À falta de outros argumentos para acabar com o absurdo do celibato, o rosário de escândalos de pedofilia deveria ser suficiente para que o Vaticano se decidisse a assinar o decreto. Se é verdade que o celibato está longe de ser causa única na relação entre sacerdócio e pedofilia, custa perceber que tanta sapiência iluminada falhe em perceber esta coisa prosaica: a repressão sexual de adultos investidos de uma especial autoridade moral – reconhecida junto das comunidades de fé - é um perverso “facilitador” do abuso de menores.
Podemos tentar compreender que a igreja queira manter as suas concepções de pureza, que queira consubstanciar a dedicação ao evangelho na capacidade de renúncia. Mas ultrapassa o admissível que o papado finja não perceber que a celebração da “pureza” dos celibatários se tem feito à custa de demasiadas “vítimas civis”, que finja não perceber que quando a renúncia encontra os seus limites tende a escapar-lhes sob a forma de perfídia. As vítimas de pedofilia são um recorrente memorando do alto preço a ser pago pelo capricho do celibato.
32 comentários 12 Mar 10 em Sem categoria32 respostas ao post “Pedofilia e celibato”
- 1 Pingback on 14 Mar 2010 às 17:49
- 2 Pingback on 29 Mar 2010 às 9:05



É por estas e outras que nunca concordarei com ICAR.
Se os padres casassem certamente haveria mais padres e menos escândalos.
Mas também é verdade que à 40 ou 50 anos atrás muita gente com “problemas” do foro sexual ia para padreco para tentar esconder a situação e fugir à vergonha.
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1. Só segue a carreira clerical quem quer; só é celibatário quem quer.
Quem, celibatário ou não, abusa de menores comete um crime e deve ser por isso punido.
2. E os pedófilos que encheram a imprensa estrangeira com o nome de Portugal (cujo processo ainda corre nos tribunais)? Eram celibatários?
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O celibato dos padres, com carácter “sagrado”, resulta do Concílio de Trento (em meados do século VI).
No Concílio de Elvira (em 300 DC), delineou-se um pequeno “esboço”.
Os Papas não pretendiam na altura e, muito menos hoje, ser “fieis” aos Evangelhos. Apenas motivações de ordem muito “temporal”, questões muito “terra-a-terra”, deixando para os crentes a eterna esperança no “Reino dos Céus”.
Por acaso, gostaria que me explicassem onde a ICAR encontrou, nos Evangelhos, o carácter “sagrado” do celibato dos padres.
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JDC Reply:
Março 12th, 2010 at 18:58
Efectivamente, no livro de S.Paulo, este refere que a melhor maneira de servir em sacerdócio era com dedicação total, i.e. sem constituir família. Como o sexo apenas é legítimo dentro do matrimónio, implicitamente S.Paulo exorta o celibato. No entanto, nunca o comanda ou impõe, apenas recomenda, dizendo que é, para ele, o melhor caminho para servir Deus.
Posto isto, também eu não percebo tanto melindro com a imposição do celibato…
cafc Reply:
Março 12th, 2010 at 20:46
Meu caro JDC
Não estamos em desacordo. Registo a sua referência a S. Paulo, que nos poderia conduzir a um debate mais alargado. Porém, no caso concreto, isso não se justifica. Como “disse”, S. Paulo recomenda, não impõe.
Quanto ao melindre, talvez resulte do facto de a ICAR tentar interferir, sistematicamente, na vida das pessoas, para além do “campo religioso”.
Reconheço-lhe, como a outras religiões, o direito de o fazer. Campanhas e manifestações contra o “aborto”, “casamentos homossexuais”, etc….
Não lhes reconheço o “direito” de apostrofarem quem não concorda com as suas “infalibilidades”.
Parece que estão num “condomínio privado”, de onde podem saír quando quiserem mas, ninguém pode entrar sem prévia autorização.
E se, de repente, alguém se lembrasse de convocar uma manifestação a exigir da ICAR o fim do celibato? Ridículo, não era?
“A Deus o que é de Deus e a César o que é de César”. Eu só me sinto melindrado quando “eles” querem interferir com “César”. Desde que fiquem com “Deus”, o problema é deles.
Um abraço.
Mas afinal quem comia crianças ao pequeno-almoço??
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Anónimo Reply:
Março 12th, 2010 at 20:50
Acho que a padralhada não come crianças ao pequeno-almoço, até porque não dá jeito.
