
Quando soube da candidatura de Fernando Nobre à Presidência da República, uma semana antes de ser pública, fiquei com muitas dúvidas. Tenho por Nobre uma enorme admiração. O seu percurso cívico só me merece elogios. Irritou-me, é certo, saber que Mário Soares tinha andado a fazer convites num acto de vingança pessoal mesquinha e sem qualquer sentido político. Esperava, confesso, mais de Soares. Mas nem acredito que tenha sido essa a razão que levou Nobre a avançar, nem me parece que a mesquinhez dos outros o afecte ou diminua.
Quando a candidatura foi tornada pública pelo “Expresso” era isto que sentia: de um lado, um bom candidato comprometido com as causas fundamentais da esquerda, do outro, um candidato que nos últimos cinco anos foi das poucas vozes no PS que resistiu de forma clara e com muitas provas dadas à deriva liberal socrática. De um lado, um candidato capaz de convocar o descontentamento de muita gente com a política, dando a esse descontentamento um sentido, do outro, um candidato capaz de unir a esquerda para derrotar Cavaco Silva em torno de um discurso claramente dissonante com o de José Sócrates. A candidatura de Nobre tinha a desvantagem de pôr em causa a derrota de Cavaco, mas esperei.
Devo dizer que a apresentação de Fernando Nobre, no Padrão dos Descobrimentos, foi quase como um balde de água fria. Para mim a política faz-se de escolhas. Não devemos nunca ignorar o desencanto das pessoas com a política. Mas esse desencanto com a política só se combate com mais e melhor política. Tentar pescar nele sem isso é um caminho fácil e perigoso. E foi isso, para meu espanto, que Nobre (que continuo a admirar e cujo o carácter e a coragem não está nem estará para mim em causa) fez. A sua impreperação não me espantou. Uma coisa é ocupar o lugar de presidente da AMI, que só merece elogios públicos, outra bem diferente é o palco político. Mas isso, sendo um problema, podia ser resolvido. O que me espantou e entristeceu foi a indefinição como estratégia.
Quando voto para um Presidente voto em quem vai gerir crises políticas, vai vetar e promulgar leis, vai impedir abusos ou cooperar com a governação. Não passo cheques em branco a ninguém e o discurso estritamente moral e ético, sem o conteúdo que faz da política a escolha entre alternativas, nada me diz.
Pelo contrário, nunca fui um grande apreciador de Manuel Alegre. Nem como político, nem como poeta – não o conheço como pessoa. Critiquei-o várias vezes, de forma até bastante firme, nas últimas presidenciais. Por três razões: o facto das suas discordâncias com José Sócrates parecerem resumir-se ao facto de não ter sido o candidato escolhido, pela sua visão da esquerda parecer viver apenas da memória e por sentir que a sua candidatura sofria, de forma um pouco menos acentuada, do mesmo “pecado” que encontro agora em Fernando Nobre. Um presidente é presidente de todos os portugueses. Um candidato não o pode ser. Isso é a negação da democracia.
Acontece que depois das últimas presidenciais Manuel Alegre fez um caminho. Votou contra o Código de Trabalho, uma das leis mais graves aprovadas nos últimos anos, contrariando assim o seu próprio partido. Defendeu, mais uma vez em oposição ao governo, o Serviço Nacional de Saúde. E, vendo o caminho que isto estava a levar, decidiu não se candidatar a deputado nas listas do PS. A incoerência e inconsequência que lhe via foi, ao longo dos últimos quatro anos, contrariada pelo próprio. Por isso mesmo estive no Teatro da Trindade e na Aula Magna, encontros que tanto incomodaram o circulo político de Sócrates.
Sendo verdade que o meu partido já tinha declarado o seu apoio a Manuel Alegre, entendo que as presidenciais são eleições de natureza diferente das restantes e dão total liberdade aos militantes. As direcções dos partidos apenas podem dar indicações de voto. Foi a minha leitura politica pessoal que, quando Manuel Alegre manifestou a sua vontade de ser candidato, me levou a escrever que o apoiaria.
Mentiria se negasse que a candidatura de Nobre instalou em mim muitas dúvidas sérias sobre a manutenção desse apoio. Dúvidas que aqui fui partilhando. Mas foi o próprio Fernando Nobre, pela estratégia de absoluta indefinição política que decidiu imprimir à sua candidatura, que me retirou todas essas dúvidas.
