
Imagem fanada ao Irmão Lúcia (”Hezbolino Ribeiro”)
Corre aí uma petição contra a trasladação dos restos mortais de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional. Dizem que se trata de um terrorista. Mais patéticos que os Amigos de Olivença, só mesmo os monárquicos militantes.
Vale a pena ver a bibliografia do terrorista aqui.
Por Daniel Oliveira 12 Jun 07 em Sem categoria


Daniel,
Achei este seu comentário de um mau gosto impressionante, principalmente para quem apoia uma lista da qual faz parte um conhecido monárquico militante, Gonçalo Ribeiro Telles, que foi fundador do PPM e dirigente da Causa Real.
Quanto à questão dos restos mortais de Aquilino Ribeiro irem para o panteão, sinceramente isto não me choca. Bem pelo contrário. Mas compreendo e respeito os monárquicos que o critícam.
Cumprimentos,
JG
Curioso, eu também acho de mau gosto para a memória de Aquilino Ribeiro e para a sua família chamar de terrorista ao senhor. Mas gostos não se discutem.
Ribeiro Telles não faz parte da lista.Eu também não Ele e eu somos apenas apoiantes de José Sá Fernandes (ele bem mais importante que eu). E ainda que fizesse, o que une é Lisboa, a sua causa ambientalista e a figura de Sá Fernandes. Não é nem a monarquia nem o resto. Estou seguro que Ribeiro Telles também não se revê em muitas das minhas posições políticas e será livre das as criticar, apesar de ser improvável que se dedique a isso. Não confunda o que não deve ser confundido. Não faltava mais nada que por causa da candidatura de Lisboa eu passasse a achar menos anacrónica a defesa da monarquia ou Ribeiro Telles passasse a defender o que eu defendo. Temo que não tenha percebido a natureza destas eleições.
Ó Daniel,e que tal discutir factualmente o envolvimento de Aquilino no regicidio? A discussão só tem sentido depois deste ponto estar assente, creio.Sem isso, não passa de uma das suas habituais boutades.
Acontece que falar do início do século usando a palavra terrorismo e aplicando-lhe o pensamento político de hoje não é apenas um insulto. É idiota.
Então esqueça a palavra terrorismo. É idiota esta trasladação. Quaklquer dia querem trasladar para lá o Cunhal
Que raio de comparação. Não fazia ideia que a República agora era comparada ao comunismo.
O Gang do Sá
A Câmara de Lisboa gastou 20.880 euros/mês para manter o Gang do Sá, que não tinha nenhum pelouro atribuido. Eram 11 parasitas, dos quais 9 com caracteríscticas de carraças (assessores), uma pulga (secretária) e um carrapato (coordenador de gabinete), com salários entre os 1530 e 2500 euros, ou seja, este patife foi o responsável pelo maior rombo que os cofres da Câmara teve: 20.880 X nº de meses de “trabalho” + os milhões gastos pelo embargo do Túnel do Marquês, que foi considerado ilegal, e que o camarada não foi obrigado a pagar.
E se fosse o Cunhal?independentemente da sua ideologia,não foi o mais corajoso combatente da liberdade,contra o fascismo?cometeu algum crime?Nao foi elogiado pela seu perfil intelectual por gente da esquerda á direita?
Que anticomunistas primários! É a velha insistencia de comparar Cunhal a Salazar.
Ninguém está a comparar a republica com o comunismo. Sendo o Panteão Nacional o local onde são colocados os restos mortais dos portugueses que fizeram mais pela pátria, não me admirava nada que algumas pessoas viessem disparatadamente propor que Álvaro Cunhal lá repousasse eternamente. Já agora, depois de 4 posts sobre este assunto, fiquei ainda sem saber se concorda ou não com a trasladação de Aquilino Ribeiro.
Acho que o Pedro Orleans e o Luís GR já disseram o que havia a dizer, lá nos comentários ao post do AAA: nem os “heróis” de um Estado têm que ser santos envoltos em consenso, nem normalmente o são; por critérios destes, ficava o panteão vazio - o que pensando bem não seria nenhuma tragédia, mas enfim. A petição roça o patético, na minha opiniãozinha. Os monárquicos portugueses precisavam com urgência de arranjar um discurso próprio que não fosse em torno de questões ridículas, mas isso já não é problema meu.
A pobreza dos argumentos é confrangedora…
Aquilino foi ( para mim) o maior escritor português do seculo XX.
Infelizmente sua obra não tem tido nos últimos tempos a divulgação que merece.
É ao grande escritor a quem se prestam as homenagens, e é a sua obra literária, que o leva ao Panteão.
Falar na sua participação no regicidio é um daqueles mitos, como a cantadeira de fado Amalia ir tomar chá com o DITADOR Salazar, ou haver um tunel entre a casa dela e a residência do ditador.
São lendas e como tal devem ser tomadas, é verdade que num dos livros , Aquilo deixa algum nevoeiro, mas isso pode ser mera liberdade literária, ele era republicano e não gostava da monarquia, isso é publico e notorio, quanto ao resto pura especulação.
Mas a dizer, que Ribeiro Teles e já agora Luis Coimbra monarquicos convictos , apoiam a lista de Sá Fernandes isso impediria outros apoiantes da lista de defenderem a transladação de Aquilino, é surrealista.
Há muita coisa que me separa da visão politica do arquitecto paisagista Ribeiro Teles, mas numa coisa estamos irmanados na defesa desta nossa cidade de Lisboa, e no apoio a Sá Fernandes nas eleições para a Camara de Lisboa e só, o resto não é para aqui chamado.
“Acontece que falar do início do século usando a palavra terrorismo e aplicando-lhe o pensamento político de hoje não é apenas um insulto. É idiota.”
É o que a esquerda gosta de fazer. Condenar factos e actos do passado e alguns do passado bem longínquo, à luz do pensamento actual. É de facto idiota.
Quanto ao Aquelino Ribeiro porque carga de água terá ele de ir para o panteão? E porquê ele?
Oh, Daniel
Qual é a admiração pelo facto de os “nossos” inefáveis monárquicos fazerem comentários desta qualidade?
Se eles não fossem assim não eram monárquicos, aqui, hoje.
Aquilino terrorista poderá ser excessivo?
Mas quem armou a mão do Buiça será menos assassino?
Então o Buiça? Não vai para o Panteão?
É sempre o mesmo. Os pobres são os assassinos. Os outros os heróis!
E foi para isto que se fez a república?
Porque é que os Amigos de Olivença são patéticos?
O Governo português podia e devia usar o problema de Olivença quanto mais não fosse para travar alguns apetites exagerados de Espanha.
É, por exemplo, o que a Espanha faz com Gibraltar.
Mas não, agora que somos todos europeus (grrr!) tanto faz, não é?
E, se somos todos europeus porque é que a Espanha não devolve Olivença? Ou o “tanto faz” só funciona num sentido?
Já agora sobre os patéticos, eu que já fui votante no antigo PSR acho que é dificil ser mais patético do que o Bloco de Esquerda que, numa fúria de aceitação arma-se em europeista dando indirectamente apoio ao projecto global mais capitalista de que há memória!
é fácil agora moralizar.
aquilino é um grande escritor.
mas que argumentação existe para defender a monarquia? em nome de quem? não em meu nome!
sobre o buíça… compreendo o seu acto à época e não considero um chefe de estado não eleito melhor ou pior que qualquer outro cidadão!
Sebastião, não discordo. Assim como não discordei quando fizeram o mesmo com a da Amália, que como aqui nos comentários é recordado, teve algumas resistências por quem a acusava (de uma forma um pouco tola) de cumplicidade com o Estado Novo. Aquilino Ribeiro vai para o Panteão como escritor. E não me parece mal.