Preferenciamente come-as da parte da tarde.
Também me parece que o celibato não é solução para a igreja católica e julgo que um dia acabará, infelizmente tarde!
Mas a sua análise é fraquita. Tenta estabelecer relações sem o menor nexo de causalidade. Se esses padres fossem casados não eram pedofilos? Os pedofilos são solteiros?
Fico com a ideia que a ara não é uma das suas especialidades. Lugares comuns não esclarecem nem ajudam ninguém. Talvez lhe falte um pouco de seriedade sem, que no entanto, se tenha disso dado conta.
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“1. Só segue a carreira clerical quem quer; só é celibatário quem quer.”
Só é celibatário quem é doente. O sexo é uma pulsão natural, impressa no código genético, reprimi-la é estar doente.
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Pinto Reply:
Março 12th, 2010 at 21:32
Só é celibatário quem é doente.
1. Está a querer dizer que só é celibatário quem não tem desejo pelo sexo. E quem o faz por opção?
2. Está a querer dizer que isso configura uma doença? A assexualidade é uma doença? E a homossexualidade?
Nuno Leal Reply:
Março 13th, 2010 at 11:56
1. Está a querer dizer que só é celibatário quem não tem desejo pelo sexo. E quem o faz por opção?
2. Está a querer dizer que isso configura uma doença? A assexualidade é uma doença? E a homossexualidade?
Não percebeu ou não quis perceber?
A assexualidade é uma doença, provavelmente do foro hormonal. Existe terapêuticas farmacológicas para diminuir o problema.
O celibato, nos moldes em que existe na ICAR, não tem a ver com assexualidade mas sim com a repressão voluntária da sexualidade. O que configura uma doença psicológica.
Quanto à parte da homossexualidade nem vou responder, é demasiado parvo para merecer resposta.
Associar o celibato e a pedofilia é tão rasco como associar a homossexualidade com a pedofilia. Há dados empíricos que sustentem a tese? Ou toda e qualquer “impressão” pessoal é válida para atacar a Igreja? Na senda da pergunta de Pinto: Carlos Cruz é celibatário? O belga Dutroux era celibatário? Os implicados nos casos de pedofilia no “Scout Movement” (sim, os escuteiros) eram celibatários? O mesmo na situação dos casos de pedofilia em congregações das Testemunhas de Jeová? Etc, etc, etc.
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Luis Reply:
Março 12th, 2010 at 20:36
Está aí um erro de raciocínio: dizer que os celibato dos padres pode ser um factor propiciador de pedofilia não implica que os pedófilos sejam todos celibatários. As implicações lógicas não são comutativas.
Quanto á associação rasca: também será rasca associar a pobreza e a criminalidade? As desigualdades sociais ao número de assaltos?
“São as privações que trazem as grandes vontades”, segundo Huxley.
João Sousa Reply:
Março 12th, 2010 at 21:32
Não está em causa a lógica da argumentação. Estão em causa factos: há dados empíricos que sustentem a tese de que o celibato propicia a pedofilia? É que podemos argumentar ao contrário: o matrimónio propicia a pedofilia porque muitos pedófilos são casados. E sim, Luís, acho que é rasco associar a pobreza com a criminalidade.
“O mais raro de todos os luxos: a privação”, segundo Casimiro de Brito. Mas não vamos pelos argumentos de autoridade
Pinto Reply:
Março 12th, 2010 at 21:34
Associar o celibato e a pedofilia é tão rasco como associar a homossexualidade com a pedofilia.
Na mouche.
Nuno Leal Reply:
Março 13th, 2010 at 13:41
Fala de empirismo mas tem raciocínios ilógicos e não científicos.
Pessoalmente, não acho que o problema da pedofilia seja o celibato. Acho que é um rótulo que dá jeito aos pedófilos e, por isso, ingressam nesta actividade pastoral que lhes permite sê-lo sem sofrerem exclusão social.