Assim, votarei Manuel Alegre nas próximas eleições presidenciais e tenciono por ele fazer campanha.
O meu voto e apoio tem três objectivos: retirar Cavaco Silva e o seu conservadorismo social e económico – que tantas vezes se encontra com a insensibilidade social e a arrogância política de Sócrates – de Belém; conseguir uma convergência à esquerda em torno de um programa em defesa dos serviços públicos e do Estado Social; e ter a certeza que na Presidência haverá quem defenda as conquistas sociais dos últimos 36 anos, quer fique Sócrates no governo quer, como é bem mais provável, venha a existir um primeiro-ministro do PSD.
Não farei, como já tinha dito sobre qualquer um dos dois candidatos à esquerda, campanha contra Fernando Nobre. Continuará a merecer o meu respeito e admiração. Mas não é, não podia ser quando acha que os grandes combates que me fazem de esquerda estão hoje ultrapassados, o meu candidato. O meu voto vai para o homem que tem condições para derrotar Cavaco e para, em Belém, ser um defensor dos direitos sociais que nos estão a ser retirados. O meu voto irá para Manuel Alegre.
Sobre o debate interno no Bloco de Esquerda e a proposta de um Congresso Extraordinário farei mais tarde um post à parte.
53 comentários 15 Mar 10 em Sem categoria53 respostas ao post “Presidenciais (1): o meu voto, o meu candidato”
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Resumindo, não mudou de ideias, no entanto, com a alergia que os portugueses estão a ficar aos políticos e da maneira como vai este país, não seria nada de estranhar que, como já começaram a deixar de acreditar em milagres, desta vez, mandem às urtigas a “mais política” e fiquem, muito satisfeitos, só com alguma ética e moral.
Se o desalento, não provocar uma abstenção muito elevada, no final, logo se verá se não tenho razão.
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cafc Reply:
Março 15th, 2010 at 20:54
Cara isagt
Não me deixa outro “remédio” que não seja o de concordar consigo. Há uns posts atrás, exprimi uma opinião muito parecida e, como tento manter uma certa coerência…
Ainda é muito cedo, para se saber quem são os candidatos às Presidenciais. No entanto, parece que a “campanha” já começou.
Esperemos pelos próximos episódios. Talvez seja possível demonstrar que foram os “políticos” a mandar às urtigas a Política.
Um abraço fraterno.
Em política, não há ética sem conteúdo político, como rapidamente compreendera Fernando Nobre, por ser um homem serio. Diria mais: a ausência de conteúdo no combate político é pouco ética.
Mandar as urtigas a política é mandar às urtigas a democracia e, por isso, a liberdade,
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Daniel, que desilusão. Esperava mais de si.
Bem sei que para si, Alegre é o mal menor, mas mesmo assim…..
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Eu vou votar em branco.
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Platão escreveu que o castigo de quem não se interessa por política é ser governado pelos seus inferiores.
Se por «inferiores» se entende quem não encara a política no seu sentido mais nobre – o da cidadania – mas como um mero modo de fazer pela vida, dou-lhe razão.
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também voto Alegre, em princípio. mas se continuar a fazer coro com o PS contra a justiça e a comunicação social, vou rever a minha decisão.
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Fiquei comovido, caro Daniel
…e só não vota Fernando Nobre por causa do malandro do Mário Soares…o que você sabe das conspirações e vinganças do homem é notável.
Quanto ao BE fico à espera do seu post se até lá o BE não se partir em bocados.
Cumprimentos
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Marta Reply:
Março 15th, 2010 at 22:16
Aparentemente leu o primeiro parágrafo.
Eu, quando quero comentar um texto do Daniel, tenho que o ler todo.
Ser de direita é ser ultra-liberal (definição do DO, alguns posts atrás).
Ser de esquerda é ser comunista (pela mesma ordem de ideias).
Dizer que alguém não tem conteúdo político porque acha que não encaixa nestes compartimentos, é extremamente limitado (para ser simpático)
Para mim falta de conteúdo tem alguém que olha para o mundo apenas por este prisma.