Mas devo deixar aqui uma ressalva: quem está ou não está no Panteão é coisa que não me tira o sono.
Mais patéticos que os Amigos de Olivença
Qualquer pessoa que se preocupe minimamente com Portugal leva logo com o rótulo de patético. DO, faça um favor a si próprio: se somos tão maus, parta. Lembre-se que quem parte são sempre os melhores…
Concordo com o Daniel Oliveira (alguma vez tinha que ser), não é por Aquilino ir para o Panteão Nacional que vou deixar de dormir. O facto não seria polémico se Aquilino fosse para lá como nosso grande escritor. O que acontece é que querem “deposita-lo” lá nas comemorações do centenário da República, quando o seu papel na implantação do mesmo é polémico.
Ao contrário do que diz o A.Pacheco, a participação de Aquilino no regicídio não é um mito, tanto que para não ir a julgamento, exilou-se em França, só voltando com um perdão governamental.
A democracia exerce-se com o respeito por TODOS os portugueses, patéticos ou não.
Cumprimentos
JV, Olivença é em Espanha e não consta que queira ser noutro país. Logo, quem se preocupa com Olivença preocupa-se com Espanha, não com Portugal. Eu preocupo-me com Portugal, quanto mais não seja porque é aqui que vivo e que tenciono continuar a viver. Por isso, sei que há assuntos um pouco mais importantes para o país do que disputas ridículas e anacrónicas de fronteiras.
O quê? O Aquilino quis assassinar o D. Carlos? Queime-se já a sua obra!
José Mexia, há muito nevoeiro á volta desse periodo da juventude de Aquilino.
Verdade ….mentira…a justiça nunca lavrou uma sentença em forma, e se ele se exilou em França foi porque após o regicidio, muitos portugueses anti-monarquicos ,foram associados ao regicidio, e temeram pela pele.
È verdade que Aquilino manteve sempre uma aura de mistério sobre esse periodo, é possivel que até tenha tido algum conhecimento sobre o que se tramava, quem sabe….
Quem poderia testemunhar já cá não está, o que existe escrito ou é muito vago, ou faccioso, por isso…
Já agora o que se tramava nesse dia no Terreiro do Paço era o assassinato do João Franco, que tempo antes tinha conseguido que Carlos de Bragança lhe assinassse um decreto, que mandava para o degredo em Africa ,muitos republicanos ,e elementos que ele considerava perigosos, anarquistas ou simples operários que tinham participado em greves.
Era a morte do primeiro-ministro, que Buiça e Costa ,tentavam levar a cabo.
Só que João Franco deve ter sabido da tramoia e não esteve no local a receber Carlos de Bragança e a Familia, e foi esta que acabou por pagar por tabela.
As palavras de Maria Pia de Saboia e de Amelia de Orleans são claras , sobre a responsabilidade que assacaram a João Franco .
Claramente acusaram-no e á sua politica cega de terem conduzido ao assassinato do rei.
Mas isto são águas passadas.
Leiam a Casa Grande de Romarigães.
Andam Faunos pelo Bosque.
O Malhadinhas.
Quandos os lobos uivam
Ou a tradução exemplar de Xenofonte
Da retirada dos dez mil
E reconheçam o GRANDE ESCRITOR que AQUILINO RIBEIRO É
Daniel,
Tem razão quando diz que Gonçalo Ribeiro Telles é apoiante e não candidato. Mas não deixa de o chamar “patético”, porque ele é e sempre foi um grande monárquico militante. Como é óbvio tem o direito de critícar as suas posições, como ele também tem o direito de críticar as do Daniel. A questão aqui é como se dirige aos monárquicos, chamando-os de patetas. Exemplo igual é a dos “amigos de Olivença”, que como sabe e bem, já fez campanhas com apoiantes da causa, como o Carlos Luna que é Presidente do Comité Olivença Portuguesa.
João Gomes, não fazia ideia que Ribeiro Telles tinha assinado esta petição. E nem me lembro da última vez que ele falou da monarquia. A causa de que ele é militante e que me junta a ele é a causa de Lisboa e do ambiente. Acho que a militância monárquica em Portugal é patética porque não corresponde a nenhuma necessidade real do país. Ainda assim, eu não disse que os monáarquicos eram patéticos. Falei de militância.
Daniel oliveira e que devia ir a guntanamo e ficar por la
de livre vontade
Se o republicano Aquilino é terrorista, o que dizer de Afonso de Albuquerque e outros heróis monárquicos? Ah, mas esse chacinava em nome do rei…
a.pacheco, a intenção era matar joão franco??? mas você nunca passou da lombada de um livro de história??? matar o rei equivale a matar a instituição monarquia, o rei pode nomear um joão franco mas um joão franco não faz um rei, se os terroristas queriam fazer tiro ao alvo podiam-no fazer aos pássaros.
E o franco vinha três ou quatro carros atrás e recebeu a família real quando esta desembarcou.
JV, Olivença é em Espanha e não consta que queira ser noutro país.
Não, Olivença é território português sob domínio espanhol. Espanha reconheceu que aquela região nos pertence pelo Tratado de Viena: simplesmente, não devolveu. Faltou à palavra dada.
Logo, quem se preocupa com Olivença preocupa-se com Espanha, não com Portugal.
Não: quem se preocupa com Olivença preocupa-se com o cumprimento de um tratado internacional que por não ser cumprido por parte de Espanha Portugal tem sido prejudicado.
Eu preocupo-me com Portugal, quanto mais não seja porque é aqui que vivo e que tenciono continuar a viver. Por isso, sei que há assuntos um pouco mais importantes para o país do que disputas ridículas e anacrónicas de fronteiras.
Como pode alguém estar de facto preocupado com Portugal e achar ridículo que haja quem se insurja contra o facto de uma parte do seu território estar sob ocupação estrangeira?????
Quanto a anacronismo, não percebo porquê: as fronteiras entre o País Basco e Castela foram destruídas há séculos infindos. Quererá o DO dizer que a luta pela Independência dos bascos é um anacronismo?
Então assim todos os nossos reis, que se fartaram de matar não merecem que sejam honrados!
Esses monárquicos precisam de ganhar juizo e adaptarem-se aos novos tempos…querem monarquia mudem-se para Espanha!!!
JV, e já pensou se o pessoal que vive em Olivença quer ser português? deixe-os lá em paz e siga para a frente. O que lá vai lá vai.
JV, e já pensou se o pessoal que vive em Olivença quer ser português?
Perguntem-lhes. Supor que sim ou supor que não é igualmente errado.
deixe-os lá em paz e siga para a frente. O que lá vai lá vai.
Não, isto não funciona assim: se as coisas ficassem nesse pé qualquer país podia invadir e ocupar regiões das nações vizinhas e, passado algum tempo, recebia legítima soberania sobre eles ex consuetudine. As coisas não funcionam assim: se amanhã um assaltante lhe entrar porta adentro, se instalar no seu quarto, e ficar lá a viver durante 30 anos, o DO continuará, findo esse tempo, a ter o direito de reaver o que lhe foi tirado. O mesmo se passa com o teritório oliventino.
Se o republicano Aquilino é terrorista, o que dizer de Afonso de Albuquerque e outros heróis monárquicos?
Quer o DO saber o que é um anacronismo? É isto: pressupor que os quadros mentais do séc. XVI eram os mesmos do séc. XX.
O alvo era João Franco, isso está historicamente provado, até por posteriores escritos de figuras da carbonária.
