
Na semana entre o 25 de Abril e o 1º de Maio dedico o espaço para o blogue escolhido aos trabalhadores precários. O blogue da semana é o dos Precários Inflexíveis. Mas ficam outros: o blogue do MayDay, o Ferve (Fartos d’Estes Recibos Verdes), o Contra os Recibos Verdes, o Mind This Gap, de licenciados que abandonam o país, o Lisboa em Alerta, dos trabalhadores precários da CML, o Exige-Arq, de jovens arquitectos, e o dos bolseiros.
Aqui ficam também alguns vídeos:
Veja mais no link em baixo
Por Daniel Oliveira 24 Abr 08 em Sem categoria



Será que existem ex ministros precários ?
Daqueles que tutelam e depois mudam-se de armas e bagagens para os tutelados ?
Tudo leva a crer que não, mas nunca se sabe…
Infelizmente o trabalho precario generalizou-se um pouco por todas as sociedades ocidentais, um paradoxo pois sabemos que o trabalho precario nas condiçoes a que sujeita as pessoas e gerador de menor produtividade e qualidade, e mesmo assim persiste, contra senso numa sociedade de consumo.
Precários de todo o mundo, uni-vos!
A mim custa-me ver neste País, tanto licenciado sem emprego a vender-se sem ganhar o salário mínimo, enquanto que outros optam por outros esquemas, droga, prostiruição, etc…:
DITADOR DE ABRIL
Agora não há cravos,
não os há em Lisboa;
hoje existem escravos,
e liberdade se apregoa:
-
olha a bela morenaça,
que só tem vinte anos;
vejam como ela caça,
cá dinheiro a fulanos!?
-
ola linda bonequinha,
que tem seu olho azul;
como ela é meiguinha,
e caça euros cá no sul!?
-
a moça recém chegada,
de uma beleza sem par;
faz que é bem amada,
para o trouxa só pagar!?
-
e bela diaba do prazer,
leva os homens ao céu;
e só dinheiro quer ter,
vende o corpo ao léu!?
-
e tanta “viúva” carente,
que inda é moça nova;
os euros esfola à gente,
senão leva uma sova!?
-
uma menina atenciosa,
p’ra todos tem atenção;
para se tornar famosa,
tira a homens o tesão!?
-
e uma bela matulona,
troca cá pelo dinheiro;
o corpo de qu’é dona,
vende-se a cavalheiro!?
-
e a menina portuguesa,
de curso sem emprego;
vende essa sua beleza,
p’ra tirar tudo do prego!?
-
e um sonho de mulher,
mostra seu ar risonho;
pois só euros ela quer,
os euros são seu sonho!?
-
por cá fecham usinas,
imposto a isso obriga;
moças feitas meninas,
a ele lhes fazem figa!?
-
e traficam-se pessoas,
na indústria sem igual;
liberdade qu’apregoas
não é cá em Portugal!?
-
um dia eu fui militar,
lutei por País melhor;
para isto cá melhorar,
só se vir um ditador!
-
Pisco
Vou dar um exemplo de precariedade. Uma pessoa próxima de mim estagiou numa (micro) empresa. Fez estágio curricular, teoricamente não remunerado, e recebia uma «esmola» de cerca de 100€/mês. Deu a ganhar a essa empresa milhares de euros com o seu trabalho. Milhares de euros, meus amigos. Diria mesmo dezenas de milhares de euros ao longo de todo o estágio. Sabem qual é a lógica de funcionamento dessa empresa? Usar os estagiários, que fazem todo o trabalho, requisitando todos os anos nova fornada. Isto supostamente não é permitido, mas acontece. O ordenado oferecido a um trabalhador que lá queira ficar a “segurar as pontas” (e a manter alguma estabilidade) é irrisório, e anda pouco acima do ordenado mínimo. Contratos? A 6 meses, claro. Ou recibos verdes. Mas o grosso da “massa” de trabalhadores (2) é composto por estagiários.
O “empresário” ainda teve a distinta lata de oferecer uma gratificação no final do estágio: algumas notas de 10 euros, abaixo da meia dúzia. Não era obrigado a nada. Mas ganhou cerca de 4mil euros em menos de um mês com um estagiário. Resultado disto? Foi passar férias. E deixou uns trocos ao “precário” para ir jantar fora uma ou duas vezes.
O que me espanta, e digo isto porque ainda estou numa fase pré-trabalho em que estas situações me espantar e assustam, é que não muito tempo depois a mesma pessoa que lá estagiou concordou em ir lá dar uma ajuda esporádica. Em 3 horas e pouco ganhou quase 50 euros, e no entanto, ainda deixou margem de lucro para o patrão. Façam as contas e vejam quanto isto não dá ao fim do mês. Venham mais biscates destes!
Há qualquer coisa que não bate certo no mercado de trabalho português. A curva da oferta e da procura está torta, e vira-se sempre para o lado do empregador.
É curioso o filme. É que em Portugal toda a gente só fala dois recibos verdes. Só que o TT é uma realidade bem mais comum.