No café de um país onde a violência e a negligência sobre as crianças ainda faz parte do quotidiano oiço dois homens chocados com dois pais ingleses que deixaram os seus filhos no quarto, sozinhos, estando jantavam a cinquenta metros. Porque sou pai galinha e ansioso, duvido que fizesse o mesmo. Mas como me irritam as indignações colectivas com o assunto mediático de cada semana…


Sem respostas ao post “Postas de pescada”  

  1. 1 1  Conde da Vila

    Mais irritante ainda é fazerem mais esforço à procura de uma Inglesa, do que à procura de centenas de portugueses desaparecidos ultimamente!
    É mesmo preciso as pessoas indignarem-se…

  2. 2 2  Luís Lavoura

    Esses dois homens se calhar eram pais-galinha, como o Daniel. Têm o direito de criticar quem não seja pais-galinha como eles.

    Eu também sou pai-galinha. Acho impensável deixar-se uma criança sozinha em casa a dormir enquanto se vai comer. Nunca fiz isso nem nada parecido.

  3. 3 3  Budapeste

    Os culpados não são os pais mas o raptor…

    A qualquer um basta olhar para o lado e alguém mal intensionado pode raptar-nos a nós crescidos, quanto mais uma criança…

    Eles facilitaram, mas o raptor se não o fizesse assim poderia faze-lo de várias outras formas.

    Coitados deles e a quem isto não aconteceu, pode acreditar que isso é mais por sorte do que por alguém conseguir evitar todos os perigos que hoje nos rodeiam…

    Ás vezes não sei é se um pulha que faz isto merece continuar a viver…

    E gostava de não ter de pensar assim.

  4. 4 4  Bang Bang

    O caso é mesmo para ficar chocado. Se os protagonistas são ingleses ou portugueses isso é irrelevante.

  5. 5 5  Daniel Oliveira

    Bang Bang e Lavoura, não me passa pela cabeça criticar um pai porque não sofre das minhas ansiedades. E acho desumano. Conde, a polícia portuguesa procura as crianças portuguesas desaparecidas

  6. 6 6  Isabel Coutinho

    A minha primeira reacção foi efectivamente de crítica aos pais da criança. Não é preciso ser pai ou mãe galinha para não fazer uma coisa daquelas.
    Mas, neste momento de quem eu tenho pena, é da criança. E dos seus pais, claro, que neste momento devem estar permendamente arrependidos. Mais, com um terrível sentimento de culpa, que nunca mais os largará a vida inteira.

  7. 7 7  Bang Bang

    Daniel,

    Tu és um tipo porreiro. Gostava de ser teu amigo.

  8. 8 8  Sebastião Dias

    Por vezes também sofro da mesma irritação do Daniel, mas depois penso que os comentários dos casos da semana estão a jusante do verdadeiro problema e este problema é a tablóidização dos órgão de comunicação. Quando o alinhamento de um telejornal permite que os primeiros 20 minutos sejam dedicados a um tema desta natureza, quando se verifica que este alinhamento seja a norma e não a excepção, e quando se constata que outra informação importante ou digna de relevo é deixada para segundo plano ou ignorada, algo está muito mal. E a responsabilidade é dos decisores dos orgãos de informação e da classe jornalística em geral. De quem mais?

  9. 9 9  Zé tunga

    Alguns comentaristas devem ser pessoas que quando vão tomar banho também levam as crianças atrás para a casa de banho…

  10. 10 10  lisboa

    Também é função dos pais guardarem e protegerem convenientemente os filhos, ainda por cima desta idade.
    Estes pais claramente não o fizeram.
    Podem ter neste momento muita dor, acrescida de muitos remorsos, mas seguramente quem mais está a sofrer é a pequena Madie.
    Para finalizar, gostaria de dizer que ambicionava viver num país em não se fizesse de casos como este um espectáculo como o que está a acontecer nas nossas televisões.
    É triste. Muito triste.

  11. 11 11  Mario Cordeiro

    Este caso, por ter sido mediatizado por causa do rapto, conheceu-se.
    Não somos juízes, não nos compete julgar os pais, embora creia que já foram “condenados à prisão perpétua” por tudo o que estão a passar e pelo sentimento de culpa.
    De qualquer modo, quantos casos haverá em que, não havendo rapto, as crianças ficam nessas condições, e mesmo que não entre um estranho, podem acordar (até com a activação do sistema de alerta do sono quando os pais saem) e ficam a chorar meia hora (pelo menos)sem ouvir eco para os seus apelos, nem que seja um “Calem-se. Durmam”. E esta situação é altamente traumática, sobretudo nos primeiros anos de vida em que o medo do abandono pelos pais é o grande “Bin Laden” das crianças.
    Como pediatra e pai de cinco filhos não posso deixar de condenar este tipo de comportamentos, porque colocam o bem estar dos adultos à frente do melhor interesse da criança. Quem tem filhos tem que pensar em re-organizar a vida e o que pretende dos dias e das férias. Se é para sair e estar à vontade, então contrata-se babysitter ou pede-se a alguém que tome conta, embora nestas idades um estranho possa ser também truamático - mas há sempre o telemóvel e os pais estavam a um minuto…
    Pelo menos que se revejam atitudes, e que não se aproveite o caso para destilar culpas e daqui a duas semanas ninguém se lembrar e fazer o mesmo, apregoando que “os ingleses é que eram maus”.
    Depois de mais de vinte e cinco anos a trabalhar em maus tratos infantis, direitos da criança, crianças abandonadas e lares, dou-me ao luxo de exigir mais da parentalidade, principalmente quando nem há a desculpa da incultura ou da ileteracia.
    PS1: Já agora, aproveito apra dizer que há precisamente 20 anos, quando estive em Inglaterra, havia uma lei que proibia os pais de deixarem os filhos com menos de 12 anos sozinhos em casa…
    PS2: ainda por cima passo férias há mais de 40 anos na Praia da Luz!!!!
    Abraços e bom fim de semana

  12. 12 12  palhaçadas

    Anteontem estava na palheta com um amigo meu, escritor, e dava-lhe conta do meu desagrado em relação à sua forma de escrever, que enferma, na minha opinião, de uma enorme falta de “finesse”. Este meu amigo é caricato e logo me respondeu que Bocage teria dificuldade em aceder ao meu conceito de “finesse literária”. Sorri, e eis que então nos interrompeu uma notícia na CNN. A opinião pública inglesa faz ecoar um certo descontentamento relativamente à metodologia da polícia portuguesa no que se refere às buscas da pequena Madeleine; segundo algumas vozes, a polícia portuguesa será desarticulada, pouco célere, e essencialmente estará pouco habituada a divulgar junto das populações fotografias de crianças desaparecidas. O que, segundo a CNN, levou o Reino Unido a enviar para Portugal uma equipa de 2 especialistas ingleses neste tipo de situações, no sentido também de ajudar a coordenar as buscar. No fim da notícia, o meu amigo comentou comigo que a imagem da polícia portuguesa no exterior não estaria a ser descrita como a mais profissional. E retomando o início da nossa conversa, rematou: Bocage não tinha “finesse” rigorosamente nenhuma e de resto, às vezes, em Roma, é mesmo preciso ser romano.

    http://www.cnn.com/2007/WORLD/europe/05/09/portugal.girl.reut/index.html

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