Quanto aos livros de historia, passo da lombada e chego ao fim, depende é de que livros de historia estamos a falar.
Por vezes certos livros de memorias, não são livros de historia, são a historia dos seus autores, e neles tambem vem muita informação útil sobre factos historicos.
Não me consta que João Franco viesse no cortejo, possivelmente terei de rever algo sobre isso, certo é que ele não estava no local e á hora em que se preparava o atentado contra ele, e só por isso o alvo acabou por ser o Carlos de Bragança.
Mas tudo isto julgo ser uma cortina de fumo, para o problema de fundo.
Merece ou não o grande escritor Aquilino Ribeiro as honras de ser sepultado no Panteão Nacional?
Se até uma cantadeira de fado ( com imensa qualidade sem dúvida) lá está…..
Então este grande vulto das letras portuguesas deve estar tambem…..
NÃo aceito que ser-se anticolonialista só se aplique em relação a continentes que não sejam EUROPA.
Olivença é uma situação colonial. Duzentos anos de despersonalização levaram a uma situação em que mais de 90 % da População desconhece a sua História.
Ela NÃO é ensinada em parte nenhuma. SE OS INDONÉSIOS TIVESSEM TIDO DUZENTOS ANOS PARA CONDICIONAR TIMOR, É CLARO QUE UM REFERENDO TERIA RESULTADOS DIFERENTES DO DE 1999 !!! O tempo Não pode ser usado como factor de legitimação de uma ILEGALIDADE…
Houve mortos, houve vítimas, por causa da ocupação de Olivença, por parte de AUTORIDADES ESPANHOLAS (o que NÃO DEVE SER CONFUNDIDO com o POVO espanhol…), ao longo de 200 anos.
Há um texto meu que tenta explicar isso. Pô-lo-ei aqui, se possível !
Carlos Luna, do BLOCO DE ESQUERDA
UMA ANÁLISE DE ESQUERDA DO PROBLEMA DE OLIVENÇA
UM TEXTO, ESPERO QUE ORIGINAL, DE REFLEXÃO POLÍTICA…À ESQUERDA… SOBRE OLIVENÇA
(A QUESTÃO DE OLIVENÇA NUMA PERSPECTIVA DEMOCRÁTICA )(à Esquerda)
TEXTO DE ANÁLISE HISTÓRICA E POLÍTICA
TEXTO
(A QUESTÃO DE OLIVENÇA NUMA PERSPECTIVA DEMOCRÁTICA )(à Esquerda)
UM LITÍGIO FRONTEIRIÇO
SEMI-ESCONDIDO PELO
ESTADO PORTUGUÊS HÁ
… QUASE 200 ANOS!!!
A ROMANIZAÇÃO E O COLONIZADO
(…) os mais propensos há pouco a rejeitar a língua de Roma ardiam agora em zelo para a falar eloquentemente. Depois isto foi até ao vestuário que nós temos a honra de trajar, e a toga multiplicou-se, progressivamente, chegaram a gostar dos nossos próprios vícios, do prazer dos pórticos, dos banhos e do requinte dos banquetes, e estes iniciados levavam a sua inexperiência a chamar civilização ao que não era senão um aspecto da sua sujeição.
Tácito, político e historiador (sécs I-II d.C.). Vida de Agrícola
(Tácito, Sécs. I - II n.E.)
Carlos Eduardo da Cruz Luna
Rua General Humberto Delgado, 22 R/C
(Telf. 268-322697) 7100-123 Estremoz
LITÍGIO FRONTEIRIÇO ESCONDIDO…
COM O “RABO” DE FORA !
PREÂMBULO
Poucas histórias terão sido tão mal contadas, vilipendiadas, e ridicularizadas como a que toca ao chamado “Litígio de Olivença” (ou “Questão de Olivença”). Os dados do problema estão tão baralhados, os juízos de valor são tão díspares e disparatados, que manter a cabeça “fria” ao tentar-se estudar VERDADEIRAMENTE o problema é uma tarefa quase hercúlea.
Falar na questão de Olivença é provocar muitas vezes o riso. Se se fala nela a uma pessoa de Esquerda, ela tenderá a considerá-la uma polémica alimentada, se não criada, pelo Salazarismo, e, portanto, uma provocação ou um motivo de chacota. A este propósito, basta ver o filme “O Barão de Altamira”, obra (?) do mais absurdo preconceito, para se entender esta afirmação. Aliás, por regra, a Esquerda considera tal assunto indigno, classificando-o mesmo como manifestação de uma pretensão colonialista, o que, historicamente, não tem pés nem cabeça, pois o colonialismo, aqui é exercido CONTRA um território que deveria ser Português. Se se fala da Questão de Olivença a uma pessoa de Direita, ela dirá que Portugal já perdeu Angola, Moçambique, … sabe-se lá que mais, e que já não há vontade, nem necessidade… nem um chefe à altura. Aqui, cita-se Salazar como modelo.
A maior parte das pessoas tem ideias muito confusas sobre a Questão , ou considera-a desprovida de qualquer interesse, ou ainda manifesta um extremo pessimismo. A ideia de que é um assunto anedótico surge mesclada com praticamente todas as anteriores opiniões citadas.
É no meio de todo este pântano desinformativo que alguém honestamente interessado no assunto se vê mergulhado. Rareia a informação objectiva.
NÃO HÁ FRONTEIRA !
E, todavia, há algo estranho em tudo isto. Na verdade, A POSIÇÃO OFICIAL DO ESTADO PORTUGUÊS NÃO MUDOU DESDE 1808-1814/15 ATÉ HOJE (2000): Olivença é considerada TERITÓRIO “DE JURE” PORTUGUÊS, ESPANHOL “DE FACTO”. Haverá afinal algo, neste caso, que não seja conhecido ?
Na verdade, há. Qualquer pessoa poderá verificar, em mapas OFICIAIS (Mapas Militares, por exemplo), que não há fronteira Internacional no Guadiana entre as Ribeiras de Olivença e Táliga (ou de Alconchel). Ela existe, mas não TRAÇADA, entre as Ribeiras de Táliga e Cuncos (próximo de Mourão), pois o Estado Português nega-se a aceitar qualquer fronteira na Região sem se resolver, de acordo com o Direito Internacional, a “Questão de Olivença”.
Não se trata de uma posição de meia dúzia de indivíduos. É a POSIÇÃO OFICIAL do ESTADO PORTUGUÊS. Ela é muito pouco conhecida, porque pouco divulgada… ainda que não seja propriamente um Segredo!
Para além dos Mapas, há alguns exemplos concretos e recentes. Vejamos!
Em 1988, o Presidente da Comissão Internacional de Limites da época (Dr. Carlos Empis Wemans) afirmava, em entrevista ao Diário de Lisboa, que a Região de Olivença obedecia legalmente à Bandeira Portuguesa, não sendo o Guadiana fronteira Internacional na Região. Portuguesa “de jure”, Olivença era espanhola por administração (ilegal), “de facto”.
Em 1994, o Ministério dos Negócios Estrangeiros português vetava uma ponte “internacional” no Guadiana, entre Elvas e Olivença, no lugar da Ajuda, por considerar não poder considerar “internacional” uma ponte legalmente NACIONAL pelo facto de as duas margens do Guadiana serem consideradas território Português. Após alguns incidentes (com muita Xenofobia de algumas autoridades espanholas), o mesmo Ministério, então sobraçado por Durão Barroso, assumia a construção INTEGRAL POR PORTUGAL da Ponte (Agosto de 1994).
