapé no traseiro…
Seguir o link, mas para quê?
É um excelente texto marxista e já se sabe o que é que o marxismo fez aos cereais nos países onde se cultivaram ambos.
Prefiro muito mais acompanhar o raciocínio do senhor Bolota e da conversão curiosa que ele faz de peso em euros e da suspeição muito bem fundamentada de que num espaço temporal muito pequeno o preço do sal é inflacionado.
Aliás nem percebo porque é que se dá sal nestas campanhas que se sabe que só faz mal à saúde (porventura é por isso mesmo).
Quanto ao Doutor Pureza o que eu gostava é que me explicasse como é que o Zimbabwe que exportava cereais agora deixa morrer à fome os seus naturais.
Presumo que a culpa é do Bush.
João Gomes como sabe isso? Referendou o povo Moçambicano àcerca da independência ou se queriam continuar portugueses foi?
Maria da Fonte, sabe que houve eleições em Moçambique? Sabe quem ganhou, não sabe? Conhece alguém em Moçambique que defenda o regresso de Moçambique a colónia portuguesa?
“Presumo que a culpa é do Bush. “
Oi fado,
Acertou em cheio.
Aqui vai mais um raciocínio á Bolota.
Bush Iraque.
Iraque pitroli
Pitroli preço
Preço fomeca
Fomeca Bush.
Sem contar com a mãozinha do Engenheiro, claro
Quanto ao sal acho que não lhe respondo.
Já agora como grande patriota…e defensor dos descamisados o que colocou no carrinho para colmatar os erros do Bush???
Gostei particularmente do que conta, que em Moçambique em 1974 AD25 se alimentar a pontapé. Gosti.
Sabe que mais??? Se por um lado os Chineses e os Indianos exploram os seus povos e, é verdade. Agora são os mesmos que são acusados de terem melhorado as condições ao povo…dai a falta de alimentos no mundo, logo fomeca.
Bush??? Qual Bush, qual moenga
Um abraço
Maria da fonte,
Nessa sua lógica referendária por que não foi também referendado o 25 de Abril, não é?
Tenha alguma paciência, o povo moçambicano sabe bem o que quer e o que não quer. E sabe conviver muito bem com os muitos milhares de portugueses que por lá ficaram…
Tudo isso é muito bonito, mas o facto e que o nivel de pobreza extrema diminuiu cerca de 30% desde que o mundo se abriu ao capitalismo(ultimos 25 anos). O simples facto de que na China o arroz chegue a quase todas as casas faz muita difrença… Se a crise atingir essas grande dimensoes, voltaremos a falar.
João Gomes
Por favor não me fale no enfermeiro Samora Machel.
Era um excelente homem e eu aprecio muito poder usar este tempo de verbo.
Nunca me deu nenhum pontapé no traseiro porque sinceramente ou ele iria ter uma perna do tamanho da Torre dos Clérigos ou não vejo nenhuma possibilidade.
Coloquei sempre uma distância de segurança em relação a certo tipo de pessoas.
O senhor esteve em Moçambique, eu vivi lá uma boa quantidade de anos, embora lhe pareça estranho isso faz uma certa diferença.
O senhor fala no povo moçambicano mas essa entidade por muito que lhe custe entender não existe.
Em Moçambique mais de metade da população indígena, representado por pelo menos seis etnias, não conhece nada mais do que o poder local representado pelo soba ou equivalente, aliás tenho a maior das dúvidas que alguém saiba quantos moçambicanos há.
É claro que se lhes perguntarmos, aqueles que sabem português para além das várias línguas que por lá se falam, se querem voltar a ser colonizados, dirão não.
Se lhes perguntarem se querem ter menos fome, mais saúde, voltando aos tempos antigos, sei lá o que diriam.
Um pacote de Nestum, em vez da tradicional cenoura, faz milagres.
Em sua homenagem, (e por não saber usar linguagem carroceira), e ao post escrevi isto ouvindo uma parte da Sexta Sinfonia, A Pastoral que foi usado no filme “Soylent Green”.
O saber não ocupa lugar.