De resto, o que Nobre diz é que “é apartidário, mas nunca apolítico”.
Por isso ele veio fazer política, para, como o DO disse, combater o desencanto com a política “com mais e melhor política.”
Pode-se dizer o mesmo do Alegre?
The old one-dimensional categories of ‘right’ and ‘left’, established for the seating arrangement of the French National Assembly of 1789, are overly simplistic for today’s complex political landscape.
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«Mário Soares tinha andado a fazer convites num acto de vingança pessoal mesquinha e sem qualquer sentido político»
Edificante.
Perfeitamente dentro do que acabo de ler nos últimos dias.
“Memórias de um PS desconhecido” – «Contos proibidos», de um dos braços direitos de MS na sua ascensão para o Olimpo (PR).
Rui Mateus.
A bem do Regime.
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Se o Manuel Alegre tiver a coragem de dizer, alto e em bom som, que se for eleito obviamente demitirá o sócrates então … votarei nele!!!
Fico à espera … sentado!!!
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Tudo neste Daniel me comove e por isso aplaudo o apogeu: de braço dado com Sócrates-Alegre pelo Chiado abaixo…
Viva! (três vivas e mais uns tantos urras!)
Manuel Monteiro
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aa Reply:
Março 16th, 2010 at 1:19
O problema é a máquina burocrática do BE a tender para o mesmo lado.
Tanta treta para nos dizer que a voz do chefe fala mais forte. Louçã decidiu em nome do BE, está decidido. Os alinhados cerram fileiras.
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Muito bem, atenção desta vez li tudo e como era um bocadinho incompreensível até li outra vez.
Vai-lhe acontecer o efeito Sporting, este luta pelo quarto lugar, o seu candidato logo que o PS e o PCP apresentem os deles, vai lutar pelo mesmo lugar.
Felicidades.
Como sou do Benfica e estamos quase a garantir de vez o primeiro lugar se pensar um bocadinho vê logo em quem vou votar.
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Mas, Daniel, como é que falas de F. Nobre como um dos candidatos a «à esquerda» se nem o próprio lá se coloca?
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Depois de um largo “debate” sobre os candidatos presidenciais, o tabu do Daniel Oliveira foi revelado, apoiar a candidatura do Manuel Alegre.
As últimas sondagens, deviam ter sido, um importante aviso para a Direcção Politica do Bloco de Esquerda, é inútil meter a cabeça na areia.
A convenção extraditaria, que está a ser convocada, por militantes do BE, por não ter havido um debate interno, sobre as eleições Presidenciais, é outro aviso.
Vamos ver a posição de Sócrates e do PS, mais um tabu que aguardo impacientemente e apelo sinceramente, como homem de esquerda para outro que um de nós esteja enganado, acabo citando Miguel Portas, “Até por isso, apenas sei que não se devem abrir feridas que depois não cicatrizem em tempo útil.”
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António Sequeira Reply:
Março 15th, 2010 at 21:23
Errata:
Extraordinária
Fale por si, se obedece ao chefe.
Vá ver coisas que escrevi no passado e perceberá que nem obedeço a chefes, nem esta minha posição vem do nada. Esta mania de julgar os outros pela nossa própria bitola…
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Dazulpintado Reply:
Março 16th, 2010 at 2:04
Mas qual chefe qual quê? Manuel Alegre será o candidato apoiado pelo PS, como se viu com a sua integração na comitiva que viajou a Moçambique, por isso o Daniel só precisa obedecer à sua própria estratégia. Perdoe-me Daniel se sou injusto consigo, mas você está numa transição migratória para um clima mais temperado. Isso é bom, mas se não acelera o passo a Primavera passa.
Bom post .condensou muito bom as fraquezas de Nobre.Não sendo eleitor desta area politica, confesso que me faz impressão o discurso de Nobre baseado na morall( a moral…sempre a moral..)
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André Reply:
Março 16th, 2010 at 0:20
Faz-me lembrar os discursos da Marisa Matias, sempre baseados na moral.
Ups. Essa não é eurodeputada do BE?
“O meu voto vai para o homem (…) em Belém, ser um defensor dos direitos sociais que nos estão a ser retirados. O meu voto irá para Manuel Alegre.”