Em 1995, vários jornais lembravam que, POR CAUSA DA QUESTÃO DE OLIVENÇA, a Espanha não punha grandes reservas ao ALQUEVA. No mesmo ano, o jornal “Expresso” noticiava que o Estado Português, nos relatórios de Impacto Ambiental enviados para Bruxelas a propósito do mesmo Alqueva, NÃO RELACIONAVA NUNCA OLIVENÇA COM A SOBERANIA ESPANHOLA, antes a DISTINGUIA!!!
Em 1996, assinava-se um acordo para a construção de uma Ponte no já referido Lugar da Ajuda (Guadiana; entre Elvas e Olivença), de carácter MUNICIPAL e INTEGRALMENTE PAGA POR PORTUGAL, por, disse-se, NÃO PODER PORTUGAL ENVOLVER-SE EM NENHUM ACORDO QUE IMPLICASSE RENÚNCIA DE SOBERANIA SOBRE OLIVENÇA!!!
Em Outubro de 1999, o Instituto Geográfico do Exército publicava um Mapa de Portugal onde a fronteira, no Guadiana, ostensivamente NÃO está traçada. O presidente da Comissão Internacional de Limites, Dr. Júlio Mascarenhas, esclareceu a Imprensa, dizendo que a Questão de Olivença não era uma prioridade portuguesa, mas que a Região era TERRITÓRIO PORTUGUÊS ILEGALMENTE OCUPADO POR ESPANHA, e que Portugal considerava válidos os Tratados de 1815 (Viena de Áustria), decorrentes da situação criada em 1801 (Tratado de Badajoz: cedência de Olivença à Espanha) e 1807 (anulação, pela Espanha, do Tratado de Badajoz, por agressão não justificada a Portugal, em conjunto com os exércitos de Napoleão), bem como o de 1817 (aceitação total, pela Espanha, do estipulado em 1815 em Viena de Áustria).
Muito honestamente, todas estas posições, declarações, e malabarismos, levam a duas conclusões: a primeira, é a de que existe, de facto, um problema fronteiriço por resolver; a segunda, é a de que há muito secretismo, e, portanto, hipocrisia, em torno do facto.
DIREITA OU ESQUERDA ?
Antes de se passar, porque é necessária, a uma História da “Questão de Olivença”, há, talvez, que responder desde já a uma angústia que pode assaltar neste momento um militante/activista de Esquerda: afinal, a polémica em torno de Olivença é alimentada por Democratas ou Salazaristas? A resposta nem é difícil: pelos dois… e por nenhum.
Em 1910, os revolucionários republicanos viram-se confrontados com o problema. Diplomatas espanhóis insinuaram que a aceitação da Soberania Espanhola sobre Olivença poderia facilitar o Reconhecimento do Novo Regime, o qual não se prestou a tal capitulação.
Em 1919, em Versalhes, a delegação portuguesa, dirigida por Afonso Costa, tentou que, no Tratado de paz que concluíu a Primeira Guerra Mundial, se incluísse uma cláusula a obrigar a Espanha (que nem beligerante fôra) a devolver Olivença a Portugal, o que se gorou. Entretanto, o estado Português acenava com a alternativa de um referendo na Região disputada… a que o Estado Espanhol não se dignava responder.
Nas décadas de 1920 e 1930, tanto pensadores (e políticos) democráticos como conservadores protestaram contra a situação de Olivença, nomeadamente oliventinos refugiados, com destaque para o Intelectual Ventura Ledesma Abrantes, o fundador do Grupo de Amigos de Olivença.
Ora, este grupo NÃO ERA SALAZARISTA. Pela sua Direcção passaram, de facto, algumas pessoas afectas ao Regime (que diligenciavam para que a sua actividade fosse reduzida ao mínimo…), mas também oposicionista! O presidente do Grupo em 1974 era, nem mais menos, que o PROFESSOR HERNÂNI CIDADE !!!
O Grupo de Amigos de Olivença encontrava sempre uma barreira intransponível: desde a vitória de franco em Espanha, Salazar negava-se a pressionar o Estado Espanhol, exercendo mesmo repressão sobre os que se atreviam a ser demasiado veementes em relação à Questão de Olivença.
A Associação protestava, indignada, contra a colonização e a repressão exercidas em Olivença, mas o Estado Novo nunca lhe deu ouvidos, mesmo porque a sua Política Colonialista em África não lhe permitia ser… anti-colonialista em Olivença!
É curioso ver, nos relatórios da Polícia Espanhola da década de 1950, classificando como “mação, judeo-maçónico, de inspiração inglesa (Questão de Gibraltar), oposicionista”, o Grupo de Amigos de Olivença. Diz-se mesmo que por trás da reivindicação da Cidade andam elementos próximos do… Partido Comunista!!!
Afinal, onde está a tradição Salazarista na História do Grupo?
Em 1974/75, os Serviços de Informação espanhóis começam a deixar de chamar “mações” aos Amigos de Olivença, e, num volte-face surpreendente, começam a classificá-los como… saudosistas, velhos salazaristas, conservadores! E, porque era uma intenção política e um preconceito que estava por de trás de tais afirmações, houve mesmo um Historiador Comunista Oliventino que, quiçá entusiasmado, citou vários antigos salazaristas do Grupo, mesmo quando o não eram, não hesitando, por manifesta ignorância, por neles incluir… o Professor Hernâni Cidade!!!
Em Portugal, as Movimentações Anti-colonialistas acabaram por cair numa armadilha, talvez ajudadas por insinuações espanholas: em vez de levarem o seu colonialismo até ao fim, coerentemente, passaram a considerar a Questão de Olivença como derivada do Imperialismo/Colonialismo Salazarista, INVERTENDO A REALIDADE HISTÓRICA E POLÍTICA, já que, como veremos, se estava perante um caso em que uma “parcela” genuinamente (e legalmente) portuguesa fôra (e continuava a ser) VÍTIMA DE COLONIALISMO!
Entretanto, na Direcção do Grupo de Amigos de Olivença, passavam a predominar elementos conservadores… ainda que nem sempre Salazaristas. De qualquer forma, o problema, como veremos, não reside aí, mas em saber se, de facto, EXISTE ALGUMA RAZÃO PARA A “QUESTÃO DE OLIVENÇA” SE MANTER, APESAR DE TUDO, COMO ALGO CONCRETO PARA O ESTADO PORTUGUÊS, AINDA QUE POUCO CONHECIDO!!!
È isso que vamos tentar analisar!!!
OLIVENÇA COLONIZADA (1801? - 1936)
Após a ocupação espanhola de Olivença (1801), iniciou-se um processo de “aculturação”, que ainda mais se pareceu acelerar a partir de 1815, data em que, segundo Portugal, o território foi de novo reconhecido como legalmente Português. Em 1840, foi proibido o uso do Português, nomeadamente nas Igrejas.
Uma das maiores ironias verificou-se nas décadas de 1880/1890, quando um Professor Espanhol, após o falecimento de uma velha Mestra que ensinava a ler e a escrever em Português, tomou a seu cargo escolarizar o maior número possível de crianças oliventinas. E fê-lo. Só que, às mães que, em Português, lhe entregavam os filhos, dizia que na escola só se ensinava espanhol, e que se quisessem ensino em Português se dirigissem a Juromenha, a onze quilómetros em linha recta, do outro lado do Guadiana, onde Guardias espanhóis lhes impediram a passagem! Deste modo, ao alfabetizar-se, Olivença colonizou-se.
Nos finais do Século XIX, surgem alguns movimentos pró-portugueses no território, logo desarticulados. Alguns dos seus mentores preferiram vir para o Alentejo ou para Lisboa, vindo-se a destacar, nesta cidade, a figura de Ventura Ledesma Abrantes.