[Comic mode]
Empiricamente posso dizer que quando um tipo anda com muita fome até para as feias olha… Imagino andar com fome a vida toda, misturado com a demência inerente à pastorícia. eheh
João Sousa Reply:
Março 13th, 2010 at 16:39
Nuno, o empirismo pode não ter nada a ver com a “ciência”. Eu falo de dados empíricos, isto é, de observações suficientes sobre determinado evento que nos permitam, por exemplo, achar nexos de causalidade entre um acontecimento A e um outro B. Não me parece que seja o caso. De facto, a associação aqui feita parece radicar de um preconceito sobre o celibato (“não é natural”: mas o que é afinal “natural”?) e de um outro, maior, sobre a Igreja. Não afirmo taxativamente que o comportamento A não “propicia” um comportamento B. Só quero dados, estatísticas, estudos ou meros pareceres psicológicos. Não me satisfaço com meras “impressões” pessoais. Sinceramente, acho que o problema da pedofilia na Igreja tem mais a ver com uma situação diferencial de poder entre padres e crianças a seu cargo: que, no entanto, se encontra em muitas outras instituições (escolas, orfanatos, etc) e não é exclusiva desse potentado maligno com sede no Vaticano.
Já se interrogaram porque motivo a esmagadora maioria dos casos de pedofilia entre padres são casos de pedofilia homossexual?
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Miguel Reply:
Março 13th, 2010 at 17:50
Já muito boa gente se interrogou sobre isso.
E a resposta é muito simples: existem muitos mais rapazes em posições sociais mais susceptíveis de serem abusados do que raparigas.
Natcho Reply:
Março 16th, 2010 at 12:08
Sonso, onde estão as evidências cientificas? Provas? Estudos?
Ass. Homossexual, não pedófilo.
O clero, os padres são um dos sectores da sociedade com previlégios no contacto com as crianças e os jovens. Seria boa ideia por aqui alguns travões.
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Caro Bruno, esse caminho não leva a nenhum lado bom.
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Eureca! O celibato leva à pedofilia! Está resolvido o mistério, mas fico com algumas dúvidas:
Então os professores pedófilos resultam de quê? O rosário de professores pedófilos devia originar o quê? O encerramento das escolas? A imposição do ensino à distância?
Sabendo-se que a maior parte das crianças vítimas de abuso sexual são abusadas em casa, por gente da família (muita vezes o próprio pai), isso deve-se ao quê? Ao casamento? Previne-se como? Com o celibato?
E porque se preocupam tanto com o celibato dos padres? Se é um princípio da igreja e eles aceitaram, que temos nós a ver com isso?
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Bruno Sena Martins Reply:
Março 13th, 2010 at 2:43
Para poupar latim reproduzo o comentário do Luis:
“Está aí um erro de raciocínio: dizer que os celibato dos padres pode ser um factor propiciador de pedofilia não implica que os pedófilos sejam todos celibatários. As implicações lógicas não são comutativas.”
É muito difícil compreender isto?
madalena Reply:
Abril 22nd, 2010 at 14:27
Parabéns, eleitor 11. Disse tudo o que eu penso.
“11 Eleitor
12 Mar 2010 às 22:17
Vale a pena repetir.
Eureca! O celibato leva à pedofilia! Está resolvido o mistério, mas fico com algumas dúvidas:
Então os professores pedófilos resultam de quê? O rosário de professores pedófilos devia originar o quê? O encerramento das escolas? A imposição do ensino à distância?
Sabendo-se que a maior parte das crianças vítimas de abuso sexual são abusadas em casa, por gente da família (muita vezes o próprio pai), isso deve-se ao quê? Ao casamento? Previne-se como? Com o celibato?
E porque se preocupam tanto com o celibato dos padres? Se é um princípio da igreja e eles aceitaram, que temos nós a ver com isso?’ Mada
Por um lado pedimos um Estado leigo e livre da icar, por outro damos bitaites se os padres devem casar ou não e a influencia que isso pode ter nas suas taras…
A icar tem regras, só vai para lá quem quer e não me parece que vão ao engano.
Revolta-me muito mais a presenças de sotainas em tudo o que é cerimonia de Estado e o dinheiro que damos para essa pandilha.
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Helder Reply:
Março 13th, 2010 at 2:59
Laico em vez de “leigo”.
A livre orientação sexual de cada um deve ser respeitada.
Heterossexuais, homossexuais, bissexuais, celibatários, etc., a opção de cada um diz respeito apenas a cada um, não devendo tal opção ser condicionada pela moral da maioria.
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Podem aprender aqui o que é a ICAR http://www.youtube.com/watch?v=VABSoHYQr6k
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neste blog há vada vez mais duques e cenas tristes!
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