Só me ocorre dizer; eu também vivo num castelo e tenho os sete anões como caseiros.
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Caro Daniel
Compreendo e partilho das dúvidas que teve, até aqui, em apoiar explicitamente um dos candidatos preesendiciais.
Revejo-me, igualmente, na postura não sectária que assumiu e continua a ter em relação às candidaturas anunciadas.
Percebo, também, algumas das razões políticas que aponta para apoiar Manuel Alegre.
Discordo é da possibilidade que põe de Alegre ter uma candidadtura capaz de enfrentar e derrotar Cavaco Silva. Infelizmente, é minha convicção que as presidenciais vão ser um passeio para Cavaco. Pelo menos por três razões fundamentais:
1. Na actual situação política e face à “evolução” do candidato, Manuel Alegre nunca contará com o apoio do PS no seu todo.
O PS dos interesses, o PS profundo, o PS da influência autárquica, por vezes mais conservador do que o próprio PSD, nunca apoiará Alegre.
2. O apoio de Sócrates vai ser um apoio formal, institucional, dissimulado e muito pouco convicto.
O pior que podia acontecer à política neoliberal de Sócrates seria a eventual vitória de Alegre, que traria sempre uma lógica de mobilização social potencialmente anti-capitalista.
3. A “adesivagem” do BE à candidatura de Alegre e o seu apoio precoce foi o pior serviço que poderia ser feito a uma candidadtura ganhadora.
A forma precipitada e até oportunista como este apoio surgiu permitiu que a candidatura aparecesse como uma emanação directa do BE, impedindo que se criasse uma lógica “frentista” e de mobilização verdadeiramente unitária.
Por tudo isto e pelo mais que veremos nos próximos episódios, vou esperar mais uns meses até decidir o meu sentido de voto e meu apoio público a um dos candidatos…
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aa Reply:
Março 16th, 2010 at 1:21
“O pior que podia acontecer à política neoliberal de Sócrates seria a eventual vitória de Alegre, que traria sempre uma lógica de mobilização social potencialmente anti-capitalista.”
Pelo amor de Deus. Anti-capitalista? O que teve o Manuel Alegre a dizer sobre o PEC?
Pavel, talvez esteja enganado sobre quem quis o quê. Uma nota: quando é que a candidatura de Alegre passou a ser um facto consumado? Incluindo para o PS? E quem precisava disso?
Um dia se fará a história.
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Junte lá um voto igual ao seu, mais o que disse sobre Fernando Nobre.
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Olá, Daniel,
Li o seu artigo “Presidenciais:o meu voto, o meu candidato”, onde nos dá conta de como decidiu apoiar Manuel Alegre, muito embora o seu coração também batesse por Fernando Nobre.
Ambos humanistas. Ambos dignos da maior consideração e destaque. Certamente, ambos conhecedores do mundo. Mas em perspectivas diferentes. Só que o que está em causa é justamente o conhecimento da política e seus meandros, bem como a experiência política dos candidatos. Mas mais, é urgente inverter a ordem das coisas. Quando eu digo que QUERO UM POETA PRESIDENTE, é por acreditar que a poesia está cada vez mais a ser procurada por cientistas e até por economistas, no sentido de procurarmos uma saída para este beco em que se meteu a Humanidade, como dizia NatáliaCorreia.
E porque o próximo diálogo terá de ser entre poesia e política, pois só a primeira poderá transmitir à segunda os germes do princípio da unidade e o espírito de solidariedade que a sustente, eu optei por querer um Poeta Presidente. Deste modo, creio que Manuel Alegre está hoje em melhores condições do que esteve na sua primeira candidatura. E até os seus apoiantes – como é o meu caso -, têm hoje maior conhecimento de como se deve processar uma candidatura, para ter condições de ganhar.
Por muita admiração que eu tenha por Fernando Nobre, verifico que continuamos a insistir num diálogo de surdos, pois ele está a fazer o caminho que nós já fizemos. E é pena, porque isto representa um desperdiçar de votos, um retrocesso e uma série de etapas e tempo perdido.
Maria Amélia Campos
Quando digo que quero um poeta presidente”Diálogo de surdos, o da poesia e da política…Mas sempre pelos ritmos ascensionais do saber poético, o poeta sobe à tribuna do riso, de onde vê cá muito em baixo o político laçado pela corda com que quis atar a realidade.”