Nas décadas de 1910 e 1920, começa a circular em Olivença uma história falsa, destinada a ter muito sucesso: a de que Olivença passara para Espanha por troca com Campo Maior. Aliás, paralelamente, começou-se a propalar que a região viera para Espanha como Dote de uma Rainha. A confusão vai-se estabelecendo!
Entretanto, Táliga ou Talega, uma antiga aldeia oliventina, torna-se Concelho Autónomo.
OLIVENÇA COLONIZADA (1936-1975)
A Guerra de Espanha abriu um novo capítulo na descaracterização/colonização de Olivença. Maioritariamente progressista e Republicana, a população, logo em 1936, ficou sob domínio franquista. Alguns oliventinos forma fuzilados em Badajoz. Muitos refugiaram-se em Portugal, onde, criminosamente, as autoridades salazaristas “devolviam” os fugitivos espanhóis, sabendo condená-los assim à morte. Os oliventinos escaparam quase totalmente a esta sorte, se podiam provar a sua origem pronunciado correctamente algumas palavras em Português (a mais usada “cinza”). Em 1939/40, regressaram a Olivença, sendo então vítimas de repressão… perante a impassividade de Salazar, que proibira mesmo a um oficial português entrar em Olivença com o seu Regimento, em 1938!!!
O Franquismo levou a castração cultural de Olivença ao seu auge. Mudaram-se apelidos, topónimos, referências históricas. Falar Português era um anátema, sinal de atraso, vergonha, ignorância. As classes possidentes, muito comprometidas com o franquismo, salvo honrosas excepções, “espanholizaram-se” ao máximo, procurando estender tal atitude a toda a população. Não havia professores, funcionários, polícias, quadros, em Olivença… que nela tivessem nascido. Suspeita-se que houve mesmo algumas emigrações intencionais, embora 80% da população, mais ou menos, seja de raiz portuguesa ainda hoje. Estimulou-se o chamado “auto-ódio”. Os oliventinos passaram a orgulhar-se duma História que não era a sua, e na qual não passam afinal de presas de Guerra. Passaram mesmo a considerar a sua maneira de falar Português como um “chaporreo”, um Português incorrecto… atitude reforçada pelo facto de se tratar do falar alentejano, diferente do Português ouvido na Rádio, primeiro, e na Televis
ão, depois.
Quando economicamente a Espanha ultrapassou Portugal, reforçou-se a rejeição a tudo o que era Português. Por via das dúvidas, criaram-se imagens ultra-preconceituosas sobre o Português (miserável, pobre, bruto, agressivo em relação ao pacífico e “genuinamente” espanhol burgo oliventino, que queria roubar (!!!) a Madrid). Em resumo: um típico processo de colonização!
CONCLUSÃO/SOLUÇÃO (?)
A Democracia em Espanha (1975) permitiu “abrandar” a pressão sobre Olivença. E, todavia…
Todavia, não se ensinou aos oliventinos a sua verdadeira História, antes se continuou, persistentemente, a Ensinar apenas a História de Espanha. Todavia continuou-se a ensinar só o idioma castelhano. Mesmo quando se passou a ensinar algum Português, foi sempre enquanto opção, mais ou menos sentimental ou exótica, e enquanto língua estranha à região , pois não se recuperou o “falar” tradicional alentejano que ainda e teimosamente sobrevive falado principalmente nos meios rurais e por pessoas idosas… e muitas vezes “clandestinamente”…
Todavia… os textos sobre o problema da posse de Olivença estão só ao dispor de alguns, longe do Ensino… e ainda assim truncados, na versão “censurada” que a Polícia Espanhola recebia, habilmente elaborada por um pseudo historiador… ainda que, actualmente, impressa em papel de muito boa qualidade, a patrocinada por altas instâncias.
Pior ainda… toda esta “actuação” tem sido ajudada por Responsáveis portugueses, democratas e de esquerda, quase sempre de boa fé, mas que , ao caírem na armadilha de considerar a “Questão de Olivença” como um tema salazarista, fazem coro com uma administração que não descoloniza, ainda que se diga democrática, e coro também (mais irónico ainda!) com os velhos e novos franquistas!
Isto perante um Estado que se reclama anti-colonialista em Gibrlatar, mas é colonialista em Ceuta e Melilla,… e em Olivença, claro. Um Estado que agora já aceita um plebiscito em Olivença… depois de não aceitar o resultado do plebiscito de 1967 em Gibraltar (99% de votos a favor da Grã-Bretanha; 12.138 votos contra 44!)!
O que pode levar certos políticos e Estados a considerar injustos casos de colonialismo como os de Gibraltar, Malvinas, Timor-Leste, Hong-Kong, Curdistão, Tibet… e justos casos de colonialismo em Olivença, Ceuta e Melilla, Chipre… ?
Como pode um Estado (o Português!) manter um litígio, que se prolonga desde 1815, sem nunca o considerar prioridade? Como pode ao mesmo tempo protestar… e pactuar? Como pode aceitar uma solução mediante “aceitação de facto consumado” ao pé da porta… e negar tal tipo de “soluções” em todo o resto do mundo?
Por esta lógica (a do facto consumado…), por quanto tempo terá um agressor de ocupar um território para ser “desculpado” e para ser considerada válida a ocupação? Que diabo de Direito Internacional é este?
Por que razão, aproveitando a tão propalada democraticidade e abertura dos regimes “civilizados” da Europa, nomeadamente da Europa Comunitária, bem como o facto de as fronteiras não serem barreiras “físicas”, se não avança com um projecto pacífico, por exemplo, de administração conjunta da Região Disputada, com a generalização do Ensino da História e Língua autóctones e a salvaguarda de privilégios adquiridos, nomeadamente no que concerne ao nível de vida, administração conjunta durante um prazo a definir, dando-se depois resolução final ao litígio… a exemplo do que o Estado Espanhol propôs para Gibraltar?
Irão os homens e mulheres de Esquerda continuar a defender posições historicamente erradas, politicamente “correctas”, socialmente (?) apreciadas… pactuando com uma situação colonial e de desrespeito pelo Direito Internacional, ao lado, nomeadamente, de pensadores franquistas? Ou terão a coragem de, pela primeira vez, tentarem enquadrar correctamente uma solução viável para este diferendo?
Não bastará de hipocrisia? Ou não será verdade que “SÓ A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA”?
Estremoz, 14 de Janeiro de 2000
Carlos Eduardo da Cruz Luna
O ENSINO DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA
Envia: Carlos Eduardo da Cruz Luna, prof. Hist. Ensino Secundário em Estremoz, Rua General Humberto Delgado, 22,r/c 7100-123-ESTREMOZ, Portugal, 268322697 939425126
3) O ENSINO DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA : PASSOS QUE FALTA DAR….
O ENSINO DO PORTUGUÊS EM OLIVENÇA
A História da sobrevivência da Língua Portuguesa em Olivença terá que ser feita um dia. Mais do que sobrevivência, é uma História de Resistência, dados a pressão e os condicionalismos vários, ainda muito mal estudados.
Em 1840, trinta e nove anos após a ocupação espanhola (1801), o Português foi proibido em Olivença, inclusivamente nas Igrejas. O combate contra a Língua de Camões já vinha de trás, todavia. Em 1805,as Actas da Câmara tinha começado a ser redigidas em Castelhano, o que fizera uma vítima, digamos que um mártir: Vicente Vieira Valério. Este, negando-se a escrever na Língua de Cervantes, teve de ceder o lugar a outro. E acabou por morrer à mingua de recursos, personificando um drama cujo desenvolvimento se processaria, geração após geração.
