Perguntou o DN a Pacheco Pereira: “Escreve num jornal onde há uma cruzada declarada contra José Sócrates?” Respondeu Pacheco Pereira: “Sim, com que eu na maioria dos casos estou de acordo.” A resposta de Pacheco Pereira a esta pergunta tem dado muita polémica. E com alguma razão. Afinal, o paladino do jornalismo sem agenda e sem causas só não costuma gostar da agenda e das causas do jornalismo.
Mas mais extraordinário do que a resposta, é a própria pergunta. Porque ela não é mais do que uma acusação interessada de um jornal concorrente a outro. E é idiota, porque não faz qualquer sentido quando feita a um colunista. Seria talvez mais pertinente se fosse feita ao contrário e ao próprio jornalista: “Escreve num jornal onde há uma política de fretes ao poder?” E a própria pergunta feita a Pacheco Pereira é só mais um exemplo dessa política do DN: dar validade às suspeitas lançadas pelo PS contra quem dá más notícias para o governo. Coisa que o DN, apesar da sua linha ideológica, vai evitando. Lá terão as suas razões.
12 comentários 3 Ago 08 em Sem categoria12 respostas ao post “Pergunta nada inocente, resposta muito esclarecedora”
- 1 Pingback on 4 Ago 2008 às 20:50




É esclarecedor quanto ao jornalismo que temos, mas também mostra que mesmo os próprios já não têm ilusões!
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Ainda gostava que me explicassem pq é que não se faz essa pergunta. Os jornais são muito mansinhos uns com os outros. O jornalismo português é mau e os jornalistas são corporativos mas ninguém pára para pensar. A pergunta do DN, mesmo que interesseira – idiota, nunca! – é útil. E também o é feita a quem é.
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“Escreve num jornal onde há uma cruzada declarada contra José Sócrates?”
Em abstracto o Daniel tem razão: essa pergunta feita a um colunista é despropositada. Mas no caso em apreço, em que JPP e JMF são unha e carne, já faz todo o sentido. A prová-lo está o facto de JPP ter respondido à pergunta sem pestaenejar .
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ele não diz que está numa cruzada declarada contra José Sócrates, apenas afirma que escreve nesse jornal, e que por coincidências, concorda com parte das criticas .. explique-me qual é o mal disso ?
talvez esteja a escrever naquele jornal, porque não o convidaram para outro, assim como o Sr. Do escreve no Expresso, porque terá sido, onde o convidaram 1º quiçá …
o que importa é atacar o homem , não à argumentos para o confronto, ataca-se por baixo …
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Pois eu aplaudo a pergunta! Ou será que os comentadores e opinion makers estão num pedestal tão elevado que não lhes podem descobrir a careca?
O jornalismo padece de doenças graves- escrevo aliás um post sobre o assunto hoje no meu blog- mas a pergunta do jornalista do DN é não só legítima, como pertinente.
A propósito…pensa o DO que aquela entrevista de ontem da SIC notícias ao patrão foi inocente e bom jornalismo?
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a vida está dura para todos
até para os comentadores
se se comentam uns aos outros
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*há
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O DN está muito bem para o Público.
Mas concorda lá que o jpp caiu na esparrela…
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Pacheco Pereira sempre foi isto. Mas houve um período em que este indivíduo foi guindado à posição de “pensador”. Foi quando abandonou o MRPP (o trabalho possível estava feito e, portanto, nada mais com futuro haveria a esperar dali) e se passou para o PSD, levando na bagagem, não a coerência (coitado era novo, não pensava) mas a máscara de futuro “pensador”. O estágio, no MRPP, foi ficando cada vez mais nublado, à semelhança do que aconteceu com muitos outros. Hoje, quase todos estão no poder ou na órbita do poder. Um deles, até faz parte do poder supranacional. A direita tem sido mais do que generosa, magnânima, para quem pertenceu ao Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado. Pasme-se! Não há um pingo de vergonha…
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Desculpem intervir, de novo. Mas esqueci de comentar esta frase que aparece no fim do “post”: «Coisa que o DN, apesar da sua linha ideológica, vai evitando».
Qual linha ideológica? A linha ideológica do DN sempre foi e julgo que sempre será: a “linha situacionista”, seja a situação o que for. Pode ser que seja uma maldição mas é verdade. O DN muda conforme o governo. Antes de João Marcelino, ainda lá escreviam alguns comentadores de diferentes sensibilidades. Agora, é o pardacento e sonolento Ferreira Fernandes (que até comenta desporto), Fernanda Câncio e pouco mais.
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Nesta coisa de inocências pacheco pereira é tudo menos isso lol
pacheco pereira e a ” relassa fraqueza”
Estou de acordo com pacheco pereira no que escreve sobre a correspondência ficcional de fradique mendes e de como Eça usou a ficção para atacar tudo o que de mau havia na sociedade portuguesa da época, não deixando esquecer que a época que fradique mendes tão cruelmente atacou e da qual tão cruelmente se riu era justamente a época da monarquia e durante os seus anos de maior decadência.
http://apombalivre.blogspot.com/2009/08/pacheco-pereira-e-relassa-fraqueza.html
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