Isto diz Natália Correia na sua obra “Não Percas a Rosa”
É nesta linha que eu aceito participar neste site, mas invertendo a ordem das coisas: QUERO UM POETA PRESIDENTE, porque a poesia está cada vez mais a ser procurada por cientistas e até por economistas, no sentido de procurarmos uma saída para este beco em que se meteu a Humanidade, como diria Natália.
O próximo diálogo terá de ser entre poesia e política. Só a primeira poderá transmitir à segunda os germes do princípio da unidade e o espírito de solidariedade que a sustente. Caso contrário, depressa se esgotará, por falta de força e de chama que a projecte além da visão restrita em que se anichou.
VIVAM TODOS OS POETAS DO MUNDO!…
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Fado Alexandrino Reply:
Março 16th, 2010 at 12:42
O seu post comoveu-me.
A sua inocência também.
Lembrou bem a poesia, não se esqueça da música.
Penso mesmo que a Assembleia da República devia passar a reunir-se no Conservatório Nacional, tocar e desandar.
Na verdade o que menos lá falta é artista a darem-nos música.
Não sei, não.
Vamos ver quem se apresenta mais.
Não quererias esperar um pouco mais, Daniel Oliveira?
Nunca se sabe…
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Fernando Nobre vai ganhar a refrega com uma margem elevada. É limpinho.
Se não for traído por aqueles que em tempos deu apoio. A começar no PPM passando por o PSD, acabando no Marocas .
O DO ia deitando tudo por água abaixo. Só se lembrou do B E.
É tocar a reunir a família toda.
Coitado de quem as lê, os culpados são quem as escreve.
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Daniel, estás enganado, como enganado estará o presidente do BE se pensa que muito do eleitorado do BE votará em Manuel Alegre, estando Fernando Nobre presente. Seria um profunda contradição. E tal não acontecerá.Não querere ver éo que na gestão se designa por “Marketing Myopia”… e pode um presidente ter que gerir crises políticas, vetar leis, etc… mas a verdade é que Manuel Alegre é mais do mesmo. De novo alguém que há muito vive de e para a Política. será diferente em quê? e para na verdade, mais do que a defesa dessas questões que referes, o que interessa hoje para a liberdade do país, para a mais profunda democracia, é que o presidente lidere pelo exemplo, que inspire, como é necessário a quem lidera… e lidere dando exemplo de um percurso de vida notável, de capacidade de fazer, de empreender, de excelente profissionalismo, de qualidades humanas ímpares…alguém que leve o povo português a sonhar, a chegar mais longe… e isso fernado nobre poderá fazer muito melhor do que manuel alegre. dabem disso muitos dos eleitores do BE … e a pecipitação do partido e do seu líder éum novo erro (já cometeram alguns).
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O P.S. não tem alternativa a Alegre.
A não ser que o Sócrates se veja na contingência de se demitir – o que não é de todo improvável, face aos ventos que podem vir a soprar de Inglaterra -, o partido da rosa vai ser obrigado a ajoelhar perante o B.E. e andar atrás do calendário político de Louçã, que anda desesperado por uma causa fracturante para ficar na fotografia ao lado do P.S. – que lhe faça bom proveito.
O B.E. tentou forçar a mão para ter um pretexto de negociação de políticas “à esquerda”.
A bola está do lado do P.S.: se apoia Alegre, vai atrás do B.E. Se não apoia, entrega o capital político de Alegre ao “bandido”.
O poeta arrisca-se a fazer de S. João Baptista.
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Daniel Oliveira, duas notas:
1º Quem disse que Fernando Nobre é de esquerda?
2º Alegre não tem, infelizmente, hipóteses de derrotar Cavaco.
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Está perdoado. E olhando para onde estão os que mais vezes e de forma mais agresiva me acusaram disso, também estará perdoado se fizer o senhor o caminho. Falo de política e discuto política. Deixo as acusações de heresia e de pecado para os teólogos.
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Não tenciono votar no candidato escolhido entre os membros do CC do PCP. Se é para serem candidatos meramente partidários, então seriam do meu partido. E neste cenário, muito dificilmente apoiaria um assim.