Algumas elites forma aceitando o castelhano. O Português foi-se mantendo, teimosamente, principalmente a nível popular. Numa deliciosa toada alentejana, que logo as autoridades, vigilantes, classificaram como “chaporreo”, palavra de difícil tradução (talvez “patois”; talvez “deturpação”), que criou complexos de inferioridade nos utilizadores, levando-os, cada vez mais, a usar a Língua Tradicional apenas a nível caseiro, dentro do aconchego do lar, em público, quase só por distracção, ou com amigos próximos.
O hábito e o amor-próprio levavam o oliventino a, quase constantemente, “saltar” do castelhano para o português. De tal forma que, depois de duzentos anos de pressão, ele é entendido e falado por cerca de, pelo menos 35% da população, segundo cálculos da União Europeia (Programa Mosaic).
Como sucede, contudo, neste casos, em qualquer ponto do Globo, o Português foi perdendo prestígio. Não sendo utilizado nunca em documentos oficiais, na toponímia (salvo se traduzido e deturpado), ou em qualquer outra situação que reflectisse a dignidade de um idioma, manteve-se, discretamente, por vezes envergonhadamente. A Televisão e a Rádio vieram aumentar a pressão sobre o seu uso e compreensão.
A Ditadura Franquista acentuou a castelhanização. Agora oficialmente, o Português era uma Língua de quem não tinha… educação! Uma Língua de Brutos, ou, como também se dizia, uma Língua Bárbara!
Não obstante, ela sobreviveu. Mesmo nas ruas, surgia e ressurgia, a cada passo… raramente na presença da autoridades. Mesmo algumas elites continuavam a conhecê-la, embora numa fracção minoritária.
Nas décadas de 1940, 1950, e 1960, era raríssimo, mesmo impossível em alguns casos, encontrar professores, polícias, funcionários em geral, que fossem filhos da terra oliventina, na própria Olivença. Colonizadores inconscientes, peões numa política geral de destruição das diferenças por toda a Espanha.
Se há ironias na História, esta pode ser uma delas. Alguns desses cidadãos “importados”, com muito menos complexos que os naturais porque não tinham, quaisquer conflitos de identidade, ou os seus filhos, puseram-se a estudar os aspectos “curiosos”, “específicos”, da cultura oliventina! “Oliventinizados”, por vezes até, ainda que ligeiramente, em termos linguísticos, acabaram por produzir trabalhos de valor sobre a cultura da sua Nova terra, que podem chamar para sempre, e sem contestações, de Terra Mãe, por adopção, por paixão, ou já por nascimento.
A Democracia veio abrir novas perspectivas, ainda que os fantasmas não desaparecessem de todo. Alguns cursos de Português foram surgindo, com maior ou menor sucesso. Por vezes ao sabor de questões políticas, como durante a Década de 1990 por causa dos avanços e recuos no atribulado processo que levou à construção de uma nova Ponte da Ajuda o Guadiana, entre Elvas e Olivença.
Em 1999/2000, continuando em 2000/2001, a Embaixada de Portugal em Madrid, e o Instituto Camões, passam a apoiar o apoiar o ensino do português no Ensino Primário em todas as Escolas de Olivença. Incluindo as Aldeias. Apenas Táliga, antiga aldeia de Olivença transformada no Século XIX em município independente, está ainda de fora deste projecto, para o qual foram destacados, primeiro três, depois quatro professores portugueses. Diga-se ser urgente acudir a Táliga, onde só 10% da população ainda tem algo a ver com a Língua de Camões. Urgentíssimo!
Está dado um primeiro e importante passo. O Estado Português deverá tentar influenciar a tomada de outras medidas, dada até a sua posição sobre o Direito de Soberania sobre Olivença: o ensino da História (que não é feito em parte nenhuma em Olivença), por exemplo: a utilização prática da Língua, em documentos oficiais, toponímia, etc.; a continuação do Estudo do Português até níveis de ensino mais avançados; e tantas coisas mais que se poderiam referir!
E, já agora, deixe-se continuar o Ensino do Português no Secundário, como sucede em Badajoz e noutros locais. TER-SE CONSIDERADO QUE TAL, EM OLIVENÇA, ERA PERIGOSO, é ridículo…
Para já, aplaude-se, com vigor, com entusiasmo, o passo dado, a que se junta uma sugestão: faça-se um estudo do Português-Alentejano falado em Olivença, e ligue-se o mesmo ao Português-Padrão ensinado nas Escolas, de modo a fazer a ligação entre as gerações e produzir uma normal continuidade que deveria naturalmente ter ocorrido. Assim se corrigirá a distorção introduzida pela pressão do Castelhano.
Para um alentejano, isto é particularmente importante. Estudará a sua própria maneira de falar num lugar onde se manteve quase integralmente pura!
Longa vida, pois, ao Ensino do PORTUGUÊS em Olivença!
Estremoz, 26 de Fevereiro de 2001
Carlos Eduardo da Cruz Luna
«já pensou se o pessoal que vive em Olivença quer ser português?»
Estimado DO
Mas quem nos diz que, perante tal pergunta («o pessoal que vive em Olivença quer ser português?»), a resposta não seja a de que querem ser portugueses? Porque se há-de partir do preconceito de que que não o quererão ser?
JV, anacronismo é também usar conceitos do século XXI aplicados ao princípio do século XX. O comentador limitou-se a repetir o exercício.
Se cada país ficasse fixado nessa matéria nenhuma fronteira europeia era aceitável. Nessa matéria até seríamos dos países com menor razão de queixa. Viver obcecado pela
os rancores do passado (mesmo que irrelevantes)é recusar o debate político do presente.
Conhece algum movimento popular de Olivença que exija a sua integração em Portugal? É que só conheço militantes desta causa que vivem em Portugal e não em Olivença.
JV, anacronismo é também usar conceitos do século XXI aplicados ao princípio do século XX.
Esra é de antologia: o conceito de terrorista surgiu no séc. XXI?????
Se cada país ficasse fixado nessa matéria nenhuma fronteira europeia era aceitável.
Não: se cada país ficasse fixado nas fronteiras que lhe competem, não invadindo as dos Estados vizinhos, aí teríamos fronteiras aceitáveis.
Nessa matéria até seríamos dos países com menor razão de queixa. Viver obcecado pela
os rancores do passado (mesmo que irrelevantes)é recusar o debate político do presente.
Mas quais rancores, DO? Isto é cumúlo: se lhe roubarem a carteira e a quiser reaver está a ser rancoroso???
Conhece algum movimento popular de Olivença que exija a sua integração em Portugal?
Conhece algum movimento popular e Olivença que se oponha à sua integração em Portugal?
Conhece algum movimento popular de Olivença que exija a sua integração em Portugal?
O DO conhece algum movimento que se oponha ao casamento das mães com os filhos, ou dos pais com as filhas? E se não houver nenhum - devemos supor que a maioria das pessoas concorda com essa prática?
Daniel,
E não é que eu tinha razão sobre a causa de Olivença, e o próprio Carlos Luna, do BE, veio aqui dar razão? Quanto ao Gonçalo Ribeiro Telles, lembro-me da última entrevista que o mesmo deu à revista do Expresso, no qual o Daniel escreve. Aí perguntaram-lhe como é que ele se definia políticamente, a resposta foi óbvia: monárquico. A militância monárquica dele é bem conhecida, mesmo que o Daniel não goste.
JV, quer discutir aquilo a que se chamava terrorismo há umas décadas atrás?