Infelizmente o principio do fim deste mundo…pela primeira vez estou a pensar não ter filhos…
Não haverá planeta para eles e eu não quero trazer ao mundo vidas condenadas…
A solução é apenas a revolução e contra ataque em larga escala aos ditadores mundiais…
Caro Daniel, sei que não houve nenhumas eleições que legitimassem a Frelimo a ser levada como parceiro de negociações de Lusaca. E sei também que essa mesmo Frelimo era um movimento confinado a uma região, sem qualquer representação nacional.
Essa mesma falta de legitimidade aplica-se a quem negociou os acordos de lusaca pelo lado português. Só se pode falar em legitimidade democratica depois das eleições de 1975.
Esse processo foi sim um golpe vergonhoso de passagem de soberania levada a cabo por comunistas a soldo soviético, sob a capa da democracia, da liberdade e da descolonização
Fado Alexandrino,
Longe de mim a intenção de questionar o seu saber e gosto por Beethoven.
O que questiono é a sua presunção do que, de facto, os moçambicanos mais valorizam ou valorizaram. E aí, estou como o Daniel Oliveira, eles já votaram algumas vezes e demonstraram que não são nenhuns cepos, antes pelo contrário…
Sobas, há-os em todos os continentes, Europa incluída, e não me parece que os de Moçambique sejam mais poderosos do que, por exemplo, os de Portugal. Que em todo o lado influenciam ou tentam influenciar, pois claro que sim!
Sabe que o “pontapé no traseiro” foi utilizado no sentido figurado e não para ofender a sua anatomia. De qualquer modo, devo-lhe um pedido de desculpas que espero que aceite.
“Só se pode falar em legitimidade democratica depois das eleições de 1975.”
Maria da Fonte,
Nem isso. As eleições de 75, livres e democráticas, foram para a Constituinte. Bem custou a que se realizassem, O MFA e o PC tentaram impedi-las a todo o custo. Não foram respeitadas(cerco da Assembleia, boicote ao 1º de Maio, etc.)
Só pode falar-se em democracia depois das Legistativas de 76. E, mesmo assim, foi-nos imposto o Pacto MFA-Partidos, pelo qual tivemos de nos submeter, durante 10 anos a um Conselho da Revolução. (Será democrática, uma “democracia tulelada” pela tropa ? )
O PC só amansou depois do 25 de Novembro. E isto porque já tinha feito o seu T.P.C.: oferecer as nossas colónias à URSS.(já que não coneguiu oferecer-lhe Portugal).
Nada foi democrático na Descolonização.
O mercado haitiano foi invadido por arroz proveniente dos Estados Unidos e altamente subsidiado.
SUBSIDIADO. O LIBERALISMO É A FAVOR DOS SUBSIDIOS. ESTÁ TUDO EXPLICADO. OS CAPITALISTAS SAO OS MAUZOES.
Atrasados mentais. Metam o socialismo no cu.
Toni, claro que o liberalismo, aquele que realmente existe, acredita nos subsídios. Ou julgava que o mercado livre era para todos? Ou julgava que o purismo ideológico era mais forte do que os interesses? O mais forte impõe as regras e garante que as regras não se lhe aplicam. É assim a vida. Porque acha que seria diferente nos mercados internacionais?
O mais comovente nos nossos vendedores da boa nova é a sua própria ingenuidade.
do que eu me lembro nestas situaçoes é quando ha muito boa gente canhota que quando confrontados com os fracassos socialistas russos, sul americanos e coiso, argumentam que aquilo nao é comunismo, nao é socialismo, sao distorçoes e manipulaçoes do que é realmente o comunismo puro bla bla bla.
uma pessoa pode ser a favor da reduçao de impostos e ao mesmo tempo do subsidio à agricultura nacional, isso nao faz dessa pessoa um liberal.
pode ter enfim visoes liberais em certos aspectos e visoes menos liberais noutros, rotular isso de “liberalismo que existe” é redutor e enganador.
LIBERALISMO na sua vastidao conceptual nao existe hoje em dia. em qualquer parte do mundo.
existem pinceladas na irlanda, em hong kong, em singapura, nos estados unidos, no luxemburgo. com os resultados conhecidos.
nao sao coincidencias.
agora associar os subsidios à agricultura com o liberalismo por conveniencia é demagogico e falacioso.
mais um apontamento: nao existem mercados realmente livres. a intervençao estatal no comercio está demasiado difundida.