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Mas, meu amigo,
Se neste país – que não é um Estado de Direito, mas um estado de sítio, onde se perdeu a vergonha, a ética e a moral, a justeza das acções e a transparência das opiniões -, não conservarmos alguma inocência, como poderemos ter a esperança de acreditar ser ainda possível mudar alguma coisa?
Prefiro manter a réstea de inocência que me tem dado um trabalhão danado a manter, que desistir e resignar-me.
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Acho que se decidiu muito cedo. Tomara que não se arrependa.
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Roma nao paga a traidores. Desiluda-se. Mesmo que a direccao do PS o venha a apoiar, Alegre nunca sera eleito Presidente. Pelas razoes que voce evoca. Desde candidatar-se contra Soares,pedir a demissao de Socrates logo em 2006, tentar criar um novo partido,votar sistematicamente contra o PS no Parlamento, fazer comicios com o Bloco para atacar o PS, pedir a perda da maioria absoluta do PS (apelar a derrota do PS para mais facilmente poder ser nomeado candidato do Partido) etc. Infelizmente Cavaco(o pior Presidente da democracia portuguesa) vai ser reeleito facilmente. Porque quem tem memoria no PS nao pode votar no candidato do Bloco. E quanto ao futuro PM do PSD percebe-se que voce tem feito tudo para que isso aconteca. Mas nao vai conseguir vender “Coelho por Lebre”.
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Tanta conversa sobre presidenciais e, perdoem a imodéstia, ainda ninguém disse ou fez uma pergunta urgentíssima e que é esta :MAS O QUE É QUE MUDOU DAS ULTIMAS PRESIDENCIAIS PARA AS PRÓXIMAS ?
Nas últimas, tal como nas próximas, Cavaco era candidato e com o perigo patente de poder ganhar, Manuel Alegre era candidato (e nem sequer era apoiado pelo PS !) e O BLOCO DE ESQUERDA APRESENTOU UM CANDIDATO PRÓPRIO !.
Em suma, derrotar Cavaco já era um imperativo, Alegre não era pior ou melhor anteontem do que hoje, please Daniel, eu bem sei que nem tudo tem de ser sempre igual, MAS TENHA A CARIDADE DE ME EXPLICAR QUAL FOI A MUDANÇA SUBSTANCIAL QUE, com incidência nas presidenciais, OCORREU DE 2005 PARA CÁ.
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Caro Mário,
Divergir não é trair. Para unanimismo já há que chegue, nesta pasmaceira de alienados. Quem lhe disse que Manuel Alegre quis criar um novo partido?
Garanto-lhe, de fonte segura, que não. Mas uma minoria de apoiantes – que hoje já não o apoiam-, pretenderam criar um novo partido. Esta é que é a verdade, e mais não comento.
Se o PS não apoiar Alegre, tomará a decisão mais desastrosa dos últimos tempos.
Um líder não se vende na loja dos 300, muito menos um líder histórico como é Manuel Alegre. Quanto às divergências, muito mais é o que nos une que aquilo que nos separa, e quando tocar a reunir, irá ouvir muitas vezes que divergir não é trair. Traidores são os que fazem de conta, são os que não têm coragem de dizer o que pensam, dizendo que sim pela frente, mas espetando farpas nas costas. Bom serviço à humanidade têm prestado os divergentes, e mais não digo.
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Mario Reply:
Março 18th, 2010 at 4:05
Manuel Alegre foi derrotado claramente por Socrates na eleicao para lider PS. Nem sequer se candidatou a lider no congresso seguinte. Entretanto durante quatro anos andou sistematicamente a trair o PS. Nao foi Socrates que ele traiu. Foi o PS. Por isso os militantes e simpatizantes do Partido com memoria(sao muito mais do alguns iluminados pensam) nunca votarao em Alegre. Nem tapando a fotografia.Nao por uma questao ideologica mas por uma questao de principio. Quem foi desleal com o PS como militante sera muito pior como Presidente. O PCP devido aos “negocios” (palavra tao querida ao Bloco) de Alegre com o BE tambem nao o apoiara. Nobre e um cidadao extraordinario a quem o Pais muito deve mas vindo de fora do sistema politico nao tem qualquer hipotese. E ainda bem para o Pais que assim perderia um excelente Presidente da AMI nao ganhando nada com a sua eleicao para PR (podendo vir a perder muito ,principalmente a estabilidade politica). Tudo isto da Cavaco a primeira volta. O pior de todos os Presidentes. Mas para o Bloco se nao for Alegre que seja Cavaco. Se o PS apoiar Alegre o Bloco atingira o seu objectivo principal. “Eleger” (manter) um Presidente inimigo de Socrates e do PS. Claro que esta estrategia so foi possivel devido ao ego,vaidade e odio a Socrates de Alegre. Mario Soares apesar da derrota pesada nas ultimas eleicoes Presidenciais continuara a ser a grande referencia da democracia portuguesa. Alegre(e o seu amigo Louca) serao apenas meros figurantes.