JV, só fazia sentido um movimento popular contra o casamento entre pais e filhos se essa fosse uma questão em debate. Só haveria um movimento popular contra a integração de Olivença em Portugal se essa fosse uma possibilidade equacionada por Espanha. Não é por acaso que não existe nenhum movimento em Olivença nem contra nem a favor. Não é sequer tema de debate em Olivença.
As fronteiras europeias são todas resultado de invasões. Não há fronteiras naturais e originais. Imagine que os árabes vinham exigir o que lhes “roubamos”? Em que momento histórico ficou definida a nossa fronteira justa? Imagine que os índios faziam o mesmo na América? E os alemães? E os húngaros? E os polacos? O que é isso das fronteiras que competem a cada um? Exactamente em que momento da história elas ficaram definidas?
Dirá: há um compromisso. Como saberá, os compromissos têm uma caducidade na história. Qual é o sentido de obrigar o povo espanhol de Olivença (é isso que eles são) a fazer parte de Portugal? Consegue realmente acreditar que isso é possível? E acha realmente relevante para o nosso país que Olivença seja portuguesa, a não ser por este ódio anacrónico a Espanha que esconde um absoluto vazio de projecto para o país?
Daniel,
Já imaginou quem é o assinante nº52 da petição?
Dou-lhe uma ajuda:
“52. Gonçalo Ribeiro Telles BI: 2003224″
O link está aqui para quem quiser confirmar:
http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?aq2007&901
João Gomes, lamento. Imagino que Ribeiro Telles lamente e ache patéticas muitas das minhas posições políticas. É a vida. Sobre muitos aspectos de Lisboa estamos de acordo. E só nisso é natural que estejamos de acordo. Criticam muito o monolitismo político, e depois passam a vida a defende-lo.
JV, quer discutir aquilo a que se chamava terrorismo há umas décadas atrás?
Não é disso que se trata. Eu afirmei que querer comparar as práticas de Aquilino com as de Afonso de Albuquerque era um anacronismo. O DO disse que também era anacrónico dizer que Aquilino era um terrorista porque, e cito (porque esta é para os anais da História…) chamar terrorista a Aquilino é usar conceitos do século XXI aplicados ao princípio do século XX. Ora, ou o DO considera que o conceito de terrorista apareceu no séc. XXI (e não, o DO não disse «a acepção em que se emprega o conceito de terrorista», disse que «o conceito de terrorista» é coisa do séc. XXI), ou então não leu o que escreveu.
JV, só fazia sentido um movimento popular contra o casamento entre pais e filhos se essa fosse uma questão em debate. Só haveria um movimento popular contra a integração de Olivença em Portugal se essa fosse uma possibilidade equacionada por Espanha.
Vamos por partes: o DO começou por dizer que há a possibilidade de os oliventinos não quererem ser portugueses porque não há movimentos lá a reivindicar o regresso a Portugal. É neste contexto que eu lhe pergunto se acha que, não havendo movimentos contra o incesto, os portugueses estão a favor dele.
Arrumada esta questão, vamos à segunda parte: a integração de Olivença em Portugal não é uma hipótese que tem de ser equacionada por Espanha. Essa equação está resolvida há quase 200 anos, quando os espanhóis se comprometeram, em Viena, a restituir-nos a vila oliventina. O que têm agora é de honrar o que prometeram. Claro que, findo todo este tempo, não excluo uma consulta popular aos locais: mas que se faça quanto antes, e não se considere a ocupação por estrangeiros do nosso território um assunto menor.
Não é por acaso que não existe nenhum movimento em Olivença nem contra nem a favor. Não é sequer tema de debate em Olivença.
Não tem de continuar a ser assim. Deixe-me dizer-lhe que acho alguma graça que quem vem de um partido que introduziu vários temas na discussão pública portuguesa (legalização das drogas leves, casamento entre homossexuais, fim da punição por consumo de drogas) venha agora dizer que «se ninguém está a discutir até agora, não é importante». Se ninguém está a discutir e nos parece importante, lançamos o assunto para a mesa. Não foi o que vocês fizeram?
As fronteiras europeias são todas resultado de invasões. Não há fronteiras naturais e originais. Imagine que os árabes vinham exigir o que lhes “roubamos”?
Teríamos de lembrar-lhes que já cá estávamos antes, que os invasores eram eles, que os Europeus refluíram para o Norte da Península (o chamado «Ermamento», segundo Avelino Jesus da Costa e Claudio Sanchez Albornoz) e depois se lançaram na Reconquista. Mas adiante…
Em que momento histórico ficou definida a nossa fronteira justa?
Quanto conseguimos englobar dentro do nosso país toda a população que falava o romance da Ibéria Ocidental, antepassado do Português.
Imagine que os índios faziam o mesmo na América? E os alemães? E os húngaros? E os polacos? O que é isso das fronteiras que competem a cada um?
São as fronteiras que delimitam o território da Nação de cada um.
A sua teoria, a vingar, faria prevalecer a lei do mais forte: não há fronteiras justas por si só? Pois então os países que invadirem e ocuparem territórios, desde que fiquem lá tempo suficiente, têm direito de os manter como seus. Se os americanos não abandonassem o Iraque e em 2207 ainda lá estivessem, podiam exclamar que aquilo é terra deles.
Já agora: isso também funcionava para as ex-colónias? Olhe que estivemos lá 500 anos: e se os espanhóis, com 200 anos em Olivença, já são proprietários legítimos…
Exactamente em que momento da história elas ficaram definidas?
Qando dentro delas passou a habitar um povo homogéneo.
Dirá: há um compromisso. Como saberá, os compromissos têm uma caducidade na história.
Há mais do que um compromisso: há legítima propriedade. Se sempre foi nosso e alguém no-lo roubou, temos direito de o reaver. Outrossim, estivemos em África tempo suficiente para não termos de devolver um palmo de terra seja a quem for: isto, pela sua lógica.
Qual é o sentido de obrigar o povo espanhol de Olivença (é isso que eles são) a fazer parte de Portugal?
O DO não entende ou não quer entender que no meu entender eles deviam escolher o que preferem, como já disse algumas 563826 vezes?
acha realmente relevante para o nosso país que Olivença seja portuguesa, a não ser por este ódio anacrónico a Espanha que esconde um absoluto vazio de projecto para o país?
Mas qual ódio qual quê, DO! Volto a dizer-lhe: se lhe tirarem a carteira e a quiser reaver isso não é ódio: é desejo de Justiça. Tão-só. O mesmo se passa com Portugal em relação ao Olivença.
Sobre quem já cá estava, talvez fosse interessante ver bem a história do sul de Portugal. Qual povo homogéneo? A homogeneidade foi conseguida a força. E para isso nem lhe preciso de falar do que aconteceu aos judeus que aqui viviam. O que julga que eram uma parte dos povos do Alentejo? O que julga que era a mouraria, em Lisboa? E a judiaria? Nem os antepassados do fundador correspondiam a essa suposta homogeneidade cultural.
Mas o argumento acaba por funcionar contra si: incluir Olivença em Portugal levaria a termos um território que fala uma língua diferente e não se sente português. Lá se ia a sua homogeneidade nacional.
A comparação com a ex-colónias e com o Iraque não faz sentido: eles queriam ser independentes. Não é Olivença que quer ser integrada em Portugal. São alguns portugueses. Claro que pode querer que o povo de Olivença seja ouvido. A questão é que não parece haver nenhum deles que queira falar sobre o assunto. Não poderia dizer seguramente o mesmo do Iraque, de Angola ou da Guiné.
Não posso deixar de ficar estupefacto perante o tom de alguns argumentos, mas não faz mal.
