Medeiros Ferreira lamenta que Portugal continue obcecado com os títulos nobiliárquicos, dantes «duques e marquezes, depois conselheiros, agora doutores e engenheiros». Tem toda a razão e quem lho diz é alguém que deixou o curso por acabar e é a todos os níveis um plebeu sem direito a qualquer título, herdado ou adquirido. Por razões práticas, até me dava jeito arrecadar o canudo num aninho, sem grande esforço. Mas não posso. E acho muito bem que não possa porque há uns quantos a esfalfarem-se para o fazer.

Não sei se há ou não há qualquer irregularidade no diploma de José Sócrates. Talvez não haja e a investigação do “Público” não prova grande coisa. Mas, ao contrário do que se depreende do post de Medeiros Ferreira, é apenas o rigor processual que se exige à generalidade das pessoas que acabam os cursos superiores que está a ser investigado. O debate, a haver debate, não é sobre a importância de ter um titulo. Que, na actividade política, é nenhuma. Para atestar a legitimidade de um político exige-se apenas que tenha ultrapassado satisfatoriamente uma prova: a dos votos. Seja doutor, arquitecto, engenheiro ou (coisa mais rara) apenas um senhor ou uma senhora.


Sem respostas ao post “Para lá dos duques e engenheiros”  

  1. 1 1  Nuno Gouveia

    Caro Daniel,

    A questão é mesmo essa.

  2. 2 2  Gonçalo

    Essa é , acima de tudo, uma questão cultural e que já tem séculos, independentemente de haver quem marimbe (e bem) nos títulos académicos. No entanto, esse desejo de prestígio conferido por títulos abrange quem os tem e também quem gostaria de os ter (como os tipos tratados por dr. e que não têm a licenciatura). No passado, isso também acontecia, já que não são raros os casos de títulos nobiliárquicos que eram comprados ou dados por troca de favores.

    Só por curiosidade (e só responde se quiser): em que curso é que o Daniel andou?

  3. 3 3  Daniel Oliveira

    Sociologia, no ISCTE. Ficou demasiada coisa por fazer.

  4. 4 4  Luís Lavoura

    “acho muito bem que não possa porque há uns quantos a esfalfarem-se para o fazer”

    Sim.

    Neste país também há muita gente a esfalfar-se para pagar a renda da casa em que vive, enquanto que outros, mais espertos, exigem à Câmara Municipal da sua área que lhes dê uma casa.

    E não pode ser uma casa qualquer. Tem que ter a dimensão requerida por esses espertos. A cavalo dado olha-se o dente.

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    Luís Lavoura, tu estás a aproximar-te cada vez mais de um populismo digno do CDS, para não dizer muito pior. Fico estarrecido.

  6. 6 6  António P.

    Boa tarde,
    Realmente a questão é mesmo a que o Daniel coloca.
    Se bem que o rigor processual não seja da pessoa mas sim da instituição que emite o cerificado e da pessoa ter possibilidades de verificar se o mesmo está conforme os seus registos o que nem sempre é fácil.
    No entanto não deixa de ser curioso que esta questão, relattiva a Sócrates, já corra no bas fond ” há muito tempo e que surja agora numa investigação jornalística, que pelo o que eu li no próprio “Público”, tenha sido feita em meia dúzia de dias com meia dúzia de telefonemas.
    Quanto ao seu caso Daniel não se preocupe. Como me dizia um colaborador meu :
    ” Um canudo é apenas um certificado de habilitações não é um certificado de inteligência.”

  7. 7 7  Cris

    Sim, de facto são os votos que decidem quem é Primeiro Ministro. Mas espera-se pelo menos que o candidaro seja quem diz ser….

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