É bom saber que o sectarismo mais delirante existe em todos os partidos.
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Mario Reply:
Março 18th, 2010 at 10:05
Responda com argumentos nao com insultos. Que sao a arma dos fracos.Publique o que disse sobre Alegre na campanha de 2005. Quando este foi adversario de Louca. Agora interessa que Alegre se candidate porque permite tambem que Louca se resguarde e nao tenha uma derrota estrondosa que iria mostrar que o rei vai nu. A estrategia de dividir e enfraquecer o PS para tornar o Bloco o principal partido da esquerda portuguesa esta condenada ao fracasso. E a sua missao de enxovalhar sistematicamente o PM no Expresso e na SIC que pertencem nao por acaso ao militante N1 do PSD tambem. Por isso antes de acusar os outros de sectarismo veja-se primeiro ao espelho. E recorde tudo o que escreveu e disse sobre o PS e Socrates. Porque voce lidera destacado nos ataques sectarios a ambos.
Mário, está disponível na Net para todos lerem. Refiro-me a esses textos neste texto. Leu?
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Mario Reply:
Março 18th, 2010 at 12:50
Peco desculpa por nao ter relido o seu post. Mas as razoes porque criticou Alegre em 2005 e porque o apoia agora nao sao mais do que suficientes para um apoiante do PS nao votar nele? Alegre foi uma das minhas grandes referencias ate 2005. Depois de se candidatar contra Soares apoiado pelo PS, de durante quatro anos trair sistematicamente o partido a que pertence fugindo cobardemente a recandidatar-se contra Socrates,faltar a todas as reunioes do grupo parlamentar enquanto votava contra o PS uma serie de leis no parlamento etc.,perdi todo o respeito, consideracao e estima por Alegre. O Daniel chama a isto sectarismo delirante. Eu chamo coerencia. Por isso nunca votarei em Alegre. Como muitos socialistas. E ja agora faca este exercicio . Imagine Luis Fazenda fazer ao Bloco o que Alegre fez ao PS. Segundo o seu conceito de sectarismo delirante Fazenda seria inatacavel dentro do Bloco. E isto nao e?
Daniel, sei que tens boas intenções e pensamentos justos. Mas, quando dizes que “Um presidente é presidente de todos os portugueses. Um candidato não o pode ser. Isso é a negação da democracia”, acaso quererás dizer que o nosso actual regime Republicano, com 100 anos de experiência (quase 50 em ditadura) não é “democrático”? Mas, o que tens contra “o filho do gasolineiro”? Não preferirias uma rainha de Inglaterra em Belém, ou seja, alguém sem poderes a representar o povo e, assim, usar a democracia para o que ela foi realmente criada: eleger governantes e não contra-governantes? Eu sei que é chato sentir-se um “servo”, mas, na realidade, somos todos servos… do povo. Há é quem se “sirva” do povo e diga que isso é democracia. Faz essa reflexão e verás que, afinal, és monárquico em pensamento e actos, mas que ainda não sabias que o eras…
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Pois, é verdade que Fernando Nobre teve entradas de pitufo, mas é o homem mais consequente deste país na defesa de quem a esquerda defende – por muito se afirme alheio a dicotomias longitudinais. Alegre não: tem uma linda voz, escreve poemas, anda aos tiros aos patos, casca no Sócrates, mas nunca fez por quem defende um palito do que o Nobre faz. E – diga-se – faz mesmo muito bem.
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