A verdade é que a União Europeia diluiu diferenças, pelo que isso facilita as coisas. Ninguém quer chegar a Olivença e OBRIGAR de repente toda a gente a reger-se pela lei portuguesa, sem compensações, sem períodos de transição, sem acautelar o Direito das Gentes. Como costumo dizer, no caso de Olivença, deve-se aplicar TUDO o que a Espanha propõe para Gibraltar, ocupada desde 1704, onde 99% da população votou pela Grã-Bretanha, mas onde a Espanha, que se está “nas tintas” para a UE neste caso (só cita a UE quando lhe convém…), insiste em ver um caso de atropelo ao Direito Internacional e à sua honra, que não é compatível com “cedências”.
É evdente que a Espanha NÃO quis referendo em Olivença em 1928 (mais ou menos) porque sabia que perderia. Todavia, dedicou-se, com especial destaque para a época franquista, durante a qual até fusilamentos houve, a destruir a cultura portuguesa, a memória colectiva, a trocar populações… ao ponto de mais de 90 % da população ignorar a sua História. Apenas subsiste uma memória difusa, mas NEM uma LINHA de História de Olivença é ensinada.
O que se pede, ao ceder-se e dizer-se que “tudo deve ficar como está”, é que Portugal apoie a despersonalização consciente do território. Por outras palavras, o ocupante destruiu as raízes, deturpou a memória… e, calculando que agora até já não terá muito a recear num referendo, até fala de consulta popular (direito que NÃO reconhece aos gibraltinos).
Não duvido de uma vitória espanhola num processo destes. Não posso é admitir que tal método seja aceite, nem o é em Direito Internacional, pois assim qualquer mais poderoso ocuparia partes de vizinhos mais fracos, despersonalizá-las-ia… e ficaria em paz com o Direito Internacional ! Lindo precedente…
O que se propõe é, inicialmente, uma administração dupla, temporária, durante a qual os oliventinos poderiam reaprender a sua História e ver o Português a ser usado em pé de igualdade com o castelhano. Após alguns anos, voltar-se-ia a discutir a Questão. Até se poderia fazer um Referendo, justo porque entretanto a Informação teria chegado ao povo da Terra das Oliveiras.
Há alguns apoiantes de Portugal em Olivença, infelizmente poucos, mas não tão poucos como gostariam certas autoridades locais.
Não têm coragem de se associar em Olivença, às claras, mas aparecem aqui e além, e reunem-se… em Elvas, por exemplo !
Não posso admitir é que se diga que seja anacrónico lutar por uma causa justa e contra um domínio colonial. O mais engraçado é que, quem o faz, À ESQUERDA, se coloca ao lado DOS FRANQUISTAS DE OLIVENÇA, já que a Esquerda mais “clássica” é mais aberta à questão da Portugalidade de Olivença do que os restantes leques ideológicos.
Não posso concordar com o “fora de moda”, pois há povos a libertar por esse mundo fora, e até na própria Europa. O que causa conflitos, mais do que os pequenos nacionalismos, é o facto de os GRANDES nacionalismos institucionais se negarem a reconhecer o direito de alguns povos à autodeterminação. Por vezes até negam que EXISTAM (veja-se o caso da Turquia e do Curdistão). O resultado são jugoslávias, Chechénias, etc.
Há uma certa hipocrisia da parte do Estado Português, que aproveita o contencioso para levar a Espanha a ceder-lhe o domínio quase exclusivo das águas do Alqueva, no Guadiana.
Carlos Luna, carlosluna@iol.pt
Sobre quem já cá estava, talvez fosse interessante ver bem a história do sul de Portugal.
Quem estava cá antes de 711 não eram árabes. Claramente.
Qual povo homogéneo? A homogeneidade foi conseguida a força.
Nem por isso. A homogeneidade linguística na faixa costeira da foz do Guadiana à foz do Minho, com pequeníssimas variantes regionais (possíveis antepassados dos sotaques), já é referenciada por Estrabão no séc. I a.C.
O que julga que eram uma parte dos povos do Alentejo?
Antes da invasão moura, que é aquilo de que tratamos? Eram o que são hoje: gente que fala o romance do Ocidente Ibérico, misto de Latim e língua céltica pré-romana.
O que julga que era a mouraria, em Lisboa?
Era um bairro, provavelmente o centro decisório mas um apenas um bairro de qualquer forma - e aqui a questão é demográfica -, numa cidade substancialmente maior, e cuja restante população era quase toda europeia.
E a judiaria?
Outro bairro, que conseguia o feito inapreciável de, segundo Maria José Ferro Tavares, ser ainda mais pequeno do que já não grande Mouraria. Não fazem, nem esta nem a anterior, diferença quanto à homogeneidade do que de estruturante havia na Nação - a esmagadora maioria das pessoas.
Nem os antepassados do fundador correspondiam a essa suposta homogeneidade cultural.
Está a falar de uma família, apenas, entre vários milhares que tinham essa homgeneidade.
Mas o argumento acaba por funcionar contra si: incluir Olivença em Portugal levaria a termos um território que fala uma língua diferente
Já temos Miranda do Douro, e não me consta que haja independentismo por lá. E não abalava o facto de a Nação ter uma esmagadora maioria de falantes de português. Tente distinguir «homogeneidade» de «pureza».
e não se sente português. Lá se ia a sua homogeneidade nacional.
Dado o supradito, não, não ia. A menos que me possa avanças estudos estatísticos sobre se os oliventinos se sentem ou não portugueses - desta vez tem-nos, certo?
A comparação com a ex-colónias e com o Iraque não faz sentido: eles queriam ser independentes.
Bem, até agora a sua preocupação era o direito por costume. Como Espanha está lá há muito, tem direitos. Já nos começamos a entender quanto à necessidade de saber o que os locais preferem…
Não é Olivença que quer ser integrada em Portugal. São alguns portugueses.
Há sondagens? Plebiscitos? Em que dados baseia esta afirmação?
Claro que pode querer que o povo de Olivença seja ouvido. A questão é que não parece haver nenhum deles que queira falar sobre o assunto.
É a diferença entre senso comum e saber científico. Teria de lhes perguntar primeiro.
Não poderia dizer seguramente o mesmo do Iraque, de Angola ou da Guiné.
Mas o seu argumento era o do direito ex consuetudine. A tal ponto que era anacronismo - lembra-se? - continuar com esta discussão passados tantos anos. Só agora é que se lembrou da opinião dos locais…
Já agora, DO, a fazer fé no Conselho da Europa falava-se português em Olivença ainda em 2005. Afinal querem ver que a patetice anacrónica e rancorosa já chegou a Estrasburgo?
Começamos por falar do grande vulto das letras portuguesas Aquilino Ribeiro, e os preparativos da sua transladação para o panteão.
E já estamos em Gonçalo Ribeiro Teles e as suas publicas simpatias monarquicas, Olivença, Sá Fernandes, etc etc.
Um pouco de tento , estamos a tratar de Aquilino e só ,o escritor merece toda a atenção, o resto são questões secundarias neste debate, terão possivelmente lugar noutra altura, mas não neste debate.
JV se me permite já ouviu falar de Fenicios, ou melhor dos Barca, e do grande Anibal e dos seus elefantes.
A peninsula Iberica foi colonia Fenicia, povos SEMITAS portanto, e era da IBERIA o grosso da força de Anibal aquando da sua invasão de Italia, muitos seculos antes dos Arabes por aqui pisarem ….
Isto para dizer-lhe que os celtas já estavam muito misturados aos povos semitas antes de os romanos cá chegarem….
Já agora em vez de mouros, deveria dizer-se BERBERES, pois eram eles o grosso das forças